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	<title>Bibliotecário de Babel</title>
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	<description>Sobre livros  e literatura, autores e editoras. Por José Mário Silva.</description>
	<pubDate>Wed, 14 May 2008 12:42:14 +0000</pubDate>
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		<title>Tão bons que até deviam ser proibidos</title>
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		<pubDate>Wed, 14 May 2008 12:42:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[A Angelus Novus, editora de Coimbra, renasceu das cinzas com extraordinário vigor. Para além da nova colecção de Micronarrativa (com Augusto Monterroso e Rui Manuel Amaral a abrir), estão a apostar em clássicos (Pessoa, Bernardim Ribeiro) e no melhor do pensamento contemporâneo (Rorty, Vattimo e, sobretudo, Peter Sloterdijk). Têm ainda um site catita e moderno, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A Angelus Novus, editora de Coimbra, renasceu das cinzas com extraordinário vigor. Para além da nova colecção de Micronarrativa (com Augusto Monterroso e Rui Manuel Amaral a abrir), estão a apostar em clássicos (Pessoa, Bernardim Ribeiro) e no melhor do pensamento contemporâneo (Rorty, Vattimo e, sobretudo, Peter Sloterdijk). Têm ainda um <em><a href="http://www.angelus-novus.com/index2.php">site</a></em> catita e moderno, com <a href="http://angnovus.wordpress.com/">blogue</a> acoplado e tudo.<br />
O arrojo chega também à publicidade, como se pode ver por este comentário de além-tumba que recebi ontem por e-mail:</p>
<p><a href='http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/salazar.jpg' title='salazar.jpg'><img rel='domelhor'  src='http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/salazar.jpg' alt='salazar.jpg' /></a></p>
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		<title>Paulo Branco vai produzir filme inspirado num livro de Don DeLillo</title>
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		<pubDate>Wed, 14 May 2008 08:23:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>

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		<category><![CDATA[Notícias]]></category>

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		<description><![CDATA[Na 61.ª edição do Festival de Cannes (que abre esta noite com a projecção de Blindness, o filme que Fernando Meirelles fez a partir de Ensaio sobre a Cegueira, de José Saramago), o produtor Paulo Branco apresentará um projecto ambicioso: a adaptação cinematográfica do romance Cosmopolis, de Don DeLillo. O realizador será anunciado em breve, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Na 61.ª edição do Festival de Cannes (que abre esta noite com a projecção de <em>Blindness</em>, o filme que Fernando Meirelles fez a partir de <em>Ensaio sobre a Cegueira</em>, de José Saramago), o produtor Paulo Branco apresentará um projecto ambicioso: a adaptação cinematográfica do romance <em>Cosmopolis</em>, de Don DeLillo. O realizador será anunciado em breve, mas já se sabe que o orçamento será de 10 milhões de dólares e que a rodagem está prevista para o final de 2009.<br />
Entretanto, Paulo Branco produzirá igualmente <em>Mistérios de Lisboa</em>, um filme (e série de TV), co-produção entre Portugal, França e Brasil, que parte da obra homónima de Camilo Castelo Branco, com argumento de Carlos Saboga e realizado pelo veterano Raoul Ruiz.</p>
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		<title>Tudo é literatura</title>
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		<pubDate>Tue, 13 May 2008 23:23:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Críticas]]></category>

		<category><![CDATA[Geral]]></category>

		<category><![CDATA[Julio Cortázar]]></category>

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		<description><![CDATA[
O Jogo do Mundo (Rayuela)
Autor: Julio Cortázar
Título original: Rayuela
Tradução: Alberto Simões
Editora: Cavalo de Ferro
N.º de páginas: 631
ISBN: 978-989-623-079-1
Ano de publicação: 2008
Obra-prima de Julio Cortázar, Rayuela é uma das narrativas que mais influenciaram os escritores latino-americanos da segunda metade do século XX. Que só agora seja publicada em Portugal, com 45 anos de atraso, diz bem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img rel='domelhor'  src="http://www.cavalodeferro.com/upload/thumb/BigProd546.jpg" alt="capa_Rayuela" /></p>
<p><strong>O Jogo do Mundo (Rayuela)</strong><br />
<em>Autor:</em> Julio Cortázar<br />
<em>Título original: Rayuela</em><br />
<em>Tradução:</em> Alberto Simões<br />
<em>Editora:</em> Cavalo de Ferro<br />
<em>N.º de páginas:</em> 631<br />
<em>ISBN:</em> 978-989-623-079-1<br />
<em>Ano de publicação:</em> 2008</p>
<p>Obra-prima de Julio Cortázar, <em>Rayuela</em> é uma das narrativas que mais influenciaram os escritores latino-americanos da segunda metade do século XX. Que só agora seja publicada em Portugal, com 45 anos de atraso, diz bem da indiferença a que foi votada no nosso país, durante muito tempo, alguma da melhor literatura estrangeira. Saúde-se então a Cavalo de Ferro pela iniciativa de suprir esta imperdoável lacuna, ainda por cima numa magnífica tradução de Alberto Simões, que resgata quase sem mácula a força poética, o fôlego e a cadência da prosa torrencial do escritor argentino. Eis, desde já, a par de <em>O Homem Sem Qualidades</em>, de Robert Musil (Dom Quixote), um forte candidato a livro do ano.<br />
O enorme impacto de <em>Rayuela</em> (à letra, o infantil &#8220;jogo da macaca&#8221;, desenhado no chão com giz; imagem recorrente em vários dos planos narrativos) deveu-se sobretudo ao seu experimentalismo formal. Como se diz logo de início numa &#8220;tábua de orientação&#8221;, o livro &#8220;é muitos livros&#8221;, na medida em que a ordem pela qual devem ser lidos os seus 155 capítulos depende apenas da vontade (ou dos caprichos) do leitor. Cortázar sugere duas escolhas possíveis: 1) começar no primeiro capítulo e acabar no 56, seguindo o esquema habitual, o que implica prescindir do último terço do livro; 2) ler a obra na íntegra, mas seguindo uma sequência irregular de capítulos: 73, 1, 2, 116, 3, 84, etc. Na verdade, qualquer ordem é válida (mesmo a leitura de trás para a frente), o que multiplica as abordagens possíveis a esta ficção aberta.<br />
Dito isto, há três núcleos principais a que os fragmentos narrativos se agregam. Na primeira parte, &#8216;Do lado de lá&#8217;, acompanhamos a vida do argentino Horacio Oliveira em Paris, onde se apaixona por uma uruguaia (Maga), discute interminavelmente com um grupo de amigos artistas (O Clube da Serpente) e encontra, por mero acaso, o seu escritor-guru (Morelli). Na segunda parte, &#8216;Do lado de cá&#8217;, Horacio regressa a Buenos Aires, reencontrando um velho amigo (Traveler, que se revela uma espécie de duplo), a mulher deste (Talita, na qual projecta a memória de Maga) e uma galeria de personagens secundárias, com as quais se cruza primeiro num circo e depois num manicómio. Por fim, a terceira parte, &#8216;De outros lados&#8217;, compõe-se de 99 &#8220;capítulos prescindíveis&#8221;, onde cabe tudo e mais alguma coisa: citações de pensadores e poetas, notícias de jornal, notas do acervo de Morelli, pequenos ensaios, aforismos ou episódios soltos que ajudam a esclarecer certos factos e a definir traços psicológicos.<br />
No fundo, não há nada que o livro enjeite, na sua ânsia de absorver, por exemplo, a cidade de Paris – esse novelo de &#8220;matéria infinita enrolando-se sobre si mesma&#8221;, logo transformada numa &#8220;enorme metáfora&#8221;. Como diz alguém: &#8220;Tudo é literatura, isto é, fábula.&#8221; À semelhança de Morelli, que sonha escrever uma obra &#8220;onde o micro e o macrocosmos se unissem numa visão fulminante&#8221;, assumindo o &#8220;texto desalinhado, desordenado, incongruente, minuciosamente anti-literário (mas não anti-romanesco)&#8221;, Cortázar vai contra os &#8220;hábitos mentais&#8221; e rebenta com as fórmulas clássicas de contar uma história, consciente de que é preciso &#8220;desescrever&#8221; e &#8220;incendiar a linguagem&#8221;, para a libertar. Algo que só se consegue com a cumplicidade do leitor, arrancado à força da sua tradicional atitude passiva.<br />
Mesmo quando arrisca mais, ao narrar uma cena erótica com palavras inventadas (o &#8220;gíglico&#8221;, dialecto dos amantes) ou ao fundir dois textos num só (em linhas alternadas), <em>Rayuela</em> nunca soçobra na mera pirotecnia, no virtuosismo estéril. Romance de ideias (não apenas literárias), muitas das suas reflexões mantêm uma impressionante actualidade e algumas delas anteciparam mesmo agitações futuras. Como quando Cortázar questiona, cinco anos antes do Maio de 68: &#8220;E o que é que quer dizer viver de outra maneira? Talvez viver absurdamente para acabar com o absurdo, deixar-se cair em si mesmo com uma tal violência que a queda acabasse nos braços do outro.&#8221;</p>
<p><em>Avaliação:</em> 10/10</p>
<p>[Texto publicado no suplemento <em>Actual</em> do <em>Expresso</em>]</p>
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		<title>LeYa compra Oficina do Livro</title>
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		<pubDate>Tue, 13 May 2008 23:09:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Geral]]></category>

		<category><![CDATA[Mundo editorial]]></category>

		<category><![CDATA[Leya]]></category>

		<category><![CDATA[Oficina do Livro]]></category>

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		<description><![CDATA[A LeYa já era enorme, agora vai ficar gigantesca. Ao rol de editoras que passou a deter no final de 2007, Miguel Pais do Amaral acrescenta o Grupo Oficina do Livro, num processo de aquisição que está neste momento em curso, por verbas ainda não divulgadas. Eis o comunicado de imprensa emitido ao final da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A <a href="http://www.leya.com/">LeYa</a> já era enorme, agora vai ficar gigantesca. Ao rol de editoras que passou a deter no final de 2007, Miguel Pais do Amaral acrescenta o <a href="http://www.oficinadolivro.pt/site/frames.aspx">Grupo Oficina do Livro</a>, num processo de aquisição que está neste momento em curso, por verbas ainda não divulgadas. Eis o comunicado de imprensa emitido ao final da tarde, dando conta do negócio: </p>
<blockquote><p>«A Leya e a Explorer Investments assinaram ontem o contrato-promessa de aquisição do Grupo Oficina do Livro, que integra as editoras Oficina do Livro, Casa das Letras, Teorema, Estrela Polar e Sebenta.<br />
Com o objectivo de consolidar a Leya no mercado editorial nacional, reforçando a sua liderança em termos de volume de negócios, esta operação vai ao encontro da estratégia de criar um grupo com dimensão internacional no campo da Língua Portuguesa, garantindo que o pilar português da Leya apresente uma dimensão que lhe permita encontrar o necessário equilíbrio com o que se pretende que venha a ser o pilar brasileiro, a desenvolver.<br />
Por outro lado, esta aquisição justifica-se pelo facto de o Grupo Oficina do Livro ser uma empresa muito rentável e com uma agressiva dinâmica editorial, de marketing e comercial. O Grupo Oficina do Livro é, ainda, uma empresa que dispõe de excelentes recursos humanos e de uma forte organização e posicionamento de mercado. Acresce, também, que ambas as empresas comungam de uma aposta estratégica de promoção dos autores de língua portuguesa.<br />
A Leya manterá a identidade e independência editorial das editoras que integram o Grupo Oficina do Livro, à semelhança do que aconteceu com as restantes editoras do grupo  Leya. A Direcção-geral do Grupo Oficina do Livro continuará a ser da responsabilidade de António Lobato de Faria, que tem vindo a desempenhar um trabalho notável  no desenvolvimento daquelas editoras.<br />
A Explorer Investments congratula-se com esta operação, que vem culminar todo o trabalho desenvolvido para transformar o Grupo Oficina do Livro no conjunto de editoras sólidas e de referência nacional que hoje representa e que contribuiu de forma decisiva para a sua valorização.»</p></blockquote>
<p>Curioso é este comentário, que evoca tanto <em>O Padrinho</em> como <em>Os Sopranos</em>, deixado pelo escritor Rui Zink na <a href="http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1328631&#038;idCanal=14">edição electrónica do jornal <em>Público</em></a> (partindo do princípio de que se trata mesmo do escritor Rui Zink e não de alguém a fazer-se passar por ele): &#8220;Just when I thought that I was out, they PULL me back in!&#8221;</p>
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		<title>Pré-publicação: &#8216;O Meu Irmão - Théo e Vincent Van Gogh&#8217;</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/geral/pre-publicacao-o-meu-irmao-theo-e-vincent-van-gogh/</link>
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		<pubDate>Tue, 13 May 2008 22:35:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Divulgação]]></category>

		<category><![CDATA[Geral]]></category>

		<category><![CDATA[Judith Perrignon]]></category>

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		<description><![CDATA[
«Os pássaros desapareceram sobre os ramos de amendoeira pintados por Vincent. Já não assobio as melodias deles, à noite, para adormecer o meu filho. Ainda há pouco tempo, eu convocava para ele toutinegras, rouxinóis e estorninhos na tela azul pendurada por cima do piano. Agora, limito-me a depositar mecanicamente um beijo na sua testa e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href='http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/capa_vangogh.jpg' title='capa_vangogh.jpg'><img rel='domelhor'  src='http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/capa_vangogh.jpg' alt='capa_vangogh.jpg' /></a></p>
<p>«Os pássaros desapareceram sobre os ramos de amendoeira pintados por Vincent. Já não assobio as melodias deles, à noite, para adormecer o meu filho. Ainda há pouco tempo, eu convocava para ele toutinegras, rouxinóis e estorninhos na tela azul pendurada por cima do piano. Agora, limito-me a depositar mecanicamente um beijo na sua testa e passo para a sala ao lado. Instalo-me diante da minha mesa de trabalho, aflorando ao sentar-me a gaveta central. É a que contém as cartas de Vincent. Nunca a abro.<br />
Acontece que o corpo tem os seus hábitos. E eu tenho o de escrever ao meu irmão. Aparentemente, nada se alterou. Continuo a ser o mesmo: cotovelo esquerdo assente no rebordo da mesa, testa à procura do apoio da mão, maxilares apertados, têmporas que latejam, os olhos a fecharem-se enquanto procuro as palavras, a minha pluma mergulhando no tinteiro negro&#8230; Estes gestos são uma forma de enganar a morte e eu um simples figurante no teatro de sombras. Mas antes escrever do que permitir que a voz de Vincent cresça, essa voz que troveja desde que se tornou uma recordação. Vou respondendo às últimas condolências.<br />
Jo deixa-se ficar no quarto do nosso filho mesmo depois de ele ter adormecido. Passeia a sua mão pela colcha como para endireitar as dobras, as ondas invisíveis. Diz &#8220;o pequeno&#8221; porque sempre tivemos dificuldade em chamar-lhe Vincent. A minha mãe escreveu num destes últimos dias: &#8220;Fizeram muito bem em chamar Vincent Willem ao vosso filho.&#8221; Neste momento, já não tenho assim tanta certeza. Não há como as pessoas mais velhas para acarinharem a ideia do recomeço, acreditando que as duas extremidades do tempo podem encontrar-se.<br />
Gostava apenas que o meu filho fosse tão perseverante e corajoso como o meu irmão. São qualidades que não possuo.<br />
Jo vigia-me, sinto o seu olhar inquieto pousado em mim através da porta entreaberta. Sei que descreve o meu boletim clínico aos seus pais, sei que lança alarmes e marca prazos, sei que fica gelada com o movimento incessante da minha pluma, sei que os meus ombros e nuca curvados a fazem sentir-se sozinha, sei que a minha tosse a preocupa. Arreliante, a tosse voltou a raspar a minha garganta, torna-se cada dia mais cavernosa e em breve começará a dar-me náuseas. Certa vez disse a Jo que nunca mais tossira desde o dia em que a conheci e quisemos acreditar nessa ilusão, oferecida pelo amor, de que há um antes e um depois, mas a doença, como todos os segredos escondidos, voltou à superfície. Sinto-a a saquear o meu corpo, esta goela da minha desgraça. E vou calculando frequentemente os seus progressos. Leio a mesma pergunta nos olhos de Jo: o grau último da dor já foi atingido ou será que a temperatura do meu corpo amputado vai ainda ser capaz de subir?</p>
<p>***</p>
<p>Esta manhã, cerca das dez horas, Durand-Ruel passou por cá. Insisti para que o apartamento fosse limpo de uma ponta à outra e alguém tomasse conta do nosso filho. Não queria que nada interferisse com esta visita que solicitara por correio. Ele entrou como se fosse um dignitário das artes, todo aperaltado. A sua rigidez e arrogância compensam o facto de ser baixo. Este grande galerista parisiense ocupa uma posição de força no mercado, é agressivo nos negócios, um católico fervoroso que nunca se deixou levar pela Revolução mas foi ainda assim conquistado para a causa renovadora dos impressionistas. Soube acumular as telas deles quando nada valiam, pagou-lhes avenças, esteve à beira da falência e da degraça, mas regressou triunfante da sua viagem à América. Ele é uma síntese bem sucedida do comércio com a arte.<br />
Depois de andar em passo lento pelo nosso apartamento inteiramente dedicado a Vincent, observou algumas das telas de forma mais demorada, mas sem deixar transparecer o que pensava. No seu rosto, a máscara fria dos comerciantes que passam o negócio de pai para filho. Eu fiquei sempre um passo atrás dele, perscrutando o mínimo franzir do sobrolho, a mínima contracção da comissura dos lábios. Nunca tentei louvar as telas. Prescindi da eloquência para não revelar o meu estado febril. Dei-lhe apenas algumas indicações sobre os períodos e os lugares, avancei algumas das teorias da cor tão caras a Vincent e sublinhei o seu movimento em direcção à luz. Fui um irmão mascarado de negociante e defendi a mais audaciosa, a mais livre de todas as pinturas que alguma vez me foi dado mostrar. Enquanto falava, fixei as mãos enluvadas do visitante. Esperava, se não um gesto, pelo menos um estremecimento, um reflexo, porque muitas telas subestimadas obtiveram, ao passarem por aqueles dedos, o merecido reconhecimento.<br />
Mas Durand-Ruel nunca chegou a tirar as luvas.<br />
Ele não gosta de mim, apercebi-me logo, porque sou um assalariado da concorrência, um caçador furtivo que invadiu os seus domínios, tanto assim que Monet e Picasso também me entregam alguns dos seus quadros. Podia ter negligenciado a minha carta, mas nela afirmava-se que qualquer audácia artística passa forçosamente por ele.<br />
A dada altura, o visitante parou de forma brusca e disse: &#8220;Tudo isto é muito interessante.&#8221; A escolha de palavras tinha mais de educação polida do que de entusiasmo, mas eu propus-lhe logo organizar uma exposição na sua galeria da rue Laffitte. Estranhamente, já não tinha medo, já não tinha medo das minhas palavras e das minhas escolhas, já não tinha medo de nada, nem de mim nem dos outros. Quero que me julguem pela minha capacidade de dar a conhecer o valor da pintura de Vincent.<br />
Durand-Ruel tossicou, visivelmente surpreendido com a minha reacção, e acrescentou quase por meias-palavras: &#8220;Compreendo esse desejo de irmão, mas é preciso pensar melhor no assunto. Tudo isto pode vir a dar polémica. E não quero responsabilizar-me por uma exposição que corra o risco de não ser compreendida.&#8221;<br />
Quis prolongar a visita e por isso propus-lhe uma passagem pela galeria de Tanguy, onde poderíamos descobrir outras telas pintadas em Auvers, mas Durand-Ruel disse dispor de pouco tempo, estendeu-me a mão que não chegou a sair da luva, como se já soubesse que estava apenas de passagem, e foi-se embora prometendo voltar na semana seguinte.»</p>
<p>[A narrativa <em>O Meu Irmão - Théo e Vincent van Gogh</em>, de Judith Perrignon, traduzido por mim e editado pela <a href="http://www.90o.pt/">90º</a>, chega esta semana às livrarias]</p>
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		<title>The Best of the Booker</title>
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		<pubDate>Tue, 13 May 2008 15:49:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Geral]]></category>

		<category><![CDATA[Booker]]></category>

		<category><![CDATA[Prémios]]></category>

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		<description><![CDATA[Foi ontem anunciada a shortlist para o prémio com que o Booker Prize assinala o 40.º aniversário e que pretende escolher o melhor entre todos os vencedores desde a primeira edição (1969). Os seis candidatos são:

The Ghost Road, de Pat Barker (1995)
Oscar and Lucinda, de Peter Carey (1988)
Disgrace, de JM Coetzee (1999)
The Seige of Krishnapur, de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Foi ontem <a href="http://www.themanbookerprize.com/news/stories/1021">anunciada a <em>shortlist</em></a> para o prémio com que o Booker Prize assinala o 40.º aniversário e que pretende escolher o melhor entre todos os vencedores desde a primeira edição (1969). Os seis candidatos são:</p>
<ul>
<li><em>The Ghost Road</em>, de Pat Barker (1995)</li>
<li><em>Oscar and Lucinda</em>, de Peter Carey (1988)</li>
<li><em>Disgrace</em>, de JM Coetzee (1999)</li>
<li><em>The Seige of Krishnapur</em>, de J G Farrell (1973)</li>
<li><em>The Conservationist</em>, Nadine Gordimer (1974)</li>
<li><em>Midnight’s Children</em>, de Salman Rushdie (1981)</li>
</ul>
<p>Convém lembrar que o romance de Rushdie foi considerado, em 1993, o <em>Booker dos Bookers</em>. Ao contrário do que aconteceu então, desta vez a escolha será feita pelos leitores, através da Internet. A urna virtual ficará aberta até 8 de Julho, <a href="http://www.themanbookerprize.com/news/vote">aqui</a>.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>O Pedro Vieira é que a sabe toda</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/blogosfera/o-pedro-vieira-e-que-a-sabe-toda/</link>
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		<pubDate>Mon, 12 May 2008 23:24:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Blogosfera]]></category>

		<category><![CDATA[Feira do Livro]]></category>

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		<description><![CDATA[
Haverá K.O.? E em que round?
[Ilustração retirada daqui]
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img rel='domelhor'  src="http://bp1.blogger.com/_fw9m61IFmhk/SCYhcxo6iHI/AAAAAAAAA28/XXSY-R6s8pk/s320/feira+livro+copy.jpg" alt="Feira por PV" /></p>
<p>Haverá K.O.? E em que <em>round</em>?</p>
<p>[Ilustração retirada <a href="http://irmaolucia.blogspot.com/">daqui</a>]</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Telenovela</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/geral/telenovela/</link>
		<comments>http://bibliotecariodebabel.com/geral/telenovela/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 12 May 2008 23:06:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Geral]]></category>

		<category><![CDATA[Mundo editorial]]></category>

		<category><![CDATA[Feira do Livro]]></category>

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		<description><![CDATA[Eis o último episódio da telenovela do Parque Eduardo VII. Mais do mesmo: muita conversa, pouca acção, nenhum desfecho à vista. E já só faltam nove dias para a abertura.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eis o <a href="http://ler.blogs.sapo.pt/44980.html">último episódio</a> da telenovela do Parque Eduardo VII. Mais do mesmo: muita conversa, pouca acção, nenhum desfecho à vista. E já só faltam nove dias para a abertura.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Regresso</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/geral/rua-da-castela/</link>
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		<pubDate>Sun, 11 May 2008 12:52:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Blogosfera]]></category>

		<category><![CDATA[Geral]]></category>

		<category><![CDATA[Jorge Reis-Sá]]></category>

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		<description><![CDATA[O Jorge Reis-Sá, editor das Quasi, voltou a blogar &#8220;sobre livros, sobre música, arte ou até os problemas do PSD&#8221; no novíssimo Rua da Castela. O link já está na coluna da direita.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Jorge Reis-Sá, editor das Quasi, voltou a blogar &#8220;sobre livros, sobre música, arte ou até os problemas do PSD&#8221; no novíssimo <a href="http://ruadacastela.blogspot.com/">Rua da Castela</a>. O <em>link</em> já está na coluna da direita.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Debate no Chiado</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/geral/debate-no-chiado/</link>
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		<pubDate>Sun, 11 May 2008 10:27:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Geral]]></category>

		<category><![CDATA[YouTube]]></category>

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		<description><![CDATA[Os Booktailors estiveram lá e filmaram. Ver aqui e aqui.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os <a href="http://blogtailors.blogspot.com/">Booktailors</a> estiveram lá e filmaram. Ver <a href="http://blogtailors.blogspot.com/2008/05/encontros-ler-08052008.html">aqui</a> e <a href="http://blogtailors.blogspot.com/2008/05/encontro-ler-08052008.html">aqui</a>.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
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		<title>Um poema de Manuel Gusmão</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/geral/um-poema-de-manuel-gusmao/</link>
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		<pubDate>Sat, 10 May 2008 22:44:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Excertos]]></category>

		<category><![CDATA[Geral]]></category>

		<category><![CDATA[Manuel Gusmão]]></category>

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		<description><![CDATA[A TERCEIRA MÃO DE CARLOS DE OLIVEIRA
i
A primeira mão escreve com o tempo e contra
o tempo
a segunda reescreve o passado com o futuro e
por todo o lado instaura o presente do fim
depois a terceira mão vem e escova
e constela os tempos
ii 
A primeira monta um cenário nocturno à espera
da noite que virá. A segunda traz [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A TERCEIRA MÃO DE CARLOS DE OLIVEIRA</p>
<p><strong>i</strong></p>
<p><em>A primeira mão escreve com o tempo e contra<br />
o tempo<br />
a segunda reescreve o passado com o futuro e<br />
por todo o lado instaura o presente do fim<br />
depois a terceira mão vem e escova<br />
e constela os tempos</em></p>
<p><strong>ii</strong> </p>
<p><em>A primeira monta um cenário nocturno à espera<br />
da noite que virá. A segunda traz a esse cenário<br />
a noite glaciar. A terceira sobrepõe as noites<br />
e revela o seu povoamento<br />
comum: luz eléctrica, papel intensificado,<br />
uma teoria da escrita, desolação.</em></p>
<p><strong>iii</strong></p>
<p><em>Uma segreda e comove-se<br />
no espelho tempestuoso. Outra seca<br />
o saco lacrimal e deduz de si mesmo o movimento<br />
que faz a emoção: A terceira contribui<br />
com o espelho das metamorfoses, a câmara<br />
que filma a dedução<br />
[e enlouquece numa só letra.</em></p>
<p>[in <em>A Terceira Mão</em>, Caminho, 2008]</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Depois da Guimarães, a Ática</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/mundo-editorial/depois-da-guimaraes-a-atica/</link>
		<comments>http://bibliotecariodebabel.com/mundo-editorial/depois-da-guimaraes-a-atica/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 10 May 2008 18:20:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Mundo editorial]]></category>

		<category><![CDATA[Paulo Teixeira Pinto]]></category>

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		<description><![CDATA[Paulo Teixeira Pinto vai somando editoras clássicas.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://ler.blogs.sapo.pt/42532.html">Paulo Teixeira Pinto vai somando editoras clássicas</a>.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Relâmpagos em busca de uma tempestade</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/geral/relampagos-em-busca-de-uma-tempestade/</link>
		<comments>http://bibliotecariodebabel.com/geral/relampagos-em-busca-de-uma-tempestade/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 09 May 2008 14:41:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Geral]]></category>

		<category><![CDATA[Pina Bausch]]></category>

		<category><![CDATA[YouTube]]></category>

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		<description><![CDATA[
A primeira vez que assisti a Café Müller foi em 1994, quando Pina Bausch trouxe a Lisboa, então Capital Europeia da Cultura, uma retrospectiva dos seus principais trabalhos (A Sagração da Primavera, Kontakthof, Viktor), momentos para mim de pura descoberta e deslumbramento.
Uns anos mais tarde, em 1999 ou 2000 (já não sei precisar), escrevi um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href='http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/cafe_muller.jpg' title='cafe_muller.jpg'><img rel='domelhor'  src='http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/cafe_muller.jpg' alt='cafe_muller.jpg' /></a></p>
<p>A primeira vez que assisti a <em>Café Müller</em> foi em 1994, quando Pina Bausch trouxe a Lisboa, então Capital Europeia da Cultura, uma retrospectiva dos seus principais trabalhos (<em>A Sagração da Primavera</em>, <em>Kontakthof</em>, <em>Viktor</em>), momentos para mim de pura descoberta e deslumbramento.<br />
Uns anos mais tarde, em 1999 ou 2000 (já não sei precisar), escrevi um poema que viria a incluir no livro <em>Nuvens &#038; Labirintos</em>, publicado pela Gótica em 2001. Era um exercício sobre o modo como as imagens de <em>Café Müller</em> permaneciam, já um pouco vagas nos contornos, mas ainda incandescentes, dentro do espectador que fui e sou. Imagens no fio da navalha, lutando contra o esquecimento, fixando na sua incerteza a beleza que um dia me comoveu.<br />
Eis esse poema cuja precariedade ficava assumida logo no título:</p>
<p>MEMÓRIA, TALVEZ IMPRECISA, DE «CAFÉ MÜLLER»</p>
<p><em>O palco era uma desordem de cadeiras.<br />
Havia corpos (seriam apenas dois?), corpos<br />
lentos e desesperados – como náufragos.<br />
Dido, sem Eneias, repetia a tragédia,<br />
uma e outra vez. Os corpos rodavam,<br />
indiferentes à sua própria magia, breves<br />
relâmpagos em busca de uma tempestade.<br />
Aquele não era, percebia-se, um lugar de<br />
oráculos, certezas, declarações de amor.<br />
Era um palco de cadeiras vazias.<br />
Um deserto à espera de redenção.</em></p>
<p>No domingo passado, assisti de novo a <em>Café Müller</em>. Os seis bailarinos (sim, afinal são seis) reavivaram as imagens uma a uma, com os mesmos gestos, apenas feitos por corpos mais velhos. Pina Bausch lá ao fundo, como que desligada da acção, antecipando-a, foi mais do que nunca um fantasma ardendo na noite, com uma fragilidade sempre à beira do colapso. E os outros corpos desesperados (mas nem sempre lentos), agitando-se como náufragos; sim, como náufragos. Confirmei o que suspeitava: as duas figuras que melhor recordava, como que acima das outras, eram a rapariga sonâmbula e a personagem masculina (Dominique Mercy). Ela atirando-se para os braços dele, incapaz de a agarrar. Os dois atirando-se com estrondo contra uma parede. E a música de Purcell, a sua tristeza infinita: «<em>Remember me but forget my fate.</em>»<br />
Quando cheguei a casa, procurei no <a href="http://www.youtube.com/">YouTube</a> e encontrei isto:</p>
<p><object width="425" height="355">
<param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/dtqrqjERhkQ&#038;hl=en"></param>
<param name="wmode" value="transparent"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/dtqrqjERhkQ&#038;hl=en" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="355"></embed></object></p>
<p>Escusado será dizer que em 1999 (ou 2000, tanto faz) ainda não existia <a href="http://www.youtube.com/">YouTube</a>.</p>
<p>[A última récita de <em>Café Müller</em> é hoje, pelas 18h00, no Teatro São Luiz; a lotação está esgotada]</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Afinal, Gabo ainda não acabou para a literatura</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/geral/afinal-gabo-ainda-nao-acabou/</link>
		<comments>http://bibliotecariodebabel.com/geral/afinal-gabo-ainda-nao-acabou/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 09 May 2008 13:28:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Geral]]></category>

		<category><![CDATA[Imprensa estrangeira]]></category>

		<category><![CDATA[Gabriel García Márquez]]></category>

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		<description><![CDATA[Segundo esta notícia do The Guardian, Gabriel García Márquez estará a retocar a quinta versão do próximo romance (ainda sem título). Depois de ter anunciado o fim da carreira literária, parece que o escritor colombiano &#8220;redescobriu a sua musa&#8221;.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Segundo <a href="http://books.guardian.co.uk/news/articles/0,,2278421,00.html">esta notícia</a> do <em>The Guardian</em>, Gabriel García Márquez estará a retocar a quinta versão do próximo romance (ainda sem título). Depois de ter anunciado o fim da carreira literária, parece que o escritor colombiano &#8220;redescobriu a sua musa&#8221;.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Avanços e recuos</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/mundo-editorial/avancos-e-recuos/</link>
		<comments>http://bibliotecariodebabel.com/mundo-editorial/avancos-e-recuos/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 09 May 2008 13:02:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Mundo editorial]]></category>

		<category><![CDATA[Feira do Livro]]></category>

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		<description><![CDATA[Agora a sério: ontem à noite, a participação da LeYa na Feira do Livro de Lisboa continuava em aberto. O prazo dado pela APEL ao grupo de Pais do Amaral, para que este &#8220;regularizasse&#8221; a sua inscrição, terminava ao meio-dia. Ou seja, expirou há uma hora. Alguém deu pelo fumo branco?
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Agora a sério: ontem à noite, <a href="http://dn.sapo.pt/2008/05/09/artes/leya_ate_meiodia_para_inscrever_feir.html">a participação da LeYa na Feira do Livro de Lisboa continuava em aberto</a>. O prazo dado pela APEL ao grupo de Pais do Amaral, para que este &#8220;regularizasse&#8221; a sua inscrição, terminava ao meio-dia. Ou seja, expirou há uma hora. Alguém deu pelo fumo branco?</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>A Feira, versão bunker</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/geral/a-feira-versao-bunker/</link>
		<comments>http://bibliotecariodebabel.com/geral/a-feira-versao-bunker/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 09 May 2008 11:52:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Geral]]></category>

		<category><![CDATA[Feira do Livro]]></category>

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		<description><![CDATA[Nos comentários ao post anterior, o Rui Almeida chamou a atenção para uma proposta ainda mais ousada do que a do Jaime Bulhosa. A coisa é assim a modos que um tratado de Tordesilhas arraçado de Auschwitz, mas talvez seja a única forma de resolver definitivamente o problema da Feira do Livro de Lisboa.
Falta dizer [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nos comentários ao <em>post</em> anterior, o <a href="http://ruialme.blogspot.com/">Rui Almeida</a> chamou a atenção para uma proposta ainda mais ousada do que a do <a href="http://livrariapodoslivros.blogspot.com/">Jaime Bulhosa</a>. A coisa é assim a modos que um tratado de Tordesilhas arraçado de Auschwitz, mas talvez seja a única forma de resolver definitivamente o <em>problema</em> da Feira do Livro de Lisboa.<br />
Falta dizer que a casca deste ovo de Colombo foi partida (na extremidade do dito, como convém) pelo inimitável e mui irónico Luís Graça, numa das <a href="http://ler.blogs.sapo.pt/34820.html#comentarios">caixas de comentários</a> do <a href="http://ler.blogs.sapo.pt/">blogue da <em>Ler</em></a>. Ora apreciem:</p>
<blockquote><p>Eu acho que o Parque podia ter sido dividido em dois (para já, nas edições seguintes podia mesmo ser dividido em mais parcelas).<br />
Punha-se arame farpado a meio, para evitar que os leitores pudessem comprar livros às editoras da APEL e da UEP.<br />
Criava-se um posto veterinário para tratar dos cães que ficassem presos no arame farpado.<br />
Montava-se um ninho de metralhadoras na zona do restaurante &#8220;Eleven&#8221;, para abater os vendedores de farturas que as tentassem vender através do arame farpado.<br />
As sessões de autógrafos de editoras mais &#8220;underground&#8221; decorreriam no parque de estacionamento.<br />
Há tanta coisa que se pode fazer. Para quê tentar conciliar as partes? Mais vale assumir abertamente o conflito. Se o livro não servir para animar a vida das pessoas, afinal para que serve? Para ler?</p></blockquote>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Uma ideia a ter em conta</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/geral/uma-ideia-a-ter-em-conta/</link>
		<comments>http://bibliotecariodebabel.com/geral/uma-ideia-a-ter-em-conta/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 08 May 2008 21:29:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Geral]]></category>

		<category><![CDATA[Mundo editorial]]></category>

		<category><![CDATA[Feira do Livro]]></category>

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		<description><![CDATA[Diz o Jaime Bulhosa, não sei se a sério, se a brincar:
«Proponho, para acabar com as guerras, nós livreiros organizarmos a feira do livro. Isto é, durante 15 dias fazíamos descontos de feira e promovíamos debates, sessões de autógrafos, conferências, etc.. E cada um ia à livraria que lhe apetecia.»
É certo que perderíamos o sobe-e-desce [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Diz o <a href="http://livrariapodoslivros.blogspot.com/2008/05/leya-est-fora-das-feiras.html">Jaime Bulhosa</a>, não sei se a sério, se a brincar:</p>
<blockquote><p>«Proponho, para acabar com as guerras, nós livreiros organizarmos a feira do livro. Isto é, durante 15 dias fazíamos descontos de feira e promovíamos debates, sessões de autógrafos, conferências, etc.. E cada um ia à livraria que lhe apetecia.»</p></blockquote>
<p>É certo que perderíamos o sobe-e-desce no Parque Eduardo VII à tardinha, o encontro com os amigos junto ao Multibanco ou na esplanada, a explosão roxa dos jacarandás. Mas evitava-se a angústia dos dias de chuva e a aparelhagem sonora a anunciar, de cinco em cinco minutos, os livros do dia que podemos encontrar no <em>stand</em> 117.<br />
A mim, não me parece mal pensado. Vendo o rumo que as coisas levam, com a APEL e a UEP às turras, mais os novos grupos a quererem afirmar-se e a provocarem ciúmes, ainda é capaz de ser uma saída airosa para o caos em que a Feira mergulhou este ano.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Saramago em plasticina no cinema (enquanto esperamos pelo &#8216;Ensaio sobre a Cegueira&#8217; segundo Fernando Meirelles)</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/geral/saramago-em-plasticina-enquanto-esperamos-pelo-ensaio-sobre-a-cegueira-segundo-fernando-meirelles/</link>
		<comments>http://bibliotecariodebabel.com/geral/saramago-em-plasticina-enquanto-esperamos-pelo-ensaio-sobre-a-cegueira-segundo-fernando-meirelles/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 08 May 2008 14:04:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>

		<category><![CDATA[Curiosidades]]></category>

		<category><![CDATA[Geral]]></category>

		<category><![CDATA[José Saramago]]></category>

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		<description><![CDATA[


O realizador espanhol Juan Pablo Etcheverry adaptou ao cinema A Maior Flor do Mundo, única história infantil publicada por José Saramago. A sua curta-metragem de animação combina várias técnicas (2D com 3D, stop motion, etc.). O Nobel português aparece enquanto personagem e narrador.
Feito em 2007, o filme ganhou o prémio de melhor animação do Anchorage [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><object width="425" height="355">
<param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/-KTL94Rl7CI&#038;hl=en"></param>
<param name="wmode" value="transparent"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/-KTL94Rl7CI&#038;hl=en" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="355"></embed></object></p>
<p>O realizador espanhol <a href="http://www.juanpabloetcheverry.com/">Juan Pablo Etcheverry </a>adaptou ao cinema <em>A Maior Flor do Mundo</em>, única história infantil publicada por José Saramago. A sua curta-metragem de animação combina várias técnicas (2D com 3D, <em>stop motion</em>, etc.). O Nobel português aparece enquanto personagem e narrador.<br />
Feito em 2007, o filme ganhou o prémio de melhor animação do Anchorage Internacional Film Festival e foi nomeado para os Goya deste ano na categoria de melhor curta-metragem.<br />
A TVE ouviu tanto o cineasta como o escritor:</p>
<p><object width="425" height="355">
<param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/lHhjZ92Mihw&#038;hl=en"></param>
<param name="wmode" value="transparent"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/lHhjZ92Mihw&#038;hl=en" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="355"></embed></object></p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Três poemas alcoólicos de Malcolm Lowry</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/geral/tres-poemas-alcoolicos-de-malcolm-lowry/</link>
		<comments>http://bibliotecariodebabel.com/geral/tres-poemas-alcoolicos-de-malcolm-lowry/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 08 May 2008 09:37:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Excertos]]></category>

		<category><![CDATA[Geral]]></category>

		<category><![CDATA[Malcolm Lowry]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://bibliotecariodebabel.com/geral/tres-poemas-alcoolicos-de-malcolm-lowry/</guid>
		<description><![CDATA[OS BÊBADOS
O ruído da morte está neste bar desolado
Onde a tranquilidade se senta inclinada sobre a sua oração
E a música abriga o sonho do amante
Mas quando moeda alguma compra este fundo desespero
Nesta casa tão solitária
E de todos os destinos o mais solitário
Onde nenhuma música eléctrica destrói o bater
Dos corações duas vezes quebrados mas agora reunidos
Pelo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>OS BÊBADOS</p>
<p><em>O ruído da morte está neste bar desolado<br />
Onde a tranquilidade se senta inclinada sobre a sua oração<br />
E a música abriga o sonho do amante<br />
Mas quando moeda alguma compra este fundo desespero<br />
Nesta casa tão solitária<br />
E de todos os destinos o mais solitário<br />
Onde nenhuma música eléctrica destrói o bater<br />
Dos corações duas vezes quebrados mas agora reunidos<br />
Pelo cirurgião da paz no peróneo da desgraça<br />
Penetra mais profundamente do que os trompetes<br />
O movimento da mente que aí faz a sua teia<br />
Onde as desordens são simples como o túmulo<br />
E a aranha da vida se senta, dormindo.</em></p>
<p>O ÚLTIMO HOMEM NO DÔME</p>
<p><em>Onde está o sublime bêbado? Será o grande bêbado?<br />
Este pequeno mistério imponderável<br />
Perturba-me sempre à meia-noite:<br />
– Para onde foi, para onde levou a sua caneca?<br />
Para onde foram eles, os meus amigos, os que não têm porto?<br />
Já não se lamentam nos bares, já não se fazem ao mar;<br />
Um estremecimento da vontade e então podem sonhar,<br />
Vivendo enfim as vidas que sempre ansiaram –<br />
Intermináveis corredores de botas para lamber,<br />
Ou no fim de todos eles o Pope com a sua biqueira.<br />
Onde estão os teus amigos, seu tolo?, só te resta um,<br />
E também esse já te enjoa –<br />
Embora muito menos que os outros; e isto sei muito bem,<br />
Uma vez que sou o último bêbado: bebo sozinho.</em></p>
<p>UMA ORAÇÃO</p>
<p><em>Deus, dá de beber a estes bêbados que acordam ao amanhecer<br />
Balbuciando sobre o peito de Belzebu, destroçados,<br />
Espiando uma vez mais, através das janelas,<br />
A vaga e terrível ponte quebrada do dia.</em></p>
<p>[in <em>As Cantinas e Outros Poemas do Álcool e do Mar</em>, seleccionados e traduzidos por José Agostinho Baptista, Assírio &#038; Alvim, 2008]</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://bibliotecariodebabel.com/geral/tres-poemas-alcoolicos-de-malcolm-lowry/feed/</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>Ciclo dedicado a Luiz Pacheco</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/geral/ciclo-dedicado-a-luiz-pacheco/</link>
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		<pubDate>Wed, 07 May 2008 22:25:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Divulgação]]></category>

		<category><![CDATA[Geral]]></category>

		<category><![CDATA[Luiz Pacheco]]></category>

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		<description><![CDATA[Em Beja, teatro, cinema e conferências no Teatro Municipal Pax Julia (antigo cinema). Até dia 9.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em Beja, <a href="http://www.paxjulia.org/index.php?detalhe=492">teatro, cinema e conferências</a> no Teatro Municipal Pax Julia (antigo cinema). Até dia 9.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
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		<title>É já amanhã</title>
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		<pubDate>Wed, 07 May 2008 22:15:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Divulgação]]></category>

		<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[
Estou mortinho para saber quantas câmaras de TV é que estarão presentes, a captar imagens para o minuto e meio da praxe no telejornal da meia-noite. Isto descontando a RTP, claro, que por razões óbvias não deve faltar.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href='http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/debate_ler.jpg' title='debate_ler.jpg'><img rel='domelhor'  src='http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/debate_ler.jpg' alt='debate_ler.jpg' /></a></p>
<p>Estou mortinho para saber quantas câmaras de TV é que estarão presentes, a captar imagens para o minuto e meio da praxe no telejornal da meia-noite. Isto descontando a RTP, claro, que por razões óbvias não deve faltar.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Prémio Rainha Sofia para Pablo García Baena</title>
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		<pubDate>Wed, 07 May 2008 13:57:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Geral]]></category>

		<category><![CDATA[Pablo García Baena]]></category>

		<category><![CDATA[Prémios]]></category>

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		<description><![CDATA[O escritor Pablo García Baena (n. 1923), natural de Córdoba, venceu a 17.ª edição do Prémio Rainha Sofia de Poesia Iberoamericana, atribuído pela Universidade de Salamanca e pelo Património Nacional. O prémio, no valor de 42.100 euros, distingue &#8220;o conjunto da obra de um autor vivo que pelo seu valor literário constitui uma contribuição importante [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O escritor Pablo García Baena (n. 1923), natural de Córdoba, <a href="http://www.elpais.com/articulo/cultura/Garcia/Baena/premio/Reina/Sofia/poesia/iberoamericana/elpepucul/20080507elpepucul_2/Tes">venceu a 17.ª edição do Prémio Rainha Sofia de Poesia Iberoamericana</a>, atribuído pela Universidade de Salamanca e pelo Património Nacional. O prémio, no valor de 42.100 euros, distingue &#8220;o conjunto da obra de um autor vivo que pelo seu valor literário constitui uma contribuição importante para o património cultural comum iberoamericano e de Espanha&#8221;. José Saramago fez parte do júri.<br />
Eis um dos poemas de García Baena:</p>
<p><em>Hay una débil música enredada en mis dedos<br />
como indolentes, verdes algas dormidas,<br />
cuando mayo desnuda de negros pabellones<br />
mi errante pensamiento.<br />
Hay un tejido espeso como aroma de mieles y de trigo,<br />
que envuelve adormeciendo roca y nube.<br />
Es temprano en la tarde.<br />
El arroyo abandona su flauta entre la hierba.<br />
Me inclino reverente para beber y el agua<br />
pone en mis cerrados párpados su húmeda caricia.<br />
Sobre la tierra extiendo mi pereza<br />
y mayo me despoja de la corteza gris y extraña de mi traje<br />
ciñéndome triunfal con la guirnalda azul de<br />
sus ramajes lánguidos<br />
y en el silencio olvido el remolino inquieto de mi alma.<br />
Ahora soy complacido todo tierra,<br />
sólo un montón de tierra donde crecen florecillas salvajes<br />
como desnudas piernas deseadas<br />
y hay un himno en mis labios,<br />
un himno que levanta su corola<br />
como la púrpura de la diana en un alba con lluvia.<br />
Por el pinar en sombra se difunden sonrisas de armonía<br />
cuando la tarde estruja jacintos olorosos<br />
en el cáliz temblante de los árboles.<br />
La montaña se aleja en éxtasis de humo&#8230;<br />
Yo espero confiado que tu inicial escrita en la piedra<br />
vuelva a hablarme en la noche con tu voz,<br />
con la voz del agua en el venero,<br />
de esa agua que rompe su líquido alabastro<br />
en el silencio verde de las hierbas.</em></p>
]]></content:encoded>
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		<title>A língua nómada</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/geral/a-lingua-nomada/</link>
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		<pubDate>Tue, 06 May 2008 23:46:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Geral]]></category>

		<category><![CDATA[Maria Antonieta Preto]]></category>

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		<description><![CDATA[
A Ressurreição da Água
Autora: Maria Antonieta Preto
Editora: QuidNovi
N.º de páginas: 158
ISBN: 978-989-628-008-6
Ano de publicação: 2008
Com Chovem Cabelos na Fotografia (Temas e Debates, 2004), Maria Antonieta Preto (MAP) entrou de rompante na cena literária portuguesa, acumulando elogios quase unânimes da crítica. Apesar de uma ou outra fragilidade narrativa, as 18 histórias do volume de estreia – [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href='http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/ressurreicao_capa.jpg' title='ressurreicao_capa.jpg'><img rel='domelhor'  src='http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/ressurreicao_capa.jpg' alt='ressurreicao_capa.jpg' /></a></p>
<p><strong>A Ressurreição da Água</strong><br />
<em>Autora:</em> Maria Antonieta Preto<br />
<em>Editora:</em> QuidNovi<br />
<em>N.º de páginas:</em> 158<br />
<em>ISBN:</em> 978-989-628-008-6<br />
<em>Ano de publicação:</em> 2008</p>
<p>Com <em>Chovem Cabelos na Fotografia</em> (Temas e Debates, 2004), Maria Antonieta Preto (MAP) entrou de rompante na cena literária portuguesa, acumulando elogios quase unânimes da crítica. Apesar de uma ou outra fragilidade narrativa, as 18 histórias do volume de estreia – nas quais se fixava uma visão mitificada do Alentejo rural: decadente e triste, abandonado e violento, crepuscular e lírico – eram de facto, mais do que uma promessa, a expressão de uma escritora de corpo inteiro.<br />
Ao regressar ao conto em <em>A Ressurreição da Água</em>, agora editado pela QuidNovi, MAP confirma o seu talento ficcional e a sua fé inabalável nos poderes da literatura: &#8220;Conto-te, querida neta, para que contes sempre. Quem faz o conto és tu a partir de mim, e outros a partir de ti. Porque aquilo que se conta sonha-nos e transforma-nos e dá-nos um mundo dentro de outro mundo. O mundo nunca é verdadeiro sem todos os mundos dentro dele.&#8221; É nestes outros mundos, bizarros e introspectivos, muitas vezes difíceis de penetrar (ou até de compreender), que a autora nos vai mergulhando, com uma prosa tão etérea que dá a sensação de estar sempre prestes a transformar-se em poesia.<br />
Tal como no primeiro livro, voltamos a encontrar um Alentejo reconhecível (mas nunca nomeado), mulheres velhíssimas, padres incapazes de ter mão nas cerimónias litúrgicas, segredos guardados em arcas, cenas de violência doméstica e até palavras ditas no útero por quem ainda não nasceu. A diferença é que a escrita de MAP se tornou mais barroca e abstracta. Em vez de alcunhas de forte pendor regionalista, surgem nomes ostensivamente desligados da onomástica nacional: Carofénia, Pertólio, Vidânia, Sélmio, Noalma. E embora a matriz alentejana persista, sobretudo nas descrições de uma terra exangue, eternamente à espera da chuva redentora (como no belíssimo conto que dá título à obra), é como se MAP procurasse diluir os contornos geográficos da paisagem, tornando-a mais universal e como que fora do tempo, um lugar onde a morte paira, omnipresente, sobre todos os gestos. Um lugar onde há lenços bordados que contam vidas ancestrais, malignas penas de corvo, rosas salvíficas e cortejos de querubins; além de personagens que comem pedras e morrem muito, de tristeza, amor ou vergonha.<br />
Apesar de alguns passos em falso (como <em>O conto dos sabonetes</em>, muito fraco e disparatado), MAP aprimorou um estilo e uma voz singulares, talvez fechados em demasia sobre si mesmos, mas ainda assim fascinantes. Mais do que as capacidades de efabulação, valem aqui a riqueza e a liberdade do trabalho sobre a linguagem. Como se diz em <em>A Língua das Rosas</em>: &#8220;A minha língua é nómada. A minha língua está em toda a parte do mundo. A minha língua está onde existe o requinte, a nobreza, a espontaneidade, a lucidez, o respeito. (&#8230;) A minha língua não gosta de cangas nem de ferros.&#8221;</p>
<p><em>Avaliação:</em> 7/10</p>
<p>[Texto publicado no suplemento <em>Actual</em> do <em>Expresso</em>]</p>
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		<title>Fair play</title>
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		<pubDate>Tue, 06 May 2008 22:29:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Geral]]></category>

		<category><![CDATA[Pedro Paixão]]></category>

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		<description><![CDATA[É sabido: nem sempre os escritores reagem bem às críticas que lhes são feitas (ou a qualquer aspecto dos livros que escrevem), mesmo quando essas críticas são construtivas. Por isso, não posso deixar de referir a notável capacidade de encaixe e simpatia de que Pedro Paixão deu mostras no comentário a este post sobre incongruências [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É sabido: nem sempre os escritores reagem bem às críticas que lhes são feitas (ou a qualquer aspecto dos livros que escrevem), mesmo quando essas críticas são construtivas. Por isso, não posso deixar de referir a notável capacidade de encaixe e simpatia de que Pedro Paixão deu mostras no comentário a este <em><a href="http://bibliotecariodebabel.com/geral/falta-de-esmero/">post</a></em> sobre incongruências que detectei no romance <em>Rosa Vermelha em Quarto Escuro</em>:</p>
<blockquote><p>«Caro José,<br />
obrigado pela tua leitura atenta, certamente mais atenta do que a minha que deixou passar esses erros e inconsistências.<br />
o caso do Beckett é incrível, pois é um dos autores que mais leio, e há mais tempo, tendo traduzido todos os seus poemas em francês.<br />
mas também sabes que os apelidos ingleses podem ser escritos de várias maneiras. No caso do apelido Eliot já o vi escrito de três ou quatro maneiras.<br />
quanto à equipe de basket tem a sua graça pois também os vi jogar mais de uma vez. um espectáculo incrível.<br />
quanto às obras de Proust os volumes variam conforme a edição. Na Pleyade é só um ou dois. mais uma vez aqui não sei se estou a escrever bem o título da colecção e não vou verificar quantos são embora os tenha ali no outro quarto. é estranho. não dou, mas talvez devesse dar, importância a isso. e gosto de gralhas. sem gralhas o texto não canta.<br />
e nunca esqueço a Madame Bovary que muda de cor de olhos várias vezes e não deixa de ser belíssima.<br />
eu faço sempre muitos erros ortográficos e outros talvez porque a língua que primeiro aprendi e na qual escrevi não ser o português.<br />
de qualquer modo muito obrigado. se houver uma segunda edição será corrigida.<br />
com um abraço,<br />
pedro»</p></blockquote>
<p><em>Adenda:</em> um dia depois, Paixão comentou igualmente a recensão, bastante dura, que fiz ao seu romance. Nestes termos:</p>
<blockquote><p>«Caro José,<br />
compreendo muito bem a tua critica e poder-me-á ajudar no próximo volume já que este é o primeiro de uma série de três.<br />
quanto ao espírito do livro acho que o captaste muito bem com o titulo da tua critica. O abismo vazio é onde de facto estamos, ainda não reparaste? E o tédio por debaixo de tudo (Heidegger). E o indizível (Wittgenstein).<br />
E de facto a acção é completamente acessória, como em Beckett, Joyce e Proust. O que ela gosta é de pensar e foder. Como eu.<br />
abraço<br />
pedro</p>
<p>ps - já descobri porque não consigo escrever o nome do S.B. correctamente. Porque estudei quatro anos num colégio que se chamava Thomas Becket - só com um T. deve ser de um traumatismo na memória.»</p></blockquote>
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		<title>Apresentação de &#8216;Rayuela&#8217;</title>
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		<pubDate>Tue, 06 May 2008 16:54:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Divulgação]]></category>

		<category><![CDATA[Geral]]></category>

		<category><![CDATA[Julio Cortázar]]></category>

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		<description><![CDATA[
Daqui a pouco (18h30), na Fnac do Chiado, será lançada a edição portuguesa da obra-prima de Julio Cortázar: Rayuela (O Jogo do Mundo). Só agora, 45 anos depois, é que alguém decidiu colmatar a escandalosa lacuna (e por isso tiro o meu chapéu à Cavalo de Ferro). Como se costuma dizer, antes tarde do que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href='http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/rayuela.jpg' title='rayuela.jpg'><img rel='domelhor'  src='http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/rayuela.jpg' alt='rayuela.jpg' /></a></p>
<p>Daqui a pouco (18h30), na Fnac do Chiado, será lançada a edição portuguesa da obra-prima de Julio Cortázar: <em>Rayuela (O Jogo do Mundo)</em>. Só agora, 45 anos depois, é que alguém decidiu colmatar a escandalosa lacuna (e por isso tiro o meu chapéu à Cavalo de Ferro). Como se costuma dizer, antes tarde do que nunca.<br />
Depois da leitura a mata-cavalos, numa espécie de transe, das 631 páginas e 155 capítulos deste romance desvairado, vou tentar dizer alguma coisa que seja digna de tão transcendente experiência, assim como quem lança uma pedra para a figura desenhada a giz no chão e sobe ao pé coxinho da Terra ao Céu.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Georges Perec, dá-me a tua camisola!</title>
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		<pubDate>Mon, 05 May 2008 21:17:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Blogosfera]]></category>

		<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[O Alexandre Andrade escreveu um post intitulado Arte Corporal, que tomo a liberdade de reproduzir abaixo (por não me entender com o sistema de links do blogue verde alface): 
Graças à revista Ler, fiquei a saber que o escritor José Luís Peixoto tem o nome do condado imaginário dos romances de Faulkner (&#8221;Yoknapatawpha&#8221;) tatuado no [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O <a href="http://umblogsobrekleist.blogspot.com/">Alexandre Andrade</a> escreveu um <em>post</em> intitulado <em>Arte Corporal</em>, que tomo a liberdade de reproduzir abaixo (por não me entender com o sistema de <em>links</em> do blogue verde alface): </p>
<blockquote><p>Graças à revista <em>Ler</em>, fiquei a saber que o escritor José Luís Peixoto tem o nome do condado imaginário dos romances de Faulkner (&#8221;Yoknapatawpha&#8221;) tatuado no braço. Isto decidiu-me a tatuar &#8220;11, rue Simon-Crubellier&#8221; na minha omoplata direita. É a minha resolução de primavera.</p></blockquote>
<p>Pois eu digo que tão iluminada resolução merece ser partilhada. Quando fores ao <em>tattoo shop</em>, Alexandre, não te esqueças de me avisar. Pode ser que nos façam desconto por sermos dois. E já reservei, para a sublime morada, a planta do pé direito.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Pedro Tamen de calções</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/geral/pedro-tamen-de-calcoes/</link>
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		<pubDate>Mon, 05 May 2008 16:01:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[
Uma preciosidade iconográfica para descobrir aqui, juntamente com poemas de várias fases, a bibliografia e uma longa lista das traduções assinadas por Tamen desde os finais da década de 50.
[via Ciberescritas]
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img rel='domelhor'  src="http://www.arscives.com/pedrotamen/images/capitao-miliciano-nampula_small.jpg" alt="Tamen no tempo em que foi miliciano em Nampula" /></p>
<p>Uma preciosidade iconográfica para descobrir <a href="http://www.arscives.com/pedrotamen/">aqui</a>, juntamente com poemas de várias fases, a bibliografia e uma longa lista das traduções assinadas por Tamen desde os finais da década de 50.</p>
<p>[via <a href="http://ciberescritas.wordpress.com/">Ciberescritas</a>]</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>No eBay encontra-se de tudo</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/geral/no-ebay-encontra-se-de-tudo/</link>
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		<pubDate>Sun, 04 May 2008 23:19:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Curiosidades]]></category>

		<category><![CDATA[Geral]]></category>

		<category><![CDATA[Jorge Luis Borges]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://bibliotecariodebabel.com/geral/no-ebay-encontra-se-de-tudo/</guid>
		<description><![CDATA[Até um exemplar numerado (141 de um total de 280) da primeira edição do livro Cuaderno San Martin, publicado em 1929 pelo então jovem Jorge Luis Borges (teria uns 30 anos), com um retrato do escritor desenhado por Silvina Ocampo. Quem quiser pode licitar, a partir dos 2020 dólares (1306 euros).
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Até um <a href="http://cgi.ebay.com/Borges-1929-First-numbered-edition-Latin-America_W0QQitemZ120100920437QQihZ002QQcategoryZ29223QQrdZ1QQssPageNameZWD1VQQcmdZViewItemQQ_trksidZp1638Q2em118Q2el1247">exemplar numerado</a> (141 de um total de 280) da primeira edição do livro <em>Cuaderno San Martin</em>, publicado em 1929 pelo então jovem Jorge Luis Borges (teria uns 30 anos), com um retrato do escritor desenhado por Silvina Ocampo. Quem quiser pode licitar, a partir dos 2020 dólares (1306 euros).</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://bibliotecariodebabel.com/geral/no-ebay-encontra-se-de-tudo/feed/</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>A melhor profissão do mundo</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/geral/a-melhor-profissao-do-mundo/</link>
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		<pubDate>Sat, 03 May 2008 10:55:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Crónicas]]></category>

		<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[Sei que vou parecer exagerado. Ou ingénuo. Não importa. A verdade é esta: num mundo em que 99,99% das pessoas se queixam do emprego que lhes coube, eu posso gabar-me de ter a melhor profissão do mundo. Não estou na lista da Forbes, não tenho a vida de lorde do Cristiano Ronaldo em Manchester, não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sei que vou parecer exagerado. Ou ingénuo. Não importa. A verdade é esta: num mundo em que 99,99% das pessoas se queixam do emprego que lhes coube, eu posso gabar-me de ter a melhor profissão do mundo. Não estou na lista da <em>Forbes</em>, não tenho a vida de lorde do Cristiano Ronaldo em Manchester, não sou estrela pop, não pertenço a elites, não gozo as supostas vantagens da fama (nem sofro, já agora, com as respectivas desvantagens). Mas tenho a melhor profissão do mundo. Leio, leio, leio e depois escrevo, escrevo, escrevo. Leio para escrever. Escrevo sobre o que leio. Vivo rodeado de livros. E pagam-me, ainda por cima. Só o suficiente, mas pagam.<br />
Para um bibliófilo compulsivo e sem grandes ambições materialistas, isto é o mais próximo da ideia de Paraíso a que se pode chegar. Um Paraíso borgesiano, claro: forradinho de estantes do Ikea, abauladas com o peso dos volumes em cujas páginas de rosto aparece, como um ferrete, o carimbo a dizer &#8220;oferta do editor&#8221;. Um Paraíso que se transforma em Inferno quando as novidades do mês, lá no topo dos vários estratos geológicos de papel que se debruçam das estantes, nos atiram à cara o facto de ainda não lhes termos dado a atenção de que se julgam merecedoras.</p>
<p><a href='http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/caos_livros.jpg' title='caos_livros.jpg'><img rel='domelhor'  src='http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/caos_livros.jpg' alt='caos_livros.jpg' /></a></p>
<p>É um trabalho ao mesmo tempo sublime e ingrato. Ingrato porque ninguém, nem mesmo o mais voraz dos leitores, consegue acompanhar tudo o que de interessante se publica (magro consolo: saber que certos romancistas passam às vezes dois anos a escrever um livro que devoramos em dois dias). Sublime porque permite – aliás, exige – a entrega à leitura compulsiva, sem complexos de culpa nem distracções. Lembram-se daquele poema de Pessoa intitulado <em>Liberdade</em>? Pois é exactamente ao contrário: &#8220;Ai que prazer cumprir um dever. Ter um livro para ler e fazê-lo.&#8221;<br />
Entretanto eles vão chegando, todos os dias ou quase, de mansinho. Formam pilhas cada vez mais altas, cada vez mais instáveis. Durante muitos anos, essa periclitante cordilheira dos Himalaias ocupou a minha mesa no jornal, para espanto e inveja dos camaradas de outras secções. Agora que trabalho por conta própria, as montanhas transferiram-se para o escritório lá de casa, para a sala de estar, para os corredores, para o quarto – lugares onde os livros vão disputando o meu interesse, numa comovente e darwiniana <em>struggle for life</em>. Refastelado no sofá, eu selecciono, elimino, premeio os mais aptos, sabendo que com o tempo acabarei por receber, em envelopes de papel pardo, uma biblioteca inteira a conta-gotas, enviada por uma espécie de Amazon ainda mais virtual que a Amazon virtual, uma Amazon que me impinge muito lixo (é verdade) mas nunca me pede o número do cartão de crédito.<br />
O carteiro toca. Pelo intercomunicador diz &#8220;mais uma encomenda para si&#8221; e depois leva muito tempo a subir as escadas, como quem estica a corda da expectativa até ao limite. Encontra-me à porta de casa, sorridente e ansioso. Antes de o entregar, avalia o peso do pacote. Nunca precisei de lhe explicar o porquê do meu sorriso e da minha ansiedade.</p>
<p>[Crónica publicada no n.º 69 da revista <em>Ler</em>]</p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Livros de culto</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/geral/livros-de-culto/</link>
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		<pubDate>Fri, 02 May 2008 17:32:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[O jornal Telegraph elaborou uma lista dos 50 principais livros de culto. Há algumas pérolas e muito lixo, o que não surpreende se tivermos em conta a definição de &#8220;cult book&#8221; de que se partiu: &#8220;Books often found in the pockets of murderers; books that you take very seriously when you are 17; books whose [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O jornal <em>Telegraph</em> elaborou uma <a href="http://www.telegraph.co.uk/arts/main.jhtml?xml=/arts/2008/04/26/nosplit/boanotherlist126.xml">lista dos 50 principais livros de culto</a>. Há algumas pérolas e muito lixo, o que não surpreende se tivermos em conta a definição de &#8220;<em>cult book</em>&#8221; de que se partiu: &#8220;<em>Books often found in the pockets of murderers; books that you take very seriously when you are 17; books whose readers can be identified to all with the formula &#8216;<Author Name> whacko&#8217;; books our children just won’t get…</em>&#8221;<br />
Dos 50, só li 11:<em>The Bell Jar</em> (Sylvia Plath), <em>Catch-22</em> (Joseph Heller), <em>The Catcher in the Rye</em> (JD Salinger), <em>Gödel, Escher, Bach: an Eternal Golden Braid</em> (Douglas R Hofstadter), <em>If on a Winter’s Night a Traveller</em> (Italo Calvino), Labyrinths (Jorge Luis Borges), <em>No Logo</em> (Naomi Klein), <em>On The Road</em> (Jack Kerouac), <em>The Rubáiyát</em> (Omar Khayyám), <em>The Stranger</em> (Albert Camus), <em>Thus Spoke Zarathustra</em> (Friedrich Wilhelm Nietzsche).</p>
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		<title>Capítulo 7 (agora dito pelo autor)</title>
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		<pubDate>Thu, 01 May 2008 16:43:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Geral]]></category>

		<category><![CDATA[Julio Cortázar]]></category>

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E que voz, meus amigos, que voz.
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<param name="wmode" value="transparent"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/BfCTnAgoxBM&#038;hl=en" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="355"></embed></object></p>
<p>E que voz, meus amigos, que voz.</p>
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		<title>Capítulo 7</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Apr 2008 11:27:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Excertos]]></category>

		<category><![CDATA[Geral]]></category>

		<category><![CDATA[Julio Cortázar]]></category>

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		<description><![CDATA[«Toco a tua boca.
Com um dedo, toco a borda da tua boca, desenhando-a como se saísse da minha mão, como se a tua boca se entreabrisse pela primeira vez, e basta-me fechar os olhos para tudo desfazer e começar de novo, faço nascer outra vez a boca que desejo, a boca que a minha mão [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>«Toco a tua boca.<br />
Com um dedo, toco a borda da tua boca, desenhando-a como se saísse da minha mão, como se a tua boca se entreabrisse pela primeira vez, e basta-me fechar os olhos para tudo desfazer e começar de novo, faço nascer outra vez a boca que desejo, a boca que a minha mão define e desenha na tua cara, uma boca escolhida entre todas as bocas, escolhida por mim com soberana liberdade para desenhá-la com a minha mão na tua cara e que, por um acaso que não procuro compreender, coincide exactamente com a tua boca, que sorri por baixo da que a minha mão te desenha.<br />
Olhas-me, de perto me olhas, cada vez mais de perto, e então brincamos aos ciclopes, olhando-nos cada vez mais de perto. Os olhos agigantam-se, aproximam-se entre si, sobrepõem-se, e os ciclopes olham-se, respirando confundidos, as bocas encontram-se e lutam sem vontade, mordendo-se com os lábios, quase não apoiando a língua nos dentes, brincando nos seus espaços onde um ar pesado vai e vem com um perfume velho e um silêncio. Então as minhas mãos tentam fundir-se no teu cabelo, acariciar lentamente as profundezas do teu cabelo enquanto nos beijamos como se tivéssemos a boca cheia de flores ou de peixes, de movimentos vivos, de uma fragrância obscura. E se nos mordemos a dor é doce, e se nos afogamos num breve e terrível absorver simultâneo do fôlego, essa morte instantânea é bela. E há apenas uma saliva e apenas um sabor a fruta madura, e eu sinto-te tremer em mim como a lua na água.»</p>
<p>[in <em>O Jogo do Mundo (Rayuela),</em> de Julio Cortázar, tradução de Alberto Simões, Cavalo de Ferro, 2008]</p>
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		<title>Canto do cisne</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/geral/canto-do-cisne/</link>
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		<pubDate>Tue, 29 Apr 2008 10:03:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Críticas]]></category>

		<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[
Campo Santo
Autor: W. G. Sebald
Título original: Campo Santo
Tradução: Telma Costa
Editora: Teorema
N.º de páginas: 224
ISBN: 978-972-695-748-5
Ano de publicação: 2008
Publicado em 2003, quase dois anos após a morte de W. G. Sebald num acidente rodoviário em Norwich (Reino Unido), onde leccionava há mais de três décadas, Campo Santo é um volume que deixará nos admiradores do escritor [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href='http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/sebald.jpg' title='sebald.jpg'><img rel='domelhor'  src='http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/sebald.jpg' alt='sebald.jpg' /></a></p>
<p><strong>Campo Santo</strong><br />
<em>Autor:</em> W. G. Sebald<br />
<em>Título original: Campo Santo</em><br />
<em>Tradução:</em> Telma Costa<br />
<em>Editora:</em> Teorema<br />
<em>N.º de páginas:</em> 224<br />
<em>ISBN:</em> 978-972-695-748-5<br />
<em>Ano de publicação:</em> 2008</p>
<p>Publicado em 2003, quase dois anos após a morte de W. G. Sebald num acidente rodoviário em Norwich (Reino Unido), onde leccionava há mais de três décadas, <em>Campo Santo</em> é um volume que deixará nos admiradores do escritor alemão um travo de melancolia. Isto porque os textos nele reunidos, por muito que reflictam as suas obsessões e o seu estilo singular – feito de subtis questionamentos, sínteses poderosas e derivas tanto geográficas como mentais –, não deixam de ser uma espécie de canto do cisne, o derradeiro legado de um autor que desapareceu, aos 57 anos, no auge das suas capacidades criativas.<br />
O livro abre com uma sequência de quatro textos, independentes uns dos outros, sobre a Córsega. Sebald tencionava inclui-los numa obra dedicada à ilha francesa, mas o projecto foi suspenso para a escrita do seu <em>magnum opus</em> <em>(Austerlitz)</em>. Na primeira das &#8220;prosas&#8221;, o escritor cumpre o seu desígnio de explorador dos &#8220;abismos sem fim do passado&#8221; e deambula por Ajaccio em busca dos traços de Napoleão na cidade que o viu nascer. Não por acaso, Sebald foca-se na visita à Casa Bonaparte, em tempos descrita por Flaubert, um museu onde a grandeza extinta do Império se cristalizou, com os seus mitos e símbolos. Dos objectos mencionados pelo autor de <em>Madame Bovary</em>, &#8220;somente a capa imperial com abelhas douradas que ele vira reluzir no <em>chiaroscuro</em> já não estava lá&#8221;. O que interessa ao visitante é perceber como era Napoleão antes de ser Napoleão. Ou seja, o vislumbre da História enquanto entidade &#8220;que se move e muda de direcção no seu movimento (&#8230;) por causa de minudências imponderáveis, por uma mera corrente de ar quase imperceptível&#8221;. No texto que dá título ao livro, um velho cemitério rural torna-se o palco para uma meditação sobre a decadência do culto dos mortos e os perigos de vivermos o &#8220;presente sem memória&#8221;, enquanto em <em>Os Alpes no mar</em> o tom é de lamento pelo abate progressivo das florestas corsas e pela &#8220;febre&#8221; da caça, reflexo da &#8220;infâmia que é a violência humana&#8221;.<br />
A segunda parte do livro compõe-se de artigos, ensaios e discursos que abrangem um vasto arco temporal (a começar na crítica, escrita em 1975, à peça <em>Kaspar</em>, de Peter Handke). Além de analisar a problemática relação da literatura alemã com a destruição do país durante a II Guerra Mundial, Sebald revela-se um leitor muitíssimo atento de autores consagrados (Kafka, Nabokov, Bruce Chatwin) e menos conhecidos (Peter Weiss, Jean Améry). Os melhores textos, porém, são aqueles em que evoca a sua infância em Wertach im Allgäu, nos Alpes bávaros, seja através de uma melodia de clarinete <em>(Moments musicaux)</em>, seja através de um jogo de cartas onde as cidades em ruínas, como Estugarda, permaneciam intactas <em>(Uma tentativa de restituição)</em>.</p>
<p><em>Avaliação:</em> 8,5/10</p>
<p>[Texto publicado no suplemento <em>Actual</em> do <em>Expresso</em>]</p>
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		<title>Ela está a chegar</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Apr 2008 13:58:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Divulgação]]></category>

		<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[
Assentai, ó gentes, nas vossas agendas (uma amostra do livro pode ser lida aqui). Aos mais tímidos, ou a quem partiu uma perna e não pode sair de casa, aconselha-se o inovador serviço de &#8220;apresentação ao domicílio&#8221;.
Já agora, espreitem também o belo clip promocional da Microcosmos (colecção de micronarrativa da Angelus Novus), com fragmentos manuscritos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href='http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/flyer_caravana_em_lisboa.jpg' title='flyer_caravana_em_lisboa.jpg'><img rel='domelhor'  src='http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/flyer_caravana_em_lisboa.jpg' alt='flyer_caravana_em_lisboa.jpg' /></a></p>
<p>Assentai, ó gentes, nas vossas agendas (uma amostra do livro pode ser lida <a href="http://bibliotecariodebabel.com/geral/tres-micro-contos-de-rui-manuel-amaral/">aqui</a>). Aos mais tímidos, ou a quem partiu uma perna e não pode sair de casa, aconselha-se o inovador serviço de <a href="http://angnovus.wordpress.com/2008/04/14/caravana-ao-domicilio-no-grande-porto-e-mais-alem/">&#8220;apresentação ao domicílio&#8221;</a>.<br />
Já agora, espreitem também o belo <em>clip</em> promocional da Microcosmos (colecção de micronarrativa da Angelus Novus), com fragmentos manuscritos dos contos mínimos do Rui Manuel Amaral e do Augusto Monterroso espalhados por tudo o que é sítio:</p>
<p><object width="425" height="355">
<param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/36QNUuh9lyk&#038;rel=0"></param>
<param name="wmode" value="transparent"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/36QNUuh9lyk&#038;rel=0" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="355"></embed></object></p>
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		<title>Um poema de Armando Silva Carvalho</title>
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		<pubDate>Sun, 27 Apr 2008 11:39:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Excertos]]></category>

		<category><![CDATA[Geral]]></category>

		<category><![CDATA[Armando Silva Carvalho]]></category>

		<category><![CDATA[Poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Transportaste os meus versos, e a prosa corrida e manuscrita
Chegava a descer ao nível dos pedais,
Amarfanhada.
Quando solta de mim, a prosa era uma crueldade
Meio oculta.
Sentias-me a tremer, nas minhas mãos
As lâminas
Degolavam as sílabas,
Era um sangue confuso, incongruente,
Que manchava os estofos e vinha, gota a gota,
Turvar a placenta do texto
Nascido no meu colo.
Loucura tão apertada em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Transportaste os meus versos, e a prosa corrida e manuscrita<br />
Chegava a descer ao nível dos pedais,<br />
Amarfanhada.<br />
Quando solta de mim, a prosa era uma crueldade<br />
Meio oculta.<br />
Sentias-me a tremer, nas minhas mãos<br />
As lâminas<br />
Degolavam as sílabas,<br />
Era um sangue confuso, incongruente,<br />
Que manchava os estofos e vinha, gota a gota,<br />
Turvar a placenta do texto<br />
Nascido no meu colo.</p>
<p>Loucura tão apertada em ti<br />
E à nossa volta as árvores erguendo a nobreza vegetal<br />
Que subia dos alicerces<br />
Da terra,<br />
Da água ao abandono pelas inclinações<br />
Que eu dava à língua.</p>
<p>Anos e anos e dias que chegavam à noite ofegantes<br />
Sem saber o que fazer às frases.<br />
Um mistério indefeso, infante e natalício<br />
Cruzava-se nos teus vidros<br />
Com a névoa tensa, densa, cimentada.</p>
<p>Eu não sabia dizer, puxava devagar as linhas novas,<br />
Nervosas, cordões umbilicais<br />
Toda essa baba azul da esferográfica<br />
Ao redor do produto, ali, parido,<br />
Deitado no papel.</p>
<p>Lembro agora esse tempo acrobático,<br />
Em que a cabeça reclinava<br />
E declinava<br />
Ao volante o lume, os nossos breves lumes<br />
Nas paragens,<br />
As palavras roxas, franzinas, às cegas, enrodilhadas no tempo,<br />
Na tua paciência,<br />
No parque maternal da minha escrita.</em></p>
<p>[in <em>O Amante Japonês</em>, Assírio &#038; Alvim, 2008]</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Eduardo Mendoza: &#8220;Tento escrever como desenho, com o mesmo grau de atenção&#8221;</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/geral/eduardo-mendoza-tento-escrever-como-desenho-com-o-mesmo-grau-de-atencao/</link>
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		<pubDate>Sat, 26 Apr 2008 19:24:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>

		<category><![CDATA[Geral]]></category>

		<category><![CDATA[Correntes d'Escritas]]></category>

		<category><![CDATA[Eduardo Mendoza]]></category>

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		<description><![CDATA[O escritor Eduardo Mendoza, 65 anos, nome maior das letras espanholas contemporâneas, participou na edição deste ano das Correntes d&#8217;Escritas, na Póvoa de Varzim, onde lançou o romance Mauricio ou as Eleições Sentimentais (ASA). Nesta entrevista, fala do livro, das suas circunstâncias e da sequela que está a escrever neste momento. Uma sequela que pode [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O escritor Eduardo Mendoza, 65 anos, nome maior das letras espanholas contemporâneas, participou na edição deste ano das Correntes d&#8217;Escritas, na Póvoa de Varzim, onde lançou o romance <em><a href="http://bibliotecariodebabel.com/geral/o-fim-das-ilusoes/">Mauricio ou as Eleições Sentimentais</a></em> (ASA). Nesta entrevista, fala do livro, das suas circunstâncias e da sequela que está a escrever neste momento. Uma sequela que pode ficar pelo caminho, como muitas outras das suas tentativas ficcionais.</p>
<p><a href='http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/eduardo_mendoza1.jpg' title='eduardo_mendoza1.jpg'><img rel='domelhor'  src='http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/eduardo_mendoza1.jpg' alt='eduardo_mendoza1.jpg' /></a></p>
<p><strong>Neste último romance, situa como sempre a acção na cidade onde nasceu, Barcelona, mas pela primeira vez num período histórico recente. O que é que o levou a abordar um momento político tão concreto como as eleições autonómicas de 1984, na Catalunha?</strong><br />
Para ser sincero, não sei. Um dia dei comigo a interessar-me por esse momento. Há muitos livros escritos sobre a transição para a democracia, mas ninguém se debruçara ficcionalmente sobre esta fase concreta que foi, para mim, o parêntesis pior da História Contemporânea espanhola posterior ao fim da ditadura. Após um período de alegria e grandes mudanças, começávamos a pagar a factura. A lua-de-mel acabou, deixando-nos perguntas a que não sabíamos responder: &#8220;E agora? Para onde vamos?&#8221;</p>
<p><strong>Depois da euforia, o choque com a realidade.</strong><br />
Sim. Havia também uma crise económica muito forte, que complicava tudo. </p>
<p><strong>A primeira parte do livro sugere um enredo sobre a política catalã, vista do campo socialista. Mas ao fim de apenas 90 páginas dá-se a derrota eleitoral, face aos nacionalistas conservadores de Jordi Pujol. Daí em diante, o romance muda de foco, centrando-se nos dilemas amorosos de Mauricio, o protagonista. Já tinha prevista esta inflexão quando começou a escrever ou foram as personagens que lhe roubaram a trama?</strong><br />
Não tinha nada previsto à partida, mas quis evitar que esta fosse uma história meramente política. O que me interessava era seguir uma pessoa enquanto ela passa por várias etapas, do entusiasmo ao desencanto. Mas se abordas uma campanha eleitoral, a dimensão política do livro vai estar sempre em primeiro plano. Não há nada a fazer. Aliás, é a mesma coisa se te lembrares de introduzir um homicídio na história: o teu livro converte-se imediatamente num policial. Neste caso, a minha ideia inicial era acompanhar o regresso de um homem à sua cidade. Porque foi isso o que me aconteceu, mais ou menos naquela altura.</p>
<p><strong>Voltou de Nova Iorque, onde foi tradutor na ONU durante quase uma década.</strong><br />
Eu vivia em Nova Iorque e ao voltar a Barcelona encontrei uma situação que não esperava. Nos Estados Unidos e noutros lados ainda se falava da transição espanhola, mas em Espanha ela já tinha terminado. </p>
<p><strong>O livro é também sobre esse culminar de um ciclo, sobre o fim das ilusões quanto a uma mudança mais radical da sociedade.</strong><br />
Claro. Esse desencantamento coincide com a emergência de uma geração mais jovem do que a minha, uma geração que muda de vida enquanto o país vai mudando. A evolução de Espanha coincide com a sua, na passagem da juventude à maturidade. Era esta a geração que me interessava descrever. </p>
<p><strong>Descreve-a com um olhar clínico, onde outros teriam um olhar cínico.</strong><br />
Não quis fazer julgamentos. Se escrevo livros, é para desenhar um panorama, ver o que se passa. Habituei-me a viajar com um caderno e um lápis. Eu não tenho um grande traço, não sou um artista plástico, mas acho que me safo menos mal. E gosto do exercício de esboçar no papel as realidades com que deparo. Ao desenhar, observas coisas que à vista desarmada te escapariam. E com a escrita passa-se o mesmo. Tento escrever como desenho, com o mesmo grau de atenção.</p>
<p><strong>Para que não escapem os detalhes, as coisas mínimas?</strong><br />
Precisamente. Não basta dizer como foram as coisas, é preciso explicá-las. E no acto de explicar, tu próprio entendes melhor o que se passou. </p>
<p><a href='http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/eduardo_mendoza2.jpg' title='eduardo_mendoza2.jpg'><img src='http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/eduardo_mendoza2.jpg' alt='eduardo_mendoza2.jpg' /></a></p>
<p><strong>O seu protagonista está longe de ser um <em>alter-ego</em>. Quais são as maiores diferenças entre a criatura e o criador?</strong><br />
Creio que Mauricio é demasiado passivo. Eu não era assim. Ele fica à espera que as coisas lhe aconteçam, revela uma atitude expectante. Não sei, talvez eu devesse tê-lo feito menos plano. Acontece que os romances, por natureza, comprimem o tempo. Se as personagens fossem tão complexas e contraditórias como as pessoas reais, os livros não acabariam nunca. Bem, houve quem fizesse quase isso, como Proust&#8230;</p>
<p><strong>Em sete volumes.</strong><br />
Pois. É sempre preciso cortar algo e quando se corta, perde-se. </p>
<p><strong>Sendo este um livro passado em Barcelona, como quase todas as suas obras, é interessante verificar que há poucas descrições da cidade. Sabemos que é ali que as coisas se passam, mas Barcelona não se vê. É quase como um estado de espírito das personagens, mais do que uma realidade física.</strong><br />
Eu não queria que fosse um romance sobre Barcelona. O que se passou é que me interessava contar o que realmente aconteceu na cidade durante aquela época, que não era o mesmo que acontecia em Madrid, muito pelo contrário. Durante muitos anos, Madrid foi a cidade burocrática e Barcelona a cidade rica, activa. Mas naquele período isso mudou. Barcelona perdeu importância, devido à crise económica que se seguiu à entrada de Espanha na Comunidade Europeia, uma entrada que a longo prazo trouxe grandes benefícios mas no curto prazo foi problemática. Os preços subiram muito, havia desemprego, o que também contribuiu para a decepção das pessoas. O romance termina justamente quando começa a mudança.</p>
<p><strong>Ou seja, no dia em que a cidade é escolhida para organizar os Jogos Olímpicos de 1992.</strong><br />
Tendo esse projecto em mira, Barcelona deixa de ser uma cidade industrial para se converter numa cidade de turismo, de serviços, de grandes centros de medicina, informática, alta tecnologia. E onde antes havia fábricas, passou a haver complexos habitacionais, uma cidade moderna. Esta transformação, que se deu muito, muito depressa, era outro tema que gostaria de tratar.</p>
<p><strong>Ficcionalmente, a porta está aberta. Ao chegarmos à última página do livro, fica implícito um eventual casamento entre Mauricio e Clotilde, com tudo o que isso implica. Os seus leitores podem esperar uma sequela, qualquer coisa como <em>Mauricio e as Olimpíadas</em>?</strong><br />
(Risos) O título é prematuro, mas sim, já estou a avançar numa continuação, embora não saiba ainda o que lhe vai acontecer. Eu começo muitos romances que depois ficam pelo caminho. Este é suposto passar-se dez anos mais tarde, em 1996. Mauricio e Clotilde casaram e Barcelona já mudou. Têm filhos e veremos o que lhes acontece.</p>
<p><strong>A escrita corre-lhe bem?</strong><br />
Não, neste momento estou sem saber o que fazer. E entretanto escrevi outra coisa, uma novela.</p>
<p><strong>Quando é que sabe que um romance vai mesmo até ao fim?</strong><br />
Isso é terrível. Nunca. Nunca sei. Às vezes, depois de terminar um livro que me consumiu quatro anos de trabalho, fico sem saber se o devo publicar ou destruir. É nessas alturas que peço ajuda à minha mulher ou a alguns amigos. Mas antes de estar concluído, nunca mostro nada a ninguém. Guardo o texto à chave. </p>
<p><strong>Essa incerteza não o angustia?</strong><br />
Muito. Muitíssimo. Por isso peço a opinião dessas pessoas próximas. Às vezes dizem-me que sim, outras que não. E o mais normal é que digam: &#8220;esta parte está bem&#8221;, &#8220;aquele capítulo ficou grande demais&#8221; ou &#8220;isto não se percebe&#8221;. </p>
<p><strong>Acolhe essas opiniões?</strong><br />
Sim. E volto a escrever. Mas aí já é um processo rápido. Outro motivo de angústia tem a ver com este desfasamento: o que o escritor levou vários anos a escrever, é julgado pelo leitor de uma só vez, em dois ou três dias. Sinceramente, considero um milagre o livro manter sempre o mesmo nível, porque um dia acordas optimista, noutro estás deprimido ou doente, umas vezes estás em casa, outras em viagem. Às vezes é difícil que o livro não registe tamanhas oscilações.</p>
<p><a href='http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/eduardo_mendoza3.jpg' title='eduardo_mendoza3.jpg'><img src='http://bibliotecariodebabel.com/ficheiros/eduardo_mendoza3.jpg' alt='eduardo_mendoza3.jpg' /></a></p>
<p><strong>O humor e o sarcasmo são marcas do seu estilo e este romance não foge à regra.</strong><br />
Muitas vezes me perguntam porque recorro ao humor nos meus livros e a verdade é que não há nenhuma razão. Se fosse japonês, escreveria de outra maneira. Se fosse uma mulher, também. Sou como sou e por isso escrevo como escrevo. </p>
<p><strong>Alguns dos episódios mais divertidos de <em>Mauricio ou as Eleições Sentimentais</em> ocorrem em sessões de esclarecimento do PSOE catalão. Frequentou na altura esse tipo de acções de campanha?</strong><br />
Sim, claro. Foi uma época bonita. A democracia ainda estava no começo e as pessoas dos bairros pobres acreditavam que todos podiam e deviam participar no processo democrático. Eram tão empenhados quanto ingénuos. As reuniões eternizavam-se porque nunca ninguém se punha de acordo. </p>
<p><strong>Mais ou menos a meio do romance surge o tema da Sida, doença nova que atinge um dos vértices do triângulo amoroso. Quando Porritos morre, há quem a associe ao fim de um tempo, que tanto pode ser o da esperança ideológica na revolução como o da verdadeira liberdade sexual.</strong><br />
Naqueles primeiros anos da epidemia, a Sida foi vista por muita gente como uma espécie de castigo a pairar sobre a liberdade sexual conquistada nas duas décadas anteriores. Porritos poderia simbolizar o fim dessa ilusão, como simboliza o ocaso de uma certa forma de luta política, a dos velhos militantes que se sacrificavam e corriam perigos, mas que os partidos foram afastando porque já não serviam para nada. De certa forma, Mauricio tenta lutar contra isso, contra a transformação de Porritos em símbolo. Ela é apenas uma pessoa que morreu com uma doença terrível. Mais nada. Nenhuma pessoa deve ser reduzida a um símbolo. E por isso fiz aquele epílogo em que remeto esse peso para figuras mitológicas como os anjos, que são, esses sim, símbolos de símbolos. </p>
<p>[Versão ampliada de uma entrevista publicada no suplemento <em>Actual</em> do <em>Expresso</em>]</p>
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		<title>A inaudita guerra do Parque Eduardo VII</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Apr 2008 12:11:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Geral]]></category>

		<category><![CDATA[Feira do Livro]]></category>

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		<description><![CDATA[O conflito entre a APEL e a UEP, por causa da Feira do Livro de Lisboa, tem dado pano para mangas. Pelos vistos, neste momento &#8220;todos os cenários são possíveis&#8221;, quando falta menos de um mês para o começo da Feira. Como sempre, a batalha entre as duas estruturas representativas dos editores esconde outras guerras [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O conflito entre a <a href="http://www.apel.pt/">APEL</a> e a <a href="http://www.uep.pt/">UEP</a>, por causa da <a href="http://www.feiradolivrodelisboa.pt/">Feira do Livro de Lisboa</a>, tem dado pano para mangas. Pelos vistos, neste momento <a href="http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1326893">&#8220;todos os cenários são possíveis&#8221;</a>, quando falta menos de um mês para o começo da Feira. Como sempre, a batalha entre as duas estruturas representativas dos editores esconde outras guerras que a reestruturação recente do mercado veio ressuscitar e ampliar. Neste <a href="http://ler.blogs.sapo.pt/35848.html">editorial</a>, Francisco José Viegas disseca o &#8220;regresso da balbúrdia&#8221; e apela ao necessário bom senso das partes em &#8220;confronto&#8221;.</p>
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		<title>And the winners are&#8230;</title>
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		<pubDate>Thu, 24 Apr 2008 22:03:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Geral]]></category>

		<category><![CDATA[BiblioFilmes]]></category>

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		<description><![CDATA[Foram anunciados ontem os vencedores do concurso BiblioFilmes.
A escolha do júri recaiu no vídeo Onde me levam as palavras, de um grupo de alunos do Externato de Nossa Senhora dos Remédios, em Tortosendo:



Já a escolha &#8220;popular&#8221; (dos internautas) foi para Aprendendo com a leitura, trabalho dos alunos do Instituto Santa Teresinha de São Paulo (Brasil):



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			<content:encoded><![CDATA[<p>Foram anunciados ontem os vencedores do concurso BiblioFilmes.<br />
A escolha do júri recaiu no vídeo <em>Onde me levam as palavras</em>, de um grupo de alunos do Externato de Nossa Senhora dos Remédios, em Tortosendo:</p>
<p><object width="425" height="373">
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<p>Já a escolha &#8220;popular&#8221; (dos internautas) foi para <em>Aprendendo com a leitura</em>, trabalho dos alunos do Instituto Santa Teresinha de São Paulo (Brasil):</p>
<p><object width="425" height="373">
<param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/aMUhlFMcfzo&#038;rel=0&#038;border=1&#038;color1=0xe1600f&#038;color2=0xfebd01&#038;hl=pt-br"></param>
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		<title>Falta de esmero</title>
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		<pubDate>Thu, 24 Apr 2008 19:55:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Geral]]></category>

		<category><![CDATA[Mundo editorial]]></category>

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		<description><![CDATA[Um dos aspectos em que as editoras portuguesas infelizmente menos apostam, hoje em dia, é na qualidade da revisão dos livros que publicam. Ao dizer isto, nem sequer me refiro à escandalosa profusão de gralhas e erros ortográficos em que o leitor tropeça com uma frequência assustadora (alguns deles de bradar aos céus), talvez reflexo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um dos aspectos em que as editoras portuguesas infelizmente menos apostam, hoje em dia, é na qualidade da revisão dos livros que publicam. Ao dizer isto, nem sequer me refiro à escandalosa profusão de gralhas e erros ortográficos em que o leitor tropeça com uma frequência assustadora (alguns deles de bradar aos céus), talvez reflexo de uma decadência cultural que estranhamente já não choca ninguém. Aquilo de que falo é outra coisa: a ausência de uma leitura minimamente crítica dos textos a publicar, capaz de identificar e corrigir os deslizes que os autores (mas também os tradutores), na sua cegueira ou imperícia, cometem.<br />
Querem um exemplo? O último romance de Pedro Paixão, sobre o qual falei <a href="http://bibliotecariodebabel.com/geral/o-abismo-vazio/">aqui</a>. Sem ser exaustivo, encontrei estes erros óbvios: </p>
<p>— Pág. 12: &#8220;A sua última paixão chama-se Cate Blanchet.&#8221;; pág. 198: &#8220;Becket deve ser sussurrado.&#8221; <em>(O nome da actriz australiana é Cate Blanchett; o apelido do escritor irlandês é Beckett; talvez haja aqui um problema com as consoantes dobradas.)</em></p>
<p>— Pág. 70: &#8220;Por vezes vão ver jogar os Knickers.&#8221;; pág. 77: &#8220;Já não consegue receber um presente dele, uma ida a Miami, um jogo dos Knickers, uns sapatos Fendi, sem pensar de onde vem todo aquele dinheiro.&#8221; <em>(A palavra</em> knickers <em>designa <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Knickers">&#8220;roupa interior feminina&#8221;</a>; a equipa de basquetebol de Nova Iorque chama-se <a href="http://www.nba.com/knicks/">New York Knicks</a>; a repetição do lapso mostra que não é um lapso; e, no caso improvável de se tratar de uma ironia propositada de Paixão, que até pode ser um escrupuloso fã da NBA, não há nada que a sustenha ou justifique.)</em> </p>
<p>— Pág. 75: &#8220;Em casa dela lê Marcel Proust. Em francês. Vai durar até ao fim da minha vida. Nove volumes. Um exagero.&#8221;; pág. 91: &#8220;Gostaria de poder reler os sete volumes de Proust depois de os ler uma primeira vez.&#8221;; pág. 106: &#8220;Obviamente não se esqueceu dos comprimidos. Nem dos nove volumes de Proust. Não quis levar mais livro algum.&#8221; <em>(Para a protagonista de </em>Rosa Vermelha em Quarto Escuro<em>, a obra-prima de Proust tem um número flutuante de volumes; na verdade são sempre sete.)</em></p>
<p>— Um dos locais da (pouca) acção é uma quinta lindíssima, em Sintra. Mas também aqui a nomenclatura oscila. Se o narrador começa por dizer que se trata da Quinta das Rosas (páginas 112, 126, 150, 151), logo a transforma em Quinta das Flores (nas páginas 189 e 190), para voltar a ser Quinta das Rosas (a meio da pág. 204) e novamente Quinta das Flores (no fim da mesmíssima página 204). Sete páginas adiante, regressamos à Quinta das Rosas, que ainda vai a tempo de se transmutar, quase no fim, em Quinta das Flores (pág. 238). </p>
<p>— Na página 53/54, é referida a morte de Chet Baker, &#8220;com uma sobredose de heroína atirando-se do terceiro andar de um hotel barato em Amesterdão&#8221;. Na página 148, o trompetista volta &#8220;a deixar-se cair, a atirar-se&#8221;, mas desta vez é &#8220;do quarto andar do hotel barato em Amesterdão&#8221;. <em>(Na verdade, Baker caiu do segundo andar e ainda hoje não há a certeza de que o músico se tenha suicidado.)</em></p>
<p>— O nome do poeta Herberto Helder aparece quase sempre com a grafia correcta, excepto na página 214 (&#8221;Herberto Hélder&#8221;).</p>
<p>Uma análise deste tipo pode ser igualmente arrasadora para outros livros recentemente lançados, como o <em><a href="http://bibliotecariodebabel.com/geral/o-ouro-das-palavras/">Comboio Nocturno para Lisboa</a></em>, de Pascal Mercier, no qual abundam os erros ortográficos (&#8221;espiação&#8221; em vez de expiação; cadeiras com &#8220;acento&#8221; em vez de assento; etc.), de tradução (na página 176, por exemplo, há um &#8220;escurecer&#8221; onde devia existir um amanhecer ou clarear) e de <em>raccord</em> (uma fita de cetim negro que se transforma em fita de veludo negro, para voltar depois a ser fita de cetim negro). Pelo que pude apurar, estes erros no livro de Mercier foram corrigidos em edições posteriores mas isso não apaga, como é óbvio, o mau trabalho inicial.<br />
Citei dois livros de duas editoras de prestígio (a Bertrand e a Dom Quixote), pertencentes a dois importantes grupos editoriais (o Direct Group/Bertelsmann e a LeYa). Muitos outros chumbariam em semelhante escrutínio. E o que me preocupa é justamente isso: sentir que esta falta de esmero começa, cada vez mais, a ser a regra e não a excepção.</p>
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		<title>Esta noite, 21h30, em Belém</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Apr 2008 19:42:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[O dia mundial do Livro também é o dia nacional da (regressada) Ler. A festa é mais logo, a distribuição da revista só começa amanhã, mas já se pode ir espreitando o look do novo grafismo:

Em jeito de pré-publicação, deixo aqui três dos textos que escrevi para o dossier dos &#8220;50 autores mais influentes do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O dia mundial do Livro também é o dia nacional da (regressada) <em><a href="http://ler.blogs.sapo.pt/">Ler</a></em>. A festa é <a href="http://bibliotecariodebabel.com/geral/a-primeira-capa-da-nova-ler/">mais logo</a>, a distribuição da revista só começa amanhã, mas já se pode ir espreitando o <em>look</em> do novo grafismo:</p>
<p><img rel='domelhor'  src="http://fotos.sapo.pt/maF34lFQEvO9k8zi0rTr/s320x240" alt="página Ler_1" /><img src="http://fotos.sapo.pt/VJknd7tN6pUYgKcdfFpN/s320x240" alt="páginaLer_2" /><img src="http://fotos.sapo.pt/QzWZstsiqc5J0jbtbTgj/s320x240" alt="páginaLer_3" /><img src="http://fotos.sapo.pt/Oa05ea5FOQ59ZEYsetpf/s320x240" alt="páginaLer_4" /></p>
<p>Em jeito de pré-publicação, deixo aqui três dos textos que escrevi para o <em>dossier</em> dos &#8220;50 autores mais influentes do século XX e o que aprendemos ou devíamos ter aprendido com eles&#8221;:</p>
<p><strong>Jorge Luis Borges (1899-1986)</strong></p>
<p>Tal como Joyce, foi esquecido pela Academia Sueca, tão lesta a entregar o Nobel a escritores menores. A bem dizer, nunca necessitou desse tipo de caução. A sua fama, ganhou-a com textos buriladíssimos – ficções labirínticas, poemas de uma elegância clássica, ensaios desvairadamente enciclopédicos – e com a pose de sábio cego, feliz no recato de uma biblioteca sem limites, alimentando-se apenas da música das palavras. Erudito, bibliómano, Borges é o escritor por antonomásia, o homem que tinha na cabeça a Literatura toda (das <em>1001 Noites</em> às sagas islandesas, de Cervantes a Chesterton) e a soube reinventar em livros que são como jogos de espelhos em que se aprisiona o infinito. A sua escrita, cerebral e de uma lógica avassaladora, prestou-se a todo o tipo de pastiches. Poucos autores do século XX terão influenciado tantos bons escritores e tantos maus epígonos, iludindo-se estes com a aparente facilidade de imitar o que afinal era inimitável. </p>
<p><strong>O que nos ensinou:</strong> uma biblioteca pode ser um lugar mais aventuroso do que a selva amazónica</p>
<p><strong>Primo Levi (1919-1987)</strong></p>
<p>&#8220;Há dois tipos de sobreviventes do Holocausto: os que calam e os que falam&#8221;, disse um dia este discreto químico italiano – vítima, como tantos outros judeus, das atrocidades que fizeram de Auschwitz um &#8220;buraco negro&#8221; na História do século XX. Após o fim da guerra, Levi, que nunca deixou de ser o prisioneiro n.º 174517 (número que substitui o epitáfio na sua campa), escolheu falar do horror nazi em vários dos seus livros, um dos quais, <em>Se Isto é um Homem</em>, crónica quase científica do que se passou, narrada de forma objectiva e destituída de <em>pathos</em>, viria a transformar-se num dos melhores reflexos literários do &#8220;dever de memória&#8221; que pesava sobre quem conseguiu escapar do inferno.  </p>
<p><strong>O que nos ensinou:</strong> uma posição ética inabalável perante a barbárie nazi</p>
<p><strong>André Breton (1896-1966)</strong></p>
<p>Com o <em>Manifesto do Surrealismo</em> (1924) explicou ao que vinha: a procura de automatismos psíquicos capazes de expressar o funcionamento real do pensamento, &#8220;na ausência de qualquer vigilância exercida pela razão e para além de qualquer preocupação estética ou moral&#8221;. O resultado foi uma revolução, em França e em várias artes (da poesia à pintura), que chegou tarde e suavizada a Portugal. &#8220;A beleza será convulsiva ou não será&#8221;, dizia Breton, Papa do movimento e responsável-mor pelos seus cismas. </p>
<p><strong>O que nos ensinou:</strong> a escrita automática como forma de arrombar as portas do inconsciente</p>
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		<title>Uma aranha no crânio</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Apr 2008 10:22:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Excertos]]></category>

		<category><![CDATA[Geral]]></category>

		<category><![CDATA[W. G. Sebald]]></category>

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		<description><![CDATA[«Foi em Maio de 1976 que desembarquei pela primeira vez de um comboio na estação de Bonatz porque me tinham dito que o pintor Jan Peter Tripp, com quem tinha andado na escola em Oberstdorf, vivia na Reinburgstrasse, em Stuttgart. A visita que lhe fiz ficou a ocupar um lugar notável na minha memória, pois [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>«Foi em Maio de 1976 que desembarquei pela primeira vez de um comboio na estação de Bonatz porque me tinham dito que o pintor Jan Peter Tripp, com quem tinha andado na escola em Oberstdorf, vivia na Reinburgstrasse, em Stuttgart. A visita que lhe fiz ficou a ocupar um lugar notável na minha memória, pois a admiração que de imediato me suscitou a obra de Tripp levou-me a pensar que também eu gostaria de fazer qualquer coisa para além de dar aulas e orientar seminários. Tripp deu-me nessa altura de presente uma das suas gravuras onde se vê o presidente do Senado Daniel Paul Schreber, doente mental, com uma aranha no crânio — que pode haver de mais medonho do que os nossos pensamentos em constante correria? — e muito do que mais tarde escrevi deve-se a essa gravura, até na maneira como procedo, adoptando uma perspectiva histórica concreta, esculpindo pacientemente, juntando coisas aparentemente alheias umas às outras, ao jeito de uma <em>nature morte</em>.»</p>
<p>[in <em>Campo Santo</em>, de W. G. Sebald, trad. de Telma Costa, Teorema, 2008]</p>
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		<title>A nova vida (editorial) de Manuel Alberto Valente</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Apr 2008 23:16:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Geral]]></category>

		<category><![CDATA[Mundo editorial]]></category>

		<category><![CDATA[Manuel Alberto Valente]]></category>

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		<description><![CDATA[Pouco tempo após a sua saída da ASA (isto é, do grupo LeYa), Manuel Alberto Valente, um dos mais experientes e sólidos editores portugueses, volta a começar do zero um projecto que se antevê de qualidade exemplar. Sorte a da Porto Editora. Sorte a nossa. Bom trabalho, MAV.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pouco tempo após a sua saída da <a href="http://www.asa.pt/home.php">ASA</a> (isto é, do grupo <a href="http://www.leya.com/">LeYa</a>), Manuel Alberto Valente, um dos mais experientes e sólidos editores portugueses, <a href="http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1326628">volta a começar do zero um projecto que se antevê de qualidade exemplar</a>. Sorte a da <a href="http://www.portoeditora.pt/">Porto Editora</a>. Sorte a nossa. Bom trabalho, MAV.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>O abismo vazio</title>
		<link>http://bibliotecariodebabel.com/geral/o-abismo-vazio/</link>
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		<pubDate>Tue, 22 Apr 2008 11:14:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Críticas]]></category>

		<category><![CDATA[Geral]]></category>

		<category><![CDATA[Pedro Paixão]]></category>

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		<description><![CDATA[
Rosa Vermelha em Quarto Escuro
Autor: Pedro Paixão
Editora: Bertrand
N.º de páginas: 257
ISBN: 978-972-25-1715-7
Ano de publicação: 2008
Recém-chegado à Bertrand (após passagens pela Cotovia, Oficina do Livro, PrimeBooks e Quetzal), Pedro Paixão lançou o seu mais recente romance quase em simultâneo com a reedição do livro de estreia (A Noiva Judia, 1992). Esta coincidência, ao unir os dois [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img rel='domelhor'  src="http://www.fnac.pt/Images/catalogo/livros/xl/9789722517157.jpg" alt="capa 'Rosa Vermelha'" /></p>
<p><strong>Rosa Vermelha em Quarto Escuro</strong><br />
<em>Autor:</em> Pedro Paixão<br />
<em>Editora:</em> Bertrand<br />
<em>N.º de páginas:</em> 257<br />
<em>ISBN:</em> 978-972-25-1715-7<br />
<em>Ano de publicação:</em> 2008</p>
<p>Recém-chegado à Bertrand (após passagens pela Cotovia, Oficina do Livro, PrimeBooks e Quetzal), Pedro Paixão lançou o seu mais recente romance quase em simultâneo com a reedição do livro de estreia (<em>A Noiva Judia</em>, 1992). Esta coincidência, ao unir os dois extremos de uma obra com mais de 20 títulos, permite confirmar o que obras como <em>Boa Noite</em> (1993), <em>Muito, meu amor</em> (1996) ou <em>PortoKyoto</em> (2001) já prenunciavam: Paixão é excelente quando se dedica aos contos curtos mas torna-se um escritor sofrível sempre que envereda por narrativas mais longas.<br />
Volta a ser o caso de <em>Rosa Vermelha em Quarto Escuro</em>, romance palavroso no qual o leitor vai da exasperação ao aborrecimento e vice-versa. A história, se é que a podemos designar assim, está cheia de &#8220;fantasmas&#8221; que se alucinam uns aos outros e de solidões intransponíveis. Tudo girando à volta de uma nova-iorquina trancada na sua angústia, a quem acontecem coisas: a paixão mal resolvida por uma iraniana de &#8220;olhos cor de chuva&#8221;, tentativa de suicídio, um caso com o homem que a salvou <em>in extremis</em>, a morte do pai ou os sobressaltos que a empurram de Nova Iorque para Sintra, de Sintra para os Açores e dos Açores novamente para Nova Iorque, onde por fim uma gravidez redentora parece abrir portas ao improvável recomeço.<br />
O resto é tão vago que escapa a qualquer resumo. A protagonista pensa muito e os seus pensamentos são o corpo do romance. O que acontece chega-nos através de um discurso analítico, capaz de dissecar, até ao osso, tudo e mais alguma coisa: uma paisagem ou as leis do amor, &#8220;o problema da escala&#8221; ou a metafísica do &#8220;destino&#8221;. E assim, nesta imponderabilidade, se vai dissolvendo um débil fio narrativo que só de vez em quando faz, quase por favor, uma ou outra concessão à verosimilhança.<br />
Pelo meio, há <em>leitmotivs</em> — o primado da beleza, ecos do &#8220;romance infinito&#8221; de Proust — e alguns encontros com personagens que parecem saídas de um sonho: o traficante de ópio com uma quinta edénica; o professor de português que é poeta alcoólico depois das sete da tarde (e lhe revela Ruy Belo, Cinatti, Herberto Helder); ou o escultor judeu que escapou, cheio de culpa, ao horror do Holocausto. No entanto, até estes pontos de fuga acabam por ser devorados pela vertigem verbal da americana sem nome, que tudo absorve e sufoca num ímpeto solipsista.<br />
A escrita de Paixão não mudou: frases curtas, fluidas, sempre à beira do aforismo ou do paradoxo. Mas se este estilo aéreo resulta muito bem em textos de cinco parágrafos, está longe de aguentar a travessia de duas centenas e meia de páginas. Seria necessário outro fôlego, outro rasgo, outra coesão. Em vez disso, na ânsia de fixar epifanias e retratos dos abismos existenciais, o texto dissipa-se numa verborreia filosofante, que tanto se coloca em bicos dos pés (alusões a Joyce e a Balthus) como se aproxima de uma espiritualidade <em>new age</em>, com anjos decididos a salvar a &#8220;alma&#8221; de burgueses entediados. O tédio, que &#8220;está por debaixo de tudo, antes de tudo, à espera de tudo&#8221;, é justamente o mínimo denominador comum deste livro atravessado por ideias, pessoas e palavras que &#8220;aparecem para logo desaparecerem&#8221; da nossa memória, devoradas pelo mais absoluto vazio. </p>
<p><em>Avaliação:</em> 4/10</p>
<p>[Texto publicado no suplemento <em>Actual</em> do <em>Expresso</em>]</p>
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		<item>
		<title>Dias de fecho</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Apr 2008 16:13:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[Os dias de fecho às vezes duram semanas.
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		<title>A/C Relógio d&#8217;Água: é favor traduzir</title>
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		<pubDate>Sun, 20 Apr 2008 19:29:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
		
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		<category><![CDATA[Zizek]]></category>

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		<description><![CDATA[
Saiu em França, pela Fayard, esta semana.
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<p>Saiu em França, pela Fayard, esta semana.</p>
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		<title>A viagem que não fiz (a Matosinhos)</title>
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		<pubDate>Sun, 20 Apr 2008 18:19:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mário Silva</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Divulgação]]></category>

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		<description><![CDATA[E tenho pena.
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