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Coisas acesas

A Porta de Duchamp
Autora: Rosa Maria Martelo
Editora: Averno
N.º de páginas: 30
ISBN:
Ano de publicação: 2009

De Rosa Maria Martelo, conhecíamos uma série de excelentes ensaios sobre poesia portuguesa do séc. XX e contemporânea: textos densos, rigorosos, mas capazes de escapar à aridez tão comum na escrita académica (dito de outro modo, textos de uma inteligência que nunca deixa de ser inteligível). Agora, a professora da Faculdade de Letras da Universidade do Porto dá um passo noutra direcção, ao publicar este livrinho inclassificável e belíssimo, um verdadeiro objecto literário não identificado que já não veio a tempo das listas dos melhores de 2009 (apareceu no final de Dezembro) mas que nessas escolhas mereceria, sem hesitações, um dos primeiros lugares.
Em 17 prosas mínimas, algures entre a poesia e a reflexão filosófica, RMM explora de vários ângulos o simbolismo da porta enquanto limiar para o «outro lado do visível», partindo da «porta-porta» de Marcel Duchamp, que «estava sempre aberta e fechada ao mesmo tempo» por rodar entre dois umbrais, «incapaz de preencher um vazio sem abrir outro vazio». A essa porta irónica (e metafísica) junta-se depois a «porta intermitente» de Luíza Neto Jorge, ou as quatro portas que se abrem como «pétalas» de uma «flor acelerada» num dos planos de Spellbound (Hitchcock).
De certo modo, o livro organiza-se como um catálogo de «coisas acesas», para ver «em vertigem», sejam elas reais (como o célebre quadro do Viajante, de Caspar David Friedrich) ou ficcionadas (as imagens de nuvens perseguidas por um «fotógrafo celeste», que só acredita na beleza se esta tiver uma margem de desordem, «sem a qual nada pode ser verdadeiramente deste mundo»). A estratégia da autora consiste em sobrepor o «vidro das palavras» ao «vidro das coisas», sem saber qual dos dois é «o mais opaco ou qual dos dois mais transparente». Mas sabendo que são ambos «vidro do mesmo vidro» – não por acaso, o título de um dos seus ensaios mais importantes (publicado pela Campo das Letras, em 2007).
Este é um livro para ser relido muitas vezes, texto a texto, frase a frase, abrindo e fechando a porta que nunca fica fechada nem aberta, procurando a «linha onde tudo se inicia», um livro minúsculo que vai crescendo a cada regresso, a cada mudança de luz, até nos sentirmos invadidos pela escrita de Rosa Maria Martelo: «há quem diga ser pura visitação, perder tapete e espelho, ouvir na própria voz a voz alheia (aí onde te encontras, leitor, perdido como eu sob as estrelas)».

Avaliação: 9/10

[Texto publicado no número 88 da revista Ler]



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