Em tempos de Alice

Lá para os fins de Abril (dias 23 e 24) acontecerá no Porto, na Biblioteca Municipal Almeida Garrett, o 1º Encontro de Literatura Infanto-Juvenil da SPA. Estão previstas intervenções de Osvaldo Manuel Silvestre, António Torrado, Manuel António Pina, Jorge Sousa Braga, João Paulo Cotrim, entre outros. Para consultar o programa completo, é favor clicar na imagem acima.

[via O Jardim Assombrado, blogue de Carla Maia de Almeida, a primeira autora de literatura infantil a receber apoio da DGLB para uma residência de criação no estrangeiro]

O João Tordo mudou de casa

Na Internet, entenda-se. O blogue é o mesmo, o endereço (e o aspecto) é que não.

Ecos das Correntes

«El año pasado estuve en las Correntes d’Escritas sólo un par de días y de visita. Percibí, sin embargo, el peso de ese encuentro. Este año, ya con las manos manchadas de harina, el encuentro literario de Póvoa me ha vuelto a sorprender y a emocionar. Ha sido como un abrazo, como un impulso, como un soplo de energía literaria y humana.
En Correntes percibes el entusiasmo con el que sus organizadores trabajan, la implicación de la administración –asombrosa!-, el interés del público que llenaba el auditorio en todas las sesiones para ¡escuchar hablar de literatura! Igual daba que fuesen las diez y media de la mañana que las tres de la tarde, ¡las tres de la tarde! El público tomando notas en sus libretas de forma casi compulsiva, participando en los coloquios, asistiendo a presentaciones y mesas redondas, riéndose, aplaudiendo, aportando… ¡comprando libros!
En Correntes -un encuentro, como me decían ayer mismo en un mail, con muchos efectos secundarios-, se recupera la fe, dan ganas de saltar de alegría pero, sobre todo, dan ganas, muchas ganas, de seguir escribiendo, aunque sólo sea por poder compartir el vinho verde con algunos de los escritores y escritoras de los que tanto he aprendido en estos días y no sé si llegarán a saber cuánto se lo agradezco.
El abrazo de Manuela Ribeiro resume bien el abrazo de las Correntes d’Escritas, es igualmente acogedor.»

Por Inma Luna, jornalista, poeta e contista espanhola que participou na mesa 6: “O Poeta é um Predador”.

Poemas sobre escrever poesia

No blogue cultural da revista online Slate, Chris Wilson coloca uma pergunta bicuda: «Can New Yorker Poets Write About Anything Besides Poetry?» Aparentemente, os exercícios de meta-poesia são uma especialidade dos poetas que publicam na mais nova-iorquina das revistas nova-iorquinas. Wilson deu-se mesmo ao trabalho de analisar em detalhe a produção de dois anos (2008-2009) e concluiu que 84 dos 316 poemas seleccionados, ou seja 27%, mencionavam a actividade poética. A análise fecha com uma enumeração dos tópicos favoritos dos «bardos».

Será que 2010 é um mau ano para se ser escritor?

Robert McCrum, jornalista que escreve sobre livros no The Guardian, acha que não. As mudanças em curso no mundo editorial são muitas e, nalguns casos, radicais. Mas ele acredita que a missão essencial do escritor continuará a ser a mesma:

«No one – literally no one – knows precisely how this will play out. The ongoing process of change is sponsoring all kinds of apocalyptic visions. Optimistically, however, I’d speculate that no amount of structural change and/or professional streamlining will alter the writer’s essential task: to sit alone from day to day, in a room, putting words down, one after the other, on the page.»

O único representante

Segundo o maradona, eu sou o «único representante do clube das pessoas que estão curiosas com a identidade do Senhor Palomar». Pode ser que sim. Pode ser que não.

Packs temáticos

Grandes ideias, oferecidas de borla por livreiros-mártires.

Livros e manuscritos antigos

Para bibliófilos abonados, aqui.

Literatura e formatos digitais

A propósito do debate que se gerou neste post do BdB, em torno de um texto de José Vegar, jaa diz de sua justiça sobre as possíveis consequências da progressiva passagem dos livros a suporte digital. Tal como Vegar, não está lá muito optimista. Eis um excerto (mas vale mesmo a pena ler o post completo):

«As consequências ficam para os cineastas, escritores e músicos que gostariam de construir uma obra sólida num meio-termo de exposição mediática, que não conseguirão apoio porque as probabilidades de que alguém repare neles é demasiado baixa (as franjas são excessivamente radicais para o fazerem, o grande público demasiado distraído). Alguns terão a sorte de se tornarem fenómenos da net como, de resto, já existem vários exemplos no universo musical. Mas serão poucos e, no caso da literatura, é dúbio que consigam gerar rendimentos para poderem viver da escrita. Ainda por cima, a internet também acelerou o processo de obsolescência: é-se um génio num determinado momento, está-se gasto no seguinte. (Ou, como diria Heidi Klum, «One day you’re in, the next day you’re out.»).
É por tudo isto que não estou optimista e que vejo com algum cepticismo o argumento de que a internet e os formatos digitais permitem uma maior disseminação da cultura. O potencial existe mas poucas pessoas excepto as que já hoje compram livros ou no passado compravam discos usam ou usarão esses meios para expandir horizontes, sendo que mesmo estas podem acabar por concluir que a oferta se reduziu e – neste caso não tenho sequer dúvidas, porque sucedeu com a música – o esforço necessário para descobrir as obras de qualidade é muito maior do que antes (umas quantas das tais maléficas editoras dão algumas garantias de qualidade). Quanto à esmagadora maioria, apenas os utiliza e utilizará para obter aquilo de que se fala. Num ponto quase todos convergirão: a pouca vontade de pagar um cêntimo pelo que quer que seja.»

O escritor português em risco

A propósito do recente lançamento do iPad, José Vegar reflecte sobre o que pode vir a acontecer em breve no sector do livro, com a «passagem do texto a produto digital». Um excerto:

«A equação poderá ser enunciada do seguinte modo: os leitores adoptam massivamente o texto em formato digital. Aplicando a mesma tendência cultural já estabilizada na música e no cinema, defendem que o produto deve ser gratuito. Aceitando estas duas variáveis como assentes e dominantes do mercado num futuro próximo, é necessário tentar desenhar as hipotéticas linhas mestras da revolução. Começando pelo fim da cadeia, uma extinção ou completa reinvenção das livrarias. No coração do processo de produção, uma diminuição radical do papel das gráficas e das distribuidoras. No centro da cadeia, uma desvalorização das editoras, e uma queda brutal das suas receitas, dando possivelmente origem a micro-empresas especializadas em serviços técnicos, como a detecção de novos talentos, a revisão e publicação nos vários formatos digitais dos textos, ou a “boutiques” com selo de qualidade, criado pelo valor no mercado dos autores que representam. Para o escritor, o cenário do futuro imediato parece ser ainda mais indistinto. À partida, com a eliminação do valor retido pela editora e pela distribuidora, poderá ver a sua margem de receita, que vai hoje dos 10 aos 36 por cento, chegar facilmente a números entre os 70 a 80 por cento. O problema é o de que estará completamente dependente do mercado, isto é do seu sucesso junto dos leitores.»

Papeles Perdidos

O Babelia agora também tem blogue.

Fotos antigas de escritores portugueses

Uma série para acompanhar no blogue Biblioteca Imaginária.

Perguntas

Em 2009: Quem é afinal o Senhor Palomar?
Em 2010: Mas o que raio aconteceu ao Senhor Palomar?
Tanto para uma como para a outra, continuamos sem resposta.

Tio Vânia

E eis que descubro um blogue tchekoviano, ainda por cima muito bom, muitíssimo bom, excelente. Venha a vodca. Celebremos.

Bela Lugosi is Brain Dead

Alguém tinha de inventar isto: um blogue que colige os «disparates da blogosfera literária portuguesa». Pois, pois. Beware.

Um blogue sobre Sebastião da Gama

Aqui.

‘William Burns’

Um conto de Roberto Bolaño, na New Yorker desta semana.

[via Máscara&Chicote]

O escritor dentro da ficção alheia

A propósito de O Que Sabemos do Amor – Begginers, de Raymond Carver (versão original dos 17 contos que formaram, após severos cortes de Gordon Lish, o livro De Que Falamos Quando Falamos de Amor), o blogue da Quetzal, editora que publica essa espécie de writers cut no próximo dia 5, transcreve um conto do meu livro Efeito Borboleta e Outras Histórias em que Carver surge como personagem à procura de personagens.

Livros antigos & novos, raros & esgotados

É o que propõe a Frenesi Loja, gerida por Paulo da Costa Domingos. Dito de outro modo: um catálogo de preciosidades, à distância de um e-mail (frenesilivros@yahoo.com) ou de um telefonema (91.974.60.89).

Tchékhov, Tchékhov, Tchékhov

Faz hoje 150 anos que Anton Tchékhov nasceu. Filipe Guerra, seu tradutor (como é tradutor de outros clássicos russos), não esqueceu a data. No blogue O Vermelho e o Negro, por entre enlevos de avô babado, dedica-lhe este parágrafo:

«Faz 150 anos que nasceu Anton Tchékhov, um homem bom, e não um bom homem, senhora Revisora, de quem alguém me disse “gostaria que fosse meu pai”, mas não vou dizer quem, por suspeita de que haja nesse alguém eventual pudor, e na Rússia hoje é tudo Tchékhov, Tchékhov, Tchékhov. E depois? Depois, 150 anos depois, ainda se continua a descrever Tchékhov como o mestre da nostalgia, quando se trata de melancolia, doutores, que no tempo dele era uma doença (e no nosso tempo, se fores ao psicas e pagares bem), a melancolia dos escritores russos tal como a dos escritores de Istambul tão bem descrita pelo tchekhoviano Orhan Pamuk em Istambul (Presença), e, 150 anos depois, ainda se continua a dizer Cerejal ou, ainda mais poeticamente, Jardim de Cerejas, quando se trata de Ginjal, doutores, um grande pomar de ginjas para comercialização e industrialização (a cereja na época era demasiado frágil para isso), pomar que foi derrubado pelo pragmatismo económico da época e cujas machadadas melancólicas no abate arborífero deram azo ao mais belo momento de teatro que jamais vistes na vida, doutores.»

Contos de pólvora seca

Micronarrativas de João Ferreira Oliveira.

De volta

Com textos sobre Rohmer, Stendhal e Hemingway, Luís Carmelo ressuscitou o seu miniscente, pondo termo, em boa hora, a uma hibernação que durava há quase sete meses.

Coração Duplo

É o primeiro (e recém-nascido) blogue da jornalista e escritora Filipa Melo.

Moleskine do poeta

Miguel-Manso deixa que espreitemos os seus cadernos de apontamentos (desenhos, versos soltos), aqui, mesmo por baixo de uma frase do Cesariny. Um marujo ou a Vieira da Silva é um blogue, uma coisa a ganhar forma, mas «não será um site oficial». Ainda bem.

A indústria da tragédia

Para saber do que se trata, basta abrir a televisão. Basta abrir os olhos. Francisco José Viegas, neste post, denuncia-a muito bem.

Carta do Haiti

Uma semana após o grande sismo que arrasou Port-au-Prince, e enquanto a Internet não se vai de vez, a romancista haitiana Evelyne Trouillot escreve, no blogue literário do Nouvel Observateur, sobre o que se passa no seu país em ruínas.

Plataforma JL

O Jornal de Letras ampliou a sua presença na Internet. Agora é uma espécie de portal (alojado no site da Visão), com notícias, críticas, sugestões culturais e uma rede de blogues. Destaco E mesmo que assim não fosse…, um blogue para José Manuel Rodrigues da Silva, em que vão ser recuperados textos antigos (crónicas, entrevistas, críticas de cinema) do grande jornalista e editor do JL, falecido há pouco mais de um ano.

Mais árvores generosas (e outras plantas)

Vistas por pessoas que são tudo menos ingratas.

Súbito

Poemas, imagens, música.

Isabela Figueiredo na TVI24

A autora de Caderno de Memórias Coloniais (ver booktrailer aqui) será entrevistada hoje no Diário da Noite da TVI24, que vai para o ar a partir das 22h00. Sabendo-se que entrevistas a escritores em telejornais são uma raridade, fica o aviso.
Isabela Figueiredo escreve regularmente neste blogue (sucessor deste).

Morte de um blogue

«O HÚMUS morreu. Acabou. Finou-se. Esticou o pernil», explica Hugo Torres no post final. Primeiro colapsou o pulmão direito. Agora foi a vez de parar o coração. Tenho pena, muita pena, mas sei que os H’s (Hugo e Hélder) não tarda nada reaparecem noutro canto da blogosfera. Eu, pelo menos, vou estar à espera.

Sobre ‘A Estrada’

«A Estrada, escrito por Cormac McCarthy em 2006, e um filme agora estreado em território nacional, tem por tema uma angústia sempre secreta, pessoal e devastadora, aquela que um pai traz em si a partir do momento em que sente que a qualquer momento pode deixar de conseguir proteger o seu filho. (…) Na verdade, o que o livro conta é a dor trazida pela descoberta da impossibilidade de proteger um filho ainda indefeso, e a tentativa desesperada de eliminar esta certeza. Perder um filho ou ver sofrer um filho, conta-nos a realidade e a ficção demasiadas vezes, é uma experiência que destrói tudo, até a tentativa de a contar.»

Ler o post completo do José Vegar, aqui. Ver o trailer do filme de John Hillcoat, com Viggo Mortensen, aqui.

10 (+2) excelentes sites sobre capas de livros e quem as faz

Aos dez (aliás 11) sugeridos neste post, acrescente-se o próprio blogue que os sugere (The Casual Optimist, embora o seu campo de intervenção seja menos focado nas capas em particular e mais nos livros em geral), bem como o português Montag.

PS – Dois acrescentos pertinentes acrescentados pelos leitores: Livro pela Capa e Caustic Cover Critic.

Professor José Cid

Tudo começou com a pergunta de um cliente numa livraria: «desculpe, tem o livro portugal hoje, o medo de existir do professor josé cid?» Do outro lado do balcão, Pedro Vieira, irmaolucia e livreiro, viu logo que aquilo dava um post. E deu mesmo. Está aqui e é o primeiro de muitos do novo blogue que abriu ontem, com outro mártir da causa livresca. «Será um espaço exclusivamente ligado ao non-sense da profissão, às capas de culto, aos livros mirabolantes, aos trocadilhos com o nome josé cid», garante Vieira. Eu, pela minha parte, não perderei pitada.

Retentiva

O Jorge Colaço escrevia num blogue institucional e agora passa a escrever num blogue só seu. Chama-se Retentiva e parece-me digno de ser acompanhado com atenção. Entre outros, gostei muito deste post:

Frase

Apercebi-me, há mais de 18 anos, na antecâmara do seu gabinete, de uma frase emoldurada do editor britânico Stanley Unwin:

It is easy to become a publisher, but difficult to remain one;
mortality in infancy is higher than in any other trade or profession.


A moldura não ficou esquecida quando a editora mudou de instalações, continuando à vista. A frase, essa, muda subtilmente de tonalidade conforme seja lida como lema, sinal de triunfo, aviso, ou epitáfio.

Don Juan (ou Warren Beatty) das bibliotecas

Divertidíssimo, este post de Stephen J. Gertz, em que o bibliófilo assume ter dormido com 12775 livros em 52 anos. Eis a minha passagem preferida:

«I recently had an opportunity to sit down and talk to myself, I, Boswell, to my Johnson (pardon me).

SJG: What do you look for in a book?
Words. A picture every now and then is nice. But mostly words. I once got a book with all blank pages. It was a gift. Can you believe it? What was I supposed to do, write the words myself? The book’s title was “Dairy.” The leaves were all milky white; a conceptual work, I guess. I do, however, suffer from Adult Onset Dyslexia so maybe I transposed a couple of letters, who knows?

SJG: What’s your type?
Verdana. I love nudes – sans serif is a total turn-on. But really, serif, sans serif – I could care less. Reality check: When you turn out the lights, all books look alike so I don’t sweat the issue, though actually reading with the lights out is trés tricque-y (pardon my french!). Speaking of which, I once read Derrida’s Of Grammatology in the full light of day and when I was finished I was completely in the dark. What is this guy talking about? Can somebody please deconstruct deconstructionism?»

Sobre Joyce Carol Oates

Nos labirintos do hipertexto, dei de caras com um texto do JAA intitulado “A minha paixão por uma senhora de 71 anos” (belo título), texto que o Bruno Vieira Amaral considera, talvez sem demasiado exagero, «o post do ano».
A prosa acaba assim: «A cada três ou quatro anos, acabo por ler mais um livro dela. Um dos seis ou sete que publicou entretanto.» Pergunto-me se A Fair Maiden, acabadinho de sair das rotativas, será a próxima leitura oatesiana do nosso escafandrista. Se for, reclamo desde já a correspondente crítica, de preferência tão longa e exaustiva como a tal belíssima declaração de amor.

‘A Fair Maiden’

A prolífica romancista Joyce Carol Oates, que já publicou mais de cem livros e é uma crónica candidata ao Nobel, acaba de lançar uma novela, A Fair Maiden, renovando o espanto de quem acha difícil que se consiga escrever tanto e tão bem. Como Carolyn Kellogg, do blogue literário do L.A. Times, que fica perplexa diante da interminável bibliografia de Oates: «It’s hard to imagine reading that many books, let alone writing them.» O título do post, aliás, não deixa de ser deliciosamente irónico: «Joyce Carol Oates publishes her first 2010 book» (negrito meu).

Estará a short story em risco de vida?

Claro que não. Como explica Chris Power no blogue literário do The Guardian, o conto tem resistido bem às sentenças de morte e em 2009 até revelou uma excelente saúde.

Reforços de Inverno

Aos três habituais titulares do melhor blogue de esquerda cá do burgo (Daniel Oliveira, Pedro Sales e Pedro Vieira), juntam-se a partir desta semana mais quatro elementos de grande gabarito e elevada cotação blogosférica: Bruno Sena Martins, João Rodrigues, Rui Bebiano e Sérgio Lavos. Uma bela equipa, sim senhor.
Já agora, assinalo também o nascimento de dois novos blogues prometedores. Um só abre portas amanhã: é o Albergue Espanhol (que faz jus ao nome, com dúzia e meia de bloggers capazes de cobrir, de uma ponta à outra, todo o espectro político e estilístico). Outro nasceu no dia 1 e já está a fervilhar: é o Córtex Frontal (da dupla José Medeiros Ferreira/Joana Amaral Dias) e promete dar muito que pensar.

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«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges