Bibliotecário de Babel http://bibliotecariodebabel.com Sobre livros e literatura, autores e editoras. Por José Mário Silva. Thu, 29 Dec 2016 20:16:29 +0000 pt-PT hourly 1 http://wordpress.org/?v=4.2.1 Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-100/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-100/#comments Thu, 29 Dec 2016 20:16:29 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20454 – Entrevista com José Maria Vieira Mendes, a propósito da edição simultânea de Uma Coisa e Uma Coisa Não É Outra Coisa (Cotovia), por Cristina Peres
Os Pobres, de Maria Filomena Mónica (Esfera dos Livros), por Luciana Leiderfarb
O Labirinto dos Espírito, de Carlos Ruiz Zafón (Planeta), por Rui Lagartinho
Poemas Escolhidos, de T. S. Eliot (Relógio d’Água), por Pedro Mexia
Coisas de Adornar Paredes, de José Aguiar (Polvo), por José Mário Silva
Os Preponderantes, de Hédi Kaddour (Porto Editora), por José Guardado Moreira
Aniquilação, de Jeff Vandermeer (Saída de Emergência), por José Mário Silva

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Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-99/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-99/#comments Thu, 22 Dec 2016 20:09:41 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20451 – Entrevista com Benedikt Taschen, o criador da editora Taschen, por Nelson Marques
– Balanço do ano 2016, por Ana Cristina Leonardo, José Guardado Moreira, José Mário Silva, Luís M. Faria, Luísa Mellid-Franco, Manuel de Freitas, Pedro Mexia e Sara Figueiredo Costa

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Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-90/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-90/#comments Fri, 16 Dec 2016 20:01:06 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20449 – Entrevista com Luísa Schmidt, a propósito do livro Portugal: Ambientes de Mudança – Erros, Mentiras e Conquistas (Temas e Debates), por Virgílio Azevedo
– Ensaio sobre o primeiro volume da tradução da Bíblia, de Frederico Lourenço (Quetzal), por José Tolentino Mendonça
Obra Poética – Volume 1, de Ruy Cinatti (Assírio & Alvim), por Pedro Mexia
Zero K, de Don DeLillo (Sextante), por José Mário Silva
Breve História de Sete Assassinatos, de Marlon James (Relógio d’Água), por Luís M. Faria
Desde a Sombra, de Juan José Millás (Planeta), por José Guardado Moreira
A Primeira República, de Miriam Halpern Pereira (Gradiva), por Luísa Pinto Teixeira
Clube dos Haxixins, de Nuno Moura (Douda Correria), por Manuel de Freitas

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Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-98/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-98/#comments Fri, 09 Dec 2016 20:35:53 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20446 Uma Coisa e Uma Coisa Não É Outra Coisa, de José Maria Vieira Mendes (Cotovia), por Cristina Peres
A Gorda, de Isabela Figueiredo (Caminho), por Ana Cristina Leonardo
As Raparigas, de Emma Cline (Porto Editora), por Pedro Mexia
O meu nome é Lucy Barton, de Elizabeth Strout (Alfaguara), por José Mário Silva
O novo Czar, de Steven Lee Meyers (Edições 70), por Luís M. Faria
O Avesso do Império, de Henrique Segurado (Edição do Autor), por Manuel de Freitas

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Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-97/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-97/#comments Fri, 02 Dec 2016 20:26:31 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20444 – Sugestões de Natal, por José Guardado Moreira, José Mário Silva, Luís M. Faria e Pedro Mexia
A Doença, o Sofrimento e a Morte entram num Bar, de Ricardo Araújo Pereira (Tinta da China), por José Mário Silva
Poesia, de Eucanaã Ferraz (Imprensa Nacional-Casa da Moeda), por Pedro Mexia

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Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-96/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-96/#comments Fri, 25 Nov 2016 20:43:51 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20442 A Biblioteca à Noite, de Alberto Manguel (Tinta da China), por José Mário Silva
Vida de Ramon, de Luísa Costa Gomes (D. Quixote), por Luísa Mellid-Franco
A Sul de Nenhum Norte, de Charles Bukowski (Alfaguara), por Pedro Mexia
O que não é teu não é teu, de Helen Oyeyemi (Elsinore), por Luís M. Faria
O Tempo dos Assassinos, de Henry Miller (Antígona), por José Guardado Moreira
A Felicidade da Luz, de António Osório (Assírio & Alvim), por José Mário Silva

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Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-92/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-92/#comments Fri, 18 Nov 2016 20:27:27 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20430 Cinco Séculos à Mesa – 50 Receitas com História, de Guida Cândido (D. Quixote), por Alexandra Carita
Marienbad Eléctrico, de Enrique Vila-Matas (Teodolito), por José Mário Silva
Tudo o que Existe Louvará, de Adélia Prado (Assírio & Alvim), por Pedro Mexia
Manual de Cardiologia, de Fernando Pinto do Amaral (D. Quixote), por José Mário Silva
O Coração do Homem, de Jón Kalman Stefánsson (Cavalo de Ferro), por José Guardado Moreira
Negócios da China, de Anabela Campos e Isabel Vicente (Oficina do Livro), por Jorge Nascimento Rodrigues

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Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-95/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-95/#comments Fri, 11 Nov 2016 20:41:16 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20436 – Entrevista com Karl Ove Knausgard, a propósito do livro No Outono (Relógio d’Água), por Cristina Margato
Lançamento, de Margarida Vale de Gato (Douda Correria), por Pedro Mexia
Correspondência 1949-1978, de Jorge de Sena e Eugénio de Andrade (Guerra & Paz), por Luís M. Faria
Hinário Nacional, de Marcello Quintanilha (Polvo), por José Mário Silva
Ahab e a Baleia Branca, de Manuel Marsol (Orfeu Negro), por Sara Figueiredo Costa
Caderno de Educação Financeira 2, de Vários autores (Trinta por uma Linha), por Carolina Reis
O Crepúsculo em Itália, de D. H. Lawrence (Tinta da China), por José Guardado Moreira

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Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-94/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-94/#comments Fri, 04 Nov 2016 20:34:23 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20434 Bandolim, de Adília Lopes (Assírio & Alvim), por José Mário Silva
Boca Bilingue, de Ruy Belo (Assírio & Alvim), por Pedro Mexia
Estranha Guerra de Uso Comum, de Paulo Faria (Ítaca), por Ana Cristina Leonardo
Cronologias do Portugal Contemporâneo – 1960-2015, de Vário autores (Círculo de Leitores), por José Pedro Castanheira
Obra Completa de Ricardo Reis, de Fernando Pessoa (Tinta da China), por Luís M. Faria
Uma Estranheza em Mim, de Orhan Pamuk (Presença), por José Guardado Moreira

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Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-93/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-93/#comments Fri, 28 Oct 2016 20:32:57 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20432 – Entrevista com Adónis, por Pedro Mexia
O Massacre Português de Wiriamu, Moçambique 1972, de Mustafah Dhada (Tinta da China), por José Pedro Castanheira
Prantos, Amores e outros Desvarios, de Teolinda Gersão (Porto Editora), por José Mário Silva
Sete Anos Bons, de Etgar Keret (Sextante), por José Guardado Moreira
O Árabe do Futuro 2, de Riad Sattouf (Teorema), por José Mário Silva
As Ilhas Gregas, de Lawrence Durrell (Relógio d’Água), por José Guardado Moreira

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– Texto sobre a atribuição do Nobel de Literatura a Bob Dylan, por João Lisboa
Numa Casca de Noz, de Ian McEwan (Gradiva), por José Mário Silva
Ficar na Cama, de G. K. Chesterton (Relógio d’Água), por Luís M. Faria
Estrada Nacional, de Rui Lage (Imprensa Nacional-Casa da Moeda), por Pedro Mexia
O Luto é a Coisa com Penas, de Max Porter (Elsinore), por José Mário Silva
Karen, de Ana Teresa Pereira (Relógio d’Água), por Manuel de Freitas
O Caminho de Ulisses, de Ben Pastor (Clube do Autor), por José Guardado Moreira
Os Hóspedes, de Sarah Waters (Bizâncio), por Luís M. Faria

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O Túnel de Pombos – Histórias da Minha Vida, de John Le Carré (D. Quixote), por Cristina Margato
A Vida como Ela É e O Homem Fatal, de Nelson Rodrigues (Tinta da China), por José Mário Silva
Para Aquela que Está no Sentada no Escuro à Minha Espera, de António Lobo Antunes (D. Quixote), por José Mário Silva
Histórias Aquáticas, de Joseph Conrad (Sistema Solar), por Pedro Mexia
Trinta e Oito e Meio, de Maria Ribeiro (Tinta da China), por António Loja Neves

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Bíblia, Livro I – Novo Testamento, os Quatro Evangelhos, tradução de Frederico Lourenço (Quetzal), por António Marujo
Lavoura Arcaica, de Raduan Nassar (Companhia das Letras), por Pedro Mexia
Homens Bons, de Arturo Pérez-Reverte (ASA), por José Mário Silva
O Intervalo do Tempo, de Jeannete Winterson (Bertrand), por José Guardado Moreira
Avelina, de José Vilhena (E-Primatur), por Luís M. Faria

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O Comboio do Luxemburgo, de Irene Flunser Pimentel e Margarida de Magalhães Ramalho (A Esfera dos Livros), por Luciana Leiderfarb
– Revista Relações Internacionais, n.º 50, de vários autores (Instituto Português de Relações Internacionais), por Manuela Goucha Soares
Paris-Austerlitz, de Rafael Chirbes (Assírio & Alvim), por José Mário Silva
A Vegetariana, de Han Kang (D. Quixote), por José Guardado Moreira

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– Entrevista com Mathias Énard, a própósito de Bússola (D. Quixote), por José Mário Silva
Num Estado Livre, de V. S. Naipaul (Quetzal), por José Mário Silva
A Conquista das Almas, de Aniceto Afonso e Carlos Matos Gomes (Tinta da China), por António Loja Neves
O Mito de Sísifo, de Albert Camus (Livros do Brasil), por Pedro Mexia
Os Anjos Bons da Nossa Natureza, de Steven Pinker (Relógio d’Água), por Luís M. Faria

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O Czar do Amor e do Tecno, de Anthony Marra (Teorema), por Luís M. Faria
Crash, de J. G. Ballard (Elsinore), por Pedro Mexia
O Capitão Saiu para Almoçar e o Marinheiros Tomaram o Navio, de Charles Bukovsky (Alfaguara), por José Guardado Moreira
Espanha, de Jan Morris (Tinta da China), por Luís M. Faria

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Ronda das Mil Belas em Frol, de Mário de Carvalho (Porto Editora), por José Mário Silva
Panama Papers- A História de um Escândalo Mundial, de Bastian Obermayer e Frederik Obermaier (Objectiva), por Luís M. Faria
história do século vinte, de José Gardeazabal (Imprensa Nacional-Casa da Moeda), por José Mário Silva
Musa/O Búzio de Cós, de Sophia de Mello Breyner Andresen (Assírio & Alvim), por Pedro Mexia
Goa – Ida e Volta, de Artur Henriques (Abysmo), por Manuela Goucha Soares
Conta-quilómetros, de Madalena Matoso (Planeta Tangerina), por Sara Figueiredo Costa
O Homem que Matou Sherlock Holmes, de Graham Moore (Suma de Letras), por José Guardado Moreira

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Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-83/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-83/#comments Fri, 02 Sep 2016 20:37:33 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20405 – Conversa com José Gardeazabal, a propósito de história do século vinte (Imprensa Nacional-Casa da Moeda), por José Mário Silva
A Rota da Porcelana, de Edmund de Waal (Sextante), por José Mário Silva
Conquistadores, de Roger Crowley (Presença), por Virgílio Azevedo
Será que os androides sonham com ovelhas eléctricas?, de Philip K. Dick (Relógio d’Água), por Pedro Mexia
Luz em Agosto, de William Faulkner (D. Quixote), por Luís M. Faria
O Livro, de Zoran Zivkovic (Cavalo de Ferro), por José Guardado Moreira
Casa de Férias com Piscina, de Herman Koch (Alfaguara), por José Guardado Moreira

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As Rochas, de Peter Nichols (Marcador), por Luís M. Faria
A Salvação do Belo, de Byung-Chul Han (Relógio d’Água), por José Mário Silva
Afonso de Albuquerque – Corte, Cruzada e Império, de Alexandra Pelúcia (Temas e Debates), por Luísa Pinto Teixeira
O Fogo-Fátuo, de Drieu La Rochelle (Sistema Solar), por Pedro Mexia
Contra as Ordens de Salazar, de Pedro Prostes da Fonseca (Matéria Prima), por Alexandra Carita
Sangue Azul Gelado, de Iúri Buida (Gradiva), por José Guardado Moreira
Deixar Aleppo, de Manuela Niza Ribeiro (Althum.com), por Luísa Mellid-Franco

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Bruma Luminosíssima, de Luís Falcão (Artefacto), por Pedro Mexia
Sonetos Completos, de Antero de Quental (Artes & Letras), por Carlos Bessa
O Maior Bem que Podemos Fazer, de Peter Singer (Edições 70), por Luís M. Faria
Brincadeiras Vagas a Boneca, de Paul Éluard (Ignota/Sr. Teste), por Manuel de Freitas
O Dom da Palavra, de Catarina Nunes de Almeida e João Concha (não (edições)), por Sara Figueiredo Costa
Viagens com o Charley, de John Steinbeck (Livros do Brasil), por José Guardado Moreira
Fredo, de Ricardo Fonseca Mota (Gradiva), por José Mário Silva

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O Azul do Filho Morto e Bangalô, de Marcelo Mirisola (Cotovia), por Ana Cristina Leonardo
Mulher de Porto Pim, de Antonio Tabucchi (D. Quixote), por Pedro Mexia
Dezassete Sonetos Eróticos e Fesceninos, de Tiago Veiga (Simples Mente), por José Mário Silva
Por Mão Própria, de Luís Carmelo (Abysmo), por José Mário Silva
A Factura, de Jonas Karlsson (Alfaguara), por José Guardado Moreira
ReVisão, de Vários Autores (Chili com Carne), por Sara Figueiredo Costa
A Nova Odisseia, de Patrick Kingsley (Relógio d’Água), por Luís M. Faria

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Não se pode morar nos olhos de um gato, de Ana Margarida de Carvalho (Teorema), por José Mário Silva
Rio do Esquecimento, de Isabel Rio Novo (D. Quixote), por Luísa Mellid-Franco
As Torrentes da Primavera, de Ernest Hemingway (Livros do Brasil), por Pedro Mexia
Cinco Esquinas, de Mario Vargas Llosa (Quetzal), por José Guardado Moreira
O Sentido da Vida Humana, de Edward O. Wilson (Clube do Autor), por Virgílio Azevedo
Olho do Tu, de Rui Nuno Vaz Tomé (Douda Correria), por José Mário Silva
Direito a Ofender, de Mick Hume (Tinta da China), por Luís M. Faria

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São Luís dos Portugueses em Chamas, de Tatiana Faia (Enfermaria 6), por Pedro Mexia
De Mal a Pior, de Vasco Pulido Valente (D. Quixote), por Luís M. Faria
Ruídos e Motins, de João Rasteiro (Palimage), por José Mário Silva

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Manual para Mulheres de Limpeza, de Lucia Berlin (Alfaguara), por Pedro Mexia
À Beira da Água, de Paul Bowles (Quetzal), por Luís M. Faria
O Amor em Lobito Bay, de Lídia Jorge (D. Quixote), por José Mário Silva
A Maçã de Cézanne… e Eu, de D.H. Lawrence (Sistema Solar), por José Guardado Moreira
A Liga dos Cavalheiros Extraordinários: Século, de Alan Moore e Kevin O’Neill (Devir), por Sara Figueiredo Costa
Faróis Acesos À Procura do Oceano, de Pablo García Casado (Do Lado Esquerdo), por José Mário Silva

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Dez de Dezembro, de George Saunders (Ítaca), por Pedro Mexia
Corações Irritáveis, de João Paulo Guerra (Clube do Autor), por António Loja Neves
Deus Ajude a Criança, de Toni Morrison (Presença), por José Mário Silva
Rumo ao Mar Branco, de Malcolm Lowry (Livros do Brasil), por José Guardado Moreira
Antes da Iluminação, de Mariano Alejandro Ribeiro (Mariposa Azual), por José Mário Silva
Kallocaína, de Karin Boye (Antígona), por José Guardado Moreira

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Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-76/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-76/#comments Fri, 08 Jul 2016 20:41:46 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20380 Um Copo de Cólera, de Raduan Nassar (Companhia das Letras), por Pedro Mexia
História do Espelho, de Sabine Melchior-Bonnet (Orfeu Negro), por Celso Martins
Anunciações, de Maria Teresa Horta (Dom Quixote), por José Mário Silva
Tudo pelo Poder, de Rui Cardoso (Matéria-Prima), por António Loja Neves
O Eterno Marido, de Fiódor Dostoievski (Presença), por Luís M. Faria
Os Jardins de Luz, de Amin Maalouf (Marcador), por José Guardado Moreira
Dramas de Companhia, de André Domingues (Companhia das Ilhas), por José Mário Silva

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Um mapa literário http://bibliotecariodebabel.com/criticas/um-mapa-literario/ http://bibliotecariodebabel.com/criticas/um-mapa-literario/#comments Tue, 05 Jul 2016 12:40:43 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20377

Ler e Ver Lisboa
Autores: Vários
Editora: Associação Prado/EGEAC
N.º de páginas: 191
ISBN: 978-989-20-6669-1
Ano de publicação: 2016

Nos últimos anos, à medida que a capital foi sendo invadida por turistas, surgiram muitos livros sobre Lisboa e os seus segredos históricos, gastronómicos, culturais, etc. Nenhum tão inventivo e original como este guia literário que reúne 20 escritores e 20 artistas plásticos, empenhados em sobrepor um mapa imaginário ao mapa real. Mais geométricas ou mais figurativas, as ilustrações de Alex Gozblau, André Carrilho, Bárbara Assis Pacheco ou Bernardo Carvalho são um regalo para a vista. A principal riqueza do volume, porém, está nas ficções em prosa, que «acrescentam Lisboa a Lisboa, tornam-na mais densa». Patrícia Portela desce às galerias romanas; Rui Cardoso Martins dá voz à estátua de Fernão de Magalhães, na Praça do Chile; Gonçalo M. Tavares faz-nos subir e descer as Escadinhas do Duque; Joana Bértholo recorre ao Google Street View; Kalaf deambula pela Avenida Almirante Reis; Sandro William Junqueira senta-se no eléctrico 28, ao lado de uma grávida abandonada; Rui Zink conduz uma castiça perseguição policial até à belíssima igreja de São Domingos, «pérola de Lisboa e do mundo». Estas e as outras histórias, em vez de descrever a cidade, reinventam-na. Mais não se pode pedir.

Avaliação: 7,5/10

[Texto publicado na revista E, do semanário Expresso]

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Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-75/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-75/#comments Fri, 01 Jul 2016 20:37:35 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20373 – Sugestões de Verão, por José Guardado Moreira, José Mário Silva, Luís M. Faria e Pedro Mexia
Casos de Direito Galáctico e Outros Textos Esquecidos, de Mário-Henrique Leiria (E-Primatur), por José Mário Silva
Lacre – Traduções e Versões de Poesia, de Vasco Gato (Língua Morta), por Pedro Mexia
Psiquiatras – Uma História por Contar, de Jeffrey A. Lieberman (Temas e Debates), por Luís M. Faria
Narciso e Goldmund, de Hermann Hesse (Dom Quixote), por José Guardado Moreira
Marco Paulo é a Minha Religião, de Popedelrey e João Tércio (El Pep), por Sara Figueiredo Costa
Guadalupe, de Angélica Freitas e Odyr (Polvo), por José Mário Silva

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Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-74/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-74/#comments Fri, 24 Jun 2016 20:12:19 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20371 Chega de Saudade, de Ruy Castro (Tinta da China), por José Mário Silva
Tempos Difíceis, de Charles Dickens (e-Primatur), por Luís M. Faria
Não Faças Mal, de Henry Marsh (Lua de Papel), por José Mário Silva
A Conspiração Cellamare, de Nuno Júdice (Dom Quixote), por Pedro Mexia
O Espião de Austerlitz, de Laurent Joffrin (Gradiva), por José Guardado Moreira

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Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-72/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-72/#comments Fri, 17 Jun 2016 20:31:51 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20365 – Conversa com Ruy Castro a propósito do livro Chega de Saudade (Tinta da China), por José Mário Silva
Os Vampiros, de Filipe Melo e Juan Cavia (Tinta da China), por José Mário Silva
Os Dez Livros de Santiago Boccanegra, de Pedro Marta Santos (Teorema), por Luísa Mellid-Franco
Doce Carícia, de William Boyd (Dom Quixote), por Luís M. Faria
O Curso do Amor, de Alain de Botton (Dom Quixote), por Cristina Peres
Senhor Roubado, de Raquel Nobre Guerra (Douda Correria), por Pedro Mexia
Tão, Tão Grande, de Catarina Sobral (Orfeu Negro), por José Mário Silva

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Um cisne negro http://bibliotecariodebabel.com/criticas/um-cisne-negro/ http://bibliotecariodebabel.com/criticas/um-cisne-negro/#comments Tue, 14 Jun 2016 16:37:32 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20368

A Coleção Privada de Acácio Nobre
Autor: Patrícia Portela
Editora: Caminho
N.º de páginas: 223
ISBN: 978-972-21-279-12
Ano de publicação: 2016

Quem é Acácio Nobre? Um fantasma? Uma singularidade quântica? Um homem invisível, sem rasto palpável, mas que mexeu nos cordelinhos do mundo? A leitura do novo livro de Patrícia Portela não oferece respostas definitivas; só mais perguntas, dúvidas, questionamentos. O mais seguro é dizer que se trata de um «cisne negro», segundo a teoria que defende serem brancos todos os cisnes «até ao momento em que um (basta um!) primeiro cisne negro apareça». Pelo simples facto de se materializar na escrita hiper-criativa de Patrícia Portela, Acácio Nobre passa a existir. Se foi real, se foi de carne e osso, eis uma questão menor, para não dizer inoportuna.
O fio desta história começa a desenrolar-se, muito pessoanamente, com a descoberta de uma arca na cave dos avós da autora, em 1999. Lá dentro, centenas de textos e projectos de um homem esquecido pela História, em larga medida por vontade própria. Nascido provavelmente em 1869, ele atravessará todos os sobressaltos do século XX, até se apagar, quase centenário, vítima de um tiro perdido que o atinge em cheio nos testículos, em pleno Maio de 68 parisiense, caminhando pelo Quartier Latin como se estivesse no Chiado, à procura de ver «passar uma revolução antes de morrer». Embora dela só conheçamos uma ínfima parte, por entre extensos hiatos, a sua vida abunda em momentos altos: trocou correspondência com Melville, cruzou-se com Einstein e Picasso, foi compincha de Pessoa e amigo íntimo de Mário de Sá-Carneiro, passou pelas trincheiras da I Guerra Mundial e pelos ficheiros da PIDE (que o vigiava de perto), criou puzzles geométricos durante décadas, e tentou de mil maneiras introduzir os Kindergarten de Fröbel em Portugal, por acreditar que a educação artística precoce seria a única forma de fazer o país entrar na modernidade.
O espólio que Patrícia Portela descobriu na arca de Acácio (nome que, em latim, significa «aquele que não tem maldade») é quase tão caótica como a sua existência. Esforçadamente, a autora classifica os materiais, organiza-os, contextualiza-os, capricha nos fac-similes. O que emerge, pouco a pouco, é a imagem de um visionário que esteve sempre deslocado do tempo em que vivia, mas ainda assim consegue antecipar as grandes mudanças e rupturas levadas a cabo pelas vanguardas artísticas, algo que certamente ficaria inscrito na sua muito inventiva «árvore genealógica da arte», se alguma vez ela tivesse deixado o campo das meras intenções.
A esmagadora maioria das obras de Acácio Nobre não são obras propriamente ditas, mas projectos, sonhos deixados em esboço. É o caso de uma máquina do tempo, denominada ‘Lepidóptero’, que funcionaria por «exclusão das horas através do sono, da meditação, da levitação, do voo picado e da metamorfose». Ou da proposta de «reurbanização do Chiado através da alteração radical da sua banda sonora», uma ideia que viria a ser materializada por Patrícia Portela, sob a forma de instalação/performance, em 2009. De certa forma, Acácio Nobre só sai da sombra pela mão de Portela. É ela que o arranca a um anonimato procurado de forma quase obsessiva. Uma vontade de não ser fixado na ordem do mundo. Apesar de ter vivido quase um século, não sobraram dele quaisquer fotografias (suspeita-se apenas que possa constar de um retrato de grupo, encontrado no espólio de José Pacheko). Nas muitas deambulações por paragens longínquas, que o levaram a Rudolstadt e a Baku, transportava consigo um pesado fonógrafo, «para gravar o ruído da sua ausência em diferentes lugares». Tudo indícios de uma atitude de desdém perante a posteridade, sublinhada de resto num dos «objectivos prioritários» do Clube dos Amigos de Acácio Nobre: «Assegurar que as suas obras se mantêm dispersas e passíveis de serem reencontradas e perdidas vezes sem conta».
É precisamente isso que acontece durante a leitura deste livro-enigma, quebra-cabeças capaz de pedir meças aos engenhosos puzzles geométricos de Acácio Nobre. Reencontramos e perdemos vezes sem conta o fio à meada. Tão depressa lamentamos não encontrar mais exemplos da «arte minúscula» (que só se consegue observar ao microscópio), como nos entusiasmamos com o relato pejado de palavrões da amante, Alva, exemplo caricato de nobreza traída pela síndrome de Tourette. Ou nos deliciamos com os labirintos retóricos das gigantescas notas de rodapé.
Fragmentária e quase impalpável, coisa em potência mais do que coisa real, a obra de Acácio Nobre não se esgota neste livro desafiante. Ela continuará a assombrar o trabalho futuro de Patrícia Portela, de quem esperamos que continue a mergulhar na arca acaciana, à procura de notas rabiscadas em guardanapos de papel e, quem sabe, desse dicionário perdido que permitiria descodificar um promissor manifesto encriptado. Mas o que gostaríamos mesmo, embora talvez seja pedir muito, é que Portela exumasse o livro de ficção científica publicado por A. N. em 1902 (Memórias de um Androide Que Sonha com Mosquitos Elétricos); ou então o Diário Retrospectivo, texto «em rewind, do fim para o princípio, com Nobre a admitir que só «escrevendo para trás posso fazer frente à minha época».

Avaliação: 8/10

[Texto publicado na revista E, do semanário Expresso]

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– Entrevista com Alain de Botton, a propósito do livro O Curso do Amor (Dom Quixote), por Cristina Peres
A Coleção Privada de Acácio Nobre, de Patrícia Portela (Caminho), por José Mário Silva
A Vida no Campo, de Joel Neto (Marcador), por Pedro Mexia
O Peso do Coração, de Rosa Montero (Porto Editora), por José Guardado Moreira
Balbúrdia, de Teresa Cortez (Pato Lógico), por Sara Figueiredo Costa
Gritante Justiça, de António de Almeida Santos (Dom Quixote), por Luísa Pinto Teixeira

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A Invenção da Natureza, de Andrea Wolf (Temas e Debates), por Luís M. Faria
Cassandra, de Christa Wolf (Cotovia), por Cristina Peres
O Leão de Belfort, de Alexandre Andrade (Relógio d’Água), por Pedro Mexia
Velhas Traições, de Olen Steinhauer (Bertrand), por José Guardado Moreira
A Dor Concreta, de António Carlos Cortez (Tinta da China), por José Mário Silva

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Histórias Curtas, de Rubem Fonseca (Sextante), por Pedro Mexia
Esquerda e Direita em Portugal, de Luís Reto e Jorge de Sá (Livros Horizonte), por Filipe Santos Costa
A Grande Evasão, de Angus Deaton (Presença), por Luís M. Faria
Regresso ao Paraíso, de Germano Almeida (Caminho), por Carlos Bessa
Ver no Escuro, de Cláudia R. Sampaio (Tinta da China), por José Mário Silva

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Hoje na secção de Livros da revista ‘E’ http://bibliotecariodebabel.com/geral/hoje-na-seccao-de-livros-da-revista-e-3/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/hoje-na-seccao-de-livros-da-revista-e-3/#comments Sat, 21 May 2016 08:23:31 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20353 – Entrevista com José Eduardo Agualusa, por José Mário Silva
M Train, de Patti Smith (Quetzal), por Alexandra Carita
Novelas Exemplares, de Miguel de Cervantes (Bertrand), por Luís M. Faria
Diário do Farol – a Ilha, a Cadela e Eu, de Ana Cristina Leonardo (Hierro Lopes), por José Mário Silva
A Casa em Paris, de Elizabeth Bowen (Relógio d’Água), por Pedro Mexia
Francamente, Frank, de Richard Fort (Porto Editora), por José Guardado Moreira

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Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-68/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-68/#comments Fri, 13 May 2016 20:01:19 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20356 – Conversa com Manuel da Silva Ramos e Miguel Real, a propósito do livro O Deputado da Nação (Parsifal), por José Mário Silva
Os Filhos, de Franz Kafka (Ítaca), por Pedro Mexia
O Tráfico de Escravos nos Portos de Moçambique, 1717-1904, de José Capela (Afrontamento), por Luísa Pinto Teixeira
O Almirante Português, de Jorge Moreira Silva (Marcador), por Luísa Mellid-Franco
O Regresso dos Lobos, de Susan Hall (Jacarandá), por José Guardado Moreira
Poemas e outros Poemas, de Pedro Dias de Almeida (CalaFrio), por José Mário Silva
Reinos Desaparecidos, de Norman Davies (Edições 70), por Luís M. Faria

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150 Perguntas e Respostas Essenciais Sobre a História de Portugal, de Joaquim Vieira e Maria Inês Almeida (Esfera dos Livros), por Luís M. Faria
Um Postal de Detroit, de João Ricardo Pedro (D. Quixote), por José Mário Silva
Retrato do Artista Quando Jovem Cão e Outras Histórias, de Dylan Thomas (Livros do Brasil), por José Guardado Moreira
A Cidade nos Confins do Céu, de Elif Shafak (Jacarandá), por José Guardado Moreira
Vida: Variações III, de Bénédicte Houart (Cotovia), por José Mário Silva
Vertentes do Olhar, de Eugénio de Andrade (Assírio & Alvim), por Pedro Mexia

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Uma Causa Improcedente, de Claudio Magris (Quetzal), por Luís M. Faria
Não Há Tantos Homens Ricos como Mulheres Bonitas que os Mereçam, de Helena Vasconcelos (Quetzal), por Pedro Mexia
O quotidiano a secar em verso, de Eugénia Vasconcellos (Guerra & Paz), por José Mário Silva

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Em Ouro e Alma (Tinta da China) e Prosa Completa (D. Quixote), de Mário de Sá-Carneiro, por José Mário Silva
Cartas Reencontradas, de Pedro Eiras (Assírio & Alvim), por Pedro Mexia
Avareza, de Emiliano Fittipaldi (Saída de Emergência), por Rosa Maria Pedroso
Peregrinação Vermelha, de António Caeiro (D. Quixote), por Cristina Peres
31 Sonetos, de William Shakespeare (Relógio d’Água), por Luís M. Faria
Grosso Modo, de Jacinto Lucas Pires (Cotovia), por Luísa Mellid-Franco

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Cicatrizes, de Juan José Saer (Cavalo de Ferro), por Pedro Mexia
Sibéria, de Olivier Rolin (Tinta da China), por José Mário Silva
Obra Completa de Alberto Caeiro, de Fernando Pessoa (Tinta da China), por Luís M. Faria
Instalações Provisórias, de Sandra Vieira Jürgens (Documenta), por Celso Martins
Nove Fabulo O Mea Vox/De Novo Falo, a Meia Voz, de Alberto Pimenta (Pianola), por Manuel de Freitas
Contos Fantásticos, de Edgar Allan Poe (Ulisseia), por José Guardado Moreira

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A Filha de Estaline, de Rosemary Sullivan (Temas e Debates), por Luís M. Faria
Contra Todas as Evidências – Poemas Reunidos III, de Manuel Gusmão (Edições Avante!), por Pedro Mexia
Cartas a um Jovem Poeta, de Rainer Maria Rilke (Antígona), por Manuel de Freitas
A Ilha do Tesouro, de Robert Louis Stevenson (Guerra & Paz), por José Guardado Moreira
Messalina, de Alfred Jarry (Sistema Solar), por José Guardado Moreira

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A Memória de Shakespeare e Nove Ensaios Dantescos, de Jorge Luis Borges (Quetzal), por Pedro Mexia
Vem à Quinta-Feira, de Filipa Leal (Assírio & Alvim), por José Mário Silva
Terramoto Doutrinal, de Carlos A. Moreira Azevedo (Temas e Debates), por António Marujo
Satyricon, de Petrónio (Cotovia), por Luís M. Faria
Europa, de Rui Cóias (Tinta da China), por José Mário Silva

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Letra Aberta, de Herberto Helder (Porto Editora), por Pedro Mexia
Os Usurpadores, de Susan George (Bizâncio), por Luís M. Faria
Cabo Verde, Janelas de África, de Corsino Tolentino (Livraria Pedro Cardoso), por Cristina Peres
Adivinha em que mão está a moeda, de Benjamín Prado (Do Lado Esquerdo), por José Mário Silva
Sob a Pele – Conversas com Sara Antónia Matos, de Rui Chafes (Documenta), por Manuel de Freitas

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Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-59/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-59/#comments Fri, 18 Mar 2016 20:29:50 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20328 – Entrevista com José Eduardo Agualusa, a propósito da nomeação para a ‘longlist’ do Man Booker International Prize
Artigos Portugueses, de Miguel Tamen (Assírio & Alvim), por Pedro Mexia
Pós-Capitalismo, de Paul Mason (Objectiva), por Luís M. Faria
Mediterrâneo, de João Luís Barreto Guimarães (Quetzal), por José Mário Silva
A Crisálida, de Rui Nunes (Relógio d’Água), por Manuel de Freitas

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Hino à vida http://bibliotecariodebabel.com/criticas/hino-a-vida/ http://bibliotecariodebabel.com/criticas/hino-a-vida/#comments Tue, 15 Mar 2016 10:14:31 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20331

Gratidão
Autor: Oliver Sacks
Editora: Relógio d’Água
Título original: Gratitude
Tradução: Miguel Serras Pereira
N.º de páginas: 48
ISBN: 978-989-641-591-4
Ano de publicação: 2016

Este volume, composto por quatro brevíssimos ensaios, é uma espécie de complemento à autobiografia Em Movimento – o livro final do neurologista Oliver Sacks, que ainda teve tempo de o acabar e ver publicado, em Abril de 2015, quatro meses antes de ser vencido pelas múltiplas metástases, no fígado, de um melanoma ocular que o deixara cego de um olho. Na autobiografia, já publicada pela Relógio d’Água, Sacks narra com o habitual entusiasmo – e prosa magnífica, clara, encantatória – o arco completo da sua existência: não apenas o notável percurso intelectual e científico, mas também toda a sorte de idiossincrasias (a faceta de motard, o gosto pelo culturismo e pela halterofilia, as rotinas de nadador metódico), bem como aspectos íntimos, da conhecida dependência das anfetaminas à homossexualidade, que até esse momento não assumira publicamente.
Os textos de Gratidão, todos eles publicados no The New York Times (e partilhados na internet, onde se tornaram virais), são uma espécie de coda em que Sacks, mais do que consciente da morte próxima, se despede com uma dignidade e uma delicadeza extraordinárias. Grato por tudo o que pôde ver, sentir, experimentar, ele faz deste adeus um hino à vida, uma celebração do privilégio de conhecer o mundo, aproveitando a existência até ao tutano.
Em Sabat, o derradeiro dos seus escritos, evoca a infância judaica e acolhe em si «a paz de um mundo que se detém, de um tempo fora do tempo». A paixão pelos elementos químicos atravessa Mercúrio e A Minha Tabela Periódica, duas prosas que lembram o melhor de Sacks: a forma como torna empática, e às vezes até comovente, de tão pessoal, a abordagem ao conhecimento científico. Já A Minha Vida, o texto que anunciou ao mundo a irreversibilidade da doença, termina com uma luminosa aceitação do fim: «Acima de tudo, fui um ser senciente, um animal pensante, neste belo planeta, e isso foi, por si só, um enorme privilégio e aventura.»

Avaliação: 8/10

[Texto publicado na revista E, do semanário Expresso]

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Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-58/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-58/#comments Fri, 11 Mar 2016 20:16:21 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20325 Judas, de Amos Oz (Dom Quixote), por Luciana Leiderfarb
Águas Negras, de José Viale Moutinho (Lápis de Memórias), por Pedro Mexia
Entre Mim e o Mundo, de Ta-Nehisi Coates (Ítaca), por José Mário Silva
Gratidão, de Oliver Sacks (Relógio d’Água), por José Mário Silva
A Última Noite e Outras Histórias, de James Salter (Livros do Brasil), por José Guardado Moreira
Os Irmãos Wright, de David McCullough (Relógio d’Água), por Luís M. Faria

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Tudo Pode Mudar, de Naomi Klein (Presença), por Luís M. Faria
A Solidão Como Um Sentido seguido de Desespero, de Rui Almeida (Lua de Marfim), por José Mário Silva
Essa Terra, de Antônio Torres (Teodolito), por José Mário Silva
Amemo-nos Uns Aos Outros, de Catherine Clément (Porto Editora), por José Guardado Moreira
Noizz, de Rui Baião (Companhia das Ilhas), por Manuel de Freitas

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A Verdadeira Biblioteca Ou Uma História Em Três Metades http://bibliotecariodebabel.com/geral/a-verdadeira-biblioteca-ou-uma-historia-em-tres-metades/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/a-verdadeira-biblioteca-ou-uma-historia-em-tres-metades/#comments Wed, 02 Mar 2016 12:55:30 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20321 Eis o belíssimo texto de Raquel Patriarca, lido nas Correntes d’Escritas, numa mesa intitulada ‘Quantos Livros Tem Um Livro':

«Primeira Metade: Sobre Começar um Texto
Quando eu era pequena, tinha muitos sonhos. Agora que sou maior, estou igual. Sonho com os pedaços do mundo que quero conhecer, os abraços que quero apertar, as imagens que quero criar, os livros que hei-de escrever. Estar aqui é um desses sonhos da idade adulta, arrumado na rubrica das coisas admiráveis de que é preciso fazer parte. Quando me imaginava aqui, começava sempre por agradecer às Correntes porque correm e por me levarem na correnteza. Agradecer o estar aqui agora e todas as vezes que estive aí e que, no fim do dia, regressei a casa maior. Não de tamanho, mas maior. Quando me imaginava aqui, depois de agradecer, fazia uma comunicação brilhante. Não me parecia muito difícil. Não sei porquê, nessa altura as ideias eram transparentes e ordenadas, as palavras respondiam à chamada sem atraso e sem engulho. Era preciso citar um autor de referência: Pessoa, Benjamin ou Borges; Camus, Barthes, ou Foucault. Falar de literatura e arte, de coisas verdadeiras e universais. Como se no mundo – ou em mim – não restassem dúvidas da minha sabedoria sobre todas as matérias.
Mas estas coisas só acontecem na minha imaginação. Sonho e nada mais. No momento em que chegou o convite, todo o dia me parecia feito de irrealidade. A cabeça ficou vazia e a página em branco. Afinal, é tudo muito difícil.
Sentei-me para escrever e não chegavam as frases que deviam iluminar-me as ideias. Fui à procura dos cadernos e das notas amarelas com os registos da genialidade alheia, e nada rimava com o tema ou a situação. Em ressonância longínqua das traseiras do cérebro, soava uma espécie de conselho que ouvi quando era pequena: “Sabendo muito do que falas, fala pouco. Sabendo pouco, fala quase nada. Sabendo nada, sorri”.
… (Pausa para o sorriso)
E assim, em vez de Benjamin, Borges ou Barthes, veio ajudar-me uma espécie de aforismo de Joaquim Patriarca, mestre-escola, guarda-livros, organista na Igreja de S. Pedro, emigrante, retornado, avô. E a conselho dele, porque falamos de livros, vou falar pouco.

Segunda Metade: Sobre o Meu Avô
Quando eu era pequena, fascinava-me a capacidade que o meu avô tinha para guardar objectos. Para ele nada existia que fosse imprestável. Mais cedo ou mais tarde, tudo ganhava serventia e, por isso, tudo se guardava em lugar próprio, rigorosamente ordenado. Esta filosofia, vim a percebê-lo mais tarde, levava-me a intuir que, até para mim – criatura algo estouvada, grande consumidora de mercurocromo, tantas vezes nas imediações de coisas indesejáveis como cacos ou nódoas –, até para mim, dizia eu, se guardava um lugar e uma função. E, enquanto não descobria o meu lugar e a minha função, fui absorvida no fascínio de como o meu avô se movia pelo mundo e da serenidade com que coleccionava todo o tipo de objectos.
As folhas soltas de papel e os fios de diferentes materiais, os tocos dos lápis que já mal serviam para escrever, as sementes que havia de pôr na terra, os pequenos pedaços de plástico que, mais tarde e com a ajuda de um canivete, transformava em mistérios de rezar, perfeitamente redondos e recortados: um buraco ao centro para o indicador, dez saliências em forma de pétala, uma para cada ave-maria, a cruz na décima primeira pétala, no lugar do pai-nosso.
Cada gesto do meu avô era feito com esmero e ternura. O vinco nas arestas dos embrulhos de correio e o nó direito que unia, em absoluta perpendicularidade, o cruzamento do cordão, a caligrafia pausada, aprumada, perfeita, a adivinhar que, naquele endereço, tinha de erguer-se um palácio. As canas enterradas na horta a estender fios de sisal que desenhavam uma espécie de guias, por onde se alinhavam os sulcos na terra, as sementes e as plantas.
Fascinavam-me as coisas que ele fazia mas, mais ainda, o vagar sereno que colocava em tudo. Uma alegria simples que enchia de plenitude os gestos mais comuns. Curiosamente desimportado do resultado final, o meu avô parecia absorver-se no encantamento – para nós invisível – de todas as tarefas a que se entregava, como se a função inteira da existência se guardasse naquele momento. Punha, de verdade, quanto era no mínimo que fazia, de maneira que despachar uma encomenda ou plantar morangueiros se transformavam em formas de arte.
Foi nesta altura, enquanto os meus avós se transformavam em memórias nucleares, que aprendi a relacionar-me com os livros. Eu não fui uma daquelas crianças adoráveis que, sentadamente sábias, amam os livros desde que se lembram de respirar. Gostava muito que me contassem histórias, como todas as crianças, mas adorava correr desenfreadamente pelas ruas íngremes que desciam da casa dos meus avós ao fundo da vila. Saltar muros e inventar barcos feitos de casca de árvore que depois fazia navegar nos ribeiros que desciam da serra pela primavera. Subir às tílias descalça, com um saco de pano para apanhar os raminhos de fazer chá, sair nos dias de feira, a cheirar os bolos de leite ainda quentes, e ajudar a avó a escolher os figos mais maduros e as colheres de pau mais redondas e fundas. Havia uma televisão, e não é que não gostasse de a ver, mas o aparelho era muito demorado de arrancar, apanhava a televisão espanhola e não havia desenhos animados, só programas de agricultura e notícias. Naquele tempo, a televisão era mais um entroncho que uma distracção a sério. E havia a escola, claro, e a catequese para onde eu ia sempre muito contente porque, no regresso, a minha avó me dava uma bolacha de chocolate. Era uma obra-prima em forma de estrela, vinha embrulhada em papel de prata colorido, começava a derreter-se mal me tocava nos dedos e inspirava-me um conforto interior que eu me habituei a confundir com o sentimento da fé.
Os livros trouxeram a calma e a profundidade que eu não me dava ao trabalho de procurar em nenhuma outra dimensão na vida a não ser, talvez, na minha família.

Terceira Metade: Sobre os Livros
Quando eu era pequena passava muito tempo em casa dos meus avós. Viviam por lá muitos livros, uma condição que eu entendia como decorrência natural de, num tempo antes de mim, o meu avô ter sido guarda-livros. Um guarda-livros era, evidentemente, uma espécie de bibliotecário com um título singelo. Naquele tempo e lugar, tudo era menos pretensioso, sobretudo os nomes das profissões. Foi o meu avô quem ensinou a minha avó a ler e eu, que assistia a toda aquela circunstância de meiguice, mais convencida ficava de que a sua função no mundo era a de guardador de livros. Na dimensão preservável do objecto, como fazia com todas as coisas, e na dimensão partilhável do conteúdo, que lia para si e para nós, ensinava a ler e ajudava a compreender.
Quando eu era pequena o meu avô ensinou-me a encadernar os livros e eu entendi que devia aprender a fazê-lo com a ternura e o esmero que ele trazia sempre nas mãos. Ele levava horas a reforçar as capas e a cobri-las com papéis de cores e texturas diferentes, impecavelmente vincados nas dobras, os títulos nas lombadas claramente desenhados naquela caligrafia brilhante e impossível de copiar. Eu aprendia a vincar as dobras com os dedos pequeninos e mal capazes. Queria muito imitar-lhe a arte mas, com a mesma naturalidade que os gestos do meu avô se inclinavam para a perfeição, os meus obedeciam a um desvio incontrolável para o desastre e, muitas vezes se rasgavam os papéis e se estragavam os títulos com erros de ortografia. O meu avô suspirava, sobrepunha a sua paciência à minha frustração, deitavam-se à lareira os papéis rasgados e os erros de ortografia, e a tarefa começava de novo. Desta vez, melhor.
O meu primeiro livro contava a história da fuga de uma tal Alice através do espelho. Foram precisas várias tentativas até o serviço ficar aceitável e foi maravilhoso ver o meu avô sorrir e dizer que sim com a cabeça enquanto examinava o meu primeiro projecto: um desconchavo de papel manteiga com as dobras quase tão espessas como o próprio livro. Foi um triunfo indizível. E, logo a seguir, chegou uma nova dificuldade.
No momento de colocar o livro na estante, havia um banco para eu subir e ficar da mesma altura do meu avô, e havia uma única regra de arrumação, muito simples que se baseava – em partes iguais – nos conceitos de ordem e de caos, um critério difícil de definir e que ordenava os títulos alfabeticamente segundo o destino geográfico do assunto.
O meu avô levou algum tempo a explicar-me que cada livro é como uma viagem e que cada viagem se faz rumo a um destino diferente. Eu não compreendi e ele foi buscar um volume grosso que trazia na lombada as palavras Crime e Castigo. Explicou que era um livro muito importante para conhecer os conceitos de bem e mal, certo e errado que vivem nas aspirações e atitudes de cada um. Uma viagem que se fazia rumo àquilo que uma pessoa deseja para si e ao percurso que está disposto a fazer para lá chegar. Como eu fiquei muito calada, a segurar nas mãos a minha Alice sem ideia de onde a guardar, o meu avô pegou num outro livro – 20.000 Léguas Submarinas – a aventura de uma viagem pelas profundezas do mar, ou então, uma viagem pelo engenho humano e pela vontade de ultrapassar o medo que é natural sentir-se em relação ao desconhecido.
Eu olhava para as minhas mãos.
Tens de descobrir onde te leva o teu livro, revelou por fim o meu avô.
E eu compreendi que precisava de o ler e, só passados muitos dias, voltei a subir ao banco resolutamente à procura da prateleira marcada com M de Maravilhas.
Fui compreendendo aos poucos o sistema de arrumação de livros que o meu avô praticava, garantindo-me sempre que era assim que se faziam as coisas nas verdadeiras bibliotecas. Acontecia por vezes termos de mudar os livros e as viagens de um lugar para outro. A cabana do Pai Tomás – muito muito bonito – teve morada no E de Escravatura, depois mudou-se para o A de Abolicionismo e acabou, mais tarde, por inaugurar uma nova secção no L para Livros que Salvaram o Mundo.
Quando eu era pequena aprendi com o meu avô a ternura de todas as coisas. Aprendi que é possível ser feliz em sossego. Que os livros devem ser lidos antes de arrumados, que cada livro propõe uma viagem e que cada leitura pode criar novos rumos a um caminho já percorrido. Aprendi a ser guardadora de livros.
Mais tarde, muito mais tarde, depois de graduada, pós-graduada e especializada, recebi um papel carimbado que me fez bibliotecária, que é só um nome diferente para uma prática muito antiga. Estudei catalogação e indexação, as listas ordenadas de termos e as tabelas de autoridade, os sistemas de triagem das espécies bibliográficas e os códigos alfanuméricos das cotas e descobri que, afinal, já não existem verdadeiras bibliotecas, como aquelas de que falava o meu avô. Descobri que nas bibliotecas onde hoje se guardam os livros não é possível compreender-se o mapa das viagens da humanidade. Da humanidade que escreve e da humanidade que lê.
Mas em casa, guardo uma verdadeira biblioteca, com estantes e prateleiras em que se faz um esforço genuíno de procura da verdade. Ainda lá está o volume mal encadernado da pequena Alice que agora repousa no I onde se alinham as viagens Interiores.
Foi com esse o livro que tudo começou. Quantos livros se guardam lá dentro? Suponho que terei de o ler outra vez. Por agora, não sei. E como não sei, devo apenas sorrir.»

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Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-62/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-62/#comments Fri, 26 Feb 2016 20:25:33 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20338 Passos Perdidos, de Paulo Varela Gomes (Tinta da China), por Ana Cristina Leonardo
Os Navios da Noite, de João de Melo (Dom Quixote), por Luísa Mellid-Franco
O Náufrago, de Thomas Bernhard (Relógio d’Água), por Pedro Mexia
Breves Notas sobre Música, de Gonçalo M. Tavares (Relógio d’Água), por José Mário Silva
O Essencial sobre Michel de Montaigne, de Clara Rocha (Imprensa Nacional-Casa da Moeda), por Alexandra Carita
A Paixão da Física, de Walter Lewin (Gradiva), por Luís M. Faria
Outro Ulisses Regressa a Casa, de Luís Filipe Castro Mendes (Assírio & Alvim), por José Mário Silva

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Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-56/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-56/#comments Fri, 19 Feb 2016 20:45:13 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20311 A Nebulosa, de Pier Paolo Pasolini (Antígona), por José Mário Silva
Revista XXI Ter Opinião, n.º 6 (Fundação Francisco Manuel dos Santos), por Cristina Peres
Entre Dois Impérios, de Filipa Lowndes Vicente (Tinta da China), por Luís M. Faria
Do Fundo do Poço se Vê a Lua, de Joca Reiners Terron (Teorema), por José Guardado Moreira
Break Dance, de André Ruivo (Mmmnnnrrrg), por Sara Figueiredo Costa
Elsewhere/Alhures, de Rui Pires Cabral (não (edições)), por José Mário Silva

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Três poemas de José Luís Costa http://bibliotecariodebabel.com/geral/tres-poemas-de-jose-luis-costa/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/tres-poemas-de-jose-luis-costa/#comments Thu, 18 Feb 2016 19:15:45 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20315 CANTO DA ALFORRECA

Que prestígio resta ao bicho, nas hierarquias da Caparica? Nenhum pescador o admira. Da Praia da Mata à Fonte da Telha, crianças organizam brigadas de extermínio. Mas quando a alforreca canta, o mar não acredita, o mar é pele de galinha até perder de vista. São canções tolas, coisas como: «É amarga a vida das alforrecas / Ai Ai Lô / Quero crer na metempsicose / Ai Ai Lô / Quero reencarnar no dedal da tua amada.»

***

ADEUS A ISSO TUDO

Primeiro, trenós e carruagens, felizes por zarpar, e rolamentos. Depois mares, banheiras, alambiques. Gravatas, botões de punho, chapéus de senhora. «Também as minhas botas, tão doces companheiras, tão prontas a furar fronteiras?» Também as suas botas, senhor Severo. A seguir semáforos, fogos de artifício, retinas, tudo o que envolve luz. Salmos, aulas de carpintaria, senha e contra-senha.

***

ACROBATA

Antes do primeiro passo, lembra a fartura da rede dos tempos de aprendiz: Estepe de Almofadas, Oceano Salvífico. Vinho que não bebeu: nunca caiu. Hoje, nada a salvaria. A cidade veio toda. Se mar há que a submerja, é o do apetite da cidade para quedas, quebras, feras – lajes de granito querendo o seu cristão.

[in Canto da Alforreca, Douda Correria, 2016]

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As faces da guerra http://bibliotecariodebabel.com/criticas/as-faces-da-guerra/ http://bibliotecariodebabel.com/criticas/as-faces-da-guerra/#comments Tue, 16 Feb 2016 16:50:10 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20313

Desmobilizados
Autor: Phil Klay
Editora: Elsinore
Título original: Redeployment
Tradução: Maria do Carmo Figueira
N.º de páginas: 297
ISBN: 978-989-8831-18-7
Ano de publicação: 2015

Com a retirada das tropas americanas do Iraque, o balanço do conflito militar que durou mais de uma década vem sendo feito por jornalistas e ensaístas, naturalmente interessados nas questões gerais – sejam elas os falsos pretextos para começar a guerra ou os equívocos de uma ideia de ‘nation building’ desfasada da realidade no terreno –, mas muito menos atentos ao impacto deixado pela experiência iraquiana naqueles que deram o corpo ao manifesto e ficaram com feridas físicas, ou psicológicas, por sarar.
Ex-marine, Phil Klay conheceu de perto as incidências da guerra e ouviu dezenas de relatos em primeira mão. Esteve lá. Sentiu no ar o pó do deserto. Conheceu o poder devastador do tédio e as picadas da adrenalina. Falou com soldados concretos e registou o modo como se expressam, como pensam, como sofrem, como sonham em sair dali o mais rapidamente possível. E também foi atrás dos que voltaram aos EUA e não sabem, ou não conseguem, reintegrar-se na vida quotidiana. No fundo, uma velha história que se repete. Foi assim com a guerra da Coreia. Foi assim com o Vietname. Volta a ser assim com a ressaca dos combates no Iraque e no Afeganistão.
O estilo de Klay é muito preciso, sem efeitos fáceis nem retóricas baratas. Atente-se, por exemplo, no início do conto Relatório pós-missão: «Noutro veículo, teríamos morrido. O blindado deu um salto, quase quinze toneladas de aço a irem pelos ares, a contorcerem-se, a deslocarem-se debaixo de mim, como se a gravidade estivesse a mudar. O mundo rodopiou e estilhaçou-se e, ao mesmo tempo, a explosão rebentou-me os ouvidos e fez-me estremecer todos os ossos. A gravidade foi reposta. Dantes havia ali edifícios. Agora há faróis na poeira.» A brutalidade da guerra é captada de forma crua, seca, como uma sucessão de factos em si mesmos terríveis, mas gradualmente transformados na matéria dos dias, e por isso integrados numa espécie de rotina: «Hoje de manhã, a nossa antiaérea despejou quase cento e vinte e cinco quilos de munições em cima de um ‘checkpoint’ dez quilómetros a sul da posição em que nos encontramos. Matámos um grupo de rebeldes e depois voltámos para Faluja e fomos almoçar ao refeitório. Comi peixe com feijão-manteiga. Ando a tentar fazer uma alimentação saudável.»
Descritas com a objectividade dos relatórios militares, as acções de combate são quase inteiramente desprovidas de pathos. É como se estivéssemos a assistir a um documentário feito por repórteres de imagem embedded. Há tiros, movimentações rápidas, posições ocupadas, mas Klay não oferece ao leitor a experiência do coração acelerado, dos suores frios, do medo que se embrenha até aos ossos, talvez por ver nessa partilha uma usurpação de algo que não pode ser usurpado. O horror, porém, está lá, em cada página. Mesmo se implica um certo recuo. Como o do soldado que atingiu um inimigo mas se recusa a confirmar a sua morte, antes cede a mira térmica a um camarada que assiste, pouco a pouco, ao apagamento da mancha branca que equivale à visão de um cadáver que arrefece.
Sempre na primeira pessoa, estes 12 contos colocam em cena 12 narradores diferentes. A maioria são soldados, marines confrontados com situações extremas, lá no Iraque, ou com o vazio existencial depois do regresso, quando a normalidade dos que não viveram ‘aquilo’ se torna uma agressão e o objectivo de manter relações humanas saudáveis, de amor ou amizade, vai pelo cano abaixo. Estes contos não escapam, porém, a uma certa previsibilidade, na medida em que correspondem a arquétipos ficcionais muito explorados. Que ninguém regressa inteiro de uma guerra é uma evidência. Os estragos que Klay descreve podem ser eloquentes, mas trazem sempre consigo ecos de histórias que já lemos antes, ou vimos no cinema.
O que torna Desmobilizados um livro interessante é a ampliação deste círculo, é o mostrar de outras faces, menos óbvias, da guerra. Uma delas surge num dos melhores contos deste volume: Oração na fornalha. Um capelão tenta apoiar um marine que se preocupa com o facto de os seus companheiros não fazerem distinção entre insurgentes e civis, matando indiscriminadamente todos os iraquianos que encontram pelo caminho. A sua é uma perspectiva moral, esmagada pela própria dinâmica de um movimento que assenta no mais absoluto maniqueísmo. No espelho da violência gratuita, e seu rol de vítimas inocentes, reflecte-se a falta de lógica de uma intervenção que nunca teve em conta os verdadeiros interesses do povo que era suposto salvar. Essa falta de lógica é particularmente bem captada em O Dinheiro como Arma, um conto que põe em cena um funcionário do Serviço de Relações Exteriores, «encarregado de dirigir uma equipa de reconstrução provincial». Idealista, ele quer recuperar uma central de tratamento de águas desactivada e apoiar um hospital para mulheres, mas, além de chocar com o muro da burocracia, enfrenta o absurdo dos interesses políticos, que o obrigam, entre outros disparates, a ensinar basebol às crianças iraquianas, para satisfazer a «ideia» de um milionário americano que enviou os respectivos equipamentos e tacos como sementes da «democracia».

Avaliação: 8/10

[Texto publicado na revista E, do semanário Expresso]

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Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-55/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-55/#comments Fri, 12 Feb 2016 20:32:04 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20303 Desmobilizados, de Phil Klay (Elsinore), por José Mário Silva
País Possível, de Ruy Belo (Assírio & Alvim), por Pedro Mexia
O Demónio da Depressão – Um Atlas da Doença, de Andrew Solomon (Quetzal), por Luís M. Faria
Butcher’s Crossing, de John Williams (Dom Quixote), por José Guardado Moreira
Liberdade da Cultura, coordenação de Guilherme d’Oliveira Martins (Gradiva), por Manuela Goucha Soares
O Canto da Alforreca, de José Luís Costa (Douda Correria), por José Mário Silva
A Cova, de Cynan Jones (Cavalo de Ferro), por José Guardado Moreira

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Invenção da melancolia http://bibliotecariodebabel.com/criticas/invencao-da-melancolia/ http://bibliotecariodebabel.com/criticas/invencao-da-melancolia/#comments Tue, 09 Feb 2016 17:01:19 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20306

Da Natureza dos Deuses
Autor: António Lobo Antunes
Editora: Dom Quixote
N.º de páginas: 574
ISBN: 978-972-20-5846-9
Ano de publicação: 2015

Na fase mais recente da sua obra – que abarca romances densos como Comissão das Lágrimas (2011), Não é Meia Noite Quem Quer (2012) e Caminho Como Uma Casa Em Chamas (2014) –, António Lobo Antunes vinha seguindo uma trajectória de progressivo ensimesmamento, fechando-se mais e mais dentro das suas estruturas polifónicas, essa arquitectura claustrofóbica de múltiplas vozes emergindo da página, ao mesmo tempo tão intrincadas e tão rarefeitas que o leitor deixava de as conseguir separar umas das outras. O fulgor da prosa de Lobo Antunes nunca se perdeu, mas saíamos desses livros como que desorientados, meio perdidos, expulsos de um território onde nunca chegávamos verdadeiramente a entrar. Ou seja, éramos meros espectadores que contemplam, de fora, os fragmentos de vida que o romance arranca ao real quotidiano, mas logo esconde e abafa, sob o peso da voz que se sobrepõe a todas as outras. A voz do autor fascinado com o seu poder discricionário, esse poder maior que consiste em dizer o que se quer, da maneira que se quer, sem pensar em coisas vulgares como, por exemplo, a inteligibilidade.
A maior surpresa que nos proporciona Da Natureza dos Deuses, o mais recente romance de Lobo Antunes, é justamente uma inflexão na tal trajectória de fechamento que ameaçava alienar muitos dos seus leitores. Num livro com quase 600 páginas, nunca chegamos a sentir cansaço ou exaustão, mesmo quando o autor multiplica os narradores e cria novelos mentais que embatem violentamente uns contra os outros, oferecendo visões distintas dos mesmos acontecimentos. À perícia do escritor, na forma como deixa a narrativa seguir o seu curso, permitindo à mão que escreve ir atrás do fio das histórias que se acumulam no seu imparável carrossel mental, junta-se uma força centrípeta que mantém a coesão do edifício, conferindo-lhe solidez e sentido.
No centro do romance está precisamente um edifício, um palacete na zona de Cascais, perto do Guincho, cenário faustoso para o lento declínio de uma família. «Tudo se gasta e cede», diz alguém. E Da Natureza dos Deuses é a crónica dessa ruína. Uma ruína dos corpos, das relações afectivas, dos impérios financeiros, das casas erguidas contra o vento que vem do mar, contra o imparável cerco das areias que um dia soterrarão o court de ténis, as estátuas de deusas e discóbolos, os canteiros do jardim, a janela na torre (onde uma mulher, reclusa, espreita) e a memória de quem um dia habitou aqueles espaços. O tema central é o poder que o dinheiro traz consigo e a forma como esse poder vai sendo exercido. O Senhor Doutor, nascido na pobreza, sobe a pulso e cria um império de bancos, seguradoras e outras empresas. Esse sucesso nos negócios confere-lhe uma aura que distorce a forma como as pessoas se relacionam com ele. Sem surpresa, é quase sempre em modo de submissão, embora por trás dessa fachada de arrogância e superioridade aparente se possam esconder outras relações de força (como acontece com Marçal, o «criado» fiel, no seu impecável casaco branco).
Os vários laços de afecto ou dependência vão sendo minuciosamente revelados à medida que a narração alterna entre figuras muito diferentes: o próprio Senhor Doutor, eminência parda do Portugal dos anos 50 e 60 do século passado, íntimo de um Salazar que aparece várias vezes como um espectro moribundo, fragilíssimo, de manta sobre os joelhos; a Senhora, mulher do Senhor Doutor (a reclusa que espreita por detrás dos cortinados); a filha da Senhora, com um cão ao colo, rodeada por livros que lhe são trazidos por uma funcionária da livraria mais próxima e nunca lidos, porque os pacotes são um mero pretexto para ter quem a oiça; e muitas personagens secundárias, que vão destapando o reverso do esplendor burguês, a miséria atávica de uma sociedade supostamente de brandos costumes, mas onde imperam as mais brutais formas de violência.
Lobo Antunes é particularmente feliz no modo como capta os estados emocionais das personagens, os seus abismos íntimos, os seus dilemas morais, essa tristeza entranhada nos corpos, «espécie de melancolia» que os paralisa a meio de um gesto, de uma frase, às vezes de uma palavra. Quando essa ruptura no discurso acontece, a palavra deixada a meio pode ficar assim, partida, suspensa, enquanto novos fios de pensamento se intrometem, para depois, mais à frente, vermos surgir o resto da palavra, retomando o processo mental interrompido. Estes malabarismos não são meros exercícios de virtuoso, antes obedecem a uma necessidade do texto, o mesmo se podendo dizer dos cruzamentos de planos temporais e da hábil sobreposição das várias subjectividades que coexistem em cada capítulo (incluindo a do autor deste mundo, sempre consciente da sua efabulação).
A dada altura, uma personagem refere-se a «certos pormenores que por muito que a gente se esforce não se desvanecem». Esses pormenores, nos livros de Lobo Antunes, prendem-se sempre com a linguagem, com esse espantoso fôlego lírico que faz equivaler a sua arte narrativa a uma arte poética. O que não se desvanece na memória dos leitores é a força das imagens. Por exemplo, aquele homem «abotoando o colete como se tocasse acordeão em si mesmo». Ou as pessoas «cujas sombras parece que têm ossos».

Avaliação: 9/10

[Texto publicado na revista E, do semanário Expresso]

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Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-54/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-54/#comments Fri, 05 Feb 2016 20:13:28 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20300 Da Natureza dos Deuses, de António Lobo Antunes (Dom Quixote), por José Mário Silva
Terra Negra, de Timothy Snyder (Bertrand), por Luís M. Faria
Viagens à Ficção Hispano-Americana, de António Mega Ferreira (Arranha-Céus), por Pedro Mexia
O Dicionário do Menino Andersen, de Gonçalo M. Tavares e Madalena Matoso (Planeta Tangerina), por Sara Figueiredo Costa
Histórias de Aventureiros e Patifes, organização de George R. R. Martin e Gardner Dozois (Saída de Emergência), por José Guardado Moreira

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Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-53/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-53/#comments Fri, 29 Jan 2016 20:54:02 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20298 Um Cisne Selvagem e outros contos, de Michael Cunningham (Gradiva), por Luciana Leiderfarb
O Pobre de Pedir, de Raul Brandão (Chão da Feira), por Pedro Mexia
Uma Sombra Laranja-Tigre, de Afonso de Melo (Âncora), por José Mário Silva
O Nascimento da Arte, de Georges Bataille (Sistema Solar), por Alexandra Carita
Os Caçadores de Livros, de Raphael Jerusalmy (Clube do Autor), por José Guardado Moreira
Roturas e Ligamentos, de Rita Taborda Duarte e André da Loba (Abysmo), por José Mário Silva
Animais e Companhia na História de Portugal, de Isabel Drummond Braga e Paulo Drummond Braga (Círculo de Leitores), por Luís M. Faria

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Biblioteca de Bolso, #3 http://bibliotecariodebabel.com/biblioteca-de-bolso/biblioteca-de-bolso-3/ http://bibliotecariodebabel.com/biblioteca-de-bolso/biblioteca-de-bolso-3/#comments Tue, 26 Jan 2016 10:23:41 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20296 Entre a fictícia Tonia Buddenbrook, por quem se apaixonou perdidamente aos 14 anos, e a Sophia de carne e osso, poeta luminosa que um dia o fez parar as máquinas da gráfica para melhorar um poema, Zeferino Coelho fala de livros que o marcaram. Vale a pena ouvir a sua voz grave, a sua discreta sabedoria, o seu entusiasmo que guarda uma pureza quase juvenil.
Para ouvir aqui.

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‘El Otro’ http://bibliotecariodebabel.com/cinema/el-otro/ http://bibliotecariodebabel.com/cinema/el-otro/#comments Mon, 25 Jan 2016 18:58:22 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20294

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Aquele banco http://bibliotecariodebabel.com/geral/aquele-banco/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/aquele-banco/#comments Sun, 24 Jan 2016 20:57:22 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20292 Caminhámos pela margem do Ródano, águas tão límpidas que se podia ver cada uma das pedras no leito do rio, à procura daquele banco que tanto me fascinou ao ler o primeiro conto d’O Livro de Areia (conferir aqui). Intitulado O outro, o conto narra o encontro de um Borges quase septuagenário, sentado nas margens do rio Charles, em Cambridge (perto de Boston), com o mesmo Borges no fim da adolescência, em Genebra. Como é óbvio, não encontrei o tal banco que está em dois lugares e em dois tempos diferentes, num como sonho, noutro como recordação. Limitei-me a contemplar as águas do Ródano, vindas do lago Léman, tão límpidas que se podia ver cada uma das pedras no seu leito.

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Visitar Borges (em Genebra) http://bibliotecariodebabel.com/geral/visitar-borges-em-genebra/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/visitar-borges-em-genebra/#comments Sat, 23 Jan 2016 20:36:09 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20287

Uns minutos em silêncio (ali perto, dois cães corriam; nenhuma presença humana para além de nós). Agradeci-lhe o génio, a grandeza literária, a perfeição da sua escrita. Viemos embora, longas sombras projectadas pela luz rasante.

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Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-52/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-52/#comments Fri, 22 Jan 2016 20:20:05 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20284 O Amigo Comum, de Charles Dickens (Relógio d’Água), por Luís M. Faria
O Peso da Sombra, de Eugénio de Andrade (Assírio & Alvim), por Pedro Mexia
Obras-primas dos Biombos Nanban, de Alexandra Curvelo (Chandeigne), por Manuela Goucha Soares
A Juventude, de Paolo Sorrentino (Jacarandá), por José Mário Silva
O Livro do Riso e do Esquecimento, de Milan Kundera (D. Quixote), por José Guardado Moreira
Milagreiro, de André Oliveira e vários ilustradores (Polvo), por José Mário Silva
O Cavaleiro Sueco, de Leo Perutz (Cavalo de Ferro), por José Guardado Moreira

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Teaser http://bibliotecariodebabel.com/biblioteca-de-bolso/teaser-6/ http://bibliotecariodebabel.com/biblioteca-de-bolso/teaser-6/#comments Fri, 22 Jan 2016 13:52:39 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20281

O convidado da próxima semana, no Biblioteca de Bolso, é um dos mais respeitados editores portugueses. Aos 14 anos, apaixonou-se por uma personagem de Thomas Mann e essa paixão não se desvaneceu com os anos, mesmo depois de ter visitado uma praia do Mar Báltico, em busca da sua sombra, só para descobrir que há sempre um abismo entre a realidade dos livros e a realidade «real».

(Como marcador da sua edição francesa de Os Buddenbrook, o nosso convidado usa um postal com o retrato de uma mulher de Lübeck, fotografado em data incerta. Não é Tonia, a rapariga que sacrificou a sua vida no altar de uma família em declínio, mas podia ser.)

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Um ‘site’ para Jaime Ramos http://bibliotecariodebabel.com/geral/um-site-para-jaime-ramos/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/um-site-para-jaime-ramos/#comments Fri, 22 Jan 2016 11:45:14 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20277 No momento em que Francisco José Viegas reúne alguns contos dispersos do seu carismático inspector (A Poeira que cai sobre a terra e outras histórias de Jaime Ramos, Porto Editora), é lançado um site só sobre esse inconfundível homem do Norte. Uma ideia original e inédita, creio, pelo menos em Portugal.
Os lugares por onde J.R. gosta de circular, as afinidades, os vícios, as palavras que o definem ou que ele definiu, as receitas do gastrónomo – eis algumas das secções deste work in progress que vale a pena ir acompanhando.

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Dentro do quarto amarelo http://bibliotecariodebabel.com/criticas/dentro-do-quarto-amarelo/ http://bibliotecariodebabel.com/criticas/dentro-do-quarto-amarelo/#comments Thu, 21 Jan 2016 19:23:47 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20270

O Papel de Parede Amarelo
Autora: Charlotte Perkins Gilman
Editora: Fyodor Books
Título original: The Yellow Wallpaper
Tradução: José Manuel Lopes
N.º de páginas: 41
ISBN: 978-989-691-444-8
Ano de publicação: 2015

Escrito em 1890, quando a autora ainda não completara 30 anos, este conto andou muitos anos perdido em antologias de literatura de terror, só sendo recuperado do esquecimento na década de 70, quando começa a ser visto, enfim, como aquilo que é: um grito simbólico contra a dominação masculina exercida sobre as mulheres. Coerente, de resto, com o percurso intelectual de Charlotte Perkins Gilman (1860-1935), uma das precursoras do feminismo americano, ao escrever ensaios em que defendia reformas sociais tendentes a uma efectiva igualdade entre os sexos.
Inspirado na experiência da autora, que sofreu uma crise de neurastenia nos meses seguintes ao nascimento da filha, O Papel de Parede Amarelo é o relato de uma depressão pós-parto. A narradora, forçada a um regime de repouso absoluto pelo marido, um médico rígido e controlador, escreve às escondidas e vai lamentando o deserto de estímulos a que está reduzida. O sufoco da vida doméstica conduz a um estado de sofrimento que a família desvaloriza por não apresentar manifestações físicas, só psíquicas.
Enquanto a diligente cunhada trata do bebé, ela passa o tempo na cama, a contemplar obsessivamente os horríveis padrões geométricos do papel de parede que reveste o quarto: «se nos demorarmos a percorrer as suas irregulares e imperfeitas curvas, repararemos que de repente se suicidam – afundam-se em excêntricos ângulos». No papel de parede, transformado em espelho, dá-se então o movimento de libertação. A narradora começa por pressentir uma figura feminina a rastejar por trás do padrão, a abaná-lo, «como se quisesse sair». Um fantasma abstracto? Um reflexo de si mesma? O que perdura deste conto é a assombrosa resposta a estas perguntas que chega nos parágrafos finais.

Avaliação: 7/10

[Texto publicado na revista E, do semanário Expresso]

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Três poemas de Rita Natálio http://bibliotecariodebabel.com/geral/tres-poemas-de-rita-natalio/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/tres-poemas-de-rita-natalio/#comments Wed, 20 Jan 2016 22:57:33 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20275 ARTESANATO

No âmago do âmago não há âmago
assim como no âmago do amo não há amo
disse o amo enquanto cuidava dos nervos das suas
plantas filosóficas.

***

START UP

Ontem estava eu no meio de um vendaval de cuecas sujas
quando proclamei: os meus objectivos
são tão claros como a minha falta de objectivos
nivelo-me pelo meio
como qualquer cidadã de metro e meio da Régua.

Sou alpinista de montes e serras de palha
troco arroz por palha
escrevo palha sobre todo o pilim do mundo
pedra sobre pedra, pedra papel tesoura
admito sem pudor e perante todos que não sei
nem quero domar o perlimpimpim do mundo.

Empalhada, empapada, empalada na conversa do psicanalista
começo a ter dificuldades no controlo de psicoventos
ai, a antevisão de todas as ideias é para mim uma câmara ardente
ai, os meus olhos de televisão vidente
vêem passar as carpideiras do real
e com elas limitam-se a carpir
com todo o já-sabido-sentido-lambido
com todo o estertor de um mundo quase vencido.

Conheço e mato,
reconheço e morro.
Reconheço e remato,
reconheço e remôo.

A ideia nasce
mas a ideia já nada-morta.
A ideia nasce
mas todo o século vinte e um
é um post-mortem e um.
Todo o século vinte e um
é um post-hit e um.
Todo o século vinte e um
é um trinta e um.

Por sorte, ainda me resta uma costela de feitante:
vendo esta ideia por dois euros no minipreço
para comprar um euromilhões
e penso na multiplicação do pão
do meu imaginário vão (de escada)
e com sorte, ainda chego a artista doutorada em vazio
e se me perguntarem porquê
responderei: porque preciso de dinheiro para comprar cuecas.

***

NOVE SEMANAS E MEIA

(para deleuze)

Deleuze, teu sapato era de nuvem
a tua língua o beco
em que aprendi a dizer
não volto mais aqui
não vejo mais televisão
quero fazer esse jardim arder
quero lento esse arder.

Deleuze, você foi embora ontem ou em 1995
e eu tinha 12 anos e já fazia planos
de consistência com as costelas
ou raspava panelas
para encontrar a linha de fuga
em que marcaria a sequência genética do acontecimento
do aço, do dente ou do radical crescimento.

Você foi embora, foi
só para eu lhe dizer adeus, adeus
eu fiquei ali na sala dos jovens lambendo o cinzeiro
acariciando a sociedade que sabe a rosa uva pasta pneu estriado
e você ali mesmo espatulou o tempo para ficar liso sobre o meu bicho.

‘Ah, mas o senhor é um verdadeiro planalto de afeto’
eu disse a você com 18 anos
e depois com 19 e depois com 20
como se você dissesse
‘ah, mas a menina é um verdadeiro túmulo de idolatria’
ao que eu respondi com 25 26 27 dúvidas
‘sei pouco sobre o devir da pedra’.

Deleuze, vem daí, deita comigo nessa mesa
sacode o meu sexo nessa jangada frágil
onde o corpo e os órgãos
são largados na operação do mundo.

[in Artesanato, não (edições), 2015]

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O vulcão erudito http://bibliotecariodebabel.com/geral/o-vulcao-erudito/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/o-vulcao-erudito/#comments Wed, 20 Jan 2016 19:37:04 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20266 Coincidindo com a exibição do filme nos cinemas portugueses, chegou recentemente aos escaparates a versão romanesca de A Juventude, de Paolo Sorrentino. Vi a película, li o livro. Detestei os dois. Na tradução do italiano, feita por Rossana Appolloni, encontrei um erro involuntário que escapou aos revisores e de certo modo ainda bem, porque é muito divertido – ao contrário do texto original. Acontece quando o narrador compara o protagonista e a filha às «estátuas cristalizadas» depois da erupção de um vulcão. Só que o que está lá escrito é «a erudição de um vulcão». No caso do Etna, diga-se, até faria algum sentido, se nos lembrarmos que foi nas suas entranhas que Empédocles, o filósofo pré-socrático, se lançou para a morte.

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A noite dos homens http://bibliotecariodebabel.com/geral/a-noite-dos-homens/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/a-noite-dos-homens/#comments Tue, 19 Jan 2016 22:58:15 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20260

Pai Nosso
Autora: Clara Ferreira Alves
Editora: Clube do Autor
N.º de páginas: 474
ISBN: 978-989-724-270-0
Ano de publicação: 2015

Chamam-lhe «O Fantasma». Maria, a protagonista de Pai Nosso, primeiro romance de Clara Ferreira Alves, é uma figura misteriosa, difusa, uma esfinge. Para acender os muitos cigarros que fuma, risca fósforos. Bebe gin no bar do Al-Rashid, o hotel mais luxuoso de Bagdade. Tem aura de antiga estrela de cinema. Apropriadamente, tratando-se de uma lenda viva do fotojornalismo, o seu retrato, logo na primeira página, não podia ser mais fotográfico: «Sopra uma coluna de fumo que dissolve as linhas da expressão. A claridade dos olhos corta vidro. A Leica em cima da mesa. Tem as unhas cuidadas e envernizadas. Os dedos nodosos, a pele da mão manchada de sardas.» Ela está ali, no centro do «ninho de cobras» que é o Iraque, um país destruído, entregue ao caos, com as milícias do ISIS a poucos quilómetros da capital, porque esse é o destino mais lógico para quem viu e captou, em imagens que correram mundo (e até chegaram à capa da revista Time), os principais conflitos das últimas décadas. Ela esteve no Afeganistão, no Kosovo, em Jerusalém, nos territórios palestinianos ocupados, em Telavive, conhece o Médio Oriente como a palma das mãos. Após tantos anos de contacto com a guerra, a guerra já faz parte dela, da forma como olha para a realidade à sua volta. «Só existe a barbárie. Entrámos na noite dos homens.» Uma noite que se espalha pelo mundo e chega a todo o lado. Até à Europa. Até a Lisboa.
Quando o livro começa, a capital portuguesa já foi abalada por um acontecimento maior, inimaginável, tremendo, mas que só será revelado nas páginas finais. É atrás da explicação desse acontecimento, da sua história «mal contada», que chega ao Al-Rashid a narradora, Beatriz, professora de Estudos do Médio Oriente em Inglaterra. Um editor português desafiou-a: «Minha cara amiga, depois daquilo que se passou, ficámos no mapa. Se ficámos no mapa!» Só que para compreender o que se passou é preciso ouvir o testemunho de Maria, peça-chave no labirinto da tal história mal contada, a mulher que «permaneceu anos em silêncio», mas talvez esteja disposta a libertar-se de um segredo. «Tente», diz-lhe o «especialista de best-sellers», assim como quem atira barro à parede. E Beatriz tenta.
No ambiente saturado de testosterona dos correspondentes de guerra, «durões» da velha guarda, «sanguessugas da desgraça», ameaçados pela horda dos freelancers «dispostos a tudo por um furo que ninguém quer», Beatriz consegue quebrar a película de desdém com que Maria enfrenta os outros e torna-se a sua protegida, a sua confidente. Fechadas no quarto, conversam dias a fio, desbravando as «paisagens» do passado. Maria é a Sherazade de Beatriz, uma voz fluida, um rio interminável de palavras que o gravador regista, relato em expansão acelerada e cada vez mais denso, à medida que mergulha nas memórias íntimas da fotógrafa portuguesa, quase sempre tingidas de melancolia e sobrepostas como se fossem estratos geológicos.
Ao longo do livro vão surgindo muitos «figurantes», personagens que entram na história para sair no momento seguinte, mas o centro de Pai Nosso está numa única pessoa: Maria. A sua personalidade determina o ritmo da escrita. Cheia de certezas, sentenciosa, ela gosta de exagerar («Sem a hipérbole, as descrições sofreriam») e de impor a sua visão das coisas. A prosa acompanha essa cadência afirmativa. É sincopada. Feita de frases curtas e incisivas. Stacatto verbal. Poucas vírgulas, muitos pontos finais. Um estilo forte, enérgico, quase sempre brilhante, mas que se torna cansativo, sobretudo porque não há outros registos que se lhe oponham e criem um contraste. A voz de Maria contamina tudo à sua volta. A própria Beatriz admite: «Estou a falar como ela.»
A estrutura narrativa não é propriamente original. O romance funciona como o gravador de Beatriz. Por isso há capítulos intitulados «play» (a acção no tempo presente, em Bagdade), «rewind» (os mergulhos no passado) e «fast forward» (avanços cronológicos). Embora simples, o dispositivo é eficaz. O problema não está aí, mas na articulação entre dois tipos de materiais que nunca chegam a coexistir de forma harmoniosa. Ou seja, o jornalismo e a ficção pura. As deambulações de Maria pelos palcos das várias guerras correspondem a uma realidade que Clara Ferreira Alves conhece muito bem e desdobra à nossa frente com mestria. Já os enredos propriamente romanescos revelam uma enorme fragilidade, sobretudo os que abarcam as relações amorosas de Maria e as figuras do passado português.
Se a trajectória da infância, no eixo Campolide-Benfica, sob o signo de uma mãe suicida e de um pai distante, racista, antigo combatente em África, espécie de último soldado do Império, até nos oferece belas páginas, o mesmo não se pode dizer dos episódios relativos à amizade com a filha de um banqueiro com «olhos de réptil», casada com um tal de Eduardo Allen Carneiro, ex-maoísta que se torna primeiro-ministro de Portugal e depois «Presidente da Europa». Estamos no território do roman à clef pouco subtil. Apoiante entusiástico da invasão do Iraque em 2003, Allen Carneiro não se liberta do peso de ser uma caricatura de Durão Barroso. E não é preciso um grande esforço de imaginação para atribuir ao sogro de Eduardo, uma espécie de eminência parda, os traços de um mediático banqueiro recentemente caído em desgraça. Outro aspecto que não resulta é a inclusão, no corpo do texto, de preces das três ‘religiões do livro’: invocações tanto ao Deus dos cristãos (o Pai Nosso do título), como ao dos muçulmanos (Alá) e dos judeus (Adonai). Por muito que se fale de Jerusalém, a questão religiosa nunca assume uma centralidade que justifique a repetição, algo forçada, de excertos das referidas preces.
A ideia com que se fica, ao concluir a leitura deste romance, é que Clara Ferreira Alves se deixou dominar pela torrencialidade da protagonista. Consequência: o romance sofre de hipertrofia e leva demasiado tempo a chegar ao seu poderosíssimo desenlace. Ainda assim, pelo caminho algo acidentado, a autora oferece-nos uma muito razoável colecção de belas frases, a confirmar o seu reconhecido virtuosismo verbal. Exemplos: uma mulher «a polir as unhas com uma lima neurótica»; o pátio de hotel onde «faleceu uma piscina vazia com mosaicos partidos»; o canto do muezim, «lamento líquido como mercúrio derramado»; os nómadas que se enfiam «pela bainha da guerra apascentando os rebanhos»; ou o calor do corpo «retido na prata» do frasco de gin.
Pai Nosso é um excelente livro sobre os horrores deste início de século e suas múltiplas causas, mas fica aquém do grande romance que prometia ser. Falta-lhe em espessura ficcional o que lhe sobra em reflexão apaixonada sobre o porquê da “noite dos homens”, em cujas sombras há quem decapite inocentes.

Avaliação: 6,5/10

[Texto publicado na revista E, do semanário Expresso]

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Biblioteca de Bolso, #2 http://bibliotecariodebabel.com/biblioteca-de-bolso/biblioteca-de-bolso-2/ http://bibliotecariodebabel.com/biblioteca-de-bolso/biblioteca-de-bolso-2/#comments Mon, 18 Jan 2016 11:27:48 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20254 No segundo episódio do Biblioteca de Bolso, há reflexões sobre a morte em torno de uma novela perfeita de Tolstói, há a história de uma paixão assolapada por uma personagem de Os Maias (com todos os efeitos secundários, hormonais e sentimentais, que se possam imaginar), há uma tatuagem em cirílico que causa equívocos no Estádio da Luz, há memórias de chocolate quente (a ler Roald Dahl), há curiosos soundbytes e muitas, muitas gargalhadas. São 40 minutos de animadíssima conversa com a Catarina Homem Marques. Podem escutá-los aqui.

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O apocalipse ‘apocalítico’ http://bibliotecariodebabel.com/geral/o-apocalipse-apocalitico/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/o-apocalipse-apocalitico/#comments Mon, 18 Jan 2016 10:21:43 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20250 As editoras que obedecem ao novo Acordo Ortográfico espalham a esmo, nos seus livros mais recentes, calinadas que até me magoam os olhos – provocando uma dorzinha que se espalha, em movimento ondulatório, através do nervo óptico (com p) até às mais remotas circunvoluções do meu cérebro. Os vocábulos do acordês são feios, feios, feios. Ainda há dias, ao ler o excelente A de Açor, de Helen Macdonald (Lua de Papel), fiquei uns bons segundos a olhar para uma palavra coxa, «apocalítica», até perceber que se tratava de um adjectivo associado à ideia de apocalipse. Escusado será dizer que o verdadeiro apocalipse em curso é o da língua portuguesa.

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Provador de sons (2) http://bibliotecariodebabel.com/geral/provador-de-sons-2-2/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/provador-de-sons-2-2/#comments Sun, 17 Jan 2016 23:43:24 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20252 «Aquela sala, aquela música»:

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Provador de sons http://bibliotecariodebabel.com/excertos/provador-de-sons/ http://bibliotecariodebabel.com/excertos/provador-de-sons/#comments Sun, 17 Jan 2016 11:07:35 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20245 No mais recente livro de Gonçalo M. Tavares, Breves Notas sobre Música (Relógio d’Água), encontrei, logo a abrir, este fragmento:

«Pensar em provadores de música semelhantes aos provadores de vinho. Provam com a orelha: trinta segundos de som e rapidamente percebem o essencial.
Sete orquestras em sete salas diferentes, salas fechadas. O provador de sons abre, uma após outra, cada uma das portas e inclina o seu sistema auditivo na direcção do som durante trinta segundos. Durante trinta segundos de vida nada existe senão trinta segundos de música. Ou seja, não são trinta segundos de vida, são trinta segundos de música. Já está. O provador segue para a sala seguinte. No fim, diz: escolho aquela sala, aquela música.»

Ora aí está uma profissão que eu não me importava de ter.

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E porque não? http://bibliotecariodebabel.com/geral/e-porque-nao/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/e-porque-nao/#comments Sat, 16 Jan 2016 15:59:37 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20243 A actriz Emma Watson anunciou a intenção de criar um «clube do livro feminista».

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Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-51/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-51/#comments Fri, 15 Jan 2016 20:35:43 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20229 Pai Nosso, de Clara Ferreira Alves (Clube do Autor), por José Mário Silva
Todos os Fogos, o Fogo, de Julio Cortázar (Cavalo de Ferro), por Pedro Mexia
A Morte de um Apicultor, de Lars Gustafsson (Marcador), por José Guardado Moreira
O Papel de Parede Amarelo, de Charlotte Perkins Gilman (Fyodor Books), por José Mário Silva
Os Ombros da Marquesa e outras ironias, de Émile Zola (Sistema Solar), por José Guardado Moreira

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À flor da boca http://bibliotecariodebabel.com/criticas/a-flor-da-boca/ http://bibliotecariodebabel.com/criticas/a-flor-da-boca/#comments Thu, 14 Jan 2016 22:02:29 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20239

Pornografia Comum
Autor: Joaquim Cardoso Dias
Editora: Gulliver
N.º de páginas: 53
ISBN: 978-989-20-6243-3
Ano de publicação: 2015

Revelado durante a década de 90 nas páginas do saudoso DN Jovem, onde se tornou figura de culto entre os colaboradores do suplemento, Joaquim Cardoso Dias (n. 1973) é um poeta muito discreto e, talvez por isso, quase desconhecido, embora nunca lhe tenha faltado o reconhecimento de outros poetas. Até agora, a sua obra resumia-se a um único livro de poesia, O Preço das Casas (Gótica, 2002), e à organização de um volume de correspondência (Dez Cartas para Al Berto, Quasi, 2007). Esta contenção deve-se a um auto-escrutínio implacável e talvez excessivo («escrevo muito pouco e posso dizer tudo / e não falar nada»), nos antípodas de uma certa ligeireza que leva alguns autores a publicarem praticamente tudo o que escrevem.
Para JCD, a poesia só faz sentido se for um lugar de entrega absoluta, de exposição total, palco de todos os fulgores e fragilidades: «eu escrevo livros para pulsar / no mundo». E é isso que eles fazem. Pulsam como corpos perecíveis. Captam microscópicas vibrações, cambiantes de luz, matérias tão impalpáveis que estão sempre em vias de se desfazer. Em O Preço das Casas, circulávamos entre os abismos do amor e a desolação do que vem depois. Numa das páginas finais, um verso refere a «palavra morte sem princípio nem fim». Era ainda uma morte quase abstracta, mas que se materializa agora, como sombra omnipresente, em Pornografia Comum, livro que nasce de um estado de luto, após a morte recente, e quase simultânea, dos pais do poeta.
De uma obra para a outra, repetem-se títulos, alguns versos, um poema inteiro, a mesma voz magoada, delicadíssima. Esta é uma arte de elipses e incisões, de desvios e recuos, de coragem e recato, de coisas ditas «à flor da boca». E se «escrever é sempre aquele desejo demasiado / inocente», também conduz a uma espécie de conhecimento íntimo da beleza: «sei que uma criança é um espelho à janela / cercada pelas estrelas em plenos pulmões».

Avaliação: 8/10

[Texto publicado na revista E, do semanário Expresso]

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Más notícias do Oriente http://bibliotecariodebabel.com/livrarias/mas-noticias-do-oriente/ http://bibliotecariodebabel.com/livrarias/mas-noticias-do-oriente/#comments Wed, 13 Jan 2016 11:57:22 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20237 Em Hong Kong, ser livreiro é uma profissão de risco.

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Metempsicoses http://bibliotecariodebabel.com/criticas/metempsicoses/ http://bibliotecariodebabel.com/criticas/metempsicoses/#comments Tue, 12 Jan 2016 13:57:07 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20231

As Reencarnações de Pitágoras
Autor: Afonso Cruz
Editora: Alfaguara
N.º de páginas: 115
ISBN: 978-989-665-015-5
Ano de publicação: 2015

Tal como a obra literária de Gonçalo M. Tavares, também a de Afonso Cruz tem várias frentes, ou ramos autónomos. Um dos mais profícuos tem sido, desde 2009, o projecto da Enciclopédia da Estória Universal, conjunto de volumes supostamente organizados por um fictício Théophile Morel. A ideia inicial da série consistia em juntar, por ordem alfabética, entradas sobre os mais variados tópicos (filosóficos ou históricos, científicos ou míticos), todas elas fantásticas, falsificadas, ou mal atribuídas. Estávamos no terreno da literatura enquanto jogo e «grande burla», em que o leitor, o burlado, está consciente dos engenhosos enganos e deixa-se enredar nos labirintos da ficção, à maneira do que acontece em muitos livros de Borges, mencionado por Morel, no comentário ao primeiro volume, como exemplo de toda uma escola de escritores «embusteiros e mistificadores».
Se os volumes seguintes mantiveram os princípios estruturais – como a ordem alfabética e as citações de autores imaginários, muitos dos quais aparecem, enquanto personagens, nos romances autónomos de Afonso Cruz –, o certo é que a Enciclopédia tem vindo a perder consistência. O segundo tomo (Recolha de Alexandria, 2012) e o terceiro (Arquivos de Dresner, 2013) revelavam menos rasgo do que o volume inicial, mas eram ainda belíssimas colecções de pequenas narrativas eruditas, saídas da imaginação algo selvagem de um leitor omnívoro, que imaginamos a devorar bibliotecas inteiras e a recombiná-las num acto de suprema liberdade criativa. Já o quarto volume, Mar (2014), se revelou mais problemático, não apenas por se circunscrever a um só tema, anunciado no título, mas porque inclui textos de maior dimensão (duas novelas curtas). No fundo, funciona como uma recolha de contos, alguns deles com interligações, quase todos bastante conseguidos. Nada temos contra o livro enquanto objecto literário que vale por si mesmo (embora não esteja entre os melhores de Afonso Cruz), mas inclui-lo na série da Enciclopédia pareceu algo forçado.
O mesmo se passa com este quinto volume, servido por belas ilustrações de Susa Monteiro. Não se discute o conceito, um «resumo poético de algumas das transmigrações que Pitágoras viveu ao longo dos séculos, desde a Mesopotâmia aos dias de hoje», mas o seu confinamento temático. Se excluirmos o facto de os textos, curtíssimos, surgirem em ordem alfabética, não há nada que justifique a inclusão na Enciclopédia – a não ser, talvez, o compromisso assumido com a editora de publicar um volume por ano. Além disso, o próprio elemento unificador, ou seja, o exercício de invenção de vidas passadas e futuras para o matemático grego que acreditava na reencarnação da alma, parece algo gratuito. É um pretexto como qualquer outro para criar uma galeria de personagens, mas sente-se que essas personagens seriam as mesmas, existiriam sempre, mesmo se o pretexto fosse diferente.
Num escritor tão talentoso e brilhante, fica a ideia de que Afonso Cruz baixou a guarda e cedeu à facilidade. A própria escrita revela mais oscilações qualitativas do que é hábito no autor. Ainda assim, o livro vale por algumas vinhetas perfeitas. Um exemplo: a história de Malgorzata Jajac, presença assídua nos outros volumes da Enciclopédia, autora que «escrevia terramotos» e cujas frases, de tão altas, se tornavam «para quem as lê, vertigem numa folha de papel». Ou esse Ioane Dolidze que «pretendia crucificar a Humanidade sem usar madeira e pregos». Como? Dizendo aos homens para «caminharem na direcção uns dos outros de braços abertos, crucificados na promessa de um abraço».

Avaliação: 5,5/10

[Texto publicado na revista E, do semanário Expresso]

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Biblioteca de Bolso, #1 http://bibliotecariodebabel.com/geral/biblioteca-de-bolso-1/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/biblioteca-de-bolso-1/#comments Mon, 11 Jan 2016 14:02:26 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20226 O primeiro episódio já está disponível: aqui.

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Quatro poemas de Joaquim Cardoso Dias http://bibliotecariodebabel.com/geral/quatro-poemas-de-joaquim-cardoso-dias/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/quatro-poemas-de-joaquim-cardoso-dias/#comments Sun, 10 Jan 2016 19:28:55 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20241 OS MORTOS

o que dissemos ontem aos mortos
talvez agora com menos amigos
seja a floração daquela memória
pesando nos ombros
para que os dias aconteçam
cada vez mais lentos
mas tudo recomeça
por me deitar contigo
deixar a luz acesa
e esperar muito que pare de chover

***

SERVIÇO DE ESTRANGEIROS

há tanto tempo que não acreditamos em nada
e nem sequer nos lembramos disso
sou apenas uma criança brincando
erguendo a recordação de uma nova pureza
o primeiro pássaro
esse peso de árvore tão feliz por engano
olha confio-te o meu coração
e trago-te esta comida estas palavras com o tempo
dos dedos
a casa onde a terra começa a viver

***

AS FOTOGRAFIAS SUJAS

conhecemos esse sortilégio fugitivo das vozes
as palavras lembradas pelos animais sob um céu imenso
vimos essa essência novos poemas
restos de ossos e de fogo indícios onde os braços
doem perseguidos pela melancolia
sabemos o azul das t-shirts no verão até perder o fôlego
e uma cama para foder o mundo
ou essa forma sublime de cuspir nos outros
e queremos ser felizes
com a máquina de barbear do irmão mais velho
e o que nos falta
é a coragem de compreender o que sabemos
como a chuva dentro de casa
demasiado transparente sobre os ombros

***

THE SCIENTIST

da via rápida os prédios parecem felizes
batendo na luz com esta música
nem se sentem os motores
muito menos ficar a olhar as árvores
e em câmara lenta a velocidade
é a verdadeira faca do sémen
a poucos segundos da civilização
fiel à morfologia dos outdoors
que separa de mim a minha própria pele
pagamento de juros no final do prazo
saiba tudo aqui ferido pelas paredes
e eu não conheço outras palavras
para tantas instruções de salvamento esquecidas
sem deuses na loucura
morder o coração perder a cabeça adormecer os prédios
e os anos passam todos os dias
e não somos felizes para sempre

[in Pornografia Comum, Gulliver, 2015]

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Começa já na segunda http://bibliotecariodebabel.com/geral/comeca-ja-na-segunda/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/comeca-ja-na-segunda/#comments Sat, 09 Jan 2016 18:15:09 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20219 É o outro BdB. Para ouvir, todas as semanas. Mais informações aqui.

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Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-50/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-50/#comments Fri, 08 Jan 2016 20:11:48 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20192 A Minha Luta 2: Um Homem Apaixonado, de Karl Ove Knausgård (Relógio d’Água), por Pedro Mexia
As Reencarnações de Pitágoras, de Afonso Cruz (Alfaguara), por José Mário Silva
Os Mutilados, de Hermann Ungar (E-Primatur), por José Guardado Moreira
Casas com Escritos, de Margarida Acciaiuoli (Bizâncio), por Luís M. Faria
Porto do Mistério do Norte, de Dimas Simas Lopes (Companhia das Ilhas), por Carlos Bessa
Pornografia Comum, de Joaquim Cardoso Dias (Gulliver), por José Mário Silva
Quando as Pombas Desaparecem, de Sofi Oksanen (Alfaguara), por José Guardado Moreira

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Quando um editor atravessa o espelho http://bibliotecariodebabel.com/entrevistas/quando-um-editor-atravessa-o-espelho/ http://bibliotecariodebabel.com/entrevistas/quando-um-editor-atravessa-o-espelho/#comments Thu, 07 Jan 2016 18:30:01 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20221

Editor Contra – Fernando Ribeiro de Mello e a Afrodite
Autor: Pedro Piedade Marques
Editora: Montag
N.º de páginas: 360
ISBN: 978-989-2033-07-5
Ano de publicação: 2015

No centro de uma banheira circular, cheia de água e espuma, está sentado um homem de porte aristocrático, pêra bem aparada, cigarro na mão, bigodes torcidos. Do lado de fora, figurantes vestidos de diabo e supostas raparigas (que na verdade eram travestis) pavoneando-se com palavras escritas a marcador na pele e nas fitas com que prendem os cabelos. Estamos em Dezembro de 1971 e a apresentação daqueles quatro livros acabados de lançar pela editora Afrodite – História Trágico-Marítima, O Grande Livro de S. Cipriano, a versão para adultos de As Aventuras de Alice no País das Maravilhas, e Anti-Duhring, de Engels (este último imediatamente proibido) – tornar-se-ia lendária. Rodeado de jornalistas, Fernando Ribeiro de Mello, a quem logo chamaram «Dali de Lisboa», responde apenas ao que lhe interessa, ciente de que o happening tem força por si mesmo. Na tarde seguinte, a «sessão líquida» aparece na primeira página do Diário de Lisboa, com uma fotografia que ocupa um terço da mancha gráfica, mesmo junto ao rectângulo onde se lê: «visado pela censura».

Se há alguém que conhece bem a censura, os seus mecanismos e perversidades, é Fernando Ribeiro de Mello. Logo no primeiro ano de actividade da Afrodite, entre 1965 e 1966, vê seis livros serem proibidos, perseguidos, levados a tribunal. O regime não estava preparado para o desassombro de um editor que começou por publicar um clássico do erotismo oriental (o Kama Sutra), para logo depois se abalançar a uma notável Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica, organizada por Natália Correia, bem como a obras malditas: de Sade (A Filosofia na Alcova) a Sacher Masoch (A Vénus de Kazabaïka). Era, no fundo, a confirmação da aura de enfant terrible que lhe fora colada logo em 1963, quando chegou do Porto, com apenas 22 anos, e se deu a conhecer, com estrondo, no meio literário lisboeta.
Aspirante a declamador de poesia, Ribeiro de Mello organizou nessa altura um recital na Sociedade Nacional de Belas Artes com um pressuposto, digamos, peculiar. Numa espécie de prova cega, a que chamou «O Teste», ele e a actriz Isabel de Castro iam lendo poemas aos pares, sem revelar a autoria dos mesmos. No fim de cada leitura, voluntários com cronómetros mediam a duração dos aplausos que a plateia dispensava a cada texto. O objectivo era evidente: mostrar que, ao dissociar-se os versos de quem os fez (e do peso correspondente ao prestígio do autor), se obteria um julgamento estético mais livre. Para surpresa de muitos, os poetas modernistas e surrealistas, considerados mais difíceis para o público em geral, obtiveram uma aclamação bastante superior à que foi reservada aos neo-realistas. Seguiram-se semanas de protestos, indignação e polémicas nos jornais, incluindo um violento duelo verbal entre o novato Ribeiro de Mello e Francisco Sousa Tavares, que levou a peito o facto de Sophia de Mello Breyner Andresen, sua mulher, ter recebido menos aplausos do que Natércia Freire.
Estes dois momentos do percurso de Fernando Ribeiro de Mello são amplamente descritos e analisados em Editor Contra, o livro com que Pedro Piedade Marques decidiu resgatar do esquecimento um dos agentes culturais mais singulares da segunda metade do século XX português. Singular e atípico, em muitos sentidos. Se a Afrodite, na última década do Estado Novo, foi um exemplo de desafio subversivo à lógica do regime, depois do 25 de Abril continuou a funcionar em contra-corrente. O editor que teve a coragem de publicar o que antes não era permitido, por ser considerado atentatório da moral e dos bons costumes, viu-se num dilema quando a liberdade fez desaparecer todas as limitações. Moveu-se então no sentido contrário, dando à estampa, em pleno PREC e nos anos seguintes, obras de teor anti-comunista, panfletos de direita e até uma edição de Mein Kampf. Era o princípio do fim para um homem que se opôs sempre aos poderes instituídos, que nunca deixou de ser intransigentemente «do contra». Ora a intransigência, como é sabido, tem os seus custos. A partir dos anos 80, a Afrodite entra em decadência, naufraga em dívidas, enquanto o editor acaba falido, incompatibilizado com quase toda a gente e, depois da sua morte precoce (aos 50 anos), esquecido.

Pedro Piedade Marques nasceu em 1971, «o ano da banheira». Lembra-se de ter comprado o seu primeiro livro da Afrodite na Páscoa de 1986. Muito mais tarde, tornou-se ele próprio editor (Livros de Areia) e um estudioso da história da edição nos seus mais variados aspectos, do design gráfico ao percurso dos grandes homens que foram surgindo na indústria do livro. No seu blogue, Montag, que tem como descritivo “resgate do fogo para retronautas”, recupera não só edições antigas, e suas circunstâncias, mas muitas figuras de mestres do ofício que foram ficando à margem, devorados pelo olvido. Fernando Ribeiro de Mello era uma dessas figuras. «A ideia que eu tinha dele era a do editor suicida, o tipo que depois de 74 desbaratou a aura que trazia dos tempos da censura. Mas não foi bem assim. Mesmo as edições mais loucas dele, como o livro do Hitler, em 1976, ou os ensaios anti-soviéticos, têm uma lógica, são uma provocação ao novo sistema político. ‘Deixem-me lá ver se são assim tão liberais como apregoam.’ O problema dele foi o timing.» Era ainda demasiado cedo, a sensibilidade ideológica não permitia grandes heterodoxias, e a maioria dos dez mil exemplares de Mein Kampf, publicado na convicção de que é preciso conhecer para condenar, ficou a apodrecer no armazém. «Foi um de muitos desastres. Mas quando descobri que houve condições objectivas que determinaram o seu fracasso, percebi que fazia sentido olhar melhor para o seu percurso.»

Durante três anos, a investigação ampliou-se. Além de depoimentos escritos de Vítor Silva Tavares, o mentor da &Etc, e do tradutor Aníbal Fernandes, Pedro Piedade Marques reconstituiu minuciosamente a ascensão e queda de Ribeiro de Mello (recorrendo à metáfora da travessia do espelho, vendo no objecto do seu estudo não tanto o equivalente da Alice de Lewis Carroll, mas antes o Valete de Copas). A riqueza do texto está no modo empolgado como são contadas as muitas histórias do editor e de quem com ele conviveu, apoiadas numa profusão de documentos, fotografias e fac-símiles, entre os quais algumas raridades, como três cartas de Luiz Pacheco ou o texto integral de As Avelãs de Cesariny (um ataque de pendor homofóbico, que «hoje seria completamente inaceitável»). Acrescentou ainda a transcrição de conversas com dois dos ilustradores da Afrodite, Eduardo Batarda e Nuno Amorim, além de uma cronologia dos 85 títulos publicados por Ribeiro de Mello entre 1965 e 1989.

Pedro Piedade Marques continua a considerar um escândalo que em 2015 uma história como esta, não só de um editor excêntrico mas de toda uma época cultural do país, estivesse por contar. «Sorte a minha, claro.» Uma sorte que se estende à oportunidade que teve de conhecer Vítor Silva Tavares, recentemente desaparecido, um dos poucos amigos indefectíveis de Ribeiro de Mello. «O Vítor abriu-me todas as portas. Passou-me o testemunho daquele tempo. Por isso, o livro também é dele.»
Findo um trabalho que ganhou foros de obsessão, não pensa avançar já com outras «operações de resgate», mas gostava ainda de abordar o trabalho de Bruno da Ponte à frente da Minotauro (editora que a PIDE destruiu literalmente) ou, já agora, os «extraordinários» quatro anos que Vítor Silva Tavares passou na Ulisseia, durante a década de 60.

Avaliação: 9/10

[Texto publicado na revista E, do semanário Expresso]

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Palavra do ano http://bibliotecariodebabel.com/geral/palavra-do-ano/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/palavra-do-ano/#comments Wed, 06 Jan 2016 18:52:16 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20210 Depois de «esmiuçar» (2009), «vuvuzela» (2010), «austeridade» (2011), «entroikado» (2012), «bombeiro» (2013) e «corrupção» (2014), a Porto Editora anunciou que a palavra do ano 2015, segundo a eleição que levou a cabo, com 20 mil participantes, é «refugiado», com uns claros 31% dos votos (ver nota de imprensa aqui). Não se pode dizer que seja uma surpresa. E pelo menos é uma escolha séria. Num ano que assistiu a vários episódios de terrorismo e a um gigantesco deslocamento forçado de populações, seria ridículo que o vencedor fosse a palavra «festivaleiro»; ou, pior ainda, «bastão de selfie».

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Mergulho na psique http://bibliotecariodebabel.com/criticas/20204/ http://bibliotecariodebabel.com/criticas/20204/#comments Tue, 05 Jan 2016 16:26:11 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20204

Talco de Vidro
Autor: Marcello Quintanilha
Editora: Polvo
N.º de páginas: 160
ISBN: 978-989-8513-43-4
Ano de publicação: 2015

Há uns meses, a Polvo deu-nos a conhecer, na sua excelente colecção de “romance gráfico brasileiro”, o penúltimo trabalho de Marcello Quintanilha: Tungsténio. Nesse livro, que tem Salvador da Bahia como cenário, acompanhamos histórias cruzadas de traficantes de droga e polícias, choques sociais e dilemas psicológicos, num fluxo de acontecimentos muitíssimo bem trabalhado, linear na sua estrutura mas com uma série de rasgos visuais que lhe conferem uma certa sofisticação narrativa. Na verdade, faltava a Tungsténio apenas um final mais forte, capaz de fazer jus à espantosa energia que atravessa todo o álbum.
Com Talco de Vidro, a sua mais recente novela gráfica (publicada no Brasil já em 2015), Quintanilha supera-se e oferece-nos uma obra que não se parece com nenhuma outra. Se um dos aspectos mais interessantes do livro anterior era o modo como o autor explorava a interioridade das personagens, os seus pensamentos e pulsões (sobretudo no caso de Keira, figura da amante que se questiona, à beira da ruptura sentimental), esse mergulho na psique é levado agora muito mais longe – na verdade, é levado até às últimas consequências.

No centro da narrativa está Rosângela, uma mulher de classe média-alta, com uma vida aparentemente perfeita: marido atencioso, filhos adoráveis, uma profissão (é dentista, com consultório próprio), casa no melhor bairro de Niterói, um bom carro. Esta harmonia é desfeita quando o sorriso radioso da prima pobre e de vida desgraçada, com quem sempre manteve uma distância feita de preconceito social (e respectiva ilusão de superioridade), lhe instiga a sensação de que Daniele, afinal, tem algo que lhe escapa, um qualquer inapreensível e inacessível talento para ser feliz. A inveja pura e dura lança-a num turbilhão autodestrutivo, em que a sua personalidade, de tanto querer eliminar fantasmas e inseguranças, acaba por se desagregar e cair a pique num caos existencial.


O esquivo narrador de Quintanilha, ele próprio cheio de dúvidas e hesitações no modo como nos conta o que se passa na cabeça de Rosângela (um território de «sensações», mais do que de pensamentos), consegue o prodígio de nos fazer sentir, na sua crueza extrema, as oscilações e abismos de um estado mental. O triunfo maior do livro, porém, está no modo como um texto tão fugidio, por vezes quase rarefeito, se articula exemplarmente com as imagens – ora realistas, ora abstractas; umas vezes captando detalhes em zoom, outras inserindo ecos e memórias, ou materializando estados de alucinação, indícios de loucura.

Avaliação: 9/10

[Texto publicado na revista E, do semanário Expresso]

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Cinco poemas de Alice Sant’Anna http://bibliotecariodebabel.com/literatura-brasileira/cinco-poemas-de-alice-santanna/ http://bibliotecariodebabel.com/literatura-brasileira/cinco-poemas-de-alice-santanna/#comments Mon, 04 Jan 2016 11:07:41 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20201 quando faltou luz
ficou aquele breu e eu
com as mãos tremendo
morta de medo
de tudo se iluminar
de repente

***


na esquina da rua
um piano que toca
notas esparsas
em lá menor

nunca vi
o rosto de quem
se esconde por trás
de acordes sustenidos

e que desfila dedos no teclado
com a leveza de quem
sustenta passarinhos
no ar

***

RUA DOS BACALHOEIROS

na rua dos bacalhoeiros
em frente à casa dos bicos
pontualmente às seis em pleno domingo
todas as lojas fechadas
sento na calçada para assistir
ao balé das andorinhas
são milhares, trilhares em revoada
que mergulham sincronizadas
feito um cardume
para anunciar em coro
os últimos dias de inverno

***

SETE ANOS

ela come tangerina
com centenas de dedos
meditativos
empenhados na função
de descascar, separar um gomo
do outro
mas não mastiga, empurra
com a língua até a pele
descosturar
feito tecido ou papel
e romper
em suco

depois caminha pelos quartos
acaricia os cabelos das bonecas
muda a posição dos objetos
desliza dedos pelas paredes

até que cada canto da casa
cheire como os dias de verão

***

dentro do apartamento
a janela sustenta a paisagem.
me aproximo, apóio
os braços: todo o mundo
desmedido
em minha frente.

mas nada
que eu possa segurar, reter.
nem mesmo o perfume
dessas tardes sem perfume, nem
um bibelô
para colecionar na estante
como fazem as avós
que não medem cuidados
com a porcelana

[in Dobradura, 7 Letras, 2008]

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Teaser http://bibliotecariodebabel.com/geral/teaser-5/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/teaser-5/#comments Sun, 03 Jan 2016 18:54:12 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20199 Além da reactivação do Bibliotecário de Babel, há um outro projecto que me está a animar, e muito, neste início de 2016. Começará no dia 11 de Janeiro e tem a ver com livros, mas é algo que nunca fiz antes. Lá mais para o fim desta semana, saberão mais.

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Um passo de cada vez http://bibliotecariodebabel.com/geral/um-passo-de-cada-vez/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/um-passo-de-cada-vez/#comments Sat, 02 Jan 2016 16:31:18 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20197 Acorda-se do coma e o corpo (o blogue) desabituou-se de ser corpo (de ser blogue). É preciso reaprender os gestos, os movimentos, a fala, os ritmos. Vamos devagarinho. Pouco a pouco.
Ao tempo perdido não vale a pena voltar, ou sequer tentar recuperá-lo. Interessa mais olhar para diante. Acontece que o BdB também é memória, também é arquivo, o lugar onde ao longo dos anos fui guardando a maior parte dos meus trabalhos publicados na imprensa sobre livros e escritores. Nas próximas semanas, tentarei preencher retroactivamente uma parte dos vazios deste blogue: o que diz respeito às recensões semanais no jornal Expresso. Não espero que as procurem nos confins do scroll, mas ficarão alinhadas na tag Críticas, disponíveis para pesquisas futuras.

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Recomeço http://bibliotecariodebabel.com/geral/recomeco/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/recomeco/#comments Fri, 01 Jan 2016 18:20:30 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20195 Já não é esta a primeira vez que tento arrancar o BdB ao estado comatoso em que se encontra há demasiado tempo. A verdade é que as circunstâncias são o que são. Por um lado, a minha vida pessoal e profissional, nas suas tantas dimensões, deixou de me permitir a dedicação ao blogue que em tempos tive, com actualizações constantes e muitas horas a gerir caixas de comentários. Por outro, a dinâmica da blogosfera mudou e hoje muita da informação que se partilhava nos blogues, mais as respectivas discussões paralelas, transferiu-se para as redes sociais, em particular para o Facebook. Em 2016, é quase digitalmente anacrónico apostar num blogue, ou voltar a apostar num blogue, quando toda a gente está noutros lados. Mas apetece-me correr esse risco. Sem promessas de grande actividade, sem juras de um regresso triunfal ao ritmo antigo, sem gerar falsas esperanças. A 1 de Janeiro de 2003, há precisamente 13 anos, escrevi o meu primeiro post. Hoje brindo a isso. Brindo a este blogue que muitas pessoas leram e, suspeito, gostariam de voltar a ler. E brindo a todos os posts que ainda estão para vir.

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Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-49/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-49/#comments Wed, 30 Dec 2015 20:31:12 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20190 – Conversa com Pedro Piedade Marques, coordenador de Editor Contra – Fernando Ribeiro de Mello e a Afrodite (Montag), por José Mário Silva
Viver Portugal com o Mediterrâneo à mesa (CTT) e Manual para se tornar um verdadeiro gourmet (Manuscrito), de Fortunato da Câmara, por Alexandra Carita
Navegações, de Sophia de Mello Breyner Andresen (Assírio & Alvim), por Pedro Mexia
Talco de Vidro, de Marcello Quintanilha (Polvo), por José Mário Silva

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Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-48/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-48/#comments Wed, 23 Dec 2015 20:24:15 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20188 O Paraíso segundo Lars D., de João Tordo (Companhia das Letras), por José Mário Silva
Crónica da Manhã, de Agustina Bessa-Luís (Guimarães), por Pedro Mexia
Neverness, de Ana Teresa Pereira (Relógio d’Água), por José Mário Silva
Oblomov, de Ivan Gontcharov (Tinta da China), por Luís M. Faria
Compota de Damasco e outros contos, de Aleksandr Soljenitsin (Sextante), por José Guardado Moreira
Volta – O Segredo do Vale das Sombras, de André Oliveira e André Caetano (Polvo), por Sara Figueiredo Costa
As Aventuras de Fernando Pessoa, de Miguel Moreira e Catarina Verdier (Parceria A. M. Pereira), por Celso Martins

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Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-47/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-47/#comments Fri, 18 Dec 2015 20:20:39 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20186 – Balanço de 2016, com a escolha dos melhores livros do ano por Ana Cristina Leonardo, José Guardado Moreira, José Mário Silva, Luís M. Faria, Luísa Mellid-Franco, Manuel de Freitas, Pedro Mexia e Sara Figueiredo Costa

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Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-46/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-46/#comments Fri, 11 Dec 2015 20:15:26 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20183 – Entrevista com Alberto Manguel, por Luciana Leiderfarb
Aquário, de David Vann (Relógio d’Água), por José Mário Silva
O Coro dos Defuntos, de António Tavares (LeYa), por José Mário Silva
Eça – Dicionário de Eça de Queiroz, org. de A. Campos Matos (IN-CM), por Luís M. Faria
Morada, de Rui Pires Cabral (Assírio & Alvim), por Pedro Mexia
Luz de Ferro, de Ben Pastor (Clube do Autor), por José Guardado Moreira

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Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-38/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-38/#comments Fri, 04 Dec 2015 20:27:11 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20162 – Conversa com António Tavares, autor de Coro dos Defuntos (LeYa), por José Mário Silva
Quartos Alugados, de Alexandre Andrade (Exclamação), por José Mário Silva
Convite para uma Decapitação, de Vladimir Nabokov (Relógio d’Água), por Pedro Mexia
Minha Mulher, a Solidão, de Fernando Pessoa (Guerra & Paz), por Luísa Mellid-Franco
O Fim dos Segredos, de Catarina Guerreiro (Esfera dos Livros), por Ricardo Marques

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Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-37/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-37/#comments Fri, 27 Nov 2015 20:15:04 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20159 – Conversa com Helen McDonald, autora de A de Açor (Lua de Papel), por José Mário Silva
O Impostor, de Javier Cercas (Assírio & Alvim), por Luciana Leiderfarb
A Agência de Viagens Lemming, de José Carlos Fernandes (Biblioteca de Alice), por José Mário Silva
Contos, de Hans Christian Andersen (Temas e Debates), por Luís M. Faria
A Paixão do Conde de Fróis, de Mário de Carvalho (Porto Editora), por Pedro Mexia

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Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-29/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-29/#comments Fri, 20 Nov 2015 20:32:20 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20133 – Entrevista com Clara Ferreira Alves, autora de Pai Nosso (Clube do Autor), por Cristina Margato e Ricardo Costa
Se isto é uma mulher, de Sarah Helm (Presença), por Luís M. Faria
O que vemos quando lemos, de Peter Mendelsund (Elsinore), por Celso Martins
Diário Íntimo de Carlos da Maia (1839-1930), de A. Campos Matos (Colibri), por Américo Guerreiro de Sousa
Vamos ao que interessa, de João Pereira Coutinho (Dom Quixote), por Pedro Mexia
Bronco Angel, o Cow-Boy Analfabeto, de Fernando Assis Pacheco (Tinta da China), por José Mário Silva
Quando os Factos Mudam, de Tony Judt (Edições 70), por Luís M. Faria
Kinderszenen, de Alexandre Sarrazola (Companhia das Ilhas), por José Mário Silva

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Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-28/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-28/#comments Fri, 13 Nov 2015 20:46:55 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20130 – Entrevista com Cedric Villani, autor de Teorema Vivo (Gradiva), por Ricardo Marques
Racismos, de Francisco Bethencourt (Temas e Debates/Círculo de Leitores), por Luís M. Faria
Dois Anos, Oito Meses e Vinte e Oito Noites, de Salman Rushdie (D. Quixote), por José Guardado Moreira
A Lição de Anatomia, de Philip Roth (D. Quixote), por Pedro Mexia
Contos de Petersburgo, de Nikolai Gogol (Relógio d’Água), por José Guardado Moreira
Osso, de Rui Zink (Teodolito), por José Mário Silva
O Pugilista, de Reinhard Kleist (Polvo), por José Mário Silva

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Corpos incorpóreos http://bibliotecariodebabel.com/criticas/20155/ http://bibliotecariodebabel.com/criticas/20155/#comments Tue, 10 Nov 2015 16:23:51 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20155

Romance
Autor: Helder Macedo
Editora: Presença
N.º de páginas: 94
ISBN: 978-972-23-5713-5
Ano de publicação: 2015

A poucas semanas de completar 80 anos, Helder Macedo demonstra uma tremenda vitalidade ao publicar este inclassificável Romance, longo poema em cinco partes que mais parece abrir novos caminhos na sua obra do que consolidar os já existentes – como é uso acontecer com os autores consagrados. Talvez nem valha a pena discutir de onde vem o livro, ou como, ou porquê agora, uma vez que ele engendra as suas próprias circunstâncias. Contentemo-nos apenas – e já não é pouco – com a felicidade de o descobrir, nas suas acelerações, subidas ao céu, e abismos.
Logo nas epígrafes, Macedo assume o diálogo com Bernardim Ribeiro e a sombra do escritor quinhentista paira sobre cada verso, sobre cada estrofe. Numa frase de Menina e Moça, segundo a qual «o livro há-de ser o que vai escrito nele», encontramos a definição perfeita do que o autor do nosso tempo quis fazer: um texto que se alimenta de si mesmo, fantasma e eco de uma mesma voz onírica, em constante deriva. Há um ele e há uma ela, figuras nebulosas, erguendo-se de um emaranhado de sonhos, representando um vago teatro de signos que se repetem, à mercê das imagens poderosas que convocam, iluminações capazes de perfurar as trevas mais densas.
Aqui e ali surgem esboços de histórias, um fluir do tempo, uma fuga (talvez exílio), uma ilha, uma estrada em construção, faróis na noite, diálogos que se agarram a quase nada, mas depressa tudo se dissipa na força maior de uma cadência, uma espécie de ritmo cósmico que conduz o poema – e a nós, leitores, nos arrasta com ele. O impulso de metamorfose dos «corpos incorpóreos» que povoam estas páginas tende, sempre, para o horizonte de «um poema de silêncio / um romance que fosse / o que nele não fosse escrito / um olhar a olhar um olhar / a olhar / em direcções opostas / ao mesmo tempo / sem nada de permeio / um desejo a devorar o desejo / que depois iria devorá-lo».

Avaliação: 8/10

[Texto publicado na revista E, do semanário Expresso]

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Ouvir com Outros Olhos, de João Lobo Antunes (Gradiva), por Pedro Mexia
Romance, de Helder Macedo (Presença), por José Mário Silva
As Reputações, de Juan Gabriel Vásquez (Alfaguara), por José Guardado Moreira
De Quanta Terra Precisa o Homem, de Lev Tolstói (Relógio d’Água), por Luís M. Faria
Tudo o que Conta, de James Salter (Livros do Brasil), por José Guardado Moreira
O Papiro de César, de Jean-Yves Ferri e Didier Conrad (ASA), por José Mário Silva

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A Idade Média – vol. 4, coordenação de Umberto Eco (Dom Quixote), por Luís M. Faria
O Livro Aberto: Leituras da Bíblia, de Frederico Lourenço (Cotovia), por Pedro Mexia
Portugal By Design, de Jorge Silva (Ano do Design Português), por Alexandra Carita

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– Prémio Saramago para Bruno Vieira Amaral, por José Mário Silva
Obras Escolhidas, vol. 2, de Oscar Wilde (Relógio d’Água), por Luís M. Faria
Levantai Alto o Pau de Fileira, seguido de Seymour – uma introdução, de J. D. Salinger (Quetzal), por Pedro Mexia
Os Assaltos à Padaria, de Haruki Murakami (Casa das Letras), por José Mário Silva

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Arranha-Céus, de J. G. Ballard (Elsinore), por Pedro Mexia
Sr. Sherlock Holmes, de Mitch Cullin (Top Seller), por José Guardado Moreira
A Busca da Democracia, coordenação de António Costa Pinto (Objectiva), por Manuela Goucha Soares
Em Movimento, de Oliver Sacks (Relógio d’Água), por Luís M. Faria

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Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-33/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-33/#comments Fri, 09 Oct 2015 20:19:29 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20144 – Entrevista com Javier Cercas, autor de O Impostor (Assírio & Alvim), por Luciana Leiderfarb
Portugal Afrique Pacifique, de René Pélissier (Éditions Pélissier), por José Pedro Castanheira
Os Sete Loucos, de Roberto Arlt (Cavalo de Ferro), por Pedro Mexia
Os Últimos Marinheiros, de Filipa Melo (Fundação Francisco Manuel dos Santos), por José Mário Silva
Identificar Almada, Maria José Almada Negreiros (Assírio & Alvim), por Pedro Santos Guerreiro

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E o vencedor do Prémio Nobel 2015 é… http://bibliotecariodebabel.com/geral/e-o-vencedor-do-premio-nobel-2015-e/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/e-o-vencedor-do-premio-nobel-2015-e/#comments Thu, 08 Oct 2015 11:01:08 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20118

Svetlana Aleksievitch, escritora bielorrussa.

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O meu prognóstico para o Nobel de 2015 http://bibliotecariodebabel.com/geral/o-meu-prognostico-para-o-nobel-de-2015/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/o-meu-prognostico-para-o-nobel-de-2015/#comments Thu, 08 Oct 2015 10:07:08 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20113 Não é bem um prognóstico, nem uma aposta. É mais um desejo: a italiana Elena Ferrante, que ninguém sabe ao certo quem é, por nunca ter dado a cara e existir só através dos seus extraordinários livros. Duvido muito que a Academia lhe atribua o Nobel. E tenho quase a certeza de que ela não o aceitaria (se aceitasse, seria um acontecimento, o improbabilíssimo milagre da sua materialização pública). Ainda assim, estaríamos perante um Nobel forte, arrojado, mais do que merecido.

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Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-34/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-34/#comments Thu, 01 Oct 2015 20:45:37 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20146 – Conversa com Afonso Cruz, autor de Flores (Companhia das Letras), por José Mário Silva
Lila, de Marilynne Robinson (Presença), por José Mário Silva
Terra Nullius – Viagem aos Antípodas, de Sven Lindqvist (Cavalo de Ferro), por Ana Cristina Leonardo
Bestiário Ilustríssimo #II/Bala, de Rui Eduardo Paes (Chili com Carne/Thisco), por João Santos
Rilke Shake, de Angélica Freitas (Douda Correria), por Pedro Mexia

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Departamento de Especulações, de Jenny Offill (Relógio d’Água), por José Mário Silva
Freya das Sete Ilhas, de Joseph Conrad (Sistema Solar), por José Guardado Moreira
Uma História Concisa de Portugal, de Maria Cândida Proença (Temas e Debates), por Luís M. Faria
Óxido, de Gastão Cruz (Assírio & Alvim), por Pedro Mexia

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A Ganhar ou a Perder, de Mário Lopes (Paquiderme), por José Mário Silva
Contos de Nick Adams, de Ernest Hemingway (Livros do Brasil), por Pedro Mexia
Problemas no Paraíso, de Slavoj Žižek (Bertrand), por Luís M. Faria

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Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-26/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-26/#comments Fri, 11 Sep 2015 20:37:49 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20100 – ‘O que aí vem… Livros’, artigo sobre a rentrée editorial, por José Mário Silva
Purity, de Jonathan Franzen (D. Quixote), por José Mário Silva
Nada de Lágrimas, de Lydie Salvayre (Bertrand), por José Guardado Moreira
Parker, O Caçador, de Darwyn Cooke (Devir/A Biblioteca de Alice), por Sara Figueiredo Costa
10:04, de Ben Lerner (Teorema), por Pedro Mexia
Porquê ler os clássicos?, de Italo Calvino (D. Quixote), por Ana Cristina Leonardo
A Aldeia, de William Faulkner (Livros do Brasil), por Luís M. Faria

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Os dias do fim http://bibliotecariodebabel.com/criticas/os-dias-do-fim/ http://bibliotecariodebabel.com/criticas/os-dias-do-fim/#comments Tue, 08 Sep 2015 10:06:57 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20103

Telex de Cuba
Autora: Rachel Kushner
Editora: Relógio d’Água
Título original: Telex from Cuba
Tradução: Jorge Pereirinha Pires
N.º de páginas: 352
ISBN: 978-989-641-512-9
Ano de publicação: 2015

No início de 2014, a publicação pela Relógio d’Água de Os Lança-Chamas, segundo romance de Rachel Kushner, permitiu aos leitores portugueses a descoberta de uma das mais fascinantes, e justamente aclamadas, escritoras americanas do nosso tempo. Entre a cena artística das vanguardas nova-iorquinas dos anos 70 e a agitação política de Itália na época das Brigadas Vermelhas, Kushner conduzia-nos à velocidade estonteante da mota de Reno, a sua protagonista, pelos meandros de uma narrativa que cobre quase todo o século XX. Mais do que um mero tour de force, o opus 2 de Kushner é um prodígio de técnica literária, erudição, inteligência e capacidade de entendimento da natureza humana.
Ao descobrirmos, agora, em ordem inversa, o primeiro romance (originalmente editado em 2008), o espectro de uma eventual desilusão desfaz-se ao fim de meia dúzia de páginas, assim que reencontramos o tom característico da autora e a qualidade superlativa da sua prosa. Menos ambicioso do que Os Lança-Chamas, o foco de Telex de Cuba restringe-se ao momento da retirada norte-americana da ilha, após a queda de Fulgencio Batista e a chegada ao poder de Fidel Castro. Como matéria narrativa, pode parecer circunscrito, mas Kushner sabe que há ali uma extraordinária complexidade – política, económica, social – à espera de ser revelada. Basta perscrutar, com olhos de ver, cada interstício das múltiplas camadas que compunham a sociedade cubana na década de 50.
O epicentro da narrativa é a região leste da ilha, superlativamente descrita na sua crueza tropical. Em Preston, tudo pertence à United Fruit Company: as plantações de cana-de-açúcar a perder de vista, a fábrica, os comboios, as casas luxuosas de La Avenida, onde as famílias dos administradores vivem numa espécie de casulo, como se estivessem nos States. Já os americanos de Nicaro tendem a queixar-se da «fina poeira avermelhada» que sai das chaminés da fábrica de óxido de níquel e cobre todas as coisas («até o próprio calor» parece ter cor de ferrugem). Uns e outros encontram-se em festas, encenando o fausto colonial dos expatriados que só estão ali, naquele «paraíso» dúbio, porque falharam noutro lugar qualquer. Kushner penetra fundo na paz podre das tensões familiares, das neuroses e paixões proibidas, dos impasses conjugais, muitas vezes apenas intuídos pelas personagens infantis. Mas o seu olhar é transversal, tão depressa se detém neste microcosmo em risco (há incêndios, sabotagens, rebeldes nas montanhas preparando o ataque definitivo), como mostra a existência miserável dos trabalhadores explorados, ou os labirintos do poder em Havana, que se estendem até à penumbra azul do Cabaré Tokyo, palco de uma improvável história de amor entre uma corista e um agitador francês. Este, La Mazière, figura real que em tempos se alistou nas SS, negociante de armas que fornece ditadores (Trujillo, Duvalier), acaba juntando-se a Fidel, só para assistir, melancólico, ao triunfo dos heróis românticos e ao fim do arco revolucionário que se esgota «no próprio facto da sua instauração».
Kushner cartografa o impacto da fuga, e suas perdas, na imensa galeria de personagens. Mas dá-nos sobretudo esses elementos quase impalpáveis que conferem espessura às vidas narradas. Há nestas figuras – frágeis, voláteis – uma verdade que reverbera. No navio do regresso, já resignados, despedem-se: «Isto é tão bonito sem nós.»

Avaliação: 9/10

[Texto publicado na revista E, do semanário Expresso]

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Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-25/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-25/#comments Fri, 04 Sep 2015 20:31:33 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20098 Telex de Cuba, de Rachel Kushner (Relógio d’Água), por José Mário Silva
A Noite em que a Noite Ardeu, de A. M. Pires Cabral (Cotovia), por Pedro Mexia
Há Sempre Tempo para Mais Nada, de Filipe Homem Fonseca (Quetzal), por José Mário Silva
KL – A História dos Campos de Concentração, de Nikolaus Wachsmann (D. Quixote), por Luís M. Faria
O Terceiro Polícia, de Flann O’Brien (Cavalo de Ferro), por José Guardado Moreira
O Tempo do Gigante, de Carmen Chica e Manuel Marsol (Orfeu Negro), por Sara Figueiredo Costa

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A noção de espanto http://bibliotecariodebabel.com/criticas/a-nocao-de-espanto/ http://bibliotecariodebabel.com/criticas/a-nocao-de-espanto/#comments Tue, 01 Sep 2015 17:57:31 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20109

A Era do Deslumbramento – Como a geração romântica descobriu a beleza e o temor da Ciência
Autor: Richard Holmes
Editora: Gradiva
Título original: The Age of Wonder: How the Romantic Generation Discovered the Beauty and Terror of Science
Tradução: David Gaspar
N.º de páginas: 673
ISBN: 978-989-616-663-2
Ano de publicação: 2015

O conceito de «ciência romântica» pode parecer um oxímoro, uma contradição nos termos. Se o romantismo defendia um ideal de subjectividade, de inscrição do eu no mundo, esse ideal colidiria forçosamente com a necessária objectividade científica. Uma oposição fixada por Keats numa frase célebre, ao dizer que Newton «destruiu toda a poesia do arco-íris ao reduzi-lo ao efeito da luz num prisma». É esta suposta cisão entre arte e ciência que Richard Holmes questiona em A Era do Deslumbramento, uma magistral abordagem a um período riquíssimo da história das ideias, balizado por duas importantes viagens marítimas: a circum-navegação comandada por James Cook, capitão do Endeavour (1768); e a partida de Charles Darwin para as Galápagos, a bordo do Beagle, em 1831.
Para Holmes, nestas seis décadas, o que une os artistas e os homens de ciência é a «noção de espanto». A descoberta – seja do mundo natural, seja da beleza de um verso clássico – a funcionar como experiência do sublime. Vivia-se, não o esqueçamos, uma época de transição. África era ainda um continente inexplorado; os primeiros balões erguiam-se no céu; novos conhecimentos no campo da química e da astronomia expandiam os horizontes do próprio universo; o saber abandonava os salões das elites para chegar às massas, através de palestras públicas; havia no ar o germe de radicais revoluções políticas, como a francesa.
Mais do que cartografar este período de espantosa efervescência intelectual, a estratégia do autor passou por narrar a vida e os feitos das principais figuras da chamada «segunda revolução científica», centrada no Reino Unido, mas com ramificações no resto da Europa. Holmes revela-se particularmente bem apetrechado para esta empresa porque já publicou diversas biografias de escritores românticos, como Coleridge e Percy Shelley. De resto, leccionou uma cadeira de Estudos Biográficos na Universidade de East Anglia e continua a ser o editor da colecção de biografias clássicas da Harper Perennial. A forma como retira das suas fontes (cartas, diários e publicações avulsas, elencadas nas 12 densas páginas de bibliografia) um verdadeiro manancial de informações e detalhes, urdidos numa narrativa apelativa, capaz de fascinar o mais relutante dos leitores, é a todos os títulos exemplar.
No centro do livro está a figura de Sir Joseph Banks (1743-1820). É ele o esteio, o guia, uma espécie de «Virgílio». Quando jovem, embarca como botânico no Endeavour, acompanhando Cook até ao Tahiti, numa expedição destinada a registar o trânsito de Vénus à frente do Sol, em Junho de 1769. Naquela versão terrena do «paraíso», Banks começa por recolher e classificar plantas, mas depressa alarga o seu interesse ao povo nativo, suas tradições, língua, gastronomia, ritos. Já na pele de etnólogo, foi o primeiro europeu a testemunhar esse «desporto estranho, extremo e tão característico dos mares do Sul» que é o surf. Marcado para sempre pela experiência, regressa a Londres, onde se tornará o mais duradouro dos presidentes da Royal Society e um «patrono científico universal». Imobilizado pelos ataques de gota, descobre jovens aventureiros que financia e incentiva a partir para jornadas de exploração geográfica. Eminência parda, manobrava nos bastidores e geria uma gigantesca rede de correspondentes, alimentando a «ideia da ciência como um esforço verdadeiramente partilhado e internacional».
Embora se detenha na trajectória de muitos dos protegidos de Banks (por vezes trágica, como no caso de Mungo Park, perdido na selva em busca do curso do Níger), Holmes presta uma atenção especial a dois deles: o químico Humphry Davy (1778-1829), que descobriu as propriedades do óxido nitroso e inventou uma lâmpada de segurança para mineiros; e William Herschel (1738-1822), um astrónomo amador de origem alemã que construiu sozinho os melhores telescópios da época e com eles fez notáveis descobertas (um extenso catálogo de nebulosas, o planeta Úrano, a radiação infravermelha). De todos os perfis biográficos que o livro reúne e intersecta, este é sem dúvida o mais impressionante, dando a conhecer uma figura que antecipou a visão do universo como entidade dinâmica, sempre com o apoio discreto, na sombra, da irmã Caroline, sua assistente e astrónoma de pleno direito, cujo papel na história da ciência, tantas vezes esquecido (como costuma acontecer com as mulheres), é devidamente assinalado.

Avaliação: 9/10

[Texto publicado na revista E, do semanário Expresso]

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Heróis do Mar, de Nuno Severiano Teixeira (A Esfera dos Livros), por Manuela Goucha Soares
O Tempo de Sua Graça, de Eyvind Johnson (Cavalo de Ferro), por Luís M. Faria
Verão Ártico, de Damon Galgut (Jacarandá), por José Guardado Moreira
Os Voláteis de Fra Angelico…, de Antonio Tabucchi (D. Quixote), por Pedro Mexia
Esse Cabelo, de Djaimilia Pereira de Almeida (Teorema), por José Mário Silva

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O Conceito do Político, de Carl Schmitt (Edições 70), por Luís M. Faria
Pyongyang, de Guy Deslisle (Devir), por Sara Figueiredo Costa
Mera Distância, de Luís Amorim de Sousa (Artefacto), por Pedro Mexia
Cosmicomix, de Amedeo Balbi e Rossano Piccioni (Gradiva), por José Mário Silva

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A Vida Secreta dos Livros, de Santiago Posteguillo (Clube do Autor), por José Guardado Moreira
Samarcanda, de Amin Maalouf (Marcador), por José Guardado Moreira
As Ondas, de Virginia Woolf (Relógio d’Água), por Pedro Mexia
O Mundo ao Contrário, de Atak (Planeta Tangerina), por Sara Figueiredo Costa
A Sombra do Mar, de Armando Silva Carvalho (Assírio & Alvim), por José Mário Silva
Uma Conspiração de Estúpidos, de John Kennedy Toole (Relógio d’Água), por Luís M. Faria

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O Homem da Guitarra Azul e outros poemas, de Wallace Stevens (Guilhotina), por Pedro Mexia
Orfeu de Bicicleta (Um Pai no Século XXI), de Francisco Bosco (Tinta da China), por José Mário Silva
O Olhar e a Alma, de Cristina Carvalho (Planeta), por Luísa Mellid-Franco

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O Árabe do Futuro, de Riad Sattouf (Teorema), por José Mário Silva
Ana de Amsterdam, de Ana Cássia Rebelo (Quetzal), por Pedro Mexia
O Separar das Águas e outras novelas, de Hélia Correia (Relógio d’Água), por Pedro Mexia
Acasalemento, de Norman Rush (Quetzal), por Luís M. Faria
QCDI – #3000, de vários autores (Chili com Carne), por Sara Figueiredo Costa
Amnésia, de Peter Carey (Gradiva), por José Mário Silva

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Últimos Ritos, de Hannah Kent (Saída de Emergência), por José Guardado Moreira
É Complicado, de Danah Boyd (Relógio d’Água), por Luís M. Faria
O Livro dos Camaleões, de José Eduardo Agualusa (Quetzal), por António Loja Neves
O Livro de Jón, de Ófeigur Sigurdsson (Cavalo de Ferro), por José Guardado Moreira

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– Livros para o Verão (21 sugestões), por Ana Cristina Leonardo, José Guardado Moreira, José Mário Silva, Luís M. Faria e Pedro Mexia
– Entrevista com Peter Carey, a propósito do romance Amnésia (Gradiva), por José Mário Silva
Diário da Abuxarda, 2007-2014, de Marcello Duarte Mathias (Dom Quixote), por Pedro Mexia
Cumbe, de Marcelo D’Salete (Polvo), por Sara Figueiredo Costa
Esta Distante Proximidade, de Rebecca Solnit (Quetzal), por José Mário Silva
O Caso Snowden, de Antoine Lefébure (Antígona), por Luís M. Faria
Arquipélago, de Joel Neto (Marcador), por Carlos Bessa

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O Gigante Enterrado, de Kazuo Ishiguro (Gradiva), por José Guardado Moreira
– Revista XXI, Ter Opinião – n.º 5 (Fundação Francisco Manuel dos Santos), por José Mário Silva
Hotel Locarno, de António Mega Ferreira (Sextante), por José Mário Silva
A Vida Secreta dos Materiais, de Mark Miodownik (Bizâncio), por Luís M. Faria
A Doença da Felicidade, de Paulo José Miranda (Abysmo), por Pedro Mexia
A Obra Completa, de Emanuel Félix (Secretaria Regional da Educação e Cultura dos Açores), por Carlos Bessa

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Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-9/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-9/#comments Fri, 03 Jul 2015 20:43:07 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20056 – «As 1001 leituras de Alice», artigo sobre os 150 anos de Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll, por Alexandra Carita
O Fator Churchill, de Boris Johnson (D. Quixote), por Cristina Peres
Por Fim, de Edward St. Aubyn (Sextante), por Luís M. Faria
O Anjo Ancorado, de José Cardoso Pires (Relógio d’Água), por Pedro Mexia
Na Margem, de Rafael Chirbes (Assírio & Alvim), por José Mário Silva
Malditos – Histórias de Homens e Lobos, de Ricardo J. Rodrigues (Fundação Francisco Manuel dos Santos), por Carla Tomás
Inferno, de August Strindberg (Sistema Solar), por José Guardado Moreira
O Meu Tio – Fernando Pessoa, de Manuela Nogueira (Centro Atlântico Edições), por José Mário Silva

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Se eu fosse júri do Grande Prémio de Romance e Novela da APE http://bibliotecariodebabel.com/geral/se-eu-fosse-juri-do-grande-premio-de-romance-e-novela-da-ape/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/se-eu-fosse-juri-do-grande-premio-de-romance-e-novela-da-ape/#comments Thu, 02 Jul 2015 18:34:53 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20074 São cinco as obras candidatas ao Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores (seleccionadas de entre 86 livros publicados em 2014): Os Memoráveis, de Lídia Jorge (Dom Quixote); Cláudio e Constantino, de Luísa Costa Gomes (Dom Quixote); Retrato de Rapaz, de Mário Cláudio (Dom Quixote); Impunidade, de H. G. Cancela (Relógio d’Água); e No Céu não há Limões, de Sandro William Junqueira (Caminho). O júri, constituído por José Correia Tavares, Ana Paula Arnaut, Isabel Cristina Mateus, Maria João Cantinho, Miguel Miranda e Miguel Real, deverá deliberar, durante o mês de Julho, qual dos escritores vencerá o prémio, no valor de 15 mil euros.
Dos cinco finalistas, só não li um: o de H. G. Cancela (mas ainda lá irei, espero). Com 80% de conhecimento de causa, posso dizer que tiro o chapéu ao júri por esta escolha, uma vez que gostei bastante dos quatro que me passaram pelas mãos. Os Memoráveis é uma das melhores ficções de Lídia Jorge e uma magnífica autópsia dos sonhos da revolução de Abril; as aventuras dos pequenos irmãos criados por Luísa Costa Gomes, à solta no mundo das ideias, são um divertimento sofisticado e intelectualmente estimulante; e o estudo de Mário Cláudio sobre um dos discípulos de Leonardo da Vinci é uma pequena jóia, de escrita imaculada. Mas se tivesse de escolher, daria o prémio a Sandro William Junqueira e ao prodigioso simulacro teatral que o seu romance encena, enquanto fustiga as personagens com um vendaval de energia que até a nós, leitores, nos transporta e eleva.

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Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-10/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-10/#comments Fri, 26 Jun 2015 20:28:09 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20058 – Entrevista com John Cleese, a propósito da autobiografia Como Eu Dizia… (Planeta), por Katya Delimbeuf
O Assassino de Catarina Eufémia, de Pedro Prostes da Fonseca (Matéria Prima), por Alexandra Carita
A Liberdade do Drible, de Dinis Machado (Quetzal), por José Mário Silva
O Amante Ingénuo e Sentimental, de John Le Carré (D. Quixote), por Luís M. Faria
Reprodução, de Bernardo Carvalho (Quetzal), por Pedro Mexia
1915 – O Ano do Orpheu, de vários autores, com organização de Steffen Dix (Tinta da China), por José Mário Silva

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Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-11/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-11/#comments Fri, 19 Jun 2015 20:22:07 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20061 – Entrevista com Tom Burgis, a propósito do livro A Pilhagem de África (Vogais), por Ricardo Marques
– Entrevista com Rafael Chirbes, a propósito do livro Na Margem (Assírio & Alvim), por José Mário Silva
Perguntem a Sarah Gross, de João Pinto Coelho (D. Quixote), por Luísa Mellid-Franco
Contos de Guerra, de Lev Tolstói (Relógio d’Água), por Luís M. Faria
Novelas Extravagantes, de Mário de Carvalho (Porto Editora), por Pedro Mexia
Capital Fuck – Os Contratos do Comerciante. Uma Comédia Bancocrática, de Elfriede Jelinek (Verso da História), por José Mário Silva
Atlas Histórico da II Guerra Mundial, de Martin Gilbert (Clube do Autor), por Filipe Santos Costa

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A dureza do metal http://bibliotecariodebabel.com/criticas/20212/ http://bibliotecariodebabel.com/criticas/20212/#comments Tue, 16 Jun 2015 11:32:09 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20212

Tungsténio
Autor: Marcello Quintanilha
Editora: Polvo
N.º de páginas: 184
ISBN: 978-989-8513-40-3
Ano de publicação: 2015

Depois de apresentar obras marcantes da BD que se produz actualmente no Brasil, como Copacabana (de Lobo e Odyr), Cachalote (de Daniel Galera e Rafael Coutinho), O Diabo e Eu (de Alcimar Frazão) ou Cumbe (de Marcelo D’Salete), a editora Polvo introduz-nos agora no mundo de Marcello Quintanilha (n. 1971), autor de traço limpo e expressivo, ao serviço de histórias que se interpenetram, numa montagem paralela de cariz cinematográfico.
Em Tungsténio, tudo se passa à sombra do Forte de Nossa Senhora de Monte Serrat, em Salvador (Bahia), onde dois homens decidem fazer uma pescaria com explosivos e desencadeiam uma cascata de acontecimentos que acabarão por juntar, num clímax dramático muito bem urdido, as personagens centrais do livro: um traficante menor, elo mais fraco de várias cadeias de poder; um sargento aposentado, com nostalgia dos seus tempos de actividade militar; um polícia com historial de bravura debaixo de fogo; e a sua amante desiludida, em vias de concretizar uma separação que nunca passou de ameaça.
Na nota de abertura, Quintanilha explica que o tungsténio «é o metal com o ponto de fusão mais alto que se conhece», como quem admite ser a natureza misteriosamente inquebrável das vidas comuns o tema central deste livro, em que se sucedem as situações e peripécias que colocam à prova «a capacidade dos personagens de forçar a dureza do metal do dia a dia a ponto de rompê-lo».
No choque com a dita «dureza do metal», há quem saia maltratado, há quem maltrate, há quem sobreviva. Além de ser um vigoroso retrato da violência urbana, Tungsténio consegue captar fielmente o falar das ruas, cheio de corruptelas e solecismos. As pranchas são dinâmicas, com espaço para a interioridade das personagens (sobretudo a de Keira, a amante). Lamenta-se apenas que o desenlace, algo frouxo, não esteja à altura da espantosa energia que atravessa todo o álbum.

Avaliação: 7/10

[Texto publicado na revista E, do semanário Expresso]

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Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-12/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-12/#comments Fri, 12 Jun 2015 20:09:03 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20063 A Erva das Noites, de Patrick Modiano (Porto Editora), por José Mário Silva
Casulo, de André Oliveira e outros (Kingpin Books), por Sara Figueiredo Costa
Tungsténio, de Marcello Quintanilha (Polvo), por José Mário Silva
Lorde, de João Gilberto Noll (Elsinore), por Pedro Mexia
Focos de Tensão – Os choques geopolíticos que ameaçam o futuro da Europa, de George Friedman (D. Quixote), por Cristina Peres
Os Bebés da Água, de Charles Kingsley (Tinta da China), por Luís M. Faria

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Hoje na secção de Livros da revista ‘E’ http://bibliotecariodebabel.com/geral/hoje-na-seccao-de-livros-da-revista-e-2/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/hoje-na-seccao-de-livros-da-revista-e-2/#comments Sat, 06 Jun 2015 11:01:20 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20051 – Entrevista com George Friedman, a propósito do livro Focos de Tensão – Os choques geopolíticos que ameaçam o futuro da Europa (D. Quixote), por Cristina Peres
– “Voltar a Cardoso Pires”, a propósito da reedição de O Anjo Ancorado, O Delfim, Balada da Praia dos Cães e De Profundis, Valsa Lenta pela Relógio d’Água, por José Mário Silva
Finalmente o Verão, de Jillian Tamaki e Mariko Tamaki (Planeta Tangerina), por José Mário Silva
Sensibilidade e Bom Senso, de Jane Austen (Relógio d’Água), por Luís M. Faria
Mulheres Portuguesas, de Irene Flunser Pimentel e Helena Pereira de Melo (Clube do Autor), por Luciana Leiderfarb
Uma Admiração Pastoril pelo Diabo (Pessoa e Pascoaes), de António M. Feijó (Imprensa Nacional-Casa da Moeda), por Pedro Mexia

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Hoje na secção de Livros da revista ‘E’ http://bibliotecariodebabel.com/geral/hoje-na-seccao-de-livros-da-revista-e/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/hoje-na-seccao-de-livros-da-revista-e/#comments Sat, 30 May 2015 09:27:45 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20048 Se eu fosse chão, de Nuno Camarneiro (D. Quixote), por José Mário Silva
Da Revolução à Constituição, de Jorge Miranda (Principia), por Luísa Meireles
Noturno Chileno, de Roberto Bolaño (Quetzal), por Pedro Mexia
A Minha Prisão, de Isaltino Morais (A Esfera dos Livros), por Luís M. Faria
Todos Devemos Ser Feministas, de Chimamanda Ngozi Adichie (D. Quixote), por José Mário Silva

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Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-13/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-13/#comments Fri, 22 May 2015 20:17:45 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20065 – Entrevista com Irene Flunser Pimentel, a propósito do livro Mulheres Portuguesas (Clube do Autor), por Luciana Leiderfarb
– Entrevista com Michel Houellebecq, a propósito do livro Submissão (Alfaguara), por Clara Ferreira Alves
– Conversa com Umberto Eco, a propósito do livro Número Zero (Gradiva), por Luciana Leiderfarb
Poemas Canhotos, de Herberto Helder (Porto Editora), por Pedro Mexia
O Grande Manuscrito, de Zoran Zivkovic (Cavalo de Ferro), por José Guardado Moreira
O Apocalipse Estável, de Karl Krauss (Fyodor Books), por José Mário Silva
O Luto de Elias Gro, de João Tordo (Companhia das Letras), por José Mário Silva
Do Pântano Não se Sai a Nado, de Joaquim Silva Pinto (Gradiva), por Luísa Meireles
História do Corpo – Do Renascimento ao Iluminismo, vol. 2, de J.-J. Courtine, A. Corbin e G. Vigarello (Círculo de Leitores), por Luís M. Faria
Falhar Melhor, n.º 5 da revista Granta, por José Mário Silva

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O Lugar Supraceleste, de Frederico Lourenço (Cotovia), por José Mário Silva
Alemanha Ensanguentada, de Aquilino Ribeiro (Bertrand), por Luís M. Faria
Matéria Solar, de Eugénio de Andrade (Assírio & Alvim), por Pedro Mexia
João da Câmara Leme, com prefácio de Pedro Piedade Marques (Imprensa Nacional-Casa da Moeda), por José Mário Silva

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Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-15/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-15/#comments Fri, 08 May 2015 20:39:32 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20069 – Entrevista com Karl Ove Knausgard, a propósito do primeiro volume de A Minha Luta (Relógio d’Água), por Cristina Margato
O Meteorologista, de Olivier Rolin (Sextante), por José Mário Silva
A Definição do Amor, de Jorge Reis-Sá (Guerra & Paz), por Luísa Mellid-Franco
E Todavia, de Ana Luísa Amaral (Assírio & Alvim), por José Mário Silva
Bestiário, de Julio Cortázar (Cavalo de Ferro), por Pedro Mexia
Ser Mortal, de Atul Gawande (Lua de Papel), por Ana Cristina Leonardo
O Consolo da Economia, de Gerard Lyons (Temas e Debates), por Luís M. Faria
O Poeta de Pondichéry, de Adília Lopes (Assírio & Alvim), por José Mário Silva

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Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-16/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-16/#comments Thu, 30 Apr 2015 20:51:42 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20072 O que não pode ser salvo, de Pedro Vieira (Quetzal), por José Mário Silva
Sombras sobre o Cairo, de Parker Bilal (Porto Editora), por José Guardado Moreira
Carta a um Refém, de Antoine de Saint-Exupéry (Relógio d’Água), por José Mário Silva
Misteriosamente Feliz, de Joan Margarit (Língua Morta), por Pedro Mexia
A Conquista da Felicidade, de Bertrand Russell (Relógio d’Água), por Luís M. Faria
O Poeta de Pondichéry, de Adília Lopes (Assírio & Alvim), por José Mário Silva
O Enigma da Chegada, de V. S. Naipaul (Quetzal), por Alexandra Carita
Pogo – Um Ajuste de Contas com o Futuro, de vários autores (Edição de autor), por Cláudia Galhós

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Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-8/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-8/#comments Fri, 24 Apr 2015 20:10:53 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20044 – Conversa com Pedro Vieira sobre o livro O que não pode ser salvo (Quetzal), por José Mário Silva
Cifra, de Mai Jia (Quetzal), por José Mário Silva
š! #20, de vários autores (Kuš!), por Sara Figueiredo Costa
Amores de Família, de Carla Maia de Almeida e Marta Monteiro (Caminho), por José Mário Silva
Mirleos, de João Miguel Fernandes Jorge (Relógio d’Água), por Pedro Mexia
Escolhas Difíceis, de Hillary Clinton (Dom Quixote), por Luís M. Faria

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Gente Melancolicamente Louca, de Teresa Veiga (Tinta da China), por Ana Cristina Leonardo
A Navalha de Palaçoulo, de A. M. Pires Cabral (Cotovia), por Pedro Mexia
Polifonte, de Alberto Cinza (A tua mãe), por José Mário Silva
Éter, de António Cabrita (Abysmo), por José Mário Silva
Ascensão e Queda dos Impérios Globais – 1400-2000, de John Darwin (Edições 70), por Luís M. Faria

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Os Noivos, de Alessandro Manzoni (Paulinas), por Luís M. Faria
Persianas, de Miguel-Manso (Tinta da China), por José Mário Silva
Mrs. Dalloway, de Virginia Woolf (Livros do Brasil), por Pedro Mexia
Copacabana, de Lobo e Odyr (Polvo), por José Mário Silva

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Para que não te percas no bairro, de Patrick Modiano (Porto Editora), por José Mário Silva
O Duelo, de Joseph Conrad (Sistema Solar), por José Guardado Moreira
Impunidade das Trevas, de Manuel da Silva Ramos (Parsifal), por José Mário Silva
Filhos de Saturno, de António José Saraiva (Gradiva), por Luís M. Faria
A Avó Adormecida, de Roberto Parmigiani e João Vaz de Carvalho (Kalandraka), por Sara Figueiredo Costa
À Barbárie Seguem-se os Estendais, de Miguel Cardoso (&Etc), por Pedro Mexia
Palavras Cansadas da Gramática, de Yao Feng (Gradiva), por José Mário Silva

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A Nossa Casa é Onde Está o Coração, de Toni Morrison (Presença), por José Mário Silva
A Ética das Finanças, de Robert J. Shiller (Bertrand), por Luís M. Faria
A Economia do Futuro, coordenação de João Ferrão (Fundação Francisco Manuel dos Santos), por Virgílio Azevedo
Não Posso nem Quero, de Lydia Davis (Relógio d’Água), por Pedro Mexia

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Cavaleiro Andante, de Almeida Faria (Assírio & Alvim), por Pedro Mexia
A Felicidade dos Tristes, de Luc Dietrich (Sistema Solar), por Carlos Bessa
Comédia em Modo Menor, de Hans Keilson (Sextante), por Luís M. Faria
Um Estranho Lugar para Morrer, de Derek B. Miller (ASA), por José Guardado Moreira

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Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-7/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-7/#comments Fri, 13 Mar 2015 20:12:02 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20041 – Entrevista com Hilary Mantel sobre o livro O Assassinato de Margaret Thatcher (Jacarandá) e crítica ao livro, por José Mário Silva
A Nascente, de Manuel Clemente (Edições Paulinas), por Rosa Pedroso Lima
Ordem Política e Decadência Política, de Francis Fukuyama (Dom Quixote), por Luís M. Faria
Cachalote, de Daniel Galera e Rafael Coutinho (Polvo), por José Mário Silva
Presente e Futuro: A Urgência da Literatura, de Vários Autores (CCB), por Alexandra Carita
Aleluia!, de Bruno Vieira Amaral (Fundação Francisco Manuel dos Santos), por Pedro Mexia

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Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-40/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-40/#comments Fri, 06 Mar 2015 20:56:49 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20168 – Conversa com Carlos Castán, autor de Má Luz (Teorema), por José Mário Silva
Manifesto em Defesa de uma Morte Livre, de Miguel Real (Parsifal), por Manuela Goucha Soares
A História do Corpo Humano – Evolução, Saúde e Doença, de Daniel E. Lieberman (Temas e Debates), por Luís M. Faria
Thérèse Desqueyroux, de François Mauriac (Cavalo de Ferro), por Pedro Mexia
Um Pouco Acima do Lugar Onde Melhor se Escuta o Coração, de Andreia C. Faria (Artefacto), por José Mário Silva

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Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-39/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-39/#comments Fri, 27 Feb 2015 20:25:53 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20164 O Fotógrafo e a Rapariga, de Mário Cláudio (D. Quixote), por José Mário Silva
José Augusto França: com o O’Neill falava de janela para janela, de José Jorge Letria (LeYa), por Alexandra Carita
Da Natureza das Coisas, de Lucrécio (Relógio d’Água), por Luís M. Faria
Era uma vez em Goa, de Paulo Varela Gomes (Assírio & Alvim), por Ana Cristina Leonardo
Fogo Pálido, de Vladimir Nabokov (Relógio d’Água), por Pedro Mexia

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Voltar às Correntes http://bibliotecariodebabel.com/geral/voltar-as-correntes/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/voltar-as-correntes/#comments Wed, 25 Feb 2015 22:32:01 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20037 correntes

Começa amanhã mais uma edição das Correntes d’Escritas, desta vez no Cine-Teatro Garrett (Póvoa de Varzim), onde até sábado passarão pelo palco mais de 50 escritores de «expressão ibérica», distribuídos por sete mesas, cada uma com um dos habituais temas espinhosos que a organização sugere aos participantes. Eu participarei na mesa 3, sexta-feira (15h00), na companhia de António Cabrita, Clara Usón, Manuela Gonzaga e Virgílio Alberto Vieira, com moderação de Michael Kegler.
A programação completa pode ser consultada aqui.

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A voz das coisas http://bibliotecariodebabel.com/criticas/a-voz-das-coisas/ http://bibliotecariodebabel.com/criticas/a-voz-das-coisas/#comments Tue, 24 Feb 2015 16:48:09 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20034 manhã

Manhã
Autora: Adília Lopes
Editora: Assírio & Alvim
N.º de páginas: 126
ISBN: 978-972-37-1809-6
Ano de publicação: 2015

O dispositivo narrativo de Manhã não podia ser mais transparente. Adília Lopes olha para trás, escolhe momentos, e detém-se nessas clareiras do passado apenas o tempo necessário para captar uma atmosfera, uma fulguração, um rasto. Nada aqui é sistemático ou sequer cronológico, o que impera é a volúpia da recordação pela recordação, muitas vezes involuntária, como quem mordisca uma madalena proustiana sem se preocupar com as reminiscências que ela provocará.
A primeira memória circunscreve logo o horizonte desta escrita: «Em Colares, vi um bulldog branco anão em cima de uma coluna branca no jardim de uma vivenda. É a minha recordação mais antiga. É estranha. Parece inventada. Mas não é.« Ou seja: o mais estranho pode ser o mais verdadeiro. Quase no fim, lê-se: «Não se mistura a realidade com a ficção». Há nisto a força de um mandamento. Se é da vida que se fala, toda a literatura está em dizê-la como foi, sem filtros nem artifícios.
Vemos então desfilar, como num vórtice, imagens atrás de imagens. A boneca de faiança na montra da padaria, o bolo de aniversário infantil coberto de pralines («esferazinhas prateadas sobre a neve (…) de claras em castelo e açúcar»), a pistola com lanceta que pica os dedos por causa da diabetes, o «biberon» para as bonecas (caído um dia do eléctrico em andamento, «e eu a ver o asfalto pela fresta a correr vertiginoso»), os olhos das moscas que «são uma maravilha», as palmeiras demasiado altas da Escola Politécnica, os livros do Tintin, da Enid Blyton e da Condessa de Ségur («Devo tudo à Condessa de Ségur»), um vórtice de coisas que de repente se organizam, vindas do passado, como constelações.
A poetisa chega-se à janela e debruça-se para escutar «a voz das cousas», mas também para se confrontar consigo mesma. «Quando tinha 12 anos, fumava Ritz, punha Eau Verte de Puig, ouvia Cat Stevens, escrevia poemas num caderno cor-de-laranja comprado em Bruxelas. Estava apaixonada e não era correspondida.» Adília sempre escreveu este tipo de sinopses, mais literais e menos irónicas do que por vezes parecem, mas em Manhã a capacidade de síntese é levada ao extremo. Alguns poemas são mais breves do que um haiku. Penamacor: «Casas pardas / ruas tortas». Duas da tarde: «Um avião / um cão».
Por vezes, Adília assemelha-se a essa «escritora tão poupada que não escrevia para não gastar papel e tinta». Outras vezes, entrega-se à luxúria dos detalhes, de um discurso que se alimenta de si próprio. É de extremos, como na disciplina de geometria descritiva («ou tinha vintes ou tinha negativas»), ao ponto de a professora lhe dizer: «ó rapariga, tu és 8 ou 80». Tantos anos depois, a frase permanece, volta à tona, porque «é das coisas mais acertadas que há a dizer sobre mim».
Não há nisto, porém, qualquer fatalismo ou tristeza. Adília não se lamenta, nem se queixa. Pelo contrário, Adília brinca com as memórias, boas ou menos boas, Adília dança (ou melhor, dansa, «com s como a Sophia»), Adília ri-se dos outros e de si («Adília laughs»). Há mais luz do que sombras nestas páginas. Mas Adília também sabe como encostar-nos às cordas. Eis o Vazio em cinco linhas: «Aos 21 anos, a minha fotografia no bilhete de identidade sofreu uma reacção química, a minha cara desapareceu, ficou uma mancha castanha. Aos 39 anos, comprei um perfume na farmácia. Devia estar lá há muito tempo, não cheirava a nada.»

Avaliação: 8/10

[Texto publicado na revista E, do semanário Expresso]

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Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-6/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-6/#comments Fri, 20 Feb 2015 20:39:59 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20019 Manhã, de Adília Lopes (Assírio & Alvim), por José Mário Silva
A Bastarda de Istambul, de Elif Shafak (Jacarandá), por José Guardado Moreira
Clorântida, de Rosalina Marshall (Douda Correria), por José Mário Silva
Sobre o Fascismo, a Ditadura Militar e Salazar, de Fernando Pessoa (Tinta da China), por Luís M. Faria
Perda de Inventário, de Marta Chaves (Alambique), por José Mário Silva
História Universal da Infâmia, de Jorge Luis Borges (Quetzal), por Pedro Mexia

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A música das esferas http://bibliotecariodebabel.com/criticas/a-musica-das-esferas/ http://bibliotecariodebabel.com/criticas/a-musica-das-esferas/#comments Tue, 17 Feb 2015 15:33:48 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20030 collins

Amor Universal
Autor: Billy Collins
Título original: Aimless Love – New and Selected Poems
Tradução: Ricardo Marques
Editora: Averno
N.º de páginas: 293
Depósito legal: 383222/14
Ano de publicação: 2014

Nascido em 1941, Billy Collins é um caso singular na poesia contemporânea americana. Consagradíssimo entre os seus pares (foi Poeta Laureado dos EUA entre 2001 e 2003), académico respeitado, colaborador frequente da New Yorker, ele estabelece uma raríssima ponte entre a alta cultura e o público generalista. Se os livros passam o escrutínio dos críticos mais exigentes, rendidos ao alto grau de conseguimento estético de uma obra exemplar, Collins consegue igualmente reunir multidões de leitores e ouvintes, nas salas esgotadas onde faz as leituras públicas dos seus textos.
Em 2013, juntou 50 poemas novos a uma antologia generosa dos quatro livros anteriores: Nove Cavalos (2002), O Problema da Poesia (2005), Balística (2008) e Horóscopo para os Mortos (2011). Esse volume, Aimless Love, com perto de 300 páginas, acaba de ser editado em português numa cuidada edição bilingue, graficamente impecável (da belíssima capa à paginação elegante, os versos em inglês aparecendo em letra minúscula, no fundo da página) e com uma boa tradução. Dizer que se trata de um acontecimento editorial é pouco. Billy Collins é um dos maiores poetas do nosso tempo. Disponibilizá-lo finalmente aos leitores portugueses afigura-se-nos um inestimável serviço público.
O que torna Collins o poeta perfeito para quem não gosta de poesia (ou julga que não gosta) é a sua desarmante, e quase sempre ilusória, simplicidade. Não há nos seus poemas quaisquer efeitos de ocultação e opacidade, tudo se expõe com fulgurante clareza, sem necessidade de complexas exegeses. Collins canta o «amor pelas coisas quotidianas», é um homem muito atento à realidade que o cerca, aos seus ruídos, aos seus fulgores, às suas harmonias e dissonâncias. Mas é sobretudo um poeta capaz de captar o espanto na sua dimensão mais directa, quase física. Entrega-se, no fundo, a uma espécie de alquimia serena em que a matéria das existências banais se transforma noutra coisa qualquer, muitas vezes indiscernível, mas que as transcende, a essas vidas normais que são as vidas de todos nós.
Aos poetas, sugere-nos Collins, cabe o dever de olhar, de estarem «às suas janelas», sem fazerem nada mais do que observar o mundo, uma vez que é esse «o trabalho pelo qual não são pagos». A janela: eis o instrumento lírico por excelência, «porque há sempre algo para ver». E pode ser um pássaro que ficou preso dentro de casa, até que o poeta o embrulha numa camisa, entre «espasmos de bater de asas», libertando-o por fim no jardim, só para ficar a sentir durante o resto do dia «o seu vibrar selvagem / contra a palma das mãos».
Minuciosamente construídos, verso a verso, como quem esculpe um bloco de mármore (lá dentro uma «figura encerrada e ainda por revelar»), estes poemas são lugares onde o que há de mais inefável e frágil – vozes, corpos, presenças – pode ser resgatado e permanecer ao abrigo da usura do tempo, das devastações da memória. Caminhadas junto ao lago, contemplação de nuvens, cidades (Paris, Istambul, Palermo, Roma), jogos infantis, parábolas, questões metafísicas, súbitos impasses ou epifanias. Muitas vezes, assistimos ao fazer do próprio poema: o caderno, a «caneta em movimento», o «lápis de grafite macio» pronto para a anotação, o candeeiro de mesa que ilumina a escrita noite dentro e por isso merece uma ode (começa assim: «Oh luz fiel, sob a qual escrevi / e li durante todas estas décadas»).
Collins tem consciência dos sortilégios em que mergulha o leitor, mas isso nunca o conduz aos labirintos do comprazimento ou da auto-indulgência. Pelo contrário, há sempre nele um impulso irónico que lhe permite evitar a tentação da solenidade. Num dos textos de reflexão sobre o seu ofício, explica que «o problema da poesia é que / ela estimula a escrita de ainda mais poesia, / mais peixinhos a encher o tanque». E essa proliferação é sempre perigosa. Sabendo que tudo se pode transformar num poema de Billy Collins, as pessoas aproximam-se de Billy Collins e dão-lhe ideias. Se há uma simulação de incêndio, sugerem-lhe que escreva um poema sobre isso. Ou sobre aquele dirigível lá no alto, o café entornado, um rosto coberto de tatuagens. Ele conclui: «Talvez devesse escrever um poema / sobre todas as pessoas que pensam / que sabem sobre o que é que eu deveria escrever».
Felizmente, o poeta é imune a todos esses ricochetes e efeitos colaterais. Ele come sozinho, bebe sozinho, contempla sozinho, escreve sozinho. Só assim consegue escutar, no meio do ruído da modernidade, «o som que ninguém nunca ouve / porque está a ser transmitido desde sempre» e por isso «soa ao mesmo que o silêncio». Ou seja, a intangível música das esferas, sempre presente e ignorada, mas que, caso deixasse de existir, «então as pessoas iriam parar / nas ruas e olhar para cima». É essa música que atravessa estes poemas. É essa música que Collins – subtilmente, magistralmente, genialmente – consegue fazer-nos ouvir.

Avaliação: 9,5/10

[Texto publicado na revista E, do semanário Expresso]

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Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-4/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-4/#comments Fri, 13 Feb 2015 19:39:05 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20012 O Irmão Alemão, de Chico Buarque (Companhia das Letras), por José Mário Silva
A Morte do Pai – A Minha Luta: 1, de Karl Ove Knausgard (Relógio d’Água), por Pedro Mexia
O Último Europeu – 2284, de Miguel Real (Dom Quixote), por Luísa Mellid-Franco
Com um Sonho na Bagagem, de Maria José de Lencastre (Dom Quixote), por Alexandra Carita
Extraterritorial, de George Steiner (Relógio d’Água), por Ana Cristina Leonardo
Amor Universal, de Billy Collins (Averno), por José Mário Silva
Meu Pai, o General Sem Medo, de Iva Delgado (Caminho), por José Pedro Castanheira
Armas, Germes e Aço, de Jared Diamond (Temas e Debates), por Luís M. Faria

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Através do espelho órfico http://bibliotecariodebabel.com/criticas/atraves-do-espelho-orfico/ http://bibliotecariodebabel.com/criticas/atraves-do-espelho-orfico/#comments Tue, 10 Feb 2015 20:19:02 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20027 mar_coral

O Mar de Coral
Autora: Patti Smith
Título original: The Coral Sea
Tradução: Ricardo Marques
Editora: não (edições)
N.º de páginas: 59
ISBN: 978-989-99120-6-9
Ano de publicação: 2015

Em 2010, Patti Smith documentou a sua relação com o fotógrafo Robert Mapplethorpe num espantoso livro de memórias, Apenas Miúdos (Quetzal), vencedor do National Book Award. Não era, porém, a primeira vez que escrevia sobre o amigo de quase toda uma vida. Em 1996, sete anos após o desaparecimento de Mapplethorpe (vítima da SIDA), escreveu O Mar de Coral.
Homenagem e exercício de luto, esta é uma intensa despedida em que deixou «tudo o que sabia sobre ele encriptado num pequeno conjunto de poemas em prosa». Forma de contar «a nossa história», que é antes de mais a história de Robert, aqui transfigurado na figura de um marinheiro que viaja em busca dos mares distantes, lá longe, onde é possível admirar o Cruzeiro do Sul.
A primeira vez que Patti viu o amigo, «ele estava a dormir». E é com Morfeu, deus dos sonhos, que a viagem começa. A atmosfera onírica permanecerá durante a jornada até às Ilhas Salomão, durante a qual o «Passageiro M» se deixa «cair numa série de imagens» que se sucedem «com uma força amazónica»; e nem sempre bem controlada. A cascata de metáforas evoca o trabalho fotográfico de Robert («Uma única túlipa. Alongada, só e negra, como uma mancha no sol»), o evoluir da doença («Já não conseguia comer; os sólidos passavam por dentro dele com a violência de uma nuvem»), ou a admiração sem limites («Teria sido ele um breve clarão, uma margem cintilante…»).
Todavia, a maior parte do subtexto biográfico fica escondido sob um espesso manto de simbolismos inescrutáveis e por vezes excessivamente pesados. Esta edição inclui ainda três poemas escritos noutras ocasiões. Num deles, talvez o melhor, Robert atravessa um «espelho órfico», para «vaguear eternamente / na busca da perfeição / os tornozelos azuis tatuados de estrelas».

Avaliação: 6/10

[Texto publicado na revista E, do semanário Expresso]

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Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-3/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-3/#comments Fri, 06 Feb 2015 20:32:46 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20010 Soumission, de Michel Houellebecq (Flammarion), por Clara Ferreira Alves
– Entrevista com Rosa Montero sobre o livro A Ridícula Ideia de Não Voltar a Ver-te (Porto Editora) e crítica ao livro, por José Mário Silva
Céu de Chumbo, de Ben Pastor (Clube do Autor), por José Guardado Moreira
O Mar de Coral, de Patti Smith (não (edições)), por José Mário Silva
A Lógica do Dinheiro, de Niall Ferguson (Temas e Debates), por Luís M. Faria
Que Luz Estarias a Ler?, de João Pedro Mésseder e Ana Biscaia (Xerife Edições), por Sara Figueiredo Costa
Primos Gémeos, Triângulos Curvos e Outras Histórias da Matemática, de Jorge Buescu (Gradiva), por Virgílio Azevedo
Um Teste de Resistores, de Marília Garcia (Mariposa Azual), por Pedro Mexia

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Contra a amnésia http://bibliotecariodebabel.com/criticas/contra-a-amnesia/ http://bibliotecariodebabel.com/criticas/contra-a-amnesia/#comments Thu, 05 Feb 2015 11:59:43 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20024 dorabruder

Dora Bruder
Autor: Patrick Modiano
Título original: Dora Bruder
Tradução: G. Cascais Franco
Editora: Porto Editora
N.º de páginas: 111
ISBN: 978-972-0-04721-2
Ano de publicação: 2015

Ao anunciar a atribuição a Patrick Modiano do Prémio Nobel de Literatura de 2014, a Academia Sueca elogiou-lhe «essa arte da memória com a qual evocou os destinos humanos mais inacessíveis e nos revelou a vida quotidiana sob a Ocupação». Se há uma obra do escritor francês que corresponde a esta síntese é Dora Bruder, um livro de 1997, agora reeditado em português, sobre o inacessível destino humano de uma jovem judia, desaparecida numa Paris sob o jugo das tropas de Hitler.
Na edição de 31 de Dezembro de 1941 do jornal Paris Soir, os pais da rapariga pediam «todas as indicações» possíveis sobre o paradeiro de «Dora Bruder, 15 anos, 1,55 m, rosto oval». Meio século mais tarde, Modiano tentou responder ao anúncio. Quem era ela? Por onde andou? O que lhe aconteceu? Obcecado por esta figura esquiva, o escritor procurou-a em todo o lado: nos arquivos, nas repartições, nos dédalos da burocracia. Uma investigação difícil, um exercício moroso, um ofício de paciência: «É preciso muito tempo para que ressurja à luz aquilo que foi apagado». Na sua demanda, encontra alguns registos, ofícios e relatórios que sinalizam uma existência fugaz, mas são muito mais as lacunas, as incógnitas, as portas «cujo número ignorarei para todo o sempre», os nomes de ruas que «já não correspondem a nada». Ainda assim, Modiano não se coíbe de fazer perguntas, mesmo que elas só o conduzam ao vazio, à incapacidade de imaginar o que terá feito Dora em fugas sucessivas, ou no quartel de Tourelles (em que esteve detida), ou no infame Campo de Drancy, enquanto esperava, com o pai, o comboio que os haveria de levar para Auschwitz.
Embora escassa, a informação recolhida permite-lhe o encontro com outras histórias de raparigas, homens e mulheres engolidos pelo torvelinho da guerra e do Holocausto. São fantasmas que a literatura consegue resgatar de uma «espessa camada de amnésia». E o maior de todos é Dora Bruder. É ela quem se ergue destas páginas em que paira a «ternura entristecida» de que falava Genet. Continuaremos a saber pouquíssimo, quase nada. Consola-se Modiano com a ideia de que restará sempre, da rapariga devorada pela História, o brilho de um segredo. O segredo do que foi enquanto sobreviveu a todos os horrores. «Um pobre e precioso segredo que os carrascos, os decretos, as autoridades ditas de Ocupação, (…) o tempo – tudo o que nos macula e nos destrói – não puderam roubar-lhe.»

Avaliação: 9/10

[Texto publicado na revista E, do semanário Expresso]

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Carta ao pai http://bibliotecariodebabel.com/criticas/carta-ao-pai/ http://bibliotecariodebabel.com/criticas/carta-ao-pai/#comments Tue, 03 Feb 2015 17:47:27 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20021 giralt

Tempo de Vida
Autor: Marcos Giralt Torrente
Título original: Tiempo de Vida
Tradução: Telma Costa
Editora: Teodolito
N.º de páginas: 158
ISBN: 978-989-8580-26-9
Ano de publicação: 2014

Neste livro, Marcos Giralt Torrente narra a dificílima relação com o pai – contada logo após a morte deste, a culminar ano e meio de um declínio físico que os reaproximou. Como é sabido, na história da literatura há muitos relatos deste tipo, de Kafka a Philip Roth. O escritor espanhol, porém, não quis apenas replicar um modelo que tende para a elegia ou para o ajuste de contas. Tempo de Vida não é uma coisa nem outra, embora tenha momentos elegíacos e outros de balanço frio dos «fundos desencontros» entre trajectórias de vida divergentes.
O que torna esta obra singular é a sua espantosa (e por vezes dolorosa) sinceridade, a sua absoluta transparência. Nada nos é ocultado. Nem os escrúpulos do autor a lidar com o material inflamável da memória, nem as hesitações estéticas e éticas, nem as dúvidas persistentes sobre o rumo a dar ao que tem entre mãos: «(…) não sabia que livro queria escrever. Ou, se sabia, não sabia como fazê-lo. Ou não tinha sequer decidido o que contar e o que calar. Ou a vida do meu pai, vendo bem, não era assim tão romanesca. Ou simplesmente duvidava de que interessasse a alguém.» Mais do que uma ideia motriz, «a única coisa que sentia era um grande vazio». E é através desse vazio que o autor avança, procurando compreender «o que perdemos, em que pontos nos atolámos».
Emerge então a figura desse pai distante, pintor que ficou aquém de uma grande carreira, perdido nos seus equívocos e nos «labirintos femininos». Tudo é exposto à luz mais crua, tanto a «zanga perpétua» como a doença final, que permite uma redenção mútua. Não deixando de convocar erros e arrependimentos, tanto os próprios como os alheios, sempre com uma lucidez feroz, Giralt Torrente leva-nos «ao vero centro da dor», única forma de fechar o círculo e de o reabrir novamente, através do filho que há-de vir: «Gostaria de conservar alguma coisa do melhor do meu pai para que lhe chegue através de mim.»

Avaliação: 7,5/10

[Texto publicado na revista E, do semanário Expresso]

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Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-5/ http://bibliotecariodebabel.com/geral/amanha-na-seccao-de-livros-da-revista-e-5/#comments Fri, 30 Jan 2015 20:31:53 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20016 Por Detrás do Pano, de António Manuel Ribeiro (Chiado Editora), por Luís Guerra
Contra Todas as Evidências – Poemas Reunidos II, de Manuel Gusmão (Edições Avante!), por Pedro Mexia
Talvez Seja Essa Certeza, de António Amaral Tavares (Medula), por Manuel de Freitas
Adília Lopes Lopes, de Filipa Leal (não (edições)), por José Mário Silva
Dora Bruder, de Patrick Modiano (Porto Editora), por José Mário Silva
História Alemã – Do Século VI Aos Nossos Dias, de Vários Autores (Edições 70), por Luís M. Faria
Tempo de Vida, de Marcos Giralt Torrente (Teodolito), por José Mário Silva

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Manual de escritarias http://bibliotecariodebabel.com/criticas/manual-de-escritarias/ http://bibliotecariodebabel.com/criticas/manual-de-escritarias/#comments Tue, 27 Jan 2015 16:23:58 +0000 http://bibliotecariodebabel.com/?p=20006 quem_disser

Quem Disser o Contrário é Porque Tem Razão
Autor: Mário de Carvalho
Editora: Porto Editora
N.º de páginas: 276
ISBN: 978-972-0-04699-4
Ano de publicação: 2014

Este livro nasceu de um gesto de tremenda generosidade. Autor consagradíssimo, Mário de Carvalho podia deixar-se ficar quieto, descansadinho da vida, a gizar futuros romances e novelas lá no recato da sua oficina literária. Em vez disso, lançou-se na composição, «ao correr da pena», de um «guia prático» em que reúne «observações empíricas surgidas da experiência escrita, da memória do autor e duma ou outra consulta em segunda mão». Trata-se, nas suas palavras, de um «modesto trabalho», dirigido a ficcionistas aprendizes, a quem trata por «estimado futuro autor» ou por «escritor-em-progresso».
A nota prévia esclarece, logo na primeira frase, que não estamos perante um trabalho académico. Não há bibliografia, nem notas de rodapé. Colocando-se deliberadamente aquém dos estudos literários, e assumindo não ter pretensões no campo da «teorização narratológica», Mário de Carvalho limita-se – o que não é pouco – a partilhar o seu saber acumulado, insinuando caminhos, sugerindo obras e autores (para ler «de lápis em riste»), apelando ao espírito crítico e ao «exercício da curiosidade», tudo num registo coloquial e faceto, como quem nos pousa no ombro a mão amiga. Inteligentemente, socorre-se muito dos clássicos e pouco dos vivos: «Não houve precisão de desinquietá-los, nem eles carecem de menção. Todas as susceptibilidades podem, assim, permanecer intactas e triunfais. Pior para o autor destas linhas, que reteve a ocasião de elogiar.»
O tom é sempre este: o de um mestre bonacheirão, feliz por revelar, aos discípulos, uns quantos segredos do ofício. Durante a conversa com o leitor («temos estado aqui a tagarelar«), abarca-se quase tudo: a questão do cânone, as estruturas e técnicas narrativas, o paratexto, os incipits, a escolha dos títulos, os enredos, o problema da verosimilhança, o pacto ficcional, os vários tipos de personagens (com magníficos exemplos respigados em Eça, Camilo e José Cardoso Pires), a importância da ironia, a necessidade de um «detector de lugares-comuns», os diálogos (que nunca são naturais), o trabalho da linguagem, as exigências do estilo.
Não detectamos em Mário de Carvalho, porém, a tentação de pontificar. Sempre que remata um tema, assistimos a um movimento de recuo, como quem assume que as coisas podem ser assim, mas também podem não ser. «É preciso lembrar, a cada momento, que nestas matérias não há dogmas, nem imposições.» O autor diz de sua justiça, mas apenas isso. Depois, faça cada qual à sua maneira, como lhe aprouver. Exactamente o oposto das fórmulas e prescrições típicas da maior parte dos cursos que tentam formatar os candidatos a escritores. «Pensar que se fica apto a escrever depois de ler um compêndio de escrita criativa é o mesmo que julgar que se passa a dominar uma língua após ter comprado um dicionário.»
Sem surpresa, Mário de Carvalho insurge-se contra as ideias feitas, esse «caruncho que pode corroer toda a reflexão, mesmo despretensiosa». O desafio é fugir do senso comum, porque este «confirma, não interroga; acata, não discute; conforma-se, não se rebela; repete, não indaga». E a fuga acontece no próprio acto de pensar o fenómeno literário, sem espartilhos de qualquer tipo. O livro tem uma estrutura bem montada, em seis partes (por pontos: «Pontos de Ordem», «Pontos de Mira», «Pontos de Referência», «Pontos de Vista», etc.), mas dentro desta arquitectura (em 59 capítulos), existe uma liberdade absoluta. Se o narrador pode afinal não ser Mário de Carvalho (refere-se a um «escritor meu conhecido» que publicou um livro chamado Um Deus Passeando pela Brisa da Tarde), o certo é que partilham gostos, embirrações, entusiasmos, princípios estéticos, e até éticos.
Entre outras opiniões fortes, destaque-se a defesa dos experimentalismos oulipianos e de Stefan Zweig («um escritor com o qual vale a pena aprender»), bem como o elogio ao «grande» Aquilino Ribeiro, «pela graça que lhe repassa os textos, pela cultura solidíssima que os informa e pela exuberante imaginação verbal». No fundo, Mário de Carvalho limita-se a apreciar, num dos seus mestres, qualidades que também são as suas.

Avaliação: 9/10

[Texto publicado na revista E, do semanário Expresso]

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