O futuro

No eléctrico em que viajo para a Feira, um senhor bem vestido ia encostado à janela, concentradíssimo na leitura de um livro de capa clara. Olhava fixamente para as páginas durante 15 segundos, depois fechava o livro, contemplava o tecto da carruagem, murmurava qualquer coisa muito baixinho, voltava a abrir o livro, a olhar fixamente para as páginas durante 15 segundos, a fechar o livro, a contemplar o tecto da carruagem, a murmurar qualquer coisa muito baixinho, etc. Quando se preparou para sair, vi finalmente o título da obra: Learning Chinese Characters.



Comentários

4 Responses to “O futuro”

  1. Fernando on Outubro 13th, 2011 13:25

    The title is adequate. But will we (ocidentals) ever be poetic in chinese?

  2. blabla on Outubro 14th, 2011 9:30

    E blá, blá, eu estou em Frankfurt, e blá, blá, blá, vocês não estão, blá, blá, e eu sou um gajo importante e blá, blá, qualquer dia dão o meu nome a uma “strasse” daqui e blá, blá….

  3. José Mário Silva on Outubro 14th, 2011 9:41

    E blá, blá, o blogue é meu, e blá, blá, blá, faço nele o que me apetecer, blá, blá, e não tenho paciência para trolls, e blá, blá, o melhor é apagá-los logo, e blá, blá…

  4. Coincidências | Bibliotecário de Babel on Outubro 14th, 2011 17:44

    […] mesmo eléctrico em que vi um senhor a memorizar caracteres chineses, calhou ler esta passagem do romance The Sisters Brothers, de Patrick DeWitt: “I opened a […]

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges