Livraria Portugal vai fechar

É mais uma livraria que fecha portas. Uma livraria histórica, onde em tempos pré-FNAC perambulei entre estantes ajoujadas e a banca das novidades (nem sempre muito recentes). Uma livraria antiga, com cheiro a pó dos livros e uma certa desarrumação que era uma forma de charme, como se o leitor tivesse de ser seduzido pela dificuldade em encontrar a obra pretendida. Sem grande surpresa, um dos sócios explica que a situação «insustentável» se deve às «grandes alterações no mercado livreiro», à «quebra das vendas» e à «insuficiência de meios para pagar as despesas». Enfim, uma receita para o desastre.
Pior ainda: tendo em conta o rumo que as coisas levam, temo bem que outras livrarias históricas venham a conhecer muito em breve a mesma sorte.

PS – No seu blogue, a Sara Figueiredo Costa assinala com tristeza mais este desaparecimento, evocando memórias pessoais e familiares associadas à livraria da Rua do Carmo.



Comentários

5 Responses to “Livraria Portugal vai fechar”

  1. joão viegas on Janeiro 24th, 2012 17:29

    “Em tempos pré-FNAC”

    Esta tudo dito. Se um jornalista com pretenções a critico literario, que gosta de se apresentar como uma pessoa minimamente culta, não faz a diferença entre a livraria Portugal e a FNAC, então para quê o tom apocaliptico e as lamentações do post ? Como é que podemos imaginar que livrarias com fundo ainda têm futuro em Portugal ?

    Quanto à forma como v. se refere acriticamente à “quebra de vendas” (a FNAC não vende ? Da os livros de graça ?), deve ser para nos consolar : afinal ler livros para quê, se eles nem aos criticos literarios aproveitam ?

    Pessoalmente, acho que em Portugal deviamos fechar o serviço publico de educação durante 10 anos. Poupavam-se uns dinheiros e, a seguir, podiamos voltar a criar um, mas desta vez com a certeza de que os Portugueses teriam passado a saber para que serve um serviço publico de educação…

    De caminho, talvez os criticos literarios tivessem aprendido no intervalo umas coisas sobre o que é um livro, o que é uma livraria e o que é que eles ca andam a fazer.

    Desculpe a franqueza e a ma disposição !

    E não vou ao blogue da Sara Figueiredo Costa porque se o meu amigo foi capaz de escrever este post sobre o tema, então é que nada, mas nada mesmo, é impossivel, e eu gosto de imaginar que subsiste pelo menos uma pessoa com tino no meu pais. O mais provavel é que, se eu tivesse começado por ir ver o que ela diz, não teria vindo ca, pelas mesmissimas razões. Enfim, uma tristeza.

  2. ana on Janeiro 24th, 2012 22:34

    Tratava os livros infantis muito bem (no 1º andar) e os livros de poesia não estavam em prateleiras junto ao chão. Estavam junto a uma janela

  3. joão viegas on Janeiro 25th, 2012 8:14

    O autor deste post bem pode acender uma vela à Santa Padroeira da Internet por ela ter impedido o meu comentario de ontem, que versava sobre o que me inspiram as palavras “em tempos pré-FNAC “.

    Safa !

  4. José Mário Silva on Janeiro 25th, 2012 10:44

    Caro João Viegas,
    Tenha calma, o seu comentário não desapareceu. Estava só à espera de aprovação, como todos os outros.
    Quanto à sua irritação com a referência aos “tempos pré-FNAC”, não a compreendo. Os tempos pré-FNAC são os tempos anteriores a 1998. Nessa altura não havia outro tipo de livrarias e eu já as frequentava, como continuei a frequentar nos tempos pós-FNAC. A referência à FNAC limitava-se a estabelecer uma fronteira temporal importante, porque foi a seguir ao surgimento da FNAC (e mais tarde das grandes redes livreiras) que o apocalipse económico das livrarias históricas começou.
    Já agora, quando estiver menos mal-disposto, leia mesmo o post da Sara. Vai ver que vale a pena.

  5. joão viegas on Janeiro 25th, 2012 13:57

    Ok, Ok

    “como continuei a frequentar nos tempos pós-FNAC” : isto é que não resulta claro do seu post, cujo texto até pode sugerir o contrario. Eis o motivo da minha irritação.

    Bom, na verdade, o motivo da minha irritação, a razão profunda, é o facto de a livraria Portugal ter de fechar.

    Desculpe alguma injustiça

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges