Ao cuidado do Senhor Palomar:
«Abri um vinho, nos sentamos à mesa, contei a ela sobre meus projectos futuros, como o de reescrever Morte a crédito, de Céline. Expliquei-lhe que manteria a história intocada, personagens, enredo, não alteraria nada, exceto a pontuação.
Não entendo como um escritor como Céline, expliquei, pode usar reticências e pontos de exclamação de forma tão abusiva. Há páginas de Morte a crédito, continuei, que parecem a técnica didática preencha-as-lacunas, tamanha é a quantidade de reticências. Reticência é recurso de indeciso. E exclamação, de escritor deslumbrado. Céline não me parece nem uma coisa nem outra.»
[in Jonas, o copromanta, de Patrícia Melo, Campo das Letras, 2009]
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3 Responses to “Ao cuidado do Senhor Palomar:”
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O David Mourão Ferreira também se manifesta no conto “Trepadeira Submersa” anti-exclamativamente. Cito de cor: “(…) poucas coisas na vida merecem um ponto de exclamação – e muito menos uma maiúscula.” Ora toma!…
claro… a “grande” escritora patrícia melo a dar lições de pontuação através de uma das suas personagens ao fraquinho céline… de seguida, o trio de “grandes” escritores (melo, silva e palomar) hão-de dar conselhos a flaubert, esse abominável adorador de pontos de exclamação.
Em texto de Patrícia não se pode esquecer de uma das ferramentas mais interessantes da literatura: a ironia. Ela usa a ironia com muito talento.