‘Auto do Relvas’
Três alunos de 14 anos, da Escola EB23 Dra. Maria Alice Gouveia (Coimbra), fizeram numa aula de Português uma mui oportuna adaptação do Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente. Publicada na biblioteca digital da escola, chegou-nos pela mão de um leitor e amigo (Manuel Diogo). Ei-la:
Vem Miguel Relvas conduzindo aos ziguezagues o seu Mercedes banhado a ouro e sai do carro com o seu diploma na mão. Chegando ao batel infernal, diz:
RELVAS – Hou da barca!
DIABO – Ó poderoso Doutor Relvas, que forma é essa de conduzir?
RELVAS – Tirei a carta de scooter e deram-me equivalência. Esta barca onde vai hora?
DIABO – Pera um sítio onde não hai contribuintes para roubar!
RELVAS – Pois olha, não sei do que falais. Quantas aulas eu ouvi, nom me hão elas de prestar.
DIABO – Ha Ha Ha. Oh estudioso sandeu, achas-te digno de um diploma comprado nos chineses ao fim de três aulas?
RELVAS – Um senhor de tal marca não há de merecer este diploma!
DIABO – Senhores doutores como tu, tenho eu cá muitos.
Miguel Relvas, indignado com a conversa, dirige-se ao batel divinal.
RELVAS – Oh meu santo salvador, que barca tão bela, porque nom hei dir eu nela?
ANJO – Esta barca pertence ao Céu, nom a irás privatizar!
RELVAS – Tanto eu estudei, que nesta barca eu entrarei.
ANJO – Tu aqui não entrarás, contribuintes cortaste, dinheiro roubaste e um curso mal tiraste.
Relvas, sem alternativa, volta à barca do Diabo.
RELVAS – Pois vejo que não tenho alternativa. Nesta barca eu irei. Tanto roubei, tanto cortei, não cuidei que para o inferno fosse.
DIABO – Bem vindo ao teu lar, muitos da tua laia já cá tenho e muitos mais virão. Entra, entra, ó poderoso senhor doutor magistrado Relvas. Pegarás num remo e remarás com a força e vontade com que roubaste aos que afincadamente trabalharam.
Gonçalo, Filipe e Carolina
Turma 9.º D
Escola EB23 Dra. Maria Alice Gouveia
Coimbra
Books & Bars
Para quem está ressacado das Correntes, isto até que parece uma boa ideia.
Moda para maluquinhos dos livros
Há para todos os gostos. A minha preferida é a t-shirt em que o texto integral da Alice no País das Maravilhas desenha a dita Alice em plena queda pelo buraco do coelho abaixo.
As cores dos escritores
Há gente com muito tempo livre. Tempo para imaginar, por exemplo, a que paleta de Pantone correspondem as obras de 13 autores, de Robert Louis Stevenson a David Foster Wallace.
Literary Jukebox
Banda sonora para citações de livros: uma grande ideia.
Poemas olímpicos
Podem ser lidos e votados aqui. Só não sei se no fim haverá distribuição de medalhas.
Momento zen
Há dias, recebi este e-mail:
«Prezado José,
Meu nome é Arlete e sou brasileira, graduada em Biblioteconomia pela Universidade Federal de Minas Gerais. Envio esse e-mail para questionar o título do seu blog (ou blogue).
Se deseja ser chamado de Bibliotecário, faça o curso em Biblioteconomia. Acho injusto e sem fundamento uma pessoa que escreve sobre literatura e afins ser chamado assim.
Por favor, não se ofenda. Mas eu fiquei bem chateada.
Bibliotecário é quem tem curso superior em Biblioteconomia.
Grande abraço.
Atenciosamente,
Bibliotecária e brasileira, Arlete Inocência Menezes»
Pronto, lá terei de completar outro curso superior. Mas talvez me despache num ano, quem sabe, se me derem umas quantas equivalências à la Relvas. Não gostava mesmo nada de ser forçado, pela verdadeira bibliotecária Arlete Inocência, a interromper este blogue até 2015.
Dicionário visual de palavras invulgares
Está aqui. E é uma delícia.
Alguns exemplos:

Biblioclasm: the practice of destroying, often ceremoniously, books or other written material and media

Cacodemonomania: the pathological belief that one is inhabited by an evil spirit

Montivagant: wandering over hills and mountains

Scripturient: possessing a violent desire to write
O papel das personagens
Imagens de Flavio Demarchi.
[via Revista Macondo]
O continente da Filosofia
Um mapa, um atlas, um lugar para explorar devagarinho, aqui.
Um livro que se auto-destrói em dois meses (estilo Missão Impossível, mas em slow motion)
Título: El Libro que No Puede Esperar. Na verdade, o que se auto-destrói não é o livro mas o texto, impresso em tinta que desaparece em 60 dias. Quem não o coloque logo na pilha das leituras urgentes, arrisca-se a encontrar só folhas em branco.
Esculturas feitas de livros

São criações do artista Jonathan Callan. Mais aqui.
Edifícios inspirados em livros
Este, por exemplo, desenhado por Ricardo Bofill (Barcelona, 1968), inspira-se no romance O Castelo, de Franz Kafka. Mas há outros que foram desenhados sob a influência de Italo Calvino, Melville ou Lewis Carroll.
Os rostos das personagens literárias (de Emma Bovary a Humbert Humbert) como os desenhariam as autoridades policiais nos EUA

Emma Bovary (Madame Bovary, Gustave Flaubert)

Humbert Humbert (Lolita, Vladimir Nabokov)
Livro do dia
Título mais certeiro não há.
Ler para ser outro
Uma excelente campanha publicitária.
A torre da catedral
Depois de ler o post anterior, o escritor José Rentes de Carvalho, um dos portugueses que melhor conhecem a Holanda, enviou-me gentilmente uma fotografia da torre da catedral de Utrecht, essa forma esguia erguendo-se do casario que tanto impressionou James Boswell no século XVIII.
Obrigado, caro Rentes.
Graffiti & Literatura (uma boa mistura)
Mais exemplos aqui.
Tatuagens literárias
Eis um site só sobre «tattoos based on books, poems, lyrics, and many other literary sources».
Assim uma espécie de mapa da Amazon
Partilhar estantes
How to Say “I Do” to Shared Bookshelves Without Ruining Your Relationship.
Uma lista de palavras a abater
A Lake Superior State University acaba de publicar a sua lista anual de «Words Banished from the Queen’s English for Misuse, Overuse and General Uselessness». Ou seja, palavras gastas, mal usadas ou inúteis que deviam sair de mansinho do léxico colectivo, para bem da higiene vocabular.
Em Portugal, creio que não seria difícil compor uma lista semelhante. Sugestões?
Estante oblíqua

Para quem gosta de ler na diagonal.
Action figures das Letras
Mais bonecada que escreve, aqui.
Já não sabem o que hão-de inventar
Os blocos de post-it começaram por ter uma forma quadrangular, mas depois foram-se diversificando. Agora acaba de surgir este modelo:
Que nome dar às notas que se prendem ao pulso como um relógio? Pulsações?
Galeria de horrores
Tem um fraquinho por capas de livros inacreditavelmente feias? A sério? Então deixe-me apresentar-lhe um site irresistível: Good Show Sir. Sem falsas modéstias, promete «only the worst Sci-fi/Fantasy book covers». E cumpre. Cumpre mesmo.
Com a Planeta Tangerina é outra loiça

Conferir os protótipos de uma das novas linhas da Vista Alegre, aqui.
Títulos com uma letra a menos
Ou o equivalente literário da silly season.
O cemitério dos romances inacabados
My Unfinished Novels é um site criado por Steve Wilson, com a autoridade de quem se apresenta como um «six-time failed novelist». O conceito não podia ser mais simples:
«For most writers, any novel that is unpublished is a failure, since most authors don’t want their manuscripts to gather dust under the bed. But some novels never even get to the point of being unpublished. They are simply abandoned, sometimes because of material pressures (second job, third kid, fourth tour of Iraq), and sometimes because of creative illnesses, internal cracks in the author’s foundation. People change, but books remain static, and if a person changes enough, the book they were writing may no longer be their book.
My Unfinished Novels exists to explore that idea: why was this novel abandoned? The answers, hopefully, will elucidate and entertain.»
Elucidam-nos e divertem-nos, indeed, embora por vezes seja constrangedor assistir à partilha tão sofrida (mas sempre instrutiva) destes «falhanços criativos».
Ler o ‘Ulisses’ no Twitter
Na passada quinta-feira, dia 16, celebrou-se um pouco por todo o mundo mais um Bloomsday. De entre todas as evocações da obra-prima de James Joyce, houve uma que teve qualquer coisa de Rossio enfiado à força na Rua da Betesga. Refiro-me ao projecto de condensar as quase 800 páginas do romance em 96 sequências de tweets (com um máximo de 140 caracteres cada um). O resultado desta micronarrativização de um clássico pode ser conferido aqui. E aqui encontramos um apanhado das reacções ao Bloomsday Burst.
Uma Torre de Babel feita de livros

Em Maio, a artista Marta Minujin criou em Buenos Aires uma espantosa obra efémera: uma Torre de Babel de estrutura helicoidal, com uma altura equivalente a sete andares, coberta com 30 mil livros nas mais diversas línguas e dialectos, formando no seu todo uma grande «biblioteca multilinguística».
O projecto tem a ver com Babel, tem a ver com livros, e terá decerto a ver com Jorge Luis Borges. Este vosso humilde BdB só poderia levantar-se e aplaudir.
Duas estantes borgesianas

E a estante infinita, dobrada sobre si mesma como a tira de Moebius:

Das vantagens de escrever na cama
Robert McCrum, do The Guardian, explica quais são.
iMoleskine
Há quem ande com um Moleskine no bolso. Há quem ande com um iPhone no bolso. A partir de agora, haverá quem ande com um Moleskine dentro do iPhone que está no bolso.
Uma gralha
Hoje, a primeira página do Público anuncia uma colecção com um conceito interessante: livros escolhidos de autores importantes que nunca ganharam o Nobel. Estranhamente, Jorge Luis Borges não faz parte do lote, o que o coloca numa posição bizarra: não só foi ignorado pela Academia Sueca, como volta a ser ignorado na lista dos excluídos do Nobel.
Outro que não teve muita sorte foi Henry James, que na capa do respectivo volume passa a Henri James. Toda a gente sabe que o autor de Retrato de uma Senhora nasceu americano e naturalizou-se britânico. Pelos vistos, agora também o querem afrancesar.
O poder dos livros

Isto não é uma campanha publicitária de incentivo à leitura. Mas podia ser.
Prémio para o título de livro mais estapafúrdio
E o vencedor deste ano é… Managing a Dental Practice the Genghis Khan Way, de Michael Young.
Festival dos livros que se comem
Em inglês: International Edible Book Festival. Em francês: Festival International du Livre Mangeable. O próximo decorre a 9 de Abril, na Biblioteca Pública de Winnipeg (Canadá).
McBook

Anúncio criado por uma agência de publicidade húngara para a McDonald’s.
[via Book Patrol]
Portuguesismos.com
É «a maior enciclopédia não-oficial da Língua Portuguesa», dizem eles. Um fartote de coloquialismos, prontos a usar.
[via Webmania]


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