Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’

– Entrevista com John Cleese, a propósito da autobiografia Como Eu Dizia… (Planeta), por Katya Delimbeuf
O Assassino de Catarina Eufémia, de Pedro Prostes da Fonseca (Matéria Prima), por Alexandra Carita
A Liberdade do Drible, de Dinis Machado (Quetzal), por José Mário Silva
O Amante Ingénuo e Sentimental, de John Le Carré (D. Quixote), por Luís M. Faria
Reprodução, de Bernardo Carvalho (Quetzal), por Pedro Mexia
1915 – O Ano do Orpheu, de vários autores, com organização de Steffen Dix (Tinta da China), por José Mário Silva

Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’

– Entrevista com Tom Burgis, a propósito do livro A Pilhagem de África (Vogais), por Ricardo Marques
– Entrevista com Rafael Chirbes, a propósito do livro Na Margem (Assírio & Alvim), por José Mário Silva
Perguntem a Sarah Gross, de João Pinto Coelho (D. Quixote), por Luísa Mellid-Franco
Contos de Guerra, de Lev Tolstói (Relógio d’Água), por Luís M. Faria
Novelas Extravagantes, de Mário de Carvalho (Porto Editora), por Pedro Mexia
Capital Fuck – Os Contratos do Comerciante. Uma Comédia Bancocrática, de Elfriede Jelinek (Verso da História), por José Mário Silva
Atlas Histórico da II Guerra Mundial, de Martin Gilbert (Clube do Autor), por Filipe Santos Costa

A dureza do metal

Tungsténio
Autor: Marcello Quintanilha
Editora: Polvo
N.º de páginas: 184
ISBN: 978-989-8513-40-3
Ano de publicação: 2015

Depois de apresentar obras marcantes da BD que se produz actualmente no Brasil, como Copacabana (de Lobo e Odyr), Cachalote (de Daniel Galera e Rafael Coutinho), O Diabo e Eu (de Alcimar Frazão) ou Cumbe (de Marcelo D’Salete), a editora Polvo introduz-nos agora no mundo de Marcello Quintanilha (n. 1971), autor de traço limpo e expressivo, ao serviço de histórias que se interpenetram, numa montagem paralela de cariz cinematográfico.
Em Tungsténio, tudo se passa à sombra do Forte de Nossa Senhora de Monte Serrat, em Salvador (Bahia), onde dois homens decidem fazer uma pescaria com explosivos e desencadeiam uma cascata de acontecimentos que acabarão por juntar, num clímax dramático muito bem urdido, as personagens centrais do livro: um traficante menor, elo mais fraco de várias cadeias de poder; um sargento aposentado, com nostalgia dos seus tempos de actividade militar; um polícia com historial de bravura debaixo de fogo; e a sua amante desiludida, em vias de concretizar uma separação que nunca passou de ameaça.
Na nota de abertura, Quintanilha explica que o tungsténio «é o metal com o ponto de fusão mais alto que se conhece», como quem admite ser a natureza misteriosamente inquebrável das vidas comuns o tema central deste livro, em que se sucedem as situações e peripécias que colocam à prova «a capacidade dos personagens de forçar a dureza do metal do dia a dia a ponto de rompê-lo».
No choque com a dita «dureza do metal», há quem saia maltratado, há quem maltrate, há quem sobreviva. Além de ser um vigoroso retrato da violência urbana, Tungsténio consegue captar fielmente o falar das ruas, cheio de corruptelas e solecismos. As pranchas são dinâmicas, com espaço para a interioridade das personagens (sobretudo a de Keira, a amante). Lamenta-se apenas que o desenlace, algo frouxo, não esteja à altura da espantosa energia que atravessa todo o álbum.

Avaliação: 7/10

[Texto publicado na revista E, do semanário Expresso]

Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’

A Erva das Noites, de Patrick Modiano (Porto Editora), por José Mário Silva
Casulo, de André Oliveira e outros (Kingpin Books), por Sara Figueiredo Costa
Tungsténio, de Marcello Quintanilha (Polvo), por José Mário Silva
Lorde, de João Gilberto Noll (Elsinore), por Pedro Mexia
Focos de Tensão – Os choques geopolíticos que ameaçam o futuro da Europa, de George Friedman (D. Quixote), por Cristina Peres
Os Bebés da Água, de Charles Kingsley (Tinta da China), por Luís M. Faria

Hoje na secção de Livros da revista ‘E’

– Entrevista com George Friedman, a propósito do livro Focos de Tensão – Os choques geopolíticos que ameaçam o futuro da Europa (D. Quixote), por Cristina Peres
– “Voltar a Cardoso Pires”, a propósito da reedição de O Anjo Ancorado, O Delfim, Balada da Praia dos Cães e De Profundis, Valsa Lenta pela Relógio d’Água, por José Mário Silva
Finalmente o Verão, de Jillian Tamaki e Mariko Tamaki (Planeta Tangerina), por José Mário Silva
Sensibilidade e Bom Senso, de Jane Austen (Relógio d’Água), por Luís M. Faria
Mulheres Portuguesas, de Irene Flunser Pimentel e Helena Pereira de Melo (Clube do Autor), por Luciana Leiderfarb
Uma Admiração Pastoril pelo Diabo (Pessoa e Pascoaes), de António M. Feijó (Imprensa Nacional-Casa da Moeda), por Pedro Mexia

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges