Ainda sobre leitura e futebol

Depois do que se passou com o livro de Dubravka Ugrešić, receio que por estar a ler Ferrugem Americana, de Philipp Meyer, o Domingos Paciência se lembre de convocar Oguchi Onyewu para Paços de Ferreira.

O futebol que se lê

É uma revista. É sobre futebol. É um penalty marcado com calma olímpica. No seu manifesto em onze pontos, proclama-se: «“Panenka” es el póster que vigiló nuestra infancia desde la pared. El futbolista que queríamos ser en el patio. El gol que metíamos en sueños. “Panenka” es una utopía que nos devuelve al espejismo del fútbol puro.» Para descobrir aqui.

Rayuela F. C.

Começa hoje, ao fim da tarde, a Liga dos Campeões da UEFA, temporada 2010-2011. Desta vez, embora o Sporting não participe na prova (hélas, hélas), estarei especialmente atento aos resultados porque montei uma equipa virtual para competir na UEFA Champions League Fantasy Football e na Liga Booktailors – Futebol Fantástico.
O nome da equipa é Rayuela F. C. e espero que a sua numerosa claque de cronópios se faça ouvir, cantando, nas bancadas por essa Europa fora. Equipamento: calções brancos e camisola verde escura com mangas de um verde claro.
Na primeira jornada, a equipa vai jogar em 4-4-2.
Baliza: Felipe (Sporting de Braga)
Defesa: Maicon (Inter de Milão); Rio Ferdinand (Manchester United); Ricardo Carvalho (Real Madrid); Krstajic (Partizan de Belgrado)
Meio-campo: Xavi Hernández (Barcelona); Wesley (Werder Bremen); Nani (Manchester United); Valbuena (Marselha)
Avançados: Cristiano Ronaldo (Real Madrid); Huntelaar (Shalke 04)
Suplentes: Lloris (guarda-redes, Olympique de Lyon); Pjanic (O. Lyon); Hugo Almeida (Werder Bremen) e Cicinho (Roma)

Noruega-Portugal

askildsen

Fábula

O LEÃO E O POÇO

Era uma vez um leão que caiu num poço com dois metros de profundidade. Todos os animais das redondezas, a começar nas águias (essas rapinas que gostam de abrir as asas com espalhafato, mesmo quando voam baixinho) e a acabar nos dragões (esses bichos imaginários com menos fogo nas goelas do que pensam), toda a fauna se debruçou na beira do poço e fez pouco do leão ferido, lá em baixo, aparentemente conformado com a sua má sorte e morte certa.
Foi então, quando as águias regressaram ao ninho (descobrindo que alguém lhe roubara os ovos) e os dragões preparavam o espeto para uns bichinhos setentrionais muito tenrinhos, que se ouviu um rugido tão poderoso que fez estremecer os alicerces do Palácio da Má Vontade, erguido no topo do Monte da Comunicação Social. Agarrando-se ao balde do poço e fincando as patas nas paredes, o leão ergueu-se num salto de três metros e saiu cá para fora, como que renascido.
Nos espaços em volta, fez-se silêncio. O silêncio do respeito e do medo.

Para os sportinguistas que ficaram desolados (como eu fiquei) com a derrota de ontem em Paços de Ferreira, deixo duas palavras:

Suíça-Espanha

Tudo está bem quando acaba bem

Os espanhóis festejam que nem loucos porque ganharam merecidamente o Mundial: são a melhor equipa, com os melhores jogadores e o melhor estilo de jogo (e também, há que dizê-lo, os mais protegidos ou beneficiados pelas arbitragens). Os portugueses não festejaram que nem loucos porque têm Carlos Queirós e aquela incapacidade de levar os sonhos até às últimas consequências, uma espécie de inibição diante da grandeza.
De qualquer modo, as coisas até podiam ter corrido muito pior. Perdemos nos oitavos, sim, mas com os futuros campeões, que ainda por cima só nos vergaram com um golo em fora-de-jogo. Ou seja, vitória real, a deles; vitória moral, a nossa. O costume.
Fora isto, parabéns ao uruguaio Forlán (melhor jogador do campeonato), a Casillas (o guarda-redes que salvou a Espanha na final e ainda beijou a namorada/jornalista como se estivesse no epílogo de uma comédia romântica) e ao polvo Paul, claro, que percebe mais de futebol do que a maioria dos comentadores encartados (há mesmo quem diga que substituirá, em breve, Rui Santos na SIC).

O polvo é quem mais ordena

Prognóstico para logo à noite

Depois do outro Jesus ter ressuscitado Lázaro, vai ser a vez deste Jesus ressuscitar o Sporting.

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges