Dia António Lobo Antunes no CCB

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É hoje.

Amanhã, na secção de Livros do ‘Actual’

– Conversa com Claudio Magris, a propósito do livro Alfabetos (Quetzal), por José Mário Silva
– Reportagem com Bruno Vieira Amaral, a propósito do livro As Primeiras Coisas (Quetzal), por José Mário Silva
A Tempestade da Guerra, de Andrew Roberts (Texto), por Luís M. Faria
Estrada para Los Angeles, de John Fante (Alfaguara), por Ana Cristina Leonardo
Supremo 16/70, de Miguel-Manso (Artefacto), por Pedro Mexia
Da Madragoa a Meca, de José Luís Costa (&Etc), por José Mário Silva
– Escolhas de Mário de Carvalho

Apenas seres humanos

cultivo

O cultivo de flores de plástico
Autor: Afonso Cruz
Editora: Alfaguara
N.º de páginas: 102
ISBN: 978-989-672-187-9
Ano de publicação: 2013

Numa didascália desta sua primeira peça de teatro, Afonso Cruz sugere que uma personagem tem «palavras desmedidas na boca» e «hálito de mar e de vodka». São indicações talvez pouco úteis para um encenador, mas que permitem desde logo estabelecer a atmosfera em que decorre esta aproximação aos problemas (mas também às inesperadas alegrias) de quem vive na rua, mais concretamente quatro sem-abrigo que beberam a «poção de invisibilidade» da miséria e por isso se tranformam em «fantasmas numa cidade assombrada».
Em nove cenas de assinalável economia dramática, Afonso Cruz oferece-nos retratos muito nítidos das personagens: Couraçado Korzhev, um russo que guarda mapas num saco, conchas no bolso e uma nostalgia alimentada a álcool; Jorge, um homem que um dia se fartou da hipocrisia, mandou a ordem social dar uma curva e vive em função dessa desistência (embora insista em espalhar actos aleatórios de bondade); Lili, sempre à procura das fechaduras onde entrem as chaves que lhe sobraram do tempo em que tinha um tecto; e uma «senhora de fato», disposta a fingir que finge a pobreza absoluta em que o desemprego a lançou.
Em diálogos precisos, líricos mas nunca sentimentais, estas pessoas perdidas de si mesmas, e das suas memórias, encontram-se e criam, do nada, um nexo forte e uma razão para continuar em frente. Nesta sociedade em que «é tudo plástico», até a felicidade, e se substitui «o próprio plástico por plástico», ainda há quem tenha as mãos a cheirar a flores, mesmo se roubadas no cemitério. E quem fale – lá está – com palavras desmedidas: «A pensar em nós, ninguém faz campanhas contra o abandono. Somos apenas seres humanos.»

Avaliação: 7,5/10

[Texto publicado no suplemento Actual do jornal Expresso]

Amanhã, na secção de Livros do ‘Actual’

– Entrevista a J.M. Coetzee, a propósito do romance A Infância de Jesus (D. Quixote), por Clara Ferreira Alves
Taxi Driver, fotografias de Steve Schapiro, edição de Paul Duncan (Taschen), por Manuel S. Fonseca
O Peregrino Encantado, de Nikolai Leskov (Vega), por Pedro Mexia
O cultivo de flores de plástico, de Afonso Cruz (Alfaguara), por José Mário Silva
Casa de Lava – Caderno, de Pedro Costa (Pierre von Kleist Edições), por Alexandra Carita
O preço da desigualdade, de Joseph E. Stiglitz (Bertrand), por Luís M. Faria
O enredo da bolsa e da vida, de Eduardo Mendoza (Sextante), por José Guardado Moreira
Páginas do Páginas Soltas, de Bárbara Guimarães (Guerra & Paz), por António Loja Neves
– Escolhas de Jorge Palinhos

Prémio LeYa 2013 para Gabriela Ruivo Trindade

Pela primeira vez, o Prémio LeYa, no valor de 100 mil euros, distingue uma mulher: Gabriela Ruivo Trindade, 43 anos, emigrante em Londres e desempregada. O livro vencedor, Uma Outra Voz, primeiro romance da autora, será editado pela LeYa em 2014, em data a anunciar. Este ano, foram recebidos a concurso 491 originais (um recorde), oriundos da Alemanha, Angola, Brasil, Espanha, EUA, França, Guiné-Bissau, Itália, Luxemburgo, Macau, Moçambique, Portugal, Reino Unido e Suécia. Pela voz do seu presidente, Manuel Alegre, o júri destacou «a consistência do projecto narrativo que procura, através de várias gerações, e com o foco em personagens de grande força, sobretudo femininas, retratar a transformação da sociedade e dos modelos de vida numa cidade de província [Estremoz], no Alentejo.» E ainda: «Merece destaque a originalidade com que o autor combina o individual e o colectivo, bem como a inclusão da perspectiva do(s) narrador(es) no desenho cuidado de um universo de vastas implicações mas circunscrito à esfera do mundo familiar ao longo de um século de História. Também a exploração ficcional de registo diarístico e a inclusão da fotografia dão um sinal de modernidade formal a esta obra premiada por maioria do júri.»

Amanhã, na secção de Livros do ‘Actual’

– Dossier sobre autores sobrevalorizados e subvalorizados da literatura portuguesa, por Ana Cristina Leonardo, Clara Ferreira Alves, José Mário Silva, Luísa Mellid-Franco e Pedro Mexia
A infância de Jesus, de J. M. Coetzee (Dom Quixote), por José Mário Silva
Tudo Passa, de Vassili Grossman (Dom Quixote), por Luís M. Faria
Cortes, de Almeida Faria (Assírio & Alvim), por Pedro Mexia
– Escolhas de Samuel Pimenta

Maravilhas da paternidade

– E tu falaste para a rádio, pai?
– Sim.
– Sobre o quê?
– Sobre o Prémio Nobel de Literatura.
– (Os dois, num sobressalto de entusiasmo) Ganhaste?

A assinatura dela

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Mestre (e está tudo dito)

A Academia Sueca deixou as suas habituais justificações floreadas (e por vezes esdrúxulas), atribuindo o Nobel de Literatura a Alice Munro, por ser «master of the contemporary short story». Só seis palavras. E basta. Porque é isso o que ela é: mestre contemporânea da arte do conto. Tal como Tchéckov, tal como Kafka, tal como Borges (escritores maiores que a Academia Sueca, hélas, nunca premiou).

Segundo telegrama para Alice Munro

Afinal não foi preciso esperar por 2015 STOP Desta vez a Academia Sueca foi mais lesta a fazer-me a vontade STOP Muitos parabéns por este Nobel justíssimo STOP Não deixe nunca, mas nunca, de escrever STOP Cumprimentos deste seu admirador português

E o vencedor do Prémio Nobel de Literatura 2013 é…

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ALICE MUNRO (parece que acertei na mouche). E desta vez à segunda tentativa, não à quarta.

Ritual (2)

A esta hora, os homens e mulheres mais ou menos grisalhos (menos um) já perceberam que ainda não foi desta e estão junto a um computador (ou smartphone, ou tablet) à espera de saber para onde se virou este ano a Academia Sueca.

Para acompanhar o anúncio do Nobel da Literatura em directo:

8/1

Segundo a Ladbrokes, a minha aposta para o Nobel está bem cotada: em quinto lugar, com 8 para 1. Não sei se será bom sinal ou mau sinal. Sei que não ganharei nem perderei um cêntimo com a eventual consagração da autora de Amada Vida. O jogo da literatura, para mim, é outra coisa.

E a minha aposta para o Nobel de Literatura 2013 é…

A mesma do ano passado:

munro

Alice Munro, canadiana, 82 anos.

Ritual

Amanhã, volta a acontecer. Espalhados pelo mundo, homens e mulheres mais ou menos grisalhos olharão para a estante onde guardam os seus livros (os editados nos seus países e as traduções). Depois sentar-se-ão no sofá ou no cadeirão de leitura, com o telefone ao lado, à espera, perguntando-se «será desta?».

Teatro de poeira

ondina

A Maldição de Ondina
Autor: António Cabrita
Editora: Abysmo
N.º de páginas: 233
ISBN: 978-989-98019-5-0
Ano de publicação: 2013

Os golfinhos são mamíferos que desconhecem o sono profundo. Para sobreviverem, um dos lóbulos cerebrais tem de estar sempre alerta, assegurando a imprescindível vinda à superfície de cinco em cinco minutos, para respirar. Esta é a «maldição de Ondina» a que se refere o título do magnífico primeiro romance de António Cabrita. Metáfora, também, de um país: Moçambique. «Não conseguimos dormir completamente, e por isso não conseguimos esquecer… estamos em eterna vigília sobre o nosso passado (…) E sem conseguirmos resgatar a capacidade de esquecer, não conseguimos superar o ressentimento e atingir o perdão».
Para lá da bem urdida trama, de vagos contornos policiais, o romance fala-nos em primeiro lugar da experiência do autor, que trocou Lisboa por Maputo há quase uma década. «Quem aterra em África dá de repente conta de uma particular expansão do instante. Uma intangibilidade faz pairar o tempo sobre o corpo, uma hora ramifica-se em duas, somos de novo a criança que entrevê o paraíso na porta giratória donde não se entra nem se sai. Depois este efeito escapa-se-nos, a almofada do tempo fica crivada de alfinetes, e, como em toda a parte, a ansiedade mostra a sua juba.» De facto, a ansiedade é um animal selvagem, cuja sombra gera as mais diversas formas de violência e injustiça social, encapsuladas por Cabrita em pequenas histórias exemplares, marginais no contexto do romance, mas reveladoras de um estado de coisas: a desesperante burocracia; os negócios sujos; as urnas com votos na oposição deitadas ao mar («a democracia não foi feita para o africano», diz um sargento); o caso do curso para formar bibliotecários que aceita dois analfabetos como alunos; etc.
No centro da narrativa está César, um escritor português paralisado por impasses literários (anda às voltas com a própria escrita, insatisfeito, ao ponto de apagar seis meses de trabalho do computador) e afectivos (em plena crise matrimonial com Beatriz, reaproxima-se de Argentina, antiga namorada). Ele é um «adolescente perpétuo», desorientado e volúvel, preso «num hiato, entre o sucesso e o descalabro». Como alguém lhe explica: «Estás ‘entre’ – na vida, no amor, nos países.» Em torno de César, tudo se fragmenta, tudo se dissolve, tudo se desfaz. Com um pé na realidade e outro na ficção, ele gere o próprio desequilíbrio, convoca figuras do seu património cultural, avança num «jogo de biombos», estatela-se ao comprido mais de uma vez. No peito, tem «uma cratera lunar»; e sente-se no palco de um «teatro de poeira».
O contraponto de César é Raul, o amigo polícia, cujas histórias foi inconscientemente vampirizando nos romances que lhe deram fama e (cada vez menos) sustento. Entre os dois cria-se o vínculo que sustenta a história principal, de desfecho trágico. Mas o que torna este livro precioso não é o enredo, nem sequer a estrutura narrativa de muitas pontas aparentemente soltas, por fim atadas de modo subtil. É a linguagem. Cabrita torce as frases, cinzela a sintaxe, arredonda a prosa, faz música. Exemplo: «Quadriculado convulso, uma cidade que desaprendeu a mansidão, que se desdobra aos baldões e se acama em escombros.» À escrita exuberante junta-se um tremendo rigor na construção das cenas, que começam sempre num pormenor, numa palavra solta, numa esquina, numa esguelha, e depois se desdobram com agilidade felina, como quem escava no real o espaço da sua própria representação.
Para o protagonista, a literatura é uma «obsessão danosa» mas inelutável: «Descobrir como imprimir ritmo a uma frase é um transe de que não se recupera.» Em César, criatura, haverá algo de António Cabrita, criador. Pelo menos esta obsessão, este transe maravilhoso, são decerto iguais num e noutro.

Avaliação: 8,5/10

[Texto publicado no suplemento Actual do jornal Expresso]

Amanhã, na secção de Livros do ‘Actual’

– Conversa com António Cabrita, a propósito do romance A maldição de Ondina (Abysmo), por José Mário Silva
A maldição de Ondina (Abysmo), por José Mário Silva
Mais um dia de vida – Angola 1975, de Ryszard Kapuściński (Tinta da China), por Ana Cristina Leonardo
Será que os surfistas devem ser subsidiados?, de Martim Avillez Figueiredo (Alêtheia), por Pedro Adão e Silva
Coral, de Sophia de Mello Breyner Andresen (Assírio & Alvim), por Pedro Mexia
Gente do Passado – Os Últimos Dias da Aristocracia Russa, de Douglas Smith (Temas e Debates), por Luís M. Faria
– Escolhas de Joana Bértholo

Escritaria dedicada a Mário de Carvalho começa hoje

Escritaria

Em Penafiel. E o Bibliotecário de Babel vai andar por lá.

Primeiros parágrafos

«Assusta‐a a rudeza do mais velho, o seu rosto de ratazana esgalgada; o olhar indecifrável do outro, o gago. São os seus cunhados. Chegados há uma semana a Maputo para o enterro do seu marido.
Não param de manducar, de clamar por bebida, de vasculhar tudo na casa, metediços. A ocupação da casa de banho ficou vitalícia (o mais novo penteia o bigode com a sua escova de dentes), nos intervalos de emporcalharem lençóis, toalhas de mesa, sofás, de ranho e merda e vinho e esperma. Mal acorda, ainda enevoada, vê que adejam pela casa, sem decoro, os maxilares infatigáveis com que retalham o dia, enquanto plangem guitarras nas marrabentas («k’há n’pfa ndy nga psi tive / Eh psaku ku unandi ka Mandjólò»), e o movimento dos lábios suplica por reforço: «“ma‐ma‐mã” tou‐tou a pe‐pe‐dî…»
A sua mãe, farta daqueles modos, resolvera voltar para casa e levar as crianças, advertindo‐a na porta, esta gente não presta, se armarem confusão fala com o polícia do sétimo. E fora, as crianças de olhos pisados pelo choro. O polícia do sétimo – sentira um arrepio – e veio‐lhe à cabeça: o homem que prendeu o meu marido. — “Ma‐mamã”… — repisa o menos abrutalhado — me me dá vi‐nho!
O outro, na varanda, fuma, desconcerta a paisagem. Assim que chegaram, gabaram a vista, «“ouvera” dizer que a casa do mano ficava no alto, mas este alto, chi, é graúdo», explicou o Ratazana, expondo pela primeira vez as gengivas em sangue, que a arrepiavam; depois, ficou claro que os animavam mais os dois vasos de erva que o marido pusera na varanda do que a vista. Só vira duas vezes aqueles irmãos do marido. Quando fora apresentada à família dele, no casamento, e na segunda vez que subiram à Beira, nascida a mais nova, para mostrar a miúda. Nem lhes conseguiu fixar o nome, queria era esquecê‐los. Sempre a incomodaram, aquelas gengivas em sangue, o verdete daquele canino talhado a meio. Na Beira, o Ratazana, tinha duas mulheres, nove filhos, e vivia de biscates. O outro, professor primário, fora deixado pela mulher, depois de a surrar quase até à morte, aos sete meses de gravidez. Por ciúmes do pastor, «ele te‐tem aque‐la fala li‐lisa e mulher go‐gosta», desculpou‐se. O marido ao pé deles era um príncipe, articulado, elegante, perfumado. O tio Alberto, empregado na farmácia da Polana, até comentara, «Chi, aquele moço nem parece ndau, é um machope de ventre enganado…»
Conhecera‐o numa festa da McCel que assinalava o arranque da reabilitação da Feira Popular de Maputo. Ele era o chefe dos seguranças. Adorava vê‐lo a dar orientações pelo walkie‐talkie. Excitava‐a o ar decidido dele, o seu fluido dizer, sem espinha ou caroço. Só muito depois, já nascera o segundo filho, soube que o seu verdadeiro negócio era o tráfico. O esquema. Vário. Que importava, se a metera a estudar, se graças a ele tinha feito a 11.a classe, se era bom com a criança? Já se tinha matriculado na 12.a quando ele foi preso. Na ocasião nem aparecera, mas de certeza que o polícia do sétimo estava metido. Um mês depois, o marido envolveu‐se num motim na prisão e foi abatido. Há dez dias. Separada do seu homem há dez dias, por uma bala que lhe engarrafou a alma. Dez dias separam a memória fresca do marido daqueles lábios grossos de sangue coagulado, que agora, de viés, pedem, insistentes: — “Ma‐ma‐mã”, pe‐pe‐ço sardinha!»

[in A Maldição de Ondina, de António Cabrita, Abysmo, 2013]

O que aí vem (Companhia das Ilhas)

Facas, de Valério Romão; A Borbulha no Rabo, de Gez Walsh.

Estadia americana

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O Estado de Nova Iorque
Autor: Tiago Patrício
Editora: Gradiva
N.º de páginas: 137
ISBN: 978-989-616-539-0
Ano de publicação: 2013

«Toda a gente tem alguma ideia sobre a América, mas ninguém sabe o que vai encontrar», lembra Tiago Patrício neste livro de impressões breves e aforismos, escrito durante uma residência na Ledig House, ao abrigo de uma bolsa de criação literária. Patrício começa o relato fragmentário num tom quase documental, descrevendo a partida com uma mala cheia de livros, as incidências da viagem aérea, as barreiras de comunicação entre passageiros, e a chegada aos EUA, com os choques culturais mais óbvios, da alimentação ao custo das coisas.
Em linguagem económica, a primeira parte oferece-nos o que se espera de um diário de viagem: retratos de americanos típicos, o espanto com a verticalidade de Nova Iorque, muitos ecos do 11 de Setembro, reflexões irónicas sobre Wall Street e a crise financeira. «Aqui, tudo é robusto e musculado: os camiões, os comboios, as fábricas, as máquinas de lavar e secar, as leis, as palavras, as frases.»
As partes seguintes evoluem para outros «estados» de escrita, menos objectivos. Quando se descreve a vida dos escritores em retiro criativo, numa redoma com refeições a horas certas e piscina, há uma tensão ficcional que se instala, com pequenos medos inventados por quem só quer «apanhar sustos em segurança». Depois, assim que o primeiro estranhamento se dissolve, é a própria realidade a dar asas a este livro difuso. Numa igreja, uma rapariga em cadeira de rodas tenta levantar-se: «Quando cai desamparada, mais à frente, levanta-se a suspeita de haver alguém com falta de fé na sala.» À noite, nos lugares por onde andou Melville, «consegue-se ver um olho muito amarelo de baleia no horizonte, que se torna mais plácido à medida que sobe no céu».

Avaliação: 7/10

[Texto publicado no suplemento Actual do jornal Expresso]

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges