Decadência
Há dois autores da geração de 70 que não perdem uma oportunidade para exercitar, quase sempre com inteligência e fina ironia, a nobre arte da autodepreciação. Um é Ricardo Araújo Pereira, embora quase sempre o exercício soe a falsa modéstia. O outro, aparentemente mais sincero, é Pedro Mexia. A recente edição de Poemas Portugueses – Antologia da Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI (Porto Editora), ofereceu-lhe a deixa perfeita para escrever isto:
«Os media estão cheios de “especialistas” que anunciam o apocalipse. Sou demasiado céptico para ser catastrofista, mas há coisas que fazem pensar. Por exemplo este grosso volume chamado Poemas Portugueses (org. Jorge Reis-Sá e Rui Lage, Porto Editora, 2009). É uma obra de referência que reúne 267 poetas portugueses, da Idade Média à actualidade. No índice, vemos que a poesia portuguesa aqui antologiada começa com os trovadores e termina em Pedro Mexia. Leram bem: dos trovadores a Pedro Mexia. Eis um caso irrefutável de decadência nacional.»
Comentários
2 Responses to “Decadência”
- Por uma Esquerda que não permaneça, de braços caídos, passiva e mole, a assistir ao colapso de todas as suas conquistas em 16 de Maio de 2012
- Carlos Fuentes (1928-2012) em 16 de Maio de 2012
- Noites do ‘Mauritânia’ em 15 de Maio de 2012
- As praias do Arizona em 15 de Maio de 2012
- Balanço da Feira do Livro em 14 de Maio de 2012
- O que aí vem (Cavalo de Ferro) em 14 de Maio de 2012
- A ‘Leitura Furiosa’ em voz alta em 13 de Maio de 2012
- Primeiros parágrafos em 13 de Maio de 2012
- Queres que te faça um desenho? em 13 de Maio de 2012
- A última noite do mundo em 12 de Maio de 2012


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Como crítico, não tenho nada a apontar-lhe.
csd
É uma maneira de dizer: o pior mesmo é que inclua Eduardo Pitta.