adobe photoshop cs3 extended tutorial Adobe Creative Suite 5 Web Premium Download adobe photoshop cs 2 download adobe photoshop elements 2.0 windows vista Adobe InCopy CS5 for Mac Download adobe acrobat 8 cheap adobe creative suite premium cs2 win Adobe Photoshop Lightroom 3 Download convert word to adobe acrobat adobe photoshop 5 0 free download Adobe Dreamweaver CS5 Download cropping jpegs in adobe illustrator 9.0 adobe illustrator number serial Adobe Creative Suite 5 Design Premium Download adobe photoshop for dummies dvd adobe acrobat v6.0 professional tryout Adobe Photoshop CS5 Extended Download adobe acrobat viewer 6 free adobe acrobat 7 reader Adobe Creative Suite 5 Master Collection Download adobe photoshop cs free trial adobe acrobat 7.0 professional crack download Adobe Acrobat 9 Pro Extended Download adobe store adobe acrobat capture adobe acrobat error 1321 Adobe Premiere Pro CS5 Download adobe photoshop product registration key adobe incopy cs v3.0 Adobe Illustrator CS5 Download adobe photoshop 4.0 tutorial

A invenção da paisagem

O Prazer e o Tédio
Autor: José Carlos Barros
Editora: Oficina do Livro
N.º de páginas: 191
ISBN: 978-989-555-462-1
Ano de publicação: 2009

Autor discretíssimo, José Carlos Barros (n. 1963) publicou seis livros de poemas nos últimos 15 anos, em edições pequenas, de circulação restrita e escasso impacto mediático, que fizeram dele um dos segredos mais bem guardados da poesia portuguesa contemporânea. Em Maio, recebeu o Prémio Nacional Sebastião da Gama, atribuído a Os Sete Epígonos de Tebas, obra ainda inédita. Arquitecto paisagista de formação, natural de Boticas (Trás-os-Montes) mas a viver no Algarve (Vila Nova de Cacela) desde os anos 90, JCB publicara até agora apenas um texto de ficção: O dia em que o mar desapareceu (conto, Colibri, 2003). Um pouco à maneira dos folhetins oitocentistas, O Prazer e o Tédio foi sendo publicado durante o ano de 2008, capítulo a capítulo, não em jornais – como no tempo de Camilo – mas no seu blogue. A excelência do resultado, porém, impunha que este romance magnífico fosse publicado em papel, o que felizmente veio a acontecer.
O Prazer e o Tédio começa por ser a história de um edifício em ruínas: a Casa a Jusante da Ponte de Arame, construção antiga e saturada de memórias que Aline – uma mulher de 40 anos em luta contra o tédio que a paralisa (e mais ponto de fuga do relato do que protagonista) – não sabe se há-de reconstruir ou vender. O livro avança devagar, contemplando os esplendores naturais da bacia hidrográfica do Terva (as cumeadas, as encostas, as árvores, a luz, o rumor das águas), reflectindo sobre a passagem do tempo e o modo como as pessoas se agarram à terra, sobre essa «finíssima membrana» que separa o prazer dos seus perigos.
Então, quando parecia definir-se um certo rumo para o texto, este desvia-se, acelera e expande-se numa verdadeira saga familiar, com vários narradores, dezenas de personagens e uma hábil oscilação entre várias épocas históricas. Estamos agora em pleno realismo mágico, «como num romance sul-americano», com as tramas a atravessarem gerações e as tragédias acentuando as descontinuidades cronológicas. Há mulheres que adivinham o futuro, outras de cuja nudez emana uma luz que cega e queima, há perfumes no ar (alecrim, erva-cidreira) tão espessos que se tornam palpáveis, a fazer lembrar os primeiros livros de José Riço Direitinho.
Depois regressa a erosão, desfaz-se tudo outra vez, porque este livro reflecte sobretudo uma dupla impossibilidade. A da paisagem, frágil pano de fundo que é sempre inventado e destruído pelos homens (ou melhor, pelo poder central: o que põe o pinheiro bravo no lugar das espécies autóctones; o que ergue as barragens que tudo submergem). E a impossibilidade da própria narrativa, vezes sem conta assinalada por uma das narradoras (prima de Aline), porque «uma história, qualquer história, começa sempre muito antes ou muito depois das primeiras frases». Isto é, «não tem princípio nem fim».
Não poupemos nas palavras: O Prazer e o Tédio é um dos mais belos e arrebatadores romances de estreia publicados em Portugal na última década. Saber que o seu autor não ficará por aqui – estando já a escrever, novamente em blogues, outros dois folhetins (As Heranças Indevisas, que se mantém em paisagens nortenhas [e entretanto mudou de título para Se Pudesses Regressar]; e A Onda Gigante, situado a Sul, no Algarve) –, representa uma espécie de consolo e uma nota de esperança quanto ao futuro da ficção nacional, nestes tempos em que a crise tudo parece contaminar com a sombra de nuvens demasiado negras.

Avaliação: 8,5/10

[Versão aumentada de um texto publicado no n.º 82 da revista Ler]



Comentários

Comments are closed.

Leia os últimos textos publicados
«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges