Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’

– Entrevista com Frederico Lourenço, a propósito da nova tradução da Bíblia (Quetzal), por Cristina Margato
Ronda das Mil Belas em Frol, de Mário de Carvalho (Porto Editora), por José Mário Silva
Panama Papers- A História de um Escândalo Mundial, de Bastian Obermayer e Frederik Obermaier (Objectiva), por Luís M. Faria
história do século vinte, de José Gardeazabal (Imprensa Nacional-Casa da Moeda), por José Mário Silva
Musa/O Búzio de Cós, de Sophia de Mello Breyner Andresen (Assírio & Alvim), por Pedro Mexia
Goa – Ida e Volta, de Artur Henriques (Abysmo), por Manuela Goucha Soares
Conta-quilómetros, de Madalena Matoso (Planeta Tangerina), por Sara Figueiredo Costa
O Homem que Matou Sherlock Holmes, de Graham Moore (Suma de Letras), por José Guardado Moreira

Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’

– Conversa com José Gardeazabal, a propósito de história do século vinte (Imprensa Nacional-Casa da Moeda), por José Mário Silva
A Rota da Porcelana, de Edmund de Waal (Sextante), por José Mário Silva
Conquistadores, de Roger Crowley (Presença), por Virgílio Azevedo
Será que os androides sonham com ovelhas eléctricas?, de Philip K. Dick (Relógio d’Água), por Pedro Mexia
Luz em Agosto, de William Faulkner (D. Quixote), por Luís M. Faria
O Livro, de Zoran Zivkovic (Cavalo de Ferro), por José Guardado Moreira
Casa de Férias com Piscina, de Herman Koch (Alfaguara), por José Guardado Moreira

Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’

– Centenário de Mário Dionísio e edição da sua Poesia Completa (Imprensa Nacional-Casa da Moeda), por José Mário Silva
As Rochas, de Peter Nichols (Marcador), por Luís M. Faria
A Salvação do Belo, de Byung-Chul Han (Relógio d’Água), por José Mário Silva
Afonso de Albuquerque – Corte, Cruzada e Império, de Alexandra Pelúcia (Temas e Debates), por Luísa Pinto Teixeira
O Fogo-Fátuo, de Drieu La Rochelle (Sistema Solar), por Pedro Mexia
Contra as Ordens de Salazar, de Pedro Prostes da Fonseca (Matéria Prima), por Alexandra Carita
Sangue Azul Gelado, de Iúri Buida (Gradiva), por José Guardado Moreira
Deixar Aleppo, de Manuela Niza Ribeiro (Althum.com), por Luísa Mellid-Franco

Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’

Macaco Infinto, de Manuel Jorge Marmelo (Quetzal), por José Mário Silva
Bruma Luminosíssima, de Luís Falcão (Artefacto), por Pedro Mexia
Sonetos Completos, de Antero de Quental (Artes & Letras), por Carlos Bessa
O Maior Bem que Podemos Fazer, de Peter Singer (Edições 70), por Luís M. Faria
Brincadeiras Vagas a Boneca, de Paul Éluard (Ignota/Sr. Teste), por Manuel de Freitas
O Dom da Palavra, de Catarina Nunes de Almeida e João Concha (não (edições)), por Sara Figueiredo Costa
Viagens com o Charley, de John Steinbeck (Livros do Brasil), por José Guardado Moreira
Fredo, de Ricardo Fonseca Mota (Gradiva), por José Mário Silva

Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’

– Conversa com Ricardo Fonseca Mota, a propósito do romance Fredo (Gradiva), vencedor do Prémio Agustina Bessa-Luís 2015, por José Mário Silva
O Azul do Filho Morto e Bangalô, de Marcelo Mirisola (Cotovia), por Ana Cristina Leonardo
Mulher de Porto Pim, de Antonio Tabucchi (D. Quixote), por Pedro Mexia
Dezassete Sonetos Eróticos e Fesceninos, de Tiago Veiga (Simples Mente), por José Mário Silva
Por Mão Própria, de Luís Carmelo (Abysmo), por José Mário Silva
A Factura, de Jonas Karlsson (Alfaguara), por José Guardado Moreira
ReVisão, de Vários Autores (Chili com Carne), por Sara Figueiredo Costa
A Nova Odisseia, de Patrick Kingsley (Relógio d’Água), por Luís M. Faria

Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’

– Conversa com o escritor brasileiro Marcelo Mirisola, a propósito dos livros O Azul do Filho Morto e Bangalô (Cotovia), por Ana Cristina Leonardo
Não se pode morar nos olhos de um gato, de Ana Margarida de Carvalho (Teorema), por José Mário Silva
Rio do Esquecimento, de Isabel Rio Novo (D. Quixote), por Luísa Mellid-Franco
As Torrentes da Primavera, de Ernest Hemingway (Livros do Brasil), por Pedro Mexia
Cinco Esquinas, de Mario Vargas Llosa (Quetzal), por José Guardado Moreira
O Sentido da Vida Humana, de Edward O. Wilson (Clube do Autor), por Virgílio Azevedo
Olho do Tu, de Rui Nuno Vaz Tomé (Douda Correria), por José Mário Silva
Direito a Ofender, de Mick Hume (Tinta da China), por Luís M. Faria

Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’

O Ruído do Tempo, de Julian Barnes (Quetzal), por José Mário Silva
São Luís dos Portugueses em Chamas, de Tatiana Faia (Enfermaria 6), por Pedro Mexia
De Mal a Pior, de Vasco Pulido Valente (D. Quixote), por Luís M. Faria
Ruídos e Motins, de João Rasteiro (Palimage), por José Mário Silva

Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’

– Artigo sobre o regresso de colecções antigas (Vampiro, Livros RTP, Plural) e criação de novas (Livros Amarelos), por José Mário Silva
Manual para Mulheres de Limpeza, de Lucia Berlin (Alfaguara), por Pedro Mexia
À Beira da Água, de Paul Bowles (Quetzal), por Luís M. Faria
O Amor em Lobito Bay, de Lídia Jorge (D. Quixote), por José Mário Silva
A Maçã de Cézanne… e Eu, de D.H. Lawrence (Sistema Solar), por José Guardado Moreira
A Liga dos Cavalheiros Extraordinários: Século, de Alan Moore e Kevin O’Neill (Devir), por Sara Figueiredo Costa
Faróis Acesos À Procura do Oceano, de Pablo García Casado (Do Lado Esquerdo), por José Mário Silva

Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’

O caso do camarada Tulaev, de Victor Serge (E-primatur), por Luís M. Faria
Dez de Dezembro, de George Saunders (Ítaca), por Pedro Mexia
Corações Irritáveis, de João Paulo Guerra (Clube do Autor), por António Loja Neves
Deus Ajude a Criança, de Toni Morrison (Presença), por José Mário Silva
Rumo ao Mar Branco, de Malcolm Lowry (Livros do Brasil), por José Guardado Moreira
Antes da Iluminação, de Mariano Alejandro Ribeiro (Mariposa Azual), por José Mário Silva
Kallocaína, de Karin Boye (Antígona), por José Guardado Moreira

Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’

Um Copo de Cólera, de Raduan Nassar (Companhia das Letras), por Pedro Mexia
História do Espelho, de Sabine Melchior-Bonnet (Orfeu Negro), por Celso Martins
Anunciações, de Maria Teresa Horta (Dom Quixote), por José Mário Silva
Tudo pelo Poder, de Rui Cardoso (Matéria-Prima), por António Loja Neves
O Eterno Marido, de Fiódor Dostoievski (Presença), por Luís M. Faria
Os Jardins de Luz, de Amin Maalouf (Marcador), por José Guardado Moreira
Dramas de Companhia, de André Domingues (Companhia das Ilhas), por José Mário Silva

Um mapa literário

Ler e Ver Lisboa
Autores: Vários
Editora: Associação Prado/EGEAC
N.º de páginas: 191
ISBN: 978-989-20-6669-1
Ano de publicação: 2016

Nos últimos anos, à medida que a capital foi sendo invadida por turistas, surgiram muitos livros sobre Lisboa e os seus segredos históricos, gastronómicos, culturais, etc. Nenhum tão inventivo e original como este guia literário que reúne 20 escritores e 20 artistas plásticos, empenhados em sobrepor um mapa imaginário ao mapa real. Mais geométricas ou mais figurativas, as ilustrações de Alex Gozblau, André Carrilho, Bárbara Assis Pacheco ou Bernardo Carvalho são um regalo para a vista. A principal riqueza do volume, porém, está nas ficções em prosa, que «acrescentam Lisboa a Lisboa, tornam-na mais densa». Patrícia Portela desce às galerias romanas; Rui Cardoso Martins dá voz à estátua de Fernão de Magalhães, na Praça do Chile; Gonçalo M. Tavares faz-nos subir e descer as Escadinhas do Duque; Joana Bértholo recorre ao Google Street View; Kalaf deambula pela Avenida Almirante Reis; Sandro William Junqueira senta-se no eléctrico 28, ao lado de uma grávida abandonada; Rui Zink conduz uma castiça perseguição policial até à belíssima igreja de São Domingos, «pérola de Lisboa e do mundo». Estas e as outras histórias, em vez de descrever a cidade, reinventam-na. Mais não se pode pedir.

Avaliação: 7,5/10

[Texto publicado na revista E, do semanário Expresso]

Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’

– Sugestões de Verão, por José Guardado Moreira, José Mário Silva, Luís M. Faria e Pedro Mexia
Casos de Direito Galáctico e Outros Textos Esquecidos, de Mário-Henrique Leiria (E-Primatur), por José Mário Silva
Lacre – Traduções e Versões de Poesia, de Vasco Gato (Língua Morta), por Pedro Mexia
Psiquiatras – Uma História por Contar, de Jeffrey A. Lieberman (Temas e Debates), por Luís M. Faria
Narciso e Goldmund, de Hermann Hesse (Dom Quixote), por José Guardado Moreira
Marco Paulo é a Minha Religião, de Popedelrey e João Tércio (El Pep), por Sara Figueiredo Costa
Guadalupe, de Angélica Freitas e Odyr (Polvo), por José Mário Silva

Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’

Chega de Saudade, de Ruy Castro (Tinta da China), por José Mário Silva
Tempos Difíceis, de Charles Dickens (e-Primatur), por Luís M. Faria
Não Faças Mal, de Henry Marsh (Lua de Papel), por José Mário Silva
A Conspiração Cellamare, de Nuno Júdice (Dom Quixote), por Pedro Mexia
O Espião de Austerlitz, de Laurent Joffrin (Gradiva), por José Guardado Moreira

Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’

– Conversa com Ruy Castro a propósito do livro Chega de Saudade (Tinta da China), por José Mário Silva
Os Vampiros, de Filipe Melo e Juan Cavia (Tinta da China), por José Mário Silva
Os Dez Livros de Santiago Boccanegra, de Pedro Marta Santos (Teorema), por Luísa Mellid-Franco
Doce Carícia, de William Boyd (Dom Quixote), por Luís M. Faria
O Curso do Amor, de Alain de Botton (Dom Quixote), por Cristina Peres
Senhor Roubado, de Raquel Nobre Guerra (Douda Correria), por Pedro Mexia
Tão, Tão Grande, de Catarina Sobral (Orfeu Negro), por José Mário Silva

Um cisne negro

A Coleção Privada de Acácio Nobre
Autor: Patrícia Portela
Editora: Caminho
N.º de páginas: 223
ISBN: 978-972-21-279-12
Ano de publicação: 2016

Quem é Acácio Nobre? Um fantasma? Uma singularidade quântica? Um homem invisível, sem rasto palpável, mas que mexeu nos cordelinhos do mundo? A leitura do novo livro de Patrícia Portela não oferece respostas definitivas; só mais perguntas, dúvidas, questionamentos. O mais seguro é dizer que se trata de um «cisne negro», segundo a teoria que defende serem brancos todos os cisnes «até ao momento em que um (basta um!) primeiro cisne negro apareça». Pelo simples facto de se materializar na escrita hiper-criativa de Patrícia Portela, Acácio Nobre passa a existir. Se foi real, se foi de carne e osso, eis uma questão menor, para não dizer inoportuna.
O fio desta história começa a desenrolar-se, muito pessoanamente, com a descoberta de uma arca na cave dos avós da autora, em 1999. Lá dentro, centenas de textos e projectos de um homem esquecido pela História, em larga medida por vontade própria. Nascido provavelmente em 1869, ele atravessará todos os sobressaltos do século XX, até se apagar, quase centenário, vítima de um tiro perdido que o atinge em cheio nos testículos, em pleno Maio de 68 parisiense, caminhando pelo Quartier Latin como se estivesse no Chiado, à procura de ver «passar uma revolução antes de morrer». Embora dela só conheçamos uma ínfima parte, por entre extensos hiatos, a sua vida abunda em momentos altos: trocou correspondência com Melville, cruzou-se com Einstein e Picasso, foi compincha de Pessoa e amigo íntimo de Mário de Sá-Carneiro, passou pelas trincheiras da I Guerra Mundial e pelos ficheiros da PIDE (que o vigiava de perto), criou puzzles geométricos durante décadas, e tentou de mil maneiras introduzir os Kindergarten de Fröbel em Portugal, por acreditar que a educação artística precoce seria a única forma de fazer o país entrar na modernidade.
O espólio que Patrícia Portela descobriu na arca de Acácio (nome que, em latim, significa «aquele que não tem maldade») é quase tão caótica como a sua existência. Esforçadamente, a autora classifica os materiais, organiza-os, contextualiza-os, capricha nos fac-similes. O que emerge, pouco a pouco, é a imagem de um visionário que esteve sempre deslocado do tempo em que vivia, mas ainda assim consegue antecipar as grandes mudanças e rupturas levadas a cabo pelas vanguardas artísticas, algo que certamente ficaria inscrito na sua muito inventiva «árvore genealógica da arte», se alguma vez ela tivesse deixado o campo das meras intenções.
A esmagadora maioria das obras de Acácio Nobre não são obras propriamente ditas, mas projectos, sonhos deixados em esboço. É o caso de uma máquina do tempo, denominada ‘Lepidóptero’, que funcionaria por «exclusão das horas através do sono, da meditação, da levitação, do voo picado e da metamorfose». Ou da proposta de «reurbanização do Chiado através da alteração radical da sua banda sonora», uma ideia que viria a ser materializada por Patrícia Portela, sob a forma de instalação/performance, em 2009. De certa forma, Acácio Nobre só sai da sombra pela mão de Portela. É ela que o arranca a um anonimato procurado de forma quase obsessiva. Uma vontade de não ser fixado na ordem do mundo. Apesar de ter vivido quase um século, não sobraram dele quaisquer fotografias (suspeita-se apenas que possa constar de um retrato de grupo, encontrado no espólio de José Pacheko). Nas muitas deambulações por paragens longínquas, que o levaram a Rudolstadt e a Baku, transportava consigo um pesado fonógrafo, «para gravar o ruído da sua ausência em diferentes lugares». Tudo indícios de uma atitude de desdém perante a posteridade, sublinhada de resto num dos «objectivos prioritários» do Clube dos Amigos de Acácio Nobre: «Assegurar que as suas obras se mantêm dispersas e passíveis de serem reencontradas e perdidas vezes sem conta».
É precisamente isso que acontece durante a leitura deste livro-enigma, quebra-cabeças capaz de pedir meças aos engenhosos puzzles geométricos de Acácio Nobre. Reencontramos e perdemos vezes sem conta o fio à meada. Tão depressa lamentamos não encontrar mais exemplos da «arte minúscula» (que só se consegue observar ao microscópio), como nos entusiasmamos com o relato pejado de palavrões da amante, Alva, exemplo caricato de nobreza traída pela síndrome de Tourette. Ou nos deliciamos com os labirintos retóricos das gigantescas notas de rodapé.
Fragmentária e quase impalpável, coisa em potência mais do que coisa real, a obra de Acácio Nobre não se esgota neste livro desafiante. Ela continuará a assombrar o trabalho futuro de Patrícia Portela, de quem esperamos que continue a mergulhar na arca acaciana, à procura de notas rabiscadas em guardanapos de papel e, quem sabe, desse dicionário perdido que permitiria descodificar um promissor manifesto encriptado. Mas o que gostaríamos mesmo, embora talvez seja pedir muito, é que Portela exumasse o livro de ficção científica publicado por A. N. em 1902 (Memórias de um Androide Que Sonha com Mosquitos Elétricos); ou então o Diário Retrospectivo, texto «em rewind, do fim para o princípio, com Nobre a admitir que só «escrevendo para trás posso fazer frente à minha época».

Avaliação: 8/10

[Texto publicado na revista E, do semanário Expresso]

Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’

– Entrevista com Henry Marsh a propósito do livro Não Faças Mal (Lua de Papel), por José Mário Silva
– Entrevista com Alain de Botton, a propósito do livro O Curso do Amor (Dom Quixote), por Cristina Peres
A Coleção Privada de Acácio Nobre, de Patrícia Portela (Caminho), por José Mário Silva
A Vida no Campo, de Joel Neto (Marcador), por Pedro Mexia
O Peso do Coração, de Rosa Montero (Porto Editora), por José Guardado Moreira
Balbúrdia, de Teresa Cortez (Pato Lógico), por Sara Figueiredo Costa
Gritante Justiça, de António de Almeida Santos (Dom Quixote), por Luísa Pinto Teixeira

Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’

– Entrevista com John Banville a propósito do livro A Guitarra Azul (Porto Editora) e respectiva recensão, por José Mário Silva
A Invenção da Natureza, de Andrea Wolf (Temas e Debates), por Luís M. Faria
Cassandra, de Christa Wolf (Cotovia), por Cristina Peres
O Leão de Belfort, de Alexandre Andrade (Relógio d’Água), por Pedro Mexia
Velhas Traições, de Olen Steinhauer (Bertrand), por José Guardado Moreira
A Dor Concreta, de António Carlos Cortez (Tinta da China), por José Mário Silva

Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’

– Conversa com Delphine de Vigan, a propósito do livro A Partir de uma História Verdadeira (Quetzal), por José Mário Silva
Histórias Curtas, de Rubem Fonseca (Sextante), por Pedro Mexia
Esquerda e Direita em Portugal, de Luís Reto e Jorge de Sá (Livros Horizonte), por Filipe Santos Costa
A Grande Evasão, de Angus Deaton (Presença), por Luís M. Faria
Regresso ao Paraíso, de Germano Almeida (Caminho), por Carlos Bessa
Ver no Escuro, de Cláudia R. Sampaio (Tinta da China), por José Mário Silva

Hoje na secção de Livros da revista ‘E’

– Entrevista com José Eduardo Agualusa, por José Mário Silva
M Train, de Patti Smith (Quetzal), por Alexandra Carita
Novelas Exemplares, de Miguel de Cervantes (Bertrand), por Luís M. Faria
Diário do Farol – a Ilha, a Cadela e Eu, de Ana Cristina Leonardo (Hierro Lopes), por José Mário Silva
A Casa em Paris, de Elizabeth Bowen (Relógio d’Água), por Pedro Mexia
Francamente, Frank, de Richard Fort (Porto Editora), por José Guardado Moreira

Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’

– Conversa com Manuel da Silva Ramos e Miguel Real, a propósito do livro O Deputado da Nação (Parsifal), por José Mário Silva
Os Filhos, de Franz Kafka (Ítaca), por Pedro Mexia
O Tráfico de Escravos nos Portos de Moçambique, 1717-1904, de José Capela (Afrontamento), por Luísa Pinto Teixeira
O Almirante Português, de Jorge Moreira Silva (Marcador), por Luísa Mellid-Franco
O Regresso dos Lobos, de Susan Hall (Jacarandá), por José Guardado Moreira
Poemas e outros Poemas, de Pedro Dias de Almeida (CalaFrio), por José Mário Silva
Reinos Desaparecidos, de Norman Davies (Edições 70), por Luís M. Faria

Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’

Todos os Contos, de Clarice Lispector (Relógio d’Água), por Luciana Leiderfarb
150 Perguntas e Respostas Essenciais Sobre a História de Portugal, de Joaquim Vieira e Maria Inês Almeida (Esfera dos Livros), por Luís M. Faria
Um Postal de Detroit, de João Ricardo Pedro (D. Quixote), por José Mário Silva
Retrato do Artista Quando Jovem Cão e Outras Histórias, de Dylan Thomas (Livros do Brasil), por José Guardado Moreira
A Cidade nos Confins do Céu, de Elif Shafak (Jacarandá), por José Guardado Moreira
Vida: Variações III, de Bénédicte Houart (Cotovia), por José Mário Silva
Vertentes do Olhar, de Eugénio de Andrade (Assírio & Alvim), por Pedro Mexia

Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’

Vozes de Chernobyl, de Svetlana Alexievich (Elsinore), por José Mário Silva
Uma Causa Improcedente, de Claudio Magris (Quetzal), por Luís M. Faria
Não Há Tantos Homens Ricos como Mulheres Bonitas que os Mereçam, de Helena Vasconcelos (Quetzal), por Pedro Mexia
O quotidiano a secar em verso, de Eugénia Vasconcellos (Guerra & Paz), por José Mário Silva

Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’

– Entrevista com J. Rentes de Carvalho, por José Mário Silva
Em Ouro e Alma (Tinta da China) e Prosa Completa (D. Quixote), de Mário de Sá-Carneiro, por José Mário Silva
Cartas Reencontradas, de Pedro Eiras (Assírio & Alvim), por Pedro Mexia
Avareza, de Emiliano Fittipaldi (Saída de Emergência), por Rosa Maria Pedroso
Peregrinação Vermelha, de António Caeiro (D. Quixote), por Cristina Peres
31 Sonetos, de William Shakespeare (Relógio d’Água), por Luís M. Faria
Grosso Modo, de Jacinto Lucas Pires (Cotovia), por Luísa Mellid-Franco

Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’

– Entrevista com Roger Crowley, sobre Conquistadores – Como Portugal criou o primeiro império global (Presença), por Ricardo Marques
Cicatrizes, de Juan José Saer (Cavalo de Ferro), por Pedro Mexia
Sibéria, de Olivier Rolin (Tinta da China), por José Mário Silva
Obra Completa de Alberto Caeiro, de Fernando Pessoa (Tinta da China), por Luís M. Faria
Instalações Provisórias, de Sandra Vieira Jürgens (Documenta), por Celso Martins
Nove Fabulo O Mea Vox/De Novo Falo, a Meia Voz, de Alberto Pimenta (Pianola), por Manuel de Freitas
Contos Fantásticos, de Edgar Allan Poe (Ulisseia), por José Guardado Moreira

Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’

História da Menina Perdida, de Elena Ferrante (Relógio d’Água), por José Mário Silva
A Filha de Estaline, de Rosemary Sullivan (Temas e Debates), por Luís M. Faria
Contra Todas as Evidências – Poemas Reunidos III, de Manuel Gusmão (Edições Avante!), por Pedro Mexia
Cartas a um Jovem Poeta, de Rainer Maria Rilke (Antígona), por Manuel de Freitas
A Ilha do Tesouro, de Robert Louis Stevenson (Guerra & Paz), por José Guardado Moreira
Messalina, de Alfred Jarry (Sistema Solar), por José Guardado Moreira

Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’

A Resistência, de Julián Fuks (Companhia das Letras), por José Mário Silva
A Memória de Shakespeare e Nove Ensaios Dantescos, de Jorge Luis Borges (Quetzal), por Pedro Mexia
Vem à Quinta-Feira, de Filipa Leal (Assírio & Alvim), por José Mário Silva
Terramoto Doutrinal, de Carlos A. Moreira Azevedo (Temas e Debates), por António Marujo
Satyricon, de Petrónio (Cotovia), por Luís M. Faria
Europa, de Rui Cóias (Tinta da China), por José Mário Silva

Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’

– Conversa com Julián Fuks, sobre o livro A Resistência (Companhia das Letras), por José Mário Silva
Letra Aberta, de Herberto Helder (Porto Editora), por Pedro Mexia
Os Usurpadores, de Susan George (Bizâncio), por Luís M. Faria
Cabo Verde, Janelas de África, de Corsino Tolentino (Livraria Pedro Cardoso), por Cristina Peres
Adivinha em que mão está a moeda, de Benjamín Prado (Do Lado Esquerdo), por José Mário Silva
Sob a Pele – Conversas com Sara Antónia Matos, de Rui Chafes (Documenta), por Manuel de Freitas

Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’

– Entrevista com José Eduardo Agualusa, a propósito da nomeação para a ‘longlist’ do Man Booker International Prize
Artigos Portugueses, de Miguel Tamen (Assírio & Alvim), por Pedro Mexia
Pós-Capitalismo, de Paul Mason (Objectiva), por Luís M. Faria
Mediterrâneo, de João Luís Barreto Guimarães (Quetzal), por José Mário Silva
A Crisálida, de Rui Nunes (Relógio d’Água), por Manuel de Freitas

Hino à vida

Gratidão
Autor: Oliver Sacks
Editora: Relógio d’Água
Título original: Gratitude
Tradução: Miguel Serras Pereira
N.º de páginas: 48
ISBN: 978-989-641-591-4
Ano de publicação: 2016

Este volume, composto por quatro brevíssimos ensaios, é uma espécie de complemento à autobiografia Em Movimento – o livro final do neurologista Oliver Sacks, que ainda teve tempo de o acabar e ver publicado, em Abril de 2015, quatro meses antes de ser vencido pelas múltiplas metástases, no fígado, de um melanoma ocular que o deixara cego de um olho. Na autobiografia, já publicada pela Relógio d’Água, Sacks narra com o habitual entusiasmo – e prosa magnífica, clara, encantatória – o arco completo da sua existência: não apenas o notável percurso intelectual e científico, mas também toda a sorte de idiossincrasias (a faceta de motard, o gosto pelo culturismo e pela halterofilia, as rotinas de nadador metódico), bem como aspectos íntimos, da conhecida dependência das anfetaminas à homossexualidade, que até esse momento não assumira publicamente.
Os textos de Gratidão, todos eles publicados no The New York Times (e partilhados na internet, onde se tornaram virais), são uma espécie de coda em que Sacks, mais do que consciente da morte próxima, se despede com uma dignidade e uma delicadeza extraordinárias. Grato por tudo o que pôde ver, sentir, experimentar, ele faz deste adeus um hino à vida, uma celebração do privilégio de conhecer o mundo, aproveitando a existência até ao tutano.
Em Sabat, o derradeiro dos seus escritos, evoca a infância judaica e acolhe em si «a paz de um mundo que se detém, de um tempo fora do tempo». A paixão pelos elementos químicos atravessa Mercúrio e A Minha Tabela Periódica, duas prosas que lembram o melhor de Sacks: a forma como torna empática, e às vezes até comovente, de tão pessoal, a abordagem ao conhecimento científico. Já A Minha Vida, o texto que anunciou ao mundo a irreversibilidade da doença, termina com uma luminosa aceitação do fim: «Acima de tudo, fui um ser senciente, um animal pensante, neste belo planeta, e isso foi, por si só, um enorme privilégio e aventura.»

Avaliação: 8/10

[Texto publicado na revista E, do semanário Expresso]

Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’

Judas, de Amos Oz (Dom Quixote), por Luciana Leiderfarb
Águas Negras, de José Viale Moutinho (Lápis de Memórias), por Pedro Mexia
Entre Mim e o Mundo, de Ta-Nehisi Coates (Ítaca), por José Mário Silva
Gratidão, de Oliver Sacks (Relógio d’Água), por José Mário Silva
A Última Noite e Outras Histórias, de James Salter (Livros do Brasil), por José Guardado Moreira
Os Irmãos Wright, de David McCullough (Relógio d’Água), por Luís M. Faria

Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’

– Conversa com Amos Oz, autor de Judas (Dom Quixote), por Luciana Leiderfarb
Tudo Pode Mudar, de Naomi Klein (Presença), por Luís M. Faria
A Solidão Como Um Sentido seguido de Desespero, de Rui Almeida (Lua de Marfim), por José Mário Silva
Essa Terra, de Antônio Torres (Teodolito), por José Mário Silva
Amemo-nos Uns Aos Outros, de Catherine Clément (Porto Editora), por José Guardado Moreira
Noizz, de Rui Baião (Companhia das Ilhas), por Manuel de Freitas

A Verdadeira Biblioteca Ou Uma História Em Três Metades

Eis o belíssimo texto de Raquel Patriarca, lido nas Correntes d’Escritas, numa mesa intitulada ‘Quantos Livros Tem Um Livro':

«Primeira Metade: Sobre Começar um Texto
Quando eu era pequena, tinha muitos sonhos. Agora que sou maior, estou igual. Sonho com os pedaços do mundo que quero conhecer, os abraços que quero apertar, as imagens que quero criar, os livros que hei-de escrever. Estar aqui é um desses sonhos da idade adulta, arrumado na rubrica das coisas admiráveis de que é preciso fazer parte. Quando me imaginava aqui, começava sempre por agradecer às Correntes porque correm e por me levarem na correnteza. Agradecer o estar aqui agora e todas as vezes que estive aí e que, no fim do dia, regressei a casa maior. Não de tamanho, mas maior. Quando me imaginava aqui, depois de agradecer, fazia uma comunicação brilhante. Não me parecia muito difícil. Não sei porquê, nessa altura as ideias eram transparentes e ordenadas, as palavras respondiam à chamada sem atraso e sem engulho. Era preciso citar um autor de referência: Pessoa, Benjamin ou Borges; Camus, Barthes, ou Foucault. Falar de literatura e arte, de coisas verdadeiras e universais. Como se no mundo – ou em mim – não restassem dúvidas da minha sabedoria sobre todas as matérias.
Mas estas coisas só acontecem na minha imaginação. Sonho e nada mais. No momento em que chegou o convite, todo o dia me parecia feito de irrealidade. A cabeça ficou vazia e a página em branco. Afinal, é tudo muito difícil.
Sentei-me para escrever e não chegavam as frases que deviam iluminar-me as ideias. Fui à procura dos cadernos e das notas amarelas com os registos da genialidade alheia, e nada rimava com o tema ou a situação. Em ressonância longínqua das traseiras do cérebro, soava uma espécie de conselho que ouvi quando era pequena: “Sabendo muito do que falas, fala pouco. Sabendo pouco, fala quase nada. Sabendo nada, sorri”.
… (Pausa para o sorriso)
E assim, em vez de Benjamin, Borges ou Barthes, veio ajudar-me uma espécie de aforismo de Joaquim Patriarca, mestre-escola, guarda-livros, organista na Igreja de S. Pedro, emigrante, retornado, avô. E a conselho dele, porque falamos de livros, vou falar pouco.

Segunda Metade: Sobre o Meu Avô
Quando eu era pequena, fascinava-me a capacidade que o meu avô tinha para guardar objectos. Para ele nada existia que fosse imprestável. Mais cedo ou mais tarde, tudo ganhava serventia e, por isso, tudo se guardava em lugar próprio, rigorosamente ordenado. Esta filosofia, vim a percebê-lo mais tarde, levava-me a intuir que, até para mim – criatura algo estouvada, grande consumidora de mercurocromo, tantas vezes nas imediações de coisas indesejáveis como cacos ou nódoas –, até para mim, dizia eu, se guardava um lugar e uma função. E, enquanto não descobria o meu lugar e a minha função, fui absorvida no fascínio de como o meu avô se movia pelo mundo e da serenidade com que coleccionava todo o tipo de objectos.
As folhas soltas de papel e os fios de diferentes materiais, os tocos dos lápis que já mal serviam para escrever, as sementes que havia de pôr na terra, os pequenos pedaços de plástico que, mais tarde e com a ajuda de um canivete, transformava em mistérios de rezar, perfeitamente redondos e recortados: um buraco ao centro para o indicador, dez saliências em forma de pétala, uma para cada ave-maria, a cruz na décima primeira pétala, no lugar do pai-nosso.
Cada gesto do meu avô era feito com esmero e ternura. O vinco nas arestas dos embrulhos de correio e o nó direito que unia, em absoluta perpendicularidade, o cruzamento do cordão, a caligrafia pausada, aprumada, perfeita, a adivinhar que, naquele endereço, tinha de erguer-se um palácio. As canas enterradas na horta a estender fios de sisal que desenhavam uma espécie de guias, por onde se alinhavam os sulcos na terra, as sementes e as plantas.
Fascinavam-me as coisas que ele fazia mas, mais ainda, o vagar sereno que colocava em tudo. Uma alegria simples que enchia de plenitude os gestos mais comuns. Curiosamente desimportado do resultado final, o meu avô parecia absorver-se no encantamento – para nós invisível – de todas as tarefas a que se entregava, como se a função inteira da existência se guardasse naquele momento. Punha, de verdade, quanto era no mínimo que fazia, de maneira que despachar uma encomenda ou plantar morangueiros se transformavam em formas de arte.
Foi nesta altura, enquanto os meus avós se transformavam em memórias nucleares, que aprendi a relacionar-me com os livros. Eu não fui uma daquelas crianças adoráveis que, sentadamente sábias, amam os livros desde que se lembram de respirar. Gostava muito que me contassem histórias, como todas as crianças, mas adorava correr desenfreadamente pelas ruas íngremes que desciam da casa dos meus avós ao fundo da vila. Saltar muros e inventar barcos feitos de casca de árvore que depois fazia navegar nos ribeiros que desciam da serra pela primavera. Subir às tílias descalça, com um saco de pano para apanhar os raminhos de fazer chá, sair nos dias de feira, a cheirar os bolos de leite ainda quentes, e ajudar a avó a escolher os figos mais maduros e as colheres de pau mais redondas e fundas. Havia uma televisão, e não é que não gostasse de a ver, mas o aparelho era muito demorado de arrancar, apanhava a televisão espanhola e não havia desenhos animados, só programas de agricultura e notícias. Naquele tempo, a televisão era mais um entroncho que uma distracção a sério. E havia a escola, claro, e a catequese para onde eu ia sempre muito contente porque, no regresso, a minha avó me dava uma bolacha de chocolate. Era uma obra-prima em forma de estrela, vinha embrulhada em papel de prata colorido, começava a derreter-se mal me tocava nos dedos e inspirava-me um conforto interior que eu me habituei a confundir com o sentimento da fé.
Os livros trouxeram a calma e a profundidade que eu não me dava ao trabalho de procurar em nenhuma outra dimensão na vida a não ser, talvez, na minha família.

Terceira Metade: Sobre os Livros
Quando eu era pequena passava muito tempo em casa dos meus avós. Viviam por lá muitos livros, uma condição que eu entendia como decorrência natural de, num tempo antes de mim, o meu avô ter sido guarda-livros. Um guarda-livros era, evidentemente, uma espécie de bibliotecário com um título singelo. Naquele tempo e lugar, tudo era menos pretensioso, sobretudo os nomes das profissões. Foi o meu avô quem ensinou a minha avó a ler e eu, que assistia a toda aquela circunstância de meiguice, mais convencida ficava de que a sua função no mundo era a de guardador de livros. Na dimensão preservável do objecto, como fazia com todas as coisas, e na dimensão partilhável do conteúdo, que lia para si e para nós, ensinava a ler e ajudava a compreender.
Quando eu era pequena o meu avô ensinou-me a encadernar os livros e eu entendi que devia aprender a fazê-lo com a ternura e o esmero que ele trazia sempre nas mãos. Ele levava horas a reforçar as capas e a cobri-las com papéis de cores e texturas diferentes, impecavelmente vincados nas dobras, os títulos nas lombadas claramente desenhados naquela caligrafia brilhante e impossível de copiar. Eu aprendia a vincar as dobras com os dedos pequeninos e mal capazes. Queria muito imitar-lhe a arte mas, com a mesma naturalidade que os gestos do meu avô se inclinavam para a perfeição, os meus obedeciam a um desvio incontrolável para o desastre e, muitas vezes se rasgavam os papéis e se estragavam os títulos com erros de ortografia. O meu avô suspirava, sobrepunha a sua paciência à minha frustração, deitavam-se à lareira os papéis rasgados e os erros de ortografia, e a tarefa começava de novo. Desta vez, melhor.
O meu primeiro livro contava a história da fuga de uma tal Alice através do espelho. Foram precisas várias tentativas até o serviço ficar aceitável e foi maravilhoso ver o meu avô sorrir e dizer que sim com a cabeça enquanto examinava o meu primeiro projecto: um desconchavo de papel manteiga com as dobras quase tão espessas como o próprio livro. Foi um triunfo indizível. E, logo a seguir, chegou uma nova dificuldade.
No momento de colocar o livro na estante, havia um banco para eu subir e ficar da mesma altura do meu avô, e havia uma única regra de arrumação, muito simples que se baseava – em partes iguais – nos conceitos de ordem e de caos, um critério difícil de definir e que ordenava os títulos alfabeticamente segundo o destino geográfico do assunto.
O meu avô levou algum tempo a explicar-me que cada livro é como uma viagem e que cada viagem se faz rumo a um destino diferente. Eu não compreendi e ele foi buscar um volume grosso que trazia na lombada as palavras Crime e Castigo. Explicou que era um livro muito importante para conhecer os conceitos de bem e mal, certo e errado que vivem nas aspirações e atitudes de cada um. Uma viagem que se fazia rumo àquilo que uma pessoa deseja para si e ao percurso que está disposto a fazer para lá chegar. Como eu fiquei muito calada, a segurar nas mãos a minha Alice sem ideia de onde a guardar, o meu avô pegou num outro livro – 20.000 Léguas Submarinas – a aventura de uma viagem pelas profundezas do mar, ou então, uma viagem pelo engenho humano e pela vontade de ultrapassar o medo que é natural sentir-se em relação ao desconhecido.
Eu olhava para as minhas mãos.
Tens de descobrir onde te leva o teu livro, revelou por fim o meu avô.
E eu compreendi que precisava de o ler e, só passados muitos dias, voltei a subir ao banco resolutamente à procura da prateleira marcada com M de Maravilhas.
Fui compreendendo aos poucos o sistema de arrumação de livros que o meu avô praticava, garantindo-me sempre que era assim que se faziam as coisas nas verdadeiras bibliotecas. Acontecia por vezes termos de mudar os livros e as viagens de um lugar para outro. A cabana do Pai Tomás – muito muito bonito – teve morada no E de Escravatura, depois mudou-se para o A de Abolicionismo e acabou, mais tarde, por inaugurar uma nova secção no L para Livros que Salvaram o Mundo.
Quando eu era pequena aprendi com o meu avô a ternura de todas as coisas. Aprendi que é possível ser feliz em sossego. Que os livros devem ser lidos antes de arrumados, que cada livro propõe uma viagem e que cada leitura pode criar novos rumos a um caminho já percorrido. Aprendi a ser guardadora de livros.
Mais tarde, muito mais tarde, depois de graduada, pós-graduada e especializada, recebi um papel carimbado que me fez bibliotecária, que é só um nome diferente para uma prática muito antiga. Estudei catalogação e indexação, as listas ordenadas de termos e as tabelas de autoridade, os sistemas de triagem das espécies bibliográficas e os códigos alfanuméricos das cotas e descobri que, afinal, já não existem verdadeiras bibliotecas, como aquelas de que falava o meu avô. Descobri que nas bibliotecas onde hoje se guardam os livros não é possível compreender-se o mapa das viagens da humanidade. Da humanidade que escreve e da humanidade que lê.
Mas em casa, guardo uma verdadeira biblioteca, com estantes e prateleiras em que se faz um esforço genuíno de procura da verdade. Ainda lá está o volume mal encadernado da pequena Alice que agora repousa no I onde se alinham as viagens Interiores.
Foi com esse o livro que tudo começou. Quantos livros se guardam lá dentro? Suponho que terei de o ler outra vez. Por agora, não sei. E como não sei, devo apenas sorrir.»

Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’

Passos Perdidos, de Paulo Varela Gomes (Tinta da China), por Ana Cristina Leonardo
Os Navios da Noite, de João de Melo (Dom Quixote), por Luísa Mellid-Franco
O Náufrago, de Thomas Bernhard (Relógio d’Água), por Pedro Mexia
Breves Notas sobre Música, de Gonçalo M. Tavares (Relógio d’Água), por José Mário Silva
O Essencial sobre Michel de Montaigne, de Clara Rocha (Imprensa Nacional-Casa da Moeda), por Alexandra Carita
A Paixão da Física, de Walter Lewin (Gradiva), por Luís M. Faria
Outro Ulisses Regressa a Casa, de Luís Filipe Castro Mendes (Assírio & Alvim), por José Mário Silva

Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’

A Nebulosa, de Pier Paolo Pasolini (Antígona), por José Mário Silva
Revista XXI Ter Opinião, n.º 6 (Fundação Francisco Manuel dos Santos), por Cristina Peres
Entre Dois Impérios, de Filipa Lowndes Vicente (Tinta da China), por Luís M. Faria
Do Fundo do Poço se Vê a Lua, de Joca Reiners Terron (Teorema), por José Guardado Moreira
Break Dance, de André Ruivo (Mmmnnnrrrg), por Sara Figueiredo Costa
Elsewhere/Alhures, de Rui Pires Cabral (não (edições)), por José Mário Silva

Três poemas de José Luís Costa

CANTO DA ALFORRECA

Que prestígio resta ao bicho, nas hierarquias da Caparica? Nenhum pescador o admira. Da Praia da Mata à Fonte da Telha, crianças organizam brigadas de extermínio. Mas quando a alforreca canta, o mar não acredita, o mar é pele de galinha até perder de vista. São canções tolas, coisas como: «É amarga a vida das alforrecas / Ai Ai Lô / Quero crer na metempsicose / Ai Ai Lô / Quero reencarnar no dedal da tua amada.»

***

ADEUS A ISSO TUDO

Primeiro, trenós e carruagens, felizes por zarpar, e rolamentos. Depois mares, banheiras, alambiques. Gravatas, botões de punho, chapéus de senhora. «Também as minhas botas, tão doces companheiras, tão prontas a furar fronteiras?» Também as suas botas, senhor Severo. A seguir semáforos, fogos de artifício, retinas, tudo o que envolve luz. Salmos, aulas de carpintaria, senha e contra-senha.

***

ACROBATA

Antes do primeiro passo, lembra a fartura da rede dos tempos de aprendiz: Estepe de Almofadas, Oceano Salvífico. Vinho que não bebeu: nunca caiu. Hoje, nada a salvaria. A cidade veio toda. Se mar há que a submerja, é o do apetite da cidade para quedas, quebras, feras – lajes de granito querendo o seu cristão.

[in Canto da Alforreca, Douda Correria, 2016]

As faces da guerra

Desmobilizados
Autor: Phil Klay
Editora: Elsinore
Título original: Redeployment
Tradução: Maria do Carmo Figueira
N.º de páginas: 297
ISBN: 978-989-8831-18-7
Ano de publicação: 2015

Com a retirada das tropas americanas do Iraque, o balanço do conflito militar que durou mais de uma década vem sendo feito por jornalistas e ensaístas, naturalmente interessados nas questões gerais – sejam elas os falsos pretextos para começar a guerra ou os equívocos de uma ideia de ‘nation building’ desfasada da realidade no terreno –, mas muito menos atentos ao impacto deixado pela experiência iraquiana naqueles que deram o corpo ao manifesto e ficaram com feridas físicas, ou psicológicas, por sarar.
Ex-marine, Phil Klay conheceu de perto as incidências da guerra e ouviu dezenas de relatos em primeira mão. Esteve lá. Sentiu no ar o pó do deserto. Conheceu o poder devastador do tédio e as picadas da adrenalina. Falou com soldados concretos e registou o modo como se expressam, como pensam, como sofrem, como sonham em sair dali o mais rapidamente possível. E também foi atrás dos que voltaram aos EUA e não sabem, ou não conseguem, reintegrar-se na vida quotidiana. No fundo, uma velha história que se repete. Foi assim com a guerra da Coreia. Foi assim com o Vietname. Volta a ser assim com a ressaca dos combates no Iraque e no Afeganistão.
O estilo de Klay é muito preciso, sem efeitos fáceis nem retóricas baratas. Atente-se, por exemplo, no início do conto Relatório pós-missão: «Noutro veículo, teríamos morrido. O blindado deu um salto, quase quinze toneladas de aço a irem pelos ares, a contorcerem-se, a deslocarem-se debaixo de mim, como se a gravidade estivesse a mudar. O mundo rodopiou e estilhaçou-se e, ao mesmo tempo, a explosão rebentou-me os ouvidos e fez-me estremecer todos os ossos. A gravidade foi reposta. Dantes havia ali edifícios. Agora há faróis na poeira.» A brutalidade da guerra é captada de forma crua, seca, como uma sucessão de factos em si mesmos terríveis, mas gradualmente transformados na matéria dos dias, e por isso integrados numa espécie de rotina: «Hoje de manhã, a nossa antiaérea despejou quase cento e vinte e cinco quilos de munições em cima de um ‘checkpoint’ dez quilómetros a sul da posição em que nos encontramos. Matámos um grupo de rebeldes e depois voltámos para Faluja e fomos almoçar ao refeitório. Comi peixe com feijão-manteiga. Ando a tentar fazer uma alimentação saudável.»
Descritas com a objectividade dos relatórios militares, as acções de combate são quase inteiramente desprovidas de pathos. É como se estivéssemos a assistir a um documentário feito por repórteres de imagem embedded. Há tiros, movimentações rápidas, posições ocupadas, mas Klay não oferece ao leitor a experiência do coração acelerado, dos suores frios, do medo que se embrenha até aos ossos, talvez por ver nessa partilha uma usurpação de algo que não pode ser usurpado. O horror, porém, está lá, em cada página. Mesmo se implica um certo recuo. Como o do soldado que atingiu um inimigo mas se recusa a confirmar a sua morte, antes cede a mira térmica a um camarada que assiste, pouco a pouco, ao apagamento da mancha branca que equivale à visão de um cadáver que arrefece.
Sempre na primeira pessoa, estes 12 contos colocam em cena 12 narradores diferentes. A maioria são soldados, marines confrontados com situações extremas, lá no Iraque, ou com o vazio existencial depois do regresso, quando a normalidade dos que não viveram ‘aquilo’ se torna uma agressão e o objectivo de manter relações humanas saudáveis, de amor ou amizade, vai pelo cano abaixo. Estes contos não escapam, porém, a uma certa previsibilidade, na medida em que correspondem a arquétipos ficcionais muito explorados. Que ninguém regressa inteiro de uma guerra é uma evidência. Os estragos que Klay descreve podem ser eloquentes, mas trazem sempre consigo ecos de histórias que já lemos antes, ou vimos no cinema.
O que torna Desmobilizados um livro interessante é a ampliação deste círculo, é o mostrar de outras faces, menos óbvias, da guerra. Uma delas surge num dos melhores contos deste volume: Oração na fornalha. Um capelão tenta apoiar um marine que se preocupa com o facto de os seus companheiros não fazerem distinção entre insurgentes e civis, matando indiscriminadamente todos os iraquianos que encontram pelo caminho. A sua é uma perspectiva moral, esmagada pela própria dinâmica de um movimento que assenta no mais absoluto maniqueísmo. No espelho da violência gratuita, e seu rol de vítimas inocentes, reflecte-se a falta de lógica de uma intervenção que nunca teve em conta os verdadeiros interesses do povo que era suposto salvar. Essa falta de lógica é particularmente bem captada em O Dinheiro como Arma, um conto que põe em cena um funcionário do Serviço de Relações Exteriores, «encarregado de dirigir uma equipa de reconstrução provincial». Idealista, ele quer recuperar uma central de tratamento de águas desactivada e apoiar um hospital para mulheres, mas, além de chocar com o muro da burocracia, enfrenta o absurdo dos interesses políticos, que o obrigam, entre outros disparates, a ensinar basebol às crianças iraquianas, para satisfazer a «ideia» de um milionário americano que enviou os respectivos equipamentos e tacos como sementes da «democracia».

Avaliação: 8/10

[Texto publicado na revista E, do semanário Expresso]

Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’

Desmobilizados, de Phil Klay (Elsinore), por José Mário Silva
País Possível, de Ruy Belo (Assírio & Alvim), por Pedro Mexia
O Demónio da Depressão – Um Atlas da Doença, de Andrew Solomon (Quetzal), por Luís M. Faria
Butcher’s Crossing, de John Williams (Dom Quixote), por José Guardado Moreira
Liberdade da Cultura, coordenação de Guilherme d’Oliveira Martins (Gradiva), por Manuela Goucha Soares
O Canto da Alforreca, de José Luís Costa (Douda Correria), por José Mário Silva
A Cova, de Cynan Jones (Cavalo de Ferro), por José Guardado Moreira

Invenção da melancolia

Da Natureza dos Deuses
Autor: António Lobo Antunes
Editora: Dom Quixote
N.º de páginas: 574
ISBN: 978-972-20-5846-9
Ano de publicação: 2015

Na fase mais recente da sua obra – que abarca romances densos como Comissão das Lágrimas (2011), Não é Meia Noite Quem Quer (2012) e Caminho Como Uma Casa Em Chamas (2014) –, António Lobo Antunes vinha seguindo uma trajectória de progressivo ensimesmamento, fechando-se mais e mais dentro das suas estruturas polifónicas, essa arquitectura claustrofóbica de múltiplas vozes emergindo da página, ao mesmo tempo tão intrincadas e tão rarefeitas que o leitor deixava de as conseguir separar umas das outras. O fulgor da prosa de Lobo Antunes nunca se perdeu, mas saíamos desses livros como que desorientados, meio perdidos, expulsos de um território onde nunca chegávamos verdadeiramente a entrar. Ou seja, éramos meros espectadores que contemplam, de fora, os fragmentos de vida que o romance arranca ao real quotidiano, mas logo esconde e abafa, sob o peso da voz que se sobrepõe a todas as outras. A voz do autor fascinado com o seu poder discricionário, esse poder maior que consiste em dizer o que se quer, da maneira que se quer, sem pensar em coisas vulgares como, por exemplo, a inteligibilidade.
A maior surpresa que nos proporciona Da Natureza dos Deuses, o mais recente romance de Lobo Antunes, é justamente uma inflexão na tal trajectória de fechamento que ameaçava alienar muitos dos seus leitores. Num livro com quase 600 páginas, nunca chegamos a sentir cansaço ou exaustão, mesmo quando o autor multiplica os narradores e cria novelos mentais que embatem violentamente uns contra os outros, oferecendo visões distintas dos mesmos acontecimentos. À perícia do escritor, na forma como deixa a narrativa seguir o seu curso, permitindo à mão que escreve ir atrás do fio das histórias que se acumulam no seu imparável carrossel mental, junta-se uma força centrípeta que mantém a coesão do edifício, conferindo-lhe solidez e sentido.
No centro do romance está precisamente um edifício, um palacete na zona de Cascais, perto do Guincho, cenário faustoso para o lento declínio de uma família. «Tudo se gasta e cede», diz alguém. E Da Natureza dos Deuses é a crónica dessa ruína. Uma ruína dos corpos, das relações afectivas, dos impérios financeiros, das casas erguidas contra o vento que vem do mar, contra o imparável cerco das areias que um dia soterrarão o court de ténis, as estátuas de deusas e discóbolos, os canteiros do jardim, a janela na torre (onde uma mulher, reclusa, espreita) e a memória de quem um dia habitou aqueles espaços. O tema central é o poder que o dinheiro traz consigo e a forma como esse poder vai sendo exercido. O Senhor Doutor, nascido na pobreza, sobe a pulso e cria um império de bancos, seguradoras e outras empresas. Esse sucesso nos negócios confere-lhe uma aura que distorce a forma como as pessoas se relacionam com ele. Sem surpresa, é quase sempre em modo de submissão, embora por trás dessa fachada de arrogância e superioridade aparente se possam esconder outras relações de força (como acontece com Marçal, o «criado» fiel, no seu impecável casaco branco).
Os vários laços de afecto ou dependência vão sendo minuciosamente revelados à medida que a narração alterna entre figuras muito diferentes: o próprio Senhor Doutor, eminência parda do Portugal dos anos 50 e 60 do século passado, íntimo de um Salazar que aparece várias vezes como um espectro moribundo, fragilíssimo, de manta sobre os joelhos; a Senhora, mulher do Senhor Doutor (a reclusa que espreita por detrás dos cortinados); a filha da Senhora, com um cão ao colo, rodeada por livros que lhe são trazidos por uma funcionária da livraria mais próxima e nunca lidos, porque os pacotes são um mero pretexto para ter quem a oiça; e muitas personagens secundárias, que vão destapando o reverso do esplendor burguês, a miséria atávica de uma sociedade supostamente de brandos costumes, mas onde imperam as mais brutais formas de violência.
Lobo Antunes é particularmente feliz no modo como capta os estados emocionais das personagens, os seus abismos íntimos, os seus dilemas morais, essa tristeza entranhada nos corpos, «espécie de melancolia» que os paralisa a meio de um gesto, de uma frase, às vezes de uma palavra. Quando essa ruptura no discurso acontece, a palavra deixada a meio pode ficar assim, partida, suspensa, enquanto novos fios de pensamento se intrometem, para depois, mais à frente, vermos surgir o resto da palavra, retomando o processo mental interrompido. Estes malabarismos não são meros exercícios de virtuoso, antes obedecem a uma necessidade do texto, o mesmo se podendo dizer dos cruzamentos de planos temporais e da hábil sobreposição das várias subjectividades que coexistem em cada capítulo (incluindo a do autor deste mundo, sempre consciente da sua efabulação).
A dada altura, uma personagem refere-se a «certos pormenores que por muito que a gente se esforce não se desvanecem». Esses pormenores, nos livros de Lobo Antunes, prendem-se sempre com a linguagem, com esse espantoso fôlego lírico que faz equivaler a sua arte narrativa a uma arte poética. O que não se desvanece na memória dos leitores é a força das imagens. Por exemplo, aquele homem «abotoando o colete como se tocasse acordeão em si mesmo». Ou as pessoas «cujas sombras parece que têm ossos».

Avaliação: 9/10

[Texto publicado na revista E, do semanário Expresso]

Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’

Da Natureza dos Deuses, de António Lobo Antunes (Dom Quixote), por José Mário Silva
Terra Negra, de Timothy Snyder (Bertrand), por Luís M. Faria
Viagens à Ficção Hispano-Americana, de António Mega Ferreira (Arranha-Céus), por Pedro Mexia
O Dicionário do Menino Andersen, de Gonçalo M. Tavares e Madalena Matoso (Planeta Tangerina), por Sara Figueiredo Costa
Histórias de Aventureiros e Patifes, organização de George R. R. Martin e Gardner Dozois (Saída de Emergência), por José Guardado Moreira

Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’

Um Cisne Selvagem e outros contos, de Michael Cunningham (Gradiva), por Luciana Leiderfarb
O Pobre de Pedir, de Raul Brandão (Chão da Feira), por Pedro Mexia
Uma Sombra Laranja-Tigre, de Afonso de Melo (Âncora), por José Mário Silva
O Nascimento da Arte, de Georges Bataille (Sistema Solar), por Alexandra Carita
Os Caçadores de Livros, de Raphael Jerusalmy (Clube do Autor), por José Guardado Moreira
Roturas e Ligamentos, de Rita Taborda Duarte e André da Loba (Abysmo), por José Mário Silva
Animais e Companhia na História de Portugal, de Isabel Drummond Braga e Paulo Drummond Braga (Círculo de Leitores), por Luís M. Faria

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«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges