Justiça poética

No Zoo de Lagos, como no de Lisboa, muitos animais são apadrinhados por empresas. Há pássaros coloridos com patrocínio da Robbialac, pelicanos a merecerem apoio do Montepio Geral, etc. A lógica é simples, previsível até. Mas há quem a subverta. Por exemplo, num gesto de provocação (ou será apenas honestidade?) uma sociedade de advogados decidiu patrocinar o Bufo Real.



Comentários

5 Responses to “Justiça poética”

  1. xico on Julho 30th, 2010 19:09

    Não me parece nem provocação nem honestidade.
    Acontece que o bufo real é uma coruja.
    E é sabido, ou deveria sê-lo, que a coruja é um dos animais totem dos advogados, bem como dos filósofos.
    Não vale a pena extrapolar.

  2. Grunho on Julho 30th, 2010 20:39

    Caro José Mario Silva.
    Desculpa lá mas o bufo real é uma ave imponente e lindíssima.
    Os advogados que se lixem.

  3. isabel ribeiro on Julho 31st, 2010 14:13

    Adorei. Hilariante. As diferentes épocas históricas estão repletas de estórias, onde a justiça deixa muito a desejar. Dos meus 13 anos de ensino num estabelecimento prisional, muitas estórias me foram dadas a conhecer – situações arrepiantes, angustiantes, desprezíveis, ridículas, irónicas e as de “colarinho branco” – tomando como termo de comparação as noticias reais, que se iam conhecendo e os escândalos que saltavam para a praça público. Porém, uma certeza existia, quando a leitura do acordão se aproximava. O desenlace dependeria da capacidade de defesa do advogado, da sua perspicácia, inteligência, tenacidade… quer se tratasse do ataque ao réu, quer na defesa da vítima. E os “bufos” dão muito jeito, quando reais…ouro sobre azul, como manda a monarquia.

  4. José Mário Silva on Agosto 1st, 2010 14:41

    É claro que o bufo real é uma ave lindíssima. E sim, a coruja é o símbolo dos advogados. Eu limitei-me a aproveitar uma associação com graça, porventura involuntária. Nada mais.

  5. isabel ribeiro on Agosto 1st, 2010 20:15

    As conotações e denotações… levam a confusões e suspeita de falta de informações…
    Quem irá apadrinhar as serpentes?

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges