Olímpio

De todos os fazedores de livros, ele era o mais discreto. Estava lá atrás, nos bastidores, a meter em página os textos dos outros, a compor as manchas gráficas, a zelar pela harmonia visual que não passa despercebida aos leitores mais exigentes. Aqueles leitores que provavelmente liam o seu nome, em letras minúsculas, nas fichas técnicas dos livros da & Etc, da Tinta da China, da Averno ou das edições de teatro dos Artistas Unidos.
Chamava-se Olímpio Ferreira, tinha quarenta anos, dois filhos pequenos e uma espécie de reserva nos contactos sociais que ainda hoje ignoro se nascia da timidez ou da humildade. Ao apresentá-lo no extinto blogue Barnabé, Rui Tavares apelidou-o de “nosso homem da sombra” e acrescentou: “É o gajo mais culto do Barnabé, razão pela qual diz que não sabe se vai escrever.” Não escreveu muito, de facto. Mas o que escreveu deixou-nos com pena de que o “homem da sombra” nunca tivesse desejado chegar-se mais à luz.
Agora que me deram a notícia, com a violência absurda do que não conseguimos compreender, só me ocorrem imagens: encontros por acaso em livrarias, manhãs de sábado no jardim do Príncipe Real, tardes na Feira do Livro com carrinhos de bebé, sacos cheios de preciosidades e uma alegria que parecia estar a salvo de tudo (mas não estava).

[Havia outros posts previstos para hoje, nomeadamente as inevitáveis listas dos melhores livros de 2007 para o BdB, mas tudo isso terá que ficar para amanhã. Não consigo mesmo escrever mais. Desculpem.]

Um garimpeiro nunca abandona o seu filão

Mesmo apontando para um horizonte longínquo (dez anos) e com muitos “ses” à mistura, J. K. Rowling não descarta a hipótese de vir a publicar um oitavo livro da série, supostamente fechada, do feiticeiro Harry Potter.

[As declarações da escritora à revista Time podem ser lidas aqui]

Livraria divina

A dupla holandesa Merkx + Girod venceu o prémio Lensvelt para Arquitectura de Interiores com este projecto:

livraria

É mesmo o que parece: uma livraria dentro de uma igreja. Melhor dizendo, uma livraria dentro de uma antiga igreja dominicana, em Maastricht.
Vista de outro ângulo:

livraria2

Espantoso, não acham?
Mais imagens e informações aqui (atentem no design e localização da cafetaria).

Balanços

Francisco José Viegas fez o inventário das escolhas feitas em várias latitudes: aqui, aqui e aqui.

Escrever na pedra

Na visão da Torre de Babel pintada por Brueghel, houve sempre um detalhe que me fascinou. A torre, a cidade e o porto erguem-se no centro do quadro mas em segundo plano. Na cena mais próxima do nosso olhar, uma espécie de triângulo rectângulo baixinho que fica no canto inferior esquerdo, há um homem de alta condição (provavelmente rei) que caminha pelo meio dos operários que se prostram de joelhos à sua passagem. Os operários são canteiros que gravam inscrições em enormes blocos de pedra. Em que língua? Não sabemos, mas ao fundo está Babel…
Daqui de onde os vejo, aqueles blocos de pedra parecem-me páginas de livros incompletos, onde os operários humildes como os mais humildes (e por isso talvez escritores, talvez tradutores) tentam em vão contar a história do que se passa lá atrás, numa paisagem muito mais próxima da Flandres do século XVI do que do Velho Testamento.

E nas fundações ficava a escada que dava acesso à Biblioteca

torre de babel

Torre de Babel, pintada por Pieter Brueghel em 1563

Sobre as listas dos melhores livros

Alberto Manguel, irónico, no Babelia.

Quo vadis, Porto Editora?

Como se insinua aqui, a Porto Editora precisa de reagir rapidamente às transformações em curso no mercado editorial português. Fingir que nada se passa, ou que a quota maioritária no segmento dos livros escolares lhe dá uma margem de segurança, seria um erro fatal. Resta agora saber se a estratégia passa por defender o que já tem ou por algum tipo de contra-ataque. A anunciada aposta na ficção indicia o segundo cenário, mas a tarefa não se afigura fácil (até porque um bom catálogo de romancistas não se constrói de um dia para o outro).
A este respeito, é interessante recuperar uma entrevista de Vasco Teixeira, presidente da Porto Editora, à edição de 13 de Setembro do Jornal de Negócios.

Proeza

Com a compra da Dom Quixote, Miguel Pais do Amaral conseguiu um feito inédito: juntar debaixo do mesmo telhado José Saramago e António Lobo Antunes, dois rivais que à partida se excluem mutuamente. Não deve ser aliás por acaso que o autor de A Ordem Natural das Coisas diz o que diz. As ameaças servem apenas para marcar posição, sublinhar o seu estatuto e exigir tratamento VIP. Mas o fulcro dos receios de Lobo Antunes está nesta frase: “Quero garantias muito claras de que as pessoas que têm trabalhado comigo o continuem a fazer.” Onde se lê “pessoas que têm trabalhado comigo” leia-se Tereza Coelho. Por outro lado, se o romancista defende com unhas e dentes os “seus”, o que só lhe fica bem, lá por baixo esconde-se, parece-me, o receio de ter de partilhar o palco com outros autores de primeira grandeza, nomeadamente aquele que já teve o desplante de lhe roubar o Nobel.

Negócios de fim de ano

Não foi só Miguel Pais do Amaral que esteve activo na recta final de 2007. A Bertelsmann, que já detém o Círculo de Leitores e a Bertrand, também anunciou ontem a compra da Pergaminho (editora que há umas semanas deu tampa a Pais do Amaral). Falta, para fechar o ciclo dos negócios anunciados, que a Explorer Investments confirme a aquisição da Gradiva.

A notícia mais esperada

Finalmente, ficou tudo preto no branco. A compra da Dom Quixote por Miguel Pais do Amaral, sem sombra de dúvida o negócio do ano, deixou de ser mera especulação.
Embora ainda se desconheça por que verbas foi selado o acordo, vale a pena ler alguns excertos do comunicado de imprensa:

O Grupo Editorial de Miguel Pais do Amaral fechou hoje, ao final da manhã, a aquisição da editora Dom Quixote ao grupo editorial espanhol Planeta, a quem a empresa tinha sido alienada em 1999. Esta aquisição vem completar o portfólio de empresas editoriais adquiridas por Miguel Pais do Amaral em 2007, processo que teve inicio em Março deste ano com a aquisição da Texto Editores e que evoluiu durante o ano com as aquisições da Caminho, ASA e Gailivro.
(…) A Dom Quixote assume-se como a «A Casa dos Autores Portugueses». Para além de ter no seu portfólio alguns dos mais importantes autores nacionais, ao longo dos seus quarenta anos de vida a Dom Quixote publicou cerca de 5000 títulos originais, tendo colocado em casa dos leitores portugueses mais de 20 milhões de livros.
Para Miguel Pais do Amaral, a compra da Dom Quixote «finaliza o primeiro ciclo de aquisições com vista à criação de um grupo editorial líder de mercado em Portugal e nos países africanos de expressão portuguesa. Seguir-se-á uma fase de reorganização interna e de crescimento orgânico, que a médio prazo permitirá criar um grupo suficientemente forte para iniciar um segundo ciclo de aquisições fora de Portugal, nomeadamente no mercado brasileiro»(…) [O negrito é meu]

Ontem, o grupo de Pais do Amaral formalizou igualmente a compra da editora Nova Gaia, acordada desde 18 de Setembro mas que aguardou um parecer positivo da Autoridade da Concorrência. Esta aquisição permitirá ao grupo alcançar a vice-liderança no segmento das edições escolares, com uma quota de mercado próxima dos 30% (ainda assim distante da hegemónica Porto Editora).

Confirmada a compra da Dom Quixote por Miguel Pais do Amaral

Segundo uma informação difundida há cinco minutos pela agência de comunicação Lift Consulting, o Grupo Editorial de Miguel Pais do Amaral “acabou de finalizar a aquisição das Publicações Dom Quixote”, colocando-se “na liderança em edições gerais e vice-liderança em edições escolares”.

Oferecer poesia na rua

lucy stand

Lembram-se daquela banca que a Lucy montava, nas vinhetas do Peanuts, para vender limonada ou apoio psiquiátrico, a cinco cêntimos a consulta? Em Princeton, EUA, um professor conseguiu convencer 13 alunos adolescentes a montarem uma banca parecida, mas com o objectivo de escrever poemas a quem os pedisse (e de graça). A história é daquelas que nos dá ânimo, depois de contemplarmos o negrume da condição humana. Está contada em grande detalhe por Douglas Goetsch (o professor, também poeta) aqui.

A ler

O completíssimo dossier sobre Jonathan Littell e o seu romance-sensação (As Benevolentes, Dom Quixote), publicado hoje pelo suplemento ípsilon, do Público. São oito páginas para devorar de fio a pavio, com textos de Eduardo Pitta e Alexandra Lucas Coelho a acompanhar uma longa entrevista de Jesús Ruiz Mantilla (publicada originalmente no El País).

Uma casa para os livros, segundo Siza

biblioteca Viana do Castelo

A nova Biblioteca Municipal de Viana do Castelo, desenhada por Álvaro Siza e orçada em cerca de 4,5 milhões de euros, será inaugurada no próximo dia 20 de Janeiro.

Para anotar nas agendas (novinhas em folha)

Dia 10 de Janeiro, 18h30, na Casa Fernando Pessoa. Pedro Mexia apresenta o último (e excelente) livro de Francisco José Viegas, Se me Comovesse o Amor. Alguns dos poemas serão lidos por Ricardo Araújo Pereira, sem trejeitos nem gargalhadas.

Guia

guia

Os Book Blogs são tantos que até já há um guia para quem não se quer perder no labirinto. Ou seja, um livro sobre os blogues que escrevem sobre livros. A ver se o encomendo na Amazon (agora com novo grafismo), para fechar o círculo.

RSB

– Então, BdB*, já sabes o que queres ser quando fores grande?
– Sei. Quero ser assim.

* Bibliotecário de Babel

A árvore de Natal perfeita

árvore

Fica bem em qualquer sala, não é de plástico, nem made in China e ninguém a arrumará na despensa a partir do dia 6.

[Obra de Frank Visser, via O Absurdo]

Sobre o autor

Ainda não havia uma apresentação do autor deste blogue. Agora já há.

Reforços

Ali atrás, esqueci-me evidentemente de referir que também há amantes dos livros que oferecem livros a outros amantes dos livros. Uma felicidade que se traduziu, este Natal, em três capas:

mundo das nuvensbook of clouds
moments oulipiens

Felizes, a sub-biblioteca das nuvens e a sub-biblioteca oulipiana já receberam os novos hóspedes.

Como que para negar o post anterior

Aparece este da Sara, a quem o Bibliotecário agradece a gentileza do gesto (embora, correndo o risco de fazer sorrir de triunfo as pessoas que não gostam assim tanto de livros, deva confessar que esse já tenho).

Paradoxo

Os amantes dos livros gostam de oferecer livros, geralmente a pessoas que não gostam assim tanto de livros. Mas as pessoas que não gostam assim tanto de livros raramente oferecem livros aos amantes dos livros porque, dizem, “o mais certo é já teres”. Assim sendo, em épocas como o Natal, há pessoas que não gostam assim tanto de livros a receber muitos livros que nunca lerão e que teriam feito a felicidade dos amantes dos livros, porque os amantes dos livros, contrariamente aos mitos urbanos que circulam entre as pessoas que não gostam assim tanto de livros (talvez levadas ao engano pelo tamanho considerável das bibliotecas dos amantes dos livros), estão longe de ter tudo o que de interessante se publica em Portugal, quanto mais no mundo.

A Christmas Carol

christmas carol

Aproximar da estante. Retirar o velho volume. Soprar o pó que se acumulou durante o ano. Abrir as páginas. Libertar os fantasmas.

[Ou então ligar o computador e ler aqui]

Saramago na Ajuda

A exposição José Saramago: la consistencia de los sueños, que ocupa, até 16 de Janeiro, três salas da Fundación César Manrique, em Lanzarote, vai ser montada na Galeria D. Luís do Palácio Nacional da Ajuda, em finais de Abril. A mostra reúne 500 documentos originais sobre a obra e o percurso do Prémio Nobel português, além de muitos outros em suporte digital. O comissário é Fernando Gómez Aguilera.

Nem todas as livrarias têm 3300 metros quadrados

Felizmente.

Save our books. Buy them

Os livros não se limitam a falar uns com os outros. Quando as livrarias fecham, também encenam as suas “mortes literárias” preferidas.

[via O Melhor Anjo]

Como é que se pode dar a volta à Lei do Preço Fixo?

Perguntem à Webboom. Ou então leiam estes dois posts (I, II) do Luís Filipe Cristóvão, um livreiro que se indigna legitimamente com uma chico-espertice escandalosa.

Work in progress

O Pedro Marques retocou o cabeçalho (thanks, again), houve acertos na cor do fundo e no tom da cercadura, acrescentos num blogroll que por definição nunca está fechado. Com 2008 à porta, arruma-se a casa.

Os estupendos depositários

Alguém assume-se como escritor e há uma aura que se acende. Uma aura que só existe nos olhos dos outros (os que não escrevem) e as mais das vezes é uma incómoda maldição.
Que o diga Clara Sánchez:

«La humanidad piensa que el escritor puede ser un estupendo depositario de todo lo sórdido e inconfesable de la existencia, porque se le supone una capacidad de comprensión sin límites y sobre todo porque se da por supuesto que las propias vidas de los escritores se sostienen sobre desórdenes y extravagancias envidiables.»

O resto da crónica, publicada no suplemento Babelia do El País, está aqui.

A nova página em branco pode ser um ecrã de telemóvel

É o grande fenómeno editorial dos últimos tempos no Japão. Os keitai shousetsu, romances escritos no telemóvel (com frases curtas, emoticons, etc.) ocuparam metade da lista dos dez livros de ficção mais vendidos durante o primeiro semestre de 2007. As histórias dirigem-se a um público maioritariamente feminino e adolescente, que as vai recebendo por subscrição e sugere rumos para a narrativa. Por se sentirem de certa forma co-autores da obra, os leitores compram depois os livros em papel e contribuem para vendas na ordem do meio milhão de exemplares.
Será que este fenómeno alguma vez chegará a Portugal? E se chegar, como é que será baptizado? Literatura ultra-light?

[via Mind Booster Noori]

Alberto Manguel e as bibliotecas

Nem sei bem como, descobri este programa curto intitulado Café con Libros (creio que espanhol, mas não tenho a certeza). O episódio aborda de forma bastante engenhosa o livro La Biblioteca de Noche, de Alberto Manguel, cruzando depoimentos de várias pessoas que leram o livro, o descrevem e comparam as suas experiências pessoais com as do autor. O fascínio de Manguel com as bibliotecas (em pequeno queria ser bibliotecário, o que não surpreende quem conheça as suas obras) leva cada um dos colaboradores do programa a falar daquela que preferem ou na qual viveram melhores experiências. Todas as evocações são interessantes mas atentem, por favor, nos BiblioBurros da Colômbia, espécie de biblioteca itinerante da Gulbenkian em que as carrinhas Citröen foram substituídas por heróicos exemplos da persistência asinina. Uma delícia.

Sobre o acordo ortográfico

Estou completamente de acordo com o que escreve o Francisco Frazão:

“Em resumo: a não ser para ajudar ao negócio dos senhores editores de livros escolares (aí tanto os portugueses como os brasileiros estão a fazer pela vida), não percebo em que é que o gasto brutal de dinheiro e esforço que este acordo implica vai contribuir para melhorar a comunicação entre os luso-países. (…) Parece-me que a questão-base não é se Portugal é uma colónia linguística do Brasil ou vice-versa: trata-se sim de saber quem é que – ao nível da edição, mais nenhum tráfico para além desse desta vez – vai colonizar África.”

Já agora, vale também a pena ler este post.

Mais um prémio para Amadeu Baptista

O poeta Amadeu Baptista acaba de ser distinguido com o Prémio Literário Florbela Espanca 2007 (Câmara Municipal de Vila Viçosa), no valor de 2500 euros, pela obra Outros Domínios. A concurso apresentaram-se 104 trabalhos. Foram ainda atribuídas duas Menções Honrosas a Espaço Livre com Barcos, de Graça Pires, e Quebranta Água do Tempo, de Luís Aguiar.

Explicar por imagens

gnus

Autores da Dom Quixote

leão

Miguel Pais do Amaral

O puzzle

Aos poucos, pela calada, as peças vão encaixando.

O que gera um clássico?

Tensão, diz o Luis M. Jorge.

Diálogos livrescos

derrubar
benevolentes

Na Fnac Chiado, estes dois livros partilham a banca das novidades, a um palmo de distância. O primeiro tem o título que tem. O segundo só termina ao fim de 893 páginas. Agora não me digam que os livros não falam uns para os outros (e uns com os outros).

Uma bomba

Se isto se confirmar, vai ser o bom e o bonito. Além da balcanização do mercado editorial, numa lógica de grupos que tenderá a mimetizar o que se passa actualmente com a imprensa, arriscamo-nos a ver entronizado um novo herói capitalista: Miguel Paes do Amaral, o homem que resgatou aos espanhóis uma editora que eles nos tinham roubado, os malandros.
O pior é que estes cenários não auguram nada de bom quanto à qualidade média dos livros que se vão publicando, às catrefadas, no nosso país. E temo bem que as editoras mais pequenas e alternativas, as que remam convictamente contra o processo de best-sellerização em curso, vejam a sua mera sobrevivência ameaçada pelo vendaval que se aproxima.

Christian Bourgois (1933-2007)

christian bourgois

O editor francês Christian Bourgois, conhecido pela forma muito pessoal como acompanhava os seus escritores (nomeadamente o português António Lobo Antunes), morreu esta manhã em Paris, com 74 anos, após doença prolongada. O anúncio foi feito pela sua editora de sempre, a Christian Bourgois Éditeur, criada em 1966.
O seu vasto catálogo apresenta obras de W. H. Auden, Bernardo Atxaga, Roberto Bolaño, Peter Carey, e. e. cummings, William Burroughs, Friedrich Dürrenmat, Carlo Emilio Gadda, Hanif Kureishi, Manuel Vázquez Montalbán, Ricardo Piglia, Susan Sontag, Peter Sloterdijk e Enrique Vila-Matas, entre muitos outros.
Além de Lobo Antunes, de quem vinha publicando a obra completa, Bourgois também editou Fernando Pessoa e Mário de Carvalho.

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«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges