Viagem ao centro da Biblioteca Nacional

Comboios de Livros
Autores: Duarte Belo e Maria Inês Cordeiro
Editora: Assírio & Alvim
N.º de páginas: 159
ISBN: 978-972-37-1445-6
Ano de publicação: 2009

Na gíria dos bibliotecários, uma estante é um «comboio de livros». Nas prateleiras-carruagens, os volumes juntam-se, acumulam-se, ordenam-se e esperam o momento em que alguém os convoque para a viagem extraordinária que é a leitura. Levando a metáfora ao limite, as bibliotecas seriam estações ferroviárias com múltiplas linhas e a Biblioteca Nacional (BN) corresponderia à maior de todas elas, uma utópica estação central para onde convergem todos os carris e comboios possíveis.
É ao interior desse monstro de organização e papel, esse imenso depósito de tudo o que se imprime no país desde há séculos, que este livro nos transporta. O olhar do fotógrafo Duarte Belo demorou-se nos muitos tesouros que a BN partilha (com os investigadores dos mais variados temas), preserva e resguarda: mapas, pergaminhos, incunábulos, partituras, manuscritos, correspondência de escritores, jornais antigos, volumes em Braille, microfilmes, acervos de bibliófilos, livros muito raros. A acompanhar as imagens, bloco a bloco, o texto de Maria Inês Cordeiro vai explicando a estrutura, o funcionamento e as particularidades técnicas da BN, da Sala de Leitura aos sistemas de catalogação, da Torre do Fundo Geral às áreas onde os volumes são expurgados dos insectos que os devoram, dos cofres onde se guardam os exemplares mais preciosos aos longos corredores que cruzam um edifício sempre em expansão.
A abordagem é bastante completa e não falta sequer um enquadramento histórico (menciona-se o alvará que criou a Real Biblioteca Pública da Corte, em 1796, e os vários espaços por onde a maior biblioteca do país foi passando: Torreão Ocidental do Terreiro do Paço, Convento de S. Francisco, Campo Grande), mas lamenta-se que a prosa assuma um registo tão institucional, por vezes a raiar o pomposo e quase sempre excessivamente didáctico.
A paginação das fotografias é inteligente, criando o seu próprio discurso, embora a falta de legendas lhe retire, nalguns casos, a necessária legibilidade.

Avaliação: 6/10

[Texto publicado no suplemento Actual, do semanário Expresso]



Comentários

One Response to “Viagem ao centro da Biblioteca Nacional”

  1. Maria Emília Morais on Novembro 28th, 2009 10:40

    Não consigo encontrar um livro que necessito.
    É “O azulejo, técnicas e padrões” de Ana de Jesus Rui L.Almeida
    Pretendo saber se existe na Biblioteca Nacional e se o posso fotocopiar lá.
    Aguardo resposta Maria Emília

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges