Bibliotecas
«Injustamente caluniadas como sendo demasiado velhas e sujas ou demasiado modernas e frias –, as bibliotecas públicas têm todas uma coisa em comum. As suas prateleiras estão pejadas de portas para mundos que se podem espreitar de graça. Estes buracos de caruncho vão levá-lo às entranhas da classe política na Grécia Antiga, às fotografias pervertidas dos manuais de fotografia, às vidas amorosas das pessoas nas mansões vitorianas, à mecânica quântica, aos jardins japoneses, à construção de catapultas, às escapadelas sexuais de fidalgos drogados, aos iguanodontes, aos dicionários cheios de excitantes palavrões novos, à mente de Richard Brautigan – a lista é literalmente interminável! E além disso, claro, há a alegre senhora idosa com um casaco de malha, que sorri delicadamente sempre que você aparece, mas que você está convencido de que deve saber tudo e mais alguma coisa sobre o Marquês de Sade. As bibliotecas são MÁQUINAS DO TEMPO. Cheias de tudo o que possa desejar conhecer ou compreender, envolvido no tipo de invólucro que parece tão completamente desprovido de interesse que é preciso ter uma senha secreta para que o seu cérebro esteja disposto a querer entrar. Essa senha é uma combinação de curiosidade e tempo livre.»
[in O livro dos prazeres inúteis, de Tom Hodgkinson e Dan Kieran, Quetzal, 2010]
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One Response to “Bibliotecas”
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Aqui está uma bela descrição de biblioteca pública, a fazer lembrar os tempos áureos das mesmas, em que a informação estava contida exclusivamente nos livros. Dá que pensar o título do livro, sobre a inutilidade da leitura. Afinal a leitura não é útil, é apenas um modo de vida…