12 perguntas

Também eu passei pelo crivo das Entrevistas Booktailors. As minhas respostas podem ser lidas aqui. Um excerto:

O que é fundamental para se ser um bom crítico literário?
Ausência de preconceitos, atenção, muitas leituras acumuladas, rigor analítico, memória, sensibilidade estética, boa prosa. Tudo isto é importante, mas o essencial é mesmo a honestidade intelectual.

Como é que equilibra editorialmente o Bibliotecário de Babel com as suas colaborações na imprensa? Alguma vez o blogger quis dar a notícia que deveria ser reservada para as publicações impressas para onde escreve?
Além das suas rubricas específicas, o blogue serve como arquivo pessoal do que vou escrevendo, nos mais variados contextos, sobre livros e literatura. É uma espécie de mapa das minhas deambulações pelo mundo literário. Mas não é o blogue que me paga as contas de casa. Antes de blogger, sou jornalista. É essa, a minha profissão, e não confundo o que não deve ser confundido.

Se pudesse fazer uma pergunta ao atual secretário de Estado da Cultura, qual seria?
Quando é que voltas, Francisco?

Dê-nos uma boa ideia para o setor editorial português.
Publicar menos, mas publicar melhor.



Comentários

6 Responses to “12 perguntas”

  1. Hugo Rocha on Março 8th, 2012 18:15

    Para quem aceita escrever críticas de livros de amigos e superiores hierárquicos (perguntem ao actual secretário de estado da cultura), sem sequer o referir como disclaimer, falar em “honestidade intelectual” deve ser para rir.

  2. Octávio dos Santos on Março 8th, 2012 20:46

    «Atual»? «Setor»? Então não aproveita este seu espaço para «desacordar» a entrevista que deu?

  3. Pedro Pedroso on Março 8th, 2012 21:54

    Boa tarde,

    relativamente à resposta para a pergunta:

    “O que é fundamental para se ser um bom crítico literário?”

    também contam os preconceitos contra a Fantasia e a Ficção Científica?

    Obrigado.
    Cumprimentos.
    Pedro Pedroso

  4. José Mário Silva on Março 9th, 2012 18:54

    Hugo,
    Honestidade intelectual é escrever sobre um livro com total independência, sem outras apreciações que não sejam as que nascem do próprio livro. Foi sempre isso que fiz. Pode questionar a qualidade ou pertinência dos meus juízos, mas não a honestidade com que os fiz (e já agora, o actual secretário de estado da cultura nunca foi meu superior hierárquico, apenas director de uma revista para a qual colaboro; como outros críticos, Pedro Mexia, Eduardo Pitta, etc., que também escrevem sobre livros do escritor Francisco José Viegas).

    Octávio,
    Se a entrevista obedece ao Acordo, ao citá-la também tenho de o respeitar, por muito que sinta urticária ao deparar-me com a ausência das consoantes mudas.

    Pedro Pedroso,
    Pela minha parte, não há preconceito, apenas uma menor apetência por um género que li muito numa certa fase da minha vida.

  5. Octávio dos Santos on Março 9th, 2012 20:02

    Não, caro José Mário, não tem de respeitar algo que não merece qualquer respeito. Aliás, os que o entrevistaram é que não mostraram ter respeito por si, porque sabem – ou deviam saber – da sua oposição ao AO90. Mais: qualquer opositor ao dito cujo deve sempre fazer questão de que as suas respostas, as suas palavras, sejam escritas na ortografia normal… não se deve passar a ideia de que, mesmo indirectamente, ou temporariamente, se apoia, ou contemporiza, com o «aborto ortográfico».

  6. Hugo Rocha on Março 9th, 2012 20:22

    Quero deixar claro que não duvido da sua intenção de «escrever sobre um livro com total independência, sem outras apreciações que não sejam as que nascem do próprio livro», como pôs. Ocorre que se, como respondeu na entrevista, não há críticas 100% isentas, também há situações que não são, no meu ponto de vista, aceitáveis para alguém que com o seu trabalho faz a ponte entre a obra e o leitor. Partilho da opinião de John Updike: «Do not accept for review a book you are predisposed to dislike, or committed by friendship to like.» Por duas razões: pela influência directa na crítica (ainda que inconsciente), e pela transparência do processo (a história da mulher de César…).

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges