Reductio ad absurdum

A BIBLIOTECA

«Nada está tão bem protegido do ruído como uma biblioteca.
Somente os mudos, a não ser que tenham tuberculose ou alguma constipação, podem ali entrar. Mas em pantufas de feltro, sem anéis, pulseiras ou outros objectos susceptíveis de perturbar o silêncio.
A cada dois metros, nos corredores, seguranças armados fazem respeitar o regulamento. O essencial encontra-se em painéis de aço.
“Avance lentamente”, pode-se ler. “Evite respirar pelo nariz”. “Não bata nas paredes”. “Caminhe na ponta dos pés”.
As recomendações tornam-se mais precisas, mais ásperas ainda ao entrarmos na grande sala de leitura da biblioteca onde dois painéis gigantescos ditam ordens de peso.
A primeira: “É proibido folhear as páginas das obras”.
E a outra: “É proibido ler”.»
Jacques Sternberg, in Contes glacés

[via Bruaá]



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«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges