Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’

– Conversa com Helen McDonald, autora de A de Açor (Lua de Papel), por José Mário Silva
O Impostor, de Javier Cercas (Assírio & Alvim), por Luciana Leiderfarb
A Agência de Viagens Lemming, de José Carlos Fernandes (Biblioteca de Alice), por José Mário Silva
Contos, de Hans Christian Andersen (Temas e Debates), por Luís M. Faria
A Paixão do Conde de Fróis, de Mário de Carvalho (Porto Editora), por Pedro Mexia

Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’

– Entrevista com Clara Ferreira Alves, autora de Pai Nosso (Clube do Autor), por Cristina Margato e Ricardo Costa
Se isto é uma mulher, de Sarah Helm (Presença), por Luís M. Faria
O que vemos quando lemos, de Peter Mendelsund (Elsinore), por Celso Martins
Diário Íntimo de Carlos da Maia (1839-1930), de A. Campos Matos (Colibri), por Américo Guerreiro de Sousa
Vamos ao que interessa, de João Pereira Coutinho (Dom Quixote), por Pedro Mexia
Bronco Angel, o Cow-Boy Analfabeto, de Fernando Assis Pacheco (Tinta da China), por José Mário Silva
Quando os Factos Mudam, de Tony Judt (Edições 70), por Luís M. Faria
Kinderszenen, de Alexandre Sarrazola (Companhia das Ilhas), por José Mário Silva

Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’

– Entrevista com Cedric Villani, autor de Teorema Vivo (Gradiva), por Ricardo Marques
Racismos, de Francisco Bethencourt (Temas e Debates/Círculo de Leitores), por Luís M. Faria
Dois Anos, Oito Meses e Vinte e Oito Noites, de Salman Rushdie (D. Quixote), por José Guardado Moreira
A Lição de Anatomia, de Philip Roth (D. Quixote), por Pedro Mexia
Contos de Petersburgo, de Nikolai Gogol (Relógio d’Água), por José Guardado Moreira
Osso, de Rui Zink (Teodolito), por José Mário Silva
O Pugilista, de Reinhard Kleist (Polvo), por José Mário Silva

Corpos incorpóreos

Romance
Autor: Helder Macedo
Editora: Presença
N.º de páginas: 94
ISBN: 978-972-23-5713-5
Ano de publicação: 2015

A poucas semanas de completar 80 anos, Helder Macedo demonstra uma tremenda vitalidade ao publicar este inclassificável Romance, longo poema em cinco partes que mais parece abrir novos caminhos na sua obra do que consolidar os já existentes – como é uso acontecer com os autores consagrados. Talvez nem valha a pena discutir de onde vem o livro, ou como, ou porquê agora, uma vez que ele engendra as suas próprias circunstâncias. Contentemo-nos apenas – e já não é pouco – com a felicidade de o descobrir, nas suas acelerações, subidas ao céu, e abismos.
Logo nas epígrafes, Macedo assume o diálogo com Bernardim Ribeiro e a sombra do escritor quinhentista paira sobre cada verso, sobre cada estrofe. Numa frase de Menina e Moça, segundo a qual «o livro há-de ser o que vai escrito nele», encontramos a definição perfeita do que o autor do nosso tempo quis fazer: um texto que se alimenta de si mesmo, fantasma e eco de uma mesma voz onírica, em constante deriva. Há um ele e há uma ela, figuras nebulosas, erguendo-se de um emaranhado de sonhos, representando um vago teatro de signos que se repetem, à mercê das imagens poderosas que convocam, iluminações capazes de perfurar as trevas mais densas.
Aqui e ali surgem esboços de histórias, um fluir do tempo, uma fuga (talvez exílio), uma ilha, uma estrada em construção, faróis na noite, diálogos que se agarram a quase nada, mas depressa tudo se dissipa na força maior de uma cadência, uma espécie de ritmo cósmico que conduz o poema – e a nós, leitores, nos arrasta com ele. O impulso de metamorfose dos «corpos incorpóreos» que povoam estas páginas tende, sempre, para o horizonte de «um poema de silêncio / um romance que fosse / o que nele não fosse escrito / um olhar a olhar um olhar / a olhar / em direcções opostas / ao mesmo tempo / sem nada de permeio / um desejo a devorar o desejo / que depois iria devorá-lo».

Avaliação: 8/10

[Texto publicado na revista E, do semanário Expresso]

Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’

O Independente – A Máquina de Triturar Políticos, de Filipe Santos Costa e Liliana Valente (Matéria-Prima), por Ricardo Costa
Ouvir com Outros Olhos, de João Lobo Antunes (Gradiva), por Pedro Mexia
Romance, de Helder Macedo (Presença), por José Mário Silva
As Reputações, de Juan Gabriel Vásquez (Alfaguara), por José Guardado Moreira
De Quanta Terra Precisa o Homem, de Lev Tolstói (Relógio d’Água), por Luís M. Faria
Tudo o que Conta, de James Salter (Livros do Brasil), por José Guardado Moreira
O Papiro de César, de Jean-Yves Ferri e Didier Conrad (ASA), por José Mário Silva

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges