Uma resposta de José Saramago (com uma pergunta lá dentro)
O seguinte texto foi publicado hoje, tanto no blogue O Caderno de Saramago como na edição em papel do Diário de Notícias:
«Diz José Mário Silva na crítica a O Caderno, publicada no Actual do último Expresso que não sou um verdadeiro bloguer. Di-lo e demonstra-o: não faço links, não dialogo directamente com os leitores, não interajo com a restante blogosfera. Já o sabia eu, mas a partir de agora, se mo perguntarem, tomarei como minhas as razões de José Mário Silva e arrumarei definitivamente o assunto. De todo o modo, não venho queixar-me de uma crítica que é bem-educada, pertinente, elucidativa. Dois pontos, porém, me levam a sair à estacada, quebrando, pela primeira vez, uma decisão que até hoje foi por mim cumprida à risca, a de não responder nem sequer comentar qualquer apreciação feita ao meu trabalho. O primeiro ponto tem que ver com um suposto simplismo das análises dos problemas que me caracterizaria. Poderia responder que o espaço não dá para mais, mas quem, de verdade, não dá para mais sou eu próprio, uma vez que me faltam as habilitações indispensáveis a um analista profundo, como os da Escola de Chicago, que, apesar de tão dotados, deram com os burrinhos na água, pois nunca passou pelos seus privilegiados cérebros a hipótese de uma crise arrasadora que qualquer análise simplista seria capacíssima de prever. O outro ponto é mais sério e justifica, só por si, esta em alguns aspectos inopinada intervenção. Refiro-me aos meus alegados excessos de indignação. De uma pessoa inteligente como José Mário Silva esperaria eu tudo menos isto. A minha pergunta será portanto tão simples como as minhas análises: há limites para a indignação? E mais: como se pode falar de excessos de indignação num país em que precisamente, com as consequências que estão à vista, ela vem faltando? Meu caro José Mário, pense nisto e ilustre-me com a sua opinião. Por favor.»
Responderei à «inopinada intervenção» de Saramago – e à pergunta que me dirige – já a seguir.
Comentários
3 Responses to “Uma resposta de José Saramago (com uma pergunta lá dentro)”
- Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ em 29 de Dezembro de 2016
- Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ em 22 de Dezembro de 2016
- Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ em 16 de Dezembro de 2016
- Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ em 9 de Dezembro de 2016
- Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ em 2 de Dezembro de 2016
- Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ em 25 de Novembro de 2016
- Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ em 18 de Novembro de 2016
- Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ em 11 de Novembro de 2016
- Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ em 4 de Novembro de 2016
- Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ em 28 de Outubro de 2016


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Responder?
Só a existência do “post” colocado pelo autor no seu “blog” …O caderno de Saramago… respondendo aos seus alegados excessos de indignação, só isso, só por si já te da razão, por isso, J.M.S. guarda a tua resposta à inopinada intervenção para coisas mais interessantes.
Embora, eu, na tua presente posição dar-lhe ia uma resposta, somente pelo opróbrio do autor.
um abraço
Embora seja um grande apreciador das obras de Saramago, não o sou tanto da maioria das opiniões do mesmo. Sei o quanto subjectivo é fazer uma critica a uma obra deste tipo, e por isso mesmo, tenho de dar razão ao José Mário pois nada de ultrajante ou incorrecto vejo na mesma. Parece-me ter sido apenas um mal entendido por parte do prémio Nobel.
[…] frases, são tão crípticas que dispensam comentários. Quem quiser (e tiver paciência), que leia o texto de Saramago, depois a minha réplica, e tire as suas próprias […]