Festival Literário da Madeira – programa

    SÁBADO, 2 DE ABRIL

10h30 – Mesa 1: Os escritores que fogem da fama. Com José Mário Silva, Patrícia Portela, Rui Zink, Rui Faria Nepomuceno e Miguel Albuquerque (moderador)

15h00 – Mesa 2: Os escritores malditos. Com Isabela Figueiredo, Sandro William Junqueira, valter hugo mãe, Paulo Sérgio Beju e Diana Pimentel (moderadora)

17h45 – Mesa 3: Os escritores inconstantes. Com David Machado, Inês Pedrosa, Raquel Ochoa e Rogério Sousa (moderador)

    DOMINGO, 3 DE ABRIL

10h30 – Mesa 4: Os escritores esquecidos. Com Afonso Cruz, Eduardo Pitta, Violante Saramago, Antonio Scurati e Francesco Valentini (moderador)

15h00 – Mesa 5: Os escritores maltratados. Com Graça Alves, Mário Zambujal, Pedro Vieira e Francisco Faria Paulino (moderador)

Todas as sessões decorrerão no Hotel Meliã Madeira Mare (Funchal). Haverá ainda lançamentos de livros da Nova Delphi, co-organizadora do encontro, e visitas dos escritores a escolas.

Apresentação do n.º 1 da revista ‘Agio’

Logo à tarde, a partir das 17h30, na livraria Bulhosa de Campo de Ourique. Haverá leitura de poemas.

Anunciados os finalistas do Man Booker International Prize

São 13: Wang Anyi (China), Juan Goytisolo (Espanha), James Kelman (Reino Unido), John le Carré (Reino Unido), Amin Maalouf (Líbano), David Malouf (Austrália), Dacia Maraini (Itália), Rohinton Mistry (Índia/Canadá), Philip Pullman (Reino Unido), Marilynne Robinson (EUA), Philip Roth (EUA), Su Tong (China), Anne Tyler (EUA).
O anúncio do vencedor acontecerá durante o Sydney Writers’ Festival, a 18 de Maio. Quem já declinou a hipótese de ganhar foi Le Carré, que por uma questão de princípio se recusa a competir em prémios literários.

Lembrete

Hoje, a partir das 18h00, estarei na galeria Fernando Pessoa do Centro Nacional de Cultura (Chiado, Lisboa) a falar sobre «O papel da crítica literária», no âmbito do ‘Balanço literário da década no mundo lusófono’, co-organizado pelo CNC e pelo portal PNET Literatura.

O poder dos livros

Isto não é uma campanha publicitária de incentivo à leitura. Mas podia ser.

Primeiros parágrafos

«Muitas vezes um círculo delimita o lugar onde se encontra sentada a personagem, ou seja, a Figura. Sentada, deitada, debruçada ou outra coisa. Este círculo, ou esta oval, ocupa mais ou menos espaço: pode extravasar o quadro, para lá dos seus limites, pode estar no centro de um tríptico, etc. Frequentemente sucede que surge reduplicado, ou mesmo substituído, pelo círculo da cadeira em que a personagem está sentada, pela oval do leito em que a personagem está deitada. Migra para os pequenos discos que rodeiam uma parte do corpo da personagem ou para dentro dos círculos giratórios que envolvem os corpos. Mas mesmo os dois camponeses só formam uma Figura pela relação com uma terra envasada, estreitamente contida na oval de um vaso. Resumindo, o quadro comporta uma pista, uma espécie de circo, enquanto lugar. Trata-se de um procedimento muito simples que consiste em isolar a Figura. Há outros procedimentos de isolamento: pôr a Figura dentro de um cubo ou, mais rigorosamente, dentro de um paralelepípedo de vidro ou de gelo; colocá-la sobre um carril, sobre uma barra estendida, como se se tratasse do arco magnético de um círculo infinito; combinar todos estes meios, o círculo, o cubo e a barra, como sucede nesses estranhos sofás baconianos, abertos e arqueados. São lugares. Seja como for, Bacon não esconde que estes procedimentos são quase rudimentares, apesar das subtilezas das respectivas combinações. O importante é que não constrangem a Figura à imobilidade; pelo contrário, cumprem o papel de tornar sensível uma espécie de progressão, de exploração da Figura no lugar ou sobre si mesma. É um campo operatório. A relação da Figura com o seu lugar isolante define um facto: o facto é… o que tem lugar… E a Figura assim isolada torna-se uma Imagem, um Ícone.»

[in Francis Bacon – Lógica da Sensação, de Gilles Deleuze, tradução de José Miranda Justo, Orfeu Negro, 2011]

Recensões de livros no ‘Expresso’ (balanço do primeiro trimestre de 2011)

Durante os primeiros três meses de 2011 (12 semanas), a secção de Livros do jornal Expresso publicou textos críticos sobre 73 obras de 34 editoras, divididos da seguinte forma:

Assírio & Alvim – 9
Dom Quixote – 9
Relógio d’Água – 8
Sextante – 4
Presença – 4
Objectiva – 3
Quetzal – 3
Ulisseia – 3
Edições 70 – 2
Fundação Calouste Gulbenkian – 2
Gradiva – 2
Teorema – 2
Tinta da China – 2
Afrontamento – 1
Ahab – 1
Alfabeto – 1
Almedina – 1
Angelus Novus – 1
Arcádia – 1
Bertrand – 1
Bruaá – 1
Caminho – 1
Casa das Letras – 1
Europa-América – 1
Fim de Século – 1
Língua Morta – 1
Livraria Fernando Machado – 1
Planeta – 1
Quimera – 1
Temas e Debates – 1
Texto – 1
Vendaval – 1
Verbo – 1
100 Luz – 1

Ecos do Dia Llansol no CCB

Podem ser vistos e lidos no blogue do Espaço Llansol, aqui, aqui, aqui e aqui.

Amanhã à tarde

Astrid Lindgren Memorial Award 2011 para Shaun Tan

O autor australiano ganhou um dos principais prémios para obras de literatura infantil (e o mais bem pago). Até agora inédito em Portugal, Tan vai ser publicado já na próxima semana pela Contraponto. Os seus Contos dos Subúrbios chegam às livrarias no dia 8 de Abril.

O que aí vem (Quetzal)

Conhecereis a Nossa Velocidade!, de Dave Eggers (trad. Jorge Pereirinha Pires); O Acidente, de Ismail Kadaré (trad. Ana Cristina Leonardo); A Primeira Pessoa e outras histórias, de Ali Smith (trad. Helder Moura Pereira); As Vantagens do Pessimismo, de Roger Scruton (trad. José António Freitas e Silva); A Divina Comédia, de Dante Alighieri (trad. Vasco Graça Moura).

Uma vez Robocop, sempre Robocop

Homem em Armas
Autor: Horacio Castellanos Moya
Título original: El Arma en el Hombre
Tradução: Jorge Fallorca
Editora: Teorema
N.º de páginas: 116
ISBN: 978-972-695-924-3
Ano de publicação: 2011

Juan Alberto García é uma máquina assassina, um soldado com verdadeiro espírito de missão, capaz de matar inocentes desarmados se forem essas as ordens superiores. A frieza mecânica e a imponência do corpanzil (um metro e noventa de músculos) valeram-lhe uma alcunha que diz tudo sobre a sua personalidade: Robocop. Um nome ao qual fez jus durante a luta contra os guerrilheiros, integrado no temível Batalhão Acahuapa das Forças Armadas de El Salvador, o único com estofo para colocar em sentido os mais perigosos dos «terroristas».
García orgulha-se da sua folha de serviços: «Nunca fui capturado nem fiquei ferido. Muitos dos homens sob o meu comando morreram, mas isso faz parte da guerra – os fracos não sobrevivem.» Quando os líderes políticos do país chegam a um acordo de paz com os revoltosos, a sobrevivência dos fortes também se torna problemática. Finda a guerra, desmobilizado o batalhão, não é fácil regressar à vida civil. E Robocop segue o caminho mais simples: continuar a ser o que era, só que ao serviço de outros interesses.
Do roubo de carros ao narcotráfico, dos arranha-céus com helicópteros no terraço às plantações de papoilas nas montanhas da Guatemala, ele vai-se perdendo num labirinto de organizações criminosas cuja escala ignora e deixando atrás de si um rasto de sangue, até à irónica hipótese final (a de retribuir aos norte-americanos a formação militar que estes lhe deram no início da carreira).
Com um estilo cru, a escrita vertiginosa e alucinada de Castellanos Moya atira-nos à cara a violência endémica da América Central. Não é uma realidade bonita, mas alguém tinha de a contar.

Avaliação: 6,5/10

[Texto publicado no suplemento Actual, do semanário Expresso]

Lembrete

Logo à tarde, a partir das 18h00, estarei à conversa com Pedro Tamen e Pedro Mexia, na Bulhosa de Campo de Ourique. Um encontro incluído na Semana da Poesia e do Teatro que esta livraria organiza.

O ano em que os booktrailers se tornaram cada vez mais parecidos com trailers de filmes

Onde é que irá parar o crescendo de sofisticação destes pequenos vídeos promocionais?

Maravilhas da paternidade

– Para que servem os pés, Alice?
– Para andar.
– E as mãos?
– Para agarrar.
– E os joelhos?
– Para esfolar.

Houellebecq vai a Paraty

Michel Houellebecq, recente vencedor do Prémio Goncourt (com o romance La Carte et le Territoire), é um dos nomes fortes do cartaz da Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP) de 2011, que decorrerá entre 6 e 10 de Julho. Além do escritor francês, estão já confirmadas as presenças de James Ellroy, Antonio Tabucchi, João Ubaldo Ribeiro, Andrés Neuman, Claude Lanzmann, Joe Sacco, David Remnick, Emmanuel Carrère e valter hugo mãe.

[via Ciberescritas]

Quatro poemas de João José Cochofel

ACENDEM-SE AS LUZES

Acendem-se as luzes
nas ruas da cidade.

Ainda há claridade
ao alto das cruzes
da igreja da praça
e para lá dos telhados
já meio esfumados
na mesma cor baça
do casario velho
que recobre a encosta
e mal entremostra
as cores de Botelho,
sobranceiro à massa
fluida e movente
das cordas de gente
por onde perpassa
um ar de alegria
que é do tempo quente
e deste andar contente
que no fim do dia
leva para casa,
a paz das varandas,
o álcool das locandas,
tanta vida rasa
minha semelhante.
Solidão povoada
que a tarde cansada
suspende um instante
ao acender das luzes.

Em cada olhar uma rosa
de propósito formosa
para que a uses.

***

NÃO DESAFIES

Não desafies
a alegria.

Quando ela chegue
um instante só
não lhe perguntes
porquê?

Estende as mãos ávidas
para o calor
da cinza fria.

***

RESGATE

Meus pés moídos na calçada,
minhas tardes envenenadas de álcoois nos cafés,
e o vazio por dentro
a encher o tédio das horas sem nome.

Tudo isto
– moeda triste
que nem chega a pagar o sol da tardinha
e a poeira de feno que pontilhou de oiro
teu corpo entre trigais.

***

CANÇÃO PARA FERNANDO LOPES-GRAÇA PÔR EM MÚSICA

Não seja o travor das lágrimas
capaz de embargar-te a voz;
que a boca a sorrir não mate
nos lábios o brado de combate.

Olha que a vida nos acena
para além da luta.
Canta os sonhos com que esperas,
que o espelho da vida nos escuta.

[in Breve, Editorial Caminho, 2010]

Aumento das vendas de e-books cria mudanças nos padrões de consumo dos leitores

«Without a new way to learn what books are available, buyers of e-books concentrate on a narrower variety of fare.»

José Afonso Furtado na lista de melhores twitterers da revista ‘Time’

A Time fez uma lista com os 140 melhores «Twitter feeds», tantos quantos os caracteres que cabem num tweet. Único português neste top, José Afonso Furtado mereceu as seguintes palavras de Dan Fastenberg:

«José Afonso Furtado is the Borges of Twitter, a Portuguese librarian who brings his unadulterated love for all things books and publishing-related to the Twittersphere. Based in Lisbon, Furtado has a day job as the art-library director of the Calouste Gulbenkian Foundation, but manages to create a running feed of timely, must-read publishing-industry news. And luckily for followers, Furtado has a liberal definition of the word publishing: stories on everything from Google securing patents for its doodles to highlights from the latest literary awards. And while he’s clearly comfortable tweeting in English, you’ll forgive him if he slips in a tweet every now again in a language that requires the use of accents.»

Parabéns, caro JAF. Esta é uma distinção justíssima.

Prémio para o título de livro mais estapafúrdio

E o vencedor deste ano é… Managing a Dental Practice the Genghis Khan Way, de Michael Young.

Biblioteca Nacional adquire espólio de José Gomes Ferreira

A BNP acaba de incorporar no seu acervo o espólio do escritor José Gomes Ferreira, que inclui manuscritos autógrafos e/ou dactiloscritos, obras musicais em versão autógrafa e impressa, documentos áudio, fotografias, recortes de imprensa, documentos biográficos, assim como uma vasta correspondência (de que fazem parte cartas de Adolfo Casais Monteiro, Alexandre Pinheiro Torres, Augusto Abelaira, António Ramos Rosa, António Sérgio, Francine Benoït, Irene Lisboa, João de Barros, João José Cochofel, João Rui de Sousa, José Cardoso Pires, José Rodrigues Miguéis, José Saramago, Luiz Pacheco, Natércia Freire, Sophia de Mello Breyner Andresen e Urbano Tavares Rodrigues, entre outros escritores e artistas). Parte deste acervo vai ser de acesso reservado a estudiosos da obra de José Gomes Ferreira.

Copas

Tal como a Liga dos Campeões e a Liga Europa da UEFA, a Copa de Literatura Brasileira aproxima-se dos quartos-de-final. Apurados até agora: Andre de Leones, Bernardo Carvalho, Adriana Lisboa e Joca Reiners Terron.

Uma capa para Murakami

Chip Kidd, um dos principais designers gráficos do mundo editorial anglo-saxónico, explica como criou a capa para a edição americana do último romance de Haruki Murakami: 1Q84.

Escrever no século XXI

Olhemos à nossa volta. Os aparelhos que permitem ler e-books multiplicam-se, sofisticam-se, democratizam-se. Cada vez mais pessoas têm uma biblioteca ambulante no Kindle, no iPad, no iPhone. A tecnologia progride todos os dias. As novidades sucedem-se. Há umas semanas, por exemplo, foi lançado o Google eBooks, que promete revolucionar os nossos hábitos de leitura. Em vez de ficarem alojados num determinado hardware, os ficheiros com livros passarão a existir virtualmente numa «nuvem» online, à qual acederemos em qualquer lado e em qualquer suporte físico, através de uma simples ligação à internet. Ou seja, um romance pode ser começado no computador lá de casa, ao pequeno-almoço; prosseguindo depois a leitura num tablet, durante a viagem de comboio até ao emprego; ou na fila do Multibanco, quando se aproveita os minutos de espera para despachar mais um capítulo no smartphone. Neste sistema, a desmaterialização do livro é levada ao limite: o livro passa a existir só na tal «nuvem» abstracta, algures na rede de informação, como se fosse uma entidade supraterrena, um arquétipo que desce a pedido aos nossos vários ecrãs (depois de pago com o cartão de crédito, claro).
Por enquanto, esta potencial mudança dos hábitos de leitura ainda não é acompanhada por quem produz os livros, pelo menos no nosso país. Para as editoras tradicionais, o mundo digital continua a representar uma ameaça, mais do que um desafio ou uma oportunidade. Mesmo os grandes grupos, que teriam meios para investir a sério nas novas tecnologias, avançam a medo, timidamente, receando apostar em modelos de negócio que ainda não passaram o teste do tempo. É sintomático que os debates sobre o futuro do livro se resumam quase sempre ao fantasma de um medo apocalíptico: será que o livro físico, em papel, com textura e cheiro a pó, vai desaparecer de vez? Provavelmente não. Provavelmente continuará a existir, porque há uma experiência de leitura associada aos livros-livros que é inimitável e para muita gente, sobretudo as gerações que aprenderam a ler com eles, insubstituível. Contudo, mesmo quem prefere o papel tenderá a ler cada vez mais em suportes digitais. Já para não falar das crianças que nascem agora, na era do multitasking, e que previsivelmente pensarão dos livros-livros o mesmo que nós pensamos das calculadoras: «Mas afinal só fazem isto?»
Pela minha parte, o que me preocupa não é o meio (se vamos ler na parede da sala, no tecto da cozinha ou no tablier do carro); é o conteúdo. Que literatura o século XXI tem para nos oferecer e de que forma será capaz de se sintonizar com os tempos que vivemos. Os primeiros sinais, devo dizer, são preocupantes. Ao fim de uma década, contam-se pelos dedos os romances que são especificamente deste século, com narrativas que reflictam e incorporem o zeitgeist, dos novos paradigmas sociais à interconectividade global. A maior parte das ficções que se escrevem e publicam hoje podiam ter sido criadas em qualquer das décadas do século anterior – e muitas são meras variações, serôdias e gastas, dos romances oitocentistas. Enquanto outras artes souberam integrar a pulsação da criatividade contemporânea (veja-se os graffiti expostos em museus ou o uso dos samples na música, tanto popular como erudita), a literatura parece ter dificuldade em reinventar-se, em descobrir modos narrativos que estejam à altura da complexidade do mundo actual. É deprimente entrar numa livraria e perceber que 90% dos romances disponíveis obedecem a uma lógica linear, com os mesmos esquemas, mil vezes repetidos. Em 2011, exige-se que certos géneros literários (sobretudo o romance) façam o necessário upgrade. David Shields, no seu brilhante ensaio-manifesto que mistura ideias próprias e alheias em 618 fragmentos (Reality Hunger, Hamish Hamilton), mostra como é vasto o campo das possibilidades ainda por explorar. Na verdade, espero que o romance do século XXI não seja escrito só no século XXII. Porque gostava mesmo de o ler – seja em papel, a partir da «nuvem» ou noutro sistema qualquer que ainda esteja por inventar.

[Texto publicado no n.º 98 da revista Ler]

O que aí vem (Teorema e Alfabeto)

Na Teorema: O Legado de Wilt, de Tom Sharpe; Nós Queríamos Matar Hitler, de Philipp Freiherr von Boeselager.
Na Alfabeto: Da Decadência da Arte de Mentir e Outros Textos, de Mark Twain (trad. de Sofia Gomes); A Mulher Careca, de Cristina Cerrada (trad. de António Pescada).

Histórias Daninhas

Duas vezes por semana, às segundas e às quintas, Guilherme Pires e João Afonso publicarão aqui, alternadamente, uma narrativa curta (o único limite deste projecto é o tamanho dos textos: nunca mais de 200 palavras).
A primeira das Histórias Daninhas aparecerá no dia 4 de Abril. A expectativa é, desde já, enorme.

‘Selene’

Eis um novo jornal online, feito a partir de Sintra e vocacionado para as questões culturais e artísticas.

Pessoas com livros à volta

Já estão disponíveis as imagens do II Encontro Livreiro, que decorreu ontem na Livraria Culsete, em Setúbal. Ver aqui e aqui.

Llansol no CCB

Queria anunciar isto com a devida antecedência, mas não o fiz (mea culpa). Gostava de ter passado pelo Centro Cultural de Belém hoje, mas não consegui (mea maxima culpa). Ainda assim, espero que tenha sido uma festa literária digna da extraordinária escrita de Maria Gabriela.

Coisas que se aprendem no ‘Borda d’Água’

O almanaque clássico que os pedintes romenos tentam impingir-nos nos semáforos informa que hoje é o Dia do Livro Português. E logo a seguir deixa um bom conselho: “Leia pelo prazer da leitura.” Livros portugueses ou de outra nacionalidade, presume-se.

Vila-Matas sobre Joseph Roth e o estado da literatura actual

«La relectura de El Leviatán me confirma que es una obra maestra que cada día nos recuerda más a la situación actual de lo literario en un mundo en el que hasta la prensa cultural, de forma más que alarmante, está arrinconando las noticias sobre libros. Se dedican grandes reportajes a los avances digitales, al inquietante futuro de Internet, al peligro de que se extingan los textos impresos, pero nadie parece hacer mucho para seguir hablando de libros con la normalidad de antes: o se habla de que éstos van a desaparecer, o ya directamente no se habla y se prefiere llenar páginas con un modisto nazi, por ejemplo. Creo que, de vez en cuando, convendría que alguien comentara con mayor amplitud lo que se edita entre nosotros, incluso que explicara algo que es completamente auténtico, una noticia bomba que diría una gran verdad: jamás se ha editado como ahora, con tanta pasión y con un nivel -si nos acordamos de las editoriales independientes- altísimo, un verdadero punto elevado en la historia del libro en nuestro país. Y eso a pesar de que esa industria tiene que convivir con los advenedizos que, alejándola de la autenticidad, es decir, traicionando a los corales verdaderos, la llevan hacia un clima de fin de trayecto. Ese clima conecta con la traición a sí mismo del comerciante Piczenik y desde hace tiempo va llevando a la vieja Poética hacia un paisaje de desastre que hace temer que al final, por la vía directa de tanta ruina moral, el destino acabe dándonos la espalda.»

Artigo completo na edição de hoje do suplemento Babelia, do El País.

A melhor oferta que se pode fazer a um escritor?

«Um bom leitor – e uma caneca de chocolate quente.»

O Festival Literário da Madeira em dez segundos

Programação e tudo o que há para saber sobre o festival, aqui.

Amanhã, na secção de Livros do ‘Actual’

Até o Silêncio Tem um Fim, de Ingrid Betancourt (Objectiva), por Luciana Leiderfarb
Desobediência – Poemas Escolhidos, de Eduardo Pitta (Dom Quixote), por Pedro Mexia
Macau nos Anos da Revolução Portuguesa – 1974-1979, de Garcia Leandro (Gradiva), por José Pedro Castanheira
Ré Menor, de Patrícia Baltazar (Língua Morta), por António Guerreiro
Ponto Ómega, de Don DeLillo (Sextante), por Ana Cristina Leonardo
Homem em Armas, de Horacio Castellanos Moya (Teorema), por José Mário Silva

Livros infantis no ‘The Guardian’

Eis mais um excelente subportal temático daquele que é, provavelmente, o melhor site jornalístico de Inglaterra e arredores (onde se lê arredores, leia-se «resto do mundo»).

Os Sete Vampiros

Um reality show literário hispano-argentino, com webcams, chats e escrita em tempo real, pensado e executado pelo colectivo Hotel Postmoderno. Para acompanhar, passo a passo, palavra a palavra, imagem a imagem, no próximo dia 2 de Abril.

2.º Encontro de Poetas do Mundo em Almada

Até domingo. Programação aqui.

O que aí vem (Dom Quixote)

Em Abril: Quarto Livro de Crónicas, de António Lobo Antunes; Liberdade, de Jonathan Franzen; Os Buddenbrook, de Thomas Mann; Lisboa. Um Melodrama, de Leopoldo Brizuela; O Violino de Auschwitz, de María Angels Anglada; Rabos de Lagartixa, de Juan Marsé; Teia de Cinzas, de Camilla Läckberg; Menos por Menos – Poemas Escolhidos, de Pedro Mexia.

Verdes cantos, logo à noite

«VERDES SÃO OS CANTOS é um ciclo mensal que tem como objectivo reunir novos nomes da poesia e da música portuguesa numa sexta-feira de cada mês. O cenário será sempre uma das livrarias do grupo Coimbra Editora. As sessões dividem-se em dois momentos – um recital poético e um concerto. Este será o sexto encontro e contará com a presença da poeta Margarida Ferra e com a música dos Belle Route. Porque o mote destas sessões é a poesia, os poetas e os músicos trarão algumas escolhas de “autores da sua vida” que serão lidos e comentados juntamente com o público. Entrada livre.»
Onde: Livraria Buchholz (R. Duque de Palmela, n.º 4, Lisboa)
Quando: hoje (21h30)

‘A Vírgula de Oxford’

O nome da nova coluna de Rogério Casanova no suplemento ‘Ípsilon’ (começou hoje) não podia ser mais rogeriocasanoviano, tal como rogeriocasanoviano é o tema da primeira crónica: James Wood. Escusado será dizer que Rogério Casanova, ao falar de James Wood, está essencialmente a referir-se ao rogeriocasanoviano Rogério Casanova. E muito bem, como sempre.

PS – Segundo um comentário do Rui Viegas, ‘A Vírgula de Oxford’ terá começado no dia 11 de Março. A de hoje não é por isso a primeira crónica. Fica a errata.

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«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges