E se a Poesia Incompleta reabrisse na Lapa?

Isso seria uma excelente notícia (ainda à espera de confirmação), não fosse a Lapa em causa no Rio, em vez de Lisboa.

PS – Este post foi alterado depois de me aperceber do que o Rui Almeida sugere na caixa de comentários.

Jorge Figueira de Sousa (1931-2012)

Uma notícia muito triste. Jorge Figueira de Sousa era o proprietário da Livraria Esperança, no Funchal, a segunda maior do mundo, com mais de cem mil volumes espalhados por uma espécie de labirinto. Na mais recente edição da revista Ler (Julho/Agosto), Sara Figueiredo Costa traça o perfil deste homem singularíssimo, que entre muitas outras coisas explica a original forma que encontrou de expor os livros: «A ideia de pendurar veio dessa necessidade de os expor com a capa. E um dia descobri uns ganchinhos, uma espécie de molas, que permitiam pendurar os livros com um fio, e arranjei um daqueles paus para tirar bacalhaus, das mercearias, que têm um gancho. Claro, há algumas reclamações, porque os livros podem ficar marcados, mas a verdade é que se não estivessem expostos ninguém os via nem sabia que existiam. Ou seja, a desvantagem de uma marca que o livro possa ter é muito inferior à hipótese de nunca encontrar esse livro.»
Algumas imagens (com demasiado grão) da livraria Esperança, aqui. E a crónica que escrevi sobre aquele fabuloso lugar, aqui.

Dédalo de papel

A Esperança é um mundo.

Haja Esperança!

À porta do hotel, entrámos num táxi amarelo. O motorista levou alguns segundos a perceber para onde queríamos ir e depois lá se fez ao caminho, do Lido para o centro do Funchal. Sem dizermos nada uns aos outros, pensámos que a Esperança talvez conste dos guias turísticos – afinal, trata-se de uma das maiores livrarias do mundo, com uma área superior à de um estádio de futebol e mais de 100 mil exemplares expostos – e por isso os taxistas a incluam nas paragens obrigatórias para quem visita a cidade. Engano nosso, claro. Chegados ao centro, o motorista virou-se para trás, perplexo, como quem perdeu de repente o sinal do GPS. «Acho que é por aqui», murmurou. Mas não era. Lá lhe dissemos para nos deixar perto da Universidade, algo desiludidos por se ter desfeito a inesperada história do taxista que até sabe onde fica uma livraria mítica. O resto do percurso, ao longo da rua dos Ferreiros, fizemo-lo a pé.
Entrar na Esperança é entrar num labirinto. Eu já conhecia fotografias das suas muitas salas forradas de livros até ao tecto, mas deambular por ali é outra coisa. A todo o momento, temos a sensação de que não vamos conseguir, ou querer, sair daquele dédalo de papel. Livraria de fundos no verdadeiro sentido da expressão, a Esperança não obedece às leis da rotatividade vertiginosa, que reduz o tempo de vida das novidades a poucas semanas e expulsa os clássicos para a solidão dos armazéns ou para o pó dos alfarrabistas. Tanto podemos encontrar um romance lançado há poucos dias como aquela antologia poética de um autor obscuro dos anos 70 que julgávamos esgotadíssima. E se a arrumação por ordem alfabética do primeiro nome do autor propicia desafios até a bibliófilos experientes, a melhor estratégia é uma pessoa deixar-se perder entre as estantes, à mercê dos acasos da serendipidade literária. Aqueles que colocam, por exemplo, os Objectos Sexuais no Espaço, de Maria Regina Louro, a poucos metros dos Objectos Sexuais nos Céus, de Paula Kane e Christopher Chandler. Ou As Mãos e as Luvas, de João Gaspar Simões, relativamente perto de A Mão e a Luva, de Machado de Assis.
Na Esperança, os livros não ficam escondidos. Todos mostram a cara, que é como quem diz a capa, de frente para o futuro leitor. Ora isto exige o recurso a um sofisticado aparelho tecnológico chamado mola. Paredes acima, ou nas superfícies laterais das estantes metálicas, os livros sustêm-se – e por vezes parecem levitar – presos por molas que deixam marcas na superfície do papel, discretas «tatuagens» (como lhes chamou Paulo Sérgio BEJu numa das sessões do Festival Literário da Madeira) que passam a ser marcas de água, invisíveis carimbos que assinalam a proveniência. Vejo agora, já em Lisboa, esse vinco no exemplar de Conto é como quem diz (Europress), a narrativa curta publicada por Isabela Figueiredo em 1988, quando ainda assinava Isabel de Almeida Santos, mais de vinte anos antes do Caderno de Memórias Coloniais (Angelus Novus). Também o vejo no Garden Party de Katherine Mansfield (Relógio d’Água, 1985) e na edição brasileira de A Morte do Leão – Histórias de Artistas e Escritores (Companhia das Letras, 1993), um volume com cinco contos de Henry James e um título de mau augúrio para o Sporting Clube de Portugal, que naquela mesmíssima noite jogava em Manchester, contra o poderoso City, a passagem à eliminatória seguinte da Liga Europa.
À saída, ao pagar os livros, reparei num folheto em que dezenas de livreiros prestam homenagem a Jorge Figueira de Sousa, neto do fundador da Esperança e actual gestor deste espaço único. Aos 80 anos, ele continua a defender com unhas e dentes um modelo de livraria que a mera lógica comercial sugere ter os dias contados. O fecho recente da Livraria Portugal, no Chiado, paira ainda na memória como uma ameaça. Resta-nos então esperar que a Esperança se aguente, que a Esperança seja mesmo a última a morrer; ou melhor, que não morra de todo. Na verdade, os maus augúrios nem sempre se cumprem: umas horas após a visita à labiríntica Esperança, contra todas as expectativas (menos as minhas), o Sporting sobreviveu a uma equipa multimilionária e encontrou-se com a glória em Manchester.

[Texto publicado no n.º 112 da revista Ler]

A silenciosa companhia

Ou de como pode haver histórias comoventes na vida de um livreiro (e de uma livraria).

Livrarias Assírio

É bom ir passando por .

Uma daquelas notícias que me deixam doente

«Lisboa perdeu a sua única livraria exclusivamente dedicada à poesia. O proprietário, Mário Guerra, admite reabrir num outro espaço, mas não consegue esconder a profunda desilusão com o rumo do país.»
Que merda, que merda, que merda.
Ate já, Changuito.

Pó dos Livros Vintage

Para quem procura aqueles livros que não se encontram em lado nenhum.

III Encontro Livreiro

Dia 25 de Março, na livraria Culsete, em Setúbal.

Livraria Aillaud & Lello no Facebook

A livraria é antiga; a estratégia de contacto com os clientes, não.

Livraria Portugal vai fechar

É mais uma livraria que fecha portas. Uma livraria histórica, onde em tempos pré-FNAC perambulei entre estantes ajoujadas e a banca das novidades (nem sempre muito recentes). Uma livraria antiga, com cheiro a pó dos livros e uma certa desarrumação que era uma forma de charme, como se o leitor tivesse de ser seduzido pela dificuldade em encontrar a obra pretendida. Sem grande surpresa, um dos sócios explica que a situação «insustentável» se deve às «grandes alterações no mercado livreiro», à «quebra das vendas» e à «insuficiência de meios para pagar as despesas». Enfim, uma receita para o desastre.
Pior ainda: tendo em conta o rumo que as coisas levam, temo bem que outras livrarias históricas venham a conhecer muito em breve a mesma sorte.

PS – No seu blogue, a Sara Figueiredo Costa assinala com tristeza mais este desaparecimento, evocando memórias pessoais e familiares associadas à livraria da Rua do Carmo.

Desabafo de uma livreira

«Fechei a Loja 107 no final de Setembro deste ano, porque a concorrência não me permitia a realização de um volume de vendas que me permitisse fazer frente ao volume de despesas.
(…) Vejo agora, dois meses depois de ter encerrado a livraria, a realização de uma feira do livro com o apoio da Associação Comercial, da Câmara das Caldas e da Câmara de Óbidos.
E isto depois de assistir a movimentos de pesar pelo fecho da minha Livraria. Que veracidade existirá nessas atitudes?
(…) Que não sirva de desculpa a finalidade da Feira; a realização de fundos para o tratamento do cancro. Ninguém contesta a necessidade de auxílio aos doentes de cancro.
O que contesto é a realização de uma feira de livros em concorrência directa a quem exerce este comércio e logo no período de Natal, com o apoio da Associação Comercial e das Câmaras.
A principal responsabilidade cabe às Editoras/Distribuidoras que participam nestas acções, em concorrência directa com quem exerce o comércio livreiro no seu dia a dia.»

A indignação de Isabel Castanheira pode ser lida na íntegra aqui.

Primeiro aniversário da Livraria Fábrica do Braço de Prata

É hoje. Para celebrar, a Livraria Fábrica do Braço de Prata organiza esta noite uma festa em que oferece descontos de 20% em cinco livros das suas editoras associadas: Assírio & Alvim, Relógio d’Água e Presença. A lista dos títulos com desconto pode ser consultada aqui.

Dois aniversários

A Fonte de Letras, de Montemor-o-Novo, fez 11 anos de vida. A Capítulos Soltos, de Braga, fez dois. Parabéns a estas duas belíssimas livrarias.

Nem tudo na Madeira é um buraco

Para lá e para além do insultuoso Alberto João Jardim (que afunda a ilha e puxa o país inteiro para o abismo), enquanto houver livros há Esperança.

Logo hoje que me apetecia dar um pulinho à melhor livraria de Lisboa,

descubro que está fechada para férias, até 19 de Setembro.

Feira de usados em Braga

Até ao próximo sábado, na livraria Capítulos Soltos.

iBarnes & Noble?

Há quem diga que sim.

[via Blogtailors]

A Trama tramada

Começou por ser um boato. Agora parece que é mesmo verdade: a livraria Trama entrou em insolvência e vai fechar portas. Merda. Grande merda. E eu que pensava que a vinda do FMI era a pior notícia da semana.

Lembrete

Logo à tarde, a partir das 18h00, estarei à conversa com Pedro Tamen e Pedro Mexia, na Bulhosa de Campo de Ourique. Um encontro incluído na Semana da Poesia e do Teatro que esta livraria organiza.

Uma rede livreira em crise

A norte-americana Borders, que em tempos levou à falência muitas livrarias independentes por praticar preços muito agressivos, está ela própria em grandes dificuldades, porque uma outra livraria (a Amazon) pratica preços ainda mais agressivos.

A Trama reabre as portas, finalmente

ESTANTES

RUA

E eu só não vou estar presente no regresso dos livros à Rua São Filipe Nery porque a intempérie desta manhã me entrou pela casa dentro (pingos de chuva a cair do tecto, ameaçando as cordilheiras de papel, vulgo estantes).

Quase, mas mesmo quase, de volta

«a Trama
vai ter uma loja mais pequenina
vai ter menos secções
vai tentar ser melhor nas secções que decidiu ter
vai ter livros novos e usados
vai ter livros importados
e livros que importam
também vai ter filmes
vai ter estantes altas
e por isso vai ter um escadote
vai ter uma sala que vai servir de escritório para mim e onde vou poder finalmente ser a secretária que nasci para ser
vai ter candeeiros pequeninos
vai ter um quadrado de chão um bocadinho mais alto que o resto
vai ter um balcão novo
vai ter um horário diferente»

Quem o diz é a Catarina, que já anda com cócegas adolescentes na barriga (bom sinal) e também sabe o que são as maravilhas da maternidade.

Uma nova livraria

Três das melhores editoras portuguesas – a Assirio & Alvim, a Cotovia e a Relógio D’Água – juntaram-se para construir uma livraria especializada em ciências humanas, na Fábrica do Braço de Prata (zona oriental de Lisboa). Além de duas salas preparadas para acolher seminários e projecções de cinema, haverá outras duas só dedicadas a saldos e livros em segunda-mão, garantia de que aquele será um «lugar para surpresas, nostalgias e invenções».
A festa de inauguração está marcada para 30 de Setembro, às 22h00.

Pátio de Letras

É uma livraria independente, de Faro, e montou uma bem abastecida banca de livros de poesia em Cacela Velha, durante os dois dias da iniciativa ‘Poesia na Rua’. A visitar, pelos leitores algarvios e não só.

Ciclo de debates sobre a República

A primeira sessão do ciclo de debates ‘Da Monarquia à República’, organizado pela livraria Almedina do Atrium Saldanha (Lisboa), realiza-se na terça-feira, dia 21, a partir das 19h00. Para falar sobre ‘Os últimos anos da Monarquia’ estará presente José Miguel Sardica, professor associado da Universidade Católica Portuguesa. A moderação caberá a Alice Samara, investigadora do Instituto de História Contemporânea da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (UNL).
O programa completo do ciclo pode ser consultado aqui.

Quase, quase, quase

Na nova Trama, «falta arranjar o chão, pintar paredes, montar estantes e arrumar livros». Depois, é só resolver a magna questão: «deixamos ou tiramos o toldo que diz dona rústica»?
Resposta: deixem.

Livrododia (5 anos)

A livraria Livrododia, de Torres Vedras, completou ontem cinco anos de vida. Um lustro. Que viva muitos mais: anos e lustros.

Eu não gostei e ele pelos vistos também não

Refiro-me à abertura da nova livraria do grupo Babel. O ele do título do post é o Pedro Vieira, que escreveu (mesmo se com certo delay) um texto sobre o assunto, do qual retiro este sumarento naco de prosa:

«um dia ainda me alcunham de perdigueiro, tal é a minha propensão para farejar as vidas dos outros, sobretudo se forem públicas e acompanhadas de cocktails e acepipes do vitor sobral, pela minha rica saúde, aquele senhor encavalita muito bem enchidos sobre pão arraçado de broa e só cobra duas mãos-cheias de euros por um prego e uma imperial no seu barraco em campo de ourique, uma pechincha mesmo em tempos de baixa cotação junto das agências de rating que terão estado afastadas da nova babel, coitadinhas, caso contrário teriam de dar nota Standard à beautiful people possível e Poor’s à escolha de livros encavalitados em andaimes; gravatas e tábuas rudes em partes iguais, os primeiros dão gabarito a qualquer festa, as segundas poderão ser o pesadelo dos livreiros lá do sítio se algum dia tiverem de movimentar os canhenhos de um lado para o outro, mas talvez não tenham de fazê-lo se a rotação for baixa e a escolha continuar limitada aos editados pelo grupo, agustina e noddy (por enquanto), aristóteles e detective maravilhas, pessoa e buffy, por aí fora.»

A nova livraria Babel

Passei por lá ontem ao fim da tarde, durante a inauguração (infelizmente sem máquina fotográfica). O burburinho da abertura solene, com os discursos da praxe e a enchente da praxe, não é o contexto ideal para formar uma opinião, mas o primeiro contacto, devo dizê-lo, ficou bastante aquém das expectativas.
A área total é menor do que eu imaginava. O espaço dedicado aos livros, menor ainda.
Numa primeira vista de olhos, chocaram-me duas coisas: as estantes muito feias (uma espécie de andaimes, com ferro bruto e tábuas de madeira que parecem ter sobrado das obras de remodelação) e o facto de só encontrar livros das editoras do grupo Babel (um mau prenúncio). Há ainda um espaço tecnológico para acesso às novas apostas digitais – incluindo um leitor de e-books da Samsung, marca com quem a Babel assinou uma parceria –, mas que não pude explorar devidamente, devido ao excesso de gravatas curiosas na sala.
Por fim, o terceiro módulo da livraria é um café-restaurante gourmet, que ontem servia aperitivos preparados pela equipa do chef Vítor Sobral, um lugar simpático, de decoração clean e vista para o Centro de Arte Moderna da Gulbenkian, mas algo desproporcionado em relação ao espaço efectivamente previsto para os livros.
Terei que lá voltar, claro. Mas o meu instinto diz-me que é mais provável que este projecto pseudo-modernaço acabe por ser um flop do que uma livraria de culto.

Revista ‘Os Meus Livros’ ressuscita

Foi uma morte curta. Menos de um mês após o anúncio do fecho da revista Os Meus Livros (OML), o projecto volta à vida com a mesma estrutura editorial, director (João Morales), leque de colaboradores, periodicidade e preço de capa. A diferença é que entretanto a publicação foi adquirida pela CE Livrarias (uma empresa subsidiária da Coimbra Editora), também responsável, em parceria com a LeYa, pelo novo fôlego da livraria Buchholz, em cuja festa de reabertura, hoje ao fim da tarde (festa muito concorrida, diga-se), foi anunciado o regresso da OML às bancas já em Maio.

Antiga livraria Buchholz reabre na próxima quinta-feira

Por acordo entre o ramo livreiro da Coimbra Editores e a LeYa (que já estabelecera um negócio semelhante com a Barata da Av. de Roma), a antiga Buchholz vai reabrir portas no dia 8, havendo festa de inauguração a partir das 18h00. Além de descontos na compra de livros durante a reabertura, a Livraria Leya na Buchholz (como passará a designar-se) promete recuperar o dinamismo cultural que em tempos teve, através da aposta num «intenso programa», que deverá incluir a realização de conversas entre escritores, lançamentos de livros e concertos.
A morada é a de sempre: Rua Duque de Palmela, n.º 4, em Lisboa.

Uma livraria independente

Skylight Books: what a neighborhood bookstore should be, dizem eles. Pena não ficar aqui ao virar da esquina.

[via BiblioFilmes]

Letra Livre, agora também no Bairro Alto

Até agora, a livraria Letra Livre, casa dos «livros impossíveis» e também dos «proibidos, esquecidos, esgotados e escondidos», era um espaço de cultura alternativa, ali ao fundo da Calçada do Combro. A partir de agora continua a ser isso, mas estende-se mais para cima até ao coração do Bairro Alto, tornando-se hóspede de outro espaço de cultura alternativa: a Galeria Zé dos Bois.
Na versão Rua da Barroca, a Letra Livre funcionará de quarta a sábado, entre as 18h00 e a meia-noite.

Escriba

Fica na Cova da Piedade e é neste momento a única livraria independente de Almada. Um exemplo de resistência cultural nos subúrbios.

Capítulos Soltos no Facebook

capitulos_soltos

A livraria Capítulos Soltos, de Braga, já tinha um blogue. Agora está também na mais popular das redes sociais.

Commonwealth Books

Gosto de livrarias em que o balcão está ocupado por pilhas de livros, acabados de chegar, ainda à espera de serem encaminhados para o seu lugar nas estantes. E foi isso que eu vi assim que entrei na Commonwealth Books, uma espécie de alfarrabista que fica ao fundo de uma rua discreta, perto do centro (Spring Lane).
Logo à entrada, do lado esquerdo, há uma editora em destaque. E não é nenhuma das várias chancelas da Random House. É a mui alternativa Black Widow Press, que publica poesia traduzida de Paul Éluard, André Breton, Valery Larbaud ou Tristan Tzara. Com as suas 700 páginas, a biografia Revolution of the Mind: The Life of Andre Breton, de Mark Polizzotti, ficou a olhar para mim (talvez para a próxima), mas entretanto outras centenas de títulos emitiam, obstinados, o seu chamamento cruel, como sereias a atazanar os ouvidos de um Ulisses sem cera para os ouvidos.
Com a sua confusão ordenada, o seu caos gracioso, a Commonwealth Books é sítio para se ficar muitas horas, deambulando entre os vários núcleos temáticos, lendo as frases soltas e artigos de jornal colados em tudo o que seja superfície plana, aproveitando uma ou outra pechincha. Infelizmente, não tinha muitas horas para ficar ali (talvez para a próxima), mas ainda consegui apropriar-me de três pechinchas. A saber: Sudden Fiction (continued) – 60 New Short-Short Stories, uma antologia organizada por Robert Shapard e James Thomas (Norton, 1996), por três dólares; Blood, Tin, Straw, de Sharon Olds (Alfred A. Knopf, 1999), por sete dólares; e Poemas in English, de Samuel Beckett (Grove Press, 1963), por três dólares.

Almedina Mobile: uma livraria no telemóvel

As Livrarias Almedina apresentaram hoje duas novas funcionalidades para telemóvel, desenvolvidas pelos seus próprios serviços de informática. Segundo os responsáveis da empresa, estas funcionalidades prometem «revolucionar a pesquisa, reserva e compra de livros em Portugal». Conferir aqui.

Livrarias preferidas

Para Vasco Santos (editor da Fenda), é a parisiense La Hune (não existindo já a Atlântida, em Coimbra, essa «ampola miraculosa de palavras, de coisas mentais»).

Para Rui Bebiano, é a Esperança, no Funchal, com a sua «arquitectura quase labiríntica (…) impondo uma sensação de retiro e de suspensão no tempo».

Almedina Oriente

É uma livraria nova. Inauguração hoje, a partir das 17h30, no Parque das Nações (Lisboa).
Como muito bem sublinha o Pedro Vieira, «é motivo de festa» constatar que ainda vão surgindo em Lisboa, apesar de tudo, espaços vocacionados para abrir «um pouco mais a cidade às letras».

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«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges