O Pedro Vieira é que a sabe toda

Feira por PV

Haverá K.O.? E em que round?

[Ilustração retirada daqui]

Regresso

O Jorge Reis-Sá, editor das Quasi, voltou a blogar “sobre livros, sobre música, arte ou até os problemas do PSD” no novíssimo Rua da Castela. O link já está na coluna da direita.

Georges Perec, dá-me a tua camisola!

O Alexandre Andrade escreveu um post intitulado Arte Corporal, que tomo a liberdade de reproduzir abaixo (por não me entender com o sistema de links do blogue verde alface):

Graças à revista Ler, fiquei a saber que o escritor José Luís Peixoto tem o nome do condado imaginário dos romances de Faulkner (”Yoknapatawpha”) tatuado no braço. Isto decidiu-me a tatuar “11, rue Simon-Crubellier” na minha omoplata direita. É a minha resolução de primavera.

Pois eu digo que tão iluminada resolução merece ser partilhada. Quando fores ao tattoo shop, Alexandre, não te esqueças de me avisar. Pode ser que nos façam desconto por sermos dois. E já reservei, para a sublime morada, a planta do pé direito.

Manchas, riscos, cortes

José Cardoso Pires tinha o hábito de oferecer ao seu editor, Nelson de Matos, caixas com os seus manuscritos lá dentro (ainda cheios de emendas e garatujas), além do material iconográfico utilizado para a construção das personagens e da narrativa. No momento em que a família do escritor começou a doar o seu espólio à Biblioteca Nacional, Nelson de Matos abriu uma dessas caixas (a relativa ao romance Alexandra Alpha) diante da jornalista Isabel Coutinho, do Público. O momento ficou registado em vídeo:

Obrigado, Isabel, pelo serviço público.

O Luís Januário veio a Lisboa e foi à Byblos

Não sei se comprou algum livrinho, o LJ, mas pelo menos trouxe de lá um poema:

Esta livraria é grande demais para mim
A estante de FILOSOFIA, hèlas,
é difícil de distinguir da AUTOAJUDA
Enganaram-se trocaram os carros das reposições
ou trocaram a sinalética
ou os olhos
E a estante da LUSOFONIA tem o mesmo
ar desamparado
subsidiado mal lido
mal fodido dos lusófonos
E nos GUIAS de VIAGENS
falta Berlim o meu destino
A Escócia Islândia o deserto
de Atacama
E nos visores de procure você mesmo
os meus autores Roth, o Joseph,
Blanchot, Bolaño, Ángel Vásquez
estão indisponíveis peça ajuda
Felizmente que existe a Alícia Galloti
Aqueço-me à 14ª edição revista e
melhorada como a uma lareira
e como na Blackwell de Leicester em tempos
de emigrante quando olhos parados
no divino triângulo a tesão doía
e a mesma humidade embaraçava

Intermitências (2)

Elas continuam a acontecer e as razões são as mesmas de sempre. Esta semana, porém, houve uma agravante: a instabilidade da rede TubarãoEsquilo, com largos períodos em que os servidores ficaram kaputt e em que tanto a leitura como a actualização deste blogue tiveram que ser adiadas.

BiblioFilmes (agora a doer)

Já começou a “votação popular” para escolher o melhor BiblioFilme, de entre 17 candidatos. A urna virtual fica aberta até 23 de Abril, Dia Mundial do Livro.

Leituras obrigatórias

Eis que chegam à blogosfera, quase ao mesmo tempo, dois reforços importantíssimos para a bibliofilia online: o Ciberescritas (prolongamento da excelente crónica que a Isabel Coutinho publica há vários anos no Público, sobre literatura na Internet); e o blogue da revista Ler (com regresso previsto às bancas, em grande estilo, lá para o fim do mês). Quando os descobri, ontem, até pensei que era mentira.

Dois posts sebaldianos

Este e este, ambos sobre Campo Santo, o livro póstumo de W. G. Sebald que a Teorema acaba de editar. Assina-os João Ventura, autor de um dos melhores blogues portugueses (em termos absolutos).

And they keep coming

Os bons blogues colectivos, quero dizer. Como este, onde se juntam seis bloggers de grande gabarito: Alexandre Borges, João Bonifácio, Nuno Costa Santos, Nuno Miguel Guedes, Pedro Marques Lopes e Pedro Vieira. Chama-se Sinusite Crónica e acho que a coisa não passa nem com doses industriais de Aspirina B.

Uma excelente notícia

A edição on-line do Público decidiu ligar-se directa e assumidamente à blogosfera. Ganha o jornal, ganham os blogues, ganham os leitores. Ganhamos todos.

Debaixo de ‘Debaixo do Vulcão’

Lowry com garrafa
caricatura de Lowry

Malcolm Lowry
Late of the Bowery
His prose was flowery
And often glowery
He lived, nightly, and drank, daily,
And died playing the ukelele.

Eis o epitáfio de Malcolm Lowry, o escritor inglês que entrou para o panteão da literatura do século XX com um único romance: Debaixo do Vulcão (1947). No blogue da Fundação Malcolm Lowry encontramos tudo e mais alguma coisa sobre o homem que mergulhou no México através de uma espiral de álcool e desespero. Há fotografias dos cenários descritos no livro, comentários sobre a obra, capas das várias edições, notícias dos colóquios, imagens de Cuernavaca e murais de Diego Rivera, peregrinações aos locais por onde Lowry passou e apontamentos biográficos. Um maná para fanáticos de Under the Volcano e não só.

PS — Da fundação e da equipa que redige o blogue faz parte um português: Marcelo Teixeira (editor da Oficina do Livro, onde é responsável pela excelente colecção Ovelha Negra, dedicada à literatura latino-americana).

Logo Fundação Lowry

olamtagv

Os Livros Ardem Mal é, pelo que pude ler, um excelente encontro sobre a actualidade editorial que acontece todos os meses no Teatro Académico de Gil Vicente, em Coimbra (o próximo é já no dia 3, às 18h00, com o Ricardo Araújo Pereira a suceder a Manuel António Pina no papel de convidado). À volta de uma mesa, António Apolinário Lourenço, Luís Quintais, Osvaldo Manuel Silvestre e Rui Bebiano falam dos livros que foram chegando às livrarias e tertuleiam (o verbo existe?) como já vai sendo raro tertulear-se, na província ou no centro de Lisboa.
Só isto já era muito bom. Mas o painel-residente ainda faz o obséquio de nos oferecer, com mais uns amigos (Miguel Cardina, Ana Bela Almeida, Manuel Portela, Pedro Serra e Sandra Guerreiro Dias), um blogue que reflecte, amplifica e complementa o teor dos encontros, um blogue com alguns posts de qualidade estratosférica, um blogue supimpa que é já um dos favoritos entre os favoritos aqui do Bibliotecário.

Uma carta à la Vieira sobre o dom da palavra

Escrita, impecavelmente, pelo Daniel de Sá no Aspirina B.

Uma mala borgesiana

Este post (sobre coincidências, Vila-Matas, deambulações por livrarias parisienses, um artigo de Walter Benjamin e a angústia bibliófila no check in do aeroporto) é brilhante (mas os comentários ao post não o são menos). A micro-odisseia literária continuou depois aqui.

Cardoso Pires, uma antecipação

No Da Literatura, o João Paulo Sousa conseguiu um exclusivo: a pré-publicação de Lavagante — Encontro Desabitado, um inédito que vai marcar a estreia, lá mais para o fim do mês, da nova editora de Nelson de Matos.
Eis o final do primeiro capítulo:

«Fresco e impecável, o barman, está do outro lado do balcão com um sorriso divertido. Bebe e fuma com modos repousados, e entretanto contempla do alto da sua serenidade o jornalista atormentado. Esse homem que ali tem sacode a cabeça diante duma taça de vinho, estrebucha e fala dos seus sonhos frustrados.
— Viciámo-nos. Agora temos a Censura a escrever por nós. E amanhã? Quem sabe escrever amanhã, quando a Censura acabar?
Cala-se. Depois espalma a mão diante dos olhos, mirando-a com raiva, quase com espanto:
— A minha mão medrosa — anuncia. Volta­‑a e torna a voltá-la, como se a não reconhecesse, como se a denunciasse em público.
— Está viciada, amigos, escreve com medo… Não há dinheiro no mundo que pague uma desgraça destas. Dinheiro nenhum. Nenhum, nenhum, nenhum, nenhum, nenhum…
— Acredito — diz o dono do bar. E virando­‑se para mim: — E tu? Não falas, não contas nada?»

Lolita, light of my life, fire of my loins. My sin, my soul. Lo-lee-ta: the tip of the tongue taking a trip of three steps down the palate to tap, at three, on the teeth. Lo. Lee. Ta.

Alexandre Soares Silva é um cara legal (o itálico aqui, para o caso de estarem distraídos, significa pronúncia-do-outro-lado-do-Atlântico). Então não é que hoje, dia de folia total para os brasileiros, ele se lembrou de mostrar o caminho para quatro ficheiros de mp3 através dos quais podemos ouvir a primeira parte de Lolita, numa leitura em voz alta de Jeremy Irons?
Obrigado, Lord ASS.
E por falar em Nabokov, será que o filho já decidiu o que fazer do tal manuscrito que está fechado num cofre suíço?

“A gramática é uma grande profissional, tem uma longa carreira, mas se calhar não está habituada a ser dominada desta maneira ao longo de um parágrafo inteiro”

Há muito tempo, mas mesmo há muito tempo, que um texto não me provocava tantas gargalhadas (daquelas aos solavancos, imparáveis, que nos inclinam o corpo para a frente e causam burburinho na sala, se a sala não estiver vazia).
Portugal até consegue sobreviver à licença sabática dos Gato Fedorento, mas não sei como é que se aguentaria sem o “Rogério Casanova”.

“Demoro, sei lá, dez vezes mais a rever uma página do que a escrevê-la”

O blogue Orgia Literária publicou uma extensa e interessante entrevista (em bruto, sem edição) a Gonçalo M. Tavares, feita por Gonçalo Mira.
Um excerto:

Li já há bastante tempo uma entrevista, creio, em que falavas desse tempo dos 20 anos, quando começaste a escrever a sério. Tinhas uma grande disciplina. Ias para o café cedo e lias, escrevias. Continuas a ter essa disciplina tão rigorosa?
Sim. Menos. Continuo a ter disciplina, mas não essa disciplina, por exemplo, ligada às manhãs. O Água, Cão, Cavalo, Cabeça, por exemplo, foi escrito à noite. Ou seja, continuo a ter disciplina, mas não é uma disciplina que seja repetida. Às vezes num mês tenho uma determinada disciplina, escrevo a determinadas horas, e se calhar passados uns meses mudo. Realmente dos 20 aos 30 foi uma coisa de regularidade completa. Agora, por determinadas circunstâncias, não é possível ser tão — eu acho que não é disciplinado, eu continuo a ser disciplinado — mas não é possível manter esses horários todos com rigidez.

E ainda escreves em cafés?
Menos. Ainda escrevo, mas bastante menos do que escrevia. Ou seja, gradualmente — e é interessante que é quase também a entrada nos romances que corresponde a isso, porque eu escrevo os romances em computador — fui deixando de escrever em cafés para passar a escrever no computador, em casa. É interessante porque isso também correspondeu a uma mudança. Vários escritores, no passado e ainda hoje, escrevem romances em cafés, à mão. Eu não consigo isso. A escrita à mão é uma escrita mais fragmentada. E portanto ultimamente tenho escrito mais a computador. Mas continuo a ir a cafés. O que faço nos cafés é mais a segunda fase da escrita, cortar, rever, etc. Isso faço muito em café. A primeira escrita, que é o mais importante, porque fica a pedra bruta, faço em casa. E depois é dar retoques, que são muito importantes. Eu demoro horas e horas. Demoro, sei lá, dez vezes mais a rever uma página do que a escrevê-la. E esta parte de revisão, corte, é em cafés. A escrita, agora, é mais em casa.

1.000.000

Milhão, million, millón, millione. Seja em que língua for, é sempre muito. Muitíssimo.

Com um nome destes só pode ser bom

Tristram Shandy: blogue novinho em folha mas que nem precisa de ficar à experiência (vai já para o blogroll).

Ruína

Depósito de livros escolares em Detroit

Eis a impressionante visão de pilhas e pilhas de livros escolares ao abandono num gigantesco armazém em Detroit. Os livros, muitos deles ainda por desempacotar, ficaram durante 20 anos à mercê de incêndios e intempéries, juntamente com toneladas de outros materiais educativos. Eis o que disse o blogger que captou a imagem, depois de visitar tão fantasmagórico local:

«This is a building where our deeply-troubled public school system once stored its supplies, and then one day apparently walked away from it all, allowing everything to go to waste. (…) To walk around this building transcends the sort of typical ruin-fetishism and “sadness” some get from a beautiful abandoned building. This city’s school district is so impoverished that students are not allowed to take their textbooks home to do homework, and many of its administrators are so corrupt that every few months the newspapers have a field day with their scandals, sweetheart-deals, and expensive trips made at the expense of a population of children who can no longer rely on a public education to help lift them from the cycle of violence and poverty that has made Detroit the most dangerous city in America. To walk through this ruin, more than any other, I think, is to obliquely experience the real tragedy of this city; not some sentimental tragedy of brick and plaster, but one of people.»

apocalipse dos livros

Mais imagens aqui.

[via uma cascata de links iniciada pelo comentário de um leitor deste blogue]

Vida de livreiro

Pedro Vieira dixit:

«hoje durante o meu turno ouvi um segurança afiançar ter visto o freddy adu junto a uma estante de livros e rematar a frase com um queres ver que o cabrão do preto gosta de ler, conheci o livro segredos sexuais das lésbicas que todo homem deve saber, que não vou comprar, ouvi um cliente confessar que tem uma grande panca [sic] pelo pollock, e pela mulher dele também, uma pena não se falar mais dela, um problema ao nível de um médio-oriente, de uma fome em áfrica, e ainda descobri o livro milagres e crendices populares, que esse sim vou comprar, é desta que a santa da ladeira não me escapa (…)»

‘Para além da Mágoa’

Eduardo Pitta, ele próprio um escritor com fortes marcas da experiência colonial na sua obra, descreve em tom pessoalíssimo o que se passou no colóquio que decorreu hoje na Casa Fernando Pessoa.

Todos os fogos

Eis uma belíssima miniatura em castelhano do Brasil (Minas Gerais):

TODOS LOS FUEGOS
Hace algunas noches que, en silencio, el escritor de la orilla izquierda roba un poco de fuego del escritor de la orilla derecha. El río, entonces, antes claro en una sola banda, es ahora un ancho río de fuego y plata, es ahora un buque con miles de ventanas-estrellas por la madrugada.

É do Paulinho Assunção, tirada daqui.

Crítica, rock’n roll & verborreia

Tudo começou nos comentários a este post. Melindrado com o ataque do Rui Manuel Amaral à linguagem críptico-hiperbólica de algumas recensões musicais do Ípsilon, o João Bonifácio saiu-se com uma frase sarcástica de gosto duvidoso e absolutamente injusta, em que apontava a Manuel Gusmão (extraordinário poeta, ensaísta e crítico) “uma verborreia inenarrável de referencialidade abusiva exclusivamente centrada em maus poetas e escrita apenas e só para gáudio onanístico de um pequeno salão de medíocres”. Impunha-se que alguém saísse em defesa do autor de Dois Sóis, A Rosa — A Arquitectura do Mundo e foi o Francisco Frazão que o fez, colocando os pontos nos iis. Entretanto, o Sérgio Lavos também se meteu ao barulho, aqui e aqui, merecendo a necessária réplica do Francisco. Isto para não falar dos vários lençóis de texto nas caixas de comentários (sobretudo a cargo de um auto-justificativo Bonifácio).
Enfim, apesar de alguns excessos, tiros ao lado e exemplos acabados de verborreia, inenarrável ou nem por isso, vale a pena acompanhar a polémica, muito ao estilo do que acontecia na blogosfera portuguesa em 2003 (na fase todos-lêem-todos) e aos poucos deixou de acontecer.
Não querendo lançar mais achas para a fogueira, limito-me a dizer que estou com o Francisco: “A maneira como Manuel Gusmão pensa é das melhores coisas que temos. [negrito dele] Reivindico para mim o tal gáudio onanístico e quero saber a morada desse salão de medíocres. Se é pequeno, melhor ainda: nem sabemos a sorte que temos por haver alguém assim a escrever no Ípsilon.”

Bês a mais

O nome deste blogue desafiou a paciência e o engenho do mais prodigioso dos anagramistas da blogosfera nacional. E se o resultado fica aquém do que seria de esperar, como o próprio reconhece, a culpa é toda da segunda letra do alfabeto.

Pachequeana bloguística

No momento em que escrevo, pouco mais de 24 horas após a morte de Luiz Pacheco (22h17 de Sábado), o blOgSERVATÓRIO já regista 20 posts sobre o desaparecimento do escritor (e a lista completa deve abarcar pelo menos outros tantos).

PS - A quem possa interessar: o funeral sai terça-feira da Basílica da Estrela (17h45) para o cemitério do Alto de São João, onde o corpo será cremado.

Os sete mandamentos de Maria do Rosário Pedreira

Mandamentos é exagero. Serão antes princípios, coordenadas, guidelines. E foram resumidos ao responder à terceira pergunta de uma entrevista por e-mail, feita pelos BlogTailors:

3. Que características considera essenciais a um editor?
Ter lido muito e continuar a gostar muito de ler (digo isto, porque ao fim de muitas más leituras, corremos o risco de perder o gosto); ter uma cultura geral que lhe permita avaliar os originais que recebe ou conhecer as pessoas certas para o ajudarem nessa tarefa; ter faro para perceber os livros que interessam ao público e os que, mesmo sendo bons, nunca sairão de uma prateleira da livraria; ser cordato nas suas relações com os autores (para os quais às vezes é precisa uma enorme paciência); ter sempre presente a existência do público leitor e não confundir os seus gostos pessoais com os desse público; ter a noção de que um livro tem sempre de ser algo que enriqueça, e nunca algo que estupidifique e manipule; ter a noção do valor do dinheiro (sobretudo quando se trabalha para outrem) e não o gastar superfluamente.

A conversa completa pode ser lida aqui.

As divertidas angústias de um bibliotecário dos Cárpatos

Aqui.

A fé dos outros

Não posso deixar de agradecer a quem, como o João Sousa André e o Jansenista, revela expectativas quanto a este blogue ainda maiores do que as minhas. Um agradecimento que se estende a todos os que contribuíram directa ou indirectamente, com sugestões ou simples visitas, para o arranque do projecto. 

Meme visual

Quando publiquei a imagem de uma livraria holandesa instalada dentro de uma antiga igreja (seguindo uma preciosa dica do Pedro, mentor do recentemente extinto Posto de Escuta) nunca imaginei que estaria a criar um meme. Mas pelos vistos estava. A imagem propagou-se a outros blogues com uma rapidez vertiginosa, nuns casos como mera ilustração, noutros como bom augúrio para 2008, noutros ainda como manifesto de desejo bibliófilo. O fenómeno em si não me espanta: há felizmente muitos bloggers sensíveis à beleza de uma parede feita de livros (eu próprio, se tivesse visto a imagem nas minhas deambulações pela blogosfera, logo a teria resgatado para aqui). O que me surpreende é que a coisa chegue a um blogue em língua alemã

Balanços

Francisco José Viegas fez o inventário das escolhas feitas em várias latitudes: aqui, aqui e aqui.

RSB

– Então, BdB*, já sabes o que queres ser quando fores grande?
– Sei. Quero ser assim.

* Bibliotecário de Babel

Nem todas as livrarias têm 3300 metros quadrados

Felizmente.

Sobre o acordo ortográfico

Estou completamente de acordo com o que escreve o Francisco Frazão:

“Em resumo: a não ser para ajudar ao negócio dos senhores editores de livros escolares (aí tanto os portugueses como os brasileiros estão a fazer pela vida), não percebo em que é que o gasto brutal de dinheiro e esforço que este acordo implica vai contribuir para melhorar a comunicação entre os luso-países. (…) Parece-me que a questão-base não é se Portugal é uma colónia linguística do Brasil ou vice-versa: trata-se sim de saber quem é que - ao nível da edição, mais nenhum tráfico para além desse desta vez - vai colonizar África.”

Já agora, vale também a pena ler este post.

O que gera um clássico?

Tensão, diz o Luis M. Jorge.

Uma semana

Este blogue nasceu há precisamente uma semana. O primeiro balanço (mais de 3200 visitas, quase 7000 pageviews e 100 links) superou todas as expectativas. Quer dizer, pelo menos as minhas. A todos os que deram as boas-vindas a este projecto, o meu obrigado.

O BL

Houve muita gente que se foi afastando do JL (o vetusto Jornal de Letras, Artes e Ideias) como quem se afasta de um amigo incómodo. Já ouvi toda a espécie de remoques. Ou porque “ficou parado no tempo”, ou porque “os textos são demasiado grandes, chatos e ilegíveis”, ou porque “aquilo é sempre a mesma coisa, já cheira a mofo”, ou porque “mais parece o jornal oficial da CPLP”. As pessoas que dizem isto, dizem isto há muito tempo. Entretanto, não voltaram a pegar no quinzenário e por isso não sabem que muita coisa mudou, nomeadamente o grafismo (menos pesado) e o facto de haver gente nova a escrever sobre temas actuais: internet, Second Life, o diabo a sete.

Quer isto dizer que o JL é um jornal perfeito? Nem por sombras. Mas, tendo em conta a decadência acelerada da imprensa escrita no nosso país, parece-me que olhá-lo com desdém é não só uma injustiça como um desperdício. Talvez agora, com o surgimento do Blogue de Letras, alguns desses antigos leitores tresmalhados abram os olhos e comecem a voltar à edição de papel. Não deixava de ser irónico. 

A evolução de ‘A Origem das Espécies’

Como outros, passou de uma plataforma internacional para uma doméstica, mas mantendo Steiner na epígrafe. As vantagens selectivas no ecossistema da blogosfera portuguesa (se quisermos manter uma terminologia darwinista), essas, mantêm-se intocadas. No novo endereço, A Origem das Espécies continua a ser o que era: um lugar de abrigo contra a estupidez do mundo. Isto é, um recanto onde há mais dúvidas do que certezas e um certo ênfase em sublinhar, para lá dos sobressaltos, as coisas boas da vida. Exemplo: uma certa livraria de Ipanema

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«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges