Coimbra Editores assimila Sodilivros e cria um novo grupo

Acabo de receber o seguinte comunicado:

«As sólidas relações entre os actuais principais accionistas da COIMBRA EDITORA S.A. (fundada em 1920) e da SODILIVROS, SOCIEDADE DISTRIBUIDORA DE LIVROS E PUBLICAÇÕES S.A. (fundada em 1985), assentes numa base de confiança pessoal e numa visão partilhada sobre a potencialidade de ambas as empresas no sector do livro, por um lado;
– Uma análise convergente sobre a conjuntura do mercado e sobre as consequências dos fortes movimentos de concentração que nele se têm verificado, por outro;
– Determinaram a nossa vontade na criação de um futuro conjunto: a C.E. – GRUPO COIMBRA EDITORA.

Neste momento, ao anunciarmos a sua constituição, oferecemos ao mercado um modelo de negócio que concentra as principais actividades de suporte e apoio ao sector da edição, de forma integrada, num único grupo empresarial:

CE GRÁFICA – produção gráfica centrada essencialmente em obra de livro, agregando a anterior tipografia da COIMBRA EDITORA com uma reconhecida e conceituada gráfica da zona centro do país.

CE SODILIVROS – distribuidora de edição generalista e de edição técnica, com três unidades de negócio diferenciadas (armazéns, logística e equipa comercial) situadas em Lisboa, Coimbra e Luanda, respectivamente.

CE LIVRARIAS – nova rede de retalho livreiro, construída em parceria comercial com o GRUPO LEYA a partir da pré-existente rede de lojas da COIMBRA EDITORA, agora ampliada com a aquisição de novos espaços comerciais, representando hoje, num conjunto em crescimento, um total de 17 livrarias de características generalistas, técnicas/universitárias e especializadas na área do Direito e do livro escolar.

Assentes na reconhecida experiência e credibilidade das empresas agrupadas, dos seus accionistas e dos seus profissionais, empregando mais de 200 trabalhadores, servindo mais de 50 editoras, temos um objectivo de facturação consolidada de 20 milhões de euros em 2011, dando assim corpo à nossa principal missão: “Contribuir para a diversidade, a igualdade de oportunidades e para o fortalecimento dos mais importantes agentes da indústria cultural do livro em Portugal e nos países da lusofonia – os Editores.”
João Salgado / Jorge Azevedo
GRUPO COIMBRA EDITORA»

Inês Queiroz sai da Oficina do Livro

Responsável pela comunicação da Oficina do Livro, onde trabalhou durante três anos e meio «muito bem passados», Inês Queiroz anunciou esta manhã a sua saída da editora fundada por António Lobato Faria e Gonçalo Bulhosa. Quanto ao seu futuro profissional imediato, nada quis adiantar por enquanto.

Vender e-books de outra maneira

Uma editora francesa especialista em ficção científica (Le Bélial Éditions) vai lançar em Setembro uma plataforma para venda de e-books com um conceito inovador. Os livros custarão entre nove e 11 euros (ou seja, cerca de metade das versões impressas) mas os leitores poderão pagar mais, se quiserem ajudar o autor ou a editora. O preço não se restringe ao primeiro download, o que elimina o pânico de perder o ficheiro descarregado. Outro aspecto importante tem a ver com os direitos de autor, que ascenderão a 30% do preço de capa, contra os habituais oito a 10% (valor ridículo se tivermos em conta que desaparecem os custos de transporte e armazenagem). Numa fase inicial, a plataforma venderá apenas livros franceses.
Mais informação sobre a plataforma e-Bélial, aqui.

Uma nova editora

Segundo o blogue da Ler, João Gonçalves, antigo responsável pelo marketing da Oficina do Livro e, mais recentemente, do grupo Bertrand (do qual se desvinculou em Junho), vai criar um novo projecto editorial generalista: o Clube do Autor. A acompanhá-lo nesta aventura, que deverá arrancar em Outubro, estará Cristina Ovídeo, ex-editora da Oficina do Livro e da Planeta.

Provavelmente a melhor capa portuguesa de 2010

agape

É uma questão subjectiva, admito, mas até agora não vi outra que lhe chegue à badana.

Entre os leitores e os editores, uma ponte chamada Twitter

«Publishers have praised the merits of using Twitter to canvass readers opinions quickly, after the social networking site saw a flurry of consumers addressing publishers.
Last week readers used the hashtag (a phrase inserted into a tweet and used to link tweets on one subject) #dearpublisher to speak directly to publishers. The conversations began in America but were picked up by readers, authors, bloggers and publishers in the UK. It was among Twitter’s most popular trends at the time.»

Ler o resto do artigo de Victoria Gallagher, da revista The Bookseller, aqui.

LeYa vai apostar nos e-books

Num momento em que o mercado dos leitores de e-book continua a crescer (e o preço dos aparelhos a baixar), a LeYa assume, já a partir da próxima rentrée, a aposta numa plataforma de livros em formato digital, centrada na sua livraria online (a Mediabooks) e com um catálogo de «grandes autores lusófonos». Entre os primeiros títulos disponibilizados, estarão livros de José Saramago, Mia Couto, José Eduardo Agualusa e António Lobo Antunes.

Ele há coisas inexplicáveis

Toda a gente sabe que é muito difícil um autor português ser editado nos EUA. Para além de Saramago e Lobo Antunes, são poucos o que vencem o bloqueio (Lídia Jorge, José Luís Peixoto, os nomes contam-se pelos dedos). Devíamos por isso ficar contentes com a notícia de que outra compatriota terá um livro à venda, em inglês, nas terras do Tio Sam. Pois devíamos. Mas depois vamos a ver e essa compatriota é Alexandra Solnado (sim, Alexandra Solnado, a interlocutora mística), que acada de assinar contrato com a Simon&Schuster (sim, a Simon&Schuster) para a edição em 2011 do inenarrável O Livro da Luz. Como diriam os americanos: Jesus Christ! What the fuck is this?

Revista ‘Bang’ tem nova editora

É Safaa Dib, uma das mais activas divulgadoras dos géneros literários próximos do Fantástico e autora do blogue Stranger in a Strange Land. O n.º 7 da Bang, que voltou a ser publicado em papel (embora ainda não se saiba se essa decisão é para manter), pode ser lido em formato e-book (download gratuito) no site da Saída de Emergência.

[via BlogTailors]

Os ‘meus’ meninos (Leitura Furiosa 2010)

diogo
Diogo, 11 anos

isabel
Isabel, 7 anos

erica
Érica, 9 anos

mario
Mário, 8 anos

daniela
Daniela, 10 anos

willian
Willian, 10 anos

Os seis juntos (e o Mário com o balão vermelho verdadeiro na boca):

grupo

O balão vermelho

E à tarde lá se ouviram, na Casa da Achada, as prosas vindas de quatro pontos do mundo. Realidades terríveis, as retratadas nos textos de Amiens e Kinshasa (muita violência, muitos abusos, muito negrume). Mais solares os contributos portugueses. Pela minha parte, fiquei contente por ouvir o meu texto dito (e que bem dito) pelo Diogo Dória, grande actor, além de cantado em parte (e que bem cantado) pela maravilhosa dupla Pedro e Diana.
Para quem não foi à Mouraria, deixo aqui o texto:

UM BALÃO VERMELHO, SEM FITA-COLA

Difícil é começar, já se sabe. E nós estamos sentados em semicírculo: o Diogo, tuba às fatias na t-shirt; a Isabel das tranças tão perfeitinhas; a Érica de óculos azuis na cara redonda; o Mário deitado no chão, com os pés no ar; a Daniela das pulseiras rosa shock no braço esquerdo; o Willian, com n, assim chamado porque o pai gosta dos «actores dos filmes» (a mãe preferia Felipe, depois resignou-se). E agora? Difícil é começar, ai pois é, pôr uma palavra a seguir à outra, mas entretanto já começámos, os dois mais velhos assumem que são maus leitores, não gosto, não gostamos, fartam-se depressa, o Willian e o Diogo, dez minutos, uma hora, dois capítulos, «aquilo torna-se chato», «estar atento dá-me sono», os mais pequenos encolhem os ombros, com eles não é bem assim, mas deixemos isso para trás. Deixemos isso para trás porque de repente, agora, há histórias a nascer no centro do semicírculo, do recreio cada criança prometeu trazer uma na cabeça, depois dos saltos no pátio de cimento, depois das correrias por baixo dos telhados de zinco, e elas aí estão, as histórias, atropelando-se. A do Mário cabe inteira numa frase: um menino tem medo do escuro, na casa há duas camas, é na da mãe que a escuridão menos assusta. Chegada a sua vez, a Daniela esquece-se do que ia contar, depois já se lembra, mas quando vai contar varre-se tudo de novo, o que não se varre é a memória de umas férias que passou na Alemanha com a irmã mais velha («ela tem 24 anos»), duas semanas em Hamburgo, tal como a Isabel não esquece o dia em que o pai chegou de Espanha, onde estava a trabalhar, e trazia roupas para ela, sapatos para ela, tantas coisas e ainda pastilhas elásticas com sabor a maçã. A história do Willian parece um sonho: há um menino que pega num balão e tenta enchê-lo, sopra, sopra, sopra, mas não consegue porque o balão está furado, até que ele encontra o furo e tapa-o com fita-cola, volta a soprar e o balão enche-se, é um balão vermelho, muito cheio de ar e o menino brinca com ele como se fosse uma bola de futebol. Na história do Diogo há um peixe que tem medo do mar, coisa complicada porque é no mar que ele vive, imaginem o que seria termos medo do oxigénio que respiramos, então um dia uns mergulhadores apanham-no («como no Nemo», lembra a Érica), levam-no e deitam-no ao rio, por ser demasiado pequeno, e ele fica no rio porque da água doce não tem medo (talvez o problema estivesse no grau de salinidade, penso eu), o peixe vê então um menino na margem a construir uma casa com pedras e folhas, dá um salto na água para chamar a atenção e à terceira o menino ouve, vira-se e pergunta-lhe «de onde vieste?», «do mar» responde o peixe, o menino arranja-lhe um aquário na casa feita de pedras e folhas, o peixe aceita ficar com o menino mas diz-lhe: «não expliques é aos teus pais que eu sei falar». Entretanto as cadeiras ficaram vazias, cresce o barulho lá fora, a Érica atrapalhou-se com a história de um menino que gostava de ficar sozinho, a Isabel ri-se muito, a Daniela fala da Shakira e o Mário levantou-se e tem na boca, vindo não sei de onde, um balão, um balão vermelho, um balão vermelho verdadeiro, um balão vermelho verdadeiro que se enche de ar e não está furado, um balão vermelho verdadeiro que se enche de ar e não precisa de fita-cola, um balão vermelho verdadeiro que incha como uma palavra demasiado grande para a nossa boca, uma palavra daquelas que é preciso ir ver ao dicionário e de repente o ar sai todo de uma vez, um som esquisito, um pffffffffff, o som de uma coisa que se esvazia, como as histórias quando já não conseguem ir mais longe ou os textos que se perdem no ar sem ponto final

Lembrete

Cartaz_LeituraFuriosa

Os frutos da Leitura Furiosa 2010 são partilhados esta tarde, a partir das três, na Casa da Achada. As fotos do dia de ontem podem ser vistas aqui.

‘Leitura Furiosa’

leitura_furiosa

Até domingo, vou andar pelo meio de gente «zangada com a leitura», a ouvir histórias, a escrever um texto, a visitar uma livraria, a espreitar outras histórias que outros grupos hão-de contar a outros escritores, em Lisboa, no Porto, em Amiens e em Kinshasa. Até domingo, para mim a leitura (o meu vício, o meu ofício) vai ser furiosa, a ver se contamina quem dela nada quer ou nada espera.
Este ano, couberam-me seis crianças de uma escola perto do Castelo. O Armando Silva Carvalho vai estar com os sem-abrigo da Almirante Reis, o Jaime Rocha com idosos da Mouraria e o Jacinto Lucas Pires com idosos de S. Cristóvão e S. Lourenço, o Miguel Castro Caldas com estrangeiros refugiados (algures na Bobadela), a Filomena Marona Beja e o Raul Malaquias Marques com crianças do primeiro ciclo (como eu), o Mário de Carvalho com adolescentes do antigo Liceu Gil Vicente.
No domingo, às 15h00, na Casa da Achada, os textos e os desenhos criados entre hoje e amanhã serão lidos, cantados, exibidos a quem os quiser ver e ouvir, juntamente com os que chegarão das outras cidades em que a Leitura Furiosa acontece.
Tentarei que parte desta energia também alcance, ainda não sei bem como, este blogue.

Stieg Larsson domina no Reino Unido

A tradução inglesa do último volume da trilogia Millennium, de Stieg Larsson (The Girl Who Kicked The Hornets Nest; em português, A Rainha no Palácio das Correntes de Ar), é o livro mais vendido no Reino Unido em 2010 até agora.

‘Não Quero Usar Óculos’ no Brasil

O livro Não Quero Usar Óculos, de Carla Maia de Almeida (texto) e André Letria (ilustração), publicado pela Caminho em 2008, vai ter em breve uma edição brasileira, com chancela da Peirópolis, de São Paulo.

Booksmile desmente Presença

Depois de a Presença ter garantido que a sua garantia, passe o pleonasmo, era uma iniciativa inédita em Portugal, a Booksmile vem dizer que não, não senhor, nada disso. Pelos vistos, a garantia da Booksmile remonta a Abril de 2009 e garantem-nos, passe outra vez o pleonasmo, que será mais proveitosa para o cliente do que a da Presença, estando as vantagens e desvantagens ilustradas por um quadro comparativo que faz lembrar os testes da DECO.
Enfim, os leitores que decidam.

A era da confusão

«Print is dying. Digital is surging. Everyone is confused.»

Pelo menos é o que diz Craig Mod, num ensaio intitulado Books in the Age of the iPad.

Fumo branco

Depois de muitos anúncios não confirmados pelas partes, eis o comunicado que oficializa o negócio entre a Porto Editora e a Bertelsmann:

«O Grupo Porto Editora celebrou com o DirectGroup Bertelsmann um acordo de promessa de compra e venda sobre os activos do DirectGroup Portugal.
O compromisso envolve a aquisição de todas as unidades de negócio do DirectGroup Portugal ligadas às áreas da edição, distribuição e retalho: a Bertrand Editora (com as chancelas Pergaminho, Quetzal, Temas e Debates e ArtePlural Edições), a Distribuidora de Livros Bertrand, o Círculo de Leitores e as Livrarias Bertrand.
O Grupo Porto Editora vê esta aquisição como um passo importante no contexto da estratégia de crescimento e desenvolvimento da sua actividade. A concretização definitiva deste negócio acontecerá no momento em que for dado o aval pela Autoridade da Concorrência, entidade à qual será submetido este processo nos próximos dias para devida apreciação. Quando for conhecida a decisão da Autoridade da Concorrência, o Grupo Porto Editora dará mais informações relativas a este assunto.»

Jonas e a baleia

O grande negócio do ano no mundo editorial português, segundo Pedro Vieira.

Hugo Xavier na Ulisseia

Os Blogtailors trazem-nos hoje uma boa notícia: Hugo Xavier, co-editor e co-fundador da Cavalo de Ferro, um excelente profissional que aguardava a oportunidade de voltar a mostrar o seu valor, será o novo responsável pela chancela de ficção Ulisseia, pertencente ao grupo Babel.

Negócio Porto Editora-Bertelsmann

Depois da notícia do Público (ontem), não faltaram hoje réplicas em vários jornais: Correio da Manhã, Jornal de Notícias, Diário de Notícias.

O que é afinal um e-book?

A questão está longe de ser tão óbvia como parece. E ninguém lhe conseguiria dar uma resposta mais completa do que José Afonso Furtado.

Uma pergunta retórica

Segundo The Bookseller, os editores britânicos já estão a trabalhar em livros para o iPad, mesmo antes de se saber quando é que o novo gadget da Apple vai ser posto à venda no Reino Unido. E os editores portugueses?

Um rumor em vias de se transformar numa certeza?

Porto Editora vai comprar Círculo de Leitores e negócios da Bertrand ao grupo alemão Bertelsmann.

Revista ‘Os Meus Livros’ ressuscita

Foi uma morte curta. Menos de um mês após o anúncio do fecho da revista Os Meus Livros (OML), o projecto volta à vida com a mesma estrutura editorial, director (João Morales), leque de colaboradores, periodicidade e preço de capa. A diferença é que entretanto a publicação foi adquirida pela CE Livrarias (uma empresa subsidiária da Coimbra Editora), também responsável, em parceria com a LeYa, pelo novo fôlego da livraria Buchholz, em cuja festa de reabertura, hoje ao fim da tarde (festa muito concorrida, diga-se), foi anunciado o regresso da OML às bancas já em Maio.

Grupo Planeta muda assessoria de imprensa

Berta Silva Lopes, ex-responsável pela comunicação da Bertrand, é a nova assessora de imprensa do Grupo Planeta em Portugal, substituindo Clara Caldeira.

‘Wolf Hall’ em segunda edição

O elevado volume de pré-reservas e encomendas do romance Wolf Hall, de Hilary Mantel, Prémio Man Booker 2009, fez com que a Civilização começasse a reimprimir o livro ainda antes deste chegar às livrarias (o que acontecerá apenas no dia 9).

QuidNovi de volta

Após um «interregno invernal», que se seguiu à saída de Maria do Rosário Pedreira para o grupo LeYa, a QuidNovi regressa ao activo neste mês de Março. A editora passa a ser Ana Maria Pereirinha, a quem se juntam dois novos colaboradores: Teresa Carvalhal (assistente editorial) e Gonçalo Mira (secretariado e contactos com a imprensa). A QuidNovi criou ainda um blogue e está activa no Facebook.

Babel alarga Conselho Editorial

logotipo_babel

Ao apresentar logo à tarde (18h00, na BN) o projecto Babel, Paulo Teixeira Pinto anunciará igualmente as figuras que aceitaram fazer parte do seu Conselho Editorial (aumentando o que já fora criado para a Guimarães). Dos novos nomes, posso antecipar desde já os seguintes:

– Eduardo Lourenço
– Manuel Maria Carrilho
– Guta Moura Guedes
– Ricardo Pais
– Delfim Sardo
– João Botelho
– Joana Amaral Dias

Babel é apresentada amanhã

CONVITE BABEL

O novo grupo editorial de Paulo Teixeira Pinto, que não gosta de lhe chamar «grupo», será apresentado oficialmente amanhã, 6 de Fevereiro (por ser o dia de nascimento do Padre António Vieira), a partir das 18h00, no Auditório da Biblioteca Nacional. Da Babel passam a fazer parte nove chancelas, com identidades editoriais bem definidas: Guimarães, Verbo, Ulisseia, Ática, Arcádia, Athena, Centauro, K4 e Pi.
Na edição de amanhã do suplemento Actual, do Expresso, Teixeira Pinto explica em detalhe este projecto, referindo-se ainda aos seus objectivos enquanto presidente em exercício da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros, num trabalho assinado por mim.

O novo logótipo da Porto Editora

É assim:

Uma imagem clean, neutra e moderninha, mas a que falta garra. Entre as aspas estilizadas e os livros sobrepostos que desenhavam um P e um E (tão, mas tão eigthies), continuo a preferir os livros sobrepostos.

Além disso, se O Independente ainda existisse, mais a sua rubrica “Separados à Nascença”, talvez alguém se lembrasse desta tripla associação:



Uma ‘Jangada’ inteira para apoiar as vítimas do sismo no Haiti

CapaJangada

Na próxima sexta-feira, chega às livrarias uma nova edição do romance A Jangada de Pedra, de José Saramago, destinada a contribuir para a ajuda humanitária às vítimas do sismo no Haiti. A iniciativa é explicada no seguinte comunicado da LeYa, emitido ontem ao fim da tarde:

«O Grupo Leya, a Editorial Caminho e a Fundação José Saramago lançam hoje, junto com vários parceiros, a campanha “Uma Jangada de Pedra a caminho do Haiti”, acção de solidariedade para com as vítimas do sismo no Haiti. A ajuda será dada através da venda de uma edição especial do livro “A Jangada de Pedra”, disponível nas livrarias portuguesas a partir da próxima sexta-feira. Os 15 euros do valor do livro serão directamente doados, na sua totalidade, para o Fundo de Emergência da Cruz Vermelha Portuguesa.
No seguimento de uma ideia da Fundação José Saramago, a Leya mobilizou a sua estrutura, bem como todo um conjunto de entidades, de modo a tornar possível esta campanha, inédita em Portugal e operacionalizada em tempo recorde. A grande disponibilidade demonstrada pelos parceiros permitiu colocar em marcha esta acção. Estão envolvidos na campanha as seguintes empresas: Agfa, Eigal, Plásticos Pando, JDC, Ibero Fibra, Torras Papel, Inapa, Gráfica 99 e Ideias com Peso. Das entidades que aceitaram prontamente colaborar fazem também parte as livrarias e grandes superfícies que ofereceram os seus espaços para a venda do livro: Almedina, Bertrand, Sonae, Fnac, Auchan e Press Linha, bem como muitas outras das principais livrarias um pouco por todo o país serão os locais onde o livro poderá ser encontrado. Todos se disponibilizaram para trabalhar gratuitamente em prol do sucesso desta iniciativa.
As editoras de José Saramago em Espanha e na América Latina vão avançar com campanhas semelhantes nos respectivos países.
Ao empenho de todos os parceiros envolvidos, junta-se agora o desejo de que a comunidade corresponda, dirigindo-se às livrarias e adquirindo esta edição especial, sabendo que ao fazê-lo estará a realizar um donativo directo, no valor de 15 euros, para a Cruz Vermelha que, por sua vez, o aplicará no seu esforço de apoio às vítimas do sismo no Haiti.
Trata-se da primeira campanha na qual o valor total de um livro reverte na íntegra para uma causa humanitária. É também a primeira vez que editoras, papeleiras, gráficas, transportadoras e o retalho se unem neste tipo de acção.
A campanha “Uma Jangada de Pedra a caminho do Haiti” prolongar-se-á até 28 de Fevereiro de 2010.»

Camões & Companhia

camoes_companhia

A Saída de Emergência acaba de criar mais uma chancela. O conceito, segundo os editores, é o seguinte:

«Num momento em que o mercado se recusa a correr riscos e quase só aposta em livros de leitura fácil e venda garantida, a Saída de Emergência criou uma chancela que não vai em modas, nem em bestsellers, nem em imediatismos. A Camões & Companhia é uma casa para livros de culto.
O nosso objectivo é simples: satisfazer leitores que se sentem prisioneiros de um mercado demasiado homogéneo. Publicar clássicos de hoje e clássicos de amanhã. E obras que foram boas há cem anos e que serão boas daqui a outros cem. Vamos ultrapassar barreiras e preconceitos de géneros literários, oferecendo um catálogo construído com base na qualidade e intemporalidade da obra e do autor.
Com a Camões & Companhia a vida dos livros não terminará depois de serem lidos. Prometemos que vão encher a sua estante, surpreender as visitas, exigir releituras, resgatar memórias de bons momentos. Lançámos a nós próprios um desafio exigente, contra-corrente e talvez comercialmente desinteressante, mas pelo qual vamos lutar em nome do maior tesouro: os livros de culto.»

As primeiras apostas incluem obras de Irvin D. Yalom, Peter Ackroyd e David Soares.

Substituição

Durante oito anos, Carla da Silva Pereira fez de tudo na editora Antígona: «tradução, revisão, concepção gráfica, elaboração de textos para press releases, badanas, contacto com tradutores, autores e imprensa em geral, promoção, facturação/contabilidade, gestão e organização de eventos, como lançamentos».
No início de Dezembro, deixou o lugar vago. Um lugar que a partir de hoje passa a ser ocupado por Rita Canas Mendes.

Será que devemos ter medo dos e-books?

A resposta é igual à do post anterior: claro que não.

As grandes ameaças que aí vêm (segundo os livreiros independentes britânicos)

O excesso de descontos e a persistência da recessão económica.

Maria do Rosário Pedreira transfere-se para a LeYa

O «comunicado» chegou há pouco e é bastante explícito:

«Na sequência de uma proposta de trabalho (Leya-se: irrecusável) para continuar a sempre fascinante descoberta de autores portugueses (mas não só), informo que cessarei as minhas funções como Editora da QuidNovi no próximo dia 31 de Dezembro. Foi um projecto que acarinhei praticamente desde a raiz e no qual trabalhei com uma equipa excepcional de que lamento, obviamente, separar-me; mas, a partir de certa idade, arrependemo-nos sobretudo do que não fizemos e, como tal, senti que não podia deixar de aceitar mais este desafio.
(…) Mais informo que a Ana Maria Pereirinha, que quase todos já conhecem, assumirá neste momento a responsabilidade por todos os projectos em curso.»

À Maria do Rosário Pedreira, que tem feito um trabalho excepcional enquanto editor (no sentido anglo-saxónico do termo), cujos frutos estão à vista na quantidade de novos autores de ficção portugueses que descobriu e trabalhou (entre os quais três Prémios Saramago: José Luís Peixoto, valter hugo mãe e João Tordo), à incansável leitora quero daqui enviar um grande abraço e o desejo de que os seus novos projectos, como os anteriores, sejam coroados de êxito.
Quanto à QuidNovi, creio que fica, com a Ana Maria Pereirinha, em excelentes mãos.

PS – Mais informação nesta notícia do Público online.

‘As Três Vidas’ de João Tordo em francês

O romance As Três Vidas, de João Tordo (QuidNovi), que acaba de ganhar, por unanimidade, o Prémio José Saramago 2009, vai ser editado em França pela Actes Sud, com data de lançamento prevista para Fevereiro de 2010. Traduzido por Dominique Nédellec, Les Trois Vies é apresentado pela editora como a obra mais recente do «chef de file de la jeune garde des lettres portugaises».

O fim das Quasi

Acabei de saber, pelo Twitter do Carlos Vaz Marques, que as Quasi Edições declararam falência. Lamento muito. Com altos e baixos, o projecto de Jorge Reis-Sá (e de valter hugo mãe, na fase inicial) foi importantíssimo na revelação de novos poetas. Pode dizer-se que o catálogo é desequilibrado, e é, mas no meio de livros fraquinhos encontrámos sempre boas surpresas (Rui Cóias, Tiago Araújo, Paulo Tavares, António Gregório) e algumas revelações fundamentais (casos de Ana Paula Inácio, Rui Lage e, já este ano, Nuno Rocha Morais), além de uma excelente escolha de poesia brasileira (Murilo Mendes, Manoel de Barros, Carlos Nejar, Eucanaã Ferraz, etc.).
Também por ter diversificado a sua actividade, entrando no nicho das publicações para jornais e abrindo uma loja ambiciosa em Famalicão, as Quasi pareciam o exemplo perfeito de pequena editora capaz de se aguentar num mercado difícil. Pelos vistos, não era bem assim. Ou então a crise veio na pior altura e certos investimentos tornaram-se demasiado pesados. Não sei. Só sei que é pena que um projecto destes desapareça. E é um sinal preocupante do que pode vir a acontecer ao meio editorial português, cada vez mais confinado a uma lógica de grandes concentrações empresariais e cada vez com menos espaço para projectos alternativos.

Uma boa notícia e uma má notícia

Boa notícia: a Cavalo de Ferro, após o infeliz episódio do envolvimento com a Fundação Agostinho Fernandes, vai regressar em breve às lides editoriais.
Má notícia: este regresso já não vai contar com o trabalho sempre discreto, mas ultraprofissional, do Hugo Xavier, que começa agora a preparar novos projectos.
Ao Hugo, deixo um abraço e fixo a expectativa (altíssima) de o ver em futuros empreendimentos, sempre em volta dos livros.

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«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges