Elegias

Revista Relâmpago, n.º 27
Editora: Fundação Luís Miguel Nava
N.º de páginas: 201
ISBN: 977-087-39-5010-8
Ano de publicação: 2011

Num número coordenado por Carlos Mendes de Sousa, a Relâmpago oferece-nos um excelente dossier temático sobre o conceito de elegia. Além de quatro ensaios que abordam a origem helénica deste género poético (Maria de Fátima Silva), as «atitudes elegíacas» do Romantismo inglês (João Almeida Flor), a sua manifestação no espaço da língua alemã (António Sousa Ribeiro) e o impacto da «elegia e as suas perdas» na produção poética portuguesa moderna e contemporânea (Rui Lage), o essencial do dossier é composto por 20 abordagens ao tema, por 20 poetas que escreveram, nalguns casos propositadamente, uma elegia (complementada com um texto de reflexão, mais ou menos teórica).
Sem surpresa, Frederico Lourenço, fazendo jus à sua reputação de estudioso e tradutor de poesia grega, é o único autor que se mantém fiel à métrica e à cadência dactílica dos poetas helénicos, recorrendo até ao «dístico elegíaco» (um hexâmetro seguido de um pentâmetro) no segundo «andamento» do seu poema. Os restantes autores, abdicando dos espartilhos formais, quiseram antes captar uma «atmosfera» (Fernando Pinto do Amaral) ou um «estado de espírito» (Pedro Tamen), não deixando de convocar os elementos tradicionalmente associados ao género: a consciência da finitude e efemeridade das coisas, o negrume existencial, a «lírica do luto», a evocação de figuras ausentes, a melancolia, o «amor difícil», as marcas da passagem devastadora do tempo ou «esta constatação de que chegamos sempre tarde» (Luís Quintais). Também sem surpresa, o Rilke das Elegias de Duíno é o poeta mais citado; umas vezes como referência, outras como fonte de inspiração.

Avaliação: 8/10

[Texto publicado no suplemento Actual, do semanário Expresso]



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«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges