LeYa compra Oficina do Livro
A LeYa já era enorme, agora vai ficar gigantesca. Ao rol de editoras que passou a deter no final de 2007, Miguel Pais do Amaral acrescenta o Grupo Oficina do Livro, num processo de aquisição que está neste momento em curso, por verbas ainda não divulgadas. Eis o comunicado de imprensa emitido ao final da tarde, dando conta do negócio:
«A Leya e a Explorer Investments assinaram ontem o contrato-promessa de aquisição do Grupo Oficina do Livro, que integra as editoras Oficina do Livro, Casa das Letras, Teorema, Estrela Polar e Sebenta.
Com o objectivo de consolidar a Leya no mercado editorial nacional, reforçando a sua liderança em termos de volume de negócios, esta operação vai ao encontro da estratégia de criar um grupo com dimensão internacional no campo da Língua Portuguesa, garantindo que o pilar português da Leya apresente uma dimensão que lhe permita encontrar o necessário equilíbrio com o que se pretende que venha a ser o pilar brasileiro, a desenvolver.
Por outro lado, esta aquisição justifica-se pelo facto de o Grupo Oficina do Livro ser uma empresa muito rentável e com uma agressiva dinâmica editorial, de marketing e comercial. O Grupo Oficina do Livro é, ainda, uma empresa que dispõe de excelentes recursos humanos e de uma forte organização e posicionamento de mercado. Acresce, também, que ambas as empresas comungam de uma aposta estratégica de promoção dos autores de língua portuguesa.
A Leya manterá a identidade e independência editorial das editoras que integram o Grupo Oficina do Livro, à semelhança do que aconteceu com as restantes editoras do grupo Leya. A Direcção-geral do Grupo Oficina do Livro continuará a ser da responsabilidade de António Lobato de Faria, que tem vindo a desempenhar um trabalho notável no desenvolvimento daquelas editoras.
A Explorer Investments congratula-se com esta operação, que vem culminar todo o trabalho desenvolvido para transformar o Grupo Oficina do Livro no conjunto de editoras sólidas e de referência nacional que hoje representa e que contribuiu de forma decisiva para a sua valorização.»
Curioso é este comentário, que evoca tanto O Padrinho como Os Sopranos, deixado pelo escritor Rui Zink na edição electrónica do jornal Público (partindo do princípio de que se trata mesmo do escritor Rui Zink e não de alguém a fazer-se passar por ele): “Just when I thought that I was out, they PULL me back in!”
Telenovela
Eis o último episódio da telenovela do Parque Eduardo VII. Mais do mesmo: muita conversa, pouca acção, nenhum desfecho à vista. E já só faltam nove dias para a abertura.
Depois da Guimarães, a Ática
Paulo Teixeira Pinto vai somando editoras clássicas.
Avanços e recuos
Agora a sério: ontem à noite, a participação da LeYa na Feira do Livro de Lisboa continuava em aberto. O prazo dado pela APEL ao grupo de Pais do Amaral, para que este “regularizasse” a sua inscrição, terminava ao meio-dia. Ou seja, expirou há uma hora. Alguém deu pelo fumo branco?
Uma ideia a ter em conta
Diz o Jaime Bulhosa, não sei se a sério, se a brincar:
«Proponho, para acabar com as guerras, nós livreiros organizarmos a feira do livro. Isto é, durante 15 dias fazíamos descontos de feira e promovíamos debates, sessões de autógrafos, conferências, etc.. E cada um ia à livraria que lhe apetecia.»
É certo que perderíamos o sobe-e-desce no Parque Eduardo VII à tardinha, o encontro com os amigos junto ao Multibanco ou na esplanada, a explosão roxa dos jacarandás. Mas evitava-se a angústia dos dias de chuva e a aparelhagem sonora a anunciar, de cinco em cinco minutos, os livros do dia que podemos encontrar no stand 117.
A mim, não me parece mal pensado. Vendo o rumo que as coisas levam, com a APEL e a UEP às turras, mais os novos grupos a quererem afirmar-se e a provocarem ciúmes, ainda é capaz de ser uma saída airosa para o caos em que a Feira mergulhou este ano.
Falta de esmero
Um dos aspectos em que as editoras portuguesas infelizmente menos apostam, hoje em dia, é na qualidade da revisão dos livros que publicam. Ao dizer isto, nem sequer me refiro à escandalosa profusão de gralhas e erros ortográficos em que o leitor tropeça com uma frequência assustadora (alguns deles de bradar aos céus), talvez reflexo de uma decadência cultural que estranhamente já não choca ninguém. Aquilo de que falo é outra coisa: a ausência de uma leitura minimamente crítica dos textos a publicar, capaz de identificar e corrigir os deslizes que os autores (mas também os tradutores), na sua cegueira ou imperícia, cometem.
Querem um exemplo? O último romance de Pedro Paixão, sobre o qual falei aqui. Sem ser exaustivo, encontrei estes erros óbvios:
— Pág. 12: “A sua última paixão chama-se Cate Blanchet.”; pág. 198: “Becket deve ser sussurrado.” (O nome da actriz australiana é Cate Blanchett; o apelido do escritor irlandês é Beckett; talvez haja aqui um problema com as consoantes dobradas.)
— Pág. 70: “Por vezes vão ver jogar os Knickers.”; pág. 77: “Já não consegue receber um presente dele, uma ida a Miami, um jogo dos Knickers, uns sapatos Fendi, sem pensar de onde vem todo aquele dinheiro.” (A palavra knickers designa “roupa interior feminina”; a equipa de basquetebol de Nova Iorque chama-se New York Knicks; a repetição do lapso mostra que não é um lapso; e, no caso improvável de se tratar de uma ironia propositada de Paixão, que até pode ser um escrupuloso fã da NBA, não há nada que a sustenha ou justifique.)
— Pág. 75: “Em casa dela lê Marcel Proust. Em francês. Vai durar até ao fim da minha vida. Nove volumes. Um exagero.”; pág. 91: “Gostaria de poder reler os sete volumes de Proust depois de os ler uma primeira vez.”; pág. 106: “Obviamente não se esqueceu dos comprimidos. Nem dos nove volumes de Proust. Não quis levar mais livro algum.” (Para a protagonista de Rosa Vermelha em Quarto Escuro, a obra-prima de Proust tem um número flutuante de volumes; na verdade são sempre sete.)
— Um dos locais da (pouca) acção é uma quinta lindíssima, em Sintra. Mas também aqui a nomenclatura oscila. Se o narrador começa por dizer que se trata da Quinta das Rosas (páginas 112, 126, 150, 151), logo a transforma em Quinta das Flores (nas páginas 189 e 190), para voltar a ser Quinta das Rosas (a meio da pág. 204) e novamente Quinta das Flores (no fim da mesmíssima página 204). Sete páginas adiante, regressamos à Quinta das Rosas, que ainda vai a tempo de se transmutar, quase no fim, em Quinta das Flores (pág. 238).
— Na página 53/54, é referida a morte de Chet Baker, “com uma sobredose de heroína atirando-se do terceiro andar de um hotel barato em Amesterdão”. Na página 148, o trompetista volta “a deixar-se cair, a atirar-se”, mas desta vez é “do quarto andar do hotel barato em Amesterdão”. (Na verdade, Baker caiu do segundo andar e ainda hoje não há a certeza de que o músico se tenha suicidado.)
— O nome do poeta Herberto Helder aparece quase sempre com a grafia correcta, excepto na página 214 (”Herberto Hélder”).
Uma análise deste tipo pode ser igualmente arrasadora para outros livros recentemente lançados, como o Comboio Nocturno para Lisboa, de Pascal Mercier, no qual abundam os erros ortográficos (”espiação” em vez de expiação; cadeiras com “acento” em vez de assento; etc.), de tradução (na página 176, por exemplo, há um “escurecer” onde devia existir um amanhecer ou clarear) e de raccord (uma fita de cetim negro que se transforma em fita de veludo negro, para voltar depois a ser fita de cetim negro). Pelo que pude apurar, estes erros no livro de Mercier foram corrigidos em edições posteriores mas isso não apaga, como é óbvio, o mau trabalho inicial.
Citei dois livros de duas editoras de prestígio (a Bertrand e a Dom Quixote), pertencentes a dois importantes grupos editoriais (o Direct Group/Bertelsmann e a LeYa). Muitos outros chumbariam em semelhante escrutínio. E o que me preocupa é justamente isso: sentir que esta falta de esmero começa, cada vez mais, a ser a regra e não a excepção.
A nova vida (editorial) de Manuel Alberto Valente
Pouco tempo após a sua saída da ASA (isto é, do grupo LeYa), Manuel Alberto Valente, um dos mais experientes e sólidos editores portugueses, volta a começar do zero um projecto que se antevê de qualidade exemplar. Sorte a da Porto Editora. Sorte a nossa. Bom trabalho, MAV.
Depois de Bogotá, Amesterdão
A capital mundial do livro regressa à Europa, a partir de 23 de Abril. Para o ano será em Beirute.
Do Millennium bcp para a Guimarães

No princípio de 2008 ficou a saber-se que Paulo Teixeira Pinto, ex-CEO do Millennium bcp, saíra da administração do banco uns meses antes, enviado por uma junta médica para a mais dourada das reformas: dez milhões de euros (sim, 10.000.000) do acerto de contas “referente ao exercício de 2007″, mais 500 mil euros de pensão anual vitalícia. Isto no fim de uma ligação profissional à empresa de apenas 12 anos (só um sexto dos quais no cargo de presidente executivo) e depois de deixar o bcp no estado em que deixou.
Escândalos e faltas de pudor à parte, muita gente deve ter pensado em que é que Teixeira Pinto, liberto da pressão da actividade bancária (tão instável por estes dias), iria aplicar o seu tempo e o seu dinheiro. Aos 46 anos, tem de sobra estes dois factores que tanto condicionam — pela falta de um, de outro ou de ambos — a vida dos portugueses normais, afogados em dívidas e numa crise que não abranda. Deixadas para trás as reuniões de accionistas, bem como os cilícios da Opus Dei, a que se dedicará agora Teixeira Pinto? A resposta não deixa de ser desconcertante: à literatura.
Segundo notícia avançada ontem pelo Diário de Notícias, Teixeira Pinto comprou a Guimarães Editores, passando a deter cem por cento do capital. A ideia não é fazer negócio mas criar “uma casa da cultura”, diz o novo proprietário. Até porque “se eu quisesse fazer uma aplicação financeira ou com perspectivas de rentabilização económica escolheria outra área”. Pode por isso ficar descansado Miguel Pais do Amaral: não se prevê a compra de mais editoras ou a criação de um grupo rival da LeYa.
Para já, sabe-se que surgirá em breve um novo logótipo e imagem gráfica, que a linha editorial será mantida no essencial (embora o catálogo passe a incluir obras no campo da “estética”: pintura, fotografia, design e arquitectura), que está prevista a publicação da obra completa de Agustina Bessa-Luís, que a livraria da Rua da Misericórdia vai ser transformada num “espaço mais apetecível” (incluindo cafetaria com acesso wireless à internet) e que a metamorfose da Guimarães estará terminada a tempo da Feira do Livro, dentro de dois meses.
Esta pulsão bibliófila só surpreenderá quem anda muito distraído na leitura da imprensa. Porque o empenho literário de Teixeira Pinto salta à vista, todos os sábados, na dupla página que a revista NS (distribuída com o DN e o JN) lhe concede. Um verdadeiro mimo que começa logo na ironia do nome — Cálculo sem folha — dado àquele generoso espaço de opinião.
E de que fala o ex-banqueiro no seu cantinho? O último número da NS (22 de Março) permite-nos ficar com uma ideia. A rubrica divide-se em três textos, dois aforismos, uma citação (Madre Teresa de Calcutá) e um poema (cá está a ambição literária). Um dos textos aborda uma tela de Berthe Merisot que pode ser vista no Museu de Orsay, outro os dez anos da Ajuda de Berço e o principal, com direito a cercadura, pertence à série “da cor das palavras”. O vocábulo em causa, desta vez, era pobreza, essa “palavra de cor âmbar”. Deixo-vos um excerto:
«Quem mais sofreu na carne a ajuda e sentiu na alma o sofrimento dos pobres extraiu uma conclusão definitiva. A qual sempre me impressionou. E essa confessa-se da maneira mais simples que é possível. Assim: o que seria dos pobres se não fossem os pobres!
De tão comum que é, até parece (quase) normal que sejam precisamente aqueles que menos possuem que, por norma, sejam também os mesmos que sempre se provam dispostos a dar. Dir-se-á que tal se há-de justificar pela presunção segundo a qual quem tem pouco, pouco valor lhe há-de dar também. Não me parece. Creio mesmo que é por terem mesmo muito pouco que os pobres reconhecem um valor extraordinário a essa pequena parte que é a sua. E que é exactamente por lhe conferirem a tal importância que os pobres se dispõem a ajudar aqueles que ainda têm menos. Talvez isto seja pouco lógico à luz dos critérios de racionalidade económica — mas faz todo o sentido segundo os ditames da generosidade.»
Convém não esquecer: esta defesa da generosidade dos pobres — feita numa prosa confusa, mal articulada e reveladora de um péssimo domínio da língua portuguesa (o que é isso de sofrer na carne uma ajuda?) — vem assinada pelo ex-CEO que não teve pejo em receber os tais dez milhões de euros, mais a pensão vitalícia. Depois disto, estou mortinho para saber qual é, para Teixeira Pinto, a cor da palavra hipocrisia.
Já os aforismos revelam o mais inesperado dos filósofos.
Ora aqui está um:
Nós e os Nos
O que faz de cada um de nós um indivíduo é exactamente ser in-dividuo, ou seja, não divisível, uno e único
O outro não lhe fica atrás:
do estado do tempo
Atenção: em cada vida, há sempre múltiplas vidas, mas cada homem é ainda e sempre o mesmo desde o primeiro sorvo de ar até ao último sopro sob os ossos
Esqueçam Pascal. Esqueçam Spinoza. Isto é que é profundidade de pensamento. Repararam na subtileza daquele “último sopro sob os ossos”? Não foi sobre os ossos, não foi à volta dos ossos, não foi entre os ossos, foi mesmo por baixo dos ossos. Até me arrepiei.
Mas o poema consegue ir ainda mais longe:
lado reverso
pensar
e não sentirsentir
e não sabersaber
e não perceberperceber
e não dizerdizer
e não poderpoder
e não conseguirconseguir
e não perecerperecer
e viver
Esqueçam Pessoa. Esqueçam Sophia. Eis o Bardo que nos fazia falta, o nosso Wallace Stevens. O único poeta que escreve poemas, todas as semanas, na imprensa portuguesa.
Se isto não é um sinal do fim dos tempos, anda lá perto.
Nova editora + nova chancela
A Bruaá promete barulho e silêncio ao mesmo tempo. É uma novíssima editora direccionada para o público infanto-juvenil, de grafismo cuidado e criteriosa nas escolhas: o primeiro livro que publicam é o clássico A Árvore Generosa, de Shel Silverstein. Também tem um blogue.

Quanto à Livros de Seda, a nova chancela da editora Plátano, aposta exclusivamente no segmento feminino. Por norma sou avesso às distinções de género, tanto na vida como na literatura (alguém me explica o que é um romance só para mulheres?), mas neste caso prometo dar o benefício da dúvida, até porque uma das primeiras obras do catálogo é do Moacyr Scliar.
Os consultores do projecto foram os muito activos e profissionais Booktailors.
A edição lá fora
Teresa Cremisi, administradora da Flammarion, fala das transformações do ofício de editor no programa ParlonsNet, durante o Salão do Livro de Paris:
[Sugestão de Shyznogud]
LeYa menos
Era previsível. Enquanto grupo, a LeYa só arranca no final do mês, mas as deserções já começaram. Se a transferência de Francisco José Viegas para a Bertrand se compreende, uma vez que vai dirigir a partir de Maio a revista Ler, do grupo Bertelsmann/Círculo de Leitores (evitando assim conflitos de interesses), já a saída de Manuel Alberto Valente, um dos melhores editores portugueses (editor-editor, a sério, para quem a literatura é muito mais do que um negócio), representa um sinal claro do que aí vem.
Valente escreve a meias com Viegas na blogosfera. Ao contrário deste, ainda não explicou as suas razões. Nem precisa. Qualquer pessoa com dois dedos de testa adivinha quais foram e sabe que não auguram nada de bom.
Trailer do novo romance de Pepetela
O investimento na promoção online das novidades editoriais é cada vez maior em Portugal. Depois dos notáveis e precursores clips da Livros de Areia, é a vez de uma grande editora como a Dom Quixote apostar em pequenos filmes sobre os seus livros, colocados no YouTube. Será isto um vislumbre da futura estratégia de marketing das chancelas da LeYa?
Deixo-vos, como exemplo, o trailer do novo romance de Pepetela, O quase fim do mundo, neste momento a chegar às livrarias e com lançamento marcado para amanhã, na Fnac do Colombo (18h30):
10 anos de Fnac
Faz hoje dez anos que a Fnac abriu portas em Portugal. A história de sucesso, já a conhecia bem. É um case study que prova como os estudos de mercado podem ser falíveis (em 1998 não havia, dizia-se, massa crítica para garantir a viabilidade destas lojas; depois, foi o que se viu). O que mais me impressiona, porém, é um número: 27 milhões. Segundo os números fornecidos pelo DN, foram mais de 27 milhões os livros vendidos no nosso país pela Fnac, numa década. Eu, ciente de que contribui amiúde para a estatística (sobretudo no eixo Chiado-Colombo), não deixo de me espantar com a magnitude das vendas. Vinte e sete milhões?! Não haverá por aí um zero a mais?
Quer ganhar 100 mil euros? Pergunte-me como
É simples. Primeiro, procure nas gavetas lá de casa se tem um romance com mais de 200 páginas pronto a editar. Caso não tenha, compre uma resma de papel e uma Remington em 15.ª mão (se for um fetichista armado em Hemingway) ou abra um ficheiro do Word e lance-se ao trabalho (se for apenas um candidato a escritor, moderno e pragmático). Quando tiver terminado a sua obra-prima, de preferência antes de 15 de Junho, leia este regulamento, trate da parte burocrática, envie tudo para a morada no Cacém e aguarde que a sorte grande ande à roda em Frankfurt, lá para Outubro. Ah, já agora não se esqueça de ler as letras pequeninas, que neste caso têm o mesmo tamanho das outras mas foram deixadas estrategicamente para os artigos finais (o 13, o 14, o 15 e o 16).
Capítulo a capítulo
E se os livros se pudessem comprar capítulo a capítulo (este sim, este não) como as canções na Internet?
Esqueçam o “se”: já está a acontecer.
O boato
Às 9h23, publiquei aqui uma notícia tristíssima, chegada por SMS horas antes (1h42): «Soube agora mesmo que o Manuel Rosa morreu, num acidente.» Não sabendo mais pormenores, lamentava nesse post a terrível perda e o golpe brutal — mais um — que atingia assim a Assírio & Alvim, uma das melhores editoras portuguesas. O principal pormenor em falta era este: a notícia é falsa. Completamente falsa.
Apesar do inqualificável boato que alguém certamente muito desequilibrado pôs a circular, para desespero e dor de quem conhece o Manuel, este encontra-se de perfeita saúde, tal como a Ilda David’, que supostamente teria partido uma perna no suposto acidente de viação.
Como devem imaginar, até me arrepio só de pensar que durante umas horas “matei” alguém que muito estimo e admiro. É certo que coisas destas já aconteceram várias vezes (a começar pelo mais famoso dos antecedentes); é certo que ninguém está a salvo de mentes retorcidas e capazes de espalhar as mentiras mais sórdidas; mas ainda assim impõe-se um pedido de desculpas ao Manuel Rosa, claro, e a todos os leitores que se sobressaltaram (felizmente) em vão.
[Fotografia: João Moreira dos Santos, reenquadrada]
Byblos à moda do Porto
Segundo notícia do DN, a segunda livraria Byblos vai ficar instalada na Praça de Lisboa, junto à Torre dos Clérigos, no centro do Porto. Inserida num projecto de reabilitação urbana liderado pela Bragaparques (olha quem), a nova loja vai ser ainda maior do que a das Amoreiras e supõe-se que igualmente sofisticada. Contudo, tendo em conta as muitas falhas que o projecto lisboeta revelou — tanto ao nível tecnológico como de oferta livreira (o famoso fundo editorial continua incompleto) — talvez fosse melhor afinar a máquina antes de entrar outra vez em delírios de grandeza e promessas megalómanas que enchem o olho da imprensa mas depois ficam por cumprir.
De resto, todos os males fossem esses. Por zunzuns que me chegaram aos ouvidos, o ambiente nas Amoreiras anda de cortar à faca, devido a questões salariais que já motivaram a saída de pelo menos quatro funcionários e estão a causar enorme mal-estar nos que ficaram.
Rua Nova do Almada, n.º 59, 3º andar
Os Booktailors, que escrevem o excelente Blogtailors, só podiam ter um escritório que se chamasse Bookoffice. Fica ali bem no centro do Chiado, em frente a uma livraria clássica (a Ferin) e abriu as portas hoje.
Longa estadia e grandes sucessos é o que o Bibliotecário de Babel lhes deseja.
O regresso de Nelson de Matos
Num momento em que as principais editoras portuguesas se vão agrupando, num processo de concentração empresarial ainda em curso, o gesto de Nelson de Matos pode parecer romântico: criar de raiz uma nova chancela, por sua conta e risco, tão pessoal que até lhe dá o seu nome (na linha do que fez Christian Bourgois, recentemente falecido).
Em artigo de Ana Marques Gastão, publicado hoje no Diário de Notícias, o antigo editor da Dom Quixote e da Ambar explica-se:
«Quis que o trabalho editorial tivesse um nome, uma assinatura. Não é nada de invulgar, lá fora usa-se. Em Portugal também, em tempos, se usou. Estou a dar a cara por este projecto.
(…) A concentração de editoras que tem vindo a verificar-se abre um espaço para pequenos trabalhos individualizados em que a edição é feita de uma forma mais personalizada.
(…) Estou a avançar para este projecto sozinho. Vamos ver como responde o mercado. Publico os livros e aguardo que os leitores os acompanhem.»
As Edições Nelson de Matos lançarão a sua primeira obra no final de Fevereiro (O Lavagante, ficção inédita de José Cardoso Pires) e abrangem cinco colecções: Mil Horas de Leitura (conto, novela, romance e “talvez poesia”), História Hoje (História recente, biografias, reportagens), Pensar Navegar (ensaio de ciências humanas), Outras Direcções (tempos livres) e Textos Literários (apoio ao ensino, dirigida por António Melo).
Números
Sendo o mercado livreiro português uma área de actividade económica em que tem imperado uma espécie de vazio estatístico, é de saudar a realização de um Inquérito ao Sector do Livro, encomendado pelo Ministério da Cultura ao Observatório das Actividades Culturais. Os resultados preliminares foram ontem apresentados, mas ainda só contemplam o ano de 2005 (para o qual foi apurado um volume de negócios de 381 milhões de euros). Esperemos que o levantamento em curso, relativo a 2007, seja conhecido depressa e nos permita compreender se o mercado está realmente em expansão, como parece sugerir a emergência de grandes grupos editoriais nos últimos meses.
O optimismo de Carlos da Veiga Ferreira
Entrevistado pelos Blogtailors, o presidente da União de Editores Portugueses e responsável máximo da Teorema (recentemente adquirida pela Explorer Investments) não parece demasiado preocupado com a agitação do mercado.
À pergunta “Se tivesse de sintetizar tudo numa frase, como descreveria os tempos que se aproximam?”, respondeu:
«No curto prazo, muita perturbação e indefinição; a seguir, consolidação dos vários projectos em presença; no fim, um sector mais próspero, com uma produção diversificada e de qualidade, que nos fará estar à altura de um passado que honra os editores portugueses.»
A entrevista completa pode ser lida aqui.
Os ‘alfaiates’ que pensam a edição à medida

Paulo Ferreira e Nuno Seabra Lopes
Booktailors. Ou, em bom português, “alfaiates dos livros”. Assim se chama a empresa de consultoria editorial que Nuno Seabra Lopes (32 anos) e Paulo Ferreira (28) formaram há poucos meses e que está a “crescer” muito mais depressa do que eles alguma vez se atreveram a sonhar.
A história começa em Setembro de 2006, quando Paulo entrou em contacto com Nuno através do blogue que este mantinha sobre temas editoriais (ainda activo). Na altura, Paulo estava a terminar uma pós-graduação em “livros e novos suportes digitais” na Universidade Católica, enquanto Nuno, que já tinha experiência profissional como consultor, avançava num mestrado em Estudos Editoriais.
Conversa puxa conversa, aos poucos começou a ganhar corpo, entre os dois, a ideia de trazer para o nosso país o que por cá ainda não havia; isto é, a figura do consultor editorial a sério, alguém que conhece bem o mercado do livro, os passos da cadeia de produção, as tendências comerciais, os últimos avanços teóricos, e que pode por isso orientar os editores nas suas apostas e decisões.
“O problema em Portugal é que o mercado sempre foi muito amador, sempre se trabalhou a partir de uma base empírica que não é suficiente para enfrentar os actuais desafios”, diz Nuno. Desafios como os da concentração editorial em curso, de que a LeYa (a holding de Miguel Pais do Amaral) é o exemplo mais recente. Com tudo a mudar tão depressa, quem não souber para onde vai arrisca muito.
Foi justamente para indicar caminhos ou propor soluções, à medida para cada caso, que Nuno e Paulo criaram a Booktailors (com mais um elemento nos bastidores, a tradutora Raquel Mouta, e a parceria da RPVP Designers). Da dupla que dá a cara pelo projecto, Nuno é o responsável pela análise do mercado e pela estratégia, enquanto Paulo (que acaba de abandonar o trabalho numa agência de publicidade) trata das questões de marketing e comunicação — o calcanhar de Aquiles de muitas editoras. “É incrível, por exemplo, como a blogosfera tem sido ignorada.”
Não por acaso, a Booktailors fez da internet uma arma. Com um blogue actualizadíssimo e muito citado, puderam prescindir da publicidade e até do mailing para os editores. Com o boca-a-boca a funcionar em pleno, não têm faltado os contactos de quem deseja um ou vários dos serviços que oferecem: da avaliação de produtos aos estudos sectoriais, passando pela criação de textos para badanas e contracapas.
Num momento em que está prestes a abrir o seu escritório, no Chiado (R. Nova do Almada), a Booktailors já reviu em alta o seu plano de negócios para 2008: garantidos estão três contratos (um deles a criação de uma nova chancela para o grupo Plátano) e “há mais seis ou sete na calha”.
Embora de natureza comercial, a Booktailors não vê apenas cifrões à frente. “Por enquanto ouvimos todas as propostas, mesmo as que não têm muita viabilidade, porque somos antes de tudo leitores compulsivos e isto para nós é muito mais do que um negócio”, resume Paulo Ferreira.
[Texto publicado na edição desta semana da revista Time Out Lisboa. Fotografia: Gonçalo F. Santos]
MeYA
Um dos grandes objectivos da concentração de empresas, já se sabe, consiste em reduzir o número de trabalhadores. Criam-se departamentos transversais e corta-se no pessoal. É também isso que está a acontecer na tão falada holding de Miguel Pais do Amaral: na apresentação da nova marca do grupo já só estiveram 549 funcionários, dos 670 que havia antes (correspondendo a uma quebra de 18%), mas há quem fale num downsizing ainda maior, na ordem dos 40%. Veremos. Mas se quase metade das pessoas que trabalhavam nas editoras progressivamente adquiridas por Pais do Amaral forem efectivamente dispensadas, talvez valesse a pena mudar o nome da holding de LeYa para MeYa. É que em vez da Caminho, da Asa, da Dom Quixote, da Texto, da Gailivro, da Novagaia, da Ndjira e da Nzila, vamos ter meia Caminho, meia Asa, meia Dom Quixote, meia Texto, meia Gailivro, meia Novagaia, meia Ndjira e meia Nzila.
A internacionalização de JLP
Já publicado em 12 línguas, José Luís Peixoto continua a ver os seus livros editados lá fora a um ritmo vertiginoso. Agora, é a vez de Israel, Grécia, Polónia e Japão. Mas o passo determinante de 2008 acontecerá em Agosto, quando o romance Nenhum Olhar aparecer no mercado americano, com chancela da Nan A. Talese/Doubleday (do grupo Random House) e o título The Implacable Order of Things. A capa será assim:

Entretanto, a edição inglesa do romance, com outro título (Blank Gaze, Bloomsbury), tem recebido boas críticas na imprensa britânica e foi incluída na lista dos melhores livros de ficção de 2007 publicada pelo jornal Financial Times.
Em vez de leão, jibóia
Lembram-se desta metáfora visual zoológica (que alguns talvez tenham considerado excessiva)? Ontem, Isaías Gomes Teixeira corroborou-a:
A estratégia a adoptar no Brasil, onde Pais do Amaral também pretende vir a comprar editoras, ainda não foi delineada, mas será uma prioridade no futuro do grupo. “Neste momento, somos a jibóia a digerir o búfalo”, disse Gomes Teixeira. “O Brasil virá a seu tempo…”
LeYa

A marca LeYa (com y maiúsculo, segundo o Público) foi hoje apresentada, no Centro de Congressos do Estoril, por Isaías Gomes Teixeira, administrador da holding de Miguel Pais do Amaral. Além da intenção já antes demonstrada de fazer com que o projecto “cresça” (previsão de mil novos títulos em 2008 e um volume de negócios de 90 milhões de euros, tendo como objectivo tornar-se, em breve, «o maior grupo editorial de toda a área da língua portuguesa»), houve duas grandes novidades:
- O esclarecimento de que cada editora manterá a sua chancela antecedida pelo nome do grupo. Ou seja, teremos a LeYa-Caminho, a LeYa-Dom Quixote, a LeYa-Asa, etc. (A marca LeYa foi criada pelo publicitário Carlos Coelho, que a considera «nobre, simbolizando o Y a abertura da nossa língua».)
- O anúncio da criação do prémio literário LeYa, no valor de 100 mil euros, para um romance inédito escrito em português, a atribuir durante a Feira de Frankfurt (com a ideia de “exportar” os “nossos autores”). O regulamento será conhecido a 15 de Fevereiro.
Quanto ao primeiro ponto, parece-me que haverá inevitavelmente uma descaracterização da identidade de cada uma das editoras, agudizada pelo previsível nivelamento das linhas gráficas. Ter o nome da holding à frente (e não atrás) da designação original das editoras, empobrece-as, coloca-as em segundo plano, exibe de forma quase hostil quem realmente manda. E, para piorar as coisas, a marca LeYa é de uma pobreza franciscana. Fora o imperativo fonético (leia!), não diz absolutamente nada. Parece um nome made in China, um nome da loja dos trezentos. Já para não dizer que o simbolismo do Y enquanto «abertura da nossa língua» (abertura a quê ou de quê?) é um rotundo disparate, a começar pelo facto da letra tão na moda (veja-se a Byblos) não existir sequer no alfabeto português.
O prémio literário levanta-me ainda mais dúvidas. Cem mil euros é muito dinheiro. Ou seja, tanto como o atribuído pelo Prémio Camões, de longe o mais importante do espaço da lusofonia, mas que distingue uma carreira (como o Nobel) e não um livro concreto. Neste campeonato, digamos assim, o LeYa não tem rival à altura na CPLP: o Prémio PT de Literatura em Língua Portuguesa atribui um total de 70 mil euros (mas apenas 37.500 para o vencedor), o Prémio Saramago ”fica-se” pelos 25 mil euros e o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores não ultrapassa os 15 mil euros. Na verdade, o LeYa pede meças aos principais prémios do mundo anglófono, sendo superior ao Costa Book Awards (40 mil euros) e mesmo ao tão mediático Man Booker Prize (cerca de 67 mil euros), ficando apenas aquém do maior prémio para um livro: o IMPAC Dublin (127 mil euros).
Financeiramente, o LeYa vai ser incontornável. Resta saber qual a sua credibilidade. É que se alguns dos prémios atrás referidos são patrocinados por empresas assumidamente não-literárias (especialistas em investimentos alternativos, café ou sistemas de controlo), o LeYa vai ter como patrono uma holding editorial. Como é que vão ser geridos os conflitos de interesses? Se o prémio é aberto a todos os autores de língua portuguesa, será que os escritores publicados pela LeYa podem participar? Por outro lado, se os nomes fortes da casa ficarem de fora (como a lógica e a transparência exigem), que interesse é que a LeYa terá em premiar e promover autores de outras editoras ou grupos concorrentes?
Ainda há aqui muitas zonas de sombra. Esperemos que se dissipem no dia 15 de Fevereiro.
PS — Estou muito curioso de saber que figuras serão convidadas para o júri…
PS 2 — O objectivo de “internacionalizar” os autores lusófonos, anunciando o prémio em Frankfurt, revela ambição. Mas, é bom dizê-lo, também alguma ingenuidade. Sabendo-se que por aqueles dias os suecos revelam a identidade do Nobel da Literatura, alguém vai ligar alguma coisa ao vencedor do prémio português com nome patusco?
[Foto: DN]
Com quatro letrinhas apenas
Segundo os BlogTailors, o recentemente ampliado grupo editorial de Miguel Pais do Amaral (agora com a Dom Quixote a bordo) já tem nome: Leya.
Os sete mandamentos de Maria do Rosário Pedreira
Mandamentos é exagero. Serão antes princípios, coordenadas, guidelines. E foram resumidos ao responder à terceira pergunta de uma entrevista por e-mail, feita pelos BlogTailors:
3. Que características considera essenciais a um editor?
Ter lido muito e continuar a gostar muito de ler (digo isto, porque ao fim de muitas más leituras, corremos o risco de perder o gosto); ter uma cultura geral que lhe permita avaliar os originais que recebe ou conhecer as pessoas certas para o ajudarem nessa tarefa; ter faro para perceber os livros que interessam ao público e os que, mesmo sendo bons, nunca sairão de uma prateleira da livraria; ser cordato nas suas relações com os autores (para os quais às vezes é precisa uma enorme paciência); ter sempre presente a existência do público leitor e não confundir os seus gostos pessoais com os desse público; ter a noção de que um livro tem sempre de ser algo que enriqueça, e nunca algo que estupidifique e manipule; ter a noção do valor do dinheiro (sobretudo quando se trabalha para outrem) e não o gastar superfluamente.
A conversa completa pode ser lida aqui.
Um garimpeiro nunca abandona o seu filão
Mesmo apontando para um horizonte longínquo (dez anos) e com muitos “ses” à mistura, J. K. Rowling não descarta a hipótese de vir a publicar um oitavo livro da série, supostamente fechada, do feiticeiro Harry Potter.
[As declarações da escritora à revista Time podem ser lidas aqui]
Quo vadis, Porto Editora?
Como se insinua aqui, a Porto Editora precisa de reagir rapidamente às transformações em curso no mercado editorial português. Fingir que nada se passa, ou que a quota maioritária no segmento dos livros escolares lhe dá uma margem de segurança, seria um erro fatal. Resta agora saber se a estratégia passa por defender o que já tem ou por algum tipo de contra-ataque. A anunciada aposta na ficção indicia o segundo cenário, mas a tarefa não se afigura fácil (até porque um bom catálogo de romancistas não se constrói de um dia para o outro).
A este respeito, é interessante recuperar uma entrevista de Vasco Teixeira, presidente da Porto Editora, à edição de 13 de Setembro do Jornal de Negócios.
Proeza
Com a compra da Dom Quixote, Miguel Pais do Amaral conseguiu um feito inédito: juntar debaixo do mesmo telhado José Saramago e António Lobo Antunes, dois rivais que à partida se excluem mutuamente. Não deve ser aliás por acaso que o autor de A Ordem Natural das Coisas diz o que diz. As ameaças servem apenas para marcar posição, sublinhar o seu estatuto e exigir tratamento VIP. Mas o fulcro dos receios de Lobo Antunes está nesta frase: “Quero garantias muito claras de que as pessoas que têm trabalhado comigo o continuem a fazer.” Onde se lê “pessoas que têm trabalhado comigo” leia-se Tereza Coelho. Por outro lado, se o romancista defende com unhas e dentes os “seus”, o que só lhe fica bem, lá por baixo esconde-se, parece-me, o receio de ter de partilhar o palco com outros autores de primeira grandeza, nomeadamente aquele que já teve o desplante de lhe roubar o Nobel.
Negócios de fim de ano
Não foi só Miguel Pais do Amaral que esteve activo na recta final de 2007. A Bertelsmann, que já detém o Círculo de Leitores e a Bertrand, também anunciou ontem a compra da Pergaminho (editora que há umas semanas deu tampa a Pais do Amaral). Falta, para fechar o ciclo dos negócios anunciados, que a Explorer Investments confirme a aquisição da Gradiva.
A notícia mais esperada
Finalmente, ficou tudo preto no branco. A compra da Dom Quixote por Miguel Pais do Amaral, sem sombra de dúvida o negócio do ano, deixou de ser mera especulação.
Embora ainda se desconheça por que verbas foi selado o acordo, vale a pena ler alguns excertos do comunicado de imprensa:
O Grupo Editorial de Miguel Pais do Amaral fechou hoje, ao final da manhã, a aquisição da editora Dom Quixote ao grupo editorial espanhol Planeta, a quem a empresa tinha sido alienada em 1999. Esta aquisição vem completar o portfólio de empresas editoriais adquiridas por Miguel Pais do Amaral em 2007, processo que teve inicio em Março deste ano com a aquisição da Texto Editores e que evoluiu durante o ano com as aquisições da Caminho, ASA e Gailivro.
(…) A Dom Quixote assume-se como a «A Casa dos Autores Portugueses». Para além de ter no seu portfólio alguns dos mais importantes autores nacionais, ao longo dos seus quarenta anos de vida a Dom Quixote publicou cerca de 5000 títulos originais, tendo colocado em casa dos leitores portugueses mais de 20 milhões de livros.
Para Miguel Pais do Amaral, a compra da Dom Quixote «finaliza o primeiro ciclo de aquisições com vista à criação de um grupo editorial líder de mercado em Portugal e nos países africanos de expressão portuguesa. Seguir-se-á uma fase de reorganização interna e de crescimento orgânico, que a médio prazo permitirá criar um grupo suficientemente forte para iniciar um segundo ciclo de aquisições fora de Portugal, nomeadamente no mercado brasileiro»(…) [O negrito é meu]
Ontem, o grupo de Pais do Amaral formalizou igualmente a compra da editora Nova Gaia, acordada desde 18 de Setembro mas que aguardou um parecer positivo da Autoridade da Concorrência. Esta aquisição permitirá ao grupo alcançar a vice-liderança no segmento das edições escolares, com uma quota de mercado próxima dos 30% (ainda assim distante da hegemónica Porto Editora).
Confirmada a compra da Dom Quixote por Miguel Pais do Amaral
Segundo uma informação difundida há cinco minutos pela agência de comunicação Lift Consulting, o Grupo Editorial de Miguel Pais do Amaral “acabou de finalizar a aquisição das Publicações Dom Quixote”, colocando-se “na liderança em edições gerais e vice-liderança em edições escolares”.
Como é que se pode dar a volta à Lei do Preço Fixo?
Perguntem à Webboom. Ou então leiam estes dois posts (I, II) do Luís Filipe Cristóvão, um livreiro que se indigna legitimamente com uma chico-espertice escandalosa.
A nova página em branco pode ser um ecrã de telemóvel
É o grande fenómeno editorial dos últimos tempos no Japão. Os keitai shousetsu, romances escritos no telemóvel (com frases curtas, emoticons, etc.) ocuparam metade da lista dos dez livros de ficção mais vendidos durante o primeiro semestre de 2007. As histórias dirigem-se a um público maioritariamente feminino e adolescente, que as vai recebendo por subscrição e sugere rumos para a narrativa. Por se sentirem de certa forma co-autores da obra, os leitores compram depois os livros em papel e contribuem para vendas na ordem do meio milhão de exemplares.
Será que este fenómeno alguma vez chegará a Portugal? E se chegar, como é que será baptizado? Literatura ultra-light?
[via Mind Booster Noori]
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Autores da Dom Quixote

Miguel Pais do Amaral
O puzzle
Aos poucos, pela calada, as peças vão encaixando.
Os rumores confirmam-se
Notícia de hoje, no DN:
“A Gradiva é uma jóia e há muita gente interessada. Como não vou deixá-la aos meus filhos, pode ser que seja este o momento.” Guilherme Valente, editor e proprietário da Gradiva, confirmou desta forma, à Lusa, que pode estar para breve a venda da editora que fundou e que este pode ser o momento ideal para formalizar um negócio, por haver muita procura e muitos grupos interessados na concentração.
Guilherme Valente reagia a uma notícia publicada ontem no DN que dava conta de negociações avançadas entre a Gradiva e o grupo Explorer, negando, para já, a existência de qualquer decisão. “A Explorer é um grupo de pessoas sérias e correctas que gostam da Gradiva e eu gosto delas, mas não há nada de concreto”, acrescentou, declarando, sem revelar qual, que há um grupo a que jamais venderá a editora que dirige.
Só aqui entre nós, não é muito difícil imaginar qual é o tal grupo a que Valente “jamais venderá” a Gradiva, pois não?


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