Literatura e formatos digitais

A propósito do debate que se gerou neste post do BdB, em torno de um texto de José Vegar, jaa diz de sua justiça sobre as possíveis consequências da progressiva passagem dos livros a suporte digital. Tal como Vegar, não está lá muito optimista. Eis um excerto (mas vale mesmo a pena ler o post completo):

«As consequências ficam para os cineastas, escritores e músicos que gostariam de construir uma obra sólida num meio-termo de exposição mediática, que não conseguirão apoio porque as probabilidades de que alguém repare neles é demasiado baixa (as franjas são excessivamente radicais para o fazerem, o grande público demasiado distraído). Alguns terão a sorte de se tornarem fenómenos da net como, de resto, já existem vários exemplos no universo musical. Mas serão poucos e, no caso da literatura, é dúbio que consigam gerar rendimentos para poderem viver da escrita. Ainda por cima, a internet também acelerou o processo de obsolescência: é-se um génio num determinado momento, está-se gasto no seguinte. (Ou, como diria Heidi Klum, «One day you’re in, the next day you’re out.»).
É por tudo isto que não estou optimista e que vejo com algum cepticismo o argumento de que a internet e os formatos digitais permitem uma maior disseminação da cultura. O potencial existe mas poucas pessoas excepto as que já hoje compram livros ou no passado compravam discos usam ou usarão esses meios para expandir horizontes, sendo que mesmo estas podem acabar por concluir que a oferta se reduziu e – neste caso não tenho sequer dúvidas, porque sucedeu com a música – o esforço necessário para descobrir as obras de qualidade é muito maior do que antes (umas quantas das tais maléficas editoras dão algumas garantias de qualidade). Quanto à esmagadora maioria, apenas os utiliza e utilizará para obter aquilo de que se fala. Num ponto quase todos convergirão: a pouca vontade de pagar um cêntimo pelo que quer que seja.»



Comentários

One Response to “Literatura e formatos digitais”

  1. jaa on Fevereiro 19th, 2010 13:55

    Mais uma vez, obrigado pela referência.

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges