Manifestos da ocupação

occupy

Occupy
Autor: Noam Chomsky
Título original: Occupy
Tradução: Maria Afonso
Editora: Antígona
N.º de páginas: 114
ISBN: 978-972-608-232-3
Ano de publicação: 2013

No final de 2011, o activismo anti-capitalista instalou-se na rua, primeiro em Wall Street, depois em dezenas de cidades pelo mundo fora. Um dos intelectuais que deu a cara pelo movimento Occupy foi Noam Chomsky, o linguista famoso pelas suas críticas à política externa americana. Neste livro de protesto, reúnem-se alguns dos seus discursos e diálogos mantidos com os manifestantes, o que explica o carácter generalista e pouco aprofundado das intervenções.
Em seu entender, até à década de 70 do século passado havia a sensação de que era sempre possível «dar a volta por cima» (mesmo nos momentos mais duros, como a Grande Depressão dos anos 30), mas o que veio depois, com a desregulação dos mercados e a canibalização da esfera económica pela financeira, não permite qualquer esperança. Os empregos que se perdem já não se recuperam, o proletariado deu lugar ao «precariado», e a concentração de riqueza numa ínfima minoria (1% da população, ou menos ainda) instaura um círculo vicioso de que é difícil sair: os mais ricos influenciam o poder político (financiando os partidos) e o poder político aprova legislação que os beneficia, acelerando o «processo circular» que transforma o fosso da desigualdade social num abismo.
Para Chomsky, o movimento Occupy, com os seus «inúmeros pequenos gestos de anónimos» (como diria Howard Zinn), foi a primeira grande reacção popular a este «retrocesso histórico». Uma reacção prontamente reprimida, mas que conseguiu transmitir a sua mensagem no espaço mediático, levando à discussão pública de temas até então ignorados. Para crescer, precisa agora de se integrar em estruturas comunitárias, articulando-se com as «redes à nossa volta».

Avaliação: 7/10

[Texto publicado no suplemento Actual, do semanário Expresso]



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«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges