Primeiros parágrafos

«Tocaram. Abri. Nunca o fizera. No patamar das escadas, com o olhar feroz e o gesto intrépido adquiridos após longos anos de disciplina férrea sob o comando de sargentos desumanos, um funcionário dos correios brandia uma carta registada dirigida à minha pessoa e à minha morada. Antes de receber o envelope, confirmar a minha identidade e assinar o talão, tentei safar-me alegando que ali não vivia tal pessoa, que se tivesse vivido ali estaria agora morta e que, como se isso fosse pouco, o defunto tinha ido de férias na semana anterior. Nem assim.»

[in O Enredo da Bolsa e da Vida, de Eduardo Mendoza, trad. de João Pedro George, Sextante, 2013]



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«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges