Sublinhar ou não sublinhar

«É raro sublinhar um livro e detesto ler livros sublinhados. Já me devolveram livros completamente riscados de uma ponta à outra, cheios de nódoas e desconjuntados. Irremediavelmente gastos. Essa impressão digital tem o inconveniente de denunciar onde a leitura foi abandonada, ou detectar onde o interesse começou a rarefazer-se.
Creio que não sublinho livros por me terem ensinado a estimá-los.»

[in A Cicatriz do Ar, de Jorge Fallorca, edição do autor, 2009]



Comentários

One Response to “Sublinhar ou não sublinhar”

  1. xico on Janeiro 12th, 2010 17:57

    sublinhar um livro é estimá-lo.
    Se fosse assim como diz o post, jamais abraçaríamos alguém com medo de o amarrotar.
    Eu sublinho os livros e fico muito triste quando os meus livros sublinhados às vezes desaparecem. Posso comprar outros, mas já não posso sublinhá-los, mesmo que os leia já não serão as marcas daquele momento.

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges