O que aí vem (Temas e Debates)
Que Seja Nosso o Teu Poder, de Leymah Gbowee (com a colaboração de Carol Mithers); Índia – Uma Biografia Íntima, de Patrick French.
Tabucchi na Biblioteca Nacional
‘O que é ler?’ (segunda parte)
Mais oito depoimentos recolhidos pela equipa da revista Ler nas Correntes d’Escritas: Valeria Luiselli, Pedro Vieira, Valter Hugo Mãe, Afonso Cruz, João Pedro Marques, Cristina Norton, Manuel Moya e Sofia Marrecas Ferreira.
Amanhã, na secção de Livros do ‘Actual’
- Persépolis, de Marjane Satrapi (Contraponto), por José Mário Silva
- Autobiografia, de G. K. Chesterton (Diel), por Pedro Mexia
- A Mulher que Tentou Matar o Bebé da Vizinha, de Liudmilla Petruchévskaia (Relógio d’Água), por Luís M. Faria
- A Dividadura, de Francisco Louçã e Mariana Mortágua (Bertrand) e O Poder das Agências, de Diogo Feio e Beatriz Soares Carneiro (Matéria Prima), por Filipe Santos Costa
- A Crise da Esquerda Europeia, de Alfredo Barroso (Dom Quixote), por Luísa Meireles
- O Passado, Modos de Usar, de Enzo Traverso (Unipop), por António Guerreiro
- Todas as Cores do Vento, de Miguel Miranda (Porto Editora), por Manuela Cipriano
- Escolhas de Joel Neto
Ressaca
Uma pessoa emerge da gripe, a custo. As roldanas e manivelas da escrita, essas, levam mais tempo a funcionar como de costume.
Revista ‘Ler’, n.º 112
Já nas bancas.
Boletim clínico
Não há maior inimigo da escrita do que a gripe.
Amanhã, na secção de Livros do ‘Actual’
- Obituário de Antonio Tabucchi por António Guerreiro
- O Teu Rosto Será o Último, de João Ricardo Pedro (LeYa), por José Mário Silva
- O Doutor Glas, de Hjalmar Söderberg (Relógio d’Água), por Ana Cristina Leonardo
- Mães e Filhos, de Colm Tóibín (Bertrand), por Carlos Bessa
- Nos Sonhos Começam as Responsabilidades, de Delmore Schwartz (Guerra & Paz), por Pedro Mexia
- Escolhas de Fernando Pinto do Amaral
Quatro poemas de Paulo Tavares
Em berlim, o inverno dura sete
ou oito meses, e dizes que a cidade,
ainda um pouco provinciana nos
seus tiques bipolares, vive e brilha
para os meses de verão. no centro,
os corvos propagam-se em redor
da catedral – e por esta altura,
na cidade materna, são os pombos
e alguns melros que se aglomeram
nas praças e nos jardins quase desertos,
como uma praga de pássaros um pouco
mais silenciosos. dizes que é impossível
um bater de asas no exílio, ou tirar
uma fotografia sorridente junto ao muro
de berlim. e no entanto, vendo-as
mais de perto, com a democrática
garantia de que nenhum monumento
se abate duas vezes sobre um corpo,
todas as caras sorriem para a objectiva.
***
Não é, na verdade, azul
este lamacento danúbio,
mas olhando-o da ponte,
depois do mercado central,
é possível ver afundada
a narrativa que nos precede:
os tanques capotados ao longo
de estradas sem rumo, a ascensão
dos movimentos estéticos,
os campos silvestres e os campos
de morte. e empilhada sobre
tantas outras, uma porta ao canto:
símbolo sem transposição.
***
No tuschinski, a árvore
da vida e o riso adolescente
de duas recém-ganzadas.
é inevitavelmente dupla
a perspectiva que encontra,
com subtis forças de atrito,
a origem da matéria finita:
alguém que se perde, um olhar
que arrefece, e a densidade
do real como uma dor crónica
no momento exacto da revelação.
***
No restaurante italiano
da greek street, soho londrino,
as bocas trituravam lentamente
a comida em intervalos cíclicos
de nostalgia: falavam de regimes,
métodos e soluções – e vindo
cobertas por uma fina camada
de novos polímeros, as ruas,
frias e seculares, desembocavam
ao redor das mesas, servindo
os referenciais do esquecimento
que crescem nos poros
das grandes estruturas vivas.
[in Capitais, edição do autor, 2012]
O que aí vem (Presença)
A Batalha do Apocalipse, de Eduardo Spohr; Rumo à Liberdade, de Slavomir Rawicz; Viver Sem Chefe, de Sergio Fernández; O Último Templário, de Raymond Khoury; O Que é a Economia?, de Liviana Poropat.
Hoje, na secção de Livros do ‘Actual’
- Entrevista com João Ricardo Pedro, autor de O Teu Rosto Será o Último (LeYa), por José Mário Silva
- O Nascimento de Vénus e a Primavera de Sandro Botticelli, de Aby Warburg; Imagens Apesar de Tudo, de Georges Didi-Huberman; e O Efeito Pigmaleão, de Victor Stoichita (KKYM), por António Guerreiro
- Um Longo Caminho para a Liberdade, de Nelson Mandela (Planeta), por Cristina Peres
- Governo de Pimenta de Castro – Um General no Labirinto da I República, de Bruno J. Navarro (Assembleia da República), por Hélder C. Martins
- Gare do Oriente, de Vasco Luís Curado (Dom Quixote), por Pedro Mexia
- Às Vezes o Amor Não Chega, de Sofia Marrecas Ferreira (Porto Editora), por Luísa Mellid-Franco
- Escolhas de Jaime Rocha
‘O que é ler?’ (oito respostas)
A celebrar o seu 25.º aniversário, a revista Ler pediu a vários autores convidados da última edição das Correntes de Escritas que definissem o acto da leitura. Eis o que responderam Pedro Rosa Mendes, Maria do Rosário Pedreira, Luis Sepúlveda, Sandro William Junqueira, Ana Luísa Amaral, Jaime Rocha, João Luís Barreto Guimarães e Manuel António Pina:
Em breve juntar-se-ão a estes outros depoimentos recolhidos na mesma altura.
As canas
CANTO DÉCIMO TERCEIRO
De criança sempre gostei de canas
e roubava-as do rio
ainda verdes.
Deixava-as depois estendidas ao sol durante todo o verão
e recolhia-as, ligeiras,
como o sussurro dos mosquitos.
Quando no inverno
os ossos estalavam de frio
e os gatos tossiam sobre o damasqueiro
corria até ao sótão
e metia as mãos no meio das canas quentes
ainda com todo aquele sol em cima.
[in O Mel, de Tonino Guerra, trad. de Mário Rui de Oliveira, Assírio & Alvim, 2004]
LeV suspenso
(Seria uma pena que o esforço imenso que Francisco Guedes tem despendido para manter um encontro literário de grande qualidade em Matosinhos ficasse agora comprometido, até porque o cancelamento desta edição torna automaticamente mais difícil a realização do LeV do próximo ano.)
A cerejeira em flor
«O camponês afeiçoou-se a uma cerejeira desde que sua mulher faleceu. Todas as manhãs a visitava, afagando seu tronco. No mês em que o camponês esteve de cama, com bronquite, também a cerejeira adoeceu. Depois levantou-se e voltou a acariciá-la e a falar-lhe e, rapidamente, a cerejeira de mil folhas enfeitou seus ramos.
Um dia, no mercado, ao comprar uma foice, o camponês sentiu um irresistível desejo de regressar aos seus campos. Parecia-lhe que a cerejeira precisava de si. Encontrou-a toda florida, sorrindo para ele.
Sentou-se, então, sob a árvore, com as costas apoiadas no tronco e, de improviso, sobre o corpo do camponês, choveram todas as pétalas da cerejeira em flor.»
[in Histórias para uma Noite de Calmaria, de Tonino Guerra, trad. de Mário Rui de Oliveira, Assírio & Alvim, 2002]
Tonino Guerra (1920-2012)

Morreu um poeta. Um poeta imenso. Sei que também foi um extraordinário argumentista, mas para mim ele será sempre o Tonino de Histórias para uma Noite de Calmaria, O Mel e O Livro das Igrejas Abandonadas. Pelo mundo inteiro, acredito que «choveram todas as pétalas» das cerejeiras em flor.
The First World War Poetry Digital Archive
É um manancial, aqui.
Quatro poemas de Inês Lourenço
ARTE POÉTICA I
Do texto não as pinças mas o lábio
da trama não o fio mas o hausto
do rosto não o facto mas o feixe
do timbre não o fundo mas a fenda
da venda não a fresta
mais que o laço.
***
ÁRIA
É belo o tempo de Inverno,
no silêncio, a lenha húmida
das maternas canções da chuva.
Na lentidão de Janeiro
fica mais longe a morte. As aves
habitam nos beirais
como príncipes destronados.
***
PENHORES
Aros esmaecidos, os anéis repousam
em brilhos desertos. Quantas
histórias banais, com o letreiro de
ouro usado. Nessa dúbia cor, uma
nobre tristeza resgata
os formatos vulgares e desenha
velhas parábolas
de purgatório e redenção.
***
SESSÃO LITERÁRIA
Falam de perfeição. De perseguir
ao menos em verso, esse vórtice de luzes
e excelsa beleza ou
beatitude que logrará
a canónica obra. Velho
enredo já sem graça divina
nem humana.
Melhor falassem
das batatas novas, que
costumam aparecer
antes da Páscoa.
[in Câmara Escura - Uma Antologia, com selecção de Manuel de Freitas, Língua Morta, 2012]
Feira Internacional do Livro Infantil de Bolonha
Até dia 22. A participação de Portugal (país-tema este ano) pode ser acompanhada aqui.
De volta
O Festival Literário da Madeira acabou bem, com um sábado carregado de sessões muito participadas e interessantes (sobre a última não tenho opinião, porque fui um dos intervenientes). Nos blogues do costume, há fotos e comentários. A mim, não me apeteceu escrever mais. Todos temos direito aos nossos momentos Bartleby.
Mesa 3 do FLM: “Éramos violentos e não sabíamos”
«Como a poesia pode mudar a nossa vida», discutem Yang Lian, Fernando Pinto do Amaral, Francesco Benozzo, Jaime Rocha, Barry Wallenstein e João Carlos Abreu. Modera a conversa Donatella Bisutti.
Algumas frases:
«O trabalho do poeta é exercer violência sobre a linguagem»
Barry Wallenstein
«A palavra é capaz de matar e ressuscitar uma pessoa»
João Carlos Abreu
«A poesia é o balastro que mantém o nosso barco estável»
«Eu sou dissidente da China mas não da língua chinesa»
Yang Lian
«Para mim a poesia é escrever o que não se vê, o que está para lá do visível»
«A descoberta dos primeiros livros do Herberto Helder mudou a minha vida. Era de uma beleza obscura, de uma violência, de uma força tão grande que me fez trocar o teatro pela poesia»
Jaime Rocha
«A poesia, a literatura, como toda a arte, devem ser inquietude»
Fernando Pinto do Amaral
«O poeta tem de lutar contra as rotinas da sua percepção»
«A linguagem foi criada para prevenir o ataque de uma realidade que nos ameaçava»
Francesco Benozzo
Ontem à noite
No palco do Teatro Baltazar Dias (Funchal), o norte-americano Barry Wallenstein diz um dos seus poemas (do livro Tony’s World), acompanhado ao contrabaixo por Massimo Cavalli, durante o espectáculo “Ser Poeta Não é uma Invenção Minha”, organizado pela italiana Donatella Bisutti.
Um festival que também se ouve
Para quem está longe do Funchal, as sessões do Festival Literário da Madeira podem ser ouvidas através da Internet: aqui (iTunes, Winamp) ou aqui (Windows Media Player).
Visita à escola
Ontem, participei num debate no belíssimo Centro de Artes – Casa das Mudas, com alunos da Escola Básica e Secundária da Calheta, lado a lado com o escritor e jornalista Joel Neto e o director da revista Ler, João Pombeiro, que apresentou o projecto 15/25. A sessão está resumida neste post do blogue oficial do FLM.
Mesa 2 do FLM: “Éramos poors e não sabíamos”
Participantes: Ana Margarida Falcão, Eduardo Pitta, Afonso Cruz, Júlio Magalhães. Moderadora: Ana Isabel Moniz.
Amanhã, na secção de Livros do ‘Actual’
- O Romancista Ingénuo e o Sentimental, de Orhan Pamuk (Presença), por José Mário Silva
- Câmara Escura – Uma Antologia, poemas de Inês Lourenço escolhidos por Manuel de Freitas (Língua Morta), por António Guerreiro
- Obras, de Tomás Pereira (Centro Científico e Cultural de Macau), por Virgílio Azevedo
- Pensar, Depressa e Devagar, de Daniel Kahneman (Temas e Debates), por Luís M. Faria
- Encontro em Samarra, de John O’Hara (Relógio d’Água), por Carlos Bessa
- Como Carne em Pedra Quente, de Ana Sofia Fonseca (Clube do Autor), por Ana Cristina Leonardo
- Dezoito Palavras Difíceis, de Luís Rainha (Tinta da China), por Pedro Mexia
- Escolhas de Miguel Miranda
Visto do camarote
A intervenção completa de Pedro Vieira pode ser vista aqui.
A caminho
Festival Literário da Madeira
Começa hoje. Programação completa e informações gerais aqui.
Book Domino Chain Reaction
Um dia destes faço uma coisa assim cá em casa.
Quatro poemas de Hélia Correia
1.
Para quê, perguntou ele, para que servem
Os poetas em tempo de indigência?
Dois séculos corridos sobre a hora
Em que foi escrita esta meia linha,
Não a hora do anjo, não: a hora
Em que o luar, no monte emudecido,
Fulgurou tão desesperadamente
Que uma antiga substância, essa beleza
Que podia tocar-se num recesso
Da poeirenta estrada, no terror
Das cadelas nocturnas, na contínua
Perturbação, morada da alegria;
2.
Essa beleza que era também espanto
Pelo dom da palavra e pelo seu uso
Que erguia e abatia, levantava
E abatia outra vez, deixando sempre
Um rasto extraordinário. Sim, a hora,
Dois séculos antes, em que uma ausência
E o seu grande silêncio cintilaram
Sobre a mão do poeta, em despedida.
7.
Nós, os ateus, nós, os monoteístas,
Nós, os que reduzimos a beleza
A pequenas tarefas, nós, os pobres
Adornados, os pobres confortáveis,
Os que a si mesmos se vigarizavam
Olhando para cima, para as torres,
Supondo que as podiam habitar,
Glória das águias que nem águias tem,
Sofremos, sim, de idêntica indigência,
Da ruína da Grécia.
23.
A terceira miséria é esta, a de hoje.
A de quem já não ouve nem pergunta.
A de quem não recorda. E, ao contrário
Do orgulhoso Péricles, se torna
Num entre os mais, num entre os que se entregam,
Nos que vão misturar-se como um líquido
Num líquido maior, perdida a forma,
Desfeita em pó a estátua.
[in A Terceira Miséria, Relógio d'Água, 2012]
Os bons livros elevam-nos
Louvre abre as portas a Le Clézio
‘Middlemarch’ em versão panorâmica
Eis uma visão vertical, digamos assim, do romance de George Eliot, recentemente editado em português pela Relógio d’Água.
Hoje, na secção de Livros do ‘Actual’
- Entrevista com Rosa Montero, autora de Lágrimas na Chuva (Porto Editora), por Cristina Margato
- In Terra Viventium, de Fernando Echevarría (Afrontamento) e Como se Desenha uma Casa, de Manuel António Pina (Assírio & Alvim), por Pedro Mexia
- Serém, 24 de Março, de José Miguel Silva (Averno), por Carlos Bessa
- Modernidade e Desconstrução, de Carlos França (Fenda), por António Guerreiro
- Nova Teoria do Mal, de Miguel Real (D. Quixote), por José Mário Silva
- Poeira da Alma, de Nicholas Humphrey (Gradiva), por Ana Cristina Leonardo
- Republicanas Quase Desconhecidas, de Fina D’Armada (Temas & Debates/Círculo de Leitores), por Valdemar Cruz
- Escolhas de João Pedro Marques
“Se eu vejo muito papel diante de mim apetece-me escrever”
Uma bela aproximação ao mundo de Agustina Bessa-Luís, com os seus manuscritos de letra densa e minúscula (tão semelhantes aos microgramas de Robert Walser), decifrados ao longo dos anos pelo marido (seu diligente descriptador), e outros prodígios de um espólio em grande parte inédito. Depoimentos recolhidos por Maria João Costa; imagem e edição de Joana Beleza.
‘O Livro do dia’
O programa sobre livros de Carlos Vaz Marques, na TSF, começou segunda-feira. É para ouvir todos os dias, na rádio propriamente dita ou aqui.
O que aí vem (Presença)
O Romancista Ingénuo e o Sentimental, de Orhan Pamuk; Querido Pai, de Orianne Lallemand; A Cor do Céu, de Julianne MacLean; O Homem Que Plantava Árvores, de Jean Giono.
Prémio Literário Vergílio Ferreira 2012 para João Morgado
O Prémio Literário Vergílio Ferreira 2012 foi atribuído ao romance Diário dos Imperfeitos, de João Morgado, entre 71 obras a concurso sob pseudónimo. O autor distinguido lançou em 2010 o primeiro romance (Diário dos Infiéis, Oficina do Livro) e publicou recentemente um livro de contos (Meio-Rico, Kreamus).
Quatro poemas de Rui Almeida
Como se um sobressalto
Pudesse prolongar-se por vários dias
E conter passos e olhares
Sem que o espanto momentâneo se dissipe.
A limpidez de tudo
Delimita o mundo à sensação,
Traz as coisas ao contacto com a pele,
Experiências do tremor
Na demora que concentra.
***
Agora é o tempo todo desde sempre.
Abandono tenso de leveza
Levada às cordas vocais
No incómodo do esforço.
Caudal da vontade
Tornada assombro táctil.
***
Um golpe na pele
Como um abismo onde
O desamparo cresce para dentro.
Um golpe justo a deixar
Que as noites sejam tensas,
Rigorosas
Em sua escuridão propícia
À fertilidade.
***
Em três horas de viagem
Se lêem poemas com 40 anos,
Contemporâneos de começar
A ser quem hoje é em viagem
Nesta costa, neste longe
Atlântico incerto, inevitável.
Nesta costa foi o que é agora
Sonhado, silencioso,
Tenso, rumoroso
E fraco, como ainda
Custa ser. Se ser é isto,
Como seria não ser?
E como seria limpar o rosto
Depois de cada Agosto?
[in Caderno de Milfontes, volta d'mar, 2012]


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