Um policial introspectivo

O Mar em Casablanca
Autor: Francisco José Viegas
Editora: Porto Editora
N.º de páginas: 234
ISBN: 978-972-0-04287-3
Ano de publicação: 2009

Quatro anos após a publicação de Longe de Manaus, que obteve em 2006 o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores, Francisco José Viegas regressa à ficção, ao policial negro e a Jaime Ramos, o inspector da Judiciária que protagoniza a maior parte dos seus romances. Se a consagração literária que o prémio da APE sempre representa foi um obstáculo – ou talvez uma responsabilidade paralisante, a pesar sobre os ombros do autor – isso não se nota. Embora fugidio e descentrado, com uma narrativa que está sempre a escapar-se-nos entre os dedos, O Mar em Casablanca é um romance sólido, complexo (a exigir releitura, para total compreensão de certas subtilezas) e irrepreensivelmente bem escrito. Falta-lhe só, talvez, um golpe de asa, aquilo que distingue os bons livros dos livros excepcionais.
Como em todo o policial que se preze, há um homicídio (aliás, dois) para resolver. Primeiro, durante a festa de encerramento do Palace Hotel, no Vidago, aparece morto um jornalista de Economia com interesses obscuros; depois, descobre-se o cadáver de um empresário angolano, numa quinta do Douro, perto do Pinhão. Jaime Ramos e os seus adjuntos – Isaltino de Jesus e José Corsário – investigam os casos, tentam estabelecer uma ordem, uma lógica, um sentido para estas mortes.
A investigação crucial, porém, é a que leva Jaime Ramos na pista de Jaime Ramos. Ele julga-se impermeável à melancolia e acredita que «um vendaval» eliminou a sua memória, «para impedi-lo de ser um velho nostálgico». A realidade desmente-o, fazendo da sua existência uma espiral de desencanto melancólico, sonhos, chuva e recordações. O corpo, esse, atraiçoa-o: subir escadas tornou-se um tormento e sente cãibras no peito, depois de «uma espécie de AVC». Ele pertence a outro tempo, é um homem «à moda antiga», deslocado, fora do mundo, «em desuso». É aquele «que se despede sem que ninguém saiba», um «objecto flutuante, como os papéis da rua, os ramos quebrados das árvores, o fumo dos autocarros que atravessam as pontes». Para sobreviver, veste uma carapaça de cinismo, mas por baixo há só cansaço, desprendimento e auto-ironia feroz: «De vez em quando distraio-me, fico humano.»
A estratégia é esquecer o passado, sabendo que o passado – caótico, confuso, implacável – virá sempre ter com ele. E vem. Um novelo onde se misturam os traumas da guerra colonial (Guiné), as memórias da emigração (Venezuela), o sangrento apocalipse das ilusões revolucionárias (Angola) e os labirintos da História. As pessoas que importa seguir são as que não deixam rasto, as que «preferem a sombra». Como Adelino Fontoura, chave perdida de uma narrativa «sem solução», sem fecho, mesmo depois de cumpridas todas as vinganças.
No fim, há como que uma passagem de testemunho (para Isaltino) e paira no ar a hipótese de que Jaime Ramos talvez se afaste de vez, da actividade policial e da literatura que o inventou. Esperemos que não.

Avaliação: 7,5/10

[Versão ampliada de um texto publicado no suplemento Actual, do semanário Expresso]



Comentários

31 Responses to “Um policial introspectivo”

  1. Luisa on Outubro 13th, 2009 23:01

    “meteorologia atormentada”? lol Por Toutátis, estes gauleses estão loucos…

  2. Hugo Carreira on Outubro 14th, 2009 7:36

    Aparece aqui ( http://mascarachicote.blogspot.com/2009/10/tentei-fazer-piadas-mas-coisa-teve-de.html ) um comentário sobre a ética de se escrever uma crítica a um livro de alguém com quem se mantém uma relação profissional — como acontece entre o José Mário Silva e o Francisco José Viegas. Apesar de ser um anónimo quem o escreve, e de se encontrarem no blogue outras farpas dirigidas ao JMS, parece-me pertinente a questão.

  3. Luisa on Outubro 14th, 2009 11:22

    Só um autor e um editor parolos poriam uma frase promocional dessas na capa…

  4. Luisa on Outubro 14th, 2009 11:30

    Quanto à “ética” do Sr. JMS, estamos conversados, apesar desse texto que o Hugo indica ser MUITO bem escrito. O EXPRESSO já tinha perdido grande parte da credibilidade que chegou a ter (graças a “críticos” como o “saudoso” Venâncio e quejandos), e vai agora começar a perder ainda mais leitores, como é óbvio. A LER vai pelo mesmo caminho (e ninguém falou do imenso favor prestado por um dos autores da Quetzal, o Sr. “Casanova”, à editora, ao escrever sobre o Bolaño na última edição da revista… dirigida pelo responsável dessa editora). E o Sr. Viegas, o propulsor de carreiras tão distintas como as da Rebelo Pinto e do Luis MIguel Rocha, continuará a engordar. O Reino da Dinamarca já não está podre: está em decomposição…

  5. MM on Outubro 14th, 2009 12:12

    para além dos aspectos formais ( diálogos excelentes, domínio do ritmo narrativo) o livro é absolutamente comovente e é-o de duas formas: pelo passado que regressa constantemente e que sabemos agora não resolvido e doloroso e pelo presente de um homem cansado da vida, desiludido, estátua à chuva numa ponte, sem memória e tendo perdido a capacidade de ouvir os outros, numa espécie de defesa (provavelmente inconsciente) contra um mundo de que foi sempre mais espectador do que actor.

    quanto à pretensa promiscuidade entre críticos, autores, editores, etc, o que tenho a dizer é que num país pequeno em que muito pouca gente lê livros e menos gente ainda escreve e faz crítica literária é natural que nos cruzemos todos uns com os outros. daí a inferir que o crítico elogie o livro do escritor que conhece ou do editor a que está ligado revela má fé e suspeitas de desonestidade que nenhum acto até hoje (que eu conheça) do José Mário Silva deixe pressupor.
    MM

  6. Jonas on Outubro 14th, 2009 12:55

    Também me parece pertinente a questão, embora eu julgue ter também uma pergunta pertinente para fazer: a Ler terá de recorrer a alguém externo para fazer a recensão do livro do “chefe”, pois nenhum dos “subordinados” o conseguirá fazer com toda a correcção ética?
    Assim sendo, quem trabalha na crítica literária não poderá nunca ser autor? Ou quem trabalha na edição, na distribuição, e por fora?

  7. Luisa on Outubro 14th, 2009 14:06

    “a Ler terá de recorrer a alguém externo para fazer a recensão do livro?”

    É óbvio que sim, caro Jonas. Não conheço nenhum realizador de cinema que seja crítico ao mesmo tempo, por exemplo. Um crítico, por definição e inerência de posto, deve ser INDEPENDENTE, ou seja, observar com distanciamento o objecto que critica.

    O sr. JMS traduz para e publica livros em editoras nacionais (não espanholas ou checas ou búlgaras), ou seja, é PAGO pelas editoras, logo devia declarar uma mudança de carreira e abster-se de publicar críticas seja em que jornal ou revista portuguesa for. O mesmo para o Sr. “Casanova”. A ética profissional é um valor absoluto, não varia consoante a demografia ou os hábitos sociais de um país.

  8. cinéfilo compulsivo on Outubro 14th, 2009 14:16

    A Sra. Luisa está cheia de certezas sobre o que se pode e não pode fazer na crítica literária. A Sra. Luisa diz que o Sr. JMS e o Sr. Casanova não podem escrever recensões e espera-se que eles não se atrevam a mexer na caneta, que ela não deixa, que ela é que sabe. A Sra. Luisa é que determina o que é legítimo, o que é ético, o que é legar. A Sra. Luisa é uma sumidade, uma luminária, uma iluminada.
    E como a Sra. Luisa tem sempre razão em tudo, se ela não conhece “nenhum realizador de cinema que seja crítico ao mesmo tempo”, então é porque é verdade. Ouviram aí ao fundo, meus caros Jean-Luc Godard, François Truffaut, Alain Resnais, Jacques Rivette, Claude Chabrol e Eric Rohmer, suas gloriosas inexistências?

  9. Rodrigo Sousa on Outubro 14th, 2009 14:44

    Ah, ah, ah. Boa malha, cinéfilo.
    De facto, o tom pressecutório e moralista dos que vêm para aqui perorar sobre a legitimidade do autor do blogue para escrever sobre livros mete dó. É a fúria dos pequeninos, dos invejosos, dos que não fazem nem deixam fazer.
    Eu não conheço o José Mário Silva de lado nenhum, mas gosto de ler as suas opiniões literárias e louvo o trabalho que nos oferece aqui, de borla, todos os dias.
    A mim, não me faz confusão nenhuma que os críticos escrevam sobre livros de pessoas que conhecem, ou até de quem são amigos. Como disse MM, somos um país demasiado pequeno para que esses cruzamentos não aconteçam com alguma frequência. O crítico bacteriologicamente puro, que não conhece ninguém (nem escritores, nem editores, nem actor nenhum do meio editorial) é uma aberração.
    A única coisa que interessa aqui é a seriedade com que as opiniões são dadas. Será que JMS fez um favor a Francisco José Viegas? Não me parece. Foi desonesto ou parcial na sua avaliação? Não me parece. No meu entender, escreveu sobre este livro como escreveu sobre muitos outros, de autores que certamente não conhece pessoalmente. E é assim que deve ser.
    Em suma, ou reconhecemos a qualidade, independência e honestidade intelectual de quem opina, ou não reconhecemos. E quem não reconhece, pode ir bater a outras portas (se é que existem portas que resistam ao escrutínio desta nova ASAE literária).
    No lugar do JMS, eu estaria enojado com tanta suspeição mal intencionada que lhe atiram para cima. E talvez não tivesse tanta paciência para a aturar. Mas eu sou só um ex-bolseiro desempregado, estou felizmente a salvo deste tipo de ingratidão selvagem.

  10. maria n. lopes on Outubro 14th, 2009 14:47

    LOL, caro cinéfilo.
    Faltou só acrescentar que não só Jean-Luc Godard, François Truffaut, Alain Resnais, Jacques Rivette, Claude Chabrol e Eric Rohmer foram críticos e realizadores, como se atreveram, ó suprema heresia, a escrever textos uns sobre os outros.
    Venham as Luisas deste mundo para banirem estes salafrários, de uma vez por todas, da História do Cinema…

  11. Luisa on Outubro 14th, 2009 14:48

    Caro “Cinéfilo”, curioso que só dê exemplos franceses (tem quantos anos: 18 ou 58?)… 😉 E nenhum desses nomes era já “crítico”, quer na Positif quer na Cahiers, quando a(s) sua(s) carreira(s) de cineastas estavam em andamento: seriam quando muito divulgadores, entrevistadores selectivos (o livro de entrevistas com o Hitchcock do Truffaut) ou agitadores (no caso dos anos 70 para o Godard). “Críticos” não. Consegue contradizer-me com factos? Fico à espera.

    Até lá, parafraseio o Martin Luther King quando falava da justiça universal, dizendo que qualquer acto de violação da ética profissional, por mais pequeno e aparentemente “inocente”, é um atentado à ideia de ética em todo o mundo. E o Luther King não era “crítico”, imagine.

  12. Luisa on Outubro 14th, 2009 15:02

    “Será que JMS fez um favor a Francisco José Viegas? Não me parece.”

    Fez, pelo menos dois. O de lançar as críticas ao Bolaño e ao “Mar em Casablanca” precisamente na altura do lançamento dos livros, duas críticas quase consecutivas. Vá perguntar à Quetzal ou à Porto se se teriam importado que as críticas saíssem 3 meses depois… 😉 Pode tentar defender a sua posição afirmando que TODAS as críticas na Actual são a livros lançados ou à venda nessa semana, mas acho que nem você é tão inocente para acreditar nisso…

  13. Jonas on Outubro 14th, 2009 15:34

    Luísa, percebo esta última intervenção, mas parece-me (como dizê-lo…?) “academicamente inconsistente” estar a utilizar uma amostra fortuita para qualificar a credibilidade da Actual, se me quiser conquistar a atenção com esse argumento, terá de o sedimentar.

    Isto pode ser embaraçoso para mim, mas é a verdade, tenho de viver com ela: prefiro ter uma crítica menos ética (ou menos profissional, ou comercialmente comprometida, é-me indiferente) publicada no momento do lançamento do livro, como acontece nos país mais evoluídos, do que tê-la passados os tais tenebrosos três meses.

    Eu era um cliente assíduo do João Pedro George, mas o seu ataque às capelinhas não me pareceu perfeitamente justo ou fundamentado.

  14. José Mário Silva on Outubro 14th, 2009 16:17

    Luísa,

    Tentarei responder mais tarde (e com mais calma) a algumas das questões levantadas neste thread. Mas este seu último comentário, perdoe-me a franqueza, é de bradar aos céus. Agora acusa-me de ter publicado recensões no momento em que os livros saíram? Vê-se mesmo que não acompanha o suplemento ‘Actual’. Se for à hemeroteca, pode comprovar que esse acompanhamento imediato, na altura em que os livros saem, é uma prática permanente do suplemento. Além da Quetzal e da Porto Editora, quase todas as outras editoras (da Dom Quixote à Lua de Papel, passando pela Teorema, pela Assírio & Alvim, pela Relógio d’Água, Cotovia, Caminho, etc., etc.) tiveram a mesma sorte. E desde quando é que é errado falar dos livros no momento em que eles saem?

  15. Luisa on Outubro 14th, 2009 16:21

    “uma amostra fortuita”?

    Pelo contrário, Jonas, estou a falar-lhe da REGRA no Expresso/Actual: um atraso sistemático na publicação das criticas (mínimo 1 mês após a saída, máximo…. o infinito), que prejudica, como bem diz, leitores, mas também livreiros e editores.

    As excepções, raras, estão à vista e parem-me obedecer a critérios extra-literários, que são os ÚNICOS que deviam pautar o trabalho de um crítico, mas antes a factores como o buzz mediático ou a “proximidade” afectiva entre críticos e editores/autores. E continuo a dizer que, ao fazer isso, o EXPRESSO está a minar a sua própria credibilidade, sem necessidade de quem venha fazê-lo por ele.

  16. Luisa on Outubro 14th, 2009 16:24

    “pode comprovar que esse acompanhamento imediato, na altura em que os livros saem, é uma prática permanente do suplemento”

    Você só pode estar a brincar, JMS! lol Começo sinceramente a recear pela sua saúde…

  17. Luisa on Outubro 14th, 2009 16:35

    “Além da Quetzal e da Porto Editora, quase todas as outras editoras (da Dom Quixote à Lua de Papel, passando pela Teorema, pela Assírio & Alvim, pela Relógio d’Água, Cotovia, Caminho, etc., etc.)”

    Pois, é esse “etc, etc” que parece ficar de fora, caro JMS. 😉 Bem, pelo menos já temos uma lista das editoras a quem o EXPRESSO nunca falha 😉

  18. Safaa on Outubro 14th, 2009 17:00

    “Se for à hemeroteca, pode comprovar que esse acompanhamento imediato, na altura em que os livros saem, é uma prática permanente do suplemento.”

    Permitam-me a breve interrupção, mas vou discordar nessa parte. E posso dar um exemplo. Apesar de não a ter citado, a editora Saída de Emergência lançou em Julho uma antologia comemorativa dos 40 anos da chegada à Lua. Ora a antologia aproveitou um breve momento de grande atenção mediática nessas semanas de Julho que culminaram no dia 20, o célebre dia da alunagem. Um dos críticos da Actual pediu-me um exemplar quando anunciámos essa novidade, dizendo que tinha artigo combinado para o Expresso.

    O livro foi enviado e quando se esperava que a crítica fosse publicada por volta do dia 20, que era a data em que fazia todo o sentido, só saiu na Actual a… 5 de Setembro… quando o livro já não era uma novidade e o interesse pela Lua se desvanecera. Portanto, essa sua frase, José Mário Silva, de que o “acompanhamento imediato, na altura em que os livros saem, é uma prática permanente do suplemento” só deve ser válida para certas editoras, porque para a Saída de Emergência não o foi.

    Apesar disso, agradeço a crítica que saiu e confesso que toda esta discussão em torno do papel do crítico encorajou-me a escrever no meu próprio blogue um texto. :)

    Safaa Dib

  19. MM on Outubro 14th, 2009 17:42

    o que eu propunha era que lessem os livros antes de fazerem julgamentos. o que o josé mário silva escreveu sobre o mar em casablanca não é nenhum favor ao francisco josé viegas, como já escrevi anteriormente. o crítico aponta-lhe, mesmo, ” talvez falta de golpe de asa”. e, para quem está minimamente atento às avaliações dadas aos livros, este recebe 7,5 num ano em que os 10 proliferaram demasiado indistintamente. pelo contrário, eu, que não sou amiga nem conheço pessoalmente o josé mário silva, seria tentada a falar em excesso de zelo neste caso.
    de qualquer forma, nunca deixará de me espantar que só se fale de ética, responsabilidade, isenção, etc em questões literárias e que seja preciso ir buscar luther king. e não, não são só franceses “agitadores” (!) ou divulgadores ou o que queira chamar-lhes de depreciativo, a não ser que martin scorsese tenha mudado de nacionalidade sem eu ter tido conhecimento
    MM

  20. Mr. Jim on Outubro 14th, 2009 18:12

    Eu só me pergunto se a Luisa que decidiu invadir esta caixa de comentário não tem mais nada que fazer. Sem querer ofender, parece aquelas mulheres que não arredam pé da porta dos ex-maridos, dizendo a cada pessoa que passa quão mau ele era, vejam lá bem. Please, não há paciência para este grau de ressabiamento.
    E porquê este ataque em força contra o ‘Actual’? Não haverá da parte da Sr. Luísa interesses escondidos? Porque é que ela não faz uma análise comparada com a secção de livros do Público, por exemplo? Será que é melhor do que a do ‘Actual’, mais abrangente, mais ecléctica? Há pessoas que se limitam a falar de cor. Não admira que digam tantas asneiras.

  21. Luisa on Outubro 14th, 2009 18:28

    Caro/a Mr. (Ms.?) Jim, e o Martin Scorsese foi ou é crítico onde, em que jornal ou revista? E quem vem ele fazer aqui à discussão? Parece que as “asneiras” estão a contagiá-lo/a.

    Veja se percebe: um escritor (como o JMS já é, ainda que de forma muito incipiente) ou um realizador não vão ser pagos por uma revista ou jornal para “criticarem” livros ou filmes dos seus colegas escritores ou realizadores, pois não? Se não concorda com isto, então está na discussão errada ou está errado/a na discussão.

  22. Luisa on Outubro 14th, 2009 18:44

    O meu último comentário foi dirigido, por lapso, ao Mr. Jim quando era para a MM, à qual pedia encarecidamente uma prova da actividade de crítico de Martin Scorsese.

  23. anónimo on Outubro 14th, 2009 18:46

    Para a Luisa, só tenho três palavras: get a life.

  24. Luisa on Outubro 14th, 2009 18:56

    Já tenho uma, como livreira. Quer dar-me mais uma? Que tem para oferecer? A como anda a vida por aí?

  25. Mr. Jim on Outubro 14th, 2009 18:58

    Tenha lá calma, Luisa. A sua presença aqui já começa a tornar-se patética, e não me refiro aos tiros dirigidos às pessoas erradas. A sua fúria tolda-lhe o raciocínio e impede-a de se calar (o que já devia ter feito há muito tempo, para seu e nosso bem).
    Com que então «um escritor (como o JMS já é, ainda que de forma muito incipiente) ou um realizador não vão ser pagos por uma revista ou jornal para “criticarem” livros ou filmes dos seus colegas escritores ou realizadores, pois não?»
    Presumo que isso queira dizer que o Pedro Mexia, o Eduardo Pitta, o José Riço Direitinho, a Ana Cristina Leonardo, o Gastão Cruz, o Manuel de Freitas, o Carlos Bessa, o José Guardado Moreira e 90% dos críticos em actividade não poderão publicar mais recensão nenhuma? É isso?
    Por favor, até o ridículo deve ter os seus limites.

  26. curioso on Outubro 14th, 2009 19:04

    Mas o certo é que o sr. José Mario Silva ainda respondeu a uns bons pontos feitos aqui, em especial ao da tal infalibilidade de timing nas criticas da Actual. Aguardamos, sr. Silva.

  27. Luisa on Outubro 14th, 2009 19:09

    “Presumo que isso queira dizer que o Pedro Mexia, o Eduardo Pitta, o José Riço Direitinho, a Ana Cristina Leonardo, o Gastão Cruz, o Manuel de Freitas, o Carlos Bessa, o José Guardado Moreira e 90% dos críticos em actividade não poderão publicar mais recensão nenhuma?”

    Fantástico, Mr. Jim, FINALMENTE entendeu! :) E não reconheço validade como “críticos” a mais de 80% dos nomes que aí menciona (com nobres excepções).
    Estou tão feliz por tê-lo finalmente do meu lado da barricada, até por presumir, da sua prosa, que é um membro da classe “crítica” ou aspirante a tal…

  28. Luisa on Outubro 14th, 2009 19:15

    O T. S. Elliot nunca quis viver da escrita, mas viveu dentro do ofício da literatura. Foi crítico? Nem pensar. Abriu o jogo: trabalhou na Faber & Faber anos seguidos. Ora aí está o que eu sugeriria ao Sr. JMS e a esses excelsos críticos que o aprendiz Mr Jim tão ordenadamente enumerou: vão trabalhar nas editoras que já lhes pagam e onde já trabalham os seus amigos, cônjuges e padrinhos, e deixem a crítica para outros.

  29. maria manuel viana on Outubro 15th, 2009 9:28

    intervenho pela última vez — a injustiça foi-me sempre insuportável. centremo-nos no essencial: o papel de José Mário Silva enquanto crítico e divulgador literário.
    leio habitualmente 4 blogues: este, o da literatura, a natureza do mal e a ana de amesterdão. os 2 primeiros (que são os que interessam neste caso) habituaram-me ao rigor da escrita e da análise e informaram-me de muito do que se passa no campo literário. com o tempo, e por experiência própria, aprendi a confiar no critério do Eduardo Pitta e do José Mário Silva. quando discordei, disse-o de forma clara nos comentários, apresentando os meus argumentos. não sou amiga do José Mário Silva nem nunca sequer nos cruzámos. no entanto, não poderei nunca agradecer-lhe suficientemente o ter-me feito descobrir toda uma geração de poetas (que não têm máquinas editoriais, nem lançamentos, nem prateleiras em livrarias, nem “qualidades”) que doutra forma eu nunca teria lido.
    MM

  30. rui on Outubro 15th, 2009 14:56

    O Casanova nem foi muito encomiástico sobre o 2666, não me parece haver qualquer tipo de favor. O mesmo se diga da crítica do JMS ao livro de FJV, que me parece imparcial. Mas de facto julgo que era de elementar bom senso JMS não escrever sobre o “patrão”. Por exemplo, a critica do Publico sobre o livro de A.L.Coelho é assinada por uma pessoa de fora, O.M.Silvestre.
    Mas tudo depende do julgamento dos leitores, do que estes acharem da isenção do crítico. Eu continuarei a ler e a considerar a opinião de JMS.

  31. Pedro Lérias on Outubro 20th, 2009 13:05

    Preferi que isto acalmasse um pouco antes de acrescentar um dado que penso ajuda a perceber mais os contornos pouco felizes desta questão. Segundo o blogue do livro:

    “José Mário Silva, que em devido tempo anunciou a sua viagem com FJV, assina, na edição de hoje da revista Única, uma excelente reportagem com o autor no encalço do inspector Jaime Ramos bem como uma crítica “4 estrelas” no suplemento Actual.”

    Isto faz-me recordar os ‘jornalistas’ de viagens que recebem pacotes de férias pagos para depois dizerem muito bem dos resorts.

    Uma viagem pessoal com o autor, paga talvez pela editora do livro, para depois se fazer uma crítica ao livro, que, curiosamente dá 4 em cinco estrelas?

    Contornos infelizes. Muito comprometem a imagem de isenção da crítica.

    Mas talvez seja o modus operandis destas coisas e eu, que nada tenho a ver com o mundo literário mas sim com o mundo da ciência, que se quer mais isento mas que também não o consegue, é que seja ingénuo.

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges