-
Correio
Mensagens, sugestões, contributos e notícias devem ser enviados para josemariosilva [arroba] bibliotecario debabel.com
-
Posts recentes
Comentários recentes
- A ‘Leitura Furiosa’ em voz alta | Bibliotecário de Babel em Oito meninos juntos decidem contar uma história
- Irmão Karamazov em Tolstoi ou Dostoievski?
- Octávio dos Santos em Mia Couto: “Eu só me sinto vivo se estiver inventando a minha própria vida”
- Mia Couto: “Eu só me sinto vivo se estiver inventando a minha própria vida” | Bibliotecário de Babel em Entre homens e leões
- GilRikardo-Blog em Sobre desvios ao plano de leitura
Categorias
- Atrás do Balcão
- Bibliotecas
- Blogosfera
- Cinema
- Convidados
- Críticas
- Crónicas
- Curiosidades
- Diário do Booker (2008)
- Diário do Booker (2009)
- Diário do Booker (2010)
- Diário do Booker (2011)
- Diário do Goncourt (2008)
- Divulgação
- Entrevistas
- Excertos
- Feira de Frankfurt 2011
- Futebol
- Geral
- Grande Oferta de Livros do BdB
- Grande Oferta de Livros do BdB – 2
- Imprensa estrangeira
- Imprensa portuguesa
- Leitura Furiosa
- Literatura brasileira
- Livrarias
- Maravilhas da paternidade
- Mundo editorial
- Notícias
- O que lêem os críticos quando não são obrigados a ler
- Obituário
- Pré-publicação
- Teatro
- Tecnologia
- Televisão
- Vozes de escritores
Arquivo
- Maio 2012
- Abril 2012
- Março 2012
- Fevereiro 2012
- Janeiro 2012
- Dezembro 2011
- Novembro 2011
- Outubro 2011
- Setembro 2011
- Agosto 2011
- Julho 2011
- Junho 2011
- Maio 2011
- Abril 2011
- Março 2011
- Fevereiro 2011
- Janeiro 2011
- Dezembro 2010
- Novembro 2010
- Outubro 2010
- Setembro 2010
- Agosto 2010
- Julho 2010
- Junho 2010
- Maio 2010
- Abril 2010
- Março 2010
- Fevereiro 2010
- Janeiro 2010
- Dezembro 2009
- Novembro 2009
- Outubro 2009
- Setembro 2009
- Agosto 2009
- Julho 2009
- Junho 2009
- Maio 2009
- Abril 2009
- Março 2009
- Fevereiro 2009
- Janeiro 2009
- Dezembro 2008
- Novembro 2008
- Outubro 2008
- Setembro 2008
- Agosto 2008
- Julho 2008
- Junho 2008
- Maio 2008
- Abril 2008
- Março 2008
- Fevereiro 2008
- Janeiro 2008
- Dezembro 2007
-
Meta
Anti
Há a antimatéria. E há o anti-Saramago. Com o mesmo template e o mesmo ritmo de publicação, o anti-Caderno até parece igual ao verdadeiro, só que de sinal invertido. Ao ler os posts, porém, salta à vista que a diferença não é de polaridade, mas de dimensão. Ao pé do elefante, as imprecações da microscópica paramécia (que escreve «obcessão» e «mensajeiro») nem chegam a ser um zumbido.
publicou o Bibliotecário de Babel às 7:22 de Quarta-feira, 9 de Setembro de 2009 para o arquivo Blogosfera.
Partilhar:
Facebook
Twitter
Delicious
DoMelhor
Assinar publicação:
feed RSS
email diário
Comentários
21 Responses to “Anti”
Leia os últimos textos publicados
- Por uma Esquerda que não permaneça, de braços caídos, passiva e mole, a assistir ao colapso de todas as suas conquistas em 16 de Maio de 2012
- Carlos Fuentes (1928-2012) em 16 de Maio de 2012
- Noites do ‘Mauritânia’ em 15 de Maio de 2012
- As praias do Arizona em 15 de Maio de 2012
- Balanço da Feira do Livro em 14 de Maio de 2012
- O que aí vem (Cavalo de Ferro) em 14 de Maio de 2012
- A ‘Leitura Furiosa’ em voz alta em 13 de Maio de 2012
- Primeiros parágrafos em 13 de Maio de 2012
- Queres que te faça um desenho? em 13 de Maio de 2012
- A última noite do mundo em 12 de Maio de 2012
Pub
A minha outra morada
Blogues sobre livros
- 1979
- 2666
- A Livreira Anarquista
- A Rendição da Luz
- A volta do parafuso
- Acordo Fotográfico
- adrian&pandora
- Alêtheia
- Arte de Ler
- Assírio & Alvim
- Autores e Livros
- Beco das Imagens
- BiblioFilmes
- Biblioteca Imaginária
- Blog da Companhia
- Blog da Cotovia
- BlogTailors
- Bruaá
- Cadeirão Voltaire
- Ciberescritas
- Circo da Lama
- Contra Mundum
- ContraCapas
- Déjà Lu
- Escrita em Dia
- Espaço Llansol
- Este Ofício de Poeta
- Estrela Selvagem
- Extratexto
- Fonte de Letras
- Frenesi
- Fundação José Saramago
- Girl Meets Books
- Horas Extraordinárias
- Inventario (Lauren Mendinueta)
- Kindle Portugal
- Lavorare Stanca
- Ler ebooks
- Letra pequena
- Livraria Pó dos Livros
- Livraria Poesia Incompleta
- Livraria Trama
- Livrarias Assírio & Alvim
- Livros à volta do Mundo
- Livros de Areia
- Livros [s]em critério
- Moleskine Literário
- Montag
- Mundo Pessoa
- Murakami PT
- No vazio da onda
- Nunca Mais
- O Absurdo
- O Bibliotecário Anarquista
- O Bicho dos Livros
- O caderno de Teoria da Edição
- O Cheiro dos Livros
- O leitor sem qualidades
- O Novo Ecléctico
- O que cai dos dias
- O silêncio dos livros
- O Vermelho e o Negro
- Oficina do Livro
- Olho da Letra
- Orgia Literária
- Os Livros Ardem Mal
- Os Meus Livros
- Outras Luzes
- OVNI
- Peixinho-de-prata
- Planeta Livro
- Planeta Tangerina
- PNET Literatura
- Poesia & Lda.
- Porosidade Etérea
- Professor José Cid
- Queridas Bibliotecas
- Quetzal
- Quintas de Leitura
- Relógio d’Água
- Revista Agio
- Revista Ler
- Senhor Palomar
- Sulscrito
- Tantas Páginas
- Textos de Contracapa, 2
- The Malcolm Lowry Foundation Blog
- Vida de Livreiro
Outros blogues
- A Causa Foi Modificada
- A Ervilha Cor de Rosa
- A Memória Inventada
- A Namorada de Wittgenstein
- A Natureza do Mal
- A Origem das Espécies
- A Terceira Noite
- A vez do peão
- Abrupto
- Adufe 4.0
- Albergue Espanhol
- Alexandre Soares Silva
- Almocreve das Petas
- Ana de Amsterdam
- Animais Domésticos
- Antologia do Esquecimento
- Ar do Tempo
- Arrastão
- As Afinidades Efectivas
- As Aranhas
- Aspirina B
- Auto-retrato
- Avatares de um desejo
- Bandeira ao Vento
- Blogue de Letras
- Bomba Inteligente
- Casa de Cacela
- casa de osso
- Cibertúlia
- Cinco Dias
- Complexidade e Contradição
- Coração Duplo
- Corta-fitas
- Córtex Frontal
- Da Literatura
- De que falamos quando falamos de correr
- Diário
- Dias com árvores
- dias felizes
- Estação Central
- Estado Civil
- Ex-Ivan Nunes
- Fábrica Sombria
- Floresta do Sul
- Gattopardo
- Hospedaria Camões
- Indústrias Culturais
- irmaolucia
- João Tordo
- José Luís Peixoto
- La double vie de veronique
- Lei Seca (Pedro Mexia)
- Letra de Forma
- Letratura
- MariaMacaréu
- Mas certamente que sim!
- Máscara&Chicote
- Meditação na Pastelaria
- Miniscente
- Não tenho vida para isto
- O Avesso do Avesso
- O Caderno de Saramago
- O Escafandro
- O funcionamento de certas coisas
- O Jansenista
- O Jardim Assombrado
- O Melhor Anjo
- Os Canhões de Navarone
- Os Tempos que Correm
- País Relativo
- Pastoral Portuguesa
- Paulinho Assunção
- Pedro Rolo Duarte
- Poesia distribuída na rua
- Ponto Media
- Raposas a sul
- Retentiva
- Rua da Castela
- Rua da Judiaria
- Rui Tavares
- Serialholic
- Sete Sombras
- shavenpudenda
- Sinusite Crónica
- Sniper
- sound + vision
- Speechless
- SushiLeblon
- Teatro Anatómico
- Tio Vânia
- Trans-Ferir
- Tristram Shandy
- umblogsobrekleist
- Vida Breve
- Vidro Duplo
- Voz do Deserto
- Welcome to Elsinore
- Zero de Conduta
Contadores e Technorati
-
Nuvem de tags
- "Rogério Casanova" A. M. Pires Cabral Acordo ortográfico Afonso Cruz Agustina Bessa-Luís Alexandra Lucas Coelho Amadeu Baptista Ana Luísa Amaral Ana Teresa Pereira António Barahona António Ferra António Lobo Antunes Armando Silva Carvalho Arménio Vieira Atiq Rahimi Bruce Holland Rogers Byblos Correntes d'Escritas David Foster Wallace Dinis Machado Don DeLillo Edgar Allan Poe Efeito Borboleta Enrique Vila-Matas Eugénio de Andrade F. J. Viegas Feira do Livro Fernando Assis Pacheco Fernando Pessoa Ferreira Gullar Festival Literário da Madeira Francisco José Viegas Gastão Cruz Gonçalo M. Tavares Herberto Helder Hélia Correia I Encontro de Dezedores de Poesia (Praia da Vitória) Ian McEwan Inês Lourenço J. D. Salinger J.M.G. Le Clézio James Joyce JG Ballard Jogos Olímpicos John Updike Jonathan Franzen Jorge Fallorca Jorge Luis Borges José Cardoso Pires José Carlos Fernandes José Luís Peixoto José Rodrigues dos Santos José Saramago João Luís Barreto Guimarães João Tordo João Ubaldo Ribeiro Julio Cortázar Leya Luiz Pacheco Luz Indecisa Lydia Davis Manuel Alegre Manuel António Pina Manuel de Freitas Margarida Ferra Maria do Rosário Pedreira Maria Gabriela Llansol Maria Velho da Costa Mario Vargas Llosa Martin Amis Mia Couto Miguel Cardoso Miguel Esteves Cardoso Miguel-Manso Mário de Carvalho Negócios Nuno Dempster Olivier Rolin Olímpio Ferreira Paulo Tavares Paulo Teixeira Pinto Pedro Mexia Pedro Tamen Pierre Assouline Poesia Prémios Roberto Bolaño Rubem Fonseca Rui Manuel Amaral Ruy Belo Sophia de Mello Breyner Andresen Stieg Larsson Thomas Pynchon Tomas Tranströmer valter hugo mãe Vladimir Nabokov Vítor Nogueira YouTube Zadie Smith 2666
À venda nas livrarias:
À venda no Brasil:



Receba por e-mail




Detesto o género de blogues; no entanto quem é você para criticar erros? erros acontecem e você até troca nome de autores, premiados e etc, tenho visto aqui com cada uma por aqui, que por favor, não lembra a ninguém. Por isso não nos fale de rigor… e vá ter com os seus amigos desta panelinha da literatura portuguesa. Já agora, li o seu livro de poesia: é tremendamente mau. Já o Miguel Manso, esse génio que você criou, até gostei bastante de o ler.
.. já dei com coisas semelhantes por aqui. Continuo sem entender o objectivo final de tal atitude (além da trabalheira, claro).
Cmptºs
A proporção do absurdo…
Espanto-me porque não teria coragem de fazer algo assim, isto mesmo, sou um grande covarde perante esse microscópico nemesis (arrisco: um nanonemesis) do sr. Saramago.
Há aqui dois descaramentos fatais, um deles é presumir (sem rede) que o novo romance vem cumprir a mesma função que o Evangelho 2.ª J.C., um exercício de copromancia, “certamente”. O segundo descaramento é considerar-se competente para servir de advogado da liberdade religiosa ou do deus cristão.
Enfim, não basta ter vontade e ser-se multicelular para aspirar chegar a brigadeiro da moral e dos costumes.
A igreja católica tem os seus educados paladinos, porque insistem estes empreendedores em envergonhar toda essa instituição e comunidade? Que misturada desorientada de crítica literária e julgamento moral, tudo amador, tudo desassisado…
E agora, o merecido bocejo…
O senhor José Mário Silva, não tem poder de encaixe para vários comentários, e não os aceita: censura. Elucidado acerca do seu conceito de liberdade, tão em voga neste nosso país. Permita que lhe diga que você é um cobarde que vive desta panelinha da literatura portuguesa!
Vamos lá ver se este será apagado também.
Ainda bem que o “cobarde que vive desta panelinha da literatura portuguesa” existe. Sempre elucida o leitor menos informado de tudo o que existe e da sua qualidade. Até nos mostra o que não presta para não perdermos o nosso precioso tempo a ler coisas amadoras sem qualidade que criticam só por criticar.
Se o Saramago fosse estrangeiro já o português o idolatrava porque tudo o que vem de fora é bom. Como é português e comunista vamos criticar até morrer. Depois disso é que já se pode valorizar.
Cara ANA F. DIAS,
Este blogue não tem limitações à publicação de comentários (por enquanto). A única coisa que há é um filtro de spam e foi nesse filtro de spam (automático e não controlado por mim) que encontrei o seu comentário perdido, das 10h26. Veja lá a ironia da situação. Pelos vistos, a tolerância que eu tenho para com as suas grosserias e baixezas, é uma tolerância que a plataforma WordPress não tem.
Seja como for, apresento-lhe as minhas desculpas pelo percalço. Como pode constatar, o seu comentário já está visível. E aproveito para lhe explicar que censura é uma palavra que não consta do meu vocabulário. Não espere, porém, que eu admita e aceite todos os desaforos com que me queira eventualmente brindar. Uma coisa é a liberdade de opinião: as suas ideias, mesmo se mal fundamentadas e fruto de uma má-fé evidente, serão sempre bem-vindas. Os insultos, não.
Sempre me espantaram esses ‘idiotas políticos’ que menosprezam o Saramago.
Muito interessante! Acontece que certos erros ortográficos podem ser propositados… Obrigado por me lerem.
Ó Anti, afinal você é um “comedianti”!
Tenha lá a bondade de esclarecer se quando afirma que podem ter sido propositados, foram mesmo propositados, para bem formarmos a nossa opinião.
Não agradeça, foi desgostoso lê-lo, não tem mesmo de quê.
Leio tudo do blog e realmente não encontro censura em José Mário Silva. Ele é até bastante aberto, eclético.
A arte literária não deve gerar coisas tais como insultos, isto mancha a beleza da arte (estou incluindo a crítica, o ensaio analítico, inclusive a resenha).
Caro Jonas, não tenho de esclarecer nada e é tão somente compreensível que você não goste de me ler. Seria até bastante admirável que aparecesse assim uma enorme núvem, está a ver, imagine os meus braços abertos a exemplificarem isso, uma núvem de admiradores, cada um com o seu respectivo sorriso aberto de aprovação, Gostei muito de o ler, gostamos muito de o ler, somos a favor de tudo o que escreve e contra nada do que diz sobre Saramago. Naturalmente que, tirando um ou dois suspeitos do costume, o meu blogue não cairá nas graças dos muitos discípulos ou condiscípulos da toubeira laboriosa, e não se pense que eu não gosto nada do trabalho literário do escritor e que por isso tomo partido do insulto fácil, não é o que parece, o objectivo não é insultar. Apenas sou totalmente contrário ao ateísmo agressivo de José Saramago e contra-ataco usando o mesmo veneno, o mesmo tom que lhe é característico. Basicamente é isto. Abraço.
Quem é esta ave rara do ‘anti-Saramago’?
Espero que este meu comentário sejam estas últimas linhas escritas sobre tão pobre personagem.
Nem sempre podemos confundir a obra com o escritor (Céline, por ex.).
Há palavras que mais valia não as dizermos para o caso de termos depois de as engolir de novo…
Isso faria com que, por cautela, passássemos a vida calados.
Eu acho óptimo engolir palavras, sempre é mais apetitoso do que um batráquio.
Se acha que o ateísmo do Saramago é agressivo, experimente o do Richard Dawkins ou o destes senhores http://www.atheist-experience.com/.
É claro que se iniciarmos esta discussão ela não terá nunca fim, confesso-lhe só que sou muito cioso quanto ao meu direito de reagir com violência se uma religião (ou qualquer outra entidade) me ameaça com o inferno por não acreditar nela.
E não vivi no tempo em que se escorou a religião oficial ao fascismo para manter o poder sobre os crentes, o que é para mim, no mínimo, uma cobardia.
Podemos também pôr aqui a perspectiva, por que razão são os ateus (alguns, só?) tão agressivos?
“Como se Deus fosse aquilo que os homens praticaram no passado”; mas o culto a sério ainda não começou? Ou só começou numa data mais recente?
Pois, mas o Dawkins é um ateu feroz, não só expõe as fragilidades intelectuais dos crentes, também denuncia o carácter daninho e deletério das religiões (sim, pense no plural). E faz uma brilhante defesa do ateísmo, mais brilhante do que qualquer defesa de qualquer religião.
Há uma entrevista que o Saramago deu à Ler, por volta de 1998, em que afirma que é impossível não ter (ele próprio) uma concepção de deus, porque cresceu numa sociedade onde a definição de deus já existia, por isso ser-lhe-ia impossível escapar ao conceito, ter uma vida sem deus. Se tem por aí algo sólido para apresentar quanto ao agressivo ateísmo do Saramago, em particular contra a sua religião, que não seja uma interpretação abusiva da utilização que ele faz de temas ou personagens nos seus livros, tenha a bondade de no-lo apresentar.
Essa argumentação do passado e do insecto estúpido é uma infelicidade sua, caro. Se há algo a envergonhá-lo, lamento. Não há outra coisa a que nos possamos agarrar com insistência, não é com certeza o presente, e muito menos o futuro.
Todos os deuses foram inventados pelo homem, mais improvável do que ele existir ou não, é o homem ter conseguido acertar na criação de algo que o transcende tão fortuitamente, assim como alguém (uma só pessoa) conseguir acertar no Euromilhões todas as semanas durante cento e cinquenta milénios.
Eu colocaria a tolice também em quem diz: “Vejam! Deus existe!”; eu respondo “não sei” se me perguntarem ambas, o que me parece é que mais do que acreditar em deus, o caro interlocutor não quer é não acreditar em deus.
Não faz sentido dizer que o que escrevi faria com que, por cautela, passássemos a vida calados porque uma vida não é um dia, muito menos um momento, e durante todas as muitas horas – milhares – em que estamos vivos, felizmente dizemos coisas acertadas, senão teríamos de concluir que o Anti-saramago pensa que tudo o que as pessoas dizem é errado, e não foi isso que eu escrevi. Prezo a exactidão mais do que a parcialidade, e esta não é nada pequena naqueles que se arvoram em juízes sizudos que julgam a religião. Quanto a Richard Dawkins, não suponha apressadamente que eu não conheço o que ele escreve e caia na asneira de me recomendar que experimente o ateísmo dele.
Meu caro, não me venha falar do tempo em que tal tal tal, não me venha falar do passado, como se Deus fosse aquilo que os homens praticaram no passado. Tenho uma mente livre e certamente já notou que gosto de pensar, não ameaço ninguém com infernos nem espero que o façam comigo, mas o maior erro é pegar nas práticas mais ou menos abomináveis dos homens para dizer, Vejam! Deus não existe! Não há maior tolice do que essa, e muitos ateus estão tão cegos como muitos crentes. Espero dar o meu contributo para que haja uma nova maneira de pensar, não extremada mas equilibrada, racional e imparcial. Penso que se percebe isso no que escrevi no meu Caderno até agora. Não fique agarrado ao passado, como um insecto estúpido que insista em voar contra o vidro da janela, Ai é isto, ai é isto, ai é isto. É importante pensar que também pode ser aquilo e aquilo, e reconhecer quem nem tudo é o que parece, e que há o oposto daquilo em que nos habituamos a considerar radicalmente como única verdade. É muito possível que Deus existe, e é um facto que a Igreja é mais boa do que ruim, independentemente de todos os actos condenáveis do passado, independentemente de todos os erros de interpretação e do ódio sempre à espreita nos corações dos homens.
“Como se Deus fosse aquilo que os homens praticaram no passado”; mas o culto a sério ainda não começou? Ou só começou numa data mais recente?
Pois, mas o Dawkins é um ateu feroz, não só expõe as fragilidades intelectuais dos crentes, também denuncia o carácter daninho e deletério das religiões (sim, pense no plural). E faz uma brilhante defesa do ateísmo, mais brilhante do que qualquer defesa de qualquer religião.
Há uma entrevista que o Saramago deu à Ler, por volta de 1998, em que afirma que é impossível não ter (ele próprio) uma concepção de deus, porque cresceu numa sociedade onde a definição de deus já existia, por isso ser-lhe-ia impossível escapar ao conceito, ter uma vida sem deus. Se tem por aí algo sólido para apresentar quanto ao agressivo ateísmo do Saramago, em particular contra a sua religião, que não seja uma interpretação abusiva da utilização que ele faz de temas ou personagens nos seus livros, tenha a bondade de no-lo apresentar.
Essa argumentação do passado e do insecto estúpido é uma infelicidade sua, caro. Se há algo a envergonhá-lo, lamento. Não há outra coisa a que nos possamos agarrar com insistência, não é com certeza o presente, e muito menos o futuro.
Todos os deuses foram inventados pelo homem, mais improvável do que ele existir ou não, é o homem ter conseguido acertar na criação de algo que o transcende tão fortuitamente, assim como alguém (uma só pessoa) conseguir acertar no Euromilhões todas as semanas durante cento e cinquenta milénios.
Eu colocaria a tolice também em quem diz: “Vejam! Deus existe!”; eu respondo “não sei” se me perguntarem ambas, o que me parece é que mais do que acreditar em deus, o caro interlocutor não quer é não acreditar em deus.
Confesso que desta vez gostei bastante da sua resposta, está mais elaborada e começa logo com uma pergunta interessante. Você está a discutir o culto a Deus, mas não é com o culto que se prova que Deus existe ou que Deus não existe. Vou repetir este axioma,
Não é com culto dos homens a Deus que se prova ou não a sua existência.
Existem naturalmente diversas formas de adorar, diversos cultos a Deus, assim como há diversas etnias e raças e povos e classes sociais e orientações políticas, etc. A diversidade é própria do ser humano, e se um homem se permitiu ficar louco ou fanático por uma forma ou culto de Deus e mata ou comete outro crime em nome de Deus, isso, volto a frisar, não prova que Deus não existe. Somente os tolos, e peço perdão se o ofendo, não é por querer, somente os tolos acham que por alguém que diz crer em Deus cometer um acto condenável é prova de que Deus não existe. E engana-se o interlocutor meu quando diz que eu não quero é não acreditar em Deus. Eu não me resumo a não querer ou a querer acreditar em Deus, eu procuro é ser racional, procuro encontrar a razão correta, a razão das razões, por assim dizer, a forma mais lógica de pensar, e se é possível conceber que o universo físico, por exemplo, teve um começo, e porque somos confrontados com o que havia antes ou o que originou esse começo ou o próprio mecanismo que o originou, acho racional pensar que não podemos fugir da ideia da eternidade e da existência de um intelecto superior que terá projecto o universo e as leis físicas que o governam. Compreendeu? Mas, sem querer ser convencido ou vaidoso, vá-me lendo do meu Caderno que alguma coisa há-de aprender com toda a certeza.
Não vou insistir no assunto que diz respeito a Richard Dawkins, e é possível que você interprete isto como uma fuga minha àquilo que essa personalidade diz e escreve. Não fujo de nada nem de ninguém, e se Deus quiser um bom trabalho será desenvolvido pelas minhas mãos e pelo meu cérebro que alguma utilidade terá, no mínimo. Para rematar, o que Dawkins diz não e nenhuma novidade e em muitos aspectos carece de lógica exacta, vale mais pela aparência vistosa e agressiva das palavras, termos e argumentos apresentados do que pela lógica que comporta, no que concerne à discussão fundamental da existência ou não de Deus. Por aqui me fico, que tenho que preparar mais um post para o Caderno. Abraço.
Anti, experimente ser perfeccionista nos seus raciocínios, não deixe as coisas mal feitas, olhe a correcção necessária, só uma, oferta minha:
Não é com o culto dos homens a deus que se prova ou não a sua existência, nem com o culto nem com coisa alguma.
(Só com muito esforço são um e outro um digno axioma, creio ser mais honesto indicá-lo com um postulado, mas se me oferecer resistência, eu cedo.)
Olho para a sua fidúcia paternalista, fico a pensar se é uma afirmação de estilo, ou se é sobrevivência narrativa.
Agora, agora, vá validando:
Você (ou alguém por si, que lhe dá uma boleia gostosa) encontra sem dificuldade inexactadões (carência de lógica inexacta é o seu volteio) nas afirmações do Dawkins. Vai daí, decide-se por um adversário à sua altura, alguém sem fragilidades de raciocínio (imaginando que as suas intenções são honradas e corajosas), alguém exagerado, agressivo e desorientado (é a forma oblíquia como um teísta vê um ateu), vem daí, escolhe o Saramago. Alguém que se pronuncia sobre a religiosidade infrequentemente, e mais justifica a sua escolha porque é afim ao seu próprio ritmo.
Admito que desde o início não contava nada aplaudi-lo, homem, você encurralou-me.
Clap.
Fui ler o seu postal, algumas considerações:
- você tem dificuldades com os axiomas e deslumbra-se com a aparência vistosa das palavras;
- falta-lhe demasiada educação jurídica para desenvolver os raciocínios a que se propõe, mas não só;
- ideias viciadas, enganosas, intolerância, diz o roto ao nu.
No entanto, brilhante momento, esqueça a sua vaidadezinha vã pelos seus axiomas kinder surpresa, redija isto no seu cartão de visita, é muito bom:
“…projecta assassiná-lo com tudo o que tem nas mãos.”
Salva-se essa frase. Só.
Crente: Vamos falar de Deus, pode ser?
Ateu: Não vale a pena, porque Deus não existe.
Crente: Porque dizes isso? Claro que Deus existe.
Ateu: Mostra-me Deus e eu acreditarei.
Crente: És como São Tomé, só acreditas se vires?
Ateu: Claro. Se ninguém vê Deus isso é prova de que ele não existe. Só acredito naquilo que vejo.
Crente: E se fosses cego e surdo e mudo? Em que acreditarias?
Ateu: (franze o sobrolho e reflecte durante alguns segundos) Acreditaria em mim e em tudo o que tocasse com as minhas mãos. E muito provavelmente odiaria Deus…
Crente: Como poderias odiar algo que não existe? Acabaste de dizer que não acreditas em Deus.
Ateu: O que sei é que Deus não existe, e ponto final.
Crente: Para mim Deus existe. Acredito que sim, basta ver a ordem perfeita do universo. É tudo muito funcional e perfeito para ser obra do acaso.
Ateu: Estás muito enganado, isso não prova nada. E quem te disse que o universo é perfeito? Que perfeição há numa estrela que explode ou num meteorito que embate num planeta? Qual é funcionalidade disso?
Crente: O que sei é que Deus existe, e ponto final.
Ateu: Não existe nada. Isso é uma invenção do homem. Foi o homem que inventou Deus.
Incógnito: Então conclui-se que Deus existe, mas como uma invenção do homem, não concorda? Pelo menos na mente dos homens Deus existe.
Ateu: (pensativo) Sim, tenho de reconhecer que desse ponto de vista Deus existe.
Crente: (sorridente) Vês? Eu tinha razão, Deus existe, eh eh. Bom, para ti, jovem, Deus existe de verdade ou não?
Ateu: Não existe nada. Não insistas nesse absurdo.
Incógnito: É possível que Deus exista, embora tenhamos concluído que ele já existe como uma invenção humana.
Crente: Afinal acreditas ou não em Deus?
Incógnito: Eu não quero acreditar ou deixar de acreditar. Quero é entender, e entendo que Deus poderá existir.
(Crente olha para Ateu)
Ateu: Como assim? E não entendes que Deus poderá não existir?
Incógnito: Tenho cogitado também sobre essa hipótese.
Ateu: Bem, em que ficamos? Ou é uma coisa ou é outra.
Crente: Parece-me que ele está mais inclinado a crer que Deus existe.
Ateu: Vamos lá a ver se nos entendemos. Não há essa coisa a que chamam Deus, tampouco há amor e justiça e crueldade no universo físico. Nenhum poder preside aos biliões de estrelas que existem no universo.
Crente: Como podes ter certeza disso? Foi o Diabo que te disse que Deus não existe?
Ateu: Ãh? O verdadeiro diabo é esse Deus que o homem inventou, essa entidade que ordena a matança de crianças, que ordena a conquista de uma terra prometida pelo facto de manar leite e mel. Esse é o verdadeiro diabo-deus criado à imagem e semelhança dos homens.
Incógnito: Neste ponto do interessante debate gostaria de mencionar alguns axiomas para que possamos meditar neles, os quais lançarão alguma luz sobre as trevas em que os homens ainda se encontram. Mas antes disso tenho para dizer que os argumentos e as críticas do nosso interlocutor ateu têm razão de ser, têm fundamento. Estar no outro extremo do espectro permite-lhe ver as coisas sob outro prisma, proporciona-lhe a análise a partir do ponto de vista oposto, permite-lhe questionar ou lançar dúvidas sobre certas questões e premissas ligadas com Deus ou a ele atribuídas. Além disso, é possível que o nosso interlocutor ateu se sinta ofendido com certas atitudes ou crenças ou ideias que o crente em Deus alimenta e com certos resultados ou acontecimentos cuja autoria ou aprovação é atribuída a Deus. Isso é natural, dada a posição em que se encontra, e é compreensível que condene e critique e queira combater intensa ou mesmo ferozmente o que muitos chamam de crendice. Porém, visto que se encontra num extremo e observa o extremo oposto a partir do ponto mais distante, e porque está contra o contrário da sua posição e se habituou a ver o outro lado somente a partir do ponto de vista deste, acontece muitas vezes que se tenta provar o oposto do que fundamenta o outro extremo recorrendo-se meramente aos erros que no outro extremo se cometem.
Crente: Uau!
Incógnito: De forma mais resumida e mais inteligível, um homem assassina outro em nome de Deus. Isso é criticável e é condenável mas não prova que Deus não existe, apenas prova como Deus pode existir na mente dos homens. Precisamos de compreender isto, precisamos de assimilar esta verdade fundamental se havemos de avançar para um entendimento mais completo que, parece-me, ajudará a solucionar o problema das guerras religiosas e das quezílias entre ateus e crentes em Deus. O assassinato em nome de Deus é um dos argumentos mais utilizados pelos ateus para defenderem que Deus não existe. Porém, esquecem-se com muita frequência de que não se matou e não se mata apenas em nome de Deus, também se tem matado em nome de outras ideologias. Muitos ateus também têm assassinado em nome disto ou daquilo. É preciso reconhecer que há outros deuses na mente dos homens além do tradicional, além do ser supremo que supostamente habita em céus espirituais.
Crente: Isso mesmo!
Ateu: Concordo com muito do que disseste, mas se Deus realmente existe, porque deixa os homens matar-se uns aos outros em seu nome, tornando assim possível que muitos não acreditem nele? Ao fazer isso só está a prejudicar-se…
[...]