Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’

– Entrevista com Adónis, por Pedro Mexia
O Massacre Português de Wiriamu, Moçambique 1972, de Mustafah Dhada (Tinta da China), por José Pedro Castanheira
Prantos, Amores e outros Desvarios, de Teolinda Gersão (Porto Editora), por José Mário Silva
Sete Anos Bons, de Etgar Keret (Sextante), por José Guardado Moreira
O Árabe do Futuro 2, de Riad Sattouf (Teorema), por José Mário Silva
As Ilhas Gregas, de Lawrence Durrell (Relógio d’Água), por José Guardado Moreira

Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’

– Entrevista com Karl Ove Knausgard, a propósito do livro No Outono (Relógio d’Água), por Cristina Margato
Lançamento, de Margarida Vale de Gato (Douda Correria), por Pedro Mexia
Correspondência 1949-1978, de Jorge de Sena e Eugénio de Andrade (Guerra & Paz), por Luís M. Faria
Hinário Nacional, de Marcello Quintanilha (Polvo), por José Mário Silva
Ahab e a Baleia Branca, de Manuel Marsol (Orfeu Negro), por Sara Figueiredo Costa
Caderno de Educação Financeira 2, de Vários autores (Trinta por uma Linha), por Carolina Reis
O Crepúsculo em Itália, de D. H. Lawrence (Tinta da China), por José Guardado Moreira

Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’

Bandolim, de Adília Lopes (Assírio & Alvim), por José Mário Silva
Boca Bilingue, de Ruy Belo (Assírio & Alvim), por Pedro Mexia
Estranha Guerra de Uso Comum, de Paulo Faria (Ítaca), por Ana Cristina Leonardo
Cronologias do Portugal Contemporâneo – 1960-2015, de Vário autores (Círculo de Leitores), por José Pedro Castanheira
Obra Completa de Ricardo Reis, de Fernando Pessoa (Tinta da China), por Luís M. Faria
Uma Estranheza em Mim, de Orhan Pamuk (Presença), por José Guardado Moreira

Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’

– Entrevista com Adónis, por Pedro Mexia
O Massacre Português de Wiriamu, Moçambique 1972, de Mustafah Dhada (Tinta da China), por José Pedro Castanheira
Prantos, Amores e outros Desvarios, de Teolinda Gersão (Porto Editora), por José Mário Silva
Sete Anos Bons, de Etgar Keret (Sextante), por José Guardado Moreira
O Árabe do Futuro 2, de Riad Sattouf (Teorema), por José Mário Silva
As Ilhas Gregas, de Lawrence Durrell (Relógio d’Água), por José Guardado Moreira

Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’

– Entrevista com Albrecht Koschorke, autor de O ‘Mein Kampf’ de Adolf Hitler, uma Leitura Crítica (Cavalo de Ferro), por Joana Azevedo Viana
– Texto sobre a atribuição do Nobel de Literatura a Bob Dylan, por João Lisboa
Numa Casca de Noz, de Ian McEwan (Gradiva), por José Mário Silva
Ficar na Cama, de G. K. Chesterton (Relógio d’Água), por Luís M. Faria
Estrada Nacional, de Rui Lage (Imprensa Nacional-Casa da Moeda), por Pedro Mexia
O Luto é a Coisa com Penas, de Max Porter (Elsinore), por José Mário Silva
Karen, de Ana Teresa Pereira (Relógio d’Água), por Manuel de Freitas
O Caminho de Ulisses, de Ben Pastor (Clube do Autor), por José Guardado Moreira
Os Hóspedes, de Sarah Waters (Bizâncio), por Luís M. Faria

Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’

– Entrevista com David Lodge, por Luís M. Faria
O Túnel de Pombos – Histórias da Minha Vida, de John Le Carré (D. Quixote), por Cristina Margato
A Vida como Ela É e O Homem Fatal, de Nelson Rodrigues (Tinta da China), por José Mário Silva
Para Aquela que Está no Sentada no Escuro à Minha Espera, de António Lobo Antunes (D. Quixote), por José Mário Silva
Histórias Aquáticas, de Joseph Conrad (Sistema Solar), por Pedro Mexia
Trinta e Oito e Meio, de Maria Ribeiro (Tinta da China), por António Loja Neves

Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’

– Entrevista com Salman Rushdie, por José Mário Silva
Bíblia, Livro I – Novo Testamento, os Quatro Evangelhos, tradução de Frederico Lourenço (Quetzal), por António Marujo
Lavoura Arcaica, de Raduan Nassar (Companhia das Letras), por Pedro Mexia
Homens Bons, de Arturo Pérez-Reverte (ASA), por José Mário Silva
O Intervalo do Tempo, de Jeannete Winterson (Bertrand), por José Guardado Moreira
Avelina, de José Vilhena (E-Primatur), por Luís M. Faria

Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’

– Entrevista com Arturo Pérez-Reverte, a própósito de Homens Bons (ASA), por José Mário Silva
O Comboio do Luxemburgo, de Irene Flunser Pimentel e Margarida de Magalhães Ramalho (A Esfera dos Livros), por Luciana Leiderfarb
– Revista Relações Internacionais, n.º 50, de vários autores (Instituto Português de Relações Internacionais), por Manuela Goucha Soares
Paris-Austerlitz, de Rafael Chirbes (Assírio & Alvim), por José Mário Silva
A Vegetariana, de Han Kang (D. Quixote), por José Guardado Moreira

Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’

– Entrevista com Mario Vargas Llosa, por Luciana Leiderfarb
– Entrevista com Mathias Énard, a própósito de Bússola (D. Quixote), por José Mário Silva
Num Estado Livre, de V. S. Naipaul (Quetzal), por José Mário Silva
A Conquista das Almas, de Aniceto Afonso e Carlos Matos Gomes (Tinta da China), por António Loja Neves
O Mito de Sísifo, de Albert Camus (Livros do Brasil), por Pedro Mexia
Os Anjos Bons da Nossa Natureza, de Steven Pinker (Relógio d’Água), por Luís M. Faria

Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’

Bússola, de Mathias Énard (D. Quixote), por José Mário Silva
O Czar do Amor e do Tecno, de Anthony Marra (Teorema), por Luís M. Faria
Crash, de J. G. Ballard (Elsinore), por Pedro Mexia
O Capitão Saiu para Almoçar e o Marinheiros Tomaram o Navio, de Charles Bukovsky (Alfaguara), por José Guardado Moreira
Espanha, de Jan Morris (Tinta da China), por Luís M. Faria

Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’

– Entrevista com Frederico Lourenço, a propósito da nova tradução da Bíblia (Quetzal), por Cristina Margato
Ronda das Mil Belas em Frol, de Mário de Carvalho (Porto Editora), por José Mário Silva
Panama Papers- A História de um Escândalo Mundial, de Bastian Obermayer e Frederik Obermaier (Objectiva), por Luís M. Faria
história do século vinte, de José Gardeazabal (Imprensa Nacional-Casa da Moeda), por José Mário Silva
Musa/O Búzio de Cós, de Sophia de Mello Breyner Andresen (Assírio & Alvim), por Pedro Mexia
Goa – Ida e Volta, de Artur Henriques (Abysmo), por Manuela Goucha Soares
Conta-quilómetros, de Madalena Matoso (Planeta Tangerina), por Sara Figueiredo Costa
O Homem que Matou Sherlock Holmes, de Graham Moore (Suma de Letras), por José Guardado Moreira

Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’

– Conversa com José Gardeazabal, a propósito de história do século vinte (Imprensa Nacional-Casa da Moeda), por José Mário Silva
A Rota da Porcelana, de Edmund de Waal (Sextante), por José Mário Silva
Conquistadores, de Roger Crowley (Presença), por Virgílio Azevedo
Será que os androides sonham com ovelhas eléctricas?, de Philip K. Dick (Relógio d’Água), por Pedro Mexia
Luz em Agosto, de William Faulkner (D. Quixote), por Luís M. Faria
O Livro, de Zoran Zivkovic (Cavalo de Ferro), por José Guardado Moreira
Casa de Férias com Piscina, de Herman Koch (Alfaguara), por José Guardado Moreira

Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’

– Centenário de Mário Dionísio e edição da sua Poesia Completa (Imprensa Nacional-Casa da Moeda), por José Mário Silva
As Rochas, de Peter Nichols (Marcador), por Luís M. Faria
A Salvação do Belo, de Byung-Chul Han (Relógio d’Água), por José Mário Silva
Afonso de Albuquerque – Corte, Cruzada e Império, de Alexandra Pelúcia (Temas e Debates), por Luísa Pinto Teixeira
O Fogo-Fátuo, de Drieu La Rochelle (Sistema Solar), por Pedro Mexia
Contra as Ordens de Salazar, de Pedro Prostes da Fonseca (Matéria Prima), por Alexandra Carita
Sangue Azul Gelado, de Iúri Buida (Gradiva), por José Guardado Moreira
Deixar Aleppo, de Manuela Niza Ribeiro (Althum.com), por Luísa Mellid-Franco

Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’

Macaco Infinto, de Manuel Jorge Marmelo (Quetzal), por José Mário Silva
Bruma Luminosíssima, de Luís Falcão (Artefacto), por Pedro Mexia
Sonetos Completos, de Antero de Quental (Artes & Letras), por Carlos Bessa
O Maior Bem que Podemos Fazer, de Peter Singer (Edições 70), por Luís M. Faria
Brincadeiras Vagas a Boneca, de Paul Éluard (Ignota/Sr. Teste), por Manuel de Freitas
O Dom da Palavra, de Catarina Nunes de Almeida e João Concha (não (edições)), por Sara Figueiredo Costa
Viagens com o Charley, de John Steinbeck (Livros do Brasil), por José Guardado Moreira
Fredo, de Ricardo Fonseca Mota (Gradiva), por José Mário Silva

Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’

– Conversa com Ricardo Fonseca Mota, a propósito do romance Fredo (Gradiva), vencedor do Prémio Agustina Bessa-Luís 2015, por José Mário Silva
O Azul do Filho Morto e Bangalô, de Marcelo Mirisola (Cotovia), por Ana Cristina Leonardo
Mulher de Porto Pim, de Antonio Tabucchi (D. Quixote), por Pedro Mexia
Dezassete Sonetos Eróticos e Fesceninos, de Tiago Veiga (Simples Mente), por José Mário Silva
Por Mão Própria, de Luís Carmelo (Abysmo), por José Mário Silva
A Factura, de Jonas Karlsson (Alfaguara), por José Guardado Moreira
ReVisão, de Vários Autores (Chili com Carne), por Sara Figueiredo Costa
A Nova Odisseia, de Patrick Kingsley (Relógio d’Água), por Luís M. Faria

Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’

– Conversa com o escritor brasileiro Marcelo Mirisola, a propósito dos livros O Azul do Filho Morto e Bangalô (Cotovia), por Ana Cristina Leonardo
Não se pode morar nos olhos de um gato, de Ana Margarida de Carvalho (Teorema), por José Mário Silva
Rio do Esquecimento, de Isabel Rio Novo (D. Quixote), por Luísa Mellid-Franco
As Torrentes da Primavera, de Ernest Hemingway (Livros do Brasil), por Pedro Mexia
Cinco Esquinas, de Mario Vargas Llosa (Quetzal), por José Guardado Moreira
O Sentido da Vida Humana, de Edward O. Wilson (Clube do Autor), por Virgílio Azevedo
Olho do Tu, de Rui Nuno Vaz Tomé (Douda Correria), por José Mário Silva
Direito a Ofender, de Mick Hume (Tinta da China), por Luís M. Faria

Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’

O Ruído do Tempo, de Julian Barnes (Quetzal), por José Mário Silva
São Luís dos Portugueses em Chamas, de Tatiana Faia (Enfermaria 6), por Pedro Mexia
De Mal a Pior, de Vasco Pulido Valente (D. Quixote), por Luís M. Faria
Ruídos e Motins, de João Rasteiro (Palimage), por José Mário Silva

Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’

– Artigo sobre o regresso de colecções antigas (Vampiro, Livros RTP, Plural) e criação de novas (Livros Amarelos), por José Mário Silva
Manual para Mulheres de Limpeza, de Lucia Berlin (Alfaguara), por Pedro Mexia
À Beira da Água, de Paul Bowles (Quetzal), por Luís M. Faria
O Amor em Lobito Bay, de Lídia Jorge (D. Quixote), por José Mário Silva
A Maçã de Cézanne… e Eu, de D.H. Lawrence (Sistema Solar), por José Guardado Moreira
A Liga dos Cavalheiros Extraordinários: Século, de Alan Moore e Kevin O’Neill (Devir), por Sara Figueiredo Costa
Faróis Acesos À Procura do Oceano, de Pablo García Casado (Do Lado Esquerdo), por José Mário Silva

Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’

O caso do camarada Tulaev, de Victor Serge (E-primatur), por Luís M. Faria
Dez de Dezembro, de George Saunders (Ítaca), por Pedro Mexia
Corações Irritáveis, de João Paulo Guerra (Clube do Autor), por António Loja Neves
Deus Ajude a Criança, de Toni Morrison (Presença), por José Mário Silva
Rumo ao Mar Branco, de Malcolm Lowry (Livros do Brasil), por José Guardado Moreira
Antes da Iluminação, de Mariano Alejandro Ribeiro (Mariposa Azual), por José Mário Silva
Kallocaína, de Karin Boye (Antígona), por José Guardado Moreira

Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’

Um Copo de Cólera, de Raduan Nassar (Companhia das Letras), por Pedro Mexia
História do Espelho, de Sabine Melchior-Bonnet (Orfeu Negro), por Celso Martins
Anunciações, de Maria Teresa Horta (Dom Quixote), por José Mário Silva
Tudo pelo Poder, de Rui Cardoso (Matéria-Prima), por António Loja Neves
O Eterno Marido, de Fiódor Dostoievski (Presença), por Luís M. Faria
Os Jardins de Luz, de Amin Maalouf (Marcador), por José Guardado Moreira
Dramas de Companhia, de André Domingues (Companhia das Ilhas), por José Mário Silva

Um mapa literário

Ler e Ver Lisboa
Autores: Vários
Editora: Associação Prado/EGEAC
N.º de páginas: 191
ISBN: 978-989-20-6669-1
Ano de publicação: 2016

Nos últimos anos, à medida que a capital foi sendo invadida por turistas, surgiram muitos livros sobre Lisboa e os seus segredos históricos, gastronómicos, culturais, etc. Nenhum tão inventivo e original como este guia literário que reúne 20 escritores e 20 artistas plásticos, empenhados em sobrepor um mapa imaginário ao mapa real. Mais geométricas ou mais figurativas, as ilustrações de Alex Gozblau, André Carrilho, Bárbara Assis Pacheco ou Bernardo Carvalho são um regalo para a vista. A principal riqueza do volume, porém, está nas ficções em prosa, que «acrescentam Lisboa a Lisboa, tornam-na mais densa». Patrícia Portela desce às galerias romanas; Rui Cardoso Martins dá voz à estátua de Fernão de Magalhães, na Praça do Chile; Gonçalo M. Tavares faz-nos subir e descer as Escadinhas do Duque; Joana Bértholo recorre ao Google Street View; Kalaf deambula pela Avenida Almirante Reis; Sandro William Junqueira senta-se no eléctrico 28, ao lado de uma grávida abandonada; Rui Zink conduz uma castiça perseguição policial até à belíssima igreja de São Domingos, «pérola de Lisboa e do mundo». Estas e as outras histórias, em vez de descrever a cidade, reinventam-na. Mais não se pode pedir.

Avaliação: 7,5/10

[Texto publicado na revista E, do semanário Expresso]

Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’

– Sugestões de Verão, por José Guardado Moreira, José Mário Silva, Luís M. Faria e Pedro Mexia
Casos de Direito Galáctico e Outros Textos Esquecidos, de Mário-Henrique Leiria (E-Primatur), por José Mário Silva
Lacre – Traduções e Versões de Poesia, de Vasco Gato (Língua Morta), por Pedro Mexia
Psiquiatras – Uma História por Contar, de Jeffrey A. Lieberman (Temas e Debates), por Luís M. Faria
Narciso e Goldmund, de Hermann Hesse (Dom Quixote), por José Guardado Moreira
Marco Paulo é a Minha Religião, de Popedelrey e João Tércio (El Pep), por Sara Figueiredo Costa
Guadalupe, de Angélica Freitas e Odyr (Polvo), por José Mário Silva

Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’

Chega de Saudade, de Ruy Castro (Tinta da China), por José Mário Silva
Tempos Difíceis, de Charles Dickens (e-Primatur), por Luís M. Faria
Não Faças Mal, de Henry Marsh (Lua de Papel), por José Mário Silva
A Conspiração Cellamare, de Nuno Júdice (Dom Quixote), por Pedro Mexia
O Espião de Austerlitz, de Laurent Joffrin (Gradiva), por José Guardado Moreira

Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’

– Conversa com Ruy Castro a propósito do livro Chega de Saudade (Tinta da China), por José Mário Silva
Os Vampiros, de Filipe Melo e Juan Cavia (Tinta da China), por José Mário Silva
Os Dez Livros de Santiago Boccanegra, de Pedro Marta Santos (Teorema), por Luísa Mellid-Franco
Doce Carícia, de William Boyd (Dom Quixote), por Luís M. Faria
O Curso do Amor, de Alain de Botton (Dom Quixote), por Cristina Peres
Senhor Roubado, de Raquel Nobre Guerra (Douda Correria), por Pedro Mexia
Tão, Tão Grande, de Catarina Sobral (Orfeu Negro), por José Mário Silva

Um cisne negro

A Coleção Privada de Acácio Nobre
Autor: Patrícia Portela
Editora: Caminho
N.º de páginas: 223
ISBN: 978-972-21-279-12
Ano de publicação: 2016

Quem é Acácio Nobre? Um fantasma? Uma singularidade quântica? Um homem invisível, sem rasto palpável, mas que mexeu nos cordelinhos do mundo? A leitura do novo livro de Patrícia Portela não oferece respostas definitivas; só mais perguntas, dúvidas, questionamentos. O mais seguro é dizer que se trata de um «cisne negro», segundo a teoria que defende serem brancos todos os cisnes «até ao momento em que um (basta um!) primeiro cisne negro apareça». Pelo simples facto de se materializar na escrita hiper-criativa de Patrícia Portela, Acácio Nobre passa a existir. Se foi real, se foi de carne e osso, eis uma questão menor, para não dizer inoportuna.
O fio desta história começa a desenrolar-se, muito pessoanamente, com a descoberta de uma arca na cave dos avós da autora, em 1999. Lá dentro, centenas de textos e projectos de um homem esquecido pela História, em larga medida por vontade própria. Nascido provavelmente em 1869, ele atravessará todos os sobressaltos do século XX, até se apagar, quase centenário, vítima de um tiro perdido que o atinge em cheio nos testículos, em pleno Maio de 68 parisiense, caminhando pelo Quartier Latin como se estivesse no Chiado, à procura de ver «passar uma revolução antes de morrer». Embora dela só conheçamos uma ínfima parte, por entre extensos hiatos, a sua vida abunda em momentos altos: trocou correspondência com Melville, cruzou-se com Einstein e Picasso, foi compincha de Pessoa e amigo íntimo de Mário de Sá-Carneiro, passou pelas trincheiras da I Guerra Mundial e pelos ficheiros da PIDE (que o vigiava de perto), criou puzzles geométricos durante décadas, e tentou de mil maneiras introduzir os Kindergarten de Fröbel em Portugal, por acreditar que a educação artística precoce seria a única forma de fazer o país entrar na modernidade.
O espólio que Patrícia Portela descobriu na arca de Acácio (nome que, em latim, significa «aquele que não tem maldade») é quase tão caótica como a sua existência. Esforçadamente, a autora classifica os materiais, organiza-os, contextualiza-os, capricha nos fac-similes. O que emerge, pouco a pouco, é a imagem de um visionário que esteve sempre deslocado do tempo em que vivia, mas ainda assim consegue antecipar as grandes mudanças e rupturas levadas a cabo pelas vanguardas artísticas, algo que certamente ficaria inscrito na sua muito inventiva «árvore genealógica da arte», se alguma vez ela tivesse deixado o campo das meras intenções.
A esmagadora maioria das obras de Acácio Nobre não são obras propriamente ditas, mas projectos, sonhos deixados em esboço. É o caso de uma máquina do tempo, denominada ‘Lepidóptero’, que funcionaria por «exclusão das horas através do sono, da meditação, da levitação, do voo picado e da metamorfose». Ou da proposta de «reurbanização do Chiado através da alteração radical da sua banda sonora», uma ideia que viria a ser materializada por Patrícia Portela, sob a forma de instalação/performance, em 2009. De certa forma, Acácio Nobre só sai da sombra pela mão de Portela. É ela que o arranca a um anonimato procurado de forma quase obsessiva. Uma vontade de não ser fixado na ordem do mundo. Apesar de ter vivido quase um século, não sobraram dele quaisquer fotografias (suspeita-se apenas que possa constar de um retrato de grupo, encontrado no espólio de José Pacheko). Nas muitas deambulações por paragens longínquas, que o levaram a Rudolstadt e a Baku, transportava consigo um pesado fonógrafo, «para gravar o ruído da sua ausência em diferentes lugares». Tudo indícios de uma atitude de desdém perante a posteridade, sublinhada de resto num dos «objectivos prioritários» do Clube dos Amigos de Acácio Nobre: «Assegurar que as suas obras se mantêm dispersas e passíveis de serem reencontradas e perdidas vezes sem conta».
É precisamente isso que acontece durante a leitura deste livro-enigma, quebra-cabeças capaz de pedir meças aos engenhosos puzzles geométricos de Acácio Nobre. Reencontramos e perdemos vezes sem conta o fio à meada. Tão depressa lamentamos não encontrar mais exemplos da «arte minúscula» (que só se consegue observar ao microscópio), como nos entusiasmamos com o relato pejado de palavrões da amante, Alva, exemplo caricato de nobreza traída pela síndrome de Tourette. Ou nos deliciamos com os labirintos retóricos das gigantescas notas de rodapé.
Fragmentária e quase impalpável, coisa em potência mais do que coisa real, a obra de Acácio Nobre não se esgota neste livro desafiante. Ela continuará a assombrar o trabalho futuro de Patrícia Portela, de quem esperamos que continue a mergulhar na arca acaciana, à procura de notas rabiscadas em guardanapos de papel e, quem sabe, desse dicionário perdido que permitiria descodificar um promissor manifesto encriptado. Mas o que gostaríamos mesmo, embora talvez seja pedir muito, é que Portela exumasse o livro de ficção científica publicado por A. N. em 1902 (Memórias de um Androide Que Sonha com Mosquitos Elétricos); ou então o Diário Retrospectivo, texto «em rewind, do fim para o princípio, com Nobre a admitir que só «escrevendo para trás posso fazer frente à minha época».

Avaliação: 8/10

[Texto publicado na revista E, do semanário Expresso]

Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’

– Entrevista com Henry Marsh a propósito do livro Não Faças Mal (Lua de Papel), por José Mário Silva
– Entrevista com Alain de Botton, a propósito do livro O Curso do Amor (Dom Quixote), por Cristina Peres
A Coleção Privada de Acácio Nobre, de Patrícia Portela (Caminho), por José Mário Silva
A Vida no Campo, de Joel Neto (Marcador), por Pedro Mexia
O Peso do Coração, de Rosa Montero (Porto Editora), por José Guardado Moreira
Balbúrdia, de Teresa Cortez (Pato Lógico), por Sara Figueiredo Costa
Gritante Justiça, de António de Almeida Santos (Dom Quixote), por Luísa Pinto Teixeira

Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’

– Entrevista com John Banville a propósito do livro A Guitarra Azul (Porto Editora) e respectiva recensão, por José Mário Silva
A Invenção da Natureza, de Andrea Wolf (Temas e Debates), por Luís M. Faria
Cassandra, de Christa Wolf (Cotovia), por Cristina Peres
O Leão de Belfort, de Alexandre Andrade (Relógio d’Água), por Pedro Mexia
Velhas Traições, de Olen Steinhauer (Bertrand), por José Guardado Moreira
A Dor Concreta, de António Carlos Cortez (Tinta da China), por José Mário Silva

Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’

– Conversa com Delphine de Vigan, a propósito do livro A Partir de uma História Verdadeira (Quetzal), por José Mário Silva
Histórias Curtas, de Rubem Fonseca (Sextante), por Pedro Mexia
Esquerda e Direita em Portugal, de Luís Reto e Jorge de Sá (Livros Horizonte), por Filipe Santos Costa
A Grande Evasão, de Angus Deaton (Presença), por Luís M. Faria
Regresso ao Paraíso, de Germano Almeida (Caminho), por Carlos Bessa
Ver no Escuro, de Cláudia R. Sampaio (Tinta da China), por José Mário Silva

Hoje na secção de Livros da revista ‘E’

– Entrevista com José Eduardo Agualusa, por José Mário Silva
M Train, de Patti Smith (Quetzal), por Alexandra Carita
Novelas Exemplares, de Miguel de Cervantes (Bertrand), por Luís M. Faria
Diário do Farol – a Ilha, a Cadela e Eu, de Ana Cristina Leonardo (Hierro Lopes), por José Mário Silva
A Casa em Paris, de Elizabeth Bowen (Relógio d’Água), por Pedro Mexia
Francamente, Frank, de Richard Fort (Porto Editora), por José Guardado Moreira

Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’

– Conversa com Manuel da Silva Ramos e Miguel Real, a propósito do livro O Deputado da Nação (Parsifal), por José Mário Silva
Os Filhos, de Franz Kafka (Ítaca), por Pedro Mexia
O Tráfico de Escravos nos Portos de Moçambique, 1717-1904, de José Capela (Afrontamento), por Luísa Pinto Teixeira
O Almirante Português, de Jorge Moreira Silva (Marcador), por Luísa Mellid-Franco
O Regresso dos Lobos, de Susan Hall (Jacarandá), por José Guardado Moreira
Poemas e outros Poemas, de Pedro Dias de Almeida (CalaFrio), por José Mário Silva
Reinos Desaparecidos, de Norman Davies (Edições 70), por Luís M. Faria

Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’

Todos os Contos, de Clarice Lispector (Relógio d’Água), por Luciana Leiderfarb
150 Perguntas e Respostas Essenciais Sobre a História de Portugal, de Joaquim Vieira e Maria Inês Almeida (Esfera dos Livros), por Luís M. Faria
Um Postal de Detroit, de João Ricardo Pedro (D. Quixote), por José Mário Silva
Retrato do Artista Quando Jovem Cão e Outras Histórias, de Dylan Thomas (Livros do Brasil), por José Guardado Moreira
A Cidade nos Confins do Céu, de Elif Shafak (Jacarandá), por José Guardado Moreira
Vida: Variações III, de Bénédicte Houart (Cotovia), por José Mário Silva
Vertentes do Olhar, de Eugénio de Andrade (Assírio & Alvim), por Pedro Mexia

Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’

Vozes de Chernobyl, de Svetlana Alexievich (Elsinore), por José Mário Silva
Uma Causa Improcedente, de Claudio Magris (Quetzal), por Luís M. Faria
Não Há Tantos Homens Ricos como Mulheres Bonitas que os Mereçam, de Helena Vasconcelos (Quetzal), por Pedro Mexia
O quotidiano a secar em verso, de Eugénia Vasconcellos (Guerra & Paz), por José Mário Silva

Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’

– Entrevista com J. Rentes de Carvalho, por José Mário Silva
Em Ouro e Alma (Tinta da China) e Prosa Completa (D. Quixote), de Mário de Sá-Carneiro, por José Mário Silva
Cartas Reencontradas, de Pedro Eiras (Assírio & Alvim), por Pedro Mexia
Avareza, de Emiliano Fittipaldi (Saída de Emergência), por Rosa Maria Pedroso
Peregrinação Vermelha, de António Caeiro (D. Quixote), por Cristina Peres
31 Sonetos, de William Shakespeare (Relógio d’Água), por Luís M. Faria
Grosso Modo, de Jacinto Lucas Pires (Cotovia), por Luísa Mellid-Franco

Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’

– Entrevista com Roger Crowley, sobre Conquistadores – Como Portugal criou o primeiro império global (Presença), por Ricardo Marques
Cicatrizes, de Juan José Saer (Cavalo de Ferro), por Pedro Mexia
Sibéria, de Olivier Rolin (Tinta da China), por José Mário Silva
Obra Completa de Alberto Caeiro, de Fernando Pessoa (Tinta da China), por Luís M. Faria
Instalações Provisórias, de Sandra Vieira Jürgens (Documenta), por Celso Martins
Nove Fabulo O Mea Vox/De Novo Falo, a Meia Voz, de Alberto Pimenta (Pianola), por Manuel de Freitas
Contos Fantásticos, de Edgar Allan Poe (Ulisseia), por José Guardado Moreira

Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’

História da Menina Perdida, de Elena Ferrante (Relógio d’Água), por José Mário Silva
A Filha de Estaline, de Rosemary Sullivan (Temas e Debates), por Luís M. Faria
Contra Todas as Evidências – Poemas Reunidos III, de Manuel Gusmão (Edições Avante!), por Pedro Mexia
Cartas a um Jovem Poeta, de Rainer Maria Rilke (Antígona), por Manuel de Freitas
A Ilha do Tesouro, de Robert Louis Stevenson (Guerra & Paz), por José Guardado Moreira
Messalina, de Alfred Jarry (Sistema Solar), por José Guardado Moreira

Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’

A Resistência, de Julián Fuks (Companhia das Letras), por José Mário Silva
A Memória de Shakespeare e Nove Ensaios Dantescos, de Jorge Luis Borges (Quetzal), por Pedro Mexia
Vem à Quinta-Feira, de Filipa Leal (Assírio & Alvim), por José Mário Silva
Terramoto Doutrinal, de Carlos A. Moreira Azevedo (Temas e Debates), por António Marujo
Satyricon, de Petrónio (Cotovia), por Luís M. Faria
Europa, de Rui Cóias (Tinta da China), por José Mário Silva

Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’

– Conversa com Julián Fuks, sobre o livro A Resistência (Companhia das Letras), por José Mário Silva
Letra Aberta, de Herberto Helder (Porto Editora), por Pedro Mexia
Os Usurpadores, de Susan George (Bizâncio), por Luís M. Faria
Cabo Verde, Janelas de África, de Corsino Tolentino (Livraria Pedro Cardoso), por Cristina Peres
Adivinha em que mão está a moeda, de Benjamín Prado (Do Lado Esquerdo), por José Mário Silva
Sob a Pele – Conversas com Sara Antónia Matos, de Rui Chafes (Documenta), por Manuel de Freitas

Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’

– Entrevista com José Eduardo Agualusa, a propósito da nomeação para a ‘longlist’ do Man Booker International Prize
Artigos Portugueses, de Miguel Tamen (Assírio & Alvim), por Pedro Mexia
Pós-Capitalismo, de Paul Mason (Objectiva), por Luís M. Faria
Mediterrâneo, de João Luís Barreto Guimarães (Quetzal), por José Mário Silva
A Crisálida, de Rui Nunes (Relógio d’Água), por Manuel de Freitas

Hino à vida

Gratidão
Autor: Oliver Sacks
Editora: Relógio d’Água
Título original: Gratitude
Tradução: Miguel Serras Pereira
N.º de páginas: 48
ISBN: 978-989-641-591-4
Ano de publicação: 2016

Este volume, composto por quatro brevíssimos ensaios, é uma espécie de complemento à autobiografia Em Movimento – o livro final do neurologista Oliver Sacks, que ainda teve tempo de o acabar e ver publicado, em Abril de 2015, quatro meses antes de ser vencido pelas múltiplas metástases, no fígado, de um melanoma ocular que o deixara cego de um olho. Na autobiografia, já publicada pela Relógio d’Água, Sacks narra com o habitual entusiasmo – e prosa magnífica, clara, encantatória – o arco completo da sua existência: não apenas o notável percurso intelectual e científico, mas também toda a sorte de idiossincrasias (a faceta de motard, o gosto pelo culturismo e pela halterofilia, as rotinas de nadador metódico), bem como aspectos íntimos, da conhecida dependência das anfetaminas à homossexualidade, que até esse momento não assumira publicamente.
Os textos de Gratidão, todos eles publicados no The New York Times (e partilhados na internet, onde se tornaram virais), são uma espécie de coda em que Sacks, mais do que consciente da morte próxima, se despede com uma dignidade e uma delicadeza extraordinárias. Grato por tudo o que pôde ver, sentir, experimentar, ele faz deste adeus um hino à vida, uma celebração do privilégio de conhecer o mundo, aproveitando a existência até ao tutano.
Em Sabat, o derradeiro dos seus escritos, evoca a infância judaica e acolhe em si «a paz de um mundo que se detém, de um tempo fora do tempo». A paixão pelos elementos químicos atravessa Mercúrio e A Minha Tabela Periódica, duas prosas que lembram o melhor de Sacks: a forma como torna empática, e às vezes até comovente, de tão pessoal, a abordagem ao conhecimento científico. Já A Minha Vida, o texto que anunciou ao mundo a irreversibilidade da doença, termina com uma luminosa aceitação do fim: «Acima de tudo, fui um ser senciente, um animal pensante, neste belo planeta, e isso foi, por si só, um enorme privilégio e aventura.»

Avaliação: 8/10

[Texto publicado na revista E, do semanário Expresso]

Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’

Judas, de Amos Oz (Dom Quixote), por Luciana Leiderfarb
Águas Negras, de José Viale Moutinho (Lápis de Memórias), por Pedro Mexia
Entre Mim e o Mundo, de Ta-Nehisi Coates (Ítaca), por José Mário Silva
Gratidão, de Oliver Sacks (Relógio d’Água), por José Mário Silva
A Última Noite e Outras Histórias, de James Salter (Livros do Brasil), por José Guardado Moreira
Os Irmãos Wright, de David McCullough (Relógio d’Água), por Luís M. Faria

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«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges