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Revista ‘Ler’, n.º 94

Amanhã nas bancas.

O que aí vem (Antígona)

Dois ensaios: em Outubro, Marx e Keynes – Os Limites da Economia Mista, de Paul Mattick (tradução de Luís Leitão; posfácio de Jorge Valadas); em Novembro, Classe, de Andrea Cavalletti (trad. de António Guerreiro).

‘Shortlist’ do Prémio PT de Literatura 2010

Já foram anunciados os dez finalistas da edição deste ano do Prémio Portugal Telecom de Literatura em Língua Portuguesa:

- Caim, de José Saramago (Companhia das Letras)
- Avó dezanove e o segredo do soviético, Ondjaki (Companhia das Letras)
- Outra Vida, de Rodrigo Lacerda (Alfaguara)
- Monodrama, de Carlito Azevedo (7Letras)
- Leite Derramado, de Chico Buarque (Companhia das Letras)
- O Filho da Mãe, de Bernardo Carvalho (Companhia das Letras)
- Pornopopéia, de Reinaldo Moares (Objetiva)
- Lar, de Armando Freitas Filho (Companhia das Letras)
- A Passagem Tensa dos Corpos, de Carlos Brito de Mello (Companhia das Letras)
- Olhos Secos, de Bernardo Ajzenberg (Rocco).

Entre os excluídos ficaram Rubem Fonseca (O Seminarista), João Ubaldo Ribeiro (O Albatroz Azul), Milton Hatoum (A cidade ilhada), António Lobo Antunes (que tinha duas obras na longlist: O meu nome é legião e Que cavalos são aqueles que fazem sombra no mar?), Mário Cláudio (Boa Noite, Senhor Soares), Mia Couto ( Antes de nascer o mundo, título brasileiro de Jesusalém) e José Eduardo Agualusa (Barroco Tropical).
Os três vencedores serão anunciados a 8 de Novembro.

[via Ciberescritas]

O que aí vem (Assírio & Alvim)

Até ao final do ano, surgirão os seguintes livros de poesia: Anthero, areia & água, de Armando Silva Carvalho; Se as coisas não fossem o que são, de Helder Moura Pereira; Apanhar ar, de Adília Lopes (com desenhos juvenis); Uma antologia de poesia chinesa, organizada por Gil de Carvalho (edição bilingue, 440 páginas); Corpo mortal e outros poemas inéditos, de Fiama Hasse Pais Brandão; As magias – Alguns exemplos – poemas mudados para português, de Herberto Helder (colecção Gato Maltês); O bebedor nocturno – poemas mudados para português, de Herberto Helder (colecção Gato Maltês); Papéis Surrealistas – Surrealist Papers, de Mário Cesariny; Um arco singular – Livro de horas – II volume, de Maria Gabriela Llansol; Poesia – uma antologia de Il Canzoniere, de Umberto Saba (selecção, tradução, introdução e notas de José Manuel de Vasconcelos).

Sobre a perda de influência do intelectual francês

Um velho tema, retomado aqui e aqui.

Capa do novo romance de José Luís Peixoto

Em primeira mão, eis a capa de Livro (Quetzal), o quarto romance de José Luís Peixoto, com data de chegada às livrarias prevista para 24 de Setembro:

livro

O que aí vem (ASA)

O Fim de Semana, de Bernhard Schlink; O Rapaz de Olhos Azuis, de Joanne Harris; Sono Crepuscular, de Edith Warton; Clara – A Menina que Sobreviveu ao Holocausto, de Clara Kramer.

No Brasil, em Setembro

Um livro de capa azul.

Amanhã, na secção de Livros do ‘Actual’

- Renascer – Apontamentos e Diários 1947-1963, de Susan Sontag (Quetzal), por António Guerreiro
- A Inquisição – O Reino do Medo, de Toby Green (Presença), por Luís M. Faria
- O Hipnotista, de Lars Kepler (Porto Editora), por Paulo Nogueira
- Incêndio no Chiado, de François Vallejo (Quetzal), por José Guardado Moreira
- Poema Sujo, de Ferreira Gullar (Ulisseia), por José Mário Silva
- Breve História da Humanidade, de Cyril Aydon (Gradiva), por Vergílio Azevedo
- Obras de Bernardim Ribeiro, com organização, introdução e notas de Helder Macedo e Maurício Matos (Presença), por Álvaro Manuel Machado

Fábula

O LEÃO E O POÇO

Era uma vez um leão que caiu num poço com dois metros de profundidade. Todos os animais das redondezas, a começar nas águias (essas rapinas que gostam de abrir as asas com espalhafato, mesmo quando voam baixinho) e a acabar nos dragões (esses bichos imaginários com menos fogo nas goelas do que pensam), toda a fauna se debruçou na beira do poço e fez pouco do leão ferido, lá em baixo, aparentemente conformado com a sua má sorte e morte certa.
Foi então, quando as águias regressaram ao ninho (descobrindo que alguém lhe roubara os ovos) e os dragões preparavam o espeto para uns bichinhos setentrionais muito tenrinhos, que se ouviu um rugido tão poderoso que fez estremecer os alicerces do Palácio da Má Vontade, erguido no topo do Monte da Comunicação Social. Agarrando-se ao balde do poço e fincando as patas nas paredes, o leão ergueu-se num salto de três metros e saiu cá para fora, como que renascido.
Nos espaços em volta, fez-se silêncio. O silêncio do respeito e do medo.

O que aí vem (Ahab)

O Filho de Jesus, de Denis Johnson (tradução de João Tordo); O quinto em discórdia, de Robertson Davies (trad. de Maria João Freire de Andrade); A Primavera há-de chegar, Bandini, de John Fante (trad. de Rui Pires Cabral). Os três livros sairão na segunda quinzena de Outubro.

‘It’s a Book’

Um livro de Lane Smith. A editora (MacMillan) chama-lhe «a delightful manifesto on behalf of print in the digital age» e criou mesmo o primeiro Unplug Day. Será na próxima terça-feira, 31 de Agosto:

UnplugDay
Clique na imagem para aumentar

[via Cadeirão Voltaire e Book Patrol]

Notícias do Sitemeter

Eu sei que este post vai irritar muito o maradona, mas paciência. Não podia deixar de assinalar o facto de a última semana ter sido aquela em que o Bibliotecário de Babel foi mais visitado desde a sua criação, em Dezembro de 2007. No total, mais de 10 mil visitas únicas (quase 1500 por dia) e mais de 20 mil pageviews (cerca de 3000 por dia). A todos, obrigado.

Maravilhas da paternidade

Alice: «As lagartas são as crianças das borboletas, não é? (Pausa) Então as borboletas são os adultos das lagartas, não é?»

A sobrancelha judaico-cristã

Pedro Mexia no seu melhor:

«Ele discorre sobre Bataille e o “caos do desejo” que afronta os nossos inaceitáveis “tabus e preconceitos” incutidos pela arcaica cultura “judaico-cristã”. Está embalado nisto, quando entra no escritório a filha dele, tem talvez catorze anos, e umas pernas altíssimas e moreníssimas. Não consigo evitar uma olhadela. O fã de Bataille franze logo a sobrancelha judaico-cristã.»

Banda sonora desta semana

Arcade-Fire-The-Suburbs

O terceiro álbum destes tipos magníficos.

Hype, modo de usar

O novo romance de Jonathan Franzen (Freedom) está cada vez mais transformado na grande notícia da rentrée literária global. Depois da capa da Time (onde o apelidam de «great american novelist»), houve a notícia de que Obama teria escolhido o livro para as suas leituras de férias em Martha’s Vineyard e começaram a sair críticas ditirâmbicas dos dois lados do Atlântico (o The New York Times diz que estamos perante uma «obra-prima da ficção americana»; um crítico do The Guardian garante que é «o romance do século»).
Se isto não é hype, o que é hype?

Quem é Tao Lin?

Há quem lhe chame a «next big thing» da literatura urbana que nasce, cresce e é divulgada via Internet. Outros falam em «realismo GMail». Uma coisa é certa: Tao Lin sabe levar a água ao seu moinho (mesmo que seja tudo digital: a água e o moinho). O seu segundo romance, que tem como título o nome de um grande escritor norte-americano do séc. XX (Richard Yates), será lançado no início de Setembro.

A solidão do poder como um levantamento


Carlos V na Batalha de Mühlenberg, de Tiziano (1548)

Todos os websites de escritores são iguais

Ou não.

[via Paper Cuts]

Boca de alegria

edith
Edith Schiele sentada, de Egon Schiele (1915)

O VESTIDO DE EDITH

Um vestido de riscas usa Edith Schiele
as riscas vestem Edith Schiele de uma alegria
de que parece ausente o corpo – dos pés

ao pescoço –
mas estão pintalgados de encarnado a boca
(nela aflora um sorriso paciente,
ligeiramente vítreo) e o rosto

o cabelo, puxado para o alto, alonga-lhe a figura,
mas são inquietas as irrequietas curvas das riscas encarnadas
que se espalham em fusiforme flor

de pétala. A boca de Edith Schiele é de alegria
mas os olhos não

[in Lugares, 3, de Maria Andresen, Relógio d'Água, 2010]

O que aí vem (Planeta)

Em Setembro: Marina, de Carlos Ruiz Zafón (o livro que precedeu A Sombra do Vento); Múltipla Escolha, de Lya Luft (ensaio); Aurora Boreal, de Asa Larsson (mais um policial sueco a beneficiar da loucura mundial por outro Larsson, o Stieg, embora o sucesso da autora tenha começado em casa, na Suécia, onde este romance de estreia vendeu mais de um milhão de exemplares); Anjo Caído, de Lauren Kate (fantasia tipo Crepúsculo); Julieta, de Anne Fortier.

Agora as editoras também podem ter os seus miradouros

«As doações gratuitas de livros por editoras e livrarias a instituições de solidariedade social ou de carácter cultural, como as ONG, passa a estar isenta de pagamento do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA).
De acordo com o decreto publicado esta segunda-feira em Diário da República, a lei estende “o âmbito da não tributação em sede de IVA das transmissões de livros a título gratuito.”»

‘Geração A’ (de Abelhas ausentes)

Eis a sinopse do último romance de Douglas Coupland, publicado há poucas semanas pela Teorema:

«Geração A passa-se no futuro próximo, num mundo em que as abelhas estão extintas, até que cinco pessoas, sem qualquer relação entre elas e de vários países do mundo – Estados Unidos, Canadá, França, Nova Zelândia e Sri Lanka – são todas picadas por abelhas. A sua experiência compartilhada vai uni-las de formas que elas nunca teriam podido imaginar.»

Pelos vistos, o futuro próximo sem abelhas pode deixar de ser um cenário de ficção. O que não deixa de ser muito triste e um bocado assustador.

Geografia

No miradouro, esta manhã, houve quem viesse do Porto, houve quem viesse de Aveiro, houve quem viesse de Leiria, houve quem viesse do Carregado. E houve muitos lisboetas, claro.

Primeiras imagens

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Agradecimento

Aos amigos, pela ajuda no transporte dos livros. À Margarida, pela paciência. Às muitas dezenas de leitores que apareceram no miradouro, pela participação e pelo civismo.

Efeitos colaterais do altruísmo

Dores nos braços, espirros, uma satisfação danada.

‘O último a chegar é um ovo podre’

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A Grande Oferta de Livros do BdB chegou ao jornal i.

Amanhã, na secção de Livros do ‘Actual’

- Papéis Inesperados, de Julio Cortázar (Cavalo de Ferro), por Ana Cristina Leonardo
- Cem Poemas, de Emily Dickinson (Relógio d’Água), por Manuel de Freitas
- Lugares, 3, de Maria Andresen (Relógio d’Água), por José Mário Silva
- O Verdadeiro Dr. Fausto, de Michael Swanwick (Saída de Emergência), por José Guardado Moreira
- George Steiner em ‘The New Yorker’, de George Steiner (Gradiva), por Paulo Nogueira
- Histórias de Amor e Obsessão, de António Afonso (Edição de Autor), por António Guerreiro
- Pensageiro Frequente, de Mia Couto (Caminho), por António Loja Neves
- Caminho Português de Santiago, de Carlos Carneiro e Jorge Vassallo (Livros d’Hoje), por Rui Cardoso
- Diário de um Homem Supérfluo, de Ivan Turgéniev (Estrofe & Versos), por Luís M. Faria

Grande Oferta de Livros do Bibliotecário de Babel (road book)

Para os candidatos à Grande Oferta de Livros do Bibliotecário de Babel, eis um breve road book para chegar ao miradouro do Monte Agudo. Quem vier de carro, pode estacionar no parque em espinha diante da escola Luísa de Gusmão (R. da Penha de França) ou na Praça António Sardinha. Quem vier de metro, deve sair na estação Anjos, sair em direcção à Rua de Angola/R. Febo Moniz, subir a R. de Angola, virar à direita para a R. Forno do Tijolo, virar à esquerda na R. Heliodoro Salgado e seguir até ao topo (aviso que é uma caminhada razoável).
No cimo da Heliodoro Salgado

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verá, do lado esquerdo, este cartaz:

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Só tem de entrar pelo portão de ferro que se vê na primeira foto,

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seguir o caminho de paralelipípedos,

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e já está:

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Eis a vista:

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E eis o simpático quiosque:

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Eu estarei com a livralhada junto da pérgula,

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à vossa espera.
Até amanhã.

Desejo

Gostava mesmo que a Grande Oferta de Livros do BdB fosse um êxito. Era óptimo que amanhã de manhã estivessem 20 ou 30 pessoas no miradouro, a escolher livros e a falar umas com as outras (trocando ideias, talvez até iniciando improváveis amizades).
Depois das populares e mediáticas flash mobs, eis a oportunidade de criar um novo conceito: as literary mobs.

Actualização – Hoje em dia, é difícil inventar uma coisa que já não esteja inventada. Estava eu para aqui a pensar que a ideia de uma literary mob era muito original quando o Google, filtrando a informação do mundo inteiro, me indica que uns italianos se anteciparam quatro meses. A 23 de Abril deste ano, em Salerno, celebrando o Dia Mundial do Livro, uma associação cultural (iter.artis) organizou aquilo a que chama «a primeira Literary Mob», durante a qual um conjunto de leitores se passeou pela rua, lendo passagens do livro preferido. As fotos podem ser vistas no Flickr.

E agora para algo completamente diferente

Esqueçam Lady Gaga, esqueçam Christina Aguilera, esqueçam Madonna. Abram alas para Rachel Bloom e para a canção mais sexy de 2010. Um pequeno tratado sobre o poder erótico da literatura e o appeal de um mestre da FC:

Entretanto, como se depreende destes comentários, o escritor não ficou nada ofendido (nem morreu de ataque cardíaco). Antes pelo contrário. Terá mesmo «enjoyed» o vídeo de Bloom, que à sua maneira não deixa de ser uma prenda de anos antecipada. É que o autor de Fahreneit 451 cumpre 90 anos depois de amanhã.

[Descobri o vídeo no blogue BiblioFimes]

Grande Oferta de Livros do Bibliotecário de Babel (é já no sábado)

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Eles vão ficando empilhados na marquise, à espera dos seus futuros donos. Por favor, caros leitores do BdB, não os desiludam. Tragam cestas de verga, alguidares de plástico, carrinhos de mão, sacos do Pingo Doce, o que vos der mais jeito. Mas venham.
O modus operandi da coisa está explicado neste post.

Ainda outro poema de Billy Collins

Litany, dito por um rapazito de três anos que «gosta de poesia e de a memorizar».

LITANY

You are the bread and the knife,
the crystal goblet and the wine.
You are the dew on the morning grass
and the burning wheel of the sun.
You are the white apron of the baker,
and the marsh birds suddenly in flight.

However, you are not the wind in the orchard,
the plums on the counter,
or the house of cards.
And you are certainly not the pine-scented air.
There is just no way that you are the pine-scented air.

It is possible that you are the fish under the bridge,
maybe even the pigeon on the general’s head,
but you are not even close
to being the field of cornflowers at dusk.

And a quick look in the mirror will show
that you are neither the boots in the corner
nor the boat asleep in its boathouse.

It might interest you to know,
speaking of the plentiful imagery of the world,
that I am the sound of rain on the roof.

I also happen to be the shooting star,
the evening paper blowing down an alley
and the basket of chestnuts on the kitchen table.

I am also the moon in the trees
and the blind woman’s tea cup.
But don’t worry, I’m not the bread and the knife.
You are still the bread and the knife.
You will always be the bread and the knife,
not to mention the crystal goblet and – somehow – the wine.

Grande Oferta de Livros do Bibliotecário de Babel

Por razões que não são difíceis de compreender, vou ter de abdicar (não sem um aperto no peito) de umas boas centenas de livros da minha biblioteca. O espaço da casa é finito, as paredes a que é possível encostar estantes são cada vez menos, etc. Ou seja, para que novos livros entrem (e eles não páram de chegar), outros terão de receber guia de marcha. Na maioria livros bons, que eu já li ou gostava de ler um dia, mas que na verdade sei que nunca serão lidos ou relidos. Já para não falar nas duplicações, efeito secundário da conjugalidade.
Pois bem, antes de remeter esta livralhada toda para os lugares óbvios (bibliotecas e associações culturais), lembrei-me de recompensar os meus queridos leitores pela paciência e persistência com que visitam este blogue (ultrapassar as 1000 visitas por dia, a meio de Agosto, é algo com que me regozijo, mas sobretudo é algo com que me espanto). Cabe-vos então fazer a primeira escolha, se para aí estiverem virados.
A coisa funcionará nestes moldes:

Lugar: Miradouro do Monte Agudo, no bairro da Penha de França, entrada pela R. Heliodoro Salgado (Lisboa). Ver no Google Maps, aqui.
Dia: Sábado, dia 21 de Agosto
Horário: 10h00-12h30

Ou seja, a partir das dez da manhã montarei uma banquinha junto ao novíssimo e simpatiquíssimo quiosque do miradouro (servem acepipes indianos, sumo de morango feito na hora, entre outras coisas), diante de uma magnífica vista de Lisboa, Tejo e tudo. Quem vier pode escolher à vontade e levar o que lhe apetecer, sem pagar um cêntimo. Entre os livros oferecidos não haverá novidades editoriais, como é evidente, mas também nada de refugo (pelo contrário).
Se quiserem, os leitores do Bibliotecário de Babel podem ainda aproveitar para conhecer pessoalmente o Bibliotecário de Babel, mas não esperem grande coisa do dito senhor (é só um tipo normal que gosta de livros).
Vá lá, não sejam tímidos. E aproveitem. Eu, no vosso lugar e com mais espaço livre em casa do que tenho, aproveitava.
Até sábado.

O desconforto de Franzen

Num momento em que é falado em todos os cantos da blogosfera literária mundial, por ter aparecido na capa da edição desta semana da revista Time, Jonathan Franzen não esconde o desconforto perante tamanha exposição mediática (um desconforto assinalado logo no perfil de Lev Grossman na Time). Mas pior do que falar para um jornalista deve ser falar para uma câmara, como se depreende deste curtíssimo vídeo em que explica os aspectos essenciais de Freedom, o romance que vai lançar no fim do mês:

O início do seu depoimento é quase um manifesto:

«This might be a good place to voice my profound discomfort at having to make videos like this since, to me, the point of the novel is to take you to a still place. You can multitask with a lot of things, but you can’t really multitask reading a book.»

Dois poemas de Ruy Belo

ORLA MARÍTIMA

O tempo das suaves raparigas
é junto ao mar ao longo da avenida
ao sol dos solitários dias de dezembro
Tudo ali pára como nas fotografias
É a tarde de agosto o rio a música o teu rosto
alegre e jovem hoje ainda quando tudo ia mudar
És tu surges de branco pela rua antigamente
noite iluminada noite de nuvens ó melhor mulher
(E nos alpes o cansado humanista canta alegremente)
«Mudança possui tudo»? Nada muda
nem sequer o cultor dos sistemáticos cuidados
levanta a dobra da tragédia nestas brancas horas
Deus anda à beira de água calça arregaçada
como um homem se deita como um homem se levanta
Somos crianças feitas para grandes férias
pássaros pedradas de calor
atiradas ao frio em redor
pássaros compêndios da vida
e morte resumida agasalhada em asas
Ali fica o retrato destes dias
gestos e pensamentos tudo fixo
Manhã dos outros não nossa manhã
pagão solar de uma alegria calma
De terra vem a água e da água a alma
o tempo é a maré que leva e traz
o mar às praias onde eternamente somos
Sabemos agora em que medida merecemos a vida

***

DECLARAÇÃO DE AMOR A UMA ROMANA DO SÉCULO SEGUNDO

Um dia passarão pelos meus versos
como eu agora passo por diante destas esculturas
que não merecem mais que um apressado olhar
Mas na tua presença eu tenho de parar
dama desconhecida com certeza mais viva mais aqui
que no segundo século em roma onde viveste
Moldaram-te esse rosto abriram-te esse olhar
decerto expressamente para que uns dezoito séculos mais tarde
te pudesse encontrar quem mais que tu morreu
mas te ama ó mulher perdidamente
Não mais te esquecerei hei-de sonhar contigo
sei que te conquistei e libertei
de qualquer compromisso que tivesses
Ninguém sabe quem eras nem eu próprio
não tens sequer um nome uns apelidos
nada se sabe acerca do teu estado civil
Sei mais que tudo isso porque sei
que atravessaste séculos na forma de escultura
só para um dia nós nos encontrarmos
Tenho mulher e filhos sou de longe
a lei é rígida e severa a sociedade
Não te importes mulher deixa-te estar
não penses não te mexas podes estar certa
de que me deste mais do que tudo o demais que me pudesses dar
pois para ser diferente de quem era
bastou-me ver teu rosto e mais que ver olhar

[in O Tempo das Suaves Raparigas E Outros Poemas de Amor, Assírio & Alvim, 2010]

Da vantagem de ir escrever para a biblioteca

«The date mutterer and the throat clearer and the woman who wears black cardigans (she must have twenty!) and the young man with a spectacularly loud space bar, they are doing me a service. I am grateful to them. God knows what they’re working on, but I see them, and I know they see me. Being seen keeps me sane.
And maybe others feel the same. I’ve just watched a woman come in and sit down in the seat next to the older gentleman who so often works in my current library, the man with the portable word processor, an unusually upright bearing, and wide eyes. He is away from his seat and she has taken one of his books and is browsing through it. Could she know him? I’m hungry and would like to leave for lunch, but I feel I must wait to see this played out. If he doesn’t know her, what will he say? Will he ask for his book back?
He returns and they smile at each other. He says, “Why, where have you been?”
To me, that is worth not having a special pencil cup on my own desk at home.»

O artigo completo de Jessica Francis Kane pode ser lido aqui.

O que aí vem (Teorema)

Quartos Imperiais

São livros para Setembro: Quartos Imperiais, de Bret Easton Ellis (regresso, 25 anos depois, às personagens de Menos que Zero); Attachment – Em Anexo, de Isabel Fonseca (estreia na ficção da mulher de Martin Amis, autora do ensaio Enterrem-me de Pé); Desespero, de Vladimir Nabokov (romance escrito em russo nos anos 30 e reescrito na década de 50); Onde Três Estradas se Encontram, de Salley Vickers (uma revisitação do mito de Édipo, com o foco em Freud).

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«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges