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Fumo branco

Depois de muitos anúncios não confirmados pelas partes, eis o comunicado que oficializa o negócio entre a Porto Editora e a Bertelsmann:

«O Grupo Porto Editora celebrou com o DirectGroup Bertelsmann um acordo de promessa de compra e venda sobre os activos do DirectGroup Portugal.
O compromisso envolve a aquisição de todas as unidades de negócio do DirectGroup Portugal ligadas às áreas da edição, distribuição e retalho: a Bertrand Editora (com as chancelas Pergaminho, Quetzal, Temas e Debates e ArtePlural Edições), a Distribuidora de Livros Bertrand, o Círculo de Leitores e as Livrarias Bertrand.
O Grupo Porto Editora vê esta aquisição como um passo importante no contexto da estratégia de crescimento e desenvolvimento da sua actividade. A concretização definitiva deste negócio acontecerá no momento em que for dado o aval pela Autoridade da Concorrência, entidade à qual será submetido este processo nos próximos dias para devida apreciação. Quando for conhecida a decisão da Autoridade da Concorrência, o Grupo Porto Editora dará mais informações relativas a este assunto.»

Jonas e a baleia

O grande negócio do ano no mundo editorial português, segundo Pedro Vieira.

Hugo Xavier na Ulisseia

Os Blogtailors trazem-nos hoje uma boa notícia: Hugo Xavier, co-editor e co-fundador da Cavalo de Ferro, um excelente profissional que aguardava a oportunidade de voltar a mostrar o seu valor, será o novo responsável pela chancela de ficção Ulisseia, pertencente ao grupo Babel.

Negócio Porto Editora-Bertelsmann

Depois da notícia do Público (ontem), não faltaram hoje réplicas em vários jornais: Correio da Manhã, Jornal de Notícias, Diário de Notícias.

O que é afinal um e-book?

A questão está longe de ser tão óbvia como parece. E ninguém lhe conseguiria dar uma resposta mais completa do que José Afonso Furtado.

Uma pergunta retórica

Segundo The Bookseller, os editores britânicos já estão a trabalhar em livros para o iPad, mesmo antes de se saber quando é que o novo gadget da Apple vai ser posto à venda no Reino Unido. E os editores portugueses?

Um rumor em vias de se transformar numa certeza?

Porto Editora vai comprar Círculo de Leitores e negócios da Bertrand ao grupo alemão Bertelsmann.

Revista ‘Os Meus Livros’ ressuscita

Foi uma morte curta. Menos de um mês após o anúncio do fecho da revista Os Meus Livros (OML), o projecto volta à vida com a mesma estrutura editorial, director (João Morales), leque de colaboradores, periodicidade e preço de capa. A diferença é que entretanto a publicação foi adquirida pela CE Livrarias (uma empresa subsidiária da Coimbra Editora), também responsável, em parceria com a LeYa, pelo novo fôlego da livraria Buchholz, em cuja festa de reabertura, hoje ao fim da tarde (festa muito concorrida, diga-se), foi anunciado o regresso da OML às bancas já em Maio.

Grupo Planeta muda assessoria de imprensa

Berta Silva Lopes, ex-responsável pela comunicação da Bertrand, é a nova assessora de imprensa do Grupo Planeta em Portugal, substituindo Clara Caldeira.

‘Wolf Hall’ em segunda edição

O elevado volume de pré-reservas e encomendas do romance Wolf Hall, de Hilary Mantel, Prémio Man Booker 2009, fez com que a Civilização começasse a reimprimir o livro ainda antes deste chegar às livrarias (o que acontecerá apenas no dia 9).

QuidNovi de volta

Após um «interregno invernal», que se seguiu à saída de Maria do Rosário Pedreira para o grupo LeYa, a QuidNovi regressa ao activo neste mês de Março. A editora passa a ser Ana Maria Pereirinha, a quem se juntam dois novos colaboradores: Teresa Carvalhal (assistente editorial) e Gonçalo Mira (secretariado e contactos com a imprensa). A QuidNovi criou ainda um blogue e está activa no Facebook.

Babel alarga Conselho Editorial

logotipo_babel

Ao apresentar logo à tarde (18h00, na BN) o projecto Babel, Paulo Teixeira Pinto anunciará igualmente as figuras que aceitaram fazer parte do seu Conselho Editorial (aumentando o que já fora criado para a Guimarães). Dos novos nomes, posso antecipar desde já os seguintes:

- Eduardo Lourenço
- Manuel Maria Carrilho
- Guta Moura Guedes
- Ricardo Pais
- Delfim Sardo
- João Botelho
- Joana Amaral Dias

Babel é apresentada amanhã

CONVITE BABEL

O novo grupo editorial de Paulo Teixeira Pinto, que não gosta de lhe chamar «grupo», será apresentado oficialmente amanhã, 6 de Fevereiro (por ser o dia de nascimento do Padre António Vieira), a partir das 18h00, no Auditório da Biblioteca Nacional. Da Babel passam a fazer parte nove chancelas, com identidades editoriais bem definidas: Guimarães, Verbo, Ulisseia, Ática, Arcádia, Athena, Centauro, K4 e Pi.
Na edição de amanhã do suplemento Actual, do Expresso, Teixeira Pinto explica em detalhe este projecto, referindo-se ainda aos seus objectivos enquanto presidente em exercício da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros, num trabalho assinado por mim.

O novo logótipo da Porto Editora

É assim:

Uma imagem clean, neutra e moderninha, mas a que falta garra. Entre as aspas estilizadas e os livros sobrepostos que desenhavam um P e um E (tão, mas tão eigthies), continuo a preferir os livros sobrepostos.

Além disso, se O Independente ainda existisse, mais a sua rubrica “Separados à Nascença”, talvez alguém se lembrasse desta tripla associação:



Uma ‘Jangada’ inteira para apoiar as vítimas do sismo no Haiti

CapaJangada

Na próxima sexta-feira, chega às livrarias uma nova edição do romance A Jangada de Pedra, de José Saramago, destinada a contribuir para a ajuda humanitária às vítimas do sismo no Haiti. A iniciativa é explicada no seguinte comunicado da LeYa, emitido ontem ao fim da tarde:

«O Grupo Leya, a Editorial Caminho e a Fundação José Saramago lançam hoje, junto com vários parceiros, a campanha “Uma Jangada de Pedra a caminho do Haiti”, acção de solidariedade para com as vítimas do sismo no Haiti. A ajuda será dada através da venda de uma edição especial do livro “A Jangada de Pedra”, disponível nas livrarias portuguesas a partir da próxima sexta-feira. Os 15 euros do valor do livro serão directamente doados, na sua totalidade, para o Fundo de Emergência da Cruz Vermelha Portuguesa.
No seguimento de uma ideia da Fundação José Saramago, a Leya mobilizou a sua estrutura, bem como todo um conjunto de entidades, de modo a tornar possível esta campanha, inédita em Portugal e operacionalizada em tempo recorde. A grande disponibilidade demonstrada pelos parceiros permitiu colocar em marcha esta acção. Estão envolvidos na campanha as seguintes empresas: Agfa, Eigal, Plásticos Pando, JDC, Ibero Fibra, Torras Papel, Inapa, Gráfica 99 e Ideias com Peso. Das entidades que aceitaram prontamente colaborar fazem também parte as livrarias e grandes superfícies que ofereceram os seus espaços para a venda do livro: Almedina, Bertrand, Sonae, Fnac, Auchan e Press Linha, bem como muitas outras das principais livrarias um pouco por todo o país serão os locais onde o livro poderá ser encontrado. Todos se disponibilizaram para trabalhar gratuitamente em prol do sucesso desta iniciativa.
As editoras de José Saramago em Espanha e na América Latina vão avançar com campanhas semelhantes nos respectivos países.
Ao empenho de todos os parceiros envolvidos, junta-se agora o desejo de que a comunidade corresponda, dirigindo-se às livrarias e adquirindo esta edição especial, sabendo que ao fazê-lo estará a realizar um donativo directo, no valor de 15 euros, para a Cruz Vermelha que, por sua vez, o aplicará no seu esforço de apoio às vítimas do sismo no Haiti.
Trata-se da primeira campanha na qual o valor total de um livro reverte na íntegra para uma causa humanitária. É também a primeira vez que editoras, papeleiras, gráficas, transportadoras e o retalho se unem neste tipo de acção.
A campanha “Uma Jangada de Pedra a caminho do Haiti” prolongar-se-á até 28 de Fevereiro de 2010.»

Camões & Companhia

camoes_companhia

A Saída de Emergência acaba de criar mais uma chancela. O conceito, segundo os editores, é o seguinte:

«Num momento em que o mercado se recusa a correr riscos e quase só aposta em livros de leitura fácil e venda garantida, a Saída de Emergência criou uma chancela que não vai em modas, nem em bestsellers, nem em imediatismos. A Camões & Companhia é uma casa para livros de culto.
O nosso objectivo é simples: satisfazer leitores que se sentem prisioneiros de um mercado demasiado homogéneo. Publicar clássicos de hoje e clássicos de amanhã. E obras que foram boas há cem anos e que serão boas daqui a outros cem. Vamos ultrapassar barreiras e preconceitos de géneros literários, oferecendo um catálogo construído com base na qualidade e intemporalidade da obra e do autor.
Com a Camões & Companhia a vida dos livros não terminará depois de serem lidos. Prometemos que vão encher a sua estante, surpreender as visitas, exigir releituras, resgatar memórias de bons momentos. Lançámos a nós próprios um desafio exigente, contra-corrente e talvez comercialmente desinteressante, mas pelo qual vamos lutar em nome do maior tesouro: os livros de culto.»

As primeiras apostas incluem obras de Irvin D. Yalom, Peter Ackroyd e David Soares.

Substituição

Durante oito anos, Carla da Silva Pereira fez de tudo na editora Antígona: «tradução, revisão, concepção gráfica, elaboração de textos para press releases, badanas, contacto com tradutores, autores e imprensa em geral, promoção, facturação/contabilidade, gestão e organização de eventos, como lançamentos».
No início de Dezembro, deixou o lugar vago. Um lugar que a partir de hoje passa a ser ocupado por Rita Canas Mendes.

Será que devemos ter medo dos e-books?

A resposta é igual à do post anterior: claro que não.

As grandes ameaças que aí vêm (segundo os livreiros independentes britânicos)

O excesso de descontos e a persistência da recessão económica.

Maria do Rosário Pedreira transfere-se para a LeYa

O «comunicado» chegou há pouco e é bastante explícito:

«Na sequência de uma proposta de trabalho (Leya-se: irrecusável) para continuar a sempre fascinante descoberta de autores portugueses (mas não só), informo que cessarei as minhas funções como Editora da QuidNovi no próximo dia 31 de Dezembro. Foi um projecto que acarinhei praticamente desde a raiz e no qual trabalhei com uma equipa excepcional de que lamento, obviamente, separar-me; mas, a partir de certa idade, arrependemo-nos sobretudo do que não fizemos e, como tal, senti que não podia deixar de aceitar mais este desafio.
(…) Mais informo que a Ana Maria Pereirinha, que quase todos já conhecem, assumirá neste momento a responsabilidade por todos os projectos em curso.»

À Maria do Rosário Pedreira, que tem feito um trabalho excepcional enquanto editor (no sentido anglo-saxónico do termo), cujos frutos estão à vista na quantidade de novos autores de ficção portugueses que descobriu e trabalhou (entre os quais três Prémios Saramago: José Luís Peixoto, valter hugo mãe e João Tordo), à incansável leitora quero daqui enviar um grande abraço e o desejo de que os seus novos projectos, como os anteriores, sejam coroados de êxito.
Quanto à QuidNovi, creio que fica, com a Ana Maria Pereirinha, em excelentes mãos.

PS – Mais informação nesta notícia do Público online.

‘As Três Vidas’ de João Tordo em francês

O romance As Três Vidas, de João Tordo (QuidNovi), que acaba de ganhar, por unanimidade, o Prémio José Saramago 2009, vai ser editado em França pela Actes Sud, com data de lançamento prevista para Fevereiro de 2010. Traduzido por Dominique Nédellec, Les Trois Vies é apresentado pela editora como a obra mais recente do «chef de file de la jeune garde des lettres portugaises».

O fim das Quasi

Acabei de saber, pelo Twitter do Carlos Vaz Marques, que as Quasi Edições declararam falência. Lamento muito. Com altos e baixos, o projecto de Jorge Reis-Sá (e de valter hugo mãe, na fase inicial) foi importantíssimo na revelação de novos poetas. Pode dizer-se que o catálogo é desequilibrado, e é, mas no meio de livros fraquinhos encontrámos sempre boas surpresas (Rui Cóias, Tiago Araújo, Paulo Tavares, António Gregório) e algumas revelações fundamentais (casos de Ana Paula Inácio, Rui Lage e, já este ano, Nuno Rocha Morais), além de uma excelente escolha de poesia brasileira (Murilo Mendes, Manoel de Barros, Carlos Nejar, Eucanaã Ferraz, etc.).
Também por ter diversificado a sua actividade, entrando no nicho das publicações para jornais e abrindo uma loja ambiciosa em Famalicão, as Quasi pareciam o exemplo perfeito de pequena editora capaz de se aguentar num mercado difícil. Pelos vistos, não era bem assim. Ou então a crise veio na pior altura e certos investimentos tornaram-se demasiado pesados. Não sei. Só sei que é pena que um projecto destes desapareça. E é um sinal preocupante do que pode vir a acontecer ao meio editorial português, cada vez mais confinado a uma lógica de grandes concentrações empresariais e cada vez com menos espaço para projectos alternativos.

Uma boa notícia e uma má notícia

Boa notícia: a Cavalo de Ferro, após o infeliz episódio do envolvimento com a Fundação Agostinho Fernandes, vai regressar em breve às lides editoriais.
Má notícia: este regresso já não vai contar com o trabalho sempre discreto, mas ultraprofissional, do Hugo Xavier, que começa agora a preparar novos projectos.
Ao Hugo, deixo um abraço e fixo a expectativa (altíssima) de o ver em futuros empreendimentos, sempre em volta dos livros.

José Alfaro deixa a Quimera

Ao fim de 22 anos, José Alfaro, fundador da Quimera, deixou no início deste mês de ser sócio da editora que publicou, durante muitos anos, os trabalhos olisipográficos de Marina Tavares Dias.
Nas palavras de Alfaro, «os tempos que vivemos obrigam, por vezes, a grandes decisões, e acredito que esta solução é a que melhor serve a prossecução do projecto e a que mais me convém também a mim». Os novos sócios-gerentes pertencem ao grupo da Escolar Editora, que já detinha uma pequena parte do capital social da Quimera.
Alfaro tem sido, nos últimos anos, coordenador pedagógico da pós-graduação em edição (“Livros e Novos Suportes Digitais”) da Universidade Católica Portuguesa.

Mário Sena Lopes deixa Guerra & Paz

No final deste mês, o Director Editorial da Guerra & Paz, Mário Sena Lopes, cessa funções na empresa. Nas suas palavras:

«Foram dois anos de trabalho entusiasmante, com uma equipa dedicada e uma Administração empenhada, em que se transformaram processos de trabalho, se desenvolveram colecções e linhas gráficas, e se juntaram novos autores aos autores da casa. Como em toda a actividade editorial, partilhámos êxitos e fracassos, mas vimos muitos livros receberem os favores da crítica e do público – o último e grande avaliador – e aumentarem significativamente os títulos da editora reeditados.
(…) 2009 continuou a ser um ano de crise económica, com reflexos na capacidade de consumo dos portugueses, atingindo severamente a classe média – sustentáculo da compra de livros – e impactando negativamente o consumo livreiro. Naturalmente, esse impacto foi recebido de forma diferente conforme a maior ou menor estrutura dos grupos editoriais e editoras, mas para uma jovem e pequena editora independente, como a que é a Guerra & Paz Editores, não só esse impacto foi mais forte como lidar com a presente crise implica medidas de reequilíbrio e ajuste drásticos para assegurar a continuidade de um projecto editorial apresentando já uma marca distintiva no mercado português do livro, consubstanciada na publicação de livros com ideias e para debater ideias, dos quais não estão ausentes o sal da polémica ou o humor irreverente.
Ao apresentar a minha demissão como Director Editorial da Guerra & Paz Editores, faço-o com o objectivo de facilitar as ulteriores medidas de adaptação e ajuste à situação decorrente da crise do mercado, medidas com as quais estou em completa sintonia (…).
A todos, no momento da minha saída, recomendo que continuem a confiar na Guerra & Paz Editores e na sua Administração, na pessoa do Manuel Fonseca e do José Santos, cuja continuidade como fundadores e administradores é o garante seguro da manutenção do perfil editorial, da competência editorial e administrativa, da seriedade de processos que sempre caracterizou e continuará a caracterizar a editora.»

A crise também chega a Frankfurt

Segundo números preliminares divulgados pela Bookseller, tudo indica que o maior encontro editorial do mundo (a Feira de Frankfurt, que decorrerá entre 14 e 18 de Outubro) vai conhecer, pelo segundo ano consecutivo, uma quebra no número de participantes e espaços alugados.

Versão digital do novo livro de Dan Brown vende mais do que a versão em papel (pelo menos na Amazon)

É um facto extraordinário. Ou um sinal dos tempos. Segundo esta notícia da revista The Bookseller, a versão para o Kindle do romance The Lost Symbol, de Dan Brown, está à frente da versão impressa nos tops de vendas da Amazon. Stephen Windwalker, que mantém um blogue destinado aos utilizadores do Kindle, não esconde a euforia: «Maybe that isn’t the biggest story of 2009 in the world of reading. But I am having trouble imagining what could be bigger.» E há mesmo quem veja nisto uma mudança de paradigma: «The electronic book age is really about to burst upon us.»
Curiosamente, o novo opus de Dan Brown também consegue resultados muito bons no tradicional mundo dos hardcovers. A Random House anunciou que o livro vendeu, num único dia, mais de um milhão de exemplares nos EUA e no Reino Unido.

Pequena correcção à notícia do ‘post’ anterior

Segundo uma fonte por mim contactada, António Lobato Faria não se demitiu da LeYa. O que houve foi uma rescisão de contrato, feita de comum acordo.

‘Pai’ da Oficina do Livro sai do grupo LeYa

«António Lobato Faria, fundador da Oficina do Livro com Gonçalo Bulhosa, demitiu-se esta manhã dos cargos que ocupava no Grupo LeYa. Esta saída dá-se cerca de um ano após a aquisição da editora por parte daquele grupo.»

Eis uma notícia dos Blogtailors que li com alguma perplexidade.
Toda a gente sabe como o êxito da Oficina do Livro sempre dependeu da acção e instinto empresarial de António Lobato Faria. Ao incluir a Oficina no seu grupo editorial, a LeYa não prescindiu da ligação de ALF ao projecto, o que se compreende.
Agora, sem conhecer ainda os detalhes do processo, parece-me óbvio que a LeYa perderá muito mais com a saída de Lobato Faria do que Lobato Faria com a saída da LeYa. Não seria aliás de espantar que surgisse em breve um novo projecto de ALF, capaz de fazer mossa à LeYa na franja de mercado que fez o sucesso (e a fortuna) da Oficina do Livro.
Veremos.

PS – Os Blogtailors completaram, no sábado, dois anos de uma actividade bloguística que não consigo descrever com outro adjectivo que não seja o adjectivo febril. Parabéns ao Paulo e ao Nuno pelas milhares de notícias que nos foram dando, pelas janelas que abriram e pelos debates que suscitaram com o seu admirável trabalho de recolha, comentário e divulgação editorial.

PS2 – Notícia sobre este assunto, aqui (Lusa via Público).

A hipotética sorte grande da Civilização

Como noticiámos aqui, a Civilização vai publicar em Novembro o romance A Sala de Vidro (The Glass Room), de Simon Mawer, que acaba de ser escolhido para os «final 6» do Man Booker Prize. Se Mawer ganhar, contra o favoritismo de Coetzee, Mantel e Byatt, é provável que a Civilização antecipe o lançamento do livro. É que não é todos os dias que uma editora vê cair do céu um trunfo promocional destes.
Recorde-se ainda que outra das finalistas, Sarah Waters, tem sido publicada em Portugal pela Bizâncio, que em princípio já deve ter adquirido os direitos de The Little Stranger.

DLB passa a distribuir todas as marcas editoriais da DirectGroup Portugal

A Distribuidora de Livros Bertrand (DLB) assumiu, desde o início de Agosto, a distribuição dos livros das chancelas Pergaminho, Arteplural, Gestão Plus, Bico de Pena e O Quinto Selo, até aqui a cargo da Konsoante. Quer isto dizer que a DLB assegurará a comercialização de todos os títulos das marcas editoriais que compõem o DirectGroup Portugal (as outras são o Círculo de Leitores, a Bertrand, a Temas & Debates, a Quetzal, a Livros de Bolso 11/17 e a Contraponto).
Segundo Oktay Erciyaz, presidente do DirectGroup Portugal/Bertelsmann, «as chancelas editorais do grupo duplicaram o número de títulos presentes no Top de Vendas das principais cadeias de retalho livreiro em Portugal e a incorporação destas marcas na Distribuidora de Livros Bertrand vai contribuir, ainda mais, para o crescimento das mesmas.»
A presença nos tops será previsivelmente reforçada a partir de 29 de Outubro, data prevista para o lançamento da tradução portuguesa do novo livro de Dan Brown: O Símbolo Perdido.

Uma evidência

«E-book prices will have to come down to meet consumer demand and grow the market, Sony has warned.»

Civilização edita em Novembro um dos finalistas do Man Booker Prize

O romance A Sala de Vidro (The Glass Room), de Simon Mawer, um dos 13 títulos escolhidos para a longlist do Man Booker Prize, vai ser publicado pela Civilização ainda este ano (Novembro).
Eis a sinopse do livro:

«Situada na Checoslováquia, no cimo de uma colina, a Casa
Landauer é uma maravilha de aço, vidro e ónix, construída
especialmente para os recém-casados Viktor e Liesel
Landauer, um judeu e uma gentia. Mas a rectidão
resplandecente dos anos 30 que a casa, com a sua invulgar
Sala de Vidro, parece emanar, rapidamente perde o brilho à
medida que se congregam as nuvens de tempestade da II
Guerra Mundial, e a família acaba por ter de partir,
acompanhada pela amante de Viktor e a filha desta.
Porém, a história da casa está longe de chegar ao fim e, à
medida que esta vai passando de mão em mão, dos Checos
para os Russos, o melhor e o pior da história da Europa
Central é de certa forma encarnado e talvez encorajado
pelas belas e austeras superfícies e pelos planos tão
cuidadosamente concebidos, até que os eventos completam
o círculo da narrativa.»

Um eclipse longo demais

O da Cavalo de Ferro. Houve a aventura falhada com a Fundação Agostinho Fernandes e outros imbróglios legais a exigirem uma paragem, mas a verdade é que tenho saudades de ver, nos escaparates, os livros escolhidos com esmero, paixão e risco pela dupla Diogo Madredeus/Hugo Xavier. Como o anunciado, publicitado (e cancelado?) A Volta ao Dia em Oitenta Mundos, de Julio Cortázar.

A aposta brasileira da LeYa

Após algumas tentativas de aquisição de editoras brasileiras, que falharam todas (mesmo quando estiveram pertinho de se concretizarem, como no caso da Nova Fronteira), a LeYa decidiu lançar-se com a sua própria chancela no gigantesco mercado editorial do Brasil. A aposta é forte e aponta para a publicação de uma centena de títulos por ano.
Eis, na íntegra, o comunicado que anuncia a nova estratégia:

«A LeYa vai iniciar uma nova fase estratégica na construção do grupo editorial de referência em língua portuguesa. A partir de Setembro, a LeYa passará a editar directamente no mercado brasileiro.
Para isso, constituiu uma equipa de vinte prestigiados profissionais no meio editorial com o objectivo de desenvolver um plano editorial com mais de 100 livros por ano. A nova editora publicará sobre a chancela LeYa e iniciará a sua actividade com o livro O Rastro do Jaguar, de Murilo Carvalho, vencedor da primeira edição do Prémio LeYa. A direcção editorial será assegurada por Pascoal Soto, que desempenhava as mesmas funções na operação do Grupo Planeta no Brasil.
Com esta iniciativa, a LeYa espera estar a dar o primeiro e decisivo passo em direcção à realização de mais um dos seus objectivos estratégicos. A LeYa pretende ser um player relevante no mercado brasileiro e, por isso, continua a analisar o mercado latino-americano no sentido de reforçar a sua presença através da aquisição de editoras locais.
A partir de agora, a LeYa está em condições de cumprir mais um dos seus compromissos iniciais, que era o de assegurar a publicação dos seus autores em todo o mercado de língua portuguesa, um objectivo importante não apenas para a empresa e autores, mas também para o reforço da cultura portuguesa no mundo.»

Uma rentrée mais magra

Este ano, em França, a habitual avalanche editorial de Setembro vai encolher um pouco: 659 títulos contra 676 em 2008. Haverá menos primeiros romances e mais literatura estrangeira. No seu blogue, Pierre Assouline congratula-se, vendo nesta diminuição um sinal de que os editores talvez já tenham percebido uma ideia simples: «publicar menos para publicar melhor».

Último livro de Stieg Larsson vende cinco mil exemplares em dois dias

E ao terceiro volume parece que o fenómeno Millennium chega finalmente a Portugal.

LeYa dá música aos seus funcionários

Daqui a nada, pelas 16h30, a sede da LeYa, em Alfragide, vai acolher um espectáculo musical com obras de Charles Gounod e Gaetano Donizetti, interpretadas pela Orquestra Metropolitana de Lisboa, sob a batuta do maestro Reinaldo Guerreiro.
Os 250 trabalhadores do maior grupo editorial português interromperão o seu trabalho para assistirem a esta iniciativa, baptizada «Pausa para Concerto», no jardim interior do edifício. O objectivo é «favorecer a descontracção, a concentração e a criatividade em contexto laboral».

Os abutres

Ainda mal arrefeceu o cadáver mediático de Michael Jackson e já pairam por aí as aves negras que querem fazer dinheiro com a sua morte, narrando-lhe em pormenor a vida.

30 anos, 3 perguntas

Os 30 anos são os da Antígona. As três perguntas são da Sara Figueiredo Costa, dirigidas a Luís Oliveira, o editor da Antígona, sobre (justamente) os 30 anos da Antígona.

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«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges