Decadência

Há dois autores da geração de 70 que não perdem uma oportunidade para exercitar, quase sempre com inteligência e fina ironia, a nobre arte da autodepreciação. Um é Ricardo Araújo Pereira, embora quase sempre o exercício soe a falsa modéstia. O outro, aparentemente mais sincero, é Pedro Mexia. A recente edição de Poemas Portugueses – Antologia da Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI (Porto Editora), ofereceu-lhe a deixa perfeita para escrever isto:

«Os media estão cheios de “especialistas” que anunciam o apocalipse. Sou demasiado céptico para ser catastrofista, mas há coisas que fazem pensar. Por exemplo este grosso volume chamado Poemas Portugueses (org. Jorge Reis-Sá e Rui Lage, Porto Editora, 2009). É uma obra de referência que reúne 267 poetas portugueses, da Idade Média à actualidade. No índice, vemos que a poesia portuguesa aqui antologiada começa com os trovadores e termina em Pedro Mexia. Leram bem: dos trovadores a Pedro Mexia. Eis um caso irrefutável de decadência nacional.»



Comentários

2 Responses to “Decadência”

  1. csd on Janeiro 5th, 2010 9:34

    Como crítico, não tenho nada a apontar-lhe.

    csd

  2. javali on Janeiro 5th, 2010 10:16

    É uma maneira de dizer: o pior mesmo é que inclua Eduardo Pitta.

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges