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	<title>Comentários em: A luz forte da auréola</title>
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	<description>Sobre livros e literatura, autores e editoras. Por José Mário Silva.</description>
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		<title>Por: Mário Martins</title>
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		<dc:creator>Mário Martins</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 19 Jul 2009 00:34:27 +0000</pubDate>
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		<description>O livro &quot;A vida da Poesia&quot; é absolutamente essencial para todos os que dedicam a sua vida, grande parte dela, ou apenas somente a melhor parte dela, às &quot;coisas da poesia&quot;. Fornece um conjunto de textos críticos reunidos que suscitam em qualquer pessoa um conjunto de leituras obrigatórias para compreender, não apenas a modernidade, mas os reais problemas universais da poesia, como seja a sua aparição, isto é, a sua manifestação espontânea, bem como o que dela têm feito os contemporâneos. A expressão &quot;discurso poético&quot; é repetida vezes sem conta, a qual, certamente, pouco diz a muitos contemporâneos que não conseguem distinguir coisas tão simples como o &quot;quotidiano&quot; e o &quot;banal&quot; e, portanto, pensam que a poesia se faz tão-somente de &quot;irreverências&quot; e &quot;pseudo-experimentalismos&quot; que não passam de reflexos duas coisas: pouca ou nenhuma leitura; leituras diagonais. Não compreenderão eles - e talvez nunca venham a compreender - que a poesia é feita da &quot;matéria universal&quot; que lhe dá uma frescura impossível, como se o tempo não tivesse efeito sobre ela: o discurso. Foi isso que os poetas da modernidade fizeram - criaram um novo discurso. Deixo a pergunta:  Que têm feito a esmagadora maioria dos poetas contemporâneos?

Gastão Cruz mantém a coerência quanto às suas &quot;visões&quot; daquilo que foi a modernidade no panorama literário do século passado, não escondendo um fascínio muito particular pelas décadas de 50/60/70, que não serão as únicas, mas talvez sejam as essenciais (ou não tivesse ele desabrochado para a poesia nessas épocas tão poeticamente privilegiadas). Não obstante, não se abstém de referências mais afastadas, mas tão felizes, como sejam Cesário Verde (quem é que verdadeiramente o leu?) e António Nobre. É igualmente fiel quanto à ideia que há muito vem sufragando acerca da poesia contemporânea e do que dela (da poesia em geral) têm feito alguns. No meu modo de ver, Gastão Cruz não falha uma única palavra a esse respeito, das quais, se me permite, citarei apenas algumas:

&quot;O caos crítico é demasiado grande, as antologias em circulação autênticas aberrações, mais caixote do lixo de mediocridades, quando não mesmo galeria de horrores, que rigorosa selecção do que é efectivamente valioso ou importante, as histórias de literatura manifestam total incompetência em relação ao sector da poesia contemporânea.&quot;

&quot;Não admira que tudo isto se reflicta nas próprias características de certa poesia recente, que perdeu o sentido da criação de uma linguagem e de um mundo originais (não há verdadeiro poeta que o não tenha) e confunde poesia do quotidiano com banalidade, ou realismo e despojamento com lugar-comum e incapacidade de invenção verbal.&quot;

...

Não quero fazer deste meu singelo comentário uma crítica literária, deixo isso para os que realmente sabem do que falam, por isso termino aqui esta intervenção e aproveito para dar os parabéns pelo excelente blog que aqui tem e que só recentemente descobri. Pode contar com mais visitas da minhas parte!

Cumprimentos.&lt;ul&gt;&lt;/ul&gt;</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>O livro &#8220;A vida da Poesia&#8221; é absolutamente essencial para todos os que dedicam a sua vida, grande parte dela, ou apenas somente a melhor parte dela, às &#8220;coisas da poesia&#8221;. Fornece um conjunto de textos críticos reunidos que suscitam em qualquer pessoa um conjunto de leituras obrigatórias para compreender, não apenas a modernidade, mas os reais problemas universais da poesia, como seja a sua aparição, isto é, a sua manifestação espontânea, bem como o que dela têm feito os contemporâneos. A expressão &#8220;discurso poético&#8221; é repetida vezes sem conta, a qual, certamente, pouco diz a muitos contemporâneos que não conseguem distinguir coisas tão simples como o &#8220;quotidiano&#8221; e o &#8220;banal&#8221; e, portanto, pensam que a poesia se faz tão-somente de &#8220;irreverências&#8221; e &#8220;pseudo-experimentalismos&#8221; que não passam de reflexos duas coisas: pouca ou nenhuma leitura; leituras diagonais. Não compreenderão eles &#8211; e talvez nunca venham a compreender &#8211; que a poesia é feita da &#8220;matéria universal&#8221; que lhe dá uma frescura impossível, como se o tempo não tivesse efeito sobre ela: o discurso. Foi isso que os poetas da modernidade fizeram &#8211; criaram um novo discurso. Deixo a pergunta:  Que têm feito a esmagadora maioria dos poetas contemporâneos?</p>
<p>Gastão Cruz mantém a coerência quanto às suas &#8220;visões&#8221; daquilo que foi a modernidade no panorama literário do século passado, não escondendo um fascínio muito particular pelas décadas de 50/60/70, que não serão as únicas, mas talvez sejam as essenciais (ou não tivesse ele desabrochado para a poesia nessas épocas tão poeticamente privilegiadas). Não obstante, não se abstém de referências mais afastadas, mas tão felizes, como sejam Cesário Verde (quem é que verdadeiramente o leu?) e António Nobre. É igualmente fiel quanto à ideia que há muito vem sufragando acerca da poesia contemporânea e do que dela (da poesia em geral) têm feito alguns. No meu modo de ver, Gastão Cruz não falha uma única palavra a esse respeito, das quais, se me permite, citarei apenas algumas:</p>
<p>&#8220;O caos crítico é demasiado grande, as antologias em circulação autênticas aberrações, mais caixote do lixo de mediocridades, quando não mesmo galeria de horrores, que rigorosa selecção do que é efectivamente valioso ou importante, as histórias de literatura manifestam total incompetência em relação ao sector da poesia contemporânea.&#8221;</p>
<p>&#8220;Não admira que tudo isto se reflicta nas próprias características de certa poesia recente, que perdeu o sentido da criação de uma linguagem e de um mundo originais (não há verdadeiro poeta que o não tenha) e confunde poesia do quotidiano com banalidade, ou realismo e despojamento com lugar-comum e incapacidade de invenção verbal.&#8221;</p>
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<p>Não quero fazer deste meu singelo comentário uma crítica literária, deixo isso para os que realmente sabem do que falam, por isso termino aqui esta intervenção e aproveito para dar os parabéns pelo excelente blog que aqui tem e que só recentemente descobri. Pode contar com mais visitas da minhas parte!</p>
<p>Cumprimentos.
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