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Um bom conselho

E sendo assim, o que é que ainda está aqui a fazer?

[via Bookshelf Porn]

Justiça poética

No Zoo de Lagos, como no de Lisboa, muitos animais são apadrinhados por empresas. Há pássaros coloridos com patrocínio da Robbialac, pelicanos a merecerem apoio do Montepio Geral, etc. A lógica é simples, previsível até. Mas há quem a subverta. Por exemplo, num gesto de provocação (ou será apenas honestidade?) uma sociedade de advogados decidiu patrocinar o Bufo Real.

Casos

O livrinho chegou-me às mãos já nem sei bem como: Princesas Dianas & Anti-heróis, de Luís Pedroso (edição de autor, 2009). Quem acha que a poesia portuguesa não presta suficiente atenção à actualidade social e política do país, que ponha os olhos nas duas partes em que se divide esta obra. Título da primeira: ‘O caso BPN’. Título da segunda: ‘O caso Freeport’.

Marketing moluscular

Era uma questão de tempo.
Depois do Mundial e do sainete divinatório do polvo Paul, alguém acabaria por pegar na deixa para efeitos promocionais.

paul

A caligrafia de Matilde

Este é um dos muitos poemas que Matilde Rosa Araújo copiava à mão («numa altura em que não havia fotocópias, muito menos scanners e impressoras») para dar a ler às suas alunas do Magistério.

[via blogue da Planeta Tangerina]

O poster que todos os escritores aspirantes deviam colar na parede do escritório (e alguns dos escritores consagrados também)


Clique para aumentar

[via Blogtailors, que o foi buscar a este post do Paper Cuts]

A cadeira que me convinha

cadeira

Desenhada por Tim Durfee.

[via BiblioFilmes]

Rimbaud de bigodinho

Uma fotografia inédita de Jean-Arthur Rimbaud, a única com qualidade suficiente para se perceber como eram os seus traços fisionómicos na idade adulta, foi descoberta por dois livreiros numa feira de rua e apresentada ontem à noite no Salon du Livre Ancien, em Paris. A foto foi tirada em Aden, por volta de 1880, e mostra Rimbaud sentado numa das varandas do Hotel de l’Univers, no meio de um grupo de seis homens e uma mulher:

Aden

Jean-Arthur, que teria cerca de 30 anos, é o segundo a contar da direita. Curiosamente, não se parece muito com o rosto icónico da juventude:

Ele dá ares mesmo é ao Fernando Pessoa (mas sem óculos):

PS – Ao contrário do que comecei por sugerir, o Fernando Pessoa da foto acima não era «trintão». Vários leitores alertaram-me para a verdadeira idade do poeta quando a imagem foi captada: 21 anos. Fica esclarecido o equívoco.

Uma mentira de 1 de Abril que merecia ser verdade

GV_JL

Afinal o Jornal de Letras não vai patrocinar a equipa de futebol do Gil Vicente. Uma pena.

T-shirts

Gostava desta:

E desta:

E já agora desta (embora talvez fosse melhor oferecê-la ao Rogério):

david_foster_wallace

Mais escolha em Literary Rags.

Fazer uma capa

O trabalho de seis horas compactado em menos de dois minutos (e viva o Photoshop).

[Dica de um, como dizer, de um fazedor de capas]

O basquetebolista que lê Bolaño

Pau Gasol, dos L. A. Lakers. E logo o 2666.

Um prefácio em forma de quadra

António Lobo Antunes é um especialista em prefácios curtos ou curtíssimos, como se pode comprovar espreitando a sua Biblioteca de ficção universal escolhida (Dom Quixote). A maior parte desses textos tem uma páginas apenas, às vezes só um parágrafo. Ao lê-los, disse para comigo que não se podia ser mais conciso. Enganei-me. No mais recente volume de poemas de António Ferra, Livro de Reclamações (Fabula Urbis), descobri aquele que deve ser o prefácio mais curto de toda a literatura portuguesa. É de Liberto Cruz e resume-se a um poema de quatro versos:

PREFÁCIO

Um poeta também tem
Livro de reclamações
Portanto atentai bem
Nas suas doutas razões

O mais extraordinário é que, assim mesmo reduzido ao mínimo e com o seu tom de poesia popular, diz tudo o que havia para dizer.

Máquina de escrever

Há quem toque air guitar. O grande Jerry Lewis prefere uma air typewriter.

Se vai andar de avião, leve um livro (dos antigos, em papel)

Com a paranóia securitária de regresso aos aeroportos, depois da tentativa de atentado falhada num voo para Detroit (desta vez com os explosivos a serem transportados na roupa interior, em vez dos sapatos), é previsível que as regras de acesso aos aviões se tornem ainda mais apertadas. O site Gizmodo criou já um exaustivo guia para os novos tempos (The Unofficial Guide to Flying After the Underwear Bomb) e vale a pena ter em conta esta dica:

«Bring a Book or Prepare to Die of Boredom
Bring a book. Not a Kindle, not a Nook, not any other sort of ebook reader, but a plain ol’ low-tech book. Because apparently books are pretty much the only thing you can have in your hands during the final hour of your flight (“the government says ok”) and how the hell else will you keep from falling into a cold and uncomfortable slumber?»

Erros de impressão

Ao descobrir estas deliciosas capas (inventadas pelo Irmão Karamazov), ocorreu-me logo a imagem do Cavalo de Tróia.

A vida imita a arte (etc.)

Eis a capa do último romance de Ricardo Adolfo, publicado recentemente pela Alfaguara/Planeta. É uma história sobre um «imigrante ilegal numa cidade que não conhece e cuja língua não fala».

Fotografia publicada no Correio da Manhã, a acompanhar a notícia sobre uma embaraçosa tentativa de assalto a um supermercado em Almancil, perpetrada há dias por um imigrante romeno de 22 anos.

A televisão que me interessa

[via blogue da Bruaá]

Os livros de Cortázar

Volumes assinados. Ou com dedicatórias. Ou anotados. Ou com marcadores (bilhetes, recortes de jornal, flores). Em suma, os livros e o que neles Julio Cortázar foi deixando. Para descobrir com calma.

Ainda não sabe como acabar a sua peça de teatro?

Calma, não se preocupe. Alguém decidiu facilitar-lhe a vida, reunindo aqui 42 desenlaces possíveis para o sempre difícil terceiro acto.

O questionário de Proust (versão interactiva)

No site da Vanity Fair, está disponível uma versão do célebre questionário de Proust. Quem responder às 20 perguntas pode depois ficar a saber de que celebridade as suas respostas mais o aproximam (a partir de uma lista de 101 figuras públicas que também responderam ao questionário nas páginas da revista). No meu caso, a afinidade maior é com Michael Caine (92,45%). Menos mal. Sempre escapei à humilhação de ter respostas parecidas com as de Joan Collins ou Arnold Schwarzenegger.

O leitor entomólogo

nabokov_on_kafka

Primeira página do exemplar de A Metamorfose que Vladimir Nabokov usava nas suas aulas sobre Franz Kafka, com um desenho pormenorizado de Gregor Samsa em versão insecto.

Eis duas estantes lindíssimas (mas desenhadas, suspeito, por quem nunca arrumou livros em prateleiras):

clouds
Esta chama-se Clouds, um trabalho da dupla Ronan e Erwan Bouroullec para a marca Cappellini. É modular (podemos transformar uma cumulus humilis numa cumulonimbus), feita em poliestereno de alta densidade e com um preço acima dos mil dólares. Elegante? Sim, muito elegante. Mas prática? Duvido. Uma estante assim é ideal para quem só compra a Wallpaper e gosta de impressionar as visitas lá de casa, mas não para quem compra livros.

opus

Mais barato (não chega a 500 dólares), o modelo Opus Incertum, de Sean Yoo, tem uma vantagem adicional: o facto de o polipropileno expandido permitir uma utilização tanto no interior da casa como no jardim ou no quintal (para quem tem jardim ou quintal, claro). Leve, portátil, multifunções – a estante de Yoo é isso tudo. E parece uma estrutura orgânica, um tecido de células vegetais. Muito bonito. Mas e os livros? Como é que se faz com os livros? Quem é que os vai encaixar naquelas superfícies inclinadas? Pois. Ninguém. Ou muito me engano, ou estas estantes foram feitas para quem acha que uma biblioteca é o que está dentro do Kindle.

[Imagens retiradas desta fotogaleria]

Kindle por dentro

Livros, livros e mais livros. Claro. Nada de circuitos integrados. Nada de coisas em plástico made in China. Espero que as entranhas do meu Sony Reader também sejam assim.

[via Senhor Palomar]

Biblioteca dos horrores

Há quem faça colecções de livros bonitos. E há quem coleccione os muito feios, os monos monstruosos, os que têm capas de fugir. É o caso deste blogue. Eis algumas das suas aquisições mais recentes:

Esqueçam o cão

O melhor amigo do homem é o livro (sobretudo o que ladra e morde, o que não abana a cauda, o que recusa a trela).

[via blogue da Bruaá]

Pedro (que se chama Rui) continua a procurar Inês

Há uns anos, o Rui Faustino, quando ainda era estudante na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Nova, criou um verdadeiro hype analógico em Lisboa, sem qualquer recurso à parafernália tecnológica que hoje permite fazer coisas giras em três tempos, desde que se tenha, para além da boa ideia, o telemóvel, a máquina fotográfica, a câmara de vídeo e acesso à Internet (YouTube, redes sociais, etc.). Naquele tempo não havia nada disto; ou, se havia, esses meios ainda eram algo de muito incipiente, algo que acontecia lá bem longe, onde os fenómenos globais começam.
A ideia do Rui Faustino, como já devem ter percebido, passava por conquistar uma miúda chamada Inês e ele não se poupou a esforços. Quer em telas de vários metros de altura, montadas junto à estátua de Camões, no Chiado, quer junto ao portão da Avenida de Berna, Faustino foi colocando, sob a capa do anonimato, exaltadíssimas mensagens de amor. A dita Inês, porém, não se comoveu. Desmentindo cruelmente os happy ends de milhares de comédias românticas, «enrolou-se com o guitarrista da sua banda rock», para usar as palavras do poeta desiludido, e aniquilou a performance. Curiosamente, a sedução pelas palavras e pelo gesto, que falhou o alvo a que se destinava, acabaria por arrebatar a sensibilidade de Eduardo Prado Coelho, que dedicou à história uma das suas crónicas no Público (escasso consolo para o amante, podemos dizer, mas consolo ainda assim).
Agora, uns aninhos depois, a Inês é outra mas o Rui (isto é, o Pedro, que entretanto aprendeu o poder da mitologia amorosa nacional) é o mesmo. A demanda vai sendo narrada, com cópia de detalhes e mensagens de apoio, aqui. E nas últimas semanas, vi de facto umas dezenas de cartazes feitos à mão, com cartolina e papel A3, ali para os lados da Graça. Eis alguns exemplos, não fotografados por mim:



Infelizmente, a maior parte já foi rasgada, revelando alguns óbvias marcas de uma destruição feita com ímpeto, com violência, talvez com raiva. E eu pergunto-me: quem andará a apagar os rastos deixados pelo Pedro/Rui? Será o namorado da Inês? Será alguém que não tolera uma fé tão inquebrantável (e provavelmente ingénua) nas forças da paixão? Será a própria Inês?

O que é que José Saramago e Barack Obama têm (ou vão ter brevemente) em comum?

Um cão-de-água português.

Sofá + estante (dois em um)

O conceito, muito ao estilo 2001 Odisseia no Espaço, é da designer russa Irina Zhdanova.

[via Jacket Copy]

Fernando Pessoa em pacotes de açúcar

Uma iniciativa da Ambar, com o apoio da Delta. Em breve, num café perto de sua casa.

Uma história fabulosa

Certo ilustrador inventou uma narrativa sem palavras sobre um homem que recolhe lixo na praia e constrói uma máquina-instalação a partir dos detritos. O que ele não sabia é que o homem existe mesmo, em carne e osso. Há pouco mais de uma semana, esse homem entrou numa livraria, folheou por acaso o livro do ilustrador (mais uma pérola da editora Planeta Tangerina) e depois, bem, o que aconteceu depois podem descobrir aqui.


É uma história do outro mundo, não acham? Daquelas que nos deixam de queixo caído, olhos esbugalhados, cara à banda. Uma história quase boa demais para ser verdade (mas é mesmo verdade).

Uma moeda holandesa

«On the back side of the coin I treated the edge of the coin as a book shelve. The books rise as buildings towards the center. Through their careful placement they combine to outline the Netherlands, while birds’ silhouettes suggest the capitals of all the provinces.»

Eis a descrição, feita pelo designer Stani Michiels, do seu conceito para a «coroa» de uma moeda comemorativa, encomendada pelo Ministério das Finanças holandês. O trabalho foi integralmente feito com software livre. A explicação completa do processo de trabalho pode ser lida aqui.

O Kamasutra do leitor

Fora a Suástica (por motivos ideológicos e falta de abdominais), conto experimentar todas as posições.

[via Cool Marketing Thoughts]

O Choque! O Horror! A Literacia!

“Moldura” irónica para um dos reading points da Biblioteca de Henrico County (Virginia).

Marketing inventivo

moscas.jpg

A Dom Quixote enviou-me a nova edição de O Deus das Moscas, de William Golding, dentro de um mosquiteiro onde jaziam, com as asas partidas, umas quantas moscas de plástico.

Estante heterodoxa

Não sabe onde guardar aqueles livros sobre música que estão, em pilhas verticais, no topo de uma Billy? Quer encontrar um refúgio especial para as biografias de Mahler e Prokofiev, para as partituras com estudos de Czerny ou para a monumental aproximação a Beethoven feita por Romain Rolland (em dois calhamaços traduzidos por Fernando Lopes Graça)? Nesse caso, este “storage cabinet” escondido no bojo de um contrabaixo talvez seja a solução ideal. Pode adquiri-lo aqui, embora não seja barato (399,95 libras; aproximadamente 505 euros).
Agora a sério: alguém era capaz de ter uma coisa destas na sala, arrumada a um canto, junto à aparelhagem? A mim, nem que me pagassem.

Lost books resurrected

A capa nabokoviana do post anterior não existe. É uma invenção, como Luís Rodrigues explica nos comentários. Uma invenção incluída numa divertidíssima página escrita por Jeff VanderMeer, que imagina sinopses para supostos livros perdidos de grandes autores. Vale a pena ler o conjunto todo, mas especialmente os textos sobre a “versão hermafrodita” do Dicionário Khazar de Milorad Pavic, o policial pulp fiction de Marcel Proust e a história infantil de Cormac McCarthy, em que a protagonista de Sarah’s New Pony “smashes a bottle over a drunk’s head and shoots a revolver wildly into a crowded saloon”.

Futurês

Quer saber como é que a língua inglesa será falada daqui a mil anos? Então espreite aqui.

O texto telescópico

Começa com uma frase mínima. Três palavras: “I made tea.” Depois, à medida que clicamos, a coisa desdobra-se, estica, avança como a serpente largando sucessivas camadas de pele, abre-se em leque, palavras levando a outras palavras que escondem outras palavras. Não é bem hipertexto. É outra coisa. Talvez intratexto, texto dentro do texto.
Seja como for, há nesta criação de Joe Davis um enorme potencial literário, com muito campo aberto para os ficcionistas (e, em particular, os microficcionistas) explorarem.

Kit de activação

Para promover o romance Ar, de Geoff Ryman, a Gailivro não se poupou a esforços. Além de ter criado um blogue exclusivamente para a promoção do livro (mas que parou há quase um mês, o que não é bom sinal), ainda enviou para as secções de livros dos jornais esta caixa:

ar.jpg

Como o romance inventa uma nova Internet, que funciona através do ar (por telepatia), a Gailivro decidiu simular o layout dos kits de activação propostos pelos serviços clássicos de Internet. A vantagem, sugere-se, é não haver necessidade “de fios nem PC para estar conectado”. O custo de activação (17,90€) corresponde, obviamente, ao custo do livro, um software compatível “com todos os cérebros” e de “instalação automática”.
Curiosamente, existe um serviço de Internet em Portugal fornecido pela AR Telecom. Um serviço verdadeiro, dos que se ligam com fios a computadores reais. E o que terá a AR Telecom a dizer desta publicidade fictícia à AR de Geoff Ryman?

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«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges