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Maus sinais

A LeYa anunciou que vai fazer este ano «uma redução do seu plano editorial, com uma consequente redução de colaboradores nas áreas editorial, de marketing, comercial e de serviço de apoio a clientes», enquanto reforça a sua aposta no mercado brasileiro. Se um dos dois maiores grupos editoriais tenciona despedir mais de 30 funcionários e diminuir o número de títulos publicados, imagine-se o que não acontecerá em estruturas mais pequenas e economicamente mais frágeis. No mundo do livro em Portugal, mesmo com a manutenção do IVA nos 6%, o ano de 2012 promete cumprir (e talvez exceder) os piores vaticínios.

Presença anuncia parceria estratégica com a Marcador Editora

Eis o comunicado que oficializa o negócio:

«A Editorial Presença acaba de anunciar o estabelecimento de uma parceria estratégica com a Marcador Editora, tendo em vista o desenvolvimento de novos negócios e projetos.
Beneficiando de uma das melhores redes de distribuição e colocação nos diversos pontos de venda em Portugal, e dos mesmos recursos internos e sinergias operacionais da Editorial Presença, esta nova sociedade assume uma abordagem flexível e adaptada às necessidades e desafios do mercado editorial.
Tendo como objetivo o desenvolvimento de novos conteúdos e uma ligação mais estreita e eficaz entre autores, livreiros e leitores, esta associação vem criar condições para o reforço de um catálogo generalista abrangendo, em especial, áreas como: Culinária, Gestão, Romance, Educação, História de Portugal, Histórias de Vida e Infantojuvenil.
Assim, a Marcador Editora é a nova marca do grupo Editorial Presença, contando com a participação societária de João Gonçalves, que também assegura a sua direção, e de Ricardo Antunes na gestão de projeto.
As duas editoras juntam-se assim numa homenagem à leitura e aos leitores, que através de um catálogo generalista poderão encontrar resposta à medida dos seus interesses literários.»

Parceria Assírio & Alvim/Grupo Porto Editora

O Grupo Porto Editora emitiu hoje o seguinte comunicado:

«O Grupo Porto Editora e a Assírio & Alvim anunciam a celebração de um acordo de parceria estratégica para as áreas de edição e de distribuição.
Os objetivos deste acordo são o de dar maior sustentabilidade ao excelente trabalho editorial que distingue a Assírio & Alvim, bem como o de contribuir para que as respetivas obras cheguem a um maior número de leitores.
Para a persecução desses propósitos, a Assírio & Alvim beneficiará das sinergias criadas no contexto do Grupo Porto Editora, sendo fundamental sublinhar que a continuidade editorial está expressamente assegurada, preservando-se assim as características fundamentais de uma editora de prestígio reconhecido.
De referir que este acordo contempla todo o catálogo da Assírio & Alvim, incluindo o designado fundo editorial.»

Paulo Ferreira assume direcção-geral da Booktailors

Ao fim de cinco anos de partilha, com Nuno Seabra Lopes, do projecto de consultoria editorial líder do mercado, Paulo Ferreira permanecerá na liderança da empresa, enquanto Seabra Lopes, que cede a totalidade da sua posição, prosseguirá outros caminhos profissionais. Diogo Coelho e Nuno Quintas, colaboradores da Booktailors desde 2009, passam a fazer parte da estrutura societária da empresa, ao mesmo tempo que Paulo Ferreira reforça a sua quota, tornando-se sócio maioritário.

Ecos da ‘Leitura Furiosa’

Ontem à tarde, os textos da Leitura Furiosa 2011, tanto os escritos em Lisboa como os escritos no Porto e em Amiens, foram lidos na Casa da Achada por um grupo de actores, de que fizeram parte Antonino Solmer, Diogo Dória, Elisabete Piecho, Inês Nogueira, Joana Craveiro, Maria Gil e outros.
Apesar da captação de som imperfeita, aqui vos deixo o momento em que Dois Círculos foi lido a cinco vozes:

Logo depois, o Pedro Rodrigues e a Diana Dionísio (também conhecidos como Pedro e Diana) aproveitaram duas frases do texto («À volta, cinco homens com marcas no corpo e na memória: rugas, cicatrizes, tatuagens, histórias de rasteiras que a vida prega»; «Sempre fiz tudo ao contrário») para comporem e cantarem uma bela canção, com acompanhamento de tambor e concertina:

‘Leitura Furiosa’ (quando a ilustração de um texto é uma pequena escultura)

A partir de Os dois círculos, o artista Zé d’Almeida criou uma ilustração 3D. Ou seja, aquilo a que se costuma chamar uma escultura, neste caso em barro, com arames:

Dois círculos

Eis o texto que resultou da conversa, sexta-feira de manhã, no Centro de Acção Social dos Anjos, em Lisboa, com o Adelino, o Hélder, o Daniel, o José Manuel e o João Miguel:

DOIS CÍRCULOS
Assim juntas, as mesas circulares formam um oito, ou então o símbolo do infinito (depende). À volta, cinco homens com marcas no corpo e na memória: cicatrizes, tatuagens, rugas, histórias de rasteiras que a vida prega, «percalços» a que não se quer voltar, nem no tempo suspenso de uma conversa. Dos cinco, o mais reservado é o Lino, o Adelino que hoje faz 50 anos e sorri muito quando todos o cumprimentam («então não dizias nada, pá?») mas depois se fecha em copas. O sonho de ser médico não passou disso mesmo: um sonho. «Sempre fiz tudo ao contrário.» A escola deixada a meio, os descaminhos, as muitas detenções. Atrás das grades, os livros que ia buscar à biblioteca foram importantes: «Ajudavam-me a sair dali, a evadir-me dentro da cabeça.»
Para Hélder, a libertação não foi a leitura, mas a escrita. Há uns anos, a psicóloga das Taipas que o salvou do abismo das drogas, uma rapariga que conhecia desde a infância em Benfica, ali para os lados do Califa, pediu-lhe que pusesse no papel a sua vida e ele escreveu-a, com o seu lado negro, os remorsos, todas as dores. Lá recapitulou a história do pai que era pasteleiro em Luanda e vendia bolos num raio de 400 quilómetros, até ao dia em que teve de voltar para Portugal e deixou tudo, e perdeu tudo, casa, carro, negócio, tudo, tudo. História parecida, a do filho, a dele próprio, mas sem o fim do império como desculpa: «Houve uma altura em que eu era electricista durante o dia e vendedor da TVCabo à noite, nunca ganhei tanto dinheiro, tinha um apartamento em Santo António dos Cavaleiros, mulher, automóvel, e num mês foi-se tudo, num mês perdi o que levou anos a construir.» A psicóloga das Taipas salvou-o, há um ano que nem sequer precisa de metadona, mas as doenças arruinaram-lhe o corpo. «Aos 39 anos, estou reformado por invalidez.» Não é preciso dizer mais nada.
No trajecto de Daniel, 42 anos, há uma mistura de Lino e Hélder: prisões e drogas. Em miúdo, jogava futebol na Praça da Alegria, partia vidros e imaginava-se centrocampista do glorioso SLB. Ainda calçou as chuteiras no Casa Pia e no Oriental, mas ficou-se pelos juniores. Aos 17 anos, a vida inclinou-se para o lado pior e «nem vale a pena entrar por aí», pois nunca passaremos da ponta do icebergue. Ao bafo da morte, conhece-o bem: perdeu a vista direita com uma facada, já levou um tiro, já esteve em coma devido a uma pneumonia. E sabe que o destino prega partidas irónicas. Filho de pai ausente, em pai ausente se tornou. Há 22 anos, era funcionário da Santa Casa, nas oficinas de carpintaria; hoje, é «cliente» das refeições que a Santa Casa serve nos Anjos, no lugar a que em tempos se chamava «sopa dos pobres».
O futebol também foi o futuro não cumprido do João Miguel, 47 anos. Nas camadas jovens, chegou a jogar no Sporting e no Benfica. Depois seguiu como semi-profissional no Odivelas (no tempo em que lá estava o Oceano) e em equipas dos distritais. Era ponta-de-lança, sempre na frente, um fartote a marcar golos de cabeça. A cabeça que infelizmente lhe faltava para o resto. Com os olhos brilhantes, resume: «A droga e a night estragaram-me a vida.» A família tentou curá-lo, mas ele fugia sempre dos centros de reabilitação, mal começava a ressaca. Passou por Espanha, pela Áustria, pela Suíça, pela Alemanha. Tem pena de não ter ficado em Zurique, onde se entusiasmou a tratar de um jardim. Em vez disso, voltou para Portugal. Foi escriturário-dactilógrafo no Hospital Pulido Valente e segurança no Metro. Está desempregado desde Janeiro, ainda com esperança de que as coisas mudem. Aponta para os companheiros de mesa: «Do que a gente precisa todos é de arranjar trabalho.»
José Manuel, o mais velho dos cinco, faz que não com a cabeça. Por ele, prescinde de mais trabalho. Basta-lhe o consolo das refeições quentes e alguma companhia. Aos 50 anos, quando emigrou para Inglaterra, sentia-se com 40. «Agora, com 62, é como se tivesse 70.» A morte da mãe, que acompanhou na doença final, deitou-o abaixo. Mas a memória ainda funciona. Lembra-se do primeiro emprego, aos 14 anos, numa companhia de seguros. Lembra-se de ser dispensado da fábrica de bacon, na Cornualha, com muitos outros, e do curso de mecânica automóvel que fez logo a seguir. Lembra-se da comissão em África, Moçambique, de 1971 a 1973, no destacamento de Fotografia e Cinema, a revelar filmes que mostravam cenas das evacuações em combate, mortos e feridos a entrarem nos helicópteros. Lembra-se do Bagdade, o piano-bar de Nampula, onde se bebiam copos no meio da guerra e o pianista não era nada mau. Lembra-se dos livros que nunca deixou de ler (Eça de Queirós, Soeiro Pereira Gomes, Jorge Amado, José Cardoso Pires). Lembra-se dos discos que ouvia no seu estúdio minúsculo, lá em terras de Sua Majestade (música clássica e muito jazz, sobretudo bebop, Coltrane, Charlie Parker, Gillespie, Miles Davis). Ao contrário dos outros, nunca sucumbiu ao apelo das drogas, essa escura maldição. Ao álcool, sim, sempre ajuda a adormecer à noite, «mas sem abusos».
No relógio, os ponteiros unem-se sobre o 12. É hora de almoço, arrastam-se cadeiras. Afastadas, as mesas voltam a ser só dois círculos numa sala vazia. Uma sala que se fecha, com estas histórias lá dentro, a pairar.

Cinco vidas à volta de uma mesa (aliás, de duas)

Em 2010, a Leitura Furiosa levou-me a uma escola do ensino básico, onde encontrei estes meninos e as histórias que juntei no respectivo texto. Este ano, coube-me o Centro de Apoio Social dos Anjos (a que muita gente ainda chama «sopa dos pobres»), onde ouvi cinco narrativas de percursos e «percalços», contadas por homens a quem a vida de alguma maneira pregou rasteiras, quando não foram eles a pregarem-nas a si mesmos.


Adelino, 50 anos (exactos, feitos hoje)


Hélder, 39 anos


Daniel, 42 anos


João Miguel, 47 anos


José Manuel, 62 anos

‘Leitura Furiosa’


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De amanhã até domingo, entro em modo furioso.

Boas notícias sobre o mundo dos livros

Início de um interessante artigo que encontrei no site da revista McSweeney’s:

«This has been an interesting few years for the book industry. There have been many changes and realignments, and these changes have led many to predict that (a) reading is dead; (b) books are dead; (c) publishing is dead; (d) all printed matter is dead. Or that all of the above, if not already dead, will be dead very soon.
The good news is that there isn’t as much bad news as popularly assumed. In fact, almost all of the news is good, and most of it is very good. Book sales are up, way up, from twenty years ago. Young adult readership is far wider and deeper than ever before. Library membership and circulation is at all-time high. The good news goes on and on.
But still, perceptions persist that in a few years there will be no books printed on paper. That e-readers will take over the industry, and perhaps soon after, some other trend will kill books dead.
Sales of e-books still represent a small percentage of the overall book market. Depending on who’s counting, the portion of the market is between 8% and 10%. When Amazon reports that their e-book sales are now larger than their paperback sales, it’s easy to extrapolate this to encompass overall reading trends. But that would be a mistake. Amazon is an internet company, and it follows that their sales would favor electronic delivery of text. They are but one of many ways people get books, and the ratio of printed books to e-books changes drastically with each venue.
Even with the rise of e-books, and the struggles of some bookstore chains, all the anecdotal evidence we knew pointed to the book industry being on solid footing. But we wanted proof, so back in May of 2010, amidst some of the most dour prognostications about the state of the industry, we asked fifteen or so young researchers to look into the health of the book.»

Leiam o artigo completo aqui. Vale a pena.

Primeiro balanço da Feira de Frankfurt (em sete palavras)

Domínio do digital, menos gente, mais negócio.

A caminho de Frankfurt

Começa hoje a peregrinação aérea de milhares de editores e agentes literários em direcção a Frankfurt, onde a Feira de todos os negócios começa quarta-feira. A revista The Bookseller falou com os principais agentes, na tentativa de antecipar quais serão os livros mais disputados. Entre outros, haverá um novo romance de Martin Amis (State of England: Lionel Asbo, Lotto Lout, protagonizado por um anti-herói ao pé do qual, diz-se, os «anteriores monstros masculinos» de Amis parecerão uns rapazitos altruístas). Haverá também um novo Pamuk, o segundo romance de Kiran Desai (vencedora do Booker em 2006, com A Herança do Vazio) e, pelos vistos, muita livralhada que não interessa nem ao Menino Jesus.

Nova assessora de imprensa no Círculo de Leitores/Temas e Debates

Sai Rosa Clemente, há muitos anos no lugar, e entra Ana Teresa Ferreira.
A nova assessora de imprensa do Círculo de Leitores/Temas e Debates é formada em Ciências da Comunicação pela Universidade Nova de Lisboa e começou por trabalhar na imprensa (Jornal de Letras e Notícias Magazine). Nos últimos tempos, era editora de conteúdos do site oficial do Círculo de Leitores e responsável pelas entrevistas a autores portugueses e estrangeiros na revista Círculo.

O editor que nunca virou a página de um livro

Chamava-se Allen Lane e foi o fundador dos livros de bolso da Penguin.

O ‘Chacal’ às vezes também perde

«The Wylie Agency is to remove from sale 13 of the 20 titles included in its Odyssey Editions e-book offshoot after coming to an agreement with the publisher of those books: Random House.
In a surprise joint statement issued by Markus Dohle, chairman & c.e.o of Random House, and Andrew Wylie, president of The Wylie Agency, the two companies said they had “resolved” their differences over the disputed Random House titles included in the Odyssey Editions e-book publishing program.»

A notícia completa, divulgada pela The Bookseller, pode ser lida aqui.

Agora as editoras também podem ter os seus miradouros

«As doações gratuitas de livros por editoras e livrarias a instituições de solidariedade social ou de carácter cultural, como as ONG, passa a estar isenta de pagamento do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA).
De acordo com o decreto publicado esta segunda-feira em Diário da República, a lei estende “o âmbito da não tributação em sede de IVA das transmissões de livros a título gratuito.”»

Os mais bem pagos

A revista Forbes publicou esta semana a lista dos dez escritores mais bem pagos da actualidade. Em primeiro lugar, com 70 milhões de dólares anuais, está James Patterson, logo seguido por Stephenie Meyer (40 milhões) e Stephen King (34 milhões). Fora do pódio, mas com exorbitantes contas bancárias, ficam Danielle Steel (32 milhões), Ken Follet (20 milhões), Dean Koontz (18 milhões), Janet Evanovich (16 milhões), John Grisham (15 milhões), Nicholas Sparks (14 milhões) e J.K. Rowling (10 milhões). Ou seja, escritores razoáveis: dois ou três. Grandes escritores: nenhum. C’est la vie.

Coimbra Editores assimila Sodilivros e cria um novo grupo

Acabo de receber o seguinte comunicado:

«As sólidas relações entre os actuais principais accionistas da COIMBRA EDITORA S.A. (fundada em 1920) e da SODILIVROS, SOCIEDADE DISTRIBUIDORA DE LIVROS E PUBLICAÇÕES S.A. (fundada em 1985), assentes numa base de confiança pessoal e numa visão partilhada sobre a potencialidade de ambas as empresas no sector do livro, por um lado;
- Uma análise convergente sobre a conjuntura do mercado e sobre as consequências dos fortes movimentos de concentração que nele se têm verificado, por outro;
- Determinaram a nossa vontade na criação de um futuro conjunto: a C.E. – GRUPO COIMBRA EDITORA.

Neste momento, ao anunciarmos a sua constituição, oferecemos ao mercado um modelo de negócio que concentra as principais actividades de suporte e apoio ao sector da edição, de forma integrada, num único grupo empresarial:

CE GRÁFICA – produção gráfica centrada essencialmente em obra de livro, agregando a anterior tipografia da COIMBRA EDITORA com uma reconhecida e conceituada gráfica da zona centro do país.

CE SODILIVROS – distribuidora de edição generalista e de edição técnica, com três unidades de negócio diferenciadas (armazéns, logística e equipa comercial) situadas em Lisboa, Coimbra e Luanda, respectivamente.

CE LIVRARIAS – nova rede de retalho livreiro, construída em parceria comercial com o GRUPO LEYA a partir da pré-existente rede de lojas da COIMBRA EDITORA, agora ampliada com a aquisição de novos espaços comerciais, representando hoje, num conjunto em crescimento, um total de 17 livrarias de características generalistas, técnicas/universitárias e especializadas na área do Direito e do livro escolar.

Assentes na reconhecida experiência e credibilidade das empresas agrupadas, dos seus accionistas e dos seus profissionais, empregando mais de 200 trabalhadores, servindo mais de 50 editoras, temos um objectivo de facturação consolidada de 20 milhões de euros em 2011, dando assim corpo à nossa principal missão: “Contribuir para a diversidade, a igualdade de oportunidades e para o fortalecimento dos mais importantes agentes da indústria cultural do livro em Portugal e nos países da lusofonia – os Editores.”
João Salgado / Jorge Azevedo
GRUPO COIMBRA EDITORA»

Inês Queiroz sai da Oficina do Livro

Responsável pela comunicação da Oficina do Livro, onde trabalhou durante três anos e meio «muito bem passados», Inês Queiroz anunciou esta manhã a sua saída da editora fundada por António Lobato Faria e Gonçalo Bulhosa. Quanto ao seu futuro profissional imediato, nada quis adiantar por enquanto.

Vender e-books de outra maneira

Uma editora francesa especialista em ficção científica (Le Bélial Éditions) vai lançar em Setembro uma plataforma para venda de e-books com um conceito inovador. Os livros custarão entre nove e 11 euros (ou seja, cerca de metade das versões impressas) mas os leitores poderão pagar mais, se quiserem ajudar o autor ou a editora. O preço não se restringe ao primeiro download, o que elimina o pânico de perder o ficheiro descarregado. Outro aspecto importante tem a ver com os direitos de autor, que ascenderão a 30% do preço de capa, contra os habituais oito a 10% (valor ridículo se tivermos em conta que desaparecem os custos de transporte e armazenagem). Numa fase inicial, a plataforma venderá apenas livros franceses.
Mais informação sobre a plataforma e-Bélial, aqui.

Uma nova editora

Segundo o blogue da Ler, João Gonçalves, antigo responsável pelo marketing da Oficina do Livro e, mais recentemente, do grupo Bertrand (do qual se desvinculou em Junho), vai criar um novo projecto editorial generalista: o Clube do Autor. A acompanhá-lo nesta aventura, que deverá arrancar em Outubro, estará Cristina Ovídeo, ex-editora da Oficina do Livro e da Planeta.

Provavelmente a melhor capa portuguesa de 2010

agape

É uma questão subjectiva, admito, mas até agora não vi outra que lhe chegue à badana.

Entre os leitores e os editores, uma ponte chamada Twitter

«Publishers have praised the merits of using Twitter to canvass readers opinions quickly, after the social networking site saw a flurry of consumers addressing publishers.
Last week readers used the hashtag (a phrase inserted into a tweet and used to link tweets on one subject) #dearpublisher to speak directly to publishers. The conversations began in America but were picked up by readers, authors, bloggers and publishers in the UK. It was among Twitter’s most popular trends at the time.»

Ler o resto do artigo de Victoria Gallagher, da revista The Bookseller, aqui.

LeYa vai apostar nos e-books

Num momento em que o mercado dos leitores de e-book continua a crescer (e o preço dos aparelhos a baixar), a LeYa assume, já a partir da próxima rentrée, a aposta numa plataforma de livros em formato digital, centrada na sua livraria online (a Mediabooks) e com um catálogo de «grandes autores lusófonos». Entre os primeiros títulos disponibilizados, estarão livros de José Saramago, Mia Couto, José Eduardo Agualusa e António Lobo Antunes.

Ele há coisas inexplicáveis

Toda a gente sabe que é muito difícil um autor português ser editado nos EUA. Para além de Saramago e Lobo Antunes, são poucos o que vencem o bloqueio (Lídia Jorge, José Luís Peixoto, os nomes contam-se pelos dedos). Devíamos por isso ficar contentes com a notícia de que outra compatriota terá um livro à venda, em inglês, nas terras do Tio Sam. Pois devíamos. Mas depois vamos a ver e essa compatriota é Alexandra Solnado (sim, Alexandra Solnado, a interlocutora mística), que acada de assinar contrato com a Simon&Schuster (sim, a Simon&Schuster) para a edição em 2011 do inenarrável O Livro da Luz. Como diriam os americanos: Jesus Christ! What the fuck is this?

Revista ‘Bang’ tem nova editora

É Safaa Dib, uma das mais activas divulgadoras dos géneros literários próximos do Fantástico e autora do blogue Stranger in a Strange Land. O n.º 7 da Bang, que voltou a ser publicado em papel (embora ainda não se saiba se essa decisão é para manter), pode ser lido em formato e-book (download gratuito) no site da Saída de Emergência.

[via BlogTailors]

Os ‘meus’ meninos (Leitura Furiosa 2010)

diogo
Diogo, 11 anos

isabel
Isabel, 7 anos

erica
Érica, 9 anos

mario
Mário, 8 anos

daniela
Daniela, 10 anos

willian
Willian, 10 anos

Os seis juntos (e o Mário com o balão vermelho verdadeiro na boca):

grupo

O balão vermelho

E à tarde lá se ouviram, na Casa da Achada, as prosas vindas de quatro pontos do mundo. Realidades terríveis, as retratadas nos textos de Amiens e Kinshasa (muita violência, muitos abusos, muito negrume). Mais solares os contributos portugueses. Pela minha parte, fiquei contente por ouvir o meu texto dito (e que bem dito) pelo Diogo Dória, grande actor, além de cantado em parte (e que bem cantado) pela maravilhosa dupla Pedro e Diana.
Para quem não foi à Mouraria, deixo aqui o texto:

UM BALÃO VERMELHO, SEM FITA-COLA

Difícil é começar, já se sabe. E nós estamos sentados em semicírculo: o Diogo, tuba às fatias na t-shirt; a Isabel das tranças tão perfeitinhas; a Érica de óculos azuis na cara redonda; o Mário deitado no chão, com os pés no ar; a Daniela das pulseiras rosa shock no braço esquerdo; o Willian, com n, assim chamado porque o pai gosta dos «actores dos filmes» (a mãe preferia Felipe, depois resignou-se). E agora? Difícil é começar, ai pois é, pôr uma palavra a seguir à outra, mas entretanto já começámos, os dois mais velhos assumem que são maus leitores, não gosto, não gostamos, fartam-se depressa, o Willian e o Diogo, dez minutos, uma hora, dois capítulos, «aquilo torna-se chato», «estar atento dá-me sono», os mais pequenos encolhem os ombros, com eles não é bem assim, mas deixemos isso para trás. Deixemos isso para trás porque de repente, agora, há histórias a nascer no centro do semicírculo, do recreio cada criança prometeu trazer uma na cabeça, depois dos saltos no pátio de cimento, depois das correrias por baixo dos telhados de zinco, e elas aí estão, as histórias, atropelando-se. A do Mário cabe inteira numa frase: um menino tem medo do escuro, na casa há duas camas, é na da mãe que a escuridão menos assusta. Chegada a sua vez, a Daniela esquece-se do que ia contar, depois já se lembra, mas quando vai contar varre-se tudo de novo, o que não se varre é a memória de umas férias que passou na Alemanha com a irmã mais velha («ela tem 24 anos»), duas semanas em Hamburgo, tal como a Isabel não esquece o dia em que o pai chegou de Espanha, onde estava a trabalhar, e trazia roupas para ela, sapatos para ela, tantas coisas e ainda pastilhas elásticas com sabor a maçã. A história do Willian parece um sonho: há um menino que pega num balão e tenta enchê-lo, sopra, sopra, sopra, mas não consegue porque o balão está furado, até que ele encontra o furo e tapa-o com fita-cola, volta a soprar e o balão enche-se, é um balão vermelho, muito cheio de ar e o menino brinca com ele como se fosse uma bola de futebol. Na história do Diogo há um peixe que tem medo do mar, coisa complicada porque é no mar que ele vive, imaginem o que seria termos medo do oxigénio que respiramos, então um dia uns mergulhadores apanham-no («como no Nemo», lembra a Érica), levam-no e deitam-no ao rio, por ser demasiado pequeno, e ele fica no rio porque da água doce não tem medo (talvez o problema estivesse no grau de salinidade, penso eu), o peixe vê então um menino na margem a construir uma casa com pedras e folhas, dá um salto na água para chamar a atenção e à terceira o menino ouve, vira-se e pergunta-lhe «de onde vieste?», «do mar» responde o peixe, o menino arranja-lhe um aquário na casa feita de pedras e folhas, o peixe aceita ficar com o menino mas diz-lhe: «não expliques é aos teus pais que eu sei falar». Entretanto as cadeiras ficaram vazias, cresce o barulho lá fora, a Érica atrapalhou-se com a história de um menino que gostava de ficar sozinho, a Isabel ri-se muito, a Daniela fala da Shakira e o Mário levantou-se e tem na boca, vindo não sei de onde, um balão, um balão vermelho, um balão vermelho verdadeiro, um balão vermelho verdadeiro que se enche de ar e não está furado, um balão vermelho verdadeiro que se enche de ar e não precisa de fita-cola, um balão vermelho verdadeiro que incha como uma palavra demasiado grande para a nossa boca, uma palavra daquelas que é preciso ir ver ao dicionário e de repente o ar sai todo de uma vez, um som esquisito, um pffffffffff, o som de uma coisa que se esvazia, como as histórias quando já não conseguem ir mais longe ou os textos que se perdem no ar sem ponto final

Lembrete

Cartaz_LeituraFuriosa

Os frutos da Leitura Furiosa 2010 são partilhados esta tarde, a partir das três, na Casa da Achada. As fotos do dia de ontem podem ser vistas aqui.

‘Leitura Furiosa’

leitura_furiosa

Até domingo, vou andar pelo meio de gente «zangada com a leitura», a ouvir histórias, a escrever um texto, a visitar uma livraria, a espreitar outras histórias que outros grupos hão-de contar a outros escritores, em Lisboa, no Porto, em Amiens e em Kinshasa. Até domingo, para mim a leitura (o meu vício, o meu ofício) vai ser furiosa, a ver se contamina quem dela nada quer ou nada espera.
Este ano, couberam-me seis crianças de uma escola perto do Castelo. O Armando Silva Carvalho vai estar com os sem-abrigo da Almirante Reis, o Jaime Rocha com idosos da Mouraria e o Jacinto Lucas Pires com idosos de S. Cristóvão e S. Lourenço, o Miguel Castro Caldas com estrangeiros refugiados (algures na Bobadela), a Filomena Marona Beja e o Raul Malaquias Marques com crianças do primeiro ciclo (como eu), o Mário de Carvalho com adolescentes do antigo Liceu Gil Vicente.
No domingo, às 15h00, na Casa da Achada, os textos e os desenhos criados entre hoje e amanhã serão lidos, cantados, exibidos a quem os quiser ver e ouvir, juntamente com os que chegarão das outras cidades em que a Leitura Furiosa acontece.
Tentarei que parte desta energia também alcance, ainda não sei bem como, este blogue.

Stieg Larsson domina no Reino Unido

A tradução inglesa do último volume da trilogia Millennium, de Stieg Larsson (The Girl Who Kicked The Hornets Nest; em português, A Rainha no Palácio das Correntes de Ar), é o livro mais vendido no Reino Unido em 2010 até agora.

‘Não Quero Usar Óculos’ no Brasil

O livro Não Quero Usar Óculos, de Carla Maia de Almeida (texto) e André Letria (ilustração), publicado pela Caminho em 2008, vai ter em breve uma edição brasileira, com chancela da Peirópolis, de São Paulo.

Booksmile desmente Presença

Depois de a Presença ter garantido que a sua garantia, passe o pleonasmo, era uma iniciativa inédita em Portugal, a Booksmile vem dizer que não, não senhor, nada disso. Pelos vistos, a garantia da Booksmile remonta a Abril de 2009 e garantem-nos, passe outra vez o pleonasmo, que será mais proveitosa para o cliente do que a da Presença, estando as vantagens e desvantagens ilustradas por um quadro comparativo que faz lembrar os testes da DECO.
Enfim, os leitores que decidam.

A era da confusão

«Print is dying. Digital is surging. Everyone is confused.»

Pelo menos é o que diz Craig Mod, num ensaio intitulado Books in the Age of the iPad.

Fumo branco

Depois de muitos anúncios não confirmados pelas partes, eis o comunicado que oficializa o negócio entre a Porto Editora e a Bertelsmann:

«O Grupo Porto Editora celebrou com o DirectGroup Bertelsmann um acordo de promessa de compra e venda sobre os activos do DirectGroup Portugal.
O compromisso envolve a aquisição de todas as unidades de negócio do DirectGroup Portugal ligadas às áreas da edição, distribuição e retalho: a Bertrand Editora (com as chancelas Pergaminho, Quetzal, Temas e Debates e ArtePlural Edições), a Distribuidora de Livros Bertrand, o Círculo de Leitores e as Livrarias Bertrand.
O Grupo Porto Editora vê esta aquisição como um passo importante no contexto da estratégia de crescimento e desenvolvimento da sua actividade. A concretização definitiva deste negócio acontecerá no momento em que for dado o aval pela Autoridade da Concorrência, entidade à qual será submetido este processo nos próximos dias para devida apreciação. Quando for conhecida a decisão da Autoridade da Concorrência, o Grupo Porto Editora dará mais informações relativas a este assunto.»

Jonas e a baleia

O grande negócio do ano no mundo editorial português, segundo Pedro Vieira.

Hugo Xavier na Ulisseia

Os Blogtailors trazem-nos hoje uma boa notícia: Hugo Xavier, co-editor e co-fundador da Cavalo de Ferro, um excelente profissional que aguardava a oportunidade de voltar a mostrar o seu valor, será o novo responsável pela chancela de ficção Ulisseia, pertencente ao grupo Babel.

Negócio Porto Editora-Bertelsmann

Depois da notícia do Público (ontem), não faltaram hoje réplicas em vários jornais: Correio da Manhã, Jornal de Notícias, Diário de Notícias.

O que é afinal um e-book?

A questão está longe de ser tão óbvia como parece. E ninguém lhe conseguiria dar uma resposta mais completa do que José Afonso Furtado.

Uma pergunta retórica

Segundo The Bookseller, os editores britânicos já estão a trabalhar em livros para o iPad, mesmo antes de se saber quando é que o novo gadget da Apple vai ser posto à venda no Reino Unido. E os editores portugueses?

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«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges