Provador de sons

No mais recente livro de Gonçalo M. Tavares, Breves Notas sobre Música (Relógio d’Água), encontrei, logo a abrir, este fragmento:

«Pensar em provadores de música semelhantes aos provadores de vinho. Provam com a orelha: trinta segundos de som e rapidamente percebem o essencial.
Sete orquestras em sete salas diferentes, salas fechadas. O provador de sons abre, uma após outra, cada uma das portas e inclina o seu sistema auditivo na direcção do som durante trinta segundos. Durante trinta segundos de vida nada existe senão trinta segundos de música. Ou seja, não são trinta segundos de vida, são trinta segundos de música. Já está. O provador segue para a sala seguinte. No fim, diz: escolho aquela sala, aquela música.»

Ora aí está uma profissão que eu não me importava de ter.



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«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges