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Palavras que se cruzam

No blogue da Quetzal pode ser lido na íntegra o texto que o poeta João Luís Barreto Guimarães preparou para o “dueto improvável” com o cruciverbalista Paulo Freixinho. Começa assim:

«Não é fácil para um poeta que acaba de reunir a sua obra, e não encontra nas cerca de duas centenas e meia de poemas que a constituem mais do que 2 ou 3 referências a “Palavras Cruzadas”, esboçar um pequeno ensaio sobre uma possível relação – tão ao gosto da Manuela Ribeiro e do Francisco Guedes, das Correntes d’Escritas, – entre “Palavras Cruzadas” e “Poesia”.
Na verdade, as referências a “Palavras Cruzadas” ou “cruzamento de palavras” na minha poesia são tão naturalmente escassas, que são fáceis de enumerar: no poema de Este Lado para Cima (1994), “disponho os amigos pelas paredes do quarto”, o gesto de abrir o jornal nas palavras cruzadas e constatar que já foram feitas é comparado ao instante em que se descobre que um amigo nos desiludiu; no poema Segundo café da manhã, de Luz Última (2006), a procura de um sinónimo (com 5 letras) para a palavra “regime” por uma funcionária pública obesa é comparada à eterna cruzada pela qual a mesma passa para emagrecer, sendo a palavra “dieta” a resposta aos dois problemas; e o poema D.N.A., de A parte pelo todo (2009), cujo enunciado pode ser visto como um enunciado típico de palavras cruzadas, acaba por se constituir, pelo contrário, como uma falsa pista já que a conhecida expressão anglosaxónica correspondente a “ácido desoxiribo-nucleico”, a fonte da vida humana, acaba por ser transformada – num momento de ira contra o Divino, própria das fases do luto, perante a perda de um familiar, – na provocação latina “Deus non auctoris”, para melhor compreensão e ofensa ao Criador.
Excluindo estas situações nada, ou quase mais nada.»

Continuar a ler aqui.

Sobre desvios ao plano de leitura

Num excelente blogue que cruza opiniões fortes com YouTube musical, encontrei um post sobre «livros dentro de outros livros, desvios ao plano de leitura que devem ser seguidos como se, num passeio pelo campo, encontrássemos algo que justificasse sairmos do nosso caminho para olharmos mais ao perto». Os exemplos, de Piglia a Vila-Matas, corroboram a conclusão: «os melhores convites para ler livros vêm sempre noutros livros.»

Livrarias Assírio

É bom ir passando por .

Uma daquelas notícias que me deixam doente

«Lisboa perdeu a sua única livraria exclusivamente dedicada à poesia. O proprietário, Mário Guerra, admite reabrir num outro espaço, mas não consegue esconder a profunda desilusão com o rumo do país.»
Que merda, que merda, que merda.
Ate já, Changuito.

Mesa 1 do FLM: “Éramos felizes e não sabíamos”

No palco, os participantes sentam-se em cadeirões, com baús à frente a servir de mesa de apoio, e esperam que o público entre na sala. Aos poucos, a plateia vai ficando completa, enquanto os microfones abertos traem as conversas de circunstância que normalmente ninguém consegue ouvir.
O moderador, Castanheira da Costa, apresenta os cinco convidados: Patrícia Reis, José Manuel Fajardo (que promete falar numa língua à parte, quase português mas não completamente: o fajardês), Inês Pedrosa, Rui Nepomuceno e Pedro Vieira. Ao contrário do que se passa nas Correntes d’Escritas, em que a maioria das intervenções são lidas, nesta sessão o tom é de amena cavaqueira. Para acompanhar o que vai sendo dito, em tempo real, basta seguir o post in progress do Luís Ricardo Duarte.

Como escrever sobre um livro que não se leu (e ainda nem sequer está publicado)?

Não é assim tão difícil se o livro for de Enrique Vila-Matas, como demonstra João Ventura num excelente post a propósito de um romance (Aire de Dylan) que só amanhã é posto à venda em Espanha.

12 perguntas

Também eu passei pelo crivo das Entrevistas Booktailors. As minhas respostas podem ser lidas aqui. Um excerto:

O que é fundamental para se ser um bom crítico literário?
Ausência de preconceitos, atenção, muitas leituras acumuladas, rigor analítico, memória, sensibilidade estética, boa prosa. Tudo isto é importante, mas o essencial é mesmo a honestidade intelectual.

Como é que equilibra editorialmente o Bibliotecário de Babel com as suas colaborações na imprensa? Alguma vez o blogger quis dar a notícia que deveria ser reservada para as publicações impressas para onde escreve?
Além das suas rubricas específicas, o blogue serve como arquivo pessoal do que vou escrevendo, nos mais variados contextos, sobre livros e literatura. É uma espécie de mapa das minhas deambulações pelo mundo literário. Mas não é o blogue que me paga as contas de casa. Antes de blogger, sou jornalista. É essa, a minha profissão, e não confundo o que não deve ser confundido.

Se pudesse fazer uma pergunta ao atual secretário de Estado da Cultura, qual seria?
Quando é que voltas, Francisco?

Dê-nos uma boa ideia para o setor editorial português.
Publicar menos, mas publicar melhor.

Palavras de Miquel Barceló sobre Antoni Tàpies

Em catalão, no blogue da Cotovia.

Conversas Polaroid

São «uma espécie de flash-interview sem tema futebolístico», breves entrevistas com gente dos livros. A acompanhar no Cadeirão Voltaire de Sara Figueiredo Costa. Primeiros exemplos: aqui, aqui e aqui.

“Acreditamos na profecia catalã do vendaval vindouro, que arrastará todos as obras de arte e todos os monumentos para os confins do deserto”

Os projectos e as ideias da Oficina do Cego, em entrevista ao Tantas Páginas.

Blogue Bizâncio

As novidades da editora Bizâncio, aqui.

Pó dos Livros Vintage

Para quem procura aqueles livros que não se encontram em lado nenhum.

Pessoas que lêem

E quem as fotografa.

Cinco cartas inéditas de Julio Cortázar

Para Aurora Bernárdez, Victoria Ocampo, Francisco Porrúa, Juan Carlos Onetti e Ofelia Cortázar (irmã). Leiam-nas no blogue de Eduardo Coelho.

‘Manual da vida breve’

Poemas de Sandra Costa.

Averno em entrevista

Manuel de Freitas e Inês Dias, poetas e editores de poesia, respondem às perguntas do blogue Tantas Páginas.

Escritores em campanha

No blogue literário do Nouvel Obs, o escritor Patrick Rambaud, autor de livros sarcásticos sobre o reinado de Sarkozy, relata o modo como viu o comício do candidato socialista à Presidência de França (ou, como ele diz, «pretendente ao trono»), François Hollande, no passado dia 22. Um excerto desse discurso pode ser visto aqui.

Não deixa de ser irónico

Eu (que nunca fumei um cigarro) faço parte do «arquivo de um grupo de fumadores», também conhecido por Volúpia na Tabacaria.

Post do mês

Este extraordinário pequeno texto de um grande romancista adiado.

Eis o sofá da Livreira Anarquista:

Bem catita. E ela merece.

Livraria Portugal vai fechar

É mais uma livraria que fecha portas. Uma livraria histórica, onde em tempos pré-FNAC perambulei entre estantes ajoujadas e a banca das novidades (nem sempre muito recentes). Uma livraria antiga, com cheiro a pó dos livros e uma certa desarrumação que era uma forma de charme, como se o leitor tivesse de ser seduzido pela dificuldade em encontrar a obra pretendida. Sem grande surpresa, um dos sócios explica que a situação «insustentável» se deve às «grandes alterações no mercado livreiro», à «quebra das vendas» e à «insuficiência de meios para pagar as despesas». Enfim, uma receita para o desastre.
Pior ainda: tendo em conta o rumo que as coisas levam, temo bem que outras livrarias históricas venham a conhecer muito em breve a mesma sorte.

PS – No seu blogue, a Sara Figueiredo Costa assinala com tristeza mais este desaparecimento, evocando memórias pessoais e familiares associadas à livraria da Rua do Carmo.

Partilhar estantes

How to Say “I Do” to Shared Bookshelves Without Ruining Your Relationship.

Prémio T. S. Eliot 2011

O relato da controversa edição deste ano do Prémio T. S. Eliot, atribuído pela Poetry Book Society do Reino Unido, está no blogue da revista Agio, num post de Ricardo Marques (que traduziu três poemas de John Burnside, o vencedor).

Montanhas de livros

Um blogue, muito por onde escolher.

Implorar a Deus que ponha termo ao Verão

A.M. Pires Cabral sobre Rilke.

Adenda ao post anterior

How To Publish Your Own Book in 2012.

O ciclo de vida de um livro

Aqui.

O único verdadeiro deus vivo

É um blogue (em que o senhor Miguel Martins, poeta, se dirige aos humanos).

Luísa Costa Gomes para Kindle

Já há vários livros de uma das melhores escritoras portuguesas contemporâneas disponíveis para Kindle. Conferir aqui.

Pessoas que lêem


Clique para aumentar

People Reading: uma série de instantâneos bibliófilos, desenhados por Alexandre Esgaio. Assim uma espécie de versão ilustrada das maravilhosas «leituras em lugares públicos» que o Alexandre Andrade vem reunindo há vários anos em umblogsobrekleist.

Dois milhões de pageviews

Poucos dias depois de cumprir quatro anos de vida, este blogue acaba de ultrapassar a barreira dos dois milhões de pageviews (e mais de 1.250.000 visitas únicas). A todos os leitores do BdB – os regulares, os diários e os ocasionais – o meu agradecimento.

Desabafo de uma livreira

«Fechei a Loja 107 no final de Setembro deste ano, porque a concorrência não me permitia a realização de um volume de vendas que me permitisse fazer frente ao volume de despesas.
(…) Vejo agora, dois meses depois de ter encerrado a livraria, a realização de uma feira do livro com o apoio da Associação Comercial, da Câmara das Caldas e da Câmara de Óbidos.
E isto depois de assistir a movimentos de pesar pelo fecho da minha Livraria. Que veracidade existirá nessas atitudes?
(…) Que não sirva de desculpa a finalidade da Feira; a realização de fundos para o tratamento do cancro. Ninguém contesta a necessidade de auxílio aos doentes de cancro.
O que contesto é a realização de uma feira de livros em concorrência directa a quem exerce este comércio e logo no período de Natal, com o apoio da Associação Comercial e das Câmaras.
A principal responsabilidade cabe às Editoras/Distribuidoras que participam nestas acções, em concorrência directa com quem exerce o comércio livreiro no seu dia a dia.»

A indignação de Isabel Castanheira pode ser lida na íntegra aqui.

Uma boa notícia

Leio no blogue da Sara Figueiredo Costa que Os Malaquias (o romance com que Andréa del Fuego ganhou, há duas semanas, o Prémio José Saramago) vai ser editado pelo Círculo de Leitores, já em Janeiro do próximo ano.

Fragmentos de ‘José e Pilar. Conversas Inéditas’

No próximo dia 18 será lançado o livro, com chancela da Quetzal, que reúne as muitas conversas entre José Saramago e Pilar del Río que o realizador Miguel Gonçalves Mendes não conseguiu incluir no seu documentário José e Pilar. Até lá, e a partir de hoje, o blogue O Caderno de Saramago publicará diariamente excertos da obra.

Livros ‘espertos’

«Atria is publishing its first book to be equipped with a smart chip, the publisher announced Friday. Tapping the RFID-enabled sticker with an NFC-enabled smartphone will bring up a website with additional materials for the book. The debut smart book is “The Impulse Economy: Understanding Mobile Shoppers and What Makes Them Buy” by Gary Schwartz. Appropriate.»

Blogue de poeta

O do Amadeu Baptista.

Mais sete poemas de T. T.

Em inglês, aqui.

“Tudo está vivo, tudo canta, serpenteia, abana e rasteja”

O poema que num post anterior Tomas Tranströmer lê em sueco (língua incompreensível, estou certo, para 99,99% dos leitores deste blogue) foi ontem mesmo traduzido pelo incansável Luís Costa, autor de um ensaio muito interessante sobre a poética de Tranströmer, publicado em Novembro de 2007 na revista online Agulha.
Eis a versão portuguesa de Madrigal:

«Herdei uma floresta obscura, onde raramente vou. Porém, há-de chegar o dia em que os mortos e os vivos trocam os seus lugares. Então, a floresta põe-se em movimento. Nós não existimos sem esperança. Os maiores crimes ficam por esclarecer, apesar da mobilização de tantos polícias. Da mesma maneira, há algures, na nossa vida, um grande amor que fica por esclarecer.
Herdei uma floresta obscura, porém, hoje vou à outra floresta, que é clara. Tudo está vivo, tudo canta, serpenteia, abana e rasteja. É Primavera, o ar é robusto. Fiz os meus exames na universidade do esquecimento, tenho as mãos vazias como uma camisa num cordão de estender roupa.»

Crónicas do autocarro

O protagonista de Uma Mentira Mil Vezes Repetida anda muito de autocarro e narra, com a atenção extrema do bom observador participante, os diálogos e situações que ocorrem decerto todos os dias nas várias carreiras que atravessam, de um lado ao outro, a cidade do Porto. O autor de Uma Mentira Mil Vezes Repetida, não sei se levado pelo escrúpulo de quem investiga e faz trabalho de campo, também anda muito de autocarro no Porto e narra, com a atenção extrema do bom observador participante, os diálogos e situações que ocorrem nesses veículos em movimento. O resultado pode ser lido nas deliciosas “Crónicas do autocarro” que vai publicando no seu blogue. Eis um exemplo:

«Quão estranha pode ser a confusão entre a ficção e a realidade? Deveras. Se não o soubesse, teria hoje tirado a coisa a limpo quando entrei no autocarro levando comigo um exemplar de Uma Mentira Mil Vezes Repetida, o romance que conta a história de um indivíduo que circula nos transportes públicos fingindo ler um livro totalmente falso, Cidade Conquistada. Pois ali estava eu, o tipo que inventou Cidade Conquistada e que inventou o livro que o conta, Uma Mentira Mil Vezes Repetida, agora numa espécie de ficção da ficção da ficção, a qual, entretanto, se tornou realidade e é um livro que tem na capa a fotografia de um homem de chapéu de coco. Pareceu-me que, para completar o ciclo, faltava apenas que abrisse o livro numa página ao acaso e fingisse lê-lo. Foi o que fiz, lamentando não ter, também eu, um chapéu de coco, mas encenando a preceito o logro de um logro de um logro, e repetindo a falsa cerimónia daquela mentira. Foi uma coisa bizarra, mas foi-o apenas para mim, confirmando, se preciso fosse, que sou, de longe, o tipo mais estranho e destrambelhado que circula nos autocarros da cidade.»

Livros 2009

O nome do blogue engana, porque o seu autor continuou em 2010 e em 2011 (e presumo que nos próximos anos) a ler e a partilhar as suas ideias sobre o que lê. Vale a visita.

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«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges