changing eye color on adobe photoshop cheap place to buy Adobe Contribute CS4 install font in adobe photoshop adobe photoshop tryout patch cheap place to buy Adobe Creative Suite 5 Master Collection for Mac 2.0 adobe creative premium suite adobe photoshop 3.2 cheap place to buy Adobe Dreamweaver CS5 linux equivalents to adobe photoshop forum adobe photoshop cheap place to buy Adobe Photoshop CS5 adobe photoshop straight line authorization code for adobe photoshop cs cheap place to buy Adobe Dreamweaver CS4 for Mac buy adobe photoshop 7 font types for adobe photoshop cheap place to buy Adobe Dreamweaver CS3 adobe photoshop cs2 software windows free photoshop adobe downloads cheap place to buy Adobe Creative Suite 4 Web Premium for Mac adobe photoshop plug in morph batch processing in adobe photoshop cs cheap place to buy Adobe Creative Suite 4 Web Standard for Mac adobe creative suite educational price adobe photoshop brush sets cheap place to buy Adobe Creative Suite 4 Production Premium for Mac adobe photoshop cs3 archive free trial adobe creative suite 2 cheap place to buy Adobe Creative Suite 4 Production Premium adobe photoshop download discount software adobe dreamweaver cs3 information tutorials cheap place to buy Adobe Creative Suite 4 Design Standard for Mac adobe photoshop 7.0 trial adobe photoshop 5.5 download cheap place to buy Adobe Creative Suite 4 Design Premium for Mac adobe photoshop for ubuntu adobe creative suite change serial number cheap place to buy Adobe Creative Suite 4 Design Premium adobe photoshop cs2 prefences adobe creative suites premium upgrade news cheap place to buy Adobe Creative Suite 3 Web Premium install adobe photoshop adobe photoshop activation prob cheap place to buy Adobe Creative Suite 3 Design Premium adobe dreamweaver 9 activation code

A história do Brasil

Leite Derramado
Autor: Chico Buarque
Editora: Dom Quixote
N.º de páginas: 223
ISBN: 978-972-20-3838-6
Ano de publicação: 2009

Eulálio Montenegro d’Assumpção está deitado na enfermaria de um «hospital infecto». O seu corpo frágil testemunha uma existência centenária que «se alongou além do suportável, como linha que se esgarça». Pobre e solitário, a única coisa que lhe sobra é a memória, mas esta tornou-se uma «vasta ferida», um «pandemônio», uma porta aberta por onde entra o passado, sem qualquer ordem cronológica, multiplicando-se em ínfimos detalhes («recordo cada fio de barba do meu avô, que só conheci de um retrato a óleo»), enquanto o presente se estreita, baralha e desfaz.
Mesmo na miséria, Eulálio mantém o aprumo e os tiques de superioridade social, aprendidos numa família em que se falava francês até para pedir o saleiro. À sua volta, só vê «gente desqualificada». O som do televisor está sempre alto demais e as baratas trepam pela parede. Entre a dor e a morfina, entre a vigília e os sonhos a preto-e-branco, ele tenta narrar a sua vida, fixá-la, transmiti-la nunca se sabe bem a quem (porque tanto se dirige às enfermeiras como à filha, tanto barafusta com os médicos como interpela a mãe morta há muitas décadas).
O romance é uma sucessão de monólogos fragmentários e contraditórios, nos quais certas histórias reaparecem insistentemente, mas sempre contadas de outra maneira, a partir de outro ângulo, com outra vibração. A verdade, se existe, é instável. Tudo pode ter sido assim – ou ao contrário. Na cabeça «meio embolada» de Eulálio, os tempos misturam-se, cruzam-se, coalescem. E os espaços também. Já não há palacete em Botafogo, chalé em Copacabana, apartamento na Tijuca, nem fazenda na «raiz da serra» (invadida pela favela), mas no «palavrório» do moribundo eles recuperam o antigo esplendor.
O protagonista de Leite Derramado é a charneira de uma longa linhagem de Eulálios, tradicionalmente próximos das elites e do poder. O tetravô português lutou contra as tropas de Napoleão; o trisavô desembarcou no Rio com a corte de D. João VI; o bisavô foi um barão negreiro; o avô um abolicionista que queria lucrar com o regresso dos escravos a África; e o pai um senador da Primeira República, pródigo nos negócios e nos vícios. A tibieza do narrador marca de certa forma o começo do declínio: depois dele, a filha casa-se com um imigrante italiano de segunda geração; o neto torna-se maoísta (morrendo nas prisões da Ditadura); e o tetraneto trafica drogas, fechando o ciclo da decadência dos Assumpção.
Quer pelo arco temporal abrangido, quer pelo imenso leque de personagens, pode dizer-se que Chico Buarque escreveu uma saga familiar – só que uma saga familiar de câmara: breve, compacta, reduzida ao essencial. Uma das principais virtudes de Leite Derramado é precisamente esse milagre de condensação e leveza, para o qual contribui uma escrita depuradíssima. Outro ponto forte é a articulação feliz entre as experiências individuais e as colectivas. Na história dos Eulálios são sempre legíveis – à transparência – alguns dos momentos capitais dos últimos 200 anos de História do Brasil.
O fulcro do livro, porém, está em Matilde, primeira mulher e único verdadeiro amor do protagonista. É essa figura feminina intangível (capaz de entrar no oceano «como se pulasse corda») que ilumina a solidão de Eulálio. Um dia, desaparece de casa, deixando para trás marido, filha bebé e um mistério (a razão da sua fuga) que reverbera em todas as páginas, como premonitório sinal do caos futuro.
No exercício narrativo quase perfeito que é Budapeste, de 2003, Chico Buarque parecia ter atingido o cume das suas capacidades literárias, mas neste Leite Derramado sobe ainda mais alto e assina um dos melhores romances em língua portuguesa da primeira década do século XXI.

Avaliação: 9/10

[Texto publicado no suplemento Actual, do semanário Expresso]



Comentários

3 Responses to “A história do Brasil”

  1. João Paulo on Junho 17th, 2009 11:21
  2. anita on Junho 17th, 2009 15:46

    O Chico B. já me tinha aberto o apetite com aquele delicioso video… agora vou ter mesmo que ler .
    :)

    • A Seve on Junho 21st, 2009 14:31

      Seve disse…..

      Parece que não vale nada (disse-mo um amigo meu, leitor fanático). Esta mania de que tudo o que o Chico (não é Xico isso é pró povo), faz, dizia eu, tem de ser bom……………

      Leia os últimos textos publicados
      «Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges