Cartas para pessoas mortas

O projecto intitula-se “letters to dead people” mas o formato aproxima-se mais do telegrama ou do postal. Alguns exemplos:

[via Bruaá]

O que aí vem (Cavalo de Ferro)

Durante o primeiro semestre, para além de algumas reedições, a Cavalo de Ferro reserva-nos o seguinte: A Raposa Azul, do escritor islandês Sjón; os dois volumes de Manuscrito encontrado em Saragoça, de Jan Potocki (em nova tradução); O Grande Retrato, de Dino Buzzati; Contos Dispersos, de Flannery O’Connor; Sempre Vivemos no Castelo, de Shirley Jackson; Aurora com Monstro Marinho, de Neil Jordan; Os Peixes Sabem Cantar, de Halldor Laxness; e Papéis Inesperados – Escritos Inéditos, de Julio Cortázar.

Amanhã, na secção de Livros do ‘Actual’

a máquina de fazer espanhóis, de valter hugo mãe (Alfaguara), por José Mário Silva
Quatro Ensaios à Boca de Cena, de Fernando Mora Ramos, Américo Rodrigues, José Luís Ferreira e Manuel Portela (Cotovia), por António Guerreiro
A Era do Imprevisível, de Joshua Cooper Ramo (Casa das Letras), por Luís M. Faria
O Semipresidencialismo nos Países de Língua Portuguesa, de Marina Costa Lobo e Octávio Amorim Neto (ICS), por Luísa Meireles
Fumo, de Antón Fortes e Joanna Concejo (OQO), por Sara Figueiredo Costa

O homem que encomendou a sua própria morte por amor e vingança

Parece mentira, mas é verdade. A história está toda explicadinha num artigo do suplemento P2, do Público. Aconteceu na Guatemala e eu pensei logo que o Eduardo Halfon talvez fizesse disto um belo romance.

Moleskine do poeta

Miguel-Manso deixa que espreitemos os seus cadernos de apontamentos (desenhos, versos soltos), aqui, mesmo por baixo de uma frase do Cesariny. Um marujo ou a Vieira da Silva é um blogue, uma coisa a ganhar forma, mas «não será um site oficial». Ainda bem.

A indústria da tragédia

Para saber do que se trata, basta abrir a televisão. Basta abrir os olhos. Francisco José Viegas, neste post, denuncia-a muito bem.

Lançamento do ‘Caderno de Memórias Coloniais’

É hoje, a partir das 18h30, na livraria Pó dos Livros. A obra de Isabela Figueiredo, já na segunda edição, será apresentada por Eduardo Pitta.

PS – Vale a pena ouvir a entrevista da autora a Carlos Vaz Marques, na TSF.

O Haiti literário

Nomes e pistas.

Casamento entre editoras do mesmo sexo

Foi com uma piada que Manuel Alberto Valente anunciou, esta tarde, em conferência de imprensa, a aquisição da Sextante pelo grupo Porto Editora: «Esperámos pela nova lei que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo para concretizar este namoro, que já tinha uns meses, porque a Porto Editora e a Sextante são do mesmo sexo.»
Brincadeiras à parte, e sem entrar em grandes detalhes sobre o negócio, MAV explicou que teria sido mais fácil à Porto Editora contratar o editor João Rodrigues do que adquirir a Sextante. «A nossa ideia, porém, é que o projecto da Sextante continue o seu caminho, com toda a autonomia e mantendo os seus critérios editoriais, mas beneficiando de outra força comercial e de marketing, de outra segurança que lhe é dada pela estrutura da Porto Editora.»
João Rodrigues mostrou-se muito feliz com a nova situação, explicando que «jogar o jogo do mercado» se vinha tornando cada vez «mais difícil». No novo cenário de concentração em grandes grupos, as editoras médias, como a Sextante, ficam encurraladas. Por um lado, não têm a leveza das microeditoras (que conseguem subsistir com tiragens diminutas). Por outro, ficam sempre aquém dos argumentos comerciais dos grandes grupos. Há mesmo quem preveja um cenário, a breve prazo, em que só existirão grandes grupos e editoras de nicho. Antes que esse cenário se concretize, a Sextante escolheu a asa protectora da Porto Editora e MAV já a aponta como a «editora-boutique» do grupo, aquela que tem como público-alvo os leitores com gostos literários mais exigentes.
O anúncio das novidades para os primeiros meses de 2010 confirmou, de resto, esta distribuição de papéis. Do lado da Porto Editora, tanto os autores estrangeiros (Kate Morton, Dorothy Koomson, Paul Hoffman, Florencia Bonelli, Anita Shreve, Eric Frattini, C.J. Sansom, Katherine Neville) como os nacionais (Tânia Ganho, Inês Botelho, João Pedro Marques e o estreante J. Pedro Baltazar) enquadram-se numa linha claramente mainstream. Excepções: Ricardo Menéndez Salmón (com Derrocada) e uma nova edição, ilustrada a cores, da História de uma Gaivota e do Gato que a Ensinou a Voar, de Luis Sepúlveda. Com muito menos títulos, a Sextante tem muito mais apostas que à partida me interessam ou, nalguns casos, me deixam em pulgas. Exemplo: o monumental Submundo, de Don DeLillo (desde já um forte candidato a livro do ano). Mas também o segundo volume dos Contos Completos de John Cheever e os romances Acerca de Roderer, de Guillermo Martínez, e Bute daí, Zé, de Filomena Marona Beja.

HistoriaDoGato

OBraçoEsquerdoDeDeus

Submundo

AcercaDeRoderer

Conferência de imprensa da Porto Editora no Twitter e Facebook

Esta tarde (16h00), a Porto Editora vai apresentar, na sala Medina do Hotel Dom Pedro Palace, em Lisboa, as suas novidades literárias para os primeiros meses de 2010 e a nova editora que passa a integrar o grupo liderado por Vasco Teixeira.
A conferência de imprensa pode ser acompanhada online, em directo, através do Twitter (aqui) e do Facebook (aqui).

Presa nos códigos de barras

Atribulações de uma operadora de caixa
Autora: Anna Sam
Título original: Les tribulations d’une caissière
Tradução: Inês Dias
Editora: Espuma dos Dias
N.º de páginas: 149
ISBN: 978-989-8299-02-4
Ano de publicação: 2009

Em França, como em Portugal, há milhares de jovens licenciados sem alternativas profissionais que aceitam trabalhos mal pagos em grandes superfícies (a alternativa é ir directamente para o desemprego). Anna Sam foi uma dessas vítimas das perversões do actual sistema económico. Durante o curso superior (Literatura), começou a trabalhar na caixa de um supermercado para pagar os estudos. Depois, à falta de melhores opções, foi ficando. Oito anos de clientes mal dispostos, promoções estapafúrdias, códigos de barras, música electrónica (os bips emitidos pelo leitor óptico) e tapetes rolantes, essas verdadeiras janelas para a vida dos consumidores. Anna começou então a partilhar as suas experiências num blogue muito lido, posteriormente transformado em livro, com tradução para vários países.
O registo é o da crónica leve, irónica, cheia de casos concretos, diálogos, listas e sistematizações. Anna disseca com graça quase todos os aspectos da profissão, da monotonia quotidiana às grandes enchentes (Natal e saldos), mas falta-lhe capacidade para questionar a lógica do retalho em grande escala (quase não se abordam questões laborais ou sindicais). No fundo, estas Atribulações acabam por ser um estudo sociológico empírico, atento e divertido, mas pouco mais do que isso.

Avaliação: 3,5/10

[Texto publicado no suplemento Actual, do semanário Expresso]

Carta do Haiti

Uma semana após o grande sismo que arrasou Port-au-Prince, e enquanto a Internet não se vai de vez, a romancista haitiana Evelyne Trouillot escreve, no blogue literário do Nouvel Observateur, sobre o que se passa no seu país em ruínas.

O que aí vem (ASA)

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Em Fevereiro.

Melão no frigorífico

Num momento em que a Fundação Eugénio de Andrade corre o risco de ser extinta, o DN assinala o dia em que o poeta faria 87 anos com uma entrevista a Ana Maria Moura, «que o acompanhou nos últimos 30 anos». Entre outras coisas igualmente íntimas e irrelevantes, ficamos a conhecer as suas pouco sofisticadas preferências gastronómicas: «Batatas fritas com um ovo estrelado, porque lhe lembrava a infância. Quando acordava de madrugada, se tivesse melão no frigorífico, levantava-se para o ir comer. Era fácil de alimentar. Sopa, tinha de comer sempre.» E o que é que isto interessa, alguém me diz?

A tocar no meu leitor de CD (em repeat)

Vampire Weekend: a mais empolgante descoberta no campo da música alternativa desde os Arcade Fire (falo por mim).
Para se perceber ao que soam estes rapazes de Brooklyn, eis Cousins, uma das várias canções eléctricas e trepidantes do seu hipnótico segundo álbum:

Pré-publicação: ‘a máquina de fazer espanhóis’ (valter hugo mãe)

«com a morte, também o amor devia acabar. acto contínuo, o nosso coração devia esvaziar-se de qualquer sentimento que até ali nutrira pela pessoa que deixou de existir. pensamos, existe ainda, está dentro de nós, ilusão que criamos para que se torne todavia mais humilhante a perda e para que nos abata de uma vez por todas com piedade. e não é compreensível que assim aconteça. com a morte, tudo o que respeita a quem morreu devia ser erradicado, para que aos vivos o fardo não se torne desumano. esse é o limite, a desumanidade de se perder quem não se pode perder. foi como se me dissessem, senhor silva, vamos levar-lhe os braços e as pernas, vamos levar-lhe os olhos e perderá a voz, talvez lhe deixemos os pulmões, mas teremos de levar o coração, e lamentamos muito, mas não lhe será permitida qualquer felicidade de agora em diante. caí sobre a cama e julguei que fui caindo por horas, rostos e mais rostos colocando-se diante de mim, e eu por ali abaixo, caindo, sem saber de nada. quando, por fim, me levantei, estava a anos-luz do homem que reconheceria, e aprender a sobreviver aos dias foi como aceitar morrer devagar, violentamente devagar, à revelia de tudo quanto me parecia menos cruel. e a natureza, se do meu coração não se esvaziou o amor pela laura, estaria numa aniquilação imediata para mim também, poupando-me à miséria de ver o sol que arde sem respeito por qualquer tragédia.
fica-se muito zangado como pessoa. não se criem dúvidas acerca disso. fica-se zangado e deseja-se aos outros pouco bem, e o mal que lhes pode acontecer é-nos indiferente ou, mais sinceramente, até nos reconforta, isso sim, como um abraço de embalo, para que não se ponham por aí a arder como o sol e, sobretudo, não nos falem com uma alegriazinha ingénua, de tempo contado, e nos façam perceber o quanto éramos também ingénuos e nunca nos preparáramos para a derrocada de todas as coisas. nunca nos preparamos para a realidade. passamos a ser cidadãos terrivelmente antipáticos, mesmo que façamos uma gestão inteligente desse desprezo que alimentamos crescendo. e só não nos tornamos perigosos porque envelhecer é tornarmo-nos vulneráveis e nada valentes, pelo que enlouquecemos um bocado e somos só como feras muito grandes sem ossos, metidas dentro de sacos de pele imprestáveis que já não servem para nos impor verticalidade nem nas mais pequenas batalhas.»

[O novo romance de valter hugo mãe (editado pela chancela Alfaguara, da editora Objectiva) começa a chegar às livrarias no final desta semana.]

Laurent Gaudé no ‘Babelia’

A Porta dos Infernos, romance de Laurent Gaudé que a Porto Editora publicou no final de 2009, acaba de sair em Espanha. Crítica ao livro e entrevista com o escritor francês, no suplemento cultural do El País.

No fio da navalha

Um Circo no Nevoeiro
Autora: Renata Correia Botelho (ilustrações de Luis Manuel Gaspar)
Editora: Averno
N.º de páginas: 53
Depósito legal: 301427/09
Ano de publicação: 2009

Renata Correia Botelho (n. 1977) é — ou era — um dos segredos mais bem guardados da poesia contemporânea portuguesa. Natural da ilha de S. Miguel, publicara até agora um livrinho fora do mercado (Avulsos, por causa, edição de autor, 2001) e poemas em revistas de circulação restrita (Magma e Telhados de Vidro). Para todos os efeitos, Um Circo no Nevoeiro marca a sua estreia poética e vem colocá-la, desde já, no lote dos novíssimos que vale a pena acompanhar. A escrita de RCB, predominantemente de temática amorosa, é ao mesmo tempo de uma extrema depuração e de uma rara entrega emocional, arriscando seguir os trilhos de um lirismo quase kitsch, em fusão com os elementos da natureza e submetido à visão idílica — quase utópica — do ser amado.
Se estes poemas nunca descambam é porque RCB tem plena consciência do terreno que pisa e não alimenta ilusões quanto ao poder efectivo das palavras. Não por acaso, o primeiro texto do livro começa com «falhámos tudo: entregámos / os livros ao sepulcro / das estantes» e fecha com três versos de uma terrível resignação: «já nada nos lembra / que o poema se forma / no fio da navalha”.
Aqui e ali, as páginas iluminam-se com subtis achados verbais: o desejo é «esse engano / fundo e breve / que alarga a noite»; o tempo arrasta-se «na dor metálica dos carris»; os dias são «emendados» pela boca do amante. E há poemas de uma precisão espantosa. Como este:

és o dia do pêndulo, o instante
rasurado, és a hora

em que vejo chegar o lobo
pensando que é cão de guarda.

Avaliação: 7,5/10

[Texto publicado no suplemento Actual, do semanário Expresso]

Plataforma JL

O Jornal de Letras ampliou a sua presença na Internet. Agora é uma espécie de portal (alojado no site da Visão), com notícias, críticas, sugestões culturais e uma rede de blogues. Destaco E mesmo que assim não fosse…, um blogue para José Manuel Rodrigues da Silva, em que vão ser recuperados textos antigos (crónicas, entrevistas, críticas de cinema) do grande jornalista e editor do JL, falecido há pouco mais de um ano.

‘Grande Maior’


Fotografias de Vina Santos

O Grande Maior era a «árvore favorita» de Maria Gabriela Llansol, um imponente plátano que permanece na Volta do Duche, em Sintra, depois de a escritora que nele via «imagens translúcidas de beleza» ter desaparecido. No final de Dezembro, a autarquia (em conjunto com o Espaço Llansol) descerrou uma placa «que assinala a presença desta árvore como figura em Parasceve», um livro publicado por Llansol na Relógio d’Água, em 2001. Na altura, Hélia Correia, Maria Etelvina Santos e Helena Vieira leram um texto dos cadernos inéditos da escritora, reproduzida parcialmente aqui.

Mais árvores generosas (e outras plantas)

Vistas por pessoas que são tudo menos ingratas.

Celulose

A generosidade das árvores torna-se uma evidência sempre que entramos numa livraria ou biblioteca. Mas depois, pensando melhor, percebemos que na maior parte dos casos elas não foram generosas, coitadas, mas mártires.

Leitura de ‘A Árvore Generosa’

Uma árvore, um menino, uma história sobre a ingratidão humana. Eis A Árvore Generosa, de Shel Silverstein (edição portuguesa da Bruaá), clássico da literatura infantil norte-americana – ao lado, por exemplo, de O Sítio das Coisas Selvagens, de Maurice Sendak. Vai ser lido hoje, na FNAC do C. C. Colombo (11h00), por Edite Vicente. Repete no próximo dia 31, à mesma hora, na FNAC do Forum Almada.

Súbito

Poemas, imagens, música.

Eliotiana

Às vezes tudo é terra devastada, todos os meses são os mais cruéis (não só Abril).

Série Lydia Davis (4)

O TANQUE DOS PEIXES

No supermercado, fico a olhar para quatro peixes dentro de um tanque. Eles nadam em formação paralela contra uma pequena corrente criada por um jacto de água, e vão abrindo e fechando a boca e olhando para o infinito com o único olho, de cada um, que consigo ver. Ao observá-los para lá do vidro, pensando que não poderiam estar mais frescos para serem comidos, assim vivos como estão, e ponderando se devo fazer um para o jantar, vejo também, como se estivesse atrás ou através deles, uma forma maior e sombria que escurece o tanque, é o que existe de mim, o seu predador, no vidro.

[in Almost no memory, de Lydia Davis, Picador, 1997; tradução de JMS]

Versão original:

THE FISH TANK

I stare at four fish in a tank in a supermarket. They are swimming in parallel formation against a small current created by a jet of water, and they are opening and closing their mouths and staring off into the distance with the one eye, each, that I can see. As I watch them through the glass, thinking how fresh they would be to eat, still alive now, and calculating whether I might buy one to cook for dinner, I also see, as though behind or through them, a larger, shadowy form darkening their tank, what there is of me on the glass, their predator.

Amanhã, na secção de Livros do ‘Actual’

O Homem Sem Qualidades III, de Robert Musil (Dom Quixote), por António Guerreiro
O Jogador, de Fiódor Dostoievski (Relógio d’Água), por Hugo Pinto Santos
Os Jardins de Luz, de Amin Maalouf (Difel), por José Guardado Moreira
Crime, de Irvine Welsh (Quetzal), por Luís M. Faria
Diário de Luto, de Roland Barthes (Edições 70), por Álvaro Manuel Machado
Um Circo no Nevoeiro, de Renata Correia Botelho (Averno), por José Mário Silva
Atentar Contra Si, de Jean Améry (Assírio & Alvim), por Ana Cristina Leonardo
Atribulações de uma operadora de caixa, de Anna Sam (Espuma dos Dias), por José Mário Silva

Atelier estrambótico

Amanhã, na FNAC do C. C. Colombo, a partir das 11h00, decorrerá um «atelier estrambótico para crianças entre os quatro e os oito anos», inspirado no livro Animalário Universal do Professor Revillod, de Miguel Murugarren e Javier Saéz Castán (Orfeu Mini).
A sessão dura 45 minutos, é de participação livre, e está a cargo de Susana Alves, que lança o seguinte desafio à miudagem:

«Venham descobrir o mirabolante universo do Animalário Universal do Professor Revillod, onde existem os mais extraordinários animais: um tigre com corpo de vaca e cabeça de galinha ou um estrambótico hipopótamo com corpo de pulga e rabo de peixe. Neste atelier, vamos explorar as diferentes combinações de animais, inventar o nosso próprio animal e responder a um sem-número de perguntas: Que som fará? O que come? Como se movimenta?»

Os meus filhos (Alice, quatro anos; Pedro, três) já participaram num destes encontros e recomendam.

Doze frases soltas, aforismos e afins de Nuno Milagre

COSTAS

Muita gente tem o mau génio dos génios, mas falta-lhe o génio dos génios

Altruísmo é cuidar de plantas

O cavalheirismo é a medíocre contrapartida do machismo

A Terra é redonda e não nos deixa ver para lá do horizonte

Se ouvíssemos os pensamentos uns dos outros o mundo colapsava em dez minutos

A primeira coisa a fazer quando se morre: escrever uma autobiografia com corrector automático

Lucro: demasia produzida por vários défices

Se cada pessoa fizesse um minuto de silêncio por cada pessoa que sofre jamais falaríamos

Há sempre locais onde está a amanhecer

Algumas naturezas-mortas dão de comer a muita gente

O Índico é o meio-irmão mais velho do Mediterrâneo

Todos os dias passam pelas quinze horas e trinta e dois minutos

[in Um beijo no meio da crise, de Nuno Milagre, edição de autor, 2009]

Isabela Figueiredo na TVI24

A autora de Caderno de Memórias Coloniais (ver booktrailer aqui) será entrevistada hoje no Diário da Noite da TVI24, que vai para o ar a partir das 22h00. Sabendo-se que entrevistas a escritores em telejornais são uma raridade, fica o aviso.
Isabela Figueiredo escreve regularmente neste blogue (sucessor deste).

O que aí vem (Orfeu Negro)

Na Orfeu Negro propriamente dita: O Modulor/Modulor2, de Le Corbusier; e Poética da Dança Contemporânea, de Laurence Louppe.
Na Orfeu Mini: Migrando, de Maria Chiesa Mateos; O Estranho Mundo de Jack, de Tim Burton; O Coração e a Garrafa, de Oliver Jeffers.

Filme


(procurar a sequência de 36 segundos que vai de 2:24 a 3:00)

«”Se queres falar de portas, falta-te aqui uma coisa: as quatro portas a abrir em linha quando Gregory Peck e Ingrid Bergman se aproximam num dos beijos mais extraodinários do cinema”. Quando eles ainda não estão juntos no mesmo plano e se olham, um pouco antes, em campo e contra-campo, a câmara já muito perto. É então que Hitchcock abre porta atrás de porta, naquele movimento contínuo de certos filmes que aceleram a vida das plantas para as vermos nascer e abrir, e abrir mais, mas não morrer (se bem que já só pensemos na morte), tudo em escassos segundos. Abro aqui outra vez essas quatro portas, como nos filmes que precipitam as coisas vivas. Folhas nascem e abrem) e abrem) e abrem) – porta atrás de porta, uma, duas, três, as quatro pétalas dessa flor acelerada. Eles aproximam-se, estão agora muito perto, dentro do mesmo plano, e vão beijar-se (enquanto que a morte continua fora de cena).»

[in A Porta de Duchamp, de Rosa Maria Martelo, Averno, 2009]

Os ‘gigantes’ da Royal Society

O Times online publica um excerto de Seeing Further: The Story of Science & the Royal Society (HarperCollins), o próximo livro de Bill Bryson.

Já há campeão da Copa de Literatura Brasileira

vs.

É o livro Flores Azuis (Companhia das Letras), de Carola Saavedra, que venceu na final Galiléia, de Ronaldo Correia de Brito (Alfaguara). O resultado foi de 9-4; isto é, nove recensões favoráveis a Saavedra e quatro que se inclinavam para Correia de Brito.
Conferir tudo no site da Copa.
A vencedora fala sobre Flores Azuis e lê excertos do livro neste vídeo:

O que aí vem (Kalandraka)

Ovelhinha dá-me lã, de Isabel Minhós Martins (texto) e Yara Kono (ilustrações); Elas, de Cecília Afonso (texto e ilustrações); O Segredo do Papa-Formigas, de Beatriz Osés (texto) e Miguel Ángel Díez (ilustrações); Contos do Mundo, de Tim Bowley (texto) e Óscar Villán (ilustrações); A Casa, de J. Patrick Lewis (texto) e Roberto Innocenti (ilustrações); O Pirata Pata de Lata, de Oli (texto) e Ramón Trigo (ilustrações); Os Bolsos da Marta, de Quentin Blake (texto e ilustrações).

Capítulos Soltos no Facebook

capitulos_soltos

A livraria Capítulos Soltos, de Braga, já tinha um blogue. Agora está também na mais popular das redes sociais.

A recessão irlandesa

Economicamente as coisas estão negras na ilha verde de Joyce e Yeats, como explica, neste texto escrito na primeira pessoa, a romancista Anne Enright, vencedora do Booker Prize em 2007, com The Gathering (Corpo Presente, Gradiva).
Um excerto:

«One of the strangest feelings, living through a housing boom, is that you are rich or poor not because of the money you earn, but the year you started earning it. It is not a question of effort, but of luck. This was part of the impotence and panic that drove Irish people to buy overvalued houses towards the end of the boom; it was the feeling that we were running up a down escalator and had to grab hold of whatever we could, to stop being swept away. There is very little pleasure in buying a house. Perhaps this fact is not mentioned often enough. For a while, house auctions were a kind of blood sport in South Dublin. There were women who spent their lives going to them, to get high on the smell of money and other people’s pain. It was like living in a casino: the insanity of the sums involved; that blank, ecstatic misery on the faces of the people who won.
Telling the truth was, in the circumstances, not just boring, it was also unlucky, hexed, taboo. It might even be unclean. Careless talk costs jobs. If the bubble burst it would be your fault for calling it a bubble, because, at the end of the day, it’s not an economy, it’s a mood.»

Morte de um blogue

«O HÚMUS morreu. Acabou. Finou-se. Esticou o pernil», explica Hugo Torres no post final. Primeiro colapsou o pulmão direito. Agora foi a vez de parar o coração. Tenho pena, muita pena, mas sei que os H’s (Hugo e Hélder) não tarda nada reaparecem noutro canto da blogosfera. Eu, pelo menos, vou estar à espera.

Porto Editora apresenta novidades em Lisboa, na próxima semana

Como habitualmente, a Porto Editora vai apresentar as novidades editoriais para os primeiros meses de 2010 em conferência de imprensa a realizar num hotel de Lisboa, na próxima quarta-feira, dia 20. Além das apostas de Manuel Alberto Valente e Cláudia Gomes, será anunciada «uma nova editora que passa a integrar, a partir do corrente mês, o Grupo Porto Editora».

‘Everything Ravaged, Everything Burned’ (booktrailer)

Vikings: antigos e modernos, por Wells Tower, um dos finalistas do Story Prize 2009, jovem escritor que conseguiu uma proeza rara: duas recensões ao seu livro de estreia no The New York Times. E ainda por cima por dois críticos lendários: Edmund White (ler aqui) e Michiko Kakutani (ler aqui).

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«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges