‘El Otro’

“Escrever é como cuidar de um bonsai”

Estreia na próxima quinta-feira, no Corte Inglés (Lisboa), a adaptação cinematográfica de Bonsai, uma novela do escritor chileno Alejandro Zambra, realizada por Cristián Jiménez. O livro foi editado em Portugal pela Teorema, em 2008, e sobre ele escrevi aqui.

Melancólicas criaturas

Eis o milagre de Tabu: assumir-se como declaração de amor ao cinema (aos seus artifícios e convenções) sem cair nas armadilhas da cinefilia. Murnau paira como sombra? Sim, embora apenas de forma esquiva. Miguel Gomes foi buscar ao filme homónimo do mestre alemão a estrutura em duas partes (Paraíso, seguido de Paraíso Perdido), mas a homenagem nunca se materializa verdadeiramente. Tabu é só um monte imaginário, algures em África; Aurora, uma personagem atormentada pelo passado e pela culpa.
A sustentar o filme, a articulá-lo, está Pilar, a vizinha boa samaritana que faz jus ao nome. Ela é a verdadeira espectadora, tanto das vidas alheias como do próprio filme, visto na cadeira de um cinema. Depois de assistir perplexa ao prólogo fantasista, comove-se antes de nós com o trágico idílio adúltero da jovem Aurora, chorando lágrimas que só mais tarde (através de um genial raccord musical) compreenderemos. Se a segunda parte assume todos os riscos formais – extenso relato em off; diálogos mudos; um travelling autoconsciente; a epistolografia lida pela voz anacrónica, porque envelhecida, dos amantes –, se emerge como a memória traumática de algo que se desfez (o império colonial; o tempo em que o amor era possível), é porque antes do fogo contemplamos as cinzas, nessa primeira parte de um realismo cru, temperado por assomos de humor e ironia.
Numa Lisboa crepuscular, «melancólicas criaturas» fazem bolos de cenoura, perdem dinheiro no casino, encontram-se na selva plástica dos centros comerciais. Ridículas, desamparadas, são humanas até ao osso. E Miguel Gomes filma-as com infinito respeito, oferecendo a Laura Soveral (Aurora) e Teresa Madruga (Pilar) aqueles que são talvez os papéis das suas vidas.

[Texto publicado no suplemento Actual, do jornal Expresso]

‘Cosmopolis’ com novo site oficial

Para saber tudo sobre o filme de David Cronenberg que adapta o romance Cosmopolis, de Don DeLillo, com estreia marcada para 31 de Maio, a página a seguir é esta.

Um bom candidato

O documentário José e Pilar é o candidato português aos Óscares de 2012. E eu gostava muito que o seu autor, Miguel Gonçalves Mendes, não só ganhasse a estatueta como aproveitasse para falar um pouco do Nobel português ao público do Kodak Theatre e às centenas de milhões de espectadores que assistem à cerimónia pelo mundo fora.

‘BookWars’

Como em muitas outras coisas, concordo com a Sara: eu também quero ver o documentário BookWars, de Jason Rosette, sobre os vendedores ambulantes de livros nas ruas de Nova Iorque.

Raúl Ruiz (1941-2011)

O cineasta chileno Raúl Ruiz morreu hoje aos 70 anos, em Paris, na sequência de uma infecção pulmonar. Em 2010, realizou Mistérios de Lisboa, um filme inspirado na obra homónima de Camilo Castelo Branco, com recepção ditirâmbica da crítica em todo o mundo.

Paul Auster por Terry Gilliam

O realizador Terry Gilliam, que andou anos e anos e anos a tentar fazer, sem sucesso, uma adaptação cinematográfica do Dom Quixote, de Cervantes, está neste momento a trabalhar num argumento inspirado no romance Mr. Vertigo, de Paul Auster.

Nem só de filmes se faz a carreira de Ethan Coen

De vez em quando, o realizador que é uma das metades da dupla «irmãos Coen» também publica poesia. Em 2009, estreou-se com The Drunken Driver Has the Right of Way. Em 2012, reincidirá com The Day the World Ends.

‘Cosmopolis’ começa a ser rodado a 24 de Maio


O próximo filme de David Cronenberg, que adapta ao cinema o romance Cosmopolis, de Don DeLillo, vai ser rodado entre 24 de Maio e 21 de Julho. Do elenco fazem parte Robert Pattinson, Paul Giamatti, Samantha Morton, Juliette Binoche e Mathieu Amalric. O produtor é Paulo Branco.
Mais informações sobre esta obra, que desde já gera naturais expectativas nos admiradores de DeLillo, podem ser encontradas no site oficial do filme.

Um mail de Miguel Gonçalves Mendes

Chegou-me hoje ao inbox, reenviado:

«Caros amigos e amigas,
Como sabem, o filme José e Pilar estreou na passada quinta-feira. A afluência em sala tem sido reduzida, fenómeno já habitual no cinema que não seja made in hollywood, pelo que, se gostaram do filme, pedimo-vos que passem palavra e que o divulguem; pois a primeira semana é crucial para que os exibidores o mantenham em sala.
O filme está em exibição em Lisboa, Porto, Cascais, Almada, Aveiro, Braga e Coimbra (nestas 3 últimas cidades é onde tem tido piores resultados, apesar de todas a críticas favoráveis).
No Brasil já foi visto por várias dezenas de milhar de pessoas e no próximo Sábado, dia 27 de Novembro, José e Pilar será filme de abertura do festival de Ronda (Espanha), onde será apresentado pelo Juiz Baltazar Garzón.
Um grande abraço a todos e obrigado por tudo,
Miguel»

Se puderem, passem mesmo a palavra. E, sobretudo, vejam o filme.

‘José e Pilar’ (trailer)

O documentário de Miguel Gonçalves Mendes estreia na próxima quinta-feira, dia 18.

Frase do dia

«O Bernardo Soares é uma tripe.»

João Botelho, autor de Filme do Desassossego, em entrevista ao jornal i.

‘Embargo’ (trailer)

O novo filme de António Ferreira, inspirado num conto de José Saramago, estreia no próximo dia 30.

Claude Chabrol (1930-2010)

Morreu Claude Chabrol, um dos mais prolíficos cineastas franceses, capaz do melhor e do pior quando se sentava atrás das câmaras. Dele recordo sobretudo o bisturi com que devassava as entranhas (quase sempre sombrias e sórdidas) da pequena burguesia provinciana.
Nos últimos tempos, adaptou para formato televisivo diversos contos de Maupassant, mas a paixão pela Literatura esteve sempre presente na sua vida e nos seus filmes. Em 1991, foi o autor do argumento e realizador de Madame Bovary, um filme bastante fiel ao romance original de Flaubert, com Isabelle Huppert no papel de Emma. Eis o trailer:

‘Filme do Desassossego’ (trailer)

O filme que João Botelho realizou a partir do pessoano Livro do Dessassosego tem estreia absoluta marcada para o Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, no próximo dia 29, às 21h30.

‘Freakonomics’, agora em filme

Segundo um dos autores do livro, Stephen Dubner, o documentário vai estar disponível do iTunes antes de chegar às salas de cinema.

Conseguem imaginar a curvilínea Scarlett Johansson a fazer o papel da escanzelada Lisbeth Salander?

Segundo estes rumores (não muito fiáveis, diga-se), David Fincher, o realizador da adaptação cinematográfica hollywoodesca do primeiro volume da trilogia Millennium, de Stieg Larsson, consegue. Eu não.

‘Cosmopolis’, de David Cronenberg, anunciado em Cannes

A revista Variety anunciou hoje, na edição diária que prepara durante o Festival de Cannes, a adaptação cinematográfica do romance Cosmopolis, de Don DeLillo, pelo realizador canadiano David Cronenberg. O filme, produzido por Paulo Branco, terá um orçamento global de 15 milhões de euros e será rodado a partir de Março de 2011, em Toronto e Nova Iorque. Para já, estão confirmados dois actores: Colin Farrell e Marion Cotillard. O restante elenco será conhecido em Outubro.
Antes de DeLillo, Cronenberg adaptou livros de outros escritores, como J. G. Ballard (Crash, 1996), William S. Burroughs (Naked Lunch, 1991), Patrick McGrath (Spider, 2002) ou Stephen King (The Dead Zone, 1983).

‘Como Desenhar Um Círculo Perfeito’ (trailer)

Belíssimo, o título do novo filme de Marco Martins (estreou ontem). Foi escrito a meias pelo realizador e por Gonçalo M. Tavares. Ao contrário de Alice, porém, a crítica não parece convencida (avaliação unânime: duas estrelas em cinco).

O melhor dos mundos

Adenda visual a um post de ontem, sob a forma de três frames de Pierrot, le Fou:

pierrot le fou3

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pierrot le fou

Uma das muitas coisas que me fazem gostar tanto dos filmes de Jean-Luc Godard

É esta: as personagens de JLG, à semelhança do realizador, lêem muito. Mas não é só isso, não é só o facto de lerem muito, de discutirem sobre certos escritores e suas obras (o que acontece também, por exemplo, em Rohmer). Nos filmes de Godard, as personagens estão sempre a aparecer com livros na mão, ou imersas no íntimo processo da leitura, como se esses mundos ficcionais em que mergulham fossem mais reais do que a própria realidade em que se movem (que é ela mesma ficcional, embora as personagens, hélas, não o saibam).

[Imagens roubadas ao maravilhoso blogue O Silêncio dos Livros]

Boris & Melody

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O casal mais encantador e hilariante do ano: um pessimista radical com tendências suicidas, mas capaz de descobrir mais mundo para lá da misantropia, e uma rapariga do Mississipi, com QI de lampreia, que até aprende umas coisitas sobre Física Quântica.
Dito de outro modo, é Woody Allen de regresso, em boa forma, ao seu habitat natural (Nova Iorque, claro). Há muito tempo que não me ria tanto, às gargalhadas, numa sala de cinema.

Máquina de escrever

Há quem toque air guitar. O grande Jerry Lewis prefere uma air typewriter.

Mr. Rushdie goes to Bollywood

A realizadora Deepa Mehta vai adaptar ao cinema Os Filhos da Meia-Noite, de Salman Rushdie, romance que ganhou não apenas o Man Booker Prize normal (em 1981), mas também o prémio Booker of the Bookers (em 1993 e 2008). A rodagem do filme, com algumas estrelas de Bollywood no elenco (Amitabh Bachchan, Rani Mukerji e Irrfan Khan), terá início em Setembro, na Índia.

Escritor de imagens, dramaturgo do cinema

Parabéns, Manoel de Oliveira, magnífico centenário.

Logo à noite

Às 21h30, no Cinema São Jorge, vai ser exibido Sombras – um filme sonâmbulo, longa-metragem de ficção assinada por João Trabulo, com Guilherme Pinto, João Grosso, Mónica Calle, Luís Castro, Nuno Vassouras e André Gil Mata. É sobre «os universos multifacetados do poeta Teixeira de Pascoaes» e foi escolhido para a competição oficial do Indie Lisboa em 2007.

Escritores invadem Festival de Locarno

Chuck Palahniuk esteve presente para defender a adaptação cinematográfica do seu romance Choke, feita por Clark Gregg. Mas Michel Houellebecq e Alessandro Baricco apresentaram-se na qualidade de realizadores. O francês levou ao ecrã os delírios FC de A Possibilidade de uma Ilha, enquanto o italiano acompanhará a estreia mundial de Lezione 21, com John Hurt a liderar o elenco.
Indiferente à indiferença da crítica, Houellebecq continua igual a si mesmo. Isto é, provocador e lunático. Ao ponto de se autodesignar, talvez num assomo de rigor ontológico, “um ser humano apenas a tempo parcial”.

Alice segundo Tim Burton

Se há cineasta fadado para adaptar Alice no País das Maravilhas ao cinema, esse cineasta é Tim Burton (e não é preciso explicar porquê, pois não?). Agora, parece que o projecto inevitável deixará de ser uma mera hipótese. O início das filmagens está marcado para Setembro, em Plymouth. O elenco contará com a actriz australiana Mia Wasikowska (18 anos), a fazer de Alice:

mia wasikowska

E fala-se de Johnny Depp para o papel de Chapeleiro Maluco.

Paulo Branco vai produzir filme inspirado num livro de Don DeLillo

Na 61.ª edição do Festival de Cannes (que abre esta noite com a projecção de Blindness, o filme que Fernando Meirelles fez a partir de Ensaio sobre a Cegueira, de José Saramago), o produtor Paulo Branco apresentará um projecto ambicioso: a adaptação cinematográfica do romance Cosmopolis, de Don DeLillo. O realizador será anunciado em breve, mas já se sabe que o orçamento será de 10 milhões de dólares e que a rodagem está prevista para o final de 2009.
Entretanto, Paulo Branco produzirá igualmente Mistérios de Lisboa, um filme (e série de TV), co-produção entre Portugal, França e Brasil, que parte da obra homónima de Camilo Castelo Branco, com argumento de Carlos Saboga e realizado pelo veterano Raoul Ruiz.

Saramago em plasticina no cinema (enquanto esperamos pelo ‘Ensaio sobre a Cegueira’ segundo Fernando Meirelles)

O realizador espanhol Juan Pablo Etcheverry adaptou ao cinema A Maior Flor do Mundo, única história infantil publicada por José Saramago. A sua curta-metragem de animação combina várias técnicas (2D com 3D, stop motion, etc.). O Nobel português aparece enquanto personagem e narrador.
Feito em 2007, o filme ganhou o prémio de melhor animação do Anchorage Internacional Film Festival e foi nomeado para os Goya deste ano na categoria de melhor curta-metragem.
A TVE ouviu tanto o cineasta como o escritor:

Uma Segunda Juventude

O mais recente filme de Francis Ford Coppola estreia hoje em Portugal. Intitula-se Uma Segunda Juventude (Youth without Youth) e é a adaptação relativamente fiel de um romance de Mircea Eliade, lançado por estes dias pela Bico de Pena, sobre o qual escreverei na próxima edição do Expresso.

Agualusa no grande ecrã

O Vendedor de Passados, romance cuja tradução inglesa (The Book of Chameleons) deu a José Eduardo Agualusa o prémio Independent de Ficção Estrangeira 2007, vai ser adaptado ao cinema pelo realizador brasileiro Lula Buarque de Holanda, com produção da Conspiração Filmes. O actor brasileiro Lázaro Ramos desempenhará o papel do protagonista, Félix Ventura.
Publicado pela Dom Quixote em 2004, o livro já vai na nona edição e foi traduzido em França, Itália, Holanda, Espanha, Sérvia, Croácia, Eslováquia, Coreia do Sul e Estados Unidos da América (pela conceituada editora Simon & Shuster).

Outro escritor na Cinemateca

Pedro Mexia

A nomeação do Pedro Mexia para subdirector da Cinemateca Portuguesa parece-me uma excelente notícia. E digo-o — não escondendo ser seu amigo — apenas porque estou certo de que fará um excelente trabalho no velho casarão da Rua Barata Salgueiro.
O Pedro é provavelmente o melhor crítico literário português sub-40, um notável poeta, cronista e blogger, um intelectual sólido com uma cultura abrangente e, sobretudo, alguém que não se limita a reflectir o air du temps, antes o analisa, critica, pensa. Além disso, é um cinéfilo na verdadeira acepção do termo: alguém que ama o cinema. Nunca esquecerei as muitas tardes que passei com ele, numa tertúlia de amigos, a discutir Scorsese, Ozu, Bergman ou Rohmer. É verdade que do seu currículo consta a tradução de um livro de Bresson (Notas sobre o Cinematógrafo) e vários anos de crítica cinematográfica no Diário de Notícias, mas a mim bastava-me a sua cinefilia para compreender e saudar o convite que lhe fez Bénard da Costa. Mais: se a ideia era escolher alguém que não fosse do meio, alguém exterior à teia de interesses e capelinhas que envolvem o cinema português, olho à volta e não vejo outra figura que melhor possa cumprir esse papel.
Uma palavra ainda para o novo ministro da Cultura. Ao nomear Pedro Mexia, um opinion maker que nunca escondeu o seu alinhamento ideológico com a direita conservadora, José António Pinto Ribeiro mostra a sua abertura, a sua independência política e a sua inteligência estratégica. Porque se quiser realmente, como afirmou logo de início, “fazer muito com pouco” (os míseros 0,4% do Orçamento do Estado), tem que chamar ao serviço público as pessoas mais capazes e não os eventuais boys que se ponham a jeito para os lugares.
Estão ambos de parabéns, o Pedro e o Ministro.
Agora mãos à obra.

Um western gaúcho

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O brasileiro Tabajara Ruas veio às Correntes com um duplo estatuto: escritor e cineasta. Ontem à noite, exibiu no Auditório Municipal Netto e o domador de cavalos, filme que escreveu e realizou (com assistência de Ondjaki). Apesar das cores desbotadas, “por causa de uma incompatibilidade entre o DVD que eu trouxe e o sistema de leitura das imagens daqui”, o público entusiasmou-se e comoveu-se com o fôlego desta espécie de western passado nas paisagens imensas do Rio Grande do Sul, em 1835. Narrativamente bem construído, em torno da lenda de um neguinho que foi morto pelo patrão por ter perdido uma corrida de cavalos, despertando a revolta e vingança dos outros escravos, a película tem cenas de tirar a respiração (o duelo num campo com formigueiros a perder de vista, por exemplo) e longas sequências de chibatadas que fazem lembrar o martírio de Cristo no filme de Mel Gibson (ainda assim com menos sangue). Ao meu lado, uma senhora levou o tempo todo a tapar os olhos e a limpar as lágrimas, enquanto murmurava: “ai que horror, mas isto não acaba?” Já as breves aparições do poeta poveiro Aurelino de Sousa, que antes da sessão não escondia o orgulho por ter feito parte do elenco, foram sendo recebidas com aplausos.

‘Seda’ nas livrarias e nos cinemas

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Romance curto sobre um amor impossível, Seda foi o livro que deu projecção internacional a Alessandro Baricco, ao narrar uma história delicada e macia, minimalista e agradável ao toque como o material em que se inspira (essa seda produzida vagarosamente pelos bichos-da-seda que Hervé Joncour, a personagem central, compra e vende em sucessivas viagens entre França e o Japão).
Agora a Dom Quixote reedita a obra, tendo em vista a estreia em Portugal da respectiva adaptação cinematográfica, feita por François Girard. Michael Pitt (Hervé Joncour), Keira Knightley (Hélène), Koji Yakusho (Hara Kei), Alfred Molina (Baldabiou) e Miki Nakatani (Madame Blanche) compõem o elenco. Eis o trailer (que, convenhamos, não augura nada de bom):

A chegada às livrarias é já na próxima segunda-feira, dia 4. O filme só poderá ser visto nas salas de cinema mais para o fim do mês (dia 28).

Outros anjos (noutra biblioteca)

A coorte dos anjos bibliófilos, numa das mais espantosas cenas de As Asas do Desejo, de Wim Wenders (1987).

Uma aventura poética

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«Somos, claro que sim, amantes da literatura, mas com a devida distância e a devida cautela. Literatura, sim, mas com conta, peso e medida.»
Vítor Silva Tavares

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«Se esta engrenagem quer dar cabo de mim e de uma aventura poética como é a & Etc, eu por raiva não deixo, não quero. E então persisto, insisto.»
Vítor Silva Tavares

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[Imagens e citações retiradas do excelente documentário & Etc, de Cláudia Clemente, que é exibido esta noite, pelas 21h30, na Cinemateca Portuguesa, juntamente com a primeira curta de ficção da cineasta: A Mulher Morena]

‘Expiação’

«A peça — para a qual Briony tinha desenhado os cartazes, os programas e os bilhetes, construído a bilheteira com um biombo voltado de lado e debruado uma caixa com papel crepe vermelho para recolher donativos — tinha sido escrita por ela num assomo de criatividade que tinha durado dois dias e que a levara a perder um pequeno-almoço e um almoço. Depois de concluídos todos os preparativos, já não tinha mais nada a fazer a não ser rever o manuscrito e esperar pela chegada dos primos que vinham do norte. Só teriam tempo para um dia de ensaios antes de o irmão chegar. A peça, com passagens sinistras e outras desesperadamente tristes, era uma história de amor, cuja mensagem, transmitida num prólogo em verso, era a de que o amor que não estivesse assente numa base de bom-senso estaria condenado. A paixão louca da heroína, Arabella, por um maléfico conde estrangeiro é punida pelo infortúnio de ela contrair cólera durante uma ida impetuosa até uma vila à beira-mar com o namorado. Abandonada por ele, e por quase toda a gente, presa à cama numas águas-furtadas, descobre em si mesma um inesperado sentido de humor. A sorte dá-lhe uma segunda oportunidade, sob a forma de um médico pobre que, na verdade, é um príncipe disfarçado que escolheu trabalhar no seio dos mais necessitados. Arabella é curada por ele e, desta vez, faz uma escolha sensata, sendo recompensada pela reconciliação com a família e pelo casamento com o príncipe-médico “num dia de Primavera com muito sol e algum vento”.»

[Primeiro parágrafo de Expiação, de Ian McEwan, tradução de Maria do Carmo Figueira, Gradiva, 2002]

'Expiação', o filme

A adaptação cinematográfica do romance de McEwan chega hoje aos cinemas portugueses, realizada por Joe Wright, com Keira Knightley e James McAvoy nos principais papéis. Mais logo, pelas 19h00, o jornalista Carlos Vaz Marques entrevista o escritor inglês no programa Pessoal e… Transmissível, na TSF.

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges