João Tordo na Alfaguara

Da editora Alfaguara, acabei de receber o seguinte comunicado:

«No ano em que comemora o seu 5.º aniversário em Portugal, e o seu 50.º aniversário a nível internacional, a Alfaguara anuncia com orgulho a contratação de mais um excelente autor português para o seu catálogo.
João Tordo, vencedor do Prémio José Saramago e um dos mais relevantes nomes da literatura portuguesa contemporânea, junta-se a um jovem mas cuidado catálogo de ficção literária, em que se destacam autores portugueses como Afonso Cruz, Ricardo Adolfo e Valter Hugo Mãe.
O próximo romance de João Tordo – Biografia involuntária dos amantes – sairá já em Abril com a chancela Alfaguara.»

Convém lembrar que embora a Alfaguara ainda detenha os direitos sobre alguns dos romances de Valter Hugo Mãe, o autor de A Desumanização transferiu-se recentemente para a Porto Editora.

Obra de José Saramago vai ser publicada pela Porto Editora

saramago

Foi hoje anunciado que a obra literária de José Saramago passará a fazer parte do catálogo da Porto Editora. No comunicado emitido pelas herdeiras do escritor, Pilar del Río e Violante Saramago Matos, pode ler-se:

«As herdeiras de José Saramago escolheram a Porto Editora para editar e distribuir a obra literária de José Saramago em Portugal e nos demais países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (à exceção do Brasil).
Ao mesmo tempo, a Fundação José Saramago e a Porto Editora vão definir estratégias conjuntas de divulgação da obra do escritor em todo o mundo, com especial atenção à comunidade lusófona.
Para além do facto de a Porto Editora ser uma empresa totalmente portuguesa que se dedica ao livro desde a sua fundação, pesaram nesta escolha duas razões de particular significado afetivo: a de o Prémio Literário José Saramago, que desde 1999 distingue jovens escritores de língua portuguesa, ser promovido pela Fundação Círculo de Leitores (que integra o Grupo Porto Editora desde 2010); e o impulso que o Círculo de Leitores deu à carreira literária de José Saramago com a edição do livro Viagem a Portugal (1981), que veio a permitir que se dedicasse a tempo inteiro à escrita.»

Embora se saiba que outras editoras manifestaram interesse, esta solução é tudo menos surpreendente. Depois da passagem de Mário de Carvalho e do espólio de Sophia de Mello Breyner Andresen para o grupo Porto Editora, completa-se a sangria dos principais autores da Caminho, ao mesmo tempo que o catálogo literário da PE ganha uma amplitude, densidade e peso institucional que ainda não tinha, apesar do grande crescimento dos últimos anos. Por outro lado, dificilmente outro grupo editorial apresentaria uma estrutura capaz de oferecer as condições de «divulgação da obra do escritor em todo o mundo, com especial atenção à comunidade lusófona» que as herdeiras legitimamente reclamam. A Porto Editora fez o que tinha a fazer: viu a oportunidade de ouro de ganhar um autor gigante (o único Nobel da língua portuguesa) e soube aproveitá-la.
Neste momento, porém, o meu pensamento vai para quem ajudou Saramago a ser Saramago, durante 35 anos de uma frutuosa relação de trabalho que foi sempre muito mais do que uma relação de trabalho. O meu pensamento vai para Zeferino Coelho, editor excelentíssimo que imagino a perguntar-se muitas vezes se a integração da Caminho no grupo LeYa foi o caminho certo ou um erro clamoroso. Não sei o que acharia Saramago de se ver assim transferido, mas sei que nunca se arrependeu de dar a ler os seus livros e de discuti-los desde a primeira hora com Zeferino Coelho, que tratou deles como um pai trata dos filhos.

Prémio Bang!

A editora Saída de Emergência anda à procura do George R. R. Martin português. Ou seja, um best-seller no campo da literatura fantástica. O isco é o Prémio Bang!, que oferece ao vencedor um prémio de três mil euros e a oportunidade de publicar a obra escolhida em Portugal e no Brasil. O regulamento pode ser consultado aqui.

Sophia na Assírio

O Grupo Porto Editora escolheu o Dia Internacional da Poesia para anunciar que a Assírio & Alvim, depois de Eugénio de Andrade, vai também passar a editar a obra poética completa de Sophia de Mello Breyner Andresen. Os primeiros títulos a recuperar, ainda este ano, são Poesia (1944), Coral (1950), No Tempo Dividido (1954) e Mar Novo (1958). Recorde-se que em 2012 a Porto Editora já assegurara os direitos para reeditar a obra em prosa de Sophia.

Nascimento de uma editora

Chama-se Parsifal e tem a cara do seu pai: Marcelo Teixeira, durante muitos anos editor da Oficina do Livro, grande amigo e principal responsável pela existência do meu segundo livro (Efeito Borboleta e outras histórias). Depois de sair do grupo LeYa, o Marcelo regressa ao activo com um projecto que teve um primeiro momento no final de 2012 – o livro História(s) do Estado Novo, com palavras e factos compilados a partir de uma extensa investigação nas hemerotecas – mas que abrirá portas a sério no início de Abril. Mais concretamente a 4 de Abril, data em que chegarão às livrarias os primeiros exemplares de Contos Capitais, uma antologia de histórias inéditas em que 30 escritores escrevem sobre 30 cidades diferentes (a mim coube-me Washington).
Eis, em «rigoroso exclusivo mundial» (como lhe chama ironicamente o Marcelo), a capa do livro:


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Longa vida, então, à Parsifal. Que publique muitos e bons livros. Cá estaremos para os ler.

Um livro por minuto

Foi quanto vendeu E. L. James em Portugal, desde que os livros da sua trilogia erótica (As Cinquenta Sombras de Grey e etc.) começaram a ser vendidos por cá, a 9 de Julho. Foram mais de 250 mil exemplares, em pouco mais de cinco meses. Assustador.

Uma nova editora que é uma Ilha

No Porto, há ilhas que são bairros dentro de outros bairros, geralmente bolsas de pobreza junto a zonas residenciais abastadas. Agora, no Porto, passa a haver outro tipo de ilha. Uma Ilha com maiúscula, apesar da natureza «pequena, muito pequena» do projecto. A nova editora nasceu em Outubro e propõe-se editar «obras de autores cuja qualidade, independentemente do seu muito ou pouco reconhecimento público, seja inegável». A estreia é com o volume Mulheres de Armas – Doze histórias sobre o sexo fraco, antologia de contos sobre mulheres, alguns inéditos em português, «marcados por personagens femininas insubmissas, de carácter por vezes sombrio».
Por enquanto, os contornos da Ilha podem ser descobertos numa página do Facebook, aqui.

Divina Comédia estreia-se com livro do novo Prémio Nobel

Para marcar o nascimento da sua nova editora (Divina Comédia), que só começará a publicar regularmente em 2013, Alexandre Vasconcelos e Sá apostou no Prémio Nobel da Literatura 2012, o chinês Mo Yan, de quem será dado à estampa o romance Mudanças. Assinale-se também que o único livro de Yan editado até agora em Portugal, Peito Grande, Ancas Largas, acaba de ser reeditado pela Ulisseia.

Alexandre Vasconcelos e Sá abre uma nova editora

O anúncio foi feito na Feira do Livro de Frankfurt, através da Publishers Weekly. A nova editora, chamada Divina Comédia, aponta para a publicação de 100 títulos por ano, tanto de ficção como de não-ficção. Alexandre Vasconcelos e Sá abandonou há poucas semanas a direcção da Objectiva.

Caim, de José Saramago, ultrapassa os 100 mil exemplares vendidos

Segundo números da GFK, o último romance de José Saramago, Caim, acaba de superar a barreira dos 100 mil exemplares vendidos, juntando-se a outros romances que conseguiram o mesmo feito comercial: Memorial do Convento; O Ano da Morte de Ricardo Reis; A Jangada de Pedra; O Evangelho Segundo Jesus Cristo; e Ensaio Sobre a Cegueira.

Bookoffice

No momento em que celebra cinco anos de vida, a Booktailors lança hoje um novo projecto de grande envergadura: o site Bookoffice, «plataforma que pretende ser um espaço de comunhão entre autores e leitores». Ligado à agência literária Bookoffice, «a primeira do género em Portugal», o site «será a via de ligação entre o ponto de partida e o ponto de chegada da literatura».
Vai já para a coluna da direita.

Mário de Carvalho ‘transfere-se’ para a Porto Editora

A Porto Editora anunciou hoje, em comunicado, que Mário de Carvalho passa a fazer parte do seu catálogo. A partir de 2013, toda a obra do autor de Era Bom que Trocássemos umas Ideias sobre o Assunto será reeditada pela PE em colecção própria. Para assinalar a nova relação, será lançado a 6 de Setembro o novo livro de originais: O Varandim seguido de Ocaso em Carvangel (duas novelas).

Blurbs: como os reconhecer e catalogar

Uma análise interessante dos elogios aos livros feitos de propósito para caberem numa frase redonda, feita por Jake Adam York na The Kenyon Review.

Porto Editora vai anunciar novidades para o mercado do livro electrónico em Portugal

Na próxima terça-feira, dia 10, a Wook (livraria virtual do grupo Porto Editora) apresentará em Lisboa, no Auditório do Edifício Grupo Bertrand Círculo (Benfica), pelas 11h30, a sua estratégia para a comercialização de eBooks, nomeadamente uma «solução inovadora que vai definir e impulsionar o mercado do eBook em Portugal». Segundo a informação já disponibilizada, esta nova solução facilitará «a entrada de todas as editoras portuguesas, pequenas, médias ou grandes, na realidade do eBook e, ao mesmo tempo, permitirá que os leitores usufruam dos seus livros digitais independentemente dos aparelhos e respectivos sistemas operativos».

Duplo Tranströmer

O Prémio Nobel de Literatura de 2011, Tomas Tranströmer, só estava publicado em Portugal de forma muito esparsa, nalgumas antologias e em jornais e blogues (que fizeram traduções de poemas avulsos). Quase um ano após a consagração que lhe foi conferida pela Academia Sueca, as editoras nacionais começam finalmente a reagir. Já este mês, a Relógio d’Água publica 50 poemas, com tradução e nota introdutória de Alexandre Pastor. Em Setembro, será a vez da Sextante lançar o único livro em prosa de Tranströmer: As Minhas Memórias Observam-me (Minnena ser mig, 1993), com prefácio de Pedro Mexia.

O efeito Amazon

«(…) In 1995, the year Bezos, then 31, started Amazon, just 16 million people used the Internet. A year later, the number was 36 million, a figure that would multiply at a furious rate. Today, more than 1.7 billion people, or almost one out of every four humans on the planet, are online. Bezos understood two things. One was the way the Internet made it possible to banish geography, enabling anyone with an Internet connection and a computer to browse a seemingly limitless universe of goods with a precision never previously known and then buy them directly from the comfort of their homes. The second was how the Internet allowed merchants to gather vast amounts of personal information on individual customers. (…)»

Eis um excelente artigo de Steve Wasserman sobre o cada vez maior poder da Amazon e a forma como este gigante está a moldar o futuro da produção e comercialização do livro.

A ‘Leitura Furiosa’ em voz alta

Como sempre, a Leitura Furiosa terminou na Casa da Achada, domingo à tarde, com uma sessão de leitura dos textos escritos por dezenas de autores em Lisboa, Porto, Beja e Amiens, depois dos encontros com os mais variados tipos de “leitores furiosos” na sexta-feira.
Mais uma vez, tive a sorte de ouvir um excelente actor (Antonino Solmer) a ler as minhas palavras e as dos meus meninos:

A partir do mesmo texto, a dupla Pedro e Diana, músicos capazes de fazer uma canção em menos de nada, criaram isto:

Foi muito bom. Para o ano há mais.

Queres que te faça um desenho?

Ao lado de outros excelentes ilustradores que se reuniram na Casa da Achada no sábado de manhã, o Nuno Saraiva ilustrou o meu texto (sem conhecer os meninos que o inspiraram, como se nota):

A última noite do mundo

São oito meninos que estão juntos e decidem contar uma história, só não sabem como. Uns ainda têm sete anos, outros já chegaram aos oito. A Ysabel («com i grego») nasceu no Brasil, em Minas Gerais, mas fala sem sotaque porque veio para Lisboa ainda bebé. Das visitas a Belo Horizonte, recorda os gelados de côco e uma piscina gigante. Um dia gostava de voltar, talvez para ser cabeleireira, talvez professora de polícias. A Joana não tem dúvidas, nem talvez: quando for crescida será arquitecta, quer desenhar prédios e escolas melhores. Se tiver tempo aprenderá karaté, porque «é bom para uma pessoa se defender». A Beatriz usa óculos cor-de-rosa. Encolhendo os ombros, admite que só lê quando não tem mais nada para fazer. E ela tem sempre muitas coisas para fazer. Por exemplo, fingir-se mais velha ao espelho, para aí uns 23 anos, com a roupa e os sapatos de salto alto da mãe. A mãe nasceu em São Tomé, o pai em Angola, terras que já visitou nas férias e que cheiravam a chuva, mas em que não gostava de viver porque é difícil, ou até impossível, encontrar um McDonald’s. Quando chegar mesmo aos 23 anos, já sabe: se não for modelo, será fadista. A Cátia é da Madeira mas agora vai de eléctrico para a escola todas as manhãs. O melhor dia da sua vida foram dois: o dia em que a levaram pela primeira vez ao circo e o dia em que o seu pai voltou de Abidjan. O Alexandre é muito tagarela e muito sportinguista (vejam a sua camisola às riscas verdes e brancas, com o leão ao peito). No futuro, dê lá por onde der, vai ser cozinheiro em Hollywood, mas por enquanto entretém-se a forrar o quarto com posters do Faísca McQueen. Enquanto exibe a tatuagem de uma caveira voadora a desvanecer-se no braço, garante que já fez com papel e cartolina um pequeno livro de receitas. «Só coisas esquisitas», explica. Esquisitas como? «Hmmmm, deixa cá ver. Ovo estrelado, por exemplo. E panquecas com doce, panquecas com chourição, panquecas com marmelada.» Mais tímido, o João fala muito menos, mas explica que também está a pensar em abrir um restaurante, onde servirá «comida automática» feita por «máquinas ajudantes». Se pudesse, ia 500 vezes ao Algarve e voava até às nuvens como fazem as fadas, a bater um grande par de asas transparentes. Faltam só duas meninas: a Aurora e a Ana Francisca, melhores amigas que se abraçam muito e às vezes se chateiam, só para se reconciliarem logo a seguir. A Aurora aprende violoncelo no Conservatório e já teve um hamster. A Ana Francisca precisa de controlar a vontade de bater nas pessoas (sobretudo num primo mais velho que mora no Luxemburgo) e diz que o seu maior sonho é ver o FMI fora de Portugal.
Mas a história? Que história será? Comecemos pelo título. Quase todos levantam o braço: Cadela Voadora; A Lua Sombria; A Casa Louca; O Livro sem Cor. É difícil chegar a um consenso. O João esboça no papel, linha a linha, a «menina que gostava muito de dançar e depois acordou», a Beatriz lembra-se de uma composição que escreveu para a escola sobre uma estrada que falava e também ria, a Ana Francisca vai buscar o caderno onde guardou as desventuras de um lobo «velhinho e pobrezinho» que se alimentava a sopas de legumes. Não, não, não, nada disso, o grupo quer fazer uma história nova e de todos, uma história que seja dos oito. Uma história de terror, sugere alguém. «Sim, sim, sim, uma história de terror», respondem quase todos. E assim começa a nascer A Última Noite do Mundo, em que se cruzam lobisomens e lobimulheres, vampiros e vampiras, vários tipos de zombies. De repente os monstros levantam-se, ao fundo da sala não há cenário mas há teatro, a Ysabel («com i grego») e o João representam, sozinhos, o género humano acossado, assustado, encurralado. «Agora os monstros destroem tudo», propõe a Ana Francisca, «e depois fazem uma festa». Finda a festa, fartos de destruição, os monstros viram costas, regressam ao mundo deles. E depois? Meio escondida debaixo de uma mesa, como se ainda temesse os inimigos que já desapareceram, a Ysabel («com i grego») olha para o João, ali a seu lado, erguendo-se junto ao quadro de ardósia como se fosse o primeiro homem, e diz: «Depois recomeçamos.»

José Mário Silva, com Alexandre Monchique, Ana Francisca Teixeira, Aurora Gomes, Beatriz Almeida, Cátia Conceição, Joana Matos, João Alves e Ysabel Silva, alunos da Escola n.º 10 (Castelo)

Oito meninos juntos decidem contar uma história

Na Leitura Furiosa de 2010, couberam-me seis alunos do ensino básico. Na de 2011, cinco homens a quem a vida pregou rasteiras. Este ano, voltei à escola e trabalhei com oito crianças da Escola n.º 10 do Castelo (Lisboa).
Ei-las:


Cátia Conceição, 7 anos


Aurora Gomes, 7 anos


Ana Francisca Teixeira, 8 anos


Alexandre Monchique, 7 anos


João Alves, 7 anos


Beatriz Almeida, 7 anos


Joana Matos, 8 anos


Ysabel Silva, 7 anos

E a fotografia de grupo:

Grupo Porto Editora oficializa aquisição da Assírio & Alvim

Eis o comunicado de imprensa do Grupo Porto Editora que acabo de receber:

«O Grupo Porto Editora (GPE) confirma a aquisição da chancela Assírio & Alvim (A&A), concretizada esta semana, no que representa uma nova aposta do GPE na área da Literatura. Com esta aquisição, o GPE assegura integralmente a produção editorial e a distribuição de todo o catálogo da A&A.
No âmbito deste processo, Manuel Rosa, o anterior accionista maioritário da A&A, assumirá o papel de colaborador externo para esta chancela, ao passo que Vasco David, que até agora assegurava a coordenação e o acompanhamento das obras da A&A, continuará a exercer as mesmas funções, agora integrado na Divisão Literária dirigida por Manuel Alberto Valente, que assume, desta forma, a direcção editorial desta chancela.
Vasco Teixeira, Administrador e Diretor Editorial do Grupo Porto Editora, considera que “o património da Assírio&Alvim merece este nosso investimento, evitando que a presente conjuntura causasse perdas importantes no panorama editorial. Acredito que temos condições humanas e estruturais para fazer um bom trabalho, honrando o projeto desenvolvido desde a fundação da A&A – e, neste ponto, faço questão de lembrar o mérito ímpar de Manuel Hermínio Monteiro, a quem muito deve o Livro em Portugal”.
Nesta nova fase da sua vida, a A&A vai privilegiar três linhas de trabalho essenciais: a publicação de grandes autores portugueses, com Fernando Pessoa à cabeça, a poesia e a grande herança clássica da literatura mundial.
Entre os títulos a publicar brevemente, destaca-se Um país que sonha – cem anos de poesia colombiana, com organização de Lauren Mendinueta e traduções de Nuno Júdice, que será apresentado no próximo dia 24 de Março, no Centro Cultural de Belém, no âmbito da comemoração do Dia Mundial da Poesia; e Igreja e Sociedade Portuguesa – do Liberalismo à República, de D. Manuel Clemente, Bispo do Porto.
Em Agosto de 2011, o GPE e a A&A estabeleceram um acordo na área da distribuição que acabou por evoluir, em outubro do mesmo ano, para um protocolo que passava a envolver uma parceria editorial.»

Maus sinais

A LeYa anunciou que vai fazer este ano «uma redução do seu plano editorial, com uma consequente redução de colaboradores nas áreas editorial, de marketing, comercial e de serviço de apoio a clientes», enquanto reforça a sua aposta no mercado brasileiro. Se um dos dois maiores grupos editoriais tenciona despedir mais de 30 funcionários e diminuir o número de títulos publicados, imagine-se o que não acontecerá em estruturas mais pequenas e economicamente mais frágeis. No mundo do livro em Portugal, mesmo com a manutenção do IVA nos 6%, o ano de 2012 promete cumprir (e talvez exceder) os piores vaticínios.

Presença anuncia parceria estratégica com a Marcador Editora

Eis o comunicado que oficializa o negócio:

«A Editorial Presença acaba de anunciar o estabelecimento de uma parceria estratégica com a Marcador Editora, tendo em vista o desenvolvimento de novos negócios e projetos.
Beneficiando de uma das melhores redes de distribuição e colocação nos diversos pontos de venda em Portugal, e dos mesmos recursos internos e sinergias operacionais da Editorial Presença, esta nova sociedade assume uma abordagem flexível e adaptada às necessidades e desafios do mercado editorial.
Tendo como objetivo o desenvolvimento de novos conteúdos e uma ligação mais estreita e eficaz entre autores, livreiros e leitores, esta associação vem criar condições para o reforço de um catálogo generalista abrangendo, em especial, áreas como: Culinária, Gestão, Romance, Educação, História de Portugal, Histórias de Vida e Infantojuvenil.
Assim, a Marcador Editora é a nova marca do grupo Editorial Presença, contando com a participação societária de João Gonçalves, que também assegura a sua direção, e de Ricardo Antunes na gestão de projeto.
As duas editoras juntam-se assim numa homenagem à leitura e aos leitores, que através de um catálogo generalista poderão encontrar resposta à medida dos seus interesses literários.»

Parceria Assírio & Alvim/Grupo Porto Editora

O Grupo Porto Editora emitiu hoje o seguinte comunicado:

«O Grupo Porto Editora e a Assírio & Alvim anunciam a celebração de um acordo de parceria estratégica para as áreas de edição e de distribuição.
Os objetivos deste acordo são o de dar maior sustentabilidade ao excelente trabalho editorial que distingue a Assírio & Alvim, bem como o de contribuir para que as respetivas obras cheguem a um maior número de leitores.
Para a persecução desses propósitos, a Assírio & Alvim beneficiará das sinergias criadas no contexto do Grupo Porto Editora, sendo fundamental sublinhar que a continuidade editorial está expressamente assegurada, preservando-se assim as características fundamentais de uma editora de prestígio reconhecido.
De referir que este acordo contempla todo o catálogo da Assírio & Alvim, incluindo o designado fundo editorial.»

Paulo Ferreira assume direcção-geral da Booktailors

Ao fim de cinco anos de partilha, com Nuno Seabra Lopes, do projecto de consultoria editorial líder do mercado, Paulo Ferreira permanecerá na liderança da empresa, enquanto Seabra Lopes, que cede a totalidade da sua posição, prosseguirá outros caminhos profissionais. Diogo Coelho e Nuno Quintas, colaboradores da Booktailors desde 2009, passam a fazer parte da estrutura societária da empresa, ao mesmo tempo que Paulo Ferreira reforça a sua quota, tornando-se sócio maioritário.

Nietzsche nos Anjos

O primeiro a falar foi o Adelino, Lino para os amigos. E foi o que falou menos. Escondeu o jogo. Os outros contaram em detalhe os seus problemas. O Hélder falou das temporadas no inferno por causa da droga, histórias terríveis mas que ficaram para trás («há mais de um ano que deixei a metadona, não vou arriscar outra recaída»). O Daniel explicou como é que perdeu a vista direita (uma facada) e se lhe pedisse muito mostrava-me a cicatriz que assinala o lugar por onde um dia lhe entrou uma bala. O João Miguel contou como «as drogas e a night» lhe estragaram o futuro de ponta-de-lança com jeito para marcar golos de cabeça; mais a longa peregrinação por centros de apoio e comunidades terapêuticas, em Portugal e no estrangeiro. O José Manuel lembrou um piano-bar em Nampula, durante a guerra colonial, e a experiência de emigrante em Inglaterra, numa fábrica de bacon na Cornualha, seguido de um regresso súbito a Lisboa para tratar da mãe, que depois morreu e o deixou à deriva. Apenas o Lino se fechou em copas. Houve descaminhos e «percalços» que o levaram para trás das grades, muitas vezes. Só isso. Os livros ajudavam-no a sair dali, mentalmente. Leu Hemingway, Umberto Eco, mas também os calhamaços de José Rodrigues dos Santos. «Até se comem bem», resumiu – sorriso irónico à frente das palavras, como um biombo. Estávamos os seis, eu e aqueles cinco homens a quem a vida trocou as voltas, na cave do Centro de Apoio Social dos Anjos, em Lisboa, também conhecido como «a sopa dos pobres». Começávamos assim mais uma “Leitura Furiosa”, iniciativa que leva escritores ao encontro de leitores zangados com a leitura ou com o mundo, leitores ou ex-leitores que não têm dinheiro para os livros e que partilham as suas histórias, as suas raivas, e depois as vêem transformadas num texto que é lido numa sessão pública, com actores e músicos.
Foi só no dia seguinte, ao almoço, já o texto escrito, aprovado pelo grupo e ilustrado por um escultor, que Lino se expôs um pouco mais. Cenário: um restaurante na Mouraria. Sopa de entulho, pataniscas, língua de vaca, vinho carrascão. O João Miguel explicava que em alguns dos centros por onde passou havia uma componente religiosa, católica, muito forte. «Eu cá não me sujeitava a nada disso», replicou o Lino, «a mim não me fazem lavagens ao cérebro nem me chateiam com beatices». E de repente, virando-se para mim: «Já leu Nietzsche? Eu agora queria mesmo é ler Nietzsche.» Estive tentado a dizer que o Nietzsche não se come tão bem como o Rodrigues dos Santos, mas calei-me. O Lino tímido da véspera dera lugar a um Lino afirmativo. «E o Joyce? Conseguiu ler o Ulisses? Olhe que eu não. Esforcei-me, aguentei umas 50 páginas, mas depois larguei. Não tinha pedalada para aquilo. Acho que ele não precisava de ser assim tão complicado, tão obscuro. Do que eu gostei mesmo foi do outro Ulisses, do verdadeiro, o da Odisseia, o do Homero. Li tudo de uma ponta à outra. Que maravilha.»
Apeteceu-me reescrever o texto, começar de novo. Mas suspeito que o Lino não gostaria da aura de intelectual. A sua luta é outra. Sobreviver, seguir em frente, manter-se de pé. À tarde, fomos à Feira do Livro. Havia sol, calor, milhares de pessoas a deambular entre os pavilhões e as praças coloridas. No túnel da Babel, o Lino parou em frente dos livros de capa verde da Guimarães. Lá estava Nietzsche: Assim Falava Zaratustra; Para Além do Bem e do Mal; A Gaia Ciência. Cada volume a três euros. Senti o impulso da generosidade mas contive-me (nada de paternalismos). Lino sabe que pode requisitar Nietzsche nas bibliotecas públicas. Expliquei-lhe quais as mais próximas dos Anjos (onde, além de fazer fila para as refeições gratuitas, também dorme). No dia seguinte, reencontrámo-nos os seis na Casa da Achada. Ouvimos as palavras deles e as minhas, ditas em voz alta. Não os voltei a ver. Mas agora, sempre que passo em frente da igreja dos Anjos, recordo este aforismo escrito em alemão há mais de um século: «E se tu olhares muito tempo para dentro de um abismo, o abismo também olhará para dentro de ti.»

[Texto publicado no n.º 103 da revista Ler]

Ecos da ‘Leitura Furiosa’

Ontem à tarde, os textos da Leitura Furiosa 2011, tanto os escritos em Lisboa como os escritos no Porto e em Amiens, foram lidos na Casa da Achada por um grupo de actores, de que fizeram parte Antonino Solmer, Diogo Dória, Elisabete Piecho, Inês Nogueira, Joana Craveiro, Maria Gil e outros.
Apesar da captação de som imperfeita, aqui vos deixo o momento em que Dois Círculos foi lido a cinco vozes:

Logo depois, o Pedro Rodrigues e a Diana Dionísio (também conhecidos como Pedro e Diana) aproveitaram duas frases do texto («À volta, cinco homens com marcas no corpo e na memória: rugas, cicatrizes, tatuagens, histórias de rasteiras que a vida prega»; «Sempre fiz tudo ao contrário») para comporem e cantarem uma bela canção, com acompanhamento de tambor e concertina:

‘Leitura Furiosa’ (quando a ilustração de um texto é uma pequena escultura)

A partir de Os dois círculos, o artista Zé d’Almeida criou uma ilustração 3D. Ou seja, aquilo a que se costuma chamar uma escultura, neste caso em barro, com arames:

Dois círculos

Eis o texto que resultou da conversa, sexta-feira de manhã, no Centro de Acção Social dos Anjos, em Lisboa, com o Adelino, o Hélder, o Daniel, o José Manuel e o João Miguel:

DOIS CÍRCULOS
Assim juntas, as mesas circulares formam um oito, ou então o símbolo do infinito (depende). À volta, cinco homens com marcas no corpo e na memória: cicatrizes, tatuagens, rugas, histórias de rasteiras que a vida prega, «percalços» a que não se quer voltar, nem no tempo suspenso de uma conversa. Dos cinco, o mais reservado é o Lino, o Adelino que hoje faz 50 anos e sorri muito quando todos o cumprimentam («então não dizias nada, pá?») mas depois se fecha em copas. O sonho de ser médico não passou disso mesmo: um sonho. «Sempre fiz tudo ao contrário.» A escola deixada a meio, os descaminhos, as muitas detenções. Atrás das grades, os livros que ia buscar à biblioteca foram importantes: «Ajudavam-me a sair dali, a evadir-me dentro da cabeça.»
Para Hélder, a libertação não foi a leitura, mas a escrita. Há uns anos, a psicóloga das Taipas que o salvou do abismo das drogas, uma rapariga que conhecia desde a infância em Benfica, ali para os lados do Califa, pediu-lhe que pusesse no papel a sua vida e ele escreveu-a, com o seu lado negro, os remorsos, todas as dores. Lá recapitulou a história do pai que era pasteleiro em Luanda e vendia bolos num raio de 400 quilómetros, até ao dia em que teve de voltar para Portugal e deixou tudo, e perdeu tudo, casa, carro, negócio, tudo, tudo. História parecida, a do filho, a dele próprio, mas sem o fim do império como desculpa: «Houve uma altura em que eu era electricista durante o dia e vendedor da TVCabo à noite, nunca ganhei tanto dinheiro, tinha um apartamento em Santo António dos Cavaleiros, mulher, automóvel, e num mês foi-se tudo, num mês perdi o que levou anos a construir.» A psicóloga das Taipas salvou-o, há um ano que nem sequer precisa de metadona, mas as doenças arruinaram-lhe o corpo. «Aos 39 anos, estou reformado por invalidez.» Não é preciso dizer mais nada.
No trajecto de Daniel, 42 anos, há uma mistura de Lino e Hélder: prisões e drogas. Em miúdo, jogava futebol na Praça da Alegria, partia vidros e imaginava-se centrocampista do glorioso SLB. Ainda calçou as chuteiras no Casa Pia e no Oriental, mas ficou-se pelos juniores. Aos 17 anos, a vida inclinou-se para o lado pior e «nem vale a pena entrar por aí», pois nunca passaremos da ponta do icebergue. Ao bafo da morte, conhece-o bem: perdeu a vista direita com uma facada, já levou um tiro, já esteve em coma devido a uma pneumonia. E sabe que o destino prega partidas irónicas. Filho de pai ausente, em pai ausente se tornou. Há 22 anos, era funcionário da Santa Casa, nas oficinas de carpintaria; hoje, é «cliente» das refeições que a Santa Casa serve nos Anjos, no lugar a que em tempos se chamava «sopa dos pobres».
O futebol também foi o futuro não cumprido do João Miguel, 47 anos. Nas camadas jovens, chegou a jogar no Sporting e no Benfica. Depois seguiu como semi-profissional no Odivelas (no tempo em que lá estava o Oceano) e em equipas dos distritais. Era ponta-de-lança, sempre na frente, um fartote a marcar golos de cabeça. A cabeça que infelizmente lhe faltava para o resto. Com os olhos brilhantes, resume: «A droga e a night estragaram-me a vida.» A família tentou curá-lo, mas ele fugia sempre dos centros de reabilitação, mal começava a ressaca. Passou por Espanha, pela Áustria, pela Suíça, pela Alemanha. Tem pena de não ter ficado em Zurique, onde se entusiasmou a tratar de um jardim. Em vez disso, voltou para Portugal. Foi escriturário-dactilógrafo no Hospital Pulido Valente e segurança no Metro. Está desempregado desde Janeiro, ainda com esperança de que as coisas mudem. Aponta para os companheiros de mesa: «Do que a gente precisa todos é de arranjar trabalho.»
José Manuel, o mais velho dos cinco, faz que não com a cabeça. Por ele, prescinde de mais trabalho. Basta-lhe o consolo das refeições quentes e alguma companhia. Aos 50 anos, quando emigrou para Inglaterra, sentia-se com 40. «Agora, com 62, é como se tivesse 70.» A morte da mãe, que acompanhou na doença final, deitou-o abaixo. Mas a memória ainda funciona. Lembra-se do primeiro emprego, aos 14 anos, numa companhia de seguros. Lembra-se de ser dispensado da fábrica de bacon, na Cornualha, com muitos outros, e do curso de mecânica automóvel que fez logo a seguir. Lembra-se da comissão em África, Moçambique, de 1971 a 1973, no destacamento de Fotografia e Cinema, a revelar filmes que mostravam cenas das evacuações em combate, mortos e feridos a entrarem nos helicópteros. Lembra-se do Bagdade, o piano-bar de Nampula, onde se bebiam copos no meio da guerra e o pianista não era nada mau. Lembra-se dos livros que nunca deixou de ler (Eça de Queirós, Soeiro Pereira Gomes, Jorge Amado, José Cardoso Pires). Lembra-se dos discos que ouvia no seu estúdio minúsculo, lá em terras de Sua Majestade (música clássica e muito jazz, sobretudo bebop, Coltrane, Charlie Parker, Gillespie, Miles Davis). Ao contrário dos outros, nunca sucumbiu ao apelo das drogas, essa escura maldição. Ao álcool, sim, sempre ajuda a adormecer à noite, «mas sem abusos».
No relógio, os ponteiros unem-se sobre o 12. É hora de almoço, arrastam-se cadeiras. Afastadas, as mesas voltam a ser só dois círculos numa sala vazia. Uma sala que se fecha, com estas histórias lá dentro, a pairar.

Cinco vidas à volta de uma mesa (aliás, de duas)

Em 2010, a Leitura Furiosa levou-me a uma escola do ensino básico, onde encontrei estes meninos e as histórias que juntei no respectivo texto. Este ano, coube-me o Centro de Apoio Social dos Anjos (a que muita gente ainda chama «sopa dos pobres»), onde ouvi cinco narrativas de percursos e «percalços», contadas por homens a quem a vida de alguma maneira pregou rasteiras, quando não foram eles a pregarem-nas a si mesmos.


Adelino, 50 anos (exactos, feitos hoje)


Hélder, 39 anos


Daniel, 42 anos


João Miguel, 47 anos


José Manuel, 62 anos

‘Leitura Furiosa’


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De amanhã até domingo, entro em modo furioso.

Boas notícias sobre o mundo dos livros

Início de um interessante artigo que encontrei no site da revista McSweeney’s:

«This has been an interesting few years for the book industry. There have been many changes and realignments, and these changes have led many to predict that (a) reading is dead; (b) books are dead; (c) publishing is dead; (d) all printed matter is dead. Or that all of the above, if not already dead, will be dead very soon.
The good news is that there isn’t as much bad news as popularly assumed. In fact, almost all of the news is good, and most of it is very good. Book sales are up, way up, from twenty years ago. Young adult readership is far wider and deeper than ever before. Library membership and circulation is at all-time high. The good news goes on and on.
But still, perceptions persist that in a few years there will be no books printed on paper. That e-readers will take over the industry, and perhaps soon after, some other trend will kill books dead.
Sales of e-books still represent a small percentage of the overall book market. Depending on who’s counting, the portion of the market is between 8% and 10%. When Amazon reports that their e-book sales are now larger than their paperback sales, it’s easy to extrapolate this to encompass overall reading trends. But that would be a mistake. Amazon is an internet company, and it follows that their sales would favor electronic delivery of text. They are but one of many ways people get books, and the ratio of printed books to e-books changes drastically with each venue.
Even with the rise of e-books, and the struggles of some bookstore chains, all the anecdotal evidence we knew pointed to the book industry being on solid footing. But we wanted proof, so back in May of 2010, amidst some of the most dour prognostications about the state of the industry, we asked fifteen or so young researchers to look into the health of the book.»

Leiam o artigo completo aqui. Vale a pena.

Primeiro balanço da Feira de Frankfurt (em sete palavras)

Domínio do digital, menos gente, mais negócio.

A caminho de Frankfurt

Começa hoje a peregrinação aérea de milhares de editores e agentes literários em direcção a Frankfurt, onde a Feira de todos os negócios começa quarta-feira. A revista The Bookseller falou com os principais agentes, na tentativa de antecipar quais serão os livros mais disputados. Entre outros, haverá um novo romance de Martin Amis (State of England: Lionel Asbo, Lotto Lout, protagonizado por um anti-herói ao pé do qual, diz-se, os «anteriores monstros masculinos» de Amis parecerão uns rapazitos altruístas). Haverá também um novo Pamuk, o segundo romance de Kiran Desai (vencedora do Booker em 2006, com A Herança do Vazio) e, pelos vistos, muita livralhada que não interessa nem ao Menino Jesus.

Nova assessora de imprensa no Círculo de Leitores/Temas e Debates

Sai Rosa Clemente, há muitos anos no lugar, e entra Ana Teresa Ferreira.
A nova assessora de imprensa do Círculo de Leitores/Temas e Debates é formada em Ciências da Comunicação pela Universidade Nova de Lisboa e começou por trabalhar na imprensa (Jornal de Letras e Notícias Magazine). Nos últimos tempos, era editora de conteúdos do site oficial do Círculo de Leitores e responsável pelas entrevistas a autores portugueses e estrangeiros na revista Círculo.

O editor que nunca virou a página de um livro

Chamava-se Allen Lane e foi o fundador dos livros de bolso da Penguin.

O ‘Chacal’ às vezes também perde

«The Wylie Agency is to remove from sale 13 of the 20 titles included in its Odyssey Editions e-book offshoot after coming to an agreement with the publisher of those books: Random House.
In a surprise joint statement issued by Markus Dohle, chairman & c.e.o of Random House, and Andrew Wylie, president of The Wylie Agency, the two companies said they had “resolved” their differences over the disputed Random House titles included in the Odyssey Editions e-book publishing program.»

A notícia completa, divulgada pela The Bookseller, pode ser lida aqui.

Agora as editoras também podem ter os seus miradouros

«As doações gratuitas de livros por editoras e livrarias a instituições de solidariedade social ou de carácter cultural, como as ONG, passa a estar isenta de pagamento do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA).
De acordo com o decreto publicado esta segunda-feira em Diário da República, a lei estende “o âmbito da não tributação em sede de IVA das transmissões de livros a título gratuito.”»

Os mais bem pagos

A revista Forbes publicou esta semana a lista dos dez escritores mais bem pagos da actualidade. Em primeiro lugar, com 70 milhões de dólares anuais, está James Patterson, logo seguido por Stephenie Meyer (40 milhões) e Stephen King (34 milhões). Fora do pódio, mas com exorbitantes contas bancárias, ficam Danielle Steel (32 milhões), Ken Follet (20 milhões), Dean Koontz (18 milhões), Janet Evanovich (16 milhões), John Grisham (15 milhões), Nicholas Sparks (14 milhões) e J.K. Rowling (10 milhões). Ou seja, escritores razoáveis: dois ou três. Grandes escritores: nenhum. C’est la vie.

Coimbra Editores assimila Sodilivros e cria um novo grupo

Acabo de receber o seguinte comunicado:

«As sólidas relações entre os actuais principais accionistas da COIMBRA EDITORA S.A. (fundada em 1920) e da SODILIVROS, SOCIEDADE DISTRIBUIDORA DE LIVROS E PUBLICAÇÕES S.A. (fundada em 1985), assentes numa base de confiança pessoal e numa visão partilhada sobre a potencialidade de ambas as empresas no sector do livro, por um lado;
- Uma análise convergente sobre a conjuntura do mercado e sobre as consequências dos fortes movimentos de concentração que nele se têm verificado, por outro;
- Determinaram a nossa vontade na criação de um futuro conjunto: a C.E. – GRUPO COIMBRA EDITORA.

Neste momento, ao anunciarmos a sua constituição, oferecemos ao mercado um modelo de negócio que concentra as principais actividades de suporte e apoio ao sector da edição, de forma integrada, num único grupo empresarial:

CE GRÁFICA – produção gráfica centrada essencialmente em obra de livro, agregando a anterior tipografia da COIMBRA EDITORA com uma reconhecida e conceituada gráfica da zona centro do país.

CE SODILIVROS – distribuidora de edição generalista e de edição técnica, com três unidades de negócio diferenciadas (armazéns, logística e equipa comercial) situadas em Lisboa, Coimbra e Luanda, respectivamente.

CE LIVRARIAS – nova rede de retalho livreiro, construída em parceria comercial com o GRUPO LEYA a partir da pré-existente rede de lojas da COIMBRA EDITORA, agora ampliada com a aquisição de novos espaços comerciais, representando hoje, num conjunto em crescimento, um total de 17 livrarias de características generalistas, técnicas/universitárias e especializadas na área do Direito e do livro escolar.

Assentes na reconhecida experiência e credibilidade das empresas agrupadas, dos seus accionistas e dos seus profissionais, empregando mais de 200 trabalhadores, servindo mais de 50 editoras, temos um objectivo de facturação consolidada de 20 milhões de euros em 2011, dando assim corpo à nossa principal missão: “Contribuir para a diversidade, a igualdade de oportunidades e para o fortalecimento dos mais importantes agentes da indústria cultural do livro em Portugal e nos países da lusofonia – os Editores.”
João Salgado / Jorge Azevedo
GRUPO COIMBRA EDITORA»

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«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges