A grande machadada
E o vencedor do Hatchet Job of the Year é… Adam Mars-Jones, pela crítica demolidora que fez ao romance By Nightfall, de Michael Cunningham (editado em Portugal pela Gradiva, com o título Ao Cair da Noite).
Era uma vez um Grufalão
Radiografia de um dos livros infantis mais lidos e relidos lá por casa.
E se a euforia à volta da auto-publicação digital não passar de uma bolha especulativa?
Eis uma dúvida a que Ewan Morrison procura dar resposta, no The Guardian. Um excerto:
«All of this ebook talk is becoming a business in itself. Money is being made out of thin air in this strange new speculative meta-practice: there are seminars, conferences and courses springing up everywhere, even at the Society of Authors (a writers’ union which, until recently, was largely against epublication). Television and radio programmes are being made about self-epublishing (I’ve personally been asked to speak about it on 12 occasions since August). Everyone can be a writer now: it only takes 10 minutes to upload your own ebook, and according to the New York Times “81% of people feel they have a book in them … And should write it”.
But all of this gives me an alarming sense of deja vu. There’s another name for what happens when people start to make money out of speculation and hype: it’s called a bubble. Like the dotcom bubble, the commercial real estate bubble, the subprime mortgage bubble, the credit bubble and the derivative trading bubble before it, the DIY epublishing bubble is inflating around us. Each of those other bubbles also saw, in their earliest stages, a great deal of fuss made over a “new” phenomenon, which was then over-hyped and over-leveraged. But speculation, as we’ve learned at our peril, is a very dangerous foundation for any business. And when the epub bubble bursts, as all previous bubbles have done, the fall-out for publishing and writing may be even harder to repair than it is proving to be in the fields of mortgages, derivatives and personal debt. Because this bubble is based on cultural, not purely economic, grounds.»
O texto completo pode ser lido aqui.
Sinal dos tempos
O La Tribune deixa hoje de se publicar em papel, passando a existir exclusivamente em formato digital. Prenúncio de uma mudança que afectará o resto da imprensa? Creio que sim. E temo bem que aconteça mais depressa do que imaginamos.
Every poet needs a Virgil
The mystery of poetry editing.
Diz Alain de Botton:
Regresso a Buenos Aires
Um breve diário de Ricardo Piglia, no suplemento Babelia do El País.
Uma vida de escrita
Edmund White ao The Guardian: «From an early age I had the idea that writing was truth-telling. It’s on the record. Everybody can see it. Maybe it goes back to the sacred origins of literature – the holy book. There’s nothing holy about it for me, but it should be serious and it should be totally transparent.»
‘Creative Writing’
Um conto de Etgar Keret (escritor israelita, autor de O Motorista de Autocarro Que Queria Ser Deus, AMBAR, 2004), publicado na edição desta semana da revista The New Yorker.
Trocas de livros nas estações de metro e comboio londrinas
Que fazer quando se descobre que um amigo é escritor?
Rebecca Rosenblum explica.
Conrad ao palco
O Coração das Trevas, agora em versão operática.
E o vencedor do Man Booker Prize 2011 é…
Julian Barnes. Só podia ser. Prémio justíssimo. À quarta foi de vez.
Escolher o Nobel da Literatura é difícil
Já imaginávamos, claro. Mas Peter Englund, o secretário permanente da Academia Sueca, confirma num dos podcasts do The Guardian.
Estirpe de romancistas
No Babelia desta semana, o escritor mexicano Carlos Fuentes escreve «sobre a história e a evolução da narrativa latino-americana» e partilha o que considera ser o respectivo cânone de escritores e obras fundamentais do século XX e do século XXI.
Ainda no suplemento cultural do El País, vale a pena ler a recensão elogiosa de Santiago Gamboa ao mais recente romance de Michel Houellebecq (O Mapa e o Território, prestes a ser lançado por cá pela Objectiva) e a resposta de Alberto Manguel, que não compreende o entusiasmo de tantos «leitores inteligentes» com a «burocracia vitalícia» da obra do francês.
História de um rebelde
Na edição desta semana da New Yorker, Daniel Mendelsohn, autor de Os Desaparecidos, escreve sobre a «breve carreira» de Rimbaud e assume que o facto de ter descoberto tardiamente o poeta (quase sempre avassalador para quem o começa a ler na adolescência) o impediu de ser arrebatado («swept away») pelos versos das Illuminations. O magnífico texto é acompanhado por uma não menos magnífica ilustração de André Carrilho:

Dez livros sobre futebol (britânico)
Uma escolha de Anthony Clavane, no The Guardian. Destes todos, começaria sempre por The Unfortunates, o experimentalista «book-in-a-box», de B.S. Johnson.

E que tal um livrinho à prova de água?
Pelos vistos, já faltou mais.
Nova Iorque, poetas e martinis
Santiago Gamboa faz hoje, no suplemento Babelia, uma aproximação alcoólica e literária à Big Apple, envolvendo um poema de Dorothy Parker, os braços tatuados com frases de Kurt Vonnegut de uma empregada de mesa e a descoberta de uma elegia de Marya Zaturenska, batida à máquina numa Remington e escondida numa edição de Catulo à venda por um dólar num alfarrabista.
A Semana dos Livros Banidos chega ao YouTube
O regresso de Maurice Sendak

Ao fim de 30 anos, Maurice Sendak volta a publicar um livro em que assina tanto as ilustrações como o texto. É Bumble-Ardy, a história de um porco que só tem a sua primeira festa de aniversário ao cumprir nove primaveras. A propósito desta nova obra, com lançamento previsto para 6 de Setembro, a Vanity Fair publicou um perfil de Sendak, escrito por Dave Eggers (o autor de O Sítio das Coisas Selvagens, romance construído a partir do clássico Where the Wild Things Are) e fotografado por Annie Leibovitz.
Alugar livros escolares no Kindle
De uma notícia na Bookseller:
«Amazon.com is giving students the ability to rent textbooks on Kindle e-readers. The company said students can save up to 80% off textbook prices with the new initiative (…). Dave Limp, vice-president at Amazon Kindle, said: “We’ve done a little something extra we think students will enjoy. Normally, when you sell your print textbook at the end of the semester you lose all the margin notes and highlights you made as you were studying. We’re extending our Whispersync technology so that you get to keep and access all of your notes and highlighted content in the Amazon Cloud, available anytime, anywhere, even after a rental expires.”»
Por enquanto, este serviço está apenas disponível para estudantes americanos, mas o conceito parece-me promissor.
Hemingway e Cézanne
«En un fragmento eliminado de su relato El gran río de los dos corazones, Ernest Hemingway escribía a propósito de su alter ego: “Quería escribir como pintaba Cézanne. Cézanne empezaba por emplear todos los trucos. Luego lo descomponía todo y construía la obra de verdad. Era un infierno… Quería… escribir sobre el campo de forma que quedase plasmado como había conseguido Cézanne con su pintura… Le parecía casi un deber sagrado”. En su remembranza de sus primeros años en París, París era una fiesta, Hemingway escribió también sobre la influencia que había tenido en él el pintor francés cuando estaba aprendiendo su oficio: “Estaba aprendiendo de la pintura de Cézanne algo que hacía que escribir simples frases verdaderas no fuera suficiente, ni mucho menos, para dar a los relatos las dimensiones que yo quería darles. No sabía expresarme lo bastante bien como para explicárselo a nadie. Además, era un secreto”.
El secreto estaba en las pinceladas de Cézanne, cada una abierta y de textura visible, con repeticiones y variaciones sutiles, cada una llena de algo parecido a la emoción, pero una emoción profundamente controlada. Cada pincelada trataba de captar la mirada y retenerla y, al mismo tiempo, construir una obra más amplia, en la que había riqueza y densidad, pero también mucho de misterioso y oculto. Eso es lo que Hemingway quería hacer con sus frases. Después de contemplar la obra de Cézanne por primera vez en Chicago, luego en los museos de París y en casa de su amiga Gertrude Stein, lo que deseaba era seguir el ejemplo de esta última y escribir frases y párrafos a primera vista simples, llenos de repeticiones y variaciones extrañas, cargados de una especie de electricidad oculta, llenos de una emoción que el lector no podía encontrar en las propias palabras, porque parecía vivir en el espacio entre ellas o en los repentinos finales de algunos párrafos determinados.»
Início de um texto de Colm Tóibín, publicado na edição desta semana do suplemento Babelia, do El País.
Lydia Davis sobre a tradução de Rimbaud feita por Ashbery
Num dos últimos números da New York Times Book Review, Lydia Davis publicou uma magnífica abordagem crítica à edição americana das Illuminations de Rimbaud, traduzidas pelo poeta John Ashbery.
Eis um excerto:
«In a meticulously faithful yet nimbly inventive translation, Ashbery’s approach has been to stay close to the original, following the line of the sentence, retaining the order of ideas and images, reproducing even eccentric or inconsistent punctuation. He shifts away from the closest translation only where necessary, and there is plenty of room within this close adherence for vibrant and less obvious English word choices. One of the pleasures of the translation, for instance, is the concise, mildly archaic Anglo-Saxon vocabulary he occasionally deploys — “hued” for teinte and “clad” for revêtus, “chattels” for possessions — or a more particular or flavorful English for a more general or blander French: “lush” for riches, “hum of summer” for rumeur de l’été, “trembling” for mouvantes.
Even a simple problem reveals his skill. In one section of the poem “Childhood,” there occurs the following portrayal of would-be tranquillity: “I rest my elbows on the table, the lamp illuminates these newspapers that I’m a fool for rereading, these books of no interest.” The two words sans intérêt (“without interest”) allow for surprisingly many solutions, as one can see from a quick sampling of previous translations. Yet these other choices are either less rhythmical than the French — “uninteresting,” “empty of interest” — or they do not retain the subtlety of the French: “mediocre,” “boring,” “idiotic.” Ashbery’s “books of no interest” is quietly matter-of-fact and dismissive, like the French, rhythmically satisfying and placed, like the original, at the end of the sentence.»
Convém lembrar que Davis, além de uma excepcional ficcionista, também se tem destacado como tradutora, precisamente do francês. Depois de ter vertido para inglês o primeiro volume da Recherche, de Proust, ganhou recentemente um prémio da French-American Foundation pela tradução de Madame Bovary, de Flaubert, em 2010.
Numa troca de e-mails com os editores da New York Times Book Review, Davis descreveu o modo como encara o seu trabalho de tradutora:
«A single work involves often hundreds of thousands of minute decisions. Many are inevitably compromises. The ideal translation would result in an English that perfectly replicated the original and at the same time read with as much natural vigor as though it had been born in English. But in reality the finished translation is likely to be more uneven — now eloquent, now pedestrian, now a perfect replication, now a little false to the original in meaning or rhythm or syntax or level of diction. A careful weighing of the many choices involved can nevertheless result in a wonderful translation. But great patience and of course great skill in writing are essential, not to speak of a good ear and a deep understanding of the original text.»
Um daqueles estudos que só confirmam aquilo que já sabíamos
Paul Theroux e V. S. Naipaul enterram machado de guerra
Depois de terem dito cobras e lagartos um do outro, os dois escritores voltaram a cumprimentar-se cordialmente no Hay Festival.
Quem serão os próximos inimigos literários a reconciliarem-se? Gabriel García Márquez e Mario Vargas Llosa? Será que ainda vão a tempo?
A tendência continua
E-Book Sales Up 159% in Quarter, Print Falls.
Das vantagens de escrever na cama
Robert McCrum, do The Guardian, explica quais são.
Vendas de e-books suplantam paperbacks nos EUA
Os narradores
«Quién sabe de dónde vienen las historias. De joven uno piensa que inventarlas, construir tramas brillantes, encontrar una forma original de contar, es un talento específico y más bien secreto que posee muy poca gente, los escritores, los maestros. Uno quiere ser literario sin interrupción, sublime sin interrupción, como el dandi de Baudelaire, y se enamora de libros que tratan de escritores y de escritores que ejercen de manera incesante como tales, que van vestidos de escritores y hablan como escritores con otros escritores y son tan literarios que los críticos literarios los adoran, sabiendo que pisan un terreno seguro, el de la literatura evidente, la literatura literariamente enroscada alrededor de sí misma. Uno hace o se propone hacer diagramas de argumentos; uno lee las conversaciones de Truffaut con Hitchcock y las cartas de Flaubert y a poco que se descuide se convence desoladamente de que le falta originalidad o imaginación, o de que la literatura les sucede a otros y sucede en otra parte, en los lugares distinguidos y lejanos en los que las cosas ocurren de verdad, donde los escritores se juntan para discutir y beber hasta las tantas de la madrugada como si vivieran en el París de la Generación Perdida, donde los escritores viven esas experiencias que son propias de escritores y que sirven de material para los libros.»
Início de um texto de Antonio Muñoz Molina sobre On Writing, A Memoir of the Craft, de Stephen King, publicado na edição de hoje do suplemento Babelia, do El País.
A batalha perdida de Zadie Smith
Apesar da luta levada a cabo pela autora de Dentes Brancos, a biblioteca de Kensal Rise, fundada por Mark Twain no início do século XX, vai mesmo fechar.
O que se discute por estes dias na Feira do Livro de Londres
«Será que os editores vão ter alguma relevância no futuro?» Por futuro entenda-se, claro, a era digital.
David Foster Wallace por Michiko Kakutani
Crítica ao muito aguardado romance póstumo e inacabado de DFW (The Pale King), publicada no The New York Times.
Mães na literatura
Boas, más, muito más, assim-assim. Há de tudo.
O ano em que os booktrailers se tornaram cada vez mais parecidos com trailers de filmes
Onde é que irá parar o crescendo de sofisticação destes pequenos vídeos promocionais?
Vila-Matas sobre Joseph Roth e o estado da literatura actual
«La relectura de El Leviatán me confirma que es una obra maestra que cada día nos recuerda más a la situación actual de lo literario en un mundo en el que hasta la prensa cultural, de forma más que alarmante, está arrinconando las noticias sobre libros. Se dedican grandes reportajes a los avances digitales, al inquietante futuro de Internet, al peligro de que se extingan los textos impresos, pero nadie parece hacer mucho para seguir hablando de libros con la normalidad de antes: o se habla de que éstos van a desaparecer, o ya directamente no se habla y se prefiere llenar páginas con un modisto nazi, por ejemplo. Creo que, de vez en cuando, convendría que alguien comentara con mayor amplitud lo que se edita entre nosotros, incluso que explicara algo que es completamente auténtico, una noticia bomba que diría una gran verdad: jamás se ha editado como ahora, con tanta pasión y con un nivel -si nos acordamos de las editoriales independientes- altísimo, un verdadero punto elevado en la historia del libro en nuestro país. Y eso a pesar de que esa industria tiene que convivir con los advenedizos que, alejándola de la autenticidad, es decir, traicionando a los corales verdaderos, la llevan hacia un clima de fin de trayecto. Ese clima conecta con la traición a sí mismo del comerciante Piczenik y desde hace tiempo va llevando a la vieja Poética hacia un paisaje de desastre que hace temer que al final, por la vía directa de tanta ruina moral, el destino acabe dándonos la espalda.»
Artigo completo na edição de hoje do suplemento Babelia, do El País.
Livros infantis no ‘The Guardian’
Eis mais um excelente subportal temático daquele que é, provavelmente, o melhor site jornalístico de Inglaterra e arredores (onde se lê arredores, leia-se «resto do mundo»).
Kundera na Pléiade

Em breve, Milan Kundera vai tornar-se o único escritor vivo a constar na colecção La Pléiade, da Gallimard. Mais do que o Nobel, isto sim é a glória literária.
João Fazenda no ‘The New York Times Book Review’
No último número do ‘The New York Times Book Review’, uma das recensões (ao livro The Oracle of Stamboul, de Michael Davis Lukas) foi ilustrada pelo João Fazenda, um desenhador extraordinário que tive o privilégio de ver desabrochar nos tempos do DN Jovem. Parabéns, João.
Sobre a Cultura
«Un día recibo una petición para escribir un texto sobre la cultura. La cultura es una abstracción hasta que se cuenta una historia y cada cultura tiene su propia historia. Entonces, ¿por dónde empezar? Puedo citar miles de cosas que en mayor o menor medida tienen una relación con la cultura: un cuarteto de cuerda, una lección de latín, una pila bautismal barroca, una máscara de teatro griego, un Alfa Romeo, una muñeca wayang, un traje de Brioni, un bar mitzvá, una estatuilla votiva de piedra de Jizo, un manuscrito de la Edad Media, una reverencia, una mezquita, un aguafuerte, un ordenador… La inyección que produce la muerte a un condenado de una cárcel norteamericana ¿también es cultura? Y por tanto, ¿forma parte de la cultura norteamericana? ¿Y la sharia? ¿La campana que suena en la Bolsa? ¿El Gran Hermano? ¿El carnaval? ¿Un festival de la canción? ¿La ablación femenina? ¿Un duelo? ¿El himno vasco que suena cuando se entierra a un terrorista? ¿Los informes de la Segunda Cámara del Parlamento holandés? ¿La película sobre el Corán de Wilders? ¿Hay alguna cosa que no sea cultura? La “mala” cultura, ¿se inscribe igualmente en la cultura? Y la cultura que es radicalmente distinta, la que se siente como hostil, ¿es cultura a pesar de todo?»
Eis algumas das questões lançadas pelo escritor holandês Cees Nooteboom num artigo publicado na edição de hoje do suplemento Babelia, do jornal El País. Leia o texto completo aqui.


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