O que é afinal um e-book?

A questão está longe de ser tão óbvia como parece. E ninguém lhe conseguiria dar uma resposta mais completa do que José Afonso Furtado.

Uma pergunta retórica

Segundo The Bookseller, os editores britânicos já estão a trabalhar em livros para o iPad, mesmo antes de se saber quando é que o novo gadget da Apple vai ser posto à venda no Reino Unido. E os editores portugueses?

Do contra

Se a Internet fervilha com notícias e comentários ao iPad, era fatal que começassem a aparecer os primeiros descrentes, os primeiros cépticos, os primeiros desiludidos. No site Gizmodo Brasil, por exemplo, Adam Frucci escreve sobre «8 coisas idiotas que estragam o iPad» e o texto começa assim:

«Meu Deus, eu estou bem desapontado com o iPad. Ele é a tradução de um produto não-essencial e além disso ele tem algumas falhas críticas, absolutamente terríveis, que me farão olhar torto qualquer pessoa que resolva comprar um.»

A ilustração do post diz tudo:

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iPad vs. Kindle

Por incrível que pareça, poucos minutos após a conferência de imprensa da Apple, já havia, num blogue especializado, uma minuciosa análise comparativa entre o novíssimo iPad e o Kindle 2 da Amazon. Conclusão: para a leitura de jornais e textos de consulta, o iPad ganha nas calmas; para os livros que se lêem de fio a pavio (romances, ensaios, etc.), parece haver um empate técnico.

Primeiras reacções à nova aposta da Apple

Por exemplo: aqui, aqui e aqui. Mas isto são geeks a falar. Para uma abordagem menos técnica, consulte-se a BBC. Ou leia-se a crítica que o Telegraph já fez ao iPad, há cerca de hora e meia, atribuindo-lhe quatro estrelas. Neste texto encontrei mais informações sobre o que verdadeiramente me interessa: os atributos do iPad enquanto leitor de e-books. Eis a opinião da editora de tecnologia do Telegraph, Claudine Beaumont:

«(…) But the best feature is iBooks, the e-book reading software that knocks Amazon’s Kindle and Sony’s Reader into a cocked hat. Novels are beautifully presented, lined up on a virtual bookshelf, complete with sleeve art. The pages of the books resemble proper printed pages, with a sense of texture and authenticity to them. Turning pages is achieved with a swiping gesture, or a single tap in the right-hand margins. Downloading books is incredibly easy too, with the iBookstore built straight in to iTunes, and a wide selection of books from five major publishers already available at launch.»

As cinco grandes editoras a que Beaumont se refere são, como se explica aqui, a Penguin, a MacMillan, a Simon & Shuster, a HarperCollins e a Hachette Book Group.

Afinal chama-se iPad

Eis o gadget mais esperado do ano (ou da década?), apresentado há umas horas por Steve Jobs, CEO da Apple, em São Francisco:

É o que se esperava: uma espécie de iPhone gigante, a meio caminho entre um smartphone e um computador portátil. O modelo mais baratinho (16 gigas) custará 499 dólares; o mais caro (64 gigas), 699 dólares. Estará disponível em Abril.
Entre muitas outras coisas, o iPad vai ser um leitor de livros electrónicos. Ou seja, um sério rival para o Kindle, para o Sony Reader e restante concorrência. Para já, Jobs aponta duas vantagens sobre o Kindle: o ecrã a cores e uma loja (iBook Store) com muitos milhares de títulos disponíveis, seguindo a lógica do iTunes.
Eis um vídeo com um excerto da conferência de imprensa (a qualidade da imagem é má):

E o vídeo oficial da Apple sobre o seu novo brinquedo:

A pergunta que todos fazem

Será que o anunciadíssimo e aguardadíssimo iTablet (ou lá como é que aquilo se vai chamar) revolucionará mesmo o mundo dos gadgets electrónicos em geral e dos leitores de e-books em particular? Há muita gente a dizer que sim, mas também há quem tenha dúvidas. Seja como for, o maior segredo do ano é desvendado esta tarde. Conferir o lançamento da Apple, com Steve Jobs na função de mestre de cerimónias, aqui, aqui ou aqui. A partir das 18h00 (hora de Lisboa), dez da manhã em São Francisco.

Fino e flexível



Eis o Skiff Reader.

[via Blogtailors]

Teste comparativo: Kindle vs. Livro

Um estudo feito pela rapaziada da Green Apple Books (não confundir com esta Apple). Este é o terceiro round. A luta entre formatos, chamemos-lhe assim, pode ser seguida no blogue desta livraria de San Francisco. Vale também a pena estar atento ao Twitter deles, aqui.

To Kindle or not to Kindle

Já há algumas vozes a inclinar-se para o not.

[via Blogtailors]

A livraria do século XXI

Será que as livrarias devem temer a difusão cada vez maior dos sistemas de leitura digitais (Kindle, Sony, Plastic Logic, etc.)? Para Audrey Williamson, que analisa aqui um relatório da SLF (Sindicato das Livrarias Francesas) e da Alire (Associação das livrarias informatizadas e utilizadoras de redes electrónicas), mais do que ter medo, os livreiros devem adaptar-se o mais rapidamente que puderem ao novo paradigma. E termina com um sinal de esperança: se antes desta revolução em curso «as livrarias não podiam armazenar todos os livros nas suas lojas», em breve «vão poder vender, na forma digital, qualquer livro que exista».

Lógica plástica

Eis alguns dos argumentos do e-reader da Plastic Logic, um rival do Kindle que promete dar-lhe muita luta em 2009. Dos vários testes à robustez e leveza do produto, o meu preferido é o do sapato, até porque já experimentei fazer a mesma coisa em suportes tradicionais (um artefacto em papel a que chamam livro, não sei se conhecem) e a pegada, ao contrário do que aconteceria com este novo gadget, ainda lá está.

A nova página em branco pode ser um ecrã de telemóvel

É o grande fenómeno editorial dos últimos tempos no Japão. Os keitai shousetsu, romances escritos no telemóvel (com frases curtas, emoticons, etc.) ocuparam metade da lista dos dez livros de ficção mais vendidos durante o primeiro semestre de 2007. As histórias dirigem-se a um público maioritariamente feminino e adolescente, que as vai recebendo por subscrição e sugere rumos para a narrativa. Por se sentirem de certa forma co-autores da obra, os leitores compram depois os livros em papel e contribuem para vendas na ordem do meio milhão de exemplares.
Será que este fenómeno alguma vez chegará a Portugal? E se chegar, como é que será baptizado? Literatura ultra-light?

[via Mind Booster Noori]

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«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges