Coisas que perturbam

Receber, na redacção, correspondência para um crítico que morreu está quase a fazer um ano.

BdB no YouTube

O vídeo do post anterior é o primeiro do canal Bibliotecário de Babel no YouTube. Outros se seguirão.

Entrega do Prémio Literário Correntes d’Escritas a Pedro Tamen (2)

Agora o vídeo:

Adeus Moacyr

E de repente, na manhã da despedida, a notícia mais triste: morreu, aos 73 anos, Moacyr Scliar. Em 2009, o momento alto das Correntes d’Escritas foi a sua intervenção, sobre o dia em que o pai, um imigrante russo, chegou ao Brasil e viu pela primeira vez uma banana.
Em 2012, será certamente lembrado no espaço de homenagem antes da entrega dos prémios (este ano dedicado a Carlos Pinto Coelho e Malangatana).

Entrega do Prémio Literário Correntes d’Escritas a Pedro Tamen

O vereador da Cultura da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim, Luís Diamantino, anuncia o vencedor do Prémio: Pedro Tamen, por O Livro do Sapateiro (Dom Quixote).

O poeta premiado, momentos depois de um pequeno discurso de agradecimento.

Abraço do escritor Luis Sepúlveda a Pedro Tamen, com José Manuel Fajardo à esquerda.

Dos efeitos de uma boa prestação em palco (neste caso com o apoio de meios audiovisuais)

O brilharete de Pedro Vieira na sessão da manhã já teve reflexos: neste momento não há um único exemplar de Última Paragem: Massamá (Quetzal) à venda na Feira do Livro das Correntes, na Casa da Juventude da Póvoa de Varzim. Os que havia, voaram à velocidade de um comboio suburbano.

Mesa 9

A última mesa das Correntes teve três momentos altos: a aproximação de Yvette K. Centeno à poesia de Paul Celan; o habitual festival de humor de Onésimo Teotónio Almeida; e uma história de Luis Sepúlveda inspirada em factos reais passados na Terra do Fogo (história fantástica, que mete naufrágios, uma peça de lingerie negra que salva um oficial alemão da morte entre os pinguins e o reflexo fatal de um hidroavião nas paredes de gelo de um glaciar). Felizmente, a assistir a esta bela sessão final, esteve uma audiência recorde: perto de 500 espectadores (talvez mais), que ocuparam todas as cadeiras, todos os corredores, todos os degraus e todos os recantos do Auditório Municipal da Póvoa de Varzim.
Já sabíamos que as Correntes são uma verdadeira festa da literatura: aberta, participada e popular. Mas a adesão do público, esta tarde, ultrapassou as melhores expectativas.

O dilema de sempre

Ou estás nas Correntes ou escreves sobre as Correntes. Este ano, ensaiei uma alternativa: estar nas Correntes (quase sempre offline), com uns surtos de hiperactividade no Twitter, aqui.

Prémios de Edição LER/Booktailors

Tenho de confessar que o nono parágrafo me deixa naturalmente muito feliz.

Mesa 6

A plateia vista do palco (isto é, do meu lugar de moderador). O primeiro balcão do auditório estava igualmente cheio de espectadores atentos.

Amanhã, na secção de Livros do ‘Actual’

De Espécie Complicada, de Abel Barros Baptista (Angelus Novus), por Pedro Mexia
Angola 61 – Guerra Colonial: Causas e Consequências, de Dalila Cabrita Mateus e Álvaro Mateus (Texto), por Luísa Meireles
Um Adeus aos Deuses, de Ruben A. (Assírio & Alvim), por António Guerreiro
O Meu Nome é Jamaica, de José Manuel Fajardo (Quetzal), por José Guardado Moreira
O Único Final Feliz para uma História de Amor é um Acidente, de João Paulo Cuenca (Caminho), por José Mário Silva

Mesa 5

‘As palavras são apenas uma memória’

Em curso, a mesa 5, com César Ibanez París, Ignacio Martínez de Pisón, João Paulo Borges Coelho, Mário Zambujal, Nuno Júdice e Rui Zink. Modera João Gobern.

Céu azul à chegada



É sempre bom fazer check in no Hotel Vermar, na Póvoa de Varzim, com vista para as Correntes.

Mochila às costas, mala na mão

A partir deste exacto minuto, estou oficialmente a caminho das Correntes d’Escritas.

Efeito Borboleta/Luz Indecisa

Dois livros meus num só volume, hoje com a revista Visão (preço: 50 cêntimos).

Os cinzentos de Sebald

Cinza-gelo, cinza-ardósia, cinza-rato, cinza-pombo, cinza-chumbo, cinza-lúcio.

Seis poemas de Conceição Lima

PRESSA

Ficam mais curtas as horas
Se tombam caminhos.

***

O GUARDIÃO

Sobre todas as coisas, o guardião
venera o eco da própria voz.
No anel de bondade em redor do trono
decretou a obediência do vento
e a vassalagem dos frutos.

***

MULABO I

Onde o tamanho das vozes
Encolhe o nome e o rosto da urbe.

***

OCULTO

Não lhe vi o rosto
Não lhe viste o rosto
Não lhe viram o rosto
Não lhe vimos o rosto
Estava de bruços.

***

ESTÁTUAS

Neste país as estátuas desdenham alturas.
Traficam na praça, devassam estradas
Têm mãos pensativas e barro na planta dos pés.

***

KWAME

Deixei longe o clarim.

Vim ouvir a alegria das rosas
Ébrias gaivotas
Esta frescura tingindo de princípio o teu canto.

Além dos retalhos do mapa
Vim tocar as tábuas da profecia.

Acostumo-me ao perpétuo fogo
Na fronte de Acra.

Que diriam as palavras
O que diriam
Sobre o árduo fulgor da tua mortalha?

[in O País de Akendenguê, Caminho, 2011]

PS – Conceição Lima participará logo à tarde, a partir das 17h30, na quarta mesa das Correntes d’Escritas, numa sessão de poetas (os outros são Ana Luísa Amaral, Carmen Yáñez, Gastão Cruz, Ivo Machado e Uberto Stabile).

Mapa da mina

Onde descarregar e-books grátis e legais em português? As pistas estão todas aqui.

Sobre o iPad2

Tenho três coisas a dizer: 1) a data escolhida pela Apple para revelar o novo iPad é perfeita; 2) é uma data perfeita (falo por mim) porque coincide com o aniversário deste que se assina; 3) o Steve Jobs, ou o seu substituto (Tim Cook), bem que podia assinalar tão espantosa coincidência enviando, a título de graciosa oferta, um exemplar do dito iPad2 para a minha morada.
Fica a sugestão.

Uma questão de garra

Filme dos irmãos Coen vs. romance de Charles Portis

Logo no início do filme dos irmãos Coen, há uma cena que evidencia as limitações desta adaptação cinematográfica do romance True Grit, de Charles Portis. Numa das cenas que sinaliza a maturidade da protagonista de 14 anos, esta faz questão de assistir ao enforcamento de três bandidos. Depois de cada um deles ter pronunciado as suas últimas palavras, acciona-se uma alavanca e eles ficam pendurados, para horror e júbilo da multidão. Fim de plano no filme. No livro, porém, a cena não termina assim. Enquanto os dois assassinos brancos «rodopiavam lentamente suspensos das cordas
tensas, que rangiam», o índio «esperneava e esbracejava, com espasmos violentos». O azar de não ter partido logo o pescoço faz com que leve mais de meia hora a morrer. Ou seja, se em muitos aspectos o filme dos Coen se aproxima mais da rudeza, negrume e humor do livro do que a versão de Henry Hathaway (1969), o certo é que ainda assim não consegue captar, em todos os seus cambiantes, a singularidade do magnífico romance de Portis. Falta-lhe um certo tom. O tom que torna verosímil, contra todas as expectativas, a assombrosa odisseia de uma rapariguinha num mundo de homens.
No livro, tudo se constrói em torno da ideia fixa de Mattie Ross (vingar a morte do pai), um caso extremo de determinação e inteligência prática, com traços de rígida moral presbiteriana, narrado num «estilo de escrita ‘gráfico’». Ora a versão dos Coen, em vez de deslocar personagens (sobretudo LaBoef), omitir explicações e acrescentar cenas desnecessárias (Mattie a dormir na morgue ou a subir a uma árvore para cortar a corda de um enforcado), ganharia justamente em ser ainda mais «gráfica» (por exemplo, é frustrante o modo como despacha em três penadas a terrível sequência no fosso das cascavéis, que no livro dura umas angustiantes nove páginas) e em mostrar a verdadeira natureza de Rooster Cogburn, cujo denso passado de crimes e vilanias mal chega a ser referido.
Em suma, o filme dos Coen até nem é mau, mas a verdadeira garra («true grit») ficou toda, ou quase toda, no livro de Portis.

Indomável
Autor: Charles Portis
Título original: True Grit
Tradução: Fátima Andrade
Editora: Presença
N.º de páginas: 180
ISBN: 978-972-23-4478-4
Ano de publicação: 2011
Avaliação: 8,5/10

[Texto publicado no suplemento Actual, do semanário Expresso]

Acorrentados às redes sociais

Este ano, parece-me que as Correntes d’Escritas vão ter o maior acompanhamento de sempre, uma vez que grande parte dos participantes, espectadores e jornalistas estão nas redes sociais e utilizam telemóveis que permitem actualizações (de imagem e texto) quase instantâneas. Pela minha parte, tenciono actualizar o BdB o mais possível, mas estarei particularmente activo no Twitter (aqui) e no Facebook. No caso do Twitter, a hashtag a seguir é #Correntes, onde muita gente já está a publicar informação, nomeadamente o enviado do Jornalismo Porto Net.

Think Bic

Quando a revista Alice sugeriu um inquérito à «marca da minha vida», só podia ter escolhido a minha querida Bic Cristal.

Prémio Literário Casino da Póvoa para Pedro Tamen

Reunido ontem à noite, o júri (composto por Almeida Faria, Carlos Vaz Marques, Fernando Pinto do Amaral, Patrícia Reis e valter hugo mãe) decidiu, por maioria, atribuir o Prémio Literário Casino da Póvoa deste ano a O Livro do Sapateiro, de Pedro Tamen, editado em 2010 pela Dom Quixote. Escrevi sobre a obra vencedora aqui.

As Correntes já mexem

Os participantes do encontro Correntes d’Escritas começaram a chegar hoje à Póvoa de Varzim (eu só marcarei presença a partir de quinta-feira). Entre os primeiros hóspedes do Hotel Vermar conta-se Luís Ricardo Duarte, jornalista do Jornal de Letras, que no seu blogue iniciou um “Diário das Correntes” que promete ser profusamente ilustrado.

O vento

Toda a vida aquela obsessão, aquela pancada: ir viver para o deserto. Um dia foi. Arranjou-se para a travessia de zonas já mal habitáveis e pisou finalmente dunas verdadeiras. As da National Geographic, não sei se me entendem.
A única companhia era o vento. Cirandava por ali, trazendo quase inaudíveis murmúrios e, às vezes, alguns odores. A açafrão? A tâmaras? A distância era tamanha que nunca ele pôde acertar. Certo é que o vento fazia e refazia as dunas. O deserto mostrava, a cada pôr-do-sol, a cada amanhecer, um arruamento diferente.
Certo dia, o vento amainou. Amainou muito. Amainou tanto que nunca mais voltou. O silêncio agora era completo, de pôr louco o mais sisudo. O homem chegou a soprar, baixo, rentinho à duna. Deslocava uns vinte grãos, vamos lá, cem, no máximo. O som do sopro perdia-se logo ali. Como nas câmaras insonorizadas, acontecia-lhe ouvir o coração. Bum. Bum. Bum.
Desesperado, começou a dar punhadas nas dunas. Espadanava como um endemoninhado. E o facto é que, pouco a pouco, a duna se ia desfazendo, aplainando. Passou à duna vizinha. Também a essa a aplainou. E à seguinte. E à seguinte.
Alertada pelos satélites, a National Geographic reuniu de emergência o conselho. Levou semanas, mas, com grande resolução de lentes, localizaram o destruidor de cenários de sonho. Importava agir sem detença.
Avisaram-no a partir de minúsculas aeronaves telecomandadas, em termos crescentemente ameaçadores. Faziam-no em 27 línguas, algumas extraterrestres, mas nenhuma o macedónio, que era a dele.
Perderam com isso um tempo imenso. Do ondulado deserto, sobrava agora um monótono plaino a perder de vista.
Foi então que o vento voltou.
Fernando Venâncio

Um miniconto inédito de Fernando Venâncio

«Miniconto» foi como o autor classificou a sua brevíssima ficção. Ela vem já aí, no post que se segue, sucedendo a este que no fundo é só um teaser.

Como é que a palavra ‘OK’ conquistou o mundo?

Foi assim.

Olhar o escritor enquanto trabalha

A fotógrafa belga Alexandra Cool captou imagens de vários escritores no momento da escrita e reuniu-as num volume belíssimo: Moments of Writing (Lannoo). Entre os vários autores fotografados está o poeta português Rui Cóias, visto aqui no trânsito (ou transe?) do acto criativo:

Escolha lógica

O livro Uma Viagem à Índia, de Gonçalo M. Tavares (Caminho), ganhou o prémio de «melhor ficção narrativa» na segunda Gala do Prémio de Autor, organizado pela SPA. Foram ainda premiados, na área da literatura, António Carlos Cortez (por Depois de Dezembro, poesia) e Afonso Cruz (por A Contradição Humana, infanto-juvenil).

O que aí vem (Casa das Letras)

Autobiografia de Fidel Castro, de Norberto Fuentes; Sem Rumo, de Joshua Ferris; Casper, o Gato Viajante, de Susan Finden; Na Sombra do Desejo, de J.R. Ward; A Morte Tem Cura e Outras 99 Curiosidades Médicas, de Roger Dobson.

To blurb or not to blurb

That is the question para Bill Morris, do site The Millions.

‘O Único Final Feliz para uma História de Amor é um Acidente’ (booktrailer)

Edição portuguesa da Caminho (o autor virá esta semana às Correntes d’Escritas, na Póvoa de Varzim).

Cinco poemas de Catarina Nunes de Almeida

As noites eram aquele enxame desperto as noites
eram noites bem bebidas
a elevação dos lábios interiores dos cálices
o pôr das mãos nos caminhos.

***

Começávamos o dia por baixo
pelo tempo da pedra. A escarpa muscular
onde ia gastando os teus sapatos.
Manhãs compridas que chegavam ao mar.
Trazíamos as letras inclinadas trazíamos
na ponta da língua o nome dos naufrágios
e estávamos à mesa como um corpo de baile.
Uma subsistência sonora era esse
o estado da arte: éramos as claves do sul
de lábios estendidos à medida das máscaras.
Eu ia de rastilho, de árvore acesa. Ia iluminando a mão
com que batias no fundo. Traçava as águas
juntava as pernas para as covas do teu dente.
Passavam orlas e orlas e nós naquela descoberta
naquela terra toda à vista brincando ao verão
aos redemoinhos na chávena.

***

Quarentena longe das ondas.
Partiu-se de mim prazer
desamparada de meus ventos.
Meu ventre foi na última infância
declive talhado pelos peixes
muito afeito a coita de mar.
Aqui existe só o uivo dos cactos bravos
raros fumos lembrando barbatanas –
crostas levíssimas
na levedura das torres.
Gente esquecida dos remos
da fundura das mãos que traziam
os astros aos lábios.

***

CÂNTICO DAS NERVURAS

São tão largas as noites
para a concisão de um corpo.
Tão escuro o sorriso que as pernas abrem
ao mundo.
E no entanto animal que passe
aloira-se nas águas e geme
de uma alegria que tem flores e frutos.

***

CÂNTICO DOS CÂNTAROS

Voltando um pouco atrás
à costura das fotografias
àquelas escuridão pulmonar onde te vi
pela primeira vez onde eras
mais que certo quase cavalo
quase branco
a galope nos meus dentes.
Fotografias do tempo em que chamavas
árvore de rapina ao instrumento
que te educava os dedos.
Um dedilhar de amigo
à beira do vinhal.
Um encantar de amigo.

Se te deixasse ficar à sombra
haveria ainda as linhas da tua mão
tão irregulares tão imponderáveis
como a chuva nas boas noites.
Haveria ainda o perfume das grainhas
na primeira curva da manhã.
Era no tempo das fotografias.
Agora, dizes tu, há o orvalho dos murtais
um cesto silencioso e humano.

Nunca saberás que isso a que chamas
silêncio orvalho
eu chamo música
e toco-a.

[in Bailias, Deriva, 2011]

A Poetria abriu um site

Aqui.

Ironia

Um dos screensavers do Kindle é a reprodução de uma gravura em que se vê S. Jerónimo, símbolo da ordem analógica da cultura livresca:

Primeiros parágrafos

«Na língua da aldeia – assim achava eu quando era criança – as palavras estavam, para toda a gente à minha volta, pousadas em cima das coisas. As coisas chamavam-se exactamente como eram, e eram exactamente como se chamavam. Um acordo selado para sempre. Para a maior parte das pessoas, não havia aberturas através das quais tivéssemos de olhar entre palavra e coisa e fitar o nada, como se escorregássemos para fora da pele em direcção ao vazio. Os gestos manuais do dia-a-dia eram instintivos, trabalho bem ensaiado sem palavras; a cabeça não seguia o caminho dos gestos nem tinha os seus caminhos próprios, divergentes. A cabeça servia para carregar os olhos e os ouvidos, que eram necessários ao trabalho. Havia um dizer que se podia aplicar ao dia-a-dia de toda a gente: “Aquele tem a cabeça em cima dos ombros para não lhe chover no pescoço.” Ou será que não? Porque é que a minha avó aconselhava a minha mãe, no Inverno, quando não havia nada para fazer lá fora e quando o meu pai passava dias a fio constantemente a cair de bêbedo: “Se achas que não aguentas, arruma o armário.” Calar a cabeça, arrumando a roupa de um lado para o outro. A minha mãe que voltasse a dobrar, a empilhar e a pendurar, umas ao lado das outras, as blusas dela e as camisas dele, as meias dela e as peúgas dele, as saias dela e as calças dele. Colocadas de novo umas ao lado das outras, as peças de vestuário dos dois haviam de impedir que ele fugisse do casamento à custa da bebida.»

[in O Rei Faz Vénia e Mata, de Herta Müller, tradução de Helena Topa, Texto, 2011]

Livros vindos de outras mãos

Hoje, na secção de Livros do ‘Actual’

Tatuagem & Palimpsesto – da poesia em alguns poetas e poemas, de Manuel Gusmão (Assírio & Alvim), por António Guerreiro
Amor e Verão, de William Trevor (Relógio d’Água), por Ana Cristina Leonardo
A Rapariga dos Lábios Azuis, de Francisco Duarte Mangas (Quetzal), por Luísa Mellid-Franco
Anatomia de um Instante, de Javier Cercas (Dom Quixote), por Luís M. Faria
Sangue Vadio, de James Ellroy (Presença), por Paulo Nogueira

O bloqueio

«This year I read fewer books than last year; last year I read fewer than the year before; the year before I read fewer than the year before that. The phenomenon of writer’s block is well known, but what I am suffering from is reader’s block. »

Quem o confessa é Geoff Dyer, num ensaio que aparecerá no seu próximo livro (Otherwise Known as the Human Condition: Selected Essays and Reviews), revelado em primeira mão aqui.
No meu caso, devo dizer, verifico precisamente o contrário. De há uns tempos para cá, todos os anos leio mais do que no ano anterior.
E as vossas leituras, como é que vão? Em sentido crescente ou decrescente?

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«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges