Hoje, na secção de Livros do ‘Actual’

Amada Vida, de Alice Munro (Relógio D’Água), por José Mário Silva
As Coisas Naturais, de Ernesto Sampaio (Averno), por Hugo Pinto Santos
A Sombra das Ditaduras, coordenação de António Costa Pinto (ICS), por Luís M. Faria
A Verdadeira Vida de Sebastian Knight, de Vladimir Nabokov (Relógio D’Água), por Pedro Mexia
Histórias sem Jardins, de Jorge Palinhos, com ilustrações de Alexandre Siqueira (CulturePrint), por José Mário Silva
– Escolhas de Miguel-Manso

O que nos dizem as casas

arquitectura

A Arquitectura da Felicidade
Autor: Alain de Botton
Título original: The Architecture of Happiness
Tradução: Lucília Filipe
Editora: Dom Quixote
N.º de páginas: 307
ISBN: 978-972-203-932-1
Ano de publicação: 2013

Nas margens de um lago na Irlanda do Norte, em 1767, o visconde Bangor e sua mulher, Lady Anne Bligh, decidiram construir uma casa grande, digna do seu estatuto. O problema é que não chegavam a acordo sobre o estilo arquitectónico a adoptar em Castle Ward. O visconde era um classicista: queria «janelas salientes, colunas embutidas, proporções palladianas e janelas encimadas por frontões triangulares com mísula». Já Lady Anne admirava o estilo gótico: «telhados com ameias e pináculos, janelas ogivais e quadrifólios». Para sair do impasse, o arquitecto do casal sugeriu uma solução de «engenho salomónico»: dividir a casa ao meio. E assim surgiu a estranha quimera que ainda hoje pode ser vista em Stragford Lough: fachada em puro estilo clássico; alçado das traseiras a lembrar um palácio medieval (compromisso que se prolonga no interior).
Esta é uma das dezenas de histórias curiosas a que Alain de Botton recorre para ilustrar, em texto e imagens, a sua abordagem à evolução da arquitectura, sempre do ponto de vista do filósofo que procura entender de que modo as construções humanas reflectem e condicionam conceitos abstractos difíceis de definir, como a «beleza» e a «felicidade». Todos procuramos moldar os lugares em que vivemos, mas o contrário também acontece: «Uma sala feia pode cristalizar qualquer suspeita isolada sobre a imperfeição da vida, enquanto um cenário iluminado pelo sol com ladrilhos de calcário cor de mel pode dar apoio ao que de mais esperançoso existe em nós.» Em última análise, resume Alain de Botton, «a tarefa da arquitectura é fazer-nos ver quem podíamos idealmente ser». Em muitos casos, a beleza do espaço em que vivemos empurra-nos para o aperfeiçoamento ético. Mas nem sempre. As casas belas não nos tornam necessariamente melhores, porque «a arquitectura pode muito bem conter mensagens morais, mas simplesmente não tem qualquer poder para as fazer cumprir». No fundo, os falhanços da arquitectura expressam a «mesma tendência que, noutras áreas, nos levarão a casar com a pessoa errada, a escolher profissões inadequadas e a marcar férias malsucedidas: a tendência para não entender quem somos e o que irá satisfazer-nos».
John Ruskin escreveu que esperamos pelo menos duas coisas das construções humanas: que nos abriguem e que «nos falem». É justamente esta eloquência da arquitectura que Alain de Botton procura entender e descodificar, percorrendo o mundo e os séculos para «ouvir» o que as casas têm para dizer e o modo como falam «de democracia ou de aristocracia, de simplicidade ou de arrogância, de bom acolhimento ou de ameaça, de uma simpatia pelo futuro ou de uma nostalgia do passado». Pelo caminho, estabelece nexos surpreendentes (por vezes com quadros ou obras literárias), detém-se na psicologia do gosto e no utilitarismo dos engenheiros, enumera os princípios da ordem arquitectónica e reincide numa embirração mal escondida para com Le Corbusier.
Alain de Botton é eficaz a narrar factos invulgares (o obelisco de nove metros mandado erguer por uma condessa, em memória de um porco «ao qual não hesitou chamar verdadeiro amigo»; ou a aldeia holandesa falsa construída no Japão, com tulipas, canais e moinhos de vento), mas muitas das ligações que estabelece são superficiais, frívolas ou simplesmente arbitrárias – veja-se a comparação forçadíssima entre os caixilhos de uma janela e uma bailarina de Degas. Apesar de um estilo solene (por vezes a resvalar para o pomposo) e demasiado reiterativo, o livro funciona bem como introdução ligeira à arquitectura. Já como teorização filosófica, que devia ser o ponto forte do autor, deixa bastante a desejar.

Avaliação: 6,5/10

[Texto publicado no suplemento Actual, do semanário Expresso]

Amanhã, na secção de Livros do ‘Actual’

A Arquitectura da Felicidade, de Alain de Botton (Dom Quixote), por José Mário Silva
Marketá Lazarová, de Vladislav Vancura (QuidNovi), por José Guardado Moreira
Estratégia Merkel, de Gertrud Höhler (A Esfera dos Livros), por Cristina Peres
O Jogo Sério, de Hjalmar Söderberg (Relógio d’Água), por Ana Cristina Leonardo
O Relatório de Brodie, de Jorge Luis Borges (Quetzal), por Pedro Mexia
O Cavaleiro da Águia, de Fernando Campos (Divina Comédia), por Hugo Pinto Santos
– Escolhas de Pedro Sena-Lino

A estirpe maldita

anao

O Anão
Autor: Pär Lagerkvist
Título original: Dvärgen
Tradução: João Pedro de Andrade
Editora: Antígona
N.º de páginas: 178
ISBN: 978-972-608-237-8
Ano de publicação: 2013

Escrito em 1944, no final da II Guerra Mundial, O Anão é um livro de um pessimismo lúcido, exemplar na construção narrativa e brilhante no estilo. Pär Lagerkvist situou a narrativa num tempo histórico incerto, algures durante a Renascença italiana (provavelmente no final do século XV), mas as situações e figuras que evoca têm uma dimensão universal. No fundo, o que o leitor encontrará, ao longo destas páginas sôfregas, é um retrato da maldade humana em todo o seu esplendor, personificada pelo anão Piccolino que, do alto das suas 26 polegadas de altura, lança sobre a realidade que o rodeia o mais aviltante dos olhares.
Nas entradas do seu diário, Piccolino constrói e defende uma visão do mundo claramente distorcida. Tudo o que se passa na corte, tudo o que se diz ou faz, chega-nos através do filtro tortuoso da sua mente. Escarnecido e humilhado, ele devolve o escárnio e as humilhações com juros. A pequenez, em vez de o inferiorizar, gera um complexo de superioridade, embora ele acredite que os anões descendem de uma «raça mais antiga do que a que hoje povoa o mundo», o que os torna já velhos quando nascem. «Os anões não têm pátria, nem pai nem mãe; somos engendrados por estrangeiros vulgares; a fim de que a nossa raça se perpetue, consentimos em nascer secretamente entre os miseráveis. E quando esses pais adoptivos se apercebem de ter lançado ao mundo um ser da nossa estirpe, vendem-nos a poderosos senhores, a quem a deformidade diverte, para lhes servirmos de bobos.» É uma estirpe maldita, condenada à servidão e ao gozo dos outros. E por isso Piccolino a despreza.
Na verdade, Piccolino não despreza apenas os outros anões, ao ponto de os afastar um a um, até ao último (que estrangula); ele despreza a humanidade em geral. As pessoas com quem se cruza, na corte, inspiram-lhe um desdém que não consegue esconder. Só pelo príncipe revela respeito e admiração, mas mesmo esse por vezes o desorienta, com o seu carácter impenetrável. Ele gosta de ser o prolongamento do monarca, a sua «sombra», um símbolo do seu poder. Quando passeia sozinho pela cidade, os habitantes fazem-lhe o que não podem fazer ao soberano: insultam-no, cospem-lhe, atiram-lhe ratos mortos. Ele não recebe a hipocrisia da bajulação, antes a verdade do ódio puro dos súbditos. A ele não lhe mentem. Saber «sempre mais de todas as coisas do que o seu senhor» é o triunfo que lhe cabe.
Piccolino não tem propriamente um cargo. Enche taças de vinho, ouve confidências, entrega cartas secretas da princesa ao seu amante, escuta atrás das portas, conspira nos corredores. Mas essa posição privilegiada dá-lhe acesso aos meandros onde tudo se decide e ele não se coíbe de mexer alguns cordelinhos. Bernardo, um sábio que faz lembrar Leonardo da Vinci (pinta uma Última Ceia e um retrato da princesa com um sorriso misterioso, à la Mona Lisa; além de abrir cadáveres e desenhar máquinas de guerra), junta ao conhecimento e curiosidade infinitos uma dose de humanismo. É o suficiente para que desconfie dele. Como desconfia das pessoas boas, ou ingénuas, ou capazes de amor. Porque ele só conhece sentimentos negros: «O ódio foi o meu alimento desde os primeiros instantes da minha vida, absorvi a sua amarga seiva». Sem remorsos, sem medo, ele faz do ódio a sua linguagem, não se furtando à respectiva radiação maligna: «Mas também me odeio a mim mesmo. Devoro a minha carne embebida em fel. Bebo o meu sangue envenenado.»
O diário exulta com as carnificinas da guerra e mostra os horrores da peste, enquanto o mundo de Piccolino se dissolve. No fim, o anão continua a acreditar na ligação ao seu senhor («Está acorrentado a mim, como eu o estou a ele!»), mesmo depois de o príncipe o ter mandado prender na masmorra do palácio. «Os homens gostam de se ver reflectidos em espelhos turvos», resume. E nenhum espelho é mais turvo do que esta viagem sombria ao coração do Mal.

Avaliação: 8,5/10

[Texto publicado no suplemento Actual, do semanário Expresso]

Amanhã, na secção de Livros do ‘Actual’

O Anão, de Pär Lagerkvist (Antígona), por José Mário Silva
O Impostor, de Damon Galgut (Alfaguara), por José Guardado Moreira
Morro da Favela, de André Diniz e Maurício Hora (Polvo), por Sara Figueiredo Costa
Chet Baker pensa na sua arte, de Enrique Vila-Matas (Teodolito), por Pedro Mexia
O que é um escritor maldito? – Estudo de Sociologia da Literatura, de João Pedro George (Verbo), por Manuel de Freitas
Os Privilegiados, de Gustavo Sampaio (A Esfera dos Livros), por Ana Cristina Leonardo
Maria Antonieta – O Retrato de uma Mulher Comum, de Stefan Zweig (Casa das Letras), por Luís M. Faria
– Escolhas de Clara Capitão

Coisas próprias do escuro

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O da Joana
Autor: Valério Romão
Editora: Abysmo
N.º de páginas: 156
ISBN: 978-989-98019-8-1
Ano de publicação: 2013

No seu romance anterior (Autismo), Valério Romão colocava, durante muitas dezenas de páginas, um casal consumido pelo desespero à porta de uma urgência hospitalar, ansiando por notícias que nunca chegavam sobre o filho de seis anos, atropelado horas antes. A espera kafkiana face ao muro da intransigência burocrática era a metáfora perfeita da incomunicabilidade que ferira de morte a família – o autismo do filho a desencadear ondas de choque, como uma «bomba com retardador» que de repente explode. Em O da Joana, segundo volume da trilogia «Paternidades falhadas», reaparece a figura opressiva do hospital, mas desta vez tudo (ou quase tudo) decorre lá dentro, um espaço claustrofóbico, asfixiante, espécie de inferno onde uma mulher grávida é condenada a dar à luz um nado-morto.
A narrativa não se fecha logo nas salas e corredores da maternidade, começa antes numa animada festa, sobre a qual paira, no travo melancólico da alegria suburbana, uma espécie de aviso ou prenúncio do que nos aguarda. Valério descreve tudo com minúcia, numa prosa rápida, elástica, abrangente, feita de panorâmicas e zooms, como num documentário que a National Geographic fizesse sobre nós, humanos, esses primatas no fundo tão semelhantes nas suas «pulsões mais profundas e genuínas». Fala-se, por exemplo, do «magnetismo» primário que faz com que as mães sejam atraídas pelo choro dos filhos, seguindo o instinto de «um coração feminino devidamente calibrado». E é aqui que a história inicia o seu deslize para um «alto-mar existencial no qual tudo quanto há se desnuda na inexistência de terra firme». No meio da confusão, Joana procura um bebé que chora algures num quarto, encontra-o, identifica uma fome que se apressa a saciar com um mamilo «de onde despontavam já (…) bolsas microscópicas de leite», para logo dissolver este momento íntimo em algo mais perturbante, à medida que as carícias no bebé se transformam numa «apneia» de «prazer dúbio dos sentidos que se confundem», concluída num orgasmo.
Quando o leitor descobre que o filho não é dela e a mãe verdadeira se prepara para um confronto de pura energia animal, instala-se uma «arritmia da normalidade». Saber que tudo não passou de um pesadelo gera talvez um sentimento de alívio, até porque sinaliza o rompimento das águas e o início da corrida para a maternidade, onde Joana espera cumprir o sonho alimentado durante oito anos de obsessão, durante os quais preparou a sua vida, ao milímetro, em função do filho que um dia haveria de chegar. O problema é que a «arritmia da normalidade» é transposta do mundo onírico para o mundo real. Se, no sonho, ela fazia coisas «próprias do escuro», embaraçosas «porque não são próprias de mim», essas coisas perseguem-na na vigília, uma vez que o corpo continua a perder-se, «assim que eu viro as costas à lucidez e abro mão da consciência».
A perdição do corpo, neste caso, assume a forma de um silêncio: dentro da mãe, o coração do Francisco deixou de bater. É esta tragédia que acompanhamos momento a momento, sem elipses nem pausas para respirar, até ao paroxismo do arrepiante desenlace, numa vertigem de realismo cru e visceral sem paralelo na literatura portuguesa. Entre o corpo e a dor, «desabam as fronteiras que permitem que o primeiro localize e contenha a última». E nós assistimos a esse desabamento que, numa Joana transformada em «barco sem tripulação, abandonado à sua sorte», corresponde ao desabamento da própria realidade. Terrível, duríssimo, admirável, este é um romance que traz à luz feridas e angústias, sem anestesia, a frio, mas com a delicadeza de quem respeita infinitamente o lado mais brutal da vida.

Avaliação: 8,5/10

[Texto publicado no suplemento Actual, do semanário Expresso]

Amanhã, na secção de Livros do ‘Actual’

– Entrevista + recensão sobre O da Joana, de Valério Romão (Abysmo), por José Mário Silva
Animalescos, de Gonçalo M. Tavares (Relógio d’Água), por Pedro Mexia
Pássaros Amarelos, de Kevin Powers (Bertrand), por José Guardado Moreira
O Mundo Até Ontem, de Jared Diamond (Temas e Debates), por Luís M. Faria
Até ao Fim do Mundo, de Maria Semple (Teorema), por Ana Cristina Leonardo
Um Amigo para o Inverno, de José Carlos Barros (Casa das Letras), por Hugo Pinto Santos
– Escolhas de Tânia Ganho

Uma nação suicida

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Despaís
Autor: Pedro Sena-Lino
Editora: Porto Editora
N.º de páginas: 330
ISBN: 978-972-0-04486-0
Ano de publicação: 2013

Das muitas formas de abordar ficcionalmente a crise aguda que Portugal vem atravessando nos últimos anos, Pedro Sena-Lino escolheu a mais extrema: imaginar o que acontecerá ao nosso país se as políticas de austeridade forem levadas longe demais. No começo do romance, em Setembro de 2023, os resultados do quinto programa de ajustamento estão à vista: taxas dos juros da dívida soberana nos 35%; congeladas todas as pensões de reforma; quase metade da população no desemprego; propinas obrigatórias no ensino básico. A «espiral de pobreza e perda de direitos», iniciada «no preciso dia de 2011 em que Portugal pedira ajuda à troika», atinge agora proporções insustentáveis. O país – exausto, exangue – está à beira do colapso. E, em pouco mais de um mês, colapsará mesmo.
Despaís é o relato desse apocalipse. Ou seja, de um suicídio. O suicídio de Portugal. Tudo começa com a iniciativa de um grupúsculo de extrema-direita que propõe um referendo: «Concorda com a dissolução total do Estado Português?» Inicialmente desvalorizada como uma brincadeira de mau gosto, a iniciativa depressa ganha embalo, força, apoios (até de partidos de esquerda) e centenas de milhares de assinaturas. A ideia subjacente não podia ser mais simples: se o país acabar, acaba a dívida. E poder-se-á então «começar do zero», criar uma «nova ordem», inventar outra forma de democracia. O que está em causa, no fundo, é o destino a dar aos estados-nação, «mortos pela sociedade de consumo excessiva, pelo financeirismo que destruiu as raízes do estado social». O povo, farto de governantes sem passado nem futuro, presos no «presente da dívida», ao serviço de interesses financeiros «sem rosto», capazes até de vender o Mosteiro dos Jerónimos por mil milhões de euros, propõe-se corrigir «um erro histórico de proporções monumentais», mesmo que isso implique um hara-kiri exemplar.
Os factos sucedem-se numa vertigem: crises políticas, caos social, invasão popular da Assembleia, a Constituição anulada (tornando possível o referendo inconstitucional), e votação esmagadora a decretar o fim do mais antigo país da Europa. Previsivelmente, as promessas de «ressurreição» esfumam-se num instante. Não há Fénix; só cinzas. Tudo se desfaz. A Madeira e os Açores tornam-se independentes, a região norte é ocupada por tropas espanholas, o resto do território acaba vendido ao desbarato a grandes empresas estrangeiras. Nas praias, trezentos mil «desportugueses» fazem-se ao mar, em «Crísias», embarcações feitas de restos de madeira e plástico, «símbolos dolorosos de um passado gloriosamente burguês, ouropel europeu», imensas barcaças «de construção babélica» à deriva no oceano. E volta o povo português à sua condição de «nómada marítimo».
As dezenas de narradores deste romance criam uma estrutura polifónica que permite transições eficazes entre os muitos planos da narrativa: da vida concreta das pessoas que perderam tudo (até o nome) aos ínvios labirintos do poder, onde um primeiro-ministro fraco se sujeita à agenda do diabólico ministro das Finanças (espécie de cruzamento entre Salazar e o Marquês de Pombal), passando pelo heróico Bartolomeu Henriques, jornalista que lidera a revolta e o êxodo dos «embarcados». Sena-Lino é melhor a descrever os grandes movimentos de massas (memorável, a cena da pilhagem do Museu de Arte Antiga) do que os conflitos interiores das personagens. Para além da normal suspensão da incredulidade, Despaís exige do leitor que ignore essa coisa chamada verosimilhança. E o leitor aceita, porque este não é um livro realista mas onírico. Uma fantasia lúgubre. A descrição do pesadelo em que se pode transformar o sonho mau que temos vivido.

Avaliação: 7/10

[Texto publicado no suplemento Actual, do semanário Expresso]

Amanhã, na secção de Livros do ‘Actual’

– Entrevista + recensão sobre Despaís, de Pedro Sena-Lino (Porto Editora), por José Mário Silva
Um Rei na Manga de Hitler, de José Goulão (Gradiva), por Luísa Meireles
Olha, de Valter Vinagre (APAV), por Alexandra Carita
Riso na Escuridão, de Vladimir Nabokov (Relógio d’Água), por Pedro Mexia
Ciência e Liberdade, de Timothy Ferris (Gradiva), por Luís M. Faria
– Escolhas de Marta Chaves

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges