Boas práticas

Às vezes, os exemplos a seguir vêm de fora – e não me refiro, claro está, ao FMI. Vejam só o que a equipa editorial da brasileira Companhia das Letras fez no seu blogue: respostas directas às perguntas dos leitores. Uma ideia tão simples quanto eficaz (basta ver as reacções dos destinatários).
E deste lado do Atlântico, quando é que teremos direito a iniciativas do mesmo género?



Comentários

10 Responses to “Boas práticas”

  1. Safaa Dib on Janeiro 14th, 2011 15:40

    Zé Mário, falando apenas da editora em que trabalho, posso dizer-te que se fores ao fórum Bang! com mais de 1000 participantes registados (http://bang.saidadeemergencia.com/ )ou ao Clube Nora Roberts (http://noraroberts.saidadeemergencia.com/), fóruns estes dirigidos pelo grupo Saída de Emergência, verás como já há anos formaram-se comunidades em torno das nossas colecções que colocam perguntas e recebem respostas directamente da editora; o mesmo tipo de perguntas e respostas que se vê nesse blogue de A Companhia das Letras. Aliás, a comunidade Bang! sabe como funciona a nossa editora de cima a baixo e temos até promovido encontros e jantares regulares com os nossos leitores ao longo dos últimos 3 anos.

    Por isso, como vês, as boas práticas já existem por cá. :)

  2. fallorca on Janeiro 14th, 2011 15:45

    Ora aí está uma boa pergunta que te faço :)

  3. pedro on Janeiro 14th, 2011 15:53

    JMS, das editoras portuguesas nem uma resposta quando nos propomos a trabalhar durante um mês sem receber (só para saber como a coisa funciona) quanto mais respostas a dúvidas dos leitores.

    Bom trabalho,
    pedro

  4. Adriana de Godoy on Janeiro 14th, 2011 16:09

    Salve amigos de Portugal!
    A Companhia das Letras é a casa editorial de Saramago aqui no Brasil.
    Além do trabalho maravilhoso que eles fazem com os livros, as pessoas que trabalham na editora são nota dez, como vcs podem ver no vídeo.
    E o editor, Luiz Schwarcz, trata seus leitores de igual para igual, ele é muito querido por aqui, além de ser um escritor de primeira categoria.
    Babem!
    Um abraço a todos, desde terra pappagalli.

  5. José Mário Silva on Janeiro 14th, 2011 16:14

    Como se costuma dizer – e o pedro corrobora de certeza – esse teu exemplo, Safaa, é a excepção que confirma a regra.
    Ainda assim, bom trabalho.

  6. Maria Almira Soares on Janeiro 14th, 2011 16:23

    Não é «quando», é se… Se as editoras acharem que isso dá dinheiro, então…

  7. Safaa Dib on Janeiro 14th, 2011 17:03

    Caro Pedro,

    Dou-lhe já a resposta da parte da editora portuguesa onde trabalho. Aqui ninguém trabalha um mês sem receber.

    Mas acredito que o número de editoras portuguesas é muito reduzido em relação ao número excessivo de pessoas a tentarem empregar-se nelas. Alguém já fez uma lista onde se distingue as editoras com capacidades de empregarem funcionários das que simplesmente não têm possibilidades de pagar salários? Os números haveriam de ser interessantes e reveladores.

    Quanto a esta questão das boas práticas editoriais, será uma estratégia a adoptar cada vez mais no futuro, quer as editoras queiram, quer não, penso eu. Mas devo notar que nas redes sociais das editoras algumas já têm vindo a fazer esse tipo de contacto directo com os leitores.

  8. José Mário Silva on Janeiro 14th, 2011 17:59

    Safaa,
    Quanto à última frase, tens toda a razão. Bendito Facebook, bendito Twitter, benditos blogues. Através deles, conseguimos de facto estar mais próximos de algumas editoras. Mas, curiosamente, quem aproveita melhor esses recursos são as editoras pequenas. Talvez por não terem pudor de utilizar meios assumidamente “baratos”.

  9. pedro on Janeiro 14th, 2011 18:18

    Safaa,

    Partilho a minhas ideia consigo: quero criar uma editora. A melhor forma de saber como funciona numa editora é incluir-me/trabalhar numa. Como fazê-lo? Uma proposta irrecusável: ofereço-me durante um mês (se possível dois ou três, ainda melhor) para trabalhar sem receber. É óbvio que propus a minha ideia às editoras que mais respeito. Na altura não era tão óbvio que não viesse a obter qualquer resposta.

    Se eu tivesse uma empresa e uma pessoa se oferecesse para trabalhar pro-bono considerava aceitar. Ou não?

  10. Adriana de Godoy on Janeiro 14th, 2011 21:31

    Só pra acrescentar: a Companhia é uma das maiores editoras do Brasil. Eles têm essa proximidade com o leitor por causa de uma postura editorial que mantêm. Nem sempre vemos isso em outras editoras brasileiras, pequenas ou grandes, e em muitas o leitor é tratado como massa de manobra.
    A Companhia tem uma postura, especialmente do Schwarcz, que foi quem criou a editora.
    Abraços a todos.

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges