O grafitador do bairro

«Numa das paredes exteriores do auditório a frase grafitada:

“O doutor Rojas (cuja história da literatura argentina é mais extensa do que a literatura argentina).”

Todos olharam para o senhor Borges, o grafitador do bairro. O senhor Borges sorriu. Abanou a cabeça e murmurou um pouco convincente: não fui eu.»

[in O Senhor Eliot, de Gonçalo M. Tavares, Caminho, 2010]



Comentários

4 Responses to “O grafitador do bairro”

  1. isabel ribeiro on Novembro 27th, 2010 23:12

    Outro Senhor. Outra maravilha. E aa ilustração mudou de traço. A Rachel Caiano também está de parabéns. Gosto.

  2. Maria Carvalho on Novembro 30th, 2010 13:44

    No seu exemplar, como é a última «conferência»? É que, no meu, só tem a página com o título; e na livraria onde o comprei são todos assim. Se não é engano de impressão, que significado tem uma «conferência» vazia?

  3. José Mário Silva on Novembro 30th, 2010 21:15

    No meu exemplar acontece a mesma coisa, Maria. Já confirmei com a editora. É mesmo assim. Quanto à conferência vazia, acho que a pouca afluência das conferências anteriores chegou ao limite do zero. Não estando sequer presentes o senhor Borges, o senhor Breton e o senhor Swendenborg, a sessão foi simplesmente cancelada e nem o narrador se dignou a registar a ocorrência. Mas pode haver outras interpretações, claro.

  4. Maria Carvalho on Dezembro 2nd, 2010 17:32

    Obrigada.
    [Pois, pode ter sido por isso.]

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges