Proposta

Eis uma ideia para as pessoas que vieram à oferta de livros e conseguiram levar para casa alguns volumes (nem toda a gente teve essa sorte, bem sei): e que tal se escrevessem alguma coisa sobre as obras resgatadas no Monte Agudo? Não tem de ser uma crítica ou um relatório de leitura, pode ser só a história de como o livro viajou do parapeito da pérgula até vossas casas, de como o receberam nas vossas bibliotecas, de como o leram, e onde, e quando, e com que grau de satisfação. As melhores histórias, ou portefólios (podem enviar imagens), seriam depois transformadas em posts, aqui no BdB.
Pensem nisso.

Sacos

Houve quem trouxesse sacos de supermercado:

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Houve quem trouxesse sacos de museu:

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Felizmente, ninguém trouxe o carrinho de mão.

[Fotografias de Isabel Ribeiro, uma leitora do BdB que desceu de Aveiro a Lisboa para participar na Grande Oferta de Livros]

Mais imagens

O leitor José Cipriano Catarino fotografou o happening de sábado no miradouro e partilha as imagens num álbum Picasa de acesso livre. «Os interessados podem descarregar as fotos que lhes interessarem», diz JCC.

Cronologia

09h50 À entrada do miradouro, as pessoas vão-se juntando, com sacos debaixo do braço. Algumas apresentam-se. Primeiras trocas de impressões.

10h01 Chega o proprietário do quiosque, com a chave que abre o portão e permitirá a entrada do Skoda Fabia azul carregado de livros.

10h05 Uns quinhentos livros (mais coisa menos coisa) espalham-se pelo parapeito da pérgula, em pilhas de altura variável. Beneficiadas pela pontualidade, cerca de 40 pessoas aproveitam a primeira escolha. A festa decorre sem problemas, sem discussões, sem balbúrdia. Cada pessoa serve-se à vontade (uns levam cinco livros, outros dez, outros quinze) mas ninguém abusa. Nas palavras de uma leitora, «até parecemos nórdicos».

10h20 Já não há livros (nem um só, para amostra). Há pessoas sentadas nos bancos, a ler. O Bibliotecário de Babel não tem mãos a medir, falando com os seus leitores de carne e osso, leitores que deixaram agora de ser apenas nomes em caixas de comentário. Quem conseguiu livros não se vai logo embora. Há quem aprecie a vista sobre Lisboa, a sombra, o serviço do quiosque. Há quem meta conversa com os outros participantes na festa. O ambiente no miradouro não podia ser melhor.

10h30 Continuam a chegar pessoas. Muitas pessoas. Desânimo nos rostos: «Já não há nada?» Oiço histórias de taxistas ignorantes ou maldosos, que deixaram os seus clientes noutros miradouros. Miradouros sem livros. A quem chegou mais tarde, prometo para as 11h00 a consolação de uma segunda leva, mais pequena, deixada em casa para o caso de haver uma ruptura de stock demasiado rápida. Que foi precisamente o que aconteceu. Aliás, quinze minutos nem sequer entra na categoria do «demasiado rápida». Diria antes que foi uma ruptura de stock instantânea.

11h00 Saio para ir buscar mais livros.

11h10 Regresso com a segunda leva (cento e tal volumes). Os livros desaparecem mal saem dos sacos. Os retardatários não dão a manhã por mal empregue.

11h40 Continuam a chegar pessoas. No parapeito da pérgula, nada de nada. «Paciência», dizem-me, «mas não foi só pelos livros que cá viemos». Ainda bem. Também não foi só pelos livros que eu e o resto dos leitores (mais pontuais) ali fomos.

12h00 Alguém sugere uma ideia: «Da próxima vez, as pessoas podiam trazer de casa os livros que já não querem ou de que já não precisam, juntávamos tudo e depois cada um levava o que lhe apetecesse.» Em vez de uma Grande Oferta de Livros, seria uma Grande Troca de Livros. Porque não?

12h30 Começo a arrumar os sacos e caixas de plástico.

12h40 A Grande Oferta de Livros do Bibliotecário de Babel chega ao fim. Daqui a uns meses há mais. Quando chegar a altura, avisarei.

Geografia

No miradouro, esta manhã, houve quem viesse do Porto, houve quem viesse de Aveiro, houve quem viesse de Leiria, houve quem viesse do Carregado. E houve muitos lisboetas, claro.

Primeiras imagens

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Efeitos colaterais do altruísmo

Dores nos braços, espirros, uma satisfação danada.

‘O último a chegar é um ovo podre’

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A Grande Oferta de Livros do BdB chegou ao jornal i.

Grande Oferta de Livros do Bibliotecário de Babel (road book)

Para os candidatos à Grande Oferta de Livros do Bibliotecário de Babel, eis um breve road book para chegar ao miradouro do Monte Agudo. Quem vier de carro, pode estacionar no parque em espinha diante da escola Luísa de Gusmão (R. da Penha de França) ou na Praça António Sardinha. Quem vier de metro, deve sair na estação Anjos, sair em direcção à Rua de Angola/R. Febo Moniz, subir a R. de Angola, virar à direita para a R. Forno do Tijolo, virar à esquerda na R. Heliodoro Salgado e seguir até ao topo (aviso que é uma caminhada razoável).
No cimo da Heliodoro Salgado

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verá, do lado esquerdo, este cartaz:

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Só tem de entrar pelo portão de ferro que se vê na primeira foto,

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seguir o caminho de paralelipípedos,

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e já está:

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Eis a vista:

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E eis o simpático quiosque:

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Eu estarei com a livralhada junto da pérgula,

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à vossa espera.
Até amanhã.

Desejo

Gostava mesmo que a Grande Oferta de Livros do BdB fosse um êxito. Era óptimo que amanhã de manhã estivessem 20 ou 30 pessoas no miradouro, a escolher livros e a falar umas com as outras (trocando ideias, talvez até iniciando improváveis amizades).
Depois das populares e mediáticas flash mobs, eis a oportunidade de criar um novo conceito: as literary mobs.

Actualização – Hoje em dia, é difícil inventar uma coisa que já não esteja inventada. Estava eu para aqui a pensar que a ideia de uma literary mob era muito original quando o Google, filtrando a informação do mundo inteiro, me indica que uns italianos se anteciparam quatro meses. A 23 de Abril deste ano, em Salerno, celebrando o Dia Mundial do Livro, uma associação cultural (iter.artis) organizou aquilo a que chama «a primeira Literary Mob», durante a qual um conjunto de leitores se passeou pela rua, lendo passagens do livro preferido. As fotos podem ser vistas no Flickr.

Grande Oferta de Livros do Bibliotecário de Babel (é já no sábado)

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Eles vão ficando empilhados na marquise, à espera dos seus futuros donos. Por favor, caros leitores do BdB, não os desiludam. Tragam cestas de verga, alguidares de plástico, carrinhos de mão, sacos do Pingo Doce, o que vos der mais jeito. Mas venham.
O modus operandi da coisa está explicado neste post.

Grande Oferta de Livros do Bibliotecário de Babel

Por razões que não são difíceis de compreender, vou ter de abdicar (não sem um aperto no peito) de umas boas centenas de livros da minha biblioteca. O espaço da casa é finito, as paredes a que é possível encostar estantes são cada vez menos, etc. Ou seja, para que novos livros entrem (e eles não páram de chegar), outros terão de receber guia de marcha. Na maioria livros bons, que eu já li ou gostava de ler um dia, mas que na verdade sei que nunca serão lidos ou relidos. Já para não falar nas duplicações, efeito secundário da conjugalidade.
Pois bem, antes de remeter esta livralhada toda para os lugares óbvios (bibliotecas e associações culturais), lembrei-me de recompensar os meus queridos leitores pela paciência e persistência com que visitam este blogue (ultrapassar as 1000 visitas por dia, a meio de Agosto, é algo com que me regozijo, mas sobretudo é algo com que me espanto). Cabe-vos então fazer a primeira escolha, se para aí estiverem virados.
A coisa funcionará nestes moldes:

Lugar: Miradouro do Monte Agudo, no bairro da Penha de França, entrada pela R. Heliodoro Salgado (Lisboa). Ver no Google Maps, aqui.
Dia: Sábado, dia 21 de Agosto
Horário: 10h00-12h30

Ou seja, a partir das dez da manhã montarei uma banquinha junto ao novíssimo e simpatiquíssimo quiosque do miradouro (servem acepipes indianos, sumo de morango feito na hora, entre outras coisas), diante de uma magnífica vista de Lisboa, Tejo e tudo. Quem vier pode escolher à vontade e levar o que lhe apetecer, sem pagar um cêntimo. Entre os livros oferecidos não haverá novidades editoriais, como é evidente, mas também nada de refugo (pelo contrário).
Se quiserem, os leitores do Bibliotecário de Babel podem ainda aproveitar para conhecer pessoalmente o Bibliotecário de Babel, mas não esperem grande coisa do dito senhor (é só um tipo normal que gosta de livros).
Vá lá, não sejam tímidos. E aproveitem. Eu, no vosso lugar e com mais espaço livre em casa do que tenho, aproveitava.
Até sábado.

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges