Fábula


O LEÃO E O POÇO
Era uma vez um leão que caiu num poço com dois metros de profundidade. Todos os animais das redondezas, a começar nas águias (essas rapinas que gostam de abrir as asas com espalhafato, mesmo quando voam baixinho) e a acabar nos dragões (esses bichos imaginários com menos fogo nas goelas do que pensam), toda a fauna se debruçou na beira do poço e fez pouco do leão ferido, lá em baixo, aparentemente conformado com a sua má sorte e morte certa.
Foi então, quando as águias regressaram ao ninho (descobrindo que alguém lhe roubara os ovos) e os dragões preparavam o espeto para uns bichinhos setentrionais muito tenrinhos, que se ouviu um rugido tão poderoso que fez estremecer os alicerces do Palácio da Má Vontade, erguido no topo do Monte da Comunicação Social. Agarrando-se ao balde do poço e fincando as patas nas paredes, o leão ergueu-se num salto de três metros e saiu cá para fora, como que renascido.
Nos espaços em volta, fez-se silêncio. O silêncio do respeito e do medo.
Para os sportinguistas que ficaram desolados (como eu fiquei) com a derrota de ontem em Paços de Ferreira, deixo duas palavras:
Suíça-Espanha
Tudo está bem quando acaba bem
Os espanhóis festejam que nem loucos porque ganharam merecidamente o Mundial: são a melhor equipa, com os melhores jogadores e o melhor estilo de jogo (e também, há que dizê-lo, os mais protegidos ou beneficiados pelas arbitragens). Os portugueses não festejaram que nem loucos porque têm Carlos Queirós e aquela incapacidade de levar os sonhos até às últimas consequências, uma espécie de inibição diante da grandeza.
De qualquer modo, as coisas até podiam ter corrido muito pior. Perdemos nos oitavos, sim, mas com os futuros campeões, que ainda por cima só nos vergaram com um golo em fora-de-jogo. Ou seja, vitória real, a deles; vitória moral, a nossa. O costume.
Fora isto, parabéns ao uruguaio Forlán (melhor jogador do campeonato), a Casillas (o guarda-redes que salvou a Espanha na final e ainda beijou a namorada/jornalista como se estivesse no epílogo de uma comédia romântica) e ao polvo Paul, claro, que percebe mais de futebol do que a maioria dos comentadores encartados (há mesmo quem diga que substituirá, em breve, Rui Santos na SIC).
O polvo é quem mais ordena
Prognóstico para logo à noite
Depois do outro Jesus ter ressuscitado Lázaro, vai ser a vez deste Jesus ressuscitar o Sporting.


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