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	<title>Comentários em: Lançamento de &#8216;Cerco Voluntário&#8217;, de Vasco Gato</title>
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	<description>Sobre livros e literatura, autores e editoras. Por José Mário Silva.</description>
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		<title>Por: C</title>
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		<dc:creator>C</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 19 Dec 2009 15:35:40 +0000</pubDate>
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		<description>Excepcionalmente, peço ao José Mário o espaço visível do seu blogue que, não sendo generalista, é um sítio de livros e estes tratam da vida. E também da morte. Miguel Esteves Cardoso comenta no Público de hoje um artigo de Helena Matos sobre a ideia, tornada um facto, do afastamento de complexos empresariais ligados às questões logísticas de carácter  fúnebre, ao IPO e por aí, das zonas mais centrais de Lisboa. Acompanhar aquele que, de corpo presente,  está já sem vida é uma cerimónia íntima, familiar e, inevitàvelmente social. Por ali passam em homenagem, e pela última vez, aqueles que o querem fazer. É uma exposição pública antes da passagem para a outra banda. Pública. É social, é social, é social. Mas é que a sociedade não gosta. Curte, sim, aquela coisa tão irritante como já tem dito Francisco José Viegas &quot;o mito da eterna juventude&quot; e muita beleza física. Pois, meus amigos vou-lhes contar uma novidade biológica que aí em Lisboa se esquece muito: os órgãos humanos (exteriores e interiores) têm um tempo de vida e o que se segue chama-se morte. Bem a maioria de nós gosta de viver, de se cuidar, de ser bonito mas não há como dar a volta à tal questão. 
SOMOS SERES PARA A MORTE. 
E se houver espaços profissionalizados, modernos, atentos, com profissionais de todas as idades que  resolvem,  embelezam e dignificam essas últimas horas com os vivos, só temos é que lhes dar lugar. A ideia do cangalheiro dos westerns é válida culturalmente como marco histórico e relato social mas está um pouco ultrapassada. Haver quem, ainda que pago, nos trate o corpo sem vida é um bem. 
Não é bonito não, ver a mulher de cabelos sem vida, olhos fechados, num corpo amarelado, baço, de mamas a esconder-se nas axilas (se é que ainda existem), e o sexo, os sexos  desejados, tão  amados ficam ali, depostos, mirrados em pele enrugada com ou sem pêlos. 
Não se quer isto e é o que eles tratam. Com maior ou menor simplicidade consoante os gostos.
E não, não sou uma velha &#039;feia e enrugada&#039; de mal com a vida.
Celebro-a,  mas SEI DA MORTE.
Têm muita razão Helena Matos e Miguel Esteves Cardoso.
Obrigada bibliotecario de babel.

Maria do Carmo Caeiro Mósca&lt;ul&gt;&lt;/ul&gt;</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Excepcionalmente, peço ao José Mário o espaço visível do seu blogue que, não sendo generalista, é um sítio de livros e estes tratam da vida. E também da morte. Miguel Esteves Cardoso comenta no Público de hoje um artigo de Helena Matos sobre a ideia, tornada um facto, do afastamento de complexos empresariais ligados às questões logísticas de carácter  fúnebre, ao IPO e por aí, das zonas mais centrais de Lisboa. Acompanhar aquele que, de corpo presente,  está já sem vida é uma cerimónia íntima, familiar e, inevitàvelmente social. Por ali passam em homenagem, e pela última vez, aqueles que o querem fazer. É uma exposição pública antes da passagem para a outra banda. Pública. É social, é social, é social. Mas é que a sociedade não gosta. Curte, sim, aquela coisa tão irritante como já tem dito Francisco José Viegas &#8220;o mito da eterna juventude&#8221; e muita beleza física. Pois, meus amigos vou-lhes contar uma novidade biológica que aí em Lisboa se esquece muito: os órgãos humanos (exteriores e interiores) têm um tempo de vida e o que se segue chama-se morte. Bem a maioria de nós gosta de viver, de se cuidar, de ser bonito mas não há como dar a volta à tal questão.<br />
SOMOS SERES PARA A MORTE.<br />
E se houver espaços profissionalizados, modernos, atentos, com profissionais de todas as idades que  resolvem,  embelezam e dignificam essas últimas horas com os vivos, só temos é que lhes dar lugar. A ideia do cangalheiro dos westerns é válida culturalmente como marco histórico e relato social mas está um pouco ultrapassada. Haver quem, ainda que pago, nos trate o corpo sem vida é um bem.<br />
Não é bonito não, ver a mulher de cabelos sem vida, olhos fechados, num corpo amarelado, baço, de mamas a esconder-se nas axilas (se é que ainda existem), e o sexo, os sexos  desejados, tão  amados ficam ali, depostos, mirrados em pele enrugada com ou sem pêlos.<br />
Não se quer isto e é o que eles tratam. Com maior ou menor simplicidade consoante os gostos.<br />
E não, não sou uma velha &#8216;feia e enrugada&#8217; de mal com a vida.<br />
Celebro-a,  mas SEI DA MORTE.<br />
Têm muita razão Helena Matos e Miguel Esteves Cardoso.<br />
Obrigada bibliotecario de babel.</p>
<p>Maria do Carmo Caeiro Mósca
<ul></ul>
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