Lançamento de ‘Cerco Voluntário’, de Vasco Gato
As “Quintas de Leitura” acolhem esta noite, a partir das 22h00, no Café-Teatro do Teatro Carlos Alberto, o poeta Vasco Gato, que lançará o livro Cerco Voluntário, 13.º título da colecção “Cadernos do Campo Alegre”. Catarina Nunes de Almeida falará sobre a obra e lerá, com o actor Pedro Lamares e o autor, alguns poemas. Haverá ainda performance (Rouge, de Sónia Baptista) e música, primeiro com Marta Bernardes, Henrique Fernandes e as Balla Prop, depois com Tó Trips, membro da banda Dead Combo, que dará a conhecer temas do novo disco (Guitarra 66).
A entrada é livre, sujeita a levantamento de bilhete até ao limite da lotação da sala.
Alguns poemas do livro podem ser lidos aqui.
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One Response to “Lançamento de ‘Cerco Voluntário’, de Vasco Gato”
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Excepcionalmente, peço ao José Mário o espaço visível do seu blogue que, não sendo generalista, é um sítio de livros e estes tratam da vida. E também da morte. Miguel Esteves Cardoso comenta no Público de hoje um artigo de Helena Matos sobre a ideia, tornada um facto, do afastamento de complexos empresariais ligados às questões logísticas de carácter fúnebre, ao IPO e por aí, das zonas mais centrais de Lisboa. Acompanhar aquele que, de corpo presente, está já sem vida é uma cerimónia íntima, familiar e, inevitàvelmente social. Por ali passam em homenagem, e pela última vez, aqueles que o querem fazer. É uma exposição pública antes da passagem para a outra banda. Pública. É social, é social, é social. Mas é que a sociedade não gosta. Curte, sim, aquela coisa tão irritante como já tem dito Francisco José Viegas “o mito da eterna juventude” e muita beleza física. Pois, meus amigos vou-lhes contar uma novidade biológica que aí em Lisboa se esquece muito: os órgãos humanos (exteriores e interiores) têm um tempo de vida e o que se segue chama-se morte. Bem a maioria de nós gosta de viver, de se cuidar, de ser bonito mas não há como dar a volta à tal questão.
SOMOS SERES PARA A MORTE.
E se houver espaços profissionalizados, modernos, atentos, com profissionais de todas as idades que resolvem, embelezam e dignificam essas últimas horas com os vivos, só temos é que lhes dar lugar. A ideia do cangalheiro dos westerns é válida culturalmente como marco histórico e relato social mas está um pouco ultrapassada. Haver quem, ainda que pago, nos trate o corpo sem vida é um bem.
Não é bonito não, ver a mulher de cabelos sem vida, olhos fechados, num corpo amarelado, baço, de mamas a esconder-se nas axilas (se é que ainda existem), e o sexo, os sexos desejados, tão amados ficam ali, depostos, mirrados em pele enrugada com ou sem pêlos.
Não se quer isto e é o que eles tratam. Com maior ou menor simplicidade consoante os gostos.
E não, não sou uma velha ‘feia e enrugada’ de mal com a vida.
Celebro-a, mas SEI DA MORTE.
Têm muita razão Helena Matos e Miguel Esteves Cardoso.
Obrigada bibliotecario de babel.
Maria do Carmo Caeiro Mósca