Lembrete

O Câmara Clara de hoje (RTP2, 22h30) abordará a vida e a obra do Padre António Vieira, o génio da língua portuguesa que nasceu a 6 de Fevereiro de 1608 (faz na quarta-feira 400 anos). Em estúdio, para falar com Paula Moura Pinheiro, estarão Isabel Almeida (professora de literatura) e José Pedro Paiva (historiador).

Rejeição

Eis o que pode acontecer quando o ego de um escritor é devastado por uma carta de recusa: 1) queda livre no desespero melodramático; 2) vingança contra o pérfido editor (respondendo-lhe na mesma moeda); 3) ressentimento a funcionar como impulso criativo (e regresso à escrita, que é como quem diz à estaca zero).
O sketch é mais um exemplo do brilhantismo de Dylan Moran, o Bernard da série Black Books.

Uma série que eu gostava de ver em horário nobre

Já passou na SIC Radical, meio escondida, na altura em que os Gato Fedorento por lá andavam. Chama-se Black Books, foi produzida pela Channel 4 e não tem rigorosamente nada a ver com os romances que o Gonçalo M. Tavares publica na Caminho. É uma sitcom à inglesa, desbragada e sempre a cair em espirais de nonsense, um mimo televisivo sobre uma livraria em que o livreiro faz tudo para afastar os clientes.
Veja-se, neste excerto, o fabuloso diálogo entre Bernard, o dito livreiro niilista, e um homem que quer comprar a obra completa de Charles Dickens com encadernação em couro, para condizer com o sofá.
Se eu fosse programador, exibia Black Books na RTP1, todos os dias, logo a seguir ao telejornal. É claro que me despediriam logo ao fim de uma semana (ou nem isso) mas seria uma semana (ou nem isso) absolutamente memorável.

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges